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Beladona
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Mensagem Enviada: Qua Set 23, 2009 20:23     Assunto : Diversas Notícias sobre Olivença Responder com Citação
 
Notícias gentilmente enviadas pelo Dr. Carlos Luna

UMA INFORMAÇÃO PARTICULAR, QUE TALVEZ AJUDE A DISCUTIR O T.G.V., EVITANDO
OMITIR FACTOS
HISTÓRICOS SOBRE OS COMBOIOS! RENVIO ESTA INFORMAÇÃO COMO ME FOI ENVIADA,
ISTO É, SEM
AUTORIZAÇÃO, MAS COM O OBJECTIVO DE AJUDAR À DISCUSSÃO PÚBLICA, PARA QUE,
COM MODERAÇÃO,
ESTEJAM PRESENTES TODOS OS ARGUMENTOS!!! Público, 15 de Setembro de 2009
A VINGANÇA DE MANUELA FERREIRA LEITE
COMENTÁRIO
Carlos Cipriano
No princípio, o Reino de Portugal começou por construir o caminho-se-ferro
de Lisboa a
Elvas, numa linha onde algures num ponto chamado Entroncamento partiria um
ramal para o
Porto. E assim foi. O comboio chegou primeiro a Badajoz em 1863, mas de
Lisboa ao Porto
só viria a haver comboios directos em 1877 com a inauguração da Ponte de
Maria Pia.
A prioridade foi sempre a de ligar os portos a Espanha e por isso tudo se
fez para
romper as linhas em direcção à fronteira. Enquanto a Linha do Norte foi
construída aos
soluços, a da Beira Alta (1882), que ligaria Figueira da Foz a Vilar
Formoso, foi feita
em quatro anos (um tempo recorde para a época) e pôs o Porto em polvorosa a
clamar por
uma linha directa a Espanha pelo vale do Douro. Fez-se então a linha do
Porto a Barca de
Alva (1887), após um investimento brutal que levaria a praça financeira da
Invicta à
falência, ficando os seus bancos impedidos de cunhar moeda - um caso que
ficou para a
História como a "Salamancada".
Mais a sul, em 1880 era inaugurado o ramal de Cáceres (Torre das Vargens a
Beirã/Marvão), que constituía um bom atalho para Madrid. O objectivo era
chegar aos
fosfatos da zona de Cáceres, que seriam escoados para o porto de Lisboa, mas
a nova linha
revelou-se outro fiasco porque o filão esgotou rapidamente. Além das
amortizações de um
investimento inútil, a Real Companhia dos Caminhos de Ferro (portuguesa)
assumiu então
encargos que a obrigaram a pagar as obras de conservação da estação
madrilena de Delícias.
Enquanto isso, Espanha construía um eixo ferroviário desde Vigo até
Ayamonte que
contornava a fronteira portuguesa. Era a "cintura de ferro", como ficou
conhecida. De
resto, em Badajoz e em Vilar Formoso, durante vários anos, havia linha desde
Lisboa, mas
não havia continuação para Madrid porque os espanhóis tardaram em ligar-se
às fronteiras.
Portugal construíu, pois, a sua rede ao sabor dos interesses espanhóis. E
também foram
eles os primeiros a fechar as poucas ligações à fronteira quando nos finais
do século XX
se tornou moda encerrar linhas de caminha-de-ferro: desmantelaram a linha de
Huelva a
Ayamonte e foram os primeiros a fechar La Fregeneda quando o comboio ainda
apitava em
Barca de Alva.
Mais recentemente, em 1998, a Refer inaugura a electrificação da Linha da
Beira Alta
até Vilar Formoso. Mas a Espanha, apesar dos compromissos assumidos na
Cimeira da
Figueira da Foz em 2003 e de já ter um projecto terminado, nunca avançou com
as obras de
electrificação até à fronteira lusa.
E quando nos alvores do século XXI se começa a falar no TGV, Portugal
começou por
querer fazer uma linha Lisboa-Porto-Madrid ("T" deitado) para se opor ao
centralismo do
país vizinho. Mas acbaria por se conformar com uma linha directa de Lisboa a
Madrid. Com
prioridade para a primeira, claro. Tal como no século XIX.
Ferreira Leite, se for eleita, diz que "não senhor". Explica que as
motivações são
financeiras. Mas sabe-se lá se não quererá acertar contas com a História.
FIM

