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iznoguud
Regente


Mensagens: 2771
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Enviada: Ter Dez 11, 2007 11:09 Assunto :
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Meus caros amigos,
Não quero deixar de agradecer ao Dr. Berquó pela entrevista que me deu, creio que a mesma é bastante interessante e susceptível de ser debatida pelas diversas visões monárquicas, e não só, presentes neste espaço.
Igualmente quero agradecer à Beladona, por já se estar a tornar norma (anteriormente foi o JTMB que publicitou a entrevista ao Conde Otto Czernin), eu expor uma entrevista e não conseguir publicitar o facto no fórum por falta de tempo, cabendo esta publicitação a membros do próprio... A minha justificação é que continuo com falhas no meu acesso à internet.
A todos um muito obrigado, seja pela ajuda que nos tem sido prestada, seja pelas opiniões que cada um apresenta a debate, seja por estarem a ajudar a tornar este espaço cada vez mais democrático, livre e na nossa "casa".
IzNoGuud _________________
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nau
Monárquico


Mensagens: 418
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Enviada: Dom Dez 16, 2007 20:33 Assunto : Entrevista Miguel Berquó
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Re.: Entrevista Miguel Berquó
1. Já vai sendo hábito os entrevistados pousarem para a fotografia ora sem casaco, ora sem gravata, dando valioso contributo para a divulgação da ideia monárquica. Só espero não vir a ser necessário pousarem nús a fim de, a partir da ideia e da nudez, suscitarem a imediata adopção dos princípios defenddidos.
2. A entrevista/questionário, sem apontamento da metalinguagem ou registo magnético que tivesse permitido salientar as inflexões de voz, mudanças de atitude, mais ou menos calorosas, resultantes do plano gizado pelo entrevistador, torna o trabalho mais denso, digamos mais profundo, embora a perda em espontaneidade seja manifesta.
3. Não irei comentar esta entrevista por ela se apresentar como um desafio a todos os monárquicos quer aos contestatários profissionais, quer aos distraídos por natureza, pois o entrevistado, embora confesse agradar-se mais em se assumir como leigo do que jurista, com segurança e humildade expõe o seu pensamento, sem a arrogância zé-socrática dos iluminados.
4. Salientarei apenas algumas passagens que, não dispensando uma leitura mais cuidada de outros excerptos igualmento valiosos da entrevista, aguçarão a vossa curiosidade para a redescoberta, nas entrelinhas, de mensagens sensatas e pragmáticas que hão mister de percepção interna e bondosa expiação, porquanto todos somos responsáveis pelo movimento monárquico oscilar entre o lento e o quase parado.
5. O que deveria ser referendado “era a constituição de um Parlamento com poderes constituintes originários que redigisse e aprovasse uma nova Lei Fundamental”; “ser monárquico só é incompatível com falta de democraticidade. Com falta de liberdade”; “os monárquicos ao dividirem-se sobre a pessoa do Herdeiro da Coroa, estão a criar a ilusão de que existe um ratio mais ao menos que pende para vários nomes, quando na realidade todos sabemos que esse ratio pende esmagadoramente para o Duque de Bragança”; “uma constituição aprova-se nm Parlamento eleito por sufrágio universal, directo e secreto”.
6. Continuando a esmo: “Numa monarquia contemporânea quem pode pretender é o povo. O Duque de Bragança não pretende rigorosamente nada” na qualidade de presuntivo Herdeiro da Coroa. “O nosso principal capital é a empatia e a imaginação. Juntemo-lhes a ambição e façamos como D. Henrique disse – navegar é preciso”. Vamos ler e tresler (no bom sentido) a entrevista; o que vos deixo é pouco do muito que poderão beneficiar.
7. Aproveito para relembrar que não é a Instituição Monárquica que irá acabar com a corrupção, a apatia, a tristeza que grassa na sociedade lusitana. A reforma terá que começar por nós próprios, com base num associativismo responsável, sob o lema da Liberdade, Equidade e Solidariedade.
Arnaldo (Nau)
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iznoguud
Regente


