Monarquicos.com Monarquicos.com Fórum Monarquicos.com Vídeos Monarquicos.com Adicionar aos Favoritos
Registar Registe-se neste Fórum (Gratuito)   Entrar Entrar no Fórum
Data: Seg Dez 09, 2019 08:16
Índice do Fórum : Espaço Cultural
Lendas de Portugal
Ir à página 1, 2, 3, 4, 5, 6  Próximo

Beladona
Regente
Regente


Offline
Mensagens: 2728
Local: Algarve
Mensagem Enviada: Qui Out 25, 2018 19:10     Assunto : Lendas de Portugal Responder com Citação
 
A Lenda do Corvo da Tomada de Leiria

In diversas fontes da net.

Conta a lenda que nos tempos do primeiro Rei de Portugal, as hostes do Rei D. Afonso vieram, em estugada marcha, do norte ao sul com o desejo de conquistar o Castelo de Leiria que aquele Rei tinha construído anos antes, e os mouros tinham tomado depois de grande matança da gente portuguesa.

Ao chegar às proximidades de Leiria, que então ainda não era cidade, o Rei dispôs os seus guerreiros a norte do Castelo, num montículo hoje conhecido por Cabeço de El-Rei, de onde iria partir para o assalto por ser aquele o lado menos difícil para a tomada da fortaleza.

Devia ser uma alvorada sem brumas a prenunciar um dia de sol claro a refulgir nas pontas das lanças e nas espadas dos soldados portugueses.

Quando todas as tropas estavam já prestes para a arrancada pousou um corvo no alto de um pinheiro, que logo começou a agitar as asas com frenesim e a crocitar com alegria.

Tal facto muito contentou os guerreiros do Rei D. Afonso e mais os entusiasmou por verem nele um sinal de bom agoiro para a empresa que iriam encetar: A conquista do Castelo de Leiria.

Este acontecimento é hoje memorado no brasão da cidade de Leiria, que mostra um corvo em cima dos dois pinheiros que ladeiam a sua torre central.

[Img]A Lenda do Corvo da Tomada de Leiria

In diversas fontes da net.

Conta a lenda que nos tempos do primeiro Rei de Portugal, as hostes do Rei D. Afonso vieram, em estugada marcha, do norte ao sul com o desejo de conquistar o Castelo de Leiria que aquele Rei tinha construído anos antes, e os mouros tinham tomado depois de grande matança da gente portuguesa.

Ao chegar às proximidades de Leiria, que então ainda não era cidade, o Rei dispôs os seus guerreiros a norte do Castelo, num montículo hoje conhecido por Cabeço de El-Rei, de onde iria partir para o assalto por ser aquele o lado menos difícil para a tomada da fortaleza.

Devia ser uma alvorada sem brumas a prenunciar um dia de sol claro a refulgir nas pontas das lanças e nas espadas dos soldados portugueses.

Quando todas as tropas estavam já prestes para a arrancada pousou um corvo no alto de um pinheiro, que logo começou a agitar as asas com frenesim e a crocitar com alegria.

Tal facto muito contentou os guerreiros do Rei D. Afonso e mais os entusiasmou por verem nele um sinal de bom agoiro para a empresa que iriam encetar: A conquista do Castelo de Leiria.

Este acontecimento é hoje memorado no brasão da cidade de Leiria, que mostra um corvo em cima dos dois pinheiros que ladeiam a sua torre central.


 
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Utilizadores Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail

Beladona
Regente
Regente


Offline
Mensagens: 2728
Local: Algarve
Mensagem Enviada: Sex Out 26, 2018 20:30     Assunto : Responder com Citação
 
A Lenda do Fidalgo da Cana Verde

In diversas fontes da net.

Preâmbulo…

Para quem aprecia e tem a curiosidade de apurar velhas historias, que andam nos dias de hoje obscurecidas e praticamente esquecidas, sobretudo se tens alma de artista, procura percorrer o couto de Alafões que pertenceu há muitos séculos ao moiro Cid Alafum.