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Jornal "TERRAS BRANCAS", Borba, 17-Setembro-2009
ESPANHÓIS E T.G.V.
Não sou partidário de uma política feita contra Espanha. Não gosto de
velhos
fantasmas. Também não sou partidário de Manuela Ferreira Leite, pois
situo-me muito mais
à esquerda. Em linhas gerais, nem sou contra o T. G. V.
Há, todavia, um aspecto que deixa qualquer conhecedor de um mínimo de
História das
relações luso-espanholas algo perplexo. Na verdade, declarações de
dirigentes espanhóis,
principalmente do Presidente da Extremadura espanhola, reforçadas agora por
protestos do
Ministro Espanhol do Fomento, José Blanco, não podem deixar, no mínimo, de
fazer sorrir alguns portugueses.
Assim, Guillermo Fernández Vara (natural de Olivença) diz não acreditar
que Portugal
desista do TGV, «rompendo o acordo entre os dois países», pois trata-se de
um
«compromisso internacional»; acrescenta que «Portugal, à semelhança dos seus
dirigentes
políticos, é um país sério que sabe até onde tem de caminhar para preparar o
futuro(...)».
Comentaristas de jornais espanhóis opinam que Portugal não honrará os seus
compromissos se desistir do TGV, e que mesmo em termos morais tal atitude é
criticável.
Recordemos que no dia 1 de Setembro de 2009, numa reunião em Elvas entre
autarcas
portugueses (Alandroal,
Arronches, Borba, Campo Maior, Crato, Elvas, Estremoz, Évora, Gavião,
Portel, Redondo,
Reguengos de Monsaraz, Vila Viçosa) e espanhóis
(Cáceres, Mérida, Plasencia, Olivença e Lobón) para apoiar o TGV, Angel
Calle, de Mérida,
em representação dos alcaides espanhóis, afirmou, entre outras coisas, que
«os acordos
internacionais são para cumprir(...)».
Ora, há algo nesta indignação que soa a contradição flagrante. Na verdade,
todos estes
dirigentes políticos parecem esquecer-se de que, para Portugal, há um acordo
internacional não cumprido pela Espanha (1814-1815-1817), segundo o qual
Olivença deveria
ter voltado à posse de Portugal. Razão porque o Estado Português não aceita,
até hoje,
que Olivença seja território juridicamente espanhol. Até o Alqueva tem algo
a ver com
isto, pois, pelos acordos de 1964 e 1968, ainda em vigor, é claro que a
questão de
Olivença está presente. O que permite a Portugal explorar as águas do
Alqueva sem que
quase nada temha de comunicar a Madrid. O Dicionário Jurídico da
Administração Pública
(1999) explica bem a posição portuguesa, bem como as placas e indicações na
estrada que
liga Elvas à Ponte da Ajuda.
Conheço alguns dos dirigentes políticos espanhóis que têm produzido tais
afirmações.
Penso serem pessoas de bem, e dirigentes que fazem o que podem
pelos seus povos, e até que querem mesmo promover a amizade com Portugal.
Não questiono
esse aspecto, nem os inúmeros argumentos económicos a favor do TGV.
Mas, por favor, não usem demasiado o argumento do respeito por tratados
internacionais. Não lhes fica bem.
Estremoz, 14 de Setembro de 2009
Carlos Eduardo da Cruz Luna

