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J. Duarte
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Mensagens: 96

Mensagem Enviada: Seg Jul 11, 2011 18:25     Assunto : Até breve! D. Maria José Nogueira Pinto Responder com Citação
 
"Nada me faltar�



por MARIA JOS� NOGUEIRA PINTO"




Acho que descobri a pol�tica - como amor da cidade e do seu bem - em casa. Nasci numa fam�lia com convic��es pol�ticas, com sentido do amor e do servi�o de Deus e da P�tria. O meu Av�, Eduardo Pinto da Cunha, adolescente, foi combatente mon�rquico e depois emigrado, com a fam�lia, por causa disso. O meu Pai, Lu�s, era um patriota que adorava a �frica portuguesa e a� passava as f�rias a visitar os filiados do LAG. A minha M�e, Maria Jos�, lia-nos a mim e �s minhas irm�s a Mensagem de Pessoa, quando eu tinha sete anos. A minha Tia e madrinha, a Tia Mimi, quando a guerra de �frica come�ou, ofereceu-se para acompanhar pelos s�tios mais rec�nditos de Angola, em teco-tecos, os jornalistas estrangeiros. Aprendi, desde cedo, o dever de n�o ignorar o que via, ouvia e lia.
Aos dezassete anos, no primeiro ano da Faculdade, furei uma greve associativa. Fi-lo mais por rebeldia contra uma ordem imposta arbitrariamente (mesmo que alternativa) que por qualquer outra coisa. Foi por isso que conheci o Jaime e mud�mos as nossas vidas, ficando sempre juntos. Fizemos desde ent�o uma fam�lia, com os nossos filhos - o Eduardo, a Catarina, a Teresinha - e com os filhos deles. H� quase quarenta anos.
Procurei, procur�mos, sempre viver de acordo com os princ�pios que tinham a ver com valores ditos tradicionais - Deus e a P�tria -, mas tamb�m com a justi�a e com a solidariedade em que sempre acreditei e acredito. Tenho tentado deles dar testemunho na vida pol�tica e no servi�o p�blico. Sem transig�ncias, sem abdica��es, sem meter no bolso ideias e convic��es.
Convic��es que partem de uma f� profunda no amor de Cristo, que sempre nos diz - como repetiu Jo�o Paulo II - "n�o tenhais medo". Gra�as a Deus nunca tive medo. Nem das fugas, nem dos ex�lios, nem da persegui��o, nem da incerteza. Nem da vida, nem na morte. Suportei as rodas baixas da fortuna, partilhei a humilha��o da di�spora dos portugueses de �frica, conheci o ex�lio no Brasil e em Espanha. Aprendi a levar a p�tria na sola dos sapatos.
Como no salmo, o Senhor foi sempre o meu pastor e por isso nada me faltou -mesmo quando faltava tudo.
Regressada a Portugal, conclu� o meu curso e iniciei uma actividade profissional em que procurei sempre servir o Estado e a comunidade com lealdade e com coer�ncia.
Gostei de trabalhar no servi�o p�blico, quer em fun��es de aconselhamento ou assessoria quer como respons�vel de grandes organiza��es. Procurei fazer o melhor pelas institui��es e pelos que nelas trabalhavam, cuidando dos que por elas eram assistidos. Nunca crit�rios do sectarismo pol�tico moveram ou influenciaram os meus ju�zos na escolha de colaboradores ou na sua avalia��o.
Combatendo ideias e pol�ticas que considerei erradas ou nocivas para o bem comum, sempre respeitei, como pessoas, os seus defensores por convic��o, os meus advers�rios.
A pol�tica activa, partid�ria, tamb�m foi importante para mim. Vivi--a com racionalidade, mas tamb�m com emo��o e at� com paix�o. Tentei subordin�-la a valores e cren�as superiores. E seguir regras �ticas tamb�m nos meios. Fui deputada, l�der parlamentar e vereadora por Lisboa pelo CDS-PP, e depois eleita por duas vezes deputada independente nas listas do PSD.
Tamb�m aqui servi o melhor que soube e pude. Bati- -me por causas c�vicas, umas vitoriosas, outras derrotadas, desde a defesa da unidade do pa�s contra regionalismos centr�fugos, at� � defesa da vida e dos mais fracos entre os fracos. Foi em nome deles e das causas em que acredito que, al�m do combate pol�tico directo na representa��o popular, intervim com regularidade na televis�o, r�dio, jornais, como aqui no DN.
Nas fraquezas e limites da condi��o humana, tentei travar esse bom combate de que fala o ap�stolo Paulo. E guardei a F�.
Tem sido bom viver estes tempos felizes e dif�ceis, porque uma vida boa n�o � uma boa vida. Estou agora num combate mais pessoal, contra um inimigo subtil, silencioso, trai�oeiro. Neste combate conto com a ci�ncia dos homens e com a gra�a de Deus, Pai de n�s todos, para n�o ter medo. E tamb�m com a fam�lia e com os amigos. Esperando o pior, mas confiando no melhor.
Seja qual for o desfecho, como o Senhor � meu pastor, nada me faltar�.
 
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Beladona
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Mensagens: 2651
Local: Algarve
Mensagem Enviada: Ter Jul 12, 2011 11:53     Assunto : Responder com Citação
 
Caro J. Duarte

Tomei a liberdade de transferir o tópico que teve a gentileza de nos trazer para esta secção do fórum por supor ser o lugar mais indicado para o mesmo.

Desde já os meus agradecimentos pela sua gentileza e pela lembrança e evocação que fez à saudosa Sra. Dra. Maria José Nogueira Pinto, que a nível pessoal e quer concordasse ou não com a mesma, me mereceu o meu respeito, respeito este que aumentou nos últimos tempos ao notar a dignidade e força que demonstrou publicamente nunca deixando de fazer o que achava que tinha a fazer e defender aquilo que eram os seus ideais e era o seu pensamento, nunca se deixando abater pelo mal que cada vez mais a fragilizava.

O seu prematuro falecimento foi uma perda para todos e a nossa classe política ficou mais pobre.

Os meus sentidos pêsames à família e o meu até sempre Sra. Dra. Maria José Nogueira Pinto.

Beladona
 
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