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Um Acto de Reflexão
2009.02.19
19:25h
Nos últimos tempos, muito se tem falado de Eutanásia e da italiana Eluana Englaro
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in: Jornal Povo de Portugal de 11-02-2009
jornalpovodeportugal.eu/
Um Acto de Reflexão
Nos últimos tempos, muito se tem falado de Eutanásia e da italiana Eluana Englaro que se encontrava num estado vegetativo persistente à 17 anos e da luta que o seu pai Beppino Englaro que desde o trágico acidente que vitimou a sua filha tem travado com a justiça italiana. Luta esta que terminou dia 09-02-2009 com a morte assistida de Eluana na Clínica La Quieta (A Tranquila) que aceitou faze-lo depois da autorização dada pelos tribunais italianos e europeu de finalmente lhe desligar as máquinas que a alimentavam e hidratavam, mantendo-a desta maneira ligada à vida.
A Igreja Católica é contra a eutanásia e em Itália, país de maioria e grande influência católica como será lógico, não é permitida a mesma. Várias entidades pró-vida fizeram de tudo para manter Eluana Englaro afastada desta hipótese, todas, sendo maioritariamente religiosas referiam que todo o ser humano tem o direito à vida e a morrer naturalmente, sem recurso a certos métodos proporcionados pela medicina.
No entanto, com a posição dos tribunais italianos e o europeu de apoiarem neste caso a morte assistida de Eluana deu-se quase uma crise institucional com as posições antagónicas do Presidente da República Giorgio Napolitano que recusou assinar o decreto- lei que proíbe a interrupção da alimentação a pessoas em estado vegetativo, o que obviamente se dirigia particularmente a esta situação. E o Presidente do Governo Silvio Berlusconi que a tentou fazer passar em tempo record recorrendo até às duas câmaras do Parlamento.
É para mim uma incógnita o encarniçamento de várias entidades em manterem vivos, na sua grande maioria só corpos que em tempos foram de alguém e que hoje nada mais são que despojos em aparente sofrimento e falta de dignidade. Sofrimento este que se alastra a quem com eles tem de conviver, vê diariamente definhar e que os ama.
O que levará então um pai no seu estado mental normal a desejar a morte de uma filha, lutando contra as posições e opiniões de tudo e de todos como este pai o faz há 17 anos? É seguramente algo de muito forte. No meu entender, é um acto de amor o último acto de amor que este pai pode dar à sua filha desejando para ela o que todo o ser humano deve de ter, uma vida e uma morte com um mínimo de dignidade.
A eutanásia, apesar de em princípio ser um acto drástico e, com todo o respeito que se tenha de ter com todas as sensibilidades e posições existentes deveria de ser em meu entender um acto legal que pudesse ser pedido pelos próprios ou seus familiares mediante as suas próprias consciências, cultura e fé, e não pela sociedade na sua generalidade, para poderem ter um fim com um mínimo da dignidade a que cada um aspire.
Uma reflexão que deixo à consciência de cada um…
Beladona
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