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Jornal "ALENTEJO POPULAR" (Progressista)(Chega a todo o Alentejo),
17-Setembro-ESPANHÓIS
E T.G.V.
Não sou partidário de uma política feita contra Espanha. Não gosto de
velhos
fantasmas. Também não sou partidário de Manuela Ferreira Leite, pois
situo-me muito mais
à esquerda. Em linhas gerais, nem sou contra o T. G. V.
Há, todavia, um aspecto que deixa qualquer conhecedor de um mínimo de
História das
relações luso-espanholas algo perplexo. Na verdade, declarações de
dirigentes espanhóis,
principalmente do Presidente da Extremadura espanhola, reforçadas agora por
protestos do
Ministro Espanhol do Fomento, José Blanco, não podem deixar, no mínimo, de
fazer sorrir alguns portugueses.
Assim, Guillermo Fernández Vara (natural de Olivença) diz não acreditar
que Portugal
desista do TGV, «rompendo o acordo entre os dois países», pois trata-se de
um
«compromisso internacional»; acrescenta que «Portugal, à semelhança dos seus
dirigentes
políticos, é um país sério que sabe até onde tem de caminhar para preparar o
futuro(...)».
Comentaristas de jornais espanhóis opinam que Portugal não honrará os seus
compromissos se desistir do TGV, e que mesmo em termos morais tal atitude é
criticável.
Recordemos que no dia 1 de Setembro de 2009, numa reunião em Elvas entre
autarcas
portugueses (Alandroal,
Arronches, Borba, Campo Maior, Crato, Elvas, Estremoz, Évora, Gavião,
Portel, Redondo,
Reguengos de Monsaraz, Vila Viçosa) e espanhóis
(Cáceres, Mérida, Plasencia, Olivença e Lobón) para apoiar o TGV, Angel
Calle, de Mérida,
em representação dos alcaides espanhóis, afirmou, entre outras coisas, que
«os acordos
internacionais são para cumprir(...)».
Ora, há algo nesta indignação que soa a contradição flagrante. Na verdade,
todos estes
dirigentes políticos parecem esquecer-se de que, para Portugal, há um acordo
internacional não cumprido pela Espanha (1814-1815-1817), segundo o qual
Olivença deveria
ter voltado à posse de Portugal. Razão porque o Estado Português não aceita,
até hoje,
que Olivença seja território juridicamente espanhol. Até o Alqueva tem algo
a ver com
isto, pois, pelos acordos de 1964 e 1968, ainda em vigor, é claro que a
questão de
Olivença está presente. O que permite a Portugal explorar as águas do
Alqueva sem que
quase nada temha de comunicar a Madrid. O Dicionário Jurídico da
Administração Pública
(1999) explica bem a posição portuguesa, bem como as placas e indicações na
estrada que
liga Elvas à Ponte da Ajuda.
Conheço alguns dos dirigentes políticos espanhóis que têm produzido tais
afirmações.
Penso serem pessoas de bem, e dirigentes que fazem o que podem
pelos seus povos, e até que querem mesmo promover a amizade com Portugal.
Não questiono
esse aspecto, nem os inúmeros argumentos económicos a favor do TGV.
Mas, por favor, não usem demasiado o argumento do respeito por tratados
internacionais. Não lhes fica bem.
Estremoz, 14 de Setembro de 2009
Carlos Eduardo da Cruz Luna

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Jornal "A PLANÍCIE", Moura, 17-Setembro-2009

