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iznoguud
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Mensagem Enviada: Sex Ago 06, 2010 18:12     Assunto : Caso das LUSA A2 Responder com Citação
 
Após interpelar o Sr. Dr. Paulo Portas no Facebook devido a uma notícia saída no Correio da Manhã, o mesmo achou por bem responder-me.

Apresento então aqui a pergunta e a resposta.

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Gostava de perguntar ao Dr. Paulo Portas quanto ao que o mesmo nos pode indicar sobre os negócios quer da Lusa A2, uma pistola-metralhadora desenvolvida pela INDEP a qual poderia ter sido adoptada pelas Forças Armadas Portuguesas e que teria promovido quer uma Indústria de capital importância para uma Nação Soberana como para o aumento do prestígio de Portugal. Como aproveito para lançar a pergunta sobre os negócios relativos aos Submarinos, os quais considero serem de extrema importância para a manutenção da nossa Soberania no Atlântico apesar do custo dos mesmos e dos Pandur, os quais têm sofrido quer de atrasos, quer de defeitos de fabrico entre outras coisas.

As perguntas que aqui lanço prendem-se ao momento em que o Dr. Paulo Portas foi Ministro, sendo que eu até posso afirmar que gostei quer da actitude como da "performance" (permitam-me o anglicismo), mas onde... creio que a sua imagem de político e até de eventual futuro Primeiro-Ministro possa ter ficado prejudicada no caso de o mesmo ser considerado enquanto envolvido em negócios menos claros.

Um desde já muito obrigado pelo tempo tomado.

Paulo Especial
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A resposta do Sr. Dr. Paulo Portas foi a seguinte,

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Caro Paulo, não acredite em tudo o que lê. Acha mesmo que eu andei a “vender armas ao desbarato”?

Faça-me um favor: compare a notícia do Correio da Manhã com um texto igualzinho (excepto nalguns detalhes) que está na Wikipédia. Então verá q...ue quando eu cheguei ao Governo já a decisão de fechar a INDEP tinha sido tomada, contratos anulados, produção parada, rescisões em marcha. Azar...é tiro ao lado.

Depois lerá que o investimento no tal projecto ou protótipo parou em...1992, estava eu bem fora da política. Azar... novo tiro ao lado.

Não vá ainda ter dúvidas, e reparará que o jornalista fala em 15 milhões de euros mas a “fonte” Wikipédia diz 2,5 milhões de dólares. Um pormenor para agigantar a coisa? Azar... mais um tiro ao lado.

Enfim, dar-se-á conta que no meu tempo na Defesa não só a INDEP já era - estava, aliás, falida - como o que houve foram leilões dos seus bens...

Ou seja, nem os ministros de Cavaco nem os de Guterres, “deram” pela tal Lusa A2, e a culpa é minha, logo eu que já apanhei a INDEP em destroços e só soube dessa tal Lusa A2 ontem? E de resto, olhe que o jornal não diz mas a “fonte” sim, não há clientes militares desse protótipo ou do seu desenvolvimento.

Último detalhe - quem fabricava pistolas era a antecessora da INDEP (e serviu as Forças Armadas na guerra do ultramar). A INDEP - dizem os que têm memória – dedicava-se a munições.

Caro Paulo, chamam ao Verão a “silly season”. Não acredite em todos os títulos que vê... Em contrapartida, gostei de ler “nação soberana” várias vezes no seu “post”
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IzNoGuud
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iznoguud
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Mensagem Enviada: Sex Ago 06, 2010 18:16     Assunto : Responder com Citação
 
Creio ser importante a capacidade do Cidadão Comum poder interpelar os seus Governantes, questionando os mesmos pelos seus actos e decisões enquanto se encontram em funções.

Mais, creio que um Político que é capaz de aceitar responder às interpelações dos seus Co-Cidadãos e que responde de uma forma clara e inequívoca, a qual em todo o caso deverá ser comprovada em lugar competente, apenas vem dignificar o mesmo Político e a sua classe.

Mais indico que gostei da resposta do Sr. Dr. Paulo Portas quanto às LUSA A2. Ficando apenas à espera de novas respostas relativamente às demais questões que ficaram pendentes.

IzNoGuud
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sequeira
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Mensagem Enviada: Sex Ago 06, 2010 21:27     Assunto : Responder com Citação
 
Caro Izno


0clap 0clap 0clap para si e também 0clap 0clap 0clap para a resposta de Paulo Portas.

A resposta de Paulo Portas é, quanto a mim, bem clara. Os "pés-de-microfone" que enxameiam as redacções deviam ter vergonha do jornalismo que fazem.