Mensagens: 2771
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Enviada: Ter Dez 18, 2007 11:43 Assunto : Re: Entrevista Miguel Berquó
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| nau escreveu: |
...5. O que deveria ser referendado “era a constituição de um Parlamento com poderes constituintes originários que redigisse e aprovasse uma nova Lei Fundamental”; “ser monárquico só é incompatível com falta de democraticidade. Com falta de liberdade”; “os monárquicos ao dividirem-se sobre a pessoa do Herdeiro da Coroa, estão a criar a ilusão de que existe um ratio mais ao menos que pende para vários nomes, quando na realidade todos sabemos que esse ratio pende esmagadoramente para o Duque de Bragança”; “uma constituição aprova-se num Parlamento eleito por sufrágio universal, directo e secreto”.
6. Continuando a esmo: “Numa monarquia contemporânea quem pode pretender é o povo. O Duque de Bragança não pretende rigorosamente nada” na qualidade de presuntivo Herdeiro da Coroa. “O nosso principal capital é a empatia e a imaginação. Juntemo-lhes a ambição e façamos como D. Henrique disse – navegar é preciso”. Vamos ler e tresler (no bom sentido) a entrevista; o que vos deixo é pouco do muito que poderão beneficiar. |
O nosso amigo consegue sublinhar pontos importantes, embora não os únicos conforme diz, de uma entrevista que me deu um enorme prazer ler.
Separo os pontos "sublinhados" em 3 momentos distintos, assim o creio.
1º Monárquicos/Monarquia enquanto defensores da Democracia.
2º A relação entre D. Duarte Pio (Pretendente) e os Monárquicos.
3º A relação entre D. Duarte Pio (Pretendente) e os Portugueses.
Em relação ao 1º ponto. Procura-se demonstrar que a Monarquia e os Monárquicos, ao sempre estarem dispostos a servir a Nação, hoje se encontram na linha da frente na defesa da Democracia.
Quanto ao 2º Ponto... é ponto assumido e sabido que a posição de D. Duarte Pio é, tal como sempre foi, a posição preponderante. Que a suposta divisão dos Monárquicos dá a entender a uma maior uniformidade entre as supostas pretensões existentes... e por aí fora.
É tudo verdade, reconheço-o... mas creio que a questão é uma questão de legitimização. Há efectivamente um "binómio", conforme o Dr. Berquó o afirma.
Na minha opinião SE, hoje, interessa que os Monárquicos se unam sob uma única pessoa, indiferentemente de quem for, por razões óbvias. Igualmente nos encontramos num ponto, onde o "binómio" ainda não exerce uma visão avassaladora... embora já possa exercer uma "força".
Por isso, e é por isso que tenho lutado, não custa muito... a nenhuma das partes e seria em prol tanto da Monarquia, enquanto Instituição, e dos próprios Monárquicos. Que defendo o recurso a uma finalização de um Cerimonial de Sucessão, conforme os trâmites legais da Monarquia para que TODOS possam então colocar-se sob a mesma posição, embora já se encontrem todos sob o Pensão da Monarquia.
Será, quiçá, insignificante a minha posição... mas cujo resultado, a meu ver, traria a médio/longo prazo benefícios de que hoje ainda não podemos usufruir em plenitude.
Quanto ao 3º Ponto. D. Duarte Pio, assume uma posição perante os Portugueses e cada vez mais vai expondo a sua posição. Noto que desde há uns anos para cá, esta mudança vem actuando em crescendo.
Igualmente noto uma exposição de opiniões pessoais, as quais são e devem ser vistas, apenas enquanto tal. Fruto da actual posição enquanto apenas Pretendente, situação que teria de mudar após a tal ocorrência que creio faltar. Mas igualmente denoto que com o passar do tempo, D. Duarte Pio, vai expondo posições menos concordantes com as ideias defendidas pela maioria dos Portugueses e creio, que quem o aconselha ou o está a aconselhar por caminhos menos correctos ou que este, por N razões, se começa a distanciar do que possa ser, na minha opinião, a realidade Nacional.
Dou assim uma nota de aviso a D. Duarte Pio e aos seus órgãos consultivos, enquanto Monárquico preocupado.
O que muito provavelmente será mal interpretado pelos defensores fanáticos do "direito divino"... Pedro, não é nenhuma piada em relação à Religião, nem para ti, mas a questões políticas
| nau escreveu: |
7. Aproveito para relembrar que não é a Instituição Monárquica que irá acabar com a corrupção, a apatia, a tristeza que grassa na sociedade lusitana. A reforma terá que começar por nós próprios, com base num associativismo responsável, sob o lema da Liberdade, Equidade e Solidariedade... |
Apesar de concordar com o que nosso amigo diz, continuo com as minhas reticências em relação ao Associativismo. Pois já tivemos situações associativas, tenham sido estas implementadas em momentos mais ou menos propícios, que actualmente deixaram de o ser, tendo-se reformado em outros tipos de sociedades económicas.
Não digo que o associativismo não tenha um papel a desempenhar no futuro de Portugal, o mesmo tem situações a seu favor. Mas o que me levanta maiores questões é a forma como estas associações inter agiriam ou se relacionariam entre si a nível nacional.
IzNo _________________
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Pedro Reis
Monárquico