ESTRANHOS ARGUMENTOS EM TORNO DO TGV
Não é intenção deste artigo de opinião emitir juízos sobre a construção,
ou não, do
TGV (Madrid-Badajoz-Elvas-Lisboa), da sua oportunidade, ou outras
considerações. Para
isso, muito se tem escrito e escreverá, e será óptimo que a opinião pública
esteja o mais
esclarecida possível.
Há, todavia, um aspecto que deixa qualquer conhecedor de um mínimo de
História das
relações luso-espanholas algo perplexo. Na verdade, declarações de
dirigentes espanhóis,
principalmente do Presidente da Extremadura espanhola, não podem deixar, no
mínimo, de
fazer sorrir alguns portugueses.
Assim, Guillermo Fernández Vara (natural de Olivença) diz não acreditar
que Portugal
desista do TGV, «rompendo o acordo entre os dois países», pois trata-se de
um
«compromisso internacional»; acrescenta que «Portugal, à semelhança dos seus
dirigentes
políticos, é um país sério que sabe até onde tem de caminhar para preparar o
futuro(...)».
Comentaristas de jornais espanhóis opinam que Portugal não honrará os seus
compromissos se desistir do TGV, e que mesmo em termos morais tal atitude é
criticável.
No dia 1 de Setembro, numa reunião em Elvas entre autarcas portugueses
(Alandroal,
Arronches, Borba, Campo Maior, Crato, Elvas, Estremoz, Évora, Gavião,
Portel, Redondo,
Reguengos de Monsaraz, Vila Viçosa) e espanhóis
(Cáceres, Mérida, Plasencia, Olivença e Lobón) para apoiar o TGV, Angel
Calle, de Mérida,
em representação dos alcaides espanhóis, afirmou, entre outras coisas, que
«os acordos
internacionais são para cumprir(...)».
Ora, há algo nesta indignação que soa a contradição flagrante. Na verdade,
todos estes
dirigentes políticos parecem esquecer-se de que, para Portugal, há um acordo
internacional não cumprido pela Espanha (1814-1815-1817), segundo o qual
Olivença deveria
ter voltado à posse de Portugal. Razão porque o Estado Português não aceita,
até hoje,
que Olivença seja território juridicamente espanhol. Curiosamente, em
relação à obrigação
da devolução, e talvez como ironia suprema face ao que está a acontecer,
houve até quem
já escrevesse que a Espanha só teria uma obrigação moral,
portanto não claramente vinculativa.
Será que todos estes autarcas e políticos em geral têm consciência de como
soam a
falaciosos, neste contexto, alguns dos seus argumentos?
Conheço alguns deles. Penso serem pessoas de bem, e dirigentes que fazem o
que podem
pelos seus povos, e até que querem mesmo promover a amizade com Portugal.
Não questiono
esse aspecto, nem os inúmeros argumentos económicos a favor do TGV. Talvez
apoie, ou não,
alguns deles.
Mas, por favor, não usem demasiado o argumento do respeito por tratados
internacionais. Não lhes fica bem.
Estremoz, 02 de Setembro de 2009
Carlos Eduardo da Cruz Luna