Independentemente disso tudo este caso da Lusa A2, que eu também desconhecia, (do meu tempo é a pistola-metralhadora FBP, igualmente de 9mm, de que estas Lusas serão sucessoras) é mais um exemplo deste país completamente destruído após o 25 de Abril (é pena mas é verdade). Podíamos ter armas nacionais, se não tivessem destruído a Metalúrgica Duarte Ferreira, no Tramagal, podíamos ter blindados nacionais (em vez de modernizarem as Chaimites com um novo modelo, fomos comprá-las (mal ) à Austria,
jipes nacionais (UMM) e até os camiões militares que tantas provas deram em África (as Berliet, sob licença) já foram substituídas por DAF holandeses.

Quanto aos submarinos: Portugal tem (e ainda vai aumentar) a maior ZEE da Europa. Compare-se o número de submarinos (2) com os que têm países do nosso tamanho (mas com menor ZEE), Espanha, Holanda, Bélgica, Grécia... (vem na NET).

São ou não necessários? Eu acho que sim. Quem os encomendou? O governo de Guterres. Quem negociou (bem) as contrapartidas? Paulo Portas. Quem é que devia aplicar e fiscalizar essas contrapartidas? O primeiro governo de Sócrates. Porque é que não o fez? Que culpa tem Paulo Portas que aquilo que negociou e acordou não fosse cumprido (sem fiscalização) pelo governo seguinte? Quanto a mim nenhuma culpa.

Abraço

sequeira
 
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iznoguud
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Mensagem Enviada: Seg Ago 09, 2010 19:42     Assunto : Responder com Citação
 
sequeira escreveu:
A resposta de Paulo Portas é, quanto a mim, bem clara. Os "pés-de-microfone" que enxameiam as redacções deviam ter vergonha do jornalismo que fazem.


Por alguma razão existem os códigos deontológicos. Creio que SE se comprova que são feitas acusações insustentadas ou que quando o Jornal publica uma notícia, alegando algo, este algo carece de prova concreta sobre aquilo que é alegado (parece que, diz que disse, ou outras tretas do género). Então creio que era justificável que os acusados intentassem legalmente contra os Jornais e os Jornalistas em questão e que estes fossem responsabilizáveis pelo que é publicado. Afinal de contas, SE queremos que os demais profissionais sejam justificáveis pelas suas acções, porque raio é que isso não acontece, amiúde, com os media também?

sequeira escreveu:
Independentemente disso tudo este caso da Lusa A2, que eu também desconhecia, (do meu tempo é a pistola-metralhadora FBP, igualmente de 9mm, de que estas Lusas serão sucessoras) é mais um exemplo deste país completamente destruído após o 25 de Abril (é pena mas é verdade). Podíamos ter armas nacionais, se não tivessem destruído a Metalúrgica Duarte Ferreira, no Tramagal, podíamos ter blindados nacionais (em vez de modernizarem as Chaimites com um novo modelo, fomos comprá-las (mal ) à Austria,
jipes nacionais (UMM) e até os camiões militares que tantas provas deram em África (as Berliet, sob licença) já foram substituídas por DAF holandeses.


Mesmo que fosse uma indústria pequena, esta sustentaria trabalhadores portugueses, criando postos de trabalho para os mesmos. Ao mesmo tempo que manteria activas algumas das capacidades mais básicas da defesa de toda a Nação Soberana. A de ser capaz de manufacturar armas com as quais procure manter a sua independência sem precisar de terceiros para tal (o que não quer dizer que estas o consigam, mas pelo menos limitam a dependência Nacional de outros, os quais têm as suas próprias agendas e interesses).

sequeira escreveu:
Quanto aos submarinos: Portugal tem (e ainda vai aumentar) a maior ZEE da Europa. Compare-se o número de submarinos (2) com os que têm países do nosso tamanho (mas com menor ZEE), Espanha, Holanda, Bélgica, Grécia... (vem na NET).

São ou não necessários? Eu acho que sim.


Tal como todo e qualquer investimento na Defesa. É complicado quer explicar o propósito do mesmo, em especial sem que hajam nuvens de fumo no horizonte (e quando as há, por norma já é tarde demais). Para além de que, convém não esquecer de que as infraestruturas militares têm de ser planeadas consoante os Planos de Acção que são estudados e elaborados consoante N cenários.

Desde o final da Guerra do Ultramar. As Forças Armadas Portuguesas tiveram de se redesenhar a si mesmas, reduzindo o seu número de efectivos para valores nunca antes pensados (e em grande parte por "culpa" da predisposição pacífica que hoje existe na Europa, sui generis e em particular face a Espanha).

Para além de que as mesmas para além de terem numa primeira fase preparado-se para 3 cenários possíveis:

a) Intervenção na Europa em apoio às Forças da OTAN/NATO contra as do Pacto de Varsóvia (vulgo 3ª Guerra Mundial em nível ainda convencional).

b) Em defesa do Território Nacional contra o desembarque de uma força "ultramarina". Chegou a considerar-se quer forças do Pacto de Varsóvia no caso da Frota da OTAN/NATO no Mediterrâneo ter sido aniquilada, ou até de Forças do Norte de África em apoio ao Pacto de Varsóvia.

c) Em defesa do Território Nacional contra um ataque por parte de Espanha.