Mensagens: 586
Local: Santa Cruz
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Enviada: Ter Dez 18, 2007 18:20 Assunto :
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Ora bem já levei com o hábito de monge, só já me falta escolher a ordem!!
Percebo-te perfeitamente e não vou fazer qualquer reparo no sentido Divino da matéria político-monárquica!
Na perspectiva da AMT, só há uma matéria onde Deus intervém. A concepção! Pela Sua própria mão, pela do Espírito Santo ou pela do pai e mãe da criança abençoados, que o sejam, a intervenção Divina resume-se a esse ponto.
Tudo o mais, se o analisarmos dum ponto de vista pragmático tem o toque efémero do homem. Ao que Deus queira indicar, caberá ao Homem aceitar....ou não!
Penso que a tua intervenção vai neste sentido e nada tenho a reparar.
Quanto à entrevista do Dr. Berquó. Tinha muita curiosidade em que a mesma se realizasse e correspondeu ao que nos vem habituando. Uma mensagem série e serena, com uma análise impecável de pontos críticos. Respondeu ali a duas coisas que eu tinha por certas e que por acaso achava o contrário, mas o seu a seu dono e o jurista falou com o saber do mestér. Para mim foi muito pedagógica, pelo que da minha parte tenho a agradecer ao Dr. esta pequena lição.
Obrigado
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nau
Monárquico


Mensagens: 418
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Enviada: Ter Dez 18, 2007 20:51 Assunto : Entrevista Miguel Berquó-II
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Re.: Entrevista Miguel Berquó
Caro IzNoguud,
1. Os seus pressupostos no ponto-1 estão correctos, como não podia deixar de ser.
2. O seu ponto-2 carece apenas de uma rectificação: D.Duarte Pio não é um pretendente, mas o presuntivo herdeiro da Coroa Portuguesa. Claro está que cabe ao povo decidir se aceita D.Duarte Pio como tal, mas isso terá lugar após a instauração da Monarquia.
3. Na instituição de qualquer República é possível, após a proclamação desta, a escolha do Chefe de Estado. O processo na Monarquia é diferente, dado que o Rei é consagrado através de regras consuetudinárias de sucessão dinástica.
4. Por morte de Dmanuel II e não havendo descendentes legítimos portugueses de D.Pedro IV, a sucessão cabe aos herdeiros de D.Miguel I, isto é, D.Duarte Pio. Não ignoro que existem vários pretendentes (qualquer português o poderá ser), mas nenhum tão consensual como o mencionado herdeiro.
5. À puridade confesso não tecer grandes simpatias pela pessoa em questão, mas os princípios monárquicos são avessos à eleição do Chefe de Estado, segundo as razões expostas em outros apontamentos. A legitimidade não depende de qualquer sufrágio, mas de reconhecimento e aclamação em sede própria.
6. Como ateu convicto direi que, para os monárquicos em geral, a Divina Providência tem sido muito injusta pois não tem dado a D.Duarte Pio os leais conselheiros que este carece, mas tal não me obriga a virar republicano.
7. Porquê o associativismo?
a) A concentração dos meios de produção na mão do capital, na maior parte das sociedades modernas, e a alienação da força laboral por razões de sobrevivência parecem corresponder a uma leitura marxissta, embora a solução proposta por esta resulte num Estado vigilante e musculado, com aspectos essencialmente inquisitoriais. A mais-valia (Mehrwert na definição de Karl Marx) corresponde à diferença entre o capital inicial e o capital resultante após a sua aplicação por via laboral (trabalho) pelo que a apropriação daquele pelo Estado, em princípio, parece garantir uma melhor racionalidade na distribuição das mais-valias e um esbatimento de uma burguesia possidente, embora, na prática, se verifique a substituição desta por outra essencialmente afecta ao sistema.
b) A corrente liberal – atenta, veneradora e obrigada às leis do mercado – tem condescendido no aumento dos benefícios sociais desde que estes permitam um maior controlo da mão de obra em geral, a fim de poder assegurar a estabilidade das mais-valias para a manutenção de uma burguesia endinheirada, exuberante e eletista.
c) Os socialistas e os sociais-democratas, advogando a socialização dos meios de produção, subscrevem, em parte, as teses marxistas, respeitando as estruturas burguesas do liberalismo que procuram reformar mediante o diálogo para um eventual consenso, mesmo que, para o efeito, sejam forçados a privatizar as empresas estatais, particularmente aquelas que garantem uma independência económic e lucros regulares.
Dado que não me identifico com qualquer das posições atrás mencionadas, só o associativismo se agiganta como hipótese de defesa contra as referidas teorias.
Cordiais saudações cooperativistas,
Arnaldo (Nau)
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