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Beladona
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Mensagens: 1920
Local: Algarve
Mensagem Enviada: Qui Out 25, 2018 19:35     Assunto : Responder com Citação
 
Um belo poema de um autor desconhecido...

E o homem
Num abraço sincero e universal

• • •
Não é ninguém... sou eu...

A força viva em que não se repara
O homem que cultiva
Que navega
Que fabrica
Que extrai o minério e que edifica
Os palácios soberbos

Não é ninguém... sou eu...

A escória
A canalha
O plebeu
O enjeitado da sociedade
Que não tem prato no banquete da vida
Nem felicidade
Nem direitos, nem garantias

De manhã, ainda as espertas cotovias
Dormem no aveludado fofo de seus ninhos
Já eu vou a arrastar pelos caminhos
O meu aguilhão de escravo...

... E, meio morto
Só me recolho à choça sem conforto
Triste e extenuado
Quando o luar branco de prata banha ao de leve
Os campos que eu cavei...

Não sou ninguém... bem sei...

Dizem que me instrua
Que vá à escola
Que busque instrução...
Como? Se todo o dia emprego a trabalhar
Para comprar à noite um bocado de pão

E esses campos de trigo, extensos
Que parecem não ter fim
Que galgam pelas colinas
E assaltam quase o céu
Foram todos semeados e colhidos por mim

Dei-lhe o meu suor
Porém, nenhum é meu
Edifico os palácios, mas eu nunca os habito
Produzo nos teares, sem que vestidos tenha
Arrasto as florestas, mas não é minha a lenha

Posso morrer de frio, que são só meus:
O vento
As estrelas que brilham no firmamento
As nuvens que correm no infinito
E o luar que vem dos céus

Dizem que vem ao longe
Muito ao longe ainda
O clarão de uma aurora a raiar
Muito bela, muito linda
Dizem que depois todos trabalharão...
Todos irmãos no trabalho
Todos com direito ao pão

E o homem
Num abraço sincero e universal
E a felicidade humana erguida em apogeu
E quem poderá fazer esta obra colossal?...

Não é ninguém, sou eu... sou eu...
 
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Beladona
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Local: Algarve
Mensagem Enviada: Sex Out 26, 2018 14:15     Assunto : Responder com Citação
 
Gosto muito de Federico García Lorca...transcrevo um dos seus lindos sonetos na sua própria língua... Smile

Tengo miedo a perder la maravilla
de tus ojos de estatua, y el acento
que de noche me pone en la mejilla
la solitaria rosa de tu aliento.

Tengo pena de ser en esta orilla
tronco sin ramas; y lo que más siento
es no tener la flor, pulpa o arcilla,
para el gusano de mi sufrimiento.

Si tú eres el tesoro oculto mío,
si eres mi cruz y mi dolor mojado,
si soy el perro de tu señorío,

no me dejes perder lo que he ganado
y decora las aguas de tu río
con hojas de mi otoño enajenado.
 
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Beladona
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Local: Algarve
Mensagem Enviada: Sáb Out 27, 2018 20:41     Assunto : Responder com Citação
 
Um lindo soneto de Antero de Quental...

Idílio

Quando nós vamos ambos, de mãos dadas,
Colher nos vales lírios e boninas,
E galgamos dum fôlego as colinas
Dos rocios da noite inda orvalhadas;

Ou, vendo o mar das ermas cumeadas
Contemplamos as nuvens vespertinas,
Que parecem fantásticas ruínas
Ao longo, no horizonte, amontoadas:

Quantas vezes, de súbito, emudeces!
Não sei que luz no teu olhar flutua;
Sinto tremer-te a mão e empalideces

O vento e o mar murmuram orações,
E a poesia das coisas se insinua
Lenta e amorosa em nossos corações.
 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Sex Nov 16, 2018 23:08     Assunto : Responder com Citação
 
Um lindo soneto de Florbela Espanca...

Da Minha Janela

Mar alto! Ondas quebradas e vencidas
Num soluçar aflito, murmurado...
Vôo de gaivotas, leve, imaculado,
Como neves nos píncaros nascidas!