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PÚBLICO, 19 de Setembro de 2009 //POPULISMO E DEMAGOGIA (NOTA: vejam-se
partes doe um
discurso de Luís Amado, Ministro dos Negócios Estrangeiros. FIM DA NOTA)
A SEMANA POLÍTICA DE SÃO JOSÉ ALMEIDA
POPULISMO E DEMAGOGIA
São José Almeida
«En un lugar de la Mancha, de cuyo nombre no quiero acordarme, no ha mucho
tiempo que
vivia un hidalgo...»(1)
Assim começa um dos romances míticos da humanidade, escrito por um senhor
chamado
Miguel de Cervantes y Saavedra na passagem do século XVI para o século XVII
e um dos
ângulos pelos quais pode ser analisado é pelo da resistência de uma cultura
medieval e
nobre ao avanço do capitalismo e da burguesia na Europa.
Este romance da humanidade foi chamado à campanha por Pacheco Pereira,
cabeça de lista
do PSD de Santarém, que o aconselhou como leitura ao líder do PS e
Primeiro-ministro,
José Sócrates, a propósito da polémica sobre o TGV.
Desconhece-se qual o real motivo por que Pacheco Pereira recomenda esta
leitura, mas a
lembrança de "Don Quijote de la Mancha" assenta de facto como uma luva para
caracterizar
a clivagem que se está a estabelecer no discurso de campanha entre o PS e o
PSD.
Independentemente dos méritos e dos deméritos que uma linha férrea de alta
velocidade
possa ter, não só como meio de transporte, como enquanto investimento
público, há uma
dimensão simbólica no debate, que tem sido protagonizado por José Sócrates e
Manuela
Ferreira Leite, que mais não é do que uma visão conservadora e
representativa de um mundo
em extinção e uma visão modernizadora e ávida do progresso. Isto, claro, com
toda a
demagogia e todo o populismo que tais posições podem adquirir, quando
simplificadas sob a
forma de discurso de campanha.
É certo que o investimento no TGV cria emprego e negócio, como é certo que
há outras
formas de o conseguir. É certo que é um projecto modernizador da sociedade
portuguesa,
mas também é certo que não é esta a única forma de modernizar a mesma
sociedade
portuguesa e os transportes em particular, nem mesmo os ferroviários.
É certo que Portugal yem compromissos assinados com o Governo espanhol e
com a União
Europeia para construir a ligação por TGV a Madrid. Mas também é
absolutamente verdade
que todos os acordos são renegociáveis desde que haja vontade política de o
fazer.
Assim como também é certo que este investimento significa a entrada de
Portugal num
segmento de país com transportes de ponta, mas também não deixa de ser
verdade que há
países que nada devem ao atraso que não têm TGV, a começar pelo Norte da
Europa.
E se de facto a ligação ferroviária à Europa tem uma força simbólica
grande, desde o
tempo em que, no século XIX, a actualidade cultural e literária começou a
chegar de
comboio à Universidade de Coimbra, é igualmente verdade que esta ligação
pode ser feita
de múltiplas formas, dewde a net ao avião. Além de que não está sequer
projectada uma
ligação total entre os países europeus, a começar porque os espanhóis não
têm ainda
prevista a data da construção da ligação de alta velocidade entre Bordéus e
Madrid pelo
que a linha portuguesa ligará, por agora, apenas Lisboa e o Porto a Madrid e
a outras
cidades espanholas (ver site do Rave - Rede de Alta Velocidade
http://www.rave.pt/tabid/189/Default.aspx).
Tal como o TGV não é o alfa e o ómega que encerra toda a campanha
eleitoral - está por
perceber, aliás, o súbito interesse e insistência no tema, quando há outras
linhas de
fronteira entre PS e PSD -, é verdade que acerca deste projecto existem
opiniões e
concepções opostas e que a divisão que se abriu na campanha sobre este
assunto não é, de
todo, menor. Mas uma coisa é discutir concepções de sociedade e modelos de
desenvolvimento e outra é resvalar no populismo, na demagogia e no apelo a
preconceitos
atávicos, só para rentabilizar nas urnas.
Ora, quando Manuela Ferreira Leite, no debate com José Sócrates, afirma
que "Portugal
não é uma prov~incia espanhola", está a apelar a mitos salazaristas, que não
se resumem
ao salazarismo, mas que são anteriores e que foram, aliás, bem aproveitados
pela ditadura
de Salazar. Mas que convivem mal com o ideário de um partido europeísta e
moderno, como o
PSD.
Em resposta, o PS tem defendido a sua posição e tentado rentabilizar sem
tropeçar
muito. Mas na terça-feira à noite, em Leiria, o cabeça de lista e ministro
dos Negócios
Estrangeiros, Luís Amado, parece ter-se esticado no entusiasmo iberista. Se
não, vejamos:
Amado considerou que "Portugal só pode ser um país plenamente inserido na
Europa quando a
Espanha o for, a Ibéria o for, a Península Ibérica for um espaço de
integração económica
e política". E sublinhou que "a geatão dessa relação é difícil, mas ela é a
pedra angular
da nossa relação estratégica com a Europa.(...) É a pedra angular da nossa
inserção
geopolítica no mundo do século XXI". E concluir que "quem não compreende
isto não pode
ser primeiro-ministro de Portugal".
O espanto perante as declarações de Luís Amado não advém da ideia de que
elas sejam
absurdas. Pelo contrário, consideramos que elas não poderam estar mais
certas. Mas o que
o país não sabia é que o PS, enquanto partido, e Luís Amado individualmente
tinham uma
visão tão pro-iberista do lugar e do papel de Portugal no mundo.
É possível que o pro-iberismo do PS venha a colher nas urnas, como é
possível que a
forma como o PSD cavalgou esta onda populista e demagógica de
antiespanholismo venha a
render eleitoralmente.
Afinal há sempre um lugar esquecido, não da Mancha no século XVII, mas do
Portugal
profundo que está à espera de ser recordado e despertado no século XXI.
Duvida-se é que o
recuperar desses fantasmas seja algo que venha a marcar de forma positiva a
política e o
país. Muito menos ter a dimensão internacional e humanista da obra de
Cervantes.
__________________________
(1)Miguel de Cervantes y Saavedra, Obras Completas, Edições Aguilar, 14.ª
edição, página
1037.

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Jornal de Negócios, 18 de Setembro de 2009 (Este embirrou com Olivença...)
Leonel Moura
O apagão intelectual
leonel.moura@mail.telepac.pt (ESTE EMBIRROU COM OLIVENÇA!!!!)

É lamentável que em Portugal se regresse com frequência a questões do
passado sem
qualquer interesse e que só servem para perder tempo. Esse fado, revelador
do enorme
atraso cultural de parte significativa da nossa classe política, não se
manifesta só à
direita, já que muita gente de esquerda partilha uma mesma atitude e visão.


É lamentável que em Portugal se regresse com frequência a questões do
passado sem
qualquer interesse e que só servem para perder tempo. Esse fado, revelador
do enorme
atraso cultural de parte significativa da nossa classe política, não se
manifesta só à
direita, já que muita gente de esquerda partilha uma mesma atitude e visão.

Por estes dias retomam-se os velhos rancores contra Espanha, do nem bons
ventos, nem bons
casamentos. Exceptuando os patéticos defensores de OLIVENÇA este é um
assunto que
felizmente deixou de fazer parte da conversa. Portugal é europeu. E a
Espanha um dos
nossos melhores parceiros, em muitos campos. Veja-se o caso da instalação em
Braga do
Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia. Um projecto de grande
ambição e
relevância científica e civilizacional.

Aliás, o argumento nacionalista que sempre deu os piores resultados para os
povos -
guerras, ódios, separações -, quando utilizado hoje no contexto europeu é
simplesmente
ridículo. A Europa de que fazemos parte é um modelo de cooperação e sinergia
entre
estados, com o objectivo, entre muita outra coisa, de evitar precisamente as
divisões e
conflitos do passado. Nessa perspectiva privilegia-se naturalmente tudo o
que possa
significar a colaboração e a unidade de esforços. Pretender que um projecto
de ligação
ferroviária entre dois países implicaria uma vantagem só para um deles, é
pensar à antiga
e exprimir uma visão claramente anti-europeia.

Ainda mais incongruente quando Portugal só tem a Espanha como país de
fronteira. Ou seja,
a nossa ligação terrestre com a Europa tem um único caminho. Tudo o que
signifique
impedir esse caminho prejudica sobretudo o nosso país.

Mas a polémica lançada por Manuela Ferreira Leite a propósito do TGV tem um
alcance muito
mais profundo do que a expressão de uma tese contrária às obras públicas. A
cooperação
não é hoje um mero conceito, mas um comportamento fundamental das sociedades
evoluídas. A
velha ideia de que em cada situação há um vencedor e um derrotado - os
chamados jogos de
soma nula -, deriva de uma visão de conflitualidade antiprodutiva e, já
agora,
anti-inteligente. Na economia e na vida temos procurado desenvolver as
situações em que
todos ganham. O actual sistema de produção, económica, de ideias, de ciência
ou de
cultura, tem caminhado em direcção à combinação e à cooperação. Continuar a
ver o mundo
como um lugar do eles e do nós é impedir o desenvolvimento e frustrar muitas
oportunidades.

Que ainda existam entre nós políticos com este tipo de visão tão retrógrada
é lamentável.
Mas que alguns deles se candidatem à gestão do país é anunciar o desastre,
caso tal
viesse a acontecer.

Nestas eleições devia sobretudo discutir-se qual o modelo de desenvolvimento
para o país,
já que existem propostas muito divergentes. José Sócrates tem falado da
modernização
tecnológica, da formação dos portugueses e das novas oportunidades como
forma de adaptar
Portugal aos desafios do mundo contemporâneo. Bloco de Esquerda, Partido
Comunista e CDS,
para além de investirem sobretudo no mercado dos pobres e reformados,
insistem nos velhos
modelos produtivos. Do lado do PSD só se ouve falar de não gastar dinheiro e
revogar
muitas das medidas do actual governo. É parco para um modelo de
desenvolvimento.

Face a este panorama, num contexto eleitoral de tão grande importância para
o futuro do
país, não pode deixar de manifestar-se alguma perplexidade pela passividade
dos
intelectuais e das pessoas do meio cultural. Bem sei que uma parte da
cultura se
transformou nas últimas décadas numa barricada conservadora e
antitecnológica, na
suposição de que as máquinas não permitem a manifestação do humano, o que é
uma óbvia e
comprovada tolice. São pois muitos os que detestam a ideia de modernização.
Mas mesmo
assim, da filosofia, da antropologia, da sociologia e em geral das artes,
seria de
esperar uma maior participação na definição do tempo presente e futuro. Há
um efectivo
apagão intelectual em Portugal. Ou será que o país deixou de ter gente capaz
de pensar
para além da espuma da conjuntura?
 
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