É de notar como nestes locais tem especial melodia o gorjeio do rouxinol, que às vezes até parece desejar nas suas cantigas revelar-nos um segredo. Escutarás em certas ocasiões vozes humanas a suspirar no Vouga, por entre o sussurrar da água que foge espumando sobre os rochedos.

No mesmo silêncio dos carvalhais frondosos adivinharás mistérios de magia e, trepando pelas montanhas, não deixarás de notar que as fragas de caprichosas curvas são porventura letras de língua desconhecida.

Os outeiros graciosos de tão verdes pinheirais que o rio vai coleando pela base, e tão simétricos se alteiam do vale, dir-se-ia que foram erguidos pela varinha de condão de alguém que pretendeu fazer perder a pista dos tesouros escondidos.

Tudo quanto sonhardes, por mais que a vossa imaginação pareça estontear-se, não sairá dos limites da verdade. Basta dizer que estamos em terra de moiras, e de moiras encantadas.

E tão bonitas são que até o mais sisudo se enfeitiçou, caindo aos pés das sarracenas que voltam a assenhorear-se do velho couto.

Mais a mais, alguma da tradição mais fidedigna afirma que, se tal sucedeu, os lamentos e gemidos, que distinctamente se repercutem por esses vales, são o pranto das agarenas prisioneiras, que se transmudam numa alegria doida e sem limites.

Ai de nós, se as lindas filhas de Agar se desprendem do seu encantamento!

Assegura a tradição, seguríssima e comprovada que tudo o que foi contado anda na memória do povo, e escrita em letras góticas nos alfarrábios de pergaminho.

Contam que, no dia em que nestas terras se encontrarem face a face um neto e uma neta do moiro Alafum, logo voltará o senhorio ao poder deles mas isso depende, como hoje se sabe claramente… de que o par professe a lei de Mafamede, a mais completa em feitiços e sortilégios.

*

Nos princípios da monarquia vivia numa casa da freguesia de Fataunços um genuíno descendente do antigo senhor. El Haturra…assim era o seu nome…não se assemelhava ao avô na crueza e tirania, pelo contrário, bonacheirão e de génio fácil, parecia aceitar sem tristeza o domínio português. Já idoso, bastante feio e mais ou menos desvairado, era o joguete do rapazio, dos quais se defendia com uma velha cana ressequida e negra, que na família era transmitida de geração em geração e mui especialmente recomendada com palavras secretas, ditas ao ouvido com a solenidade dos casos graves, só que o segredo foi descoberto e era este:

Quando a cana reverdecesse, seria o sinal certo de que se dera o almejado encontro dos dois netos descendentes de Alafum, ao qual servira de derradeiro bastão de comando na célebre retirada dos sarracenos, e de vara mágica para esconder tesouros, soterrar palácios, e encantar donzelas que ficassem de guarda às preciosidades, e não fossem presa do exército invasor, que, pela sua vinda de surpresa, obrigara os infiéis à fuga desordenada.

Uma tarde, uma bela princesa, porventura da raça do Borgonhês, passeava por uma destas montanhas num ginete branco, a seu lado cavalgava em corcel negro uma das suas aias. Era uma boa cristã a companheira da infanta, mas quem reparasse nos seus olhos azuis a contrastarem com uma trança escura, e observasse o irrequieto semblante da donzela, perceberia logo que não era de sangue visigodo a donairosa cavaleira.

As formosas senhoras, ao voltar uma curva do caminho, deram de rosto com o moiro, mas foram seguindo sem atentarem na sua figura alquebrada.

Não sucedeu outro tanto a El Haturra, que imaginou logo enxergar na movimentada fisionomia da aia o que quer que fosse de umas trovas que ouvira em pequeno e nas suas recordações andavam ligadas á preciosa e querida cana, talismã de que muito se espera ainda hoje na Moirama para as reivindicações do crescente.

Ia o moiro cismando completamente alheado de si, nem reparou que perdera de todo o cansaço, que a figura se endireitara e estavam negras as longas e nevadas barbas, transformando-se rapidamente o velho em moço elegante. De repente olha para o bordão a que já nem se apoia e compreende que chegara o momento anunciado pela profecia:

Que em terras de Alafum se encontrarem, porventura pela primeira vez, um neto e uma neta do antigo senhor…

Resumindo todo o historial de como se aproximou da corte o remoçado El Haturra e se resolveu o casamento dele com a aia da princesa, à qual facilmente decidiu o rei dar-lhe como presente de noivado o senhorio destas viçosas terras. Mas cuidando-se primeiro em baptizar o ambicioso infiel, que logo se aprontou a aceitar a fé da sua noiva.

Ao findar o baptismo, ao qual se seguiria o casamento, sucedeu que a desposada fugiu espavorida, pois o mancebo perdera toda a mocidade e gentileza pois tudo fora obra de bruxedos.

A cana, que não entrara na igreja, conservou-se verde, e desde então dá-se em Fataunços um estranho caso. Quando alguém, à mesma hora e no próprio lugar em que sucedeu o encontro dos dois primos, grita por três vezes: “Viva o fidalgo da cana verde!”…pois assim lhe ficou chamando o povo… logo se ouvem por todas essas montanhas gargalhadas argentinas e um tocar alegre de pandeiros. Depois, oh depois, volta como desilusão das lindas moiras, o sussurrar plangente das águas, mais continuado e triste, parecendo que se ouvem ao mesmo tempo, vagos sons de guitarra a entoar desditas. São os queixumes das filhas do deserto presas ao seu encantamento.

Na frontaria de uma casa de Fataunços admiram ainda hoje os viandantes uma escultura graciosa rememorando o singular sucesso que esteve a ponto de nos colocar sob o domínio das sectárias do Alcorão e cuja lembrança como se vê, é bastante para lhes dar momentos de grande prazer e alegria.

Diz-se que algures está cuidadosamente arrecadada a cana sempre verde, que tão fugitivamente principiou a realizar os sonhos de ambição de um neto de Alafum.

E para terminar esta já longa lenda e fantasiando um pouco, o que seria de nós, os mais sisudos, se as desenvoltas sarracenas, trocadas as guitarras doloridas em pandeiros ruidosos, voltassem a apoderar-se do antigo senhorio, e desatassem a rir, a rir muito, a rir sempre de todos nós, numa alegria doida e sem limites.


 
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Utilizadores Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail

Beladona
Regente
Regente


Offline
Mensagens: 2728
Local: Algarve
Mensagem Enviada: Sáb Out 27, 2018 20:38     Assunto : Responder com Citação
 
Uma das Lendas do Rio Âncora

In diversas fontes da net.

No tempo em que ainda não havia nome de Portugal, a Rainha desta terra, que ia desde a Galiza até Gaia, tomou-se de namoros com um fidalgo marroquino. Chamava-se a Rainha D. Urraca e o mouro Alboazar. Bem ela afirmava o seu amor ao Rei D. Ramiro, mas o coração fugia-lhe para longe. Um dia a renegada, perdida de amores, fugiu com o marroquino para um castelo em Gaia. Julgava-se ali segura e feliz!

O pobre Rei D. Ramiro viu-se sem esposa e sem honra! Tal ultraje e afronta não podia ficar assim. Temia envolver numa guerra todo o seu exército, aquando a traidora fugisse para mais longe. Por isso resolveu tomar outras medidas. Vestiu-se de pobre mendigo, e embarcou numa pequena barca, que foi descendo pela costa até entrar pelo rio dentro. Aí informou-se da presença da mulher. Era verdade! Eles estavam naquele castelo em descurada vigilância, entregues à paixão.

Assim, numa noite de breu, roubou a esposa enquanto todos dormiam. Correndo para um navio que ali estava atracado, subiu pelo mar até um lugar chamado de Gontinhães na foz de um pequeno rio, onde atracou para descansar. Aqui chegado, contou