Sol! Ave a tombar, asas já feridas,
Batendo ainda num arfar pausado...
Ó meu doce poente torturado
Rezo-te em mim, chorando, mãos erguidas!

Meu verso de Samain cheio de graça,
Inda não és clarão já és luar
Como um branco lilás que se desfaça!

Amor! Teu coração trago-o no peito...
Pulsa dentro de mim como este mar
Num beijo eterno, assim, nunca desfeito!...

in "Livro de Sóror Saudade"
 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Seg Nov 19, 2018 00:47     Assunto : Responder com Citação
 
Um belo soneto de José Carlos Ary dos Santos

Soneto de Inês

Dos olhos corre a água do Mondego
os cabelos parecem os choupais
Inês! Inês! Rainha sem sossego
dum rei que por amor não pode mais.

Amor imenso que também é cego
amor que torna os homens imortais.
Inês! Inês! Distância a que não chego
morta tão cedo por viver demais.

Os teus gestos são verdes os teus braços
são gaivotas poisadas no regaço
dum mar azul turquesa intemporal.

As andorinhas seguem os teus passos
e tu morrendo com os olhos baços
Inês! Inês! Inês de Portugal.
...
 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Ter Nov 20, 2018 00:06     Assunto : Responder com Citação
 
Um belo poema de Aristóteles Onassis...

Talvez

Talvez eu venha a envelhecer rápido demais.
Mas lutarei para que cada dia tenha valido a pena.
Talvez eu sofra inúmeras desilusões
no decorrer de minha vida.
Mas farei que elas percam a importância
diante dos gestos de amor que encontrei.
Talvez eu não tenha forças para realizar
todos os meus ideais.
Mas jamais irei me considerar um derrotado.
Talvez em algum instante eu sofra uma terrível queda.
Mas não ficarei por muito tempo olhando para o chão.
Talvez um dia eu sofra alguma injustiça.
Mas jamais irei assumir o papel de vítima.
Talvez eu tenha que enfrentar alguns inimigos.
Mas terei humildade para aceitar as mãos
que se estenderão em minha direcção.
Talvez numa dessas noites frias,
eu derrame muitas lágrimas.
Mas não terei vergonha por esse gesto.
Talvez eu seja enganado inúmeras vezes.
Mas não deixarei de acreditar que em algum lugar
alguém merece a minha confiança.
Talvez com o tempo eu perceba que cometi grandes erros.
Mas não desistirei de continuar trilhando meu caminho.
Talvez com o decorrer dos anos eu perca grandes amizades.
Mas irei aprender que aqueles que realmente são meus verdadeiros amigos nunca estarão perdidos.
Talvez algumas pessoas queiram o meu mal.
Mas irei continuar plantando a semente da fraternidade
por onde passar.
Talvez eu fique triste ao concluir que não consigo
seguir o ritmo da música.
Mas então, farei que a música siga o compasso
dos meus passos.
Talvez eu nunca consiga enxergar um arco-íris.
Mas aprenderei a desenhar um,
nem que seja dentro do meu coração.
Talvez hoje eu me sinta fraco.
Mas amanhã irei recomeçar,
nem que seja de uma maneira diferente.
Talvez eu não aprenda todas as lições necessárias.
Mas terei a consciência que os verdadeiros
ensinamentos já estão gravados em minha alma.
Talvez eu me deprima por não ser capaz
de saber a letra daquela música.
Mas ficarei feliz com as outras capacidades que possuo.
Talvez eu não tenha motivos
para grandes comemorações.
Mas não deixarei de me alegrar
com as pequenas conquistas.
Talvez eu não seja exactamente quem gostaria de ser.
Mas passarei a admirar quem sou.
Porque no final saberei que, mesmo com incontáveis
dúvidas, eu sou capaz de construir uma vida melhor.
E se ainda não me convenci disso,
é porque como diz aquele ditado:
“ainda não chegou o fim”
Porque no final não haverá nenhum “talvez”
e sim a certeza de que a minha vida valeu a pena
e eu fiz o melhor que podia.

...
 
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