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Entrevista a José Tomaz de Mello Breyner.
Entrevista a José Tomaz de Mello Breyner. Entrevista a José Tomaz de Mello Breyner.
2008.04.24 12:40h
Entrevista a José Tomaz de Mello Breyner, um reconhecido Monárquico do nosso meio.
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Olhando para o passado recente do Movimento Monárquico Português e vendo a forma como este tem conseguido dar respostas às situações pelas quais tem passado, diga-nos na sua opinião, o que se passa com o Movimento Monárquico?

Não se passa nada de especial a não ser que em minha opinião está com muito mais visibilidade. Esta visibilidade teve início com o casamento de SSAARR e continuou com as celebrações da memória do Regicídio que teve ampla cobertura mediática.

E agora em específico, como olha para estas recentes "crises de identidade" que têm assolado ultimamente os Monárquicos, nas suas mais variadas formas de associação, com uma periodicidade crescente?

Paulo repara que o que tu chamas estas "crises de identidade" são apenas para uma minoria de Monárquicos que frequentam os fóruns e sites na net. Para a grande maioria dos Monárquicos Portugueses (mais de 90%) não existe qualquer "crise de identidade.

Há uma falta de coerência política, se é que assim a podemos chamar, entre aquilo que os Monárquicos defendem e aquilo que é praticado, o que têm sido aparentemente a prática corrente?

Sinceramente não vejo a menor falta de coerência politica. Paulo, tu não podes avaliar o pensamento dos Monárquicos que andam na net. Esses são uma minoria dos Monárquicos Portugueses.

É, na sua opinião, o Movimento Monárquico um reflexo de aqueles que o têm liderado nos últimos tempos? E se sim. Crê que estes, apesar de tudo, têm feito um bom trabalho ou que é chegada a hora de uma renovação do mesmo?

Em minha opinião este trabalho poderia ter ainda mais visibilidade e aí penso que só agora os dirigentes do Movimento Monárquico estão a descobrir a internet e as suas possibilidades. Penso que temos de dar esse passo em frente e aí os mais novos têm um papel importantíssimo.

O que falta, se é que falta, para que o Movimento Monárquico consiga fazer chegar a sua mensagem até aos Portugueses?

Mais tecnologia. Passa sem duvida por uma presença agressiva na net.

Qual deve ser esta mensagem, na sua opinião?

Há que desmistificar a ideia ainda enraizada em muitos Portugueses de que haver uma Monarquia é igual a corte, cortesãos, e privilégios. Essa mensagem tem de ser bem passada. O papel de um Rei no século XXI tem de ser explicado, e aí penso que os Portugueses verão a facilmente a vantagem da mudança de regime

Não sendo a questão de Regime uma questão Partidária, no entanto não deixa de ser uma questão Política. Acredita que pelo facto de os Monárquicos apresentarem as suas visões políticas pessoais, possam estar a comprometer a posição do Movimento Monárquico perante os Portugueses?

De todo. Conforme dizes não se trata de uma questão partidária mas apenas de uma questão de regime.

Apesar de eu tratar o Movimento Monárquico enquanto um todo, de forma a facilitar a percepção do âmbito que se pretende discutir, este no entanto não é um todo. Pois fragmenta-se genericamente pelas diversas formas como se percebe que uma Restauração se deva proceder. Há assim aqueles para os quais Portugal já tem um Rei, apesar de este nunca ter sido assim confirmado por Cortes conforme o estipulado pelas Leis da Sucessão Portuguesas e aqueles que não reconhecem a existência de tal figura, precisamente pelo ainda incumprimento do estipulado pelas mesmíssimas Leis da Sucessão Portuguesas, cabendo ao primeiro grupo uma vasta maioria representativa de entre os Monárquicos. Concorda com esta minha descrição do actual Movimento Monárquico Português?

Paulo se perguntares a 99% dos monárquicos quem seria o Rei em caso de haver uma Monarquia em Portugal acredito que a resposta seria Dom Duarte. Acredita Paulo que não existem em Portugal 100 monárquicos para os quais o Senhor Dom Duarte não é o Chefe da Casa Real Portuguesa.

Não lhe perguntando se considera a figura do Sr. D. Duarte Pio enquanto Rei de Portugal, de facto, mas sabendo que é nesta figura que o Sr. José Tomaz de Mello Breyner deposita a sua confiança enquanto Pretendente ao Trono de Portugal, pergunto-lhe se tem encontrado dificuldades em trabalhar com aqueles Monárquicos que se encontram no, assim por mim chamado, segundo grupo?

Tenho encontrado algumas dificuldades, sobretudo porque os 2 Portugueses que são partidários de um tal italiano são agressivos nas suas campanhas e bem gostava de ter essa agressividade ao serviço da Monarquia em Portugal e a "combater" os Republicanos, mas conforme disse e apesar da sua agressividade os 2 partidários do italiano não têm qualquer expressão real, apenas virtual. Quanto ao outro putativo pretendente, o Sr Duque de Loulé, é curioso mas nunca o ouvi dizer que era pretendente a nada. Esse terá mais apoiantes acredito que uns 7 ou 8. Acredito também que esta "causa" ainda não assumida caiu por terra com a publicação de umas fotografias que circularam ultimanente na net.

E se por o fazer, se achou que a sua posição relativa à defesa da Pretensão do Sr. D. Duarte Pio alguma vez foi abalada ou se tal foi motivo de exclusão, desconsideração ou ataque por parte destes últimos?

De todo. A minha posição, que é também a do Senhor Dom Duarte, é a de que um dia será Rei quem os Portugueses quiserem que seja.

Visto o Sr. José Tomaz de Mello Breyner trabalhar activamente com os "dois lados", pergunto-lhe se alguma vez notou o reverso da pergunta que lhe acabei de fazer em relação aqueles que não se enquadram no primeiro grupo? (Nota do Autor: Em todo o caso, desde já peço que me desculpem mas sinceramente não concordo com o termo "dois lados"embora este tenha sido o que encontrei de mais parecido aquilo que procurava descrever.)

Paulo, tal como tu não aceito essa dos dois lados. Só há um lado. Quando morreu El Rei Dom Manuel II meu Bisavô estava a jantar em Fullwel Park ao lado das 2 Rainhas, quando chegou um telegrama do Senhor Dom Duarte Nuno a pedir para o representar nas exéquias solenes. Meu Bisavô mostrou imediatamente o telegrama à Rainha Dona Augusta Vitória, que não o conhecia tão bem quanto a Rainha Dona Amélia, e Esta perguntou-lhe " Mas Tomaz, você agora é desses? " Meu Bisavô respondeu-lhe assim: " Minha Senhora infelizmente agora só há estes, no entanto cumprirei as Vossas ordens" Tendo Ela respondido imediatamente " Tem toda a razão, Aceite " Tal como o meu Bisavô eu também digo "Só há um lado, os outros são fantasias".

Como olha o Sr. José Tomaz de Mello Breyner para esta nova geração, estes "jovens", Monárquicos que têm surgido actualmente e que, aparentemente, não se conformam com as políticas do assim chamado Movimento Monárquico?

Paulo os jovens monárquicos que conheço são excelentes e têm a vantagem de ter acesso mais fácil ás novas tecnologias pelo que os considero uma enorme mais valia.

Apesar de como já o disse anteriormente, a questão de Regime não ser uma questão Partidária. O facto é que Portugal é hoje uma República e que a única forma de Portugal voltar a ser uma Monarquia seria através de um Golpe de Estado, conforme aconteceu com a República a 5 de Outubro de 1910, ou através da expressão do desejo popular a qual em todo o caso se encontra impedida de o fazer devido a limites materiais impostos pela mesma República na Constituição Portuguesa. E assim, apenas nos resta uma terceira via que é a da revisão Constitucional e para isso é necessário que pelo menos 2/3 do Parlamento aceitem tal revisão. Ora, se é sabido que há Monárquicos em todos os Partidos Portugueses, apesar de alguns destes (Partidos) se definirem enquanto Republicanos nos seus estatutos. Não seria proveitoso para os Monárquicos a existência de um Partido de cariz Monárquico, o qual procurasse através do actual sistema chegar ao Parlamento e preferencialmente à Governação Nacional?

Eu defendo que a Monarquia é supra-partidária. Tal como a Constituição os Estatutos dos Partidos são passíveis de alterações pelo que o nosso principal trabalho é a divulgação do ideário Monárquico fazendo "lobby" junto das pessoas que elegemos e tentar alterar o que tem de ser alterado. É a única maneira que concebo para alterar a questão de regime.

Como já o disse e sabendo que há Monárquicos ao longo de todo o espectro político Nacional, a ideia de um Partido "único" pró Monárquico torna-se possivelmente numa questão complicada devido a toda uma disparidade ideológica entre os seus integrantes. Mas não poderia tal ser entendido enquanto um "Governo de Salvação Nacional", onde todos os lados procuram trabalhar em conjunto para o solucionar dos problemas que nos assolam? O que acha desta imagem do que poderia ser o papel de um Partido pró Monárquico?

Acho sinceramente que não tem a menor vantagem. Temos visto o que têm sido as votações no PPM e essas votações em minha opinião não espelham de todo a realidade do número de monárquicos em Portugal. Eu por ser Monárquico tal como tu posso ter uma visão diferente da tua acerca das melhores soluções para o nosso País pelo que defenderei um partido diferente do teu, e somos ambos monárquicos.Paulo acredita que a questão da sucessão não é uma questão.

Visto que um Partido pró Monárquico já existe sob a forma do Partido Popular Monárquico. O que acha que falha neste, seja a título estrutural ou programático, para que os Monárquicos não se identifiquem com o mesmo? Como é que tal poderia ser corrigido e aproveito para lhe perguntar se se encontra disponível para ajudar a implementar a sua visão de um PPM diferente e sob que forma? O que falha no PPM? Eu pergunto antes: Alguma coisa funciona bem no actual PPM?

Paulo não tenho a menor duvida que o PPM irá desaparecer muito brevemente. Acredito que o próximo líder do PSD não vai na conversa de voltar a rebocar o PPM. E se duvidas tiveres consulta o site do Parlamento e vê a actividade parlamentar (mais para lamentar) dos Deputados do PPM. Revês-te naquilo? Eu também não.

E já agora, pergunto-lhe sobre o que tem achado dos textos expostos por parte do PPM - Açores no site monarquicos.com enquanto forma de aumentar a sua exposição do trabalho efectuado por estes perante os Monárquicos e Portugueses em geral?

Os PPM Açorianos estão completamente fora do contexto dos dirigentes Nacionais, e tenho gostado sinceramente de alguns textos que lá tenho lido.

Fugindo um pouco ao tema, mas crendo que não deixa de ser de importância capital discutir-se o mesmo, pergunto-lhe o que acha da questão de Olivença e Terras de Juromenha, do Grupo de Amigos de Olivença o qual se tem batido pela devolução destes territórios à Soberania Portuguesa e das posições e atitudes tomadas por parte dos Governos Portugueses e Espanhóis e sob que forma crê que esta situação possa ser resolvida de forma definitiva?

Acho que esta é uma questão que existe e não a podemos colocar de lado como tem sido feito até agora. No entanto defendo que qualquer solução que se encontre tem de passar por uma questão a quem lá vive. Esses habitantes de Olivença têm de ter uma palavra decisiva na resolução desta questão.

Faço-lhe uma última pergunta. Acha que apesar de Portugal ser hoje uma República, que haveria o interesse de se realizarem Cortes, ou o seu equivalente, para que a questão da Sucessão ficasse de vez resolvida? Haveria algum interesse em tal, se as inerentes questões técnicas que tal implicariam fossem resolvidas? O facto de nos arriscarmos a fazer uma "triste figura" perante os Portugueses deveria ser um desmotivador para tal situação?

Paulo conforme tenho dito ao longo desta entrevista acho que a Sucessão não é uma questão que preocupe 99% dos Monárquicos. É uma questão que preocupa um ínfimo grupo de pessoas. Penso que essas pessoas preocupadas com esta questão seriam as primeiras a não quererem que essas "Cortes" se realizassem, uma vez que elas sabem qual seria o resultado.

Após o que foi na realidade uma série de perguntas e não apenas a "última" como dei a entender, dou a palavra ao Sr. José Thomaz de Mello Breyner, para que possa apresentar aos nossos Leitores alguma temática a qual considere importante o suficiente e que não tenha aqui sido abordada.

Paulo apenas para te dizer que não sei a razão de ser desta entrevista uma vez que nada nem ninguém represento pelo que estranhei o pedido. Não quero deixar de te felicitar pelo teu site e pelo teu bom trabalho.

Paulo Especial
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Comentários Comentários (2)
Anónimo 06.10.2008 12:00:08
Li e agradou-me a entrevista, deixou o tal gostinho por mais... Paulo Fontes http://paulofontes75.blogspot.com
Anónimo 05.10.2008 14:43:39
Hoje, 5 de Outubro de 2008, (festeja-se) a Republica. Cretinice: Festejar uma data que vingou por haver assassinado a SANGUE FRIO, o Rei e o inocente filho. Sinceramente não sei...acho que os cretinos mataram primeiro o Pai e deixaram que um inocente assistisse a esse aviltante acto. Eu disse: não sei. Festejar a Republica é festejar um dia de crime horrendo. E, descontraiam, não sou politico...nem sequer vou votar, pois, considero esta atitude, uma humilhação para quem delega o quer que seja. Em mim...mando. (Thémis)