Após a queda do Muro de Berlin e do desaparecimento do Pacto de Varsóvia, apesar de a actual Rússia ainda contar enquanto um potencial inimigo. A OTAN/NATO voltou-se mais para outros teatros de operações.

Igualmente as Forças Armadas Portuguesas se têm estado a redefinir para estas novas realidades.

Assim SE, se mantêm (sempre) um plano relativo a um conflito com Espanha e até outro para um qualquer eventual desembarque em território Nacional (Continental), este último por razões mais que óbvias.

Os novos Planos de Operações contemplam quer a extracção de Cidadãos Nacionais em Países Terceiros, normalmente Lusófonos, como ficou PERFEITAMENTE demonstrado no caso da Guiné-Bissau com o recurso quer a um Submarino, para lançar no terreno uma Equipa dos GOE, como a uma Fragata da Classe Vasco da Gama para os ir receber (curiosa até a postura Francesa nesta crise, a qual não me parece ter gostado de ver a iniciativa Lusa, tendo-a até tentado prejudicar se não estou em erro). Ou a de lançar Forças-Tarefa em contingentes Aliados como acontece um pouco por todo o Mundo.

Concretamente no caso da Marinha, os Submarinos têm de facto um papel dissuasor, em especial para ZEE's do nosso tamanho, para além de que em Marinhas de Guerra da nossa capacidade/dimensão a aposta deve centrar-se em Unidades as quais maximizem a sua capacidade operacional (ofensiva, defensiva ou combinada).

Assim uma Marinha de Guerra apenas baseada em Naves de Superfície, em caso de confronto (com a vizinha Espanha a título de exemplo), seria literalmente varrida do mapa. Por melhores que sejam as nossas Vasco da Gama (em termos comparativos, estas ao nível de canhão, correspondem aos actuais Destroyers Norte-Americanos). Já as Armas Submarinas, apesar de mais limitadas do que as Naves de Superfície, conseguem impor um crescente respeito às Marinhas que nos poderiam atacar. Basta relembrar que NÓS fomos a ÚNICA Marinha a conseguir "afundar" um Porta-Aviões Norte Americano desde a 2ª Guerra Mundial (ainda que apenas em exercício e com os velhinhos Submarinos que estão, agora, a ser desactivados).

À que pensar no que queremos da nossa Marinha de Guerra. SE uma capacidade de intervenção com o desembarque de Fusos algures no Mundo (como deveria ter acontecido na Guiné-Bissau), tal como o desejava o então Ministro da Defesa o Sr. Dr. Paulo Portas. Ou se a queremos reduzida a uma Força de Defesa Costeira, no fundo para "Policiar" a nossa Costa e pouco mais (leia-se, ir atrás de pescadores Espanhóis e traficantes de droga que venham de Marrocos), onde o investimento em Naves de Superfície se limita a Lanchas Rápidas, talvez uma ou outra Corveta (e mesmo assim) e por incrível que pareça a submarinos.

O problema mantém-se... Qual o custo de implementar tal plano de acção e como o justificar.

SE se realiza-se um referendo sobre a aquisição de novas armas pessoais para as Forças Policiais, aposto que o SIM ganharia com uma enorme maioria. Agora SE se perguntasse, seguidamente, se os Portugueses estariam dispostos a despender de 50€ por pessoa para o reequipamento das nossas Forças Policiais e Forças Armadas. Aí aposto que o número de votantes no SIM baixaria significativamente e, a título de exemplo, o valor amealhado (500.000.000€), permitiria adquirir por exemplo LUSA A2 suficientes para equipar as nossas Forças Policiais e Militares e ainda restar dinheiro para outros equipamentos.

sequeira escreveu:
Quem os encomendou? O governo de Guterres. Quem negociou (bem) as contrapartidas? Paulo Portas. Quem é que devia aplicar e fiscalizar essas contrapartidas? O primeiro governo de Sócrates. Porque é que não o fez? Que culpa tem Paulo Portas que aquilo que negociou e acordou não fosse cumprido (sem fiscalização) pelo governo seguinte? Quanto a mim nenhuma culpa.


Creio que era IMPORTANTE questionar QUEM, COMO, ONDE e POR QUANTO é que se efectuaram estas transacções e o porquê das opções tomadas. Por forma a se tentar compreender SE há matéria de carácter legal a invocar. É IMPERIOSO que não se permita que estas situações voltem a ocorrer e o problema é que estas ocorrem amiúde, como se pode ver no caso do Fardamento Militar, dos Pandur, dos Helis para o Exército, das Armas Ligeiras para o Exército, dos A400M para substituir os C-130 Hércules, dos AW101 Merlin (anteriormente EH101), etc..

IzNoGuud
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