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Nova entrevista a Pedro Reis.
Nova entrevista a Pedro Reis. Nova entrevista a Pedro Reis.
2008.06.18 15:10h
O monarquicos.com orgulha-se de novamente entrevistar o Sr. Dr. Pedro Reis, conhecido Monárquico do nosso meio.
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Olhando para o passado recente do Movimento Monárquico Português e vendo a forma como este tem conseguido dar respostas às situações pelas quais tem passado, diga-nos na sua opinião, o que se passa com o Movimento Monárquico?

Sou levado a responder fazendo várias perguntas! O que é o Movimento Monárquico Português? Que situações e que respostas foram essas? Foram essas respostas concertadas ou meros espasmos de cariz individual ou sectário?

Não creio que possamos falar em “Movimento Monárquico”, como um todo, passando uma ideia de organização e acção coerentes, que actua como um par acção/reacção perante o constante insulto republicano, próprio do preconceito e ignorância.

Se nos reportarmos de há 35 anos a esta parte só poderemos ver um período, curto, em que se pode falar de Movimento Monárquico e esse é o período pós 25 de Abril até ao fim do Governo de Pinto Balsemão, em que a representação parlamentar do PPM era auto-gerada e não pululavam um sem número de organizações. Nessa altura podia-se falar em Movimento Monárquico, todo ele assente em doutrina e carolice, ideal e acção. Hoje não sei se podemos falar do dito Movimento. Talvez possamos falar em movimentações e com essas concordo e louvo-as, agradecendo aos seus promotores, no entanto penso que se houvesse menos crises de protagonismo e maior aproximação ao terreno que se podia ter feito mais e com isso não quero dizer que fosse melhor, mas certamente ter-se-ia feito mais.

Há pouco tempo levantei a questão do que apelidei de “crises de identidade”, sendo que estas foram conotadas com uma minoria dentro do Movimento Monárquico. Concorda com esta visão de que apenas para uns poucos Monárquicos é que têm havido “crises de identidade” relativamente ao percurso que o Movimento Monárquico tem percorrido nos últimos tempos?

Não, não concordo. Ainda que quem verbalize essas supostas “crises de identidade” seja uma minoria, essa mesma voz é um eco de fundo, com uma dimensão muito maior. Pode-se é afirmar que o mal-estar apenas é enfrentado por poucos, quando muitos o sentem. Os primeiros agem e os restantes acomodam-se. Destes últimos uns afastam-se, outros falam à boca pequena e em privado.

Se assumirmos as coisas como elas são, e se nos apresentam, o ideal monárquico é reaccionário, no sentido de ser conservador, e por natureza própria, cultural e social este tipo de movimentos carecem de lideranças fortes, determinadas e controversas q.b. Nem todas as pessoas que tomaram rédeas no ideal monárquico possuem estas características e naturalmente foram, ou ainda são, mais fonte de discórdia que de unidade. Por outro lado um movimento que se pretende popular tem estado sistematicamente afastado do terreno, com pouca capacidade de intervenção e mobilização. Naturalmente com a maior visibilidade do ideário monárquico, alguns dos seus membros têm pedido por mais e melhor, mas na ausência de satisfação enveredam por outras vias. Tem sido assim há muito tempo, diria que desde a década de 90, do séc. XIX!

Devem os Monárquicos que discordam da posição ideológica maioritária aceitar esta última posição a bem do que apelidarei de “bem comum”, ou seja da defesa de um Regime Monárquico para Portugal?

Devemos todos atirar-nos ao mesmo poço se essa for a opção da maioria? Creio que a pergunta é de mera retórica!

Se essa é a opinião da maioria, pois que sejam livres de a ter, mas não confundam as suas opções com a dimensão plural do ideal monárquico. Um dos erros dos republicanos foi o de não terem visão plural ainda que o seu ideário fosse consubstanciado num objectivo comum. O resultado óbvio sabemos hoje qual foi e não foi agradável, pelo que pergunto a essas pessoas se é isso que pretendem? Que não haja um fundamento plural que seja posteriormente a fonte da diversidade democrática? Se sim…passem bem e muito obrigado, eu sigo outro caminho.

A meu ver este assunto já podia ter sido resolvido há muito tempo, bastava que não se partisse da posição arrogante de se ser maioria, não havendo necessidade de creditar a minoria. Não é lógico que assim seja. Qualquer estrutura política tem moderados, radicais, conservadores, etc que coexistem e formam o todo e ainda que se oponham, dentro da estrutura, no essencial e no mais importante sabem estar unidos, sem que ninguém lhes imponha isso. Como é de calcular, posteriormente, cada um atira-se para o poço que lhe parecer melhor!

Há, na sua opinião, uma falta de coerência política, se é que assim a podemos chamar, entre aquilo que os Monárquicos defendem e aquilo que é praticado?

Total e completa!

Como pode ser um movimento popular se não dá atenção aos problemas sociais que afectam as pessoas? Lamento ter de afirmar isto, mas a Monarquia serve tanto ao cidadão comum como a República se ambas se estão simplesmente borrifando no sentido de resolver os seus problemas, passe a expressão.

Todos os monárquicos falam em garantir um país melhor, em dar uma orgânica mais adequada ao serviço público, de como todos beneficiaríamos em ter um Rei à frente da chefia de Estado, mas muito poucos atalharam em falar como é que o regime diminuiria os sérios problemas sociais e económicos com que os cidadãos lidam todos os dias. No global são vistos com alguma desconfiança, por ambas as partes, sejam os seus interlocutores, que não estão habituados a ouvir esse tipo de discurso, fruto do preconceito e estereótipo, sejam os seus próprios pares que não estimam um discurso mais popular. É mais do que evidente que os movimentos de elite tenderão a falhar, sobretudo na questão regimental, que mais não seja pelo preconceito das massas, se os promotores das ideias não falarem para elas nem atenderem às suas necessidades.

Não são as medidas avulsas que periodicamente vão sendo avançadas pelo Sr. D. Duarte, tais como compartimentação de impostos litoral/interior, preferência do governo em comprar “made in Portugal”, etc que são o fundamento de um Movimento Monárquico de cariz Popular. Agora honra lhe seja feita porque é o único monárquico que o faz publicamente, onde a dita maioria se afunda no argumento de que a Monarquia não é uma proposta de governação do país. Ainda que o argumento faça algum sentido, para as classes médias e baixa o raciocínio é simples: “se nada muda a não ser o Presidente pelo Rei e o país continua entregue aos mesmos, então que fique o Presidente que esse ao menos é escolhido, por nós.”

Partindo da afirmação anterior, de que a Monarquia não é um programa governativo, porque é que então ninguém, ainda, se referiu à memória política que é apanágio do chefe de Estado vitalício e que servirá de garante aos “pactos de regime”, evitando-se assim as políticas de 4 anos, da educação, por exemplo? Como é possível que ninguém fale de garantir uma obrigatoriedade legal de governos maioritários, eliminando-se a necessidade do voto útil, permitindo-se com isto uma maior diversidade do espectro parlamentar? Da regionalização municipalista como garante da aproximação clara dos centros de decisão ao eleitor? De emancipar a Justiça das mãos do governo, dotando-a de orçamento e soberania própria, democraticamente sufragada pelo eleitorado? Enfim, ocorrem-me tantos assuntos que, sem serem programas governativos, poderão ser os porta-estandartes do Movimento Monárquico que pasmo perante o vazio de ideias a que os monárquicos deste país se devotam, quando inquiridos sobre as vantagens duma monarquia reinstaurada. Sou levado a crer que a dita maioria é monárquica por razões meramente estéticas, o que nos dias que correm não é bem aquilo que os Portugueses necessitam.

Os Monárquicos foram divididos entre os Monárquicos da Internet e os Monárquicos, os quais apelidarei de, “tradicionais”. Concorda com esta divisão? E como olha a entrega dos Monárquicos de hoje à luta pela Causa sejam estes de um ou outro grupo?

Esta necessidade de divisão e julgamento deixa-me perplexo. Isto é quase tão ridículo como dividir os monárquicos entre os que usam telemóvel e os que não usam e fazer duns melhores ou diferentes dos outros. Não faz sentido, absolutamente, algum.

Quando cada um de nós faz o que pode, o melhor que consegue e cumpre com a sua consciência não pode estar aquém do que se lhe pode exigir. Segundo o que ouvi dizer cada um desce as escadas como melhor lhe apetecer, se eu e mais alguns usamos da internet e nos movimentamos aqui e outros o fazem em reuniões, colóquios e beberetes, desde que ao final cada um faça o que a sua consciência lhe dita, para mim é quanto basta.

É, na sua opinião, o Movimento Monárquico um reflexo de aqueles que o têm liderado nos últimos tempos? E se sim. Crê que estes, apesar de tudo, têm feito um bom trabalho ou que é chegada a hora de uma renovação do mesmo?

Sim, penso que o trabalho das bases advém dos exemplos de liderança e fraco Rei faz fracas as fortes gentes.

Pegando na resposta à pergunta anterior não posso, em consciência, dizer que não foi feito bom trabalho. O que posso dizer é que talvez não correspondesse, totalmente, às expectativas, no entanto penso que a fórmula não podia ter sido muito diferente, dadas muitas das condicionantes, sobretudo as cisões. Nesta fase acredito que o Dr. Paulo Teixeira Pinto terá condições e experiência suficientes para fazer um melhor trabalho que o seu antecessor, pelo que creio que a renovação que é sugerida está feita. Vejamos que resultados serão alcançados.

O que falta, se é que falta, para que o Movimento Monárquico consiga fazer chegar a sua mensagem até aos Portugueses e qual deve ser esta mensagem, na sua opinião?

Um discurso popular. Propostas concretas, exequíveis e simples de melhorar a vida das pessoas e no sentido de moralizar a vida pública. Não temos todos de fingir que somos pessoas do povo, mas certamente podemos pôr-nos todos ao serviço do povo. Existem tantas áreas sensíveis que podem ser abordadas dum ponto de vista das falhas do regime republicano e da sua democracia socialista, que insistir na via de que um Rei é melhor que um Presidente soa a oco. Já foquei aqui algumas destas ideias.

É ponto assente que a questão de Regime não é uma questão Partidária no entanto não deixa de ser uma questão Política, concorda com esta assumpção? Se sim, devem os Monárquicos coordenar as suas posições políticas pessoais com aquilo a que chamarei de posição do Movimento Monárquico perante os Portugueses de modo a não comprometer esta última?

Não, não concordo. No nosso país a questão de regime tem assumido claramente um cariz partidário, daí que me arrisque a dizer que temos uma Constituição contra a direita, seja lá o que isso for! A causa monárquica, nos actuais moldes, não tem qualquer expressão dentro dos partidos de esquerda republicana e muito pouca dentro dos socialistas. Ficou bem patente no voto de pesar pelo regicídio, o quanto esses partidos são sensíveis ao regime monárquico, pelo que não é razoável afirmar-se que o regime não é uma questão partidária, quando de facto o é.

Se devem ou não coordenar as suas posições políticas é algo irrelevante no contexto da disciplina partidária parlamentar. A não ser que se encha o PS de monárquicos, de alto a baixo, as possibilidades de haver alguma viabilidade de discussão desse assunto no Parlamento estão, previamente, condenadas ao insucesso. Talvez devêssemos aprender algo com os republicanos e em vez de tentarmos uma aproximação aos políticos de esquerda devêssemos começar a coordenar acções com o exército, marinha e força aérea e, sim, tentar arranjar algo que nos comprometa a todos!

Apesar de eu tratar o Movimento Monárquico enquanto um todo, de forma a facilitar a percepção do âmbito que se pretende discutir, este no entanto não é um todo. Pois fragmenta-se genericamente pelas diversas formas como se percebe que uma Restauração se deva proceder. Há assim aqueles para os quais Portugal já tem um Rei, apesar de este nunca ter sido assim confirmado por Cortes conforme o estipulado pelas Leis da Sucessão Portuguesas e aqueles que não reconhecem a existência de tal figura, precisamente pelo ainda incumprimento do estipulado pelas mesmíssimas Leis da Sucessão Portuguesas, cabendo ao primeiro grupo uma vasta maioria representativa de entre os Monárquicos. Concorda com esta minha descrição do actual Movimento Monárquico Português?

Sim, com esta descrição concordo. O governo de Portugal já é propriedade do domínio público, ainda antes da queda da Monarquia Constitucional, pelo que essa decisão não está na dependência de uma meia dúzia, mas sim dos legítimos representantes eleitos dos Portugueses, reunidos em sede própria. É meu entender que as opções que cada um toma limitam-se efectivamente à sua pessoa, pelo que ser-se ou estar-se inserido numa maioria parcelar em nada interfere quer com as opções de terceiros quer com o seguimento natural do direito consuetudinário.

Não lhe perguntando se considera a figura do Sr. D. Duarte Pio enquanto Rei de Portugal, de facto, pergunto-lhe se tem encontrado dificuldades em trabalhar com aqueles Monárquicos que se encontram no, optarei por apelidar desta forma, “outro” grupo relativamente à sua forma de pensar quanto a esta temática?

Algumas, como é natural. Se depois isso é transponível, ou não, depende integralmente do interlocutor. Há pessoas que sabem enquadrar as suas opções no âmbito privado e outras não. Torna-se insustentável trabalhar com estas últimas.

O Sr. Pedro Reis já trabalhou, e pergunto se ainda o faz?, com monárquicos dos “dois lados”. Pergunto-lhe se alguma vez notou o reverso da pergunta que lhe acabei de fazer em relação aqueles que não se enquadram no primeiro grupo?

Penso que a pergunta é se sou intransigente na questão da sucessão! Não, não sou. Reconheço os valores patrimoniais de todos os membros da família Bragança e considero que é da exclusiva competência das cortes constituintes a escolha sobre quem recairá o trono, ainda que essa opção até possa não integrar qualquer membro da família Bragança.

Se ainda trabalho com ambos os lados? Sim, sempre que possível. Ainda há coisa de 3 meses lancei um repto neste mesmo fórum e algumas pessoas, declaradamente apoiantes do Sr. D. Duarte, assinaram a queixa que se enviou à Provedoria de Justiça, sendo até que o grosso do trabalho foi feito por uma dessas pessoas. É fácil trabalhar em conjunto quando há respeito, empenho e dedicação a um valor superior.

Se por outro lado me questionam se há quem “deste lado” se recuse a trabalhar com apoiantes do Sr. D. Duarte ou qualquer outro pretendente? Sim há e isso é um assunto que cabe a cada um decidir como quer lidar com ele. Dum ponto de vista pessoal prefiro não fechar a porta a ninguém.

Na sua opinião, qual seria a melhor forma de resolver este diferendo e em que ponto é que tal resolução colocaria em cheque as várias “pseudo” pretensões? É este ponto uma questão de importância capital para a eventual restauração da Monarquia em Portugal?

Não é de importância capital que se ultrapasse o diferendo. O que é de importância capital é que cada uma das pretensões tenha presente que, em última análise, serão os legítimos representantes dos Portugueses que tomarão a decisão da sucessão, pelo que ninguém se pode entronizar de facto consumado. Aliás, até seria razoável que não se cometesse um dos erros brasileiros, o de trazer até à boca das urnas a batalha da sucessão, sendo que era da responsabilidade dos próprios pretendentes absterem-se de defender as suas posições pessoais em prol da causa comum e do superior interesse da Nação. Quem não souber fazer isto não nos serve para Rei.

Como olha para os presentes monárquicos que assumem a continuação do combate em prol da Monarquia, estes “jovens” monárquicos que têm surgido actualmente e que, aparentemente, não se conformam com as políticas do assim chamado Movimento Monárquico?

Olho-os com alguma esperança e familiaridade! Espero que quebrem o ciclo e aprendam com os erros das gerações mais antigas, que demonstrem dignidade e que sejam pessoas informadas, com os pés bem assentes na terra. Sobretudo que não sejam carolas, mas sim verdadeiros políticos.

Apesar de como já o disse anteriormente, a questão de Regime não ser uma questão Partidária. O facto é que Portugal é hoje uma República e que a única forma de Portugal voltar a ser uma Monarquia seria através de um Golpe de Estado, conforme aconteceu com a República a 5 de Outubro de 1910, ou através da expressão do desejo popular a qual em todo o caso se encontra impedida de o fazer devido a limites materiais impostos pela mesma República na Constituição Portuguesa. E assim, apenas nos resta uma terceira via que é a da revisão Constitucional e para isso é necessário que pelo menos 2/3 do Parlamento aceitem tal revisão. Ora, se é sabido que há Monárquicos em todos os Partidos Portugueses, apesar de alguns destes (Partidos) se definirem enquanto Republicanos nos seus estatutos. Não seria proveitoso para os Monárquicos a existência de um Partido de cariz Monárquico, o qual procurasse através do actual sistema chegar ao Parlamento e preferencialmente à Governação Nacional?

Não nos podemos esquecer da disciplina partidária, pelo que não é provável assumirmos que alguns deputados de esquerda votariam favoravelmente essa revisão. É ingenuidade achar-se que isso poderá acontecer.

Penso que há necessidade de haver vias alternativas aos actuais partidos parlamentares, que assumam claramente um distanciamento das actuais políticas e formas de as exercer. Se de entre estas alternativas houver uma que se posicione, também, como monárquica então tudo bem, é credível, agora se vamos falar de um partido monárquico puro e duro, cujo objectivo primeiro e único é a reinstauração da monarquia, sem mais nada, bom, já conhecemos essa realidade, sabemos os resultados que consegue e não temos necessidade de mais.

Aparentemente o PPM parece ter tido uma epifania e quer-se transformar de Popular a Social. Vamos ver se conseguirá assumir-se como uma alternativa, uma vez que nesta fase considero um erro enveredar-se pela criação de mais um partido de cariz monárquico, sem antes se ter extinguido o PPM. Penso que quem não se revê na actual direcção do PPM só tem um caminho a seguir, o de se filiar e apresentar lista a congresso. O histórico de termos um novo partido por cada ex-Presidente do PPM parece-me, no fundo, absurdo.

Como já o disse e sabendo que há Monárquicos ao longo de todo o espectro político Nacional, a ideia de um Partido “único” pró Monárquico torna-se possivelmente numa questão complicada devido a toda uma disparidade ideológica entre os seus integrantes. Mas não poderia tal ser entendido enquanto um “Governo de Salvação Nacional”, onde todos os lados procuram trabalhar em conjunto para o solucionar dos problemas que nos assolam? O que acha desta imagem do que poderia ser o papel de um Partido pró Monárquico?

Não concordo com essa temática de haver monárquicos dispersos por todos os quadrantes políticos, dispostos a dar a cara pela causa, mas dando o benefício da dúvida e creditando a ideia, não lhe chamemos partido, mas antes plataforma partidária capaz de fazer eleger deputados pelo seu valor individual, independentemente da sua ideologia de base e talvez a ideia funcionasse. Agora isto implicava diversas posturas de consenso que não creio sejam possíveis. Há demasiada segmentação e julgamento de valores e pouco respeito pela diferença para que os monárquicos da praça possam coexistir sem se extremar posições e se entrar em processos de ruptura, a curto prazo.

Visto que um Partido pró Monárquico já existe sob a forma do Partido Popular Monárquico. O que acha que falha neste, seja a título estrutural ou programático, para que os Monárquicos não se identifiquem com o mesmo? Como é que tal poderia ser corrigido e aproveito para lhe perguntar se se encontra disponível para ajudar a implementar a sua visão de um PPM diferente e sob que forma?

Falta ao PPM um discurso que traga algo de positivo à vida das pessoas simples, que ataque o regime nas suas lacunas e proponha alternativas aos actuais moldes de representatividade do eleitor, mas sobretudo que o faça com grande alarido e não no costumeiro silêncio!

Aproveito para o questionar em relação à Acção Monárquica Tradicional, qual é o âmbito deste organismo e em que difere a posição “desta” Monarquia em relação à visão mais “generalista”?

A AMT é uma estrutura de reflexão, que engloba um posicionamento puramente legitimista, lógico e apoiado no aspecto tradicional do direito consuetudinário, enquanto forma de encarar a sucessão. É em nosso entender a via mais consensual de pôr fim à “guerra” da sucessão, deixando a decisão da mesma num plano secundário ao da reinstauração.

A nossa vocação é a doutrina monárquica, pura e dura, independente de qualquer pretensão ou presunção ao trono. Por outro lado a AMT é fortemente apoiada num discurso popular suportado pela doutrina social da Igreja, ainda que entre nós hajam ateus, ortodoxos e católicos.

Não nos posicionamos como empreendedores duma república coroada, mas antes por um regime fundamentado na cultura e tradição Portuguesas, sendo que consideramos que o regime deve ser natural e não um artifício estrangeiro, mal adaptado e que não corresponde às nossas necessidades, enquanto povo soberano e criativo, que somos. Desnecessário será dizer que as ideias maçónicas não têm lugar entre nós, sobretudo no que toca ao estadão ateu, centralizador e controlador.

É impossível resumir aqui, sem me tornar demasiado exaustivo, a essência das nossas ideias pelo que os interessados podem consultar no nosso sítio o documento “Questão Real” que nos serve de cartilha.

É a A.M.T. um fruto “recente” de um grupo de Monárquicos que não se identifica, ou teima em não o fazer, com a visão maioritária dos demais Monárquicos?

A AMT é apenas um grupo de monárquicos mais preocupado com o país, que com a sucessão. A nossa teimosia, se assim o prefere chamar, prende-se com um posicionamento lógico e metódico, sendo que o que nos preocupa mais é o estado das famílias Portuguesas, que o da “família real” e que para nós Monarquia é uma forma de servir a Nação e não uma dinastia. Se isto choca com a visão de outros monárquicos creio que isso é um problema deles.

O que espera a A.M.T. conseguir face aos Monárquicos e em relação aos Portugueses na sua generalidade?

Esperamos ser aqueles que, no fundo, conseguem falar de monarquia enquanto regime de utilidade presente e futura, que sabem o que pretendem para o dia a seguir à reinstauração. Dificilmente nos ouvirão argumentar que a Monarquia é melhor porque é mais barata ou mais bonita, agora certamente nos ouvirão falar duma reestruturação profunda das instituições públicas de baixo para cima, fortemente apoiadas no conceito do municipalismo, da descentralização, da independência plena da Justiça, dum sistema bicamarário, de governos obrigatoriamente maioritários, entre muitas outras propostas, que são públicas. No fundo o que esperamos das pessoas, na sua generalidade, é pô-las a pensar em alternativas para um Portugal melhor, mais justo e mais natural à nossa cultura.

Fugindo um pouco ao tema, mas crendo que não deixa de ser de importância capital discutir-se o mesmo, pergunto-lhe o que acha da questão de Olivença e Terras de Juromenha, do Grupo de Amigos de Olivença o qual se tem batido pela devolução destes territórios à Soberania Portuguesa e das posições e atitudes tomadas por parte dos Governos Portugueses e Espanhóis e sob que forma crê que esta situação possa ser resolvida de forma definitiva?

De forma definitiva só pode ser resolvida pelos próprios Oliventinos. Não creio que os governos de ambos os países tenham muito interesse em ver esta questão mexida. Espanha não se pode dar ao luxo de permitir um processo de autodeterminação ou mesmo uma devolução territorial de Olivença, sem se fragilizar internamente nas regiões quentes da Catalunha e Província Basca. Portugal, por seu lado, não se pode dar ao luxo de extremar posições, num contexto europeu, e sendo que o cidadão espanhol está no top 3 do turismo Português, pelo que terão de ser, mesmo, os Oliventinos a dar os necessários passos, nesse sentido. Confesso desconhecer qual o posicionamento das populações locais acerca desta temática, mas louvo o trabalho do Grupo de Amigos de Olivença.

Faço-lhe uma última pergunta. Acha que apesar de Portugal ser hoje uma República, que haveria o interesse de se realizarem Cortes, ou o seu equivalente, para que a questão da Sucessão ficasse de vez resolvida? Haveria algum interesse em tal, se as inerentes questões técnicas que tal implicariam fossem resolvidas? O facto de nos arriscarmos a fazer uma “triste figura” perante os Portugueses deveria ser um desmotivador para tal situação?

Se essa capacidade de mobilização fosse exequível, se pudessem ser convocadas “cortes” democraticamente eleitas, digamos a partir das Reais, e houvesse a capacidade de demonstrar vontade em criar um estado dentro do estado, confesso que por mim a questão da sucessão ficava resolvida. Mas como isso é irreal, penso que será melhor tentar fazer a coisa com passos curtos e simples, começando por meter para segundo plano a questão da sucessão.

O fazer-se ou não figura triste é para mim um risco aceitável, porque mesmo que a fizéssemos ao menos teríamos um país inteiro a rir-se de nós, o que é mais do que temos agora, que ninguém nos liga! Daí que com mais ou menos problemas técnicos e risco de chacota, falem bem ou falem mal, desde que falem, que pensem, que escolham, é para mim tudo ganho.

Talvez este cenário possa ser posto em prática daqui a uns anos, espero até décadas, aquando da provável “aclamação” do Sr. D. Afonso. Por essa altura voltaremos a falar sobre este assunto.

Findo aqui a entrevista aproveitando para dar a palavra ao Sr. Pedro Reis, para que possa apresentar aos nossos Leitores alguma temática a qual considere importante o suficiente e que não tenha aqui sido abordada.

Apenas gostaria de agradecer à equipa do monarquicos.com por esta entrevista e pedir as minhas mais sinceras desculpas pelo imenso atraso na elaboração da resposta.

Nota do Entrevistador: Esta entrevista baseou-se em parte na entrevista efectuada ao Sr. José Tomaz de Mello Breyner, sendo que é a intenção do entrevistador que desta forma se dêem a conhecer ambos os lados, se assim se puder dizer.

Paulo Especial
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  Anónimo
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Comentários Comentários (2)
Anónimo 25.10.2008 10:25:43
Mas este agora anda a lamber as botas do Duarte? pensava que apoiava o Van Uden?
Anónimo 10.07.2008 22:01:56
O grande mal dos Monarquicos nos tempos que correm e ser tudo:- Verba non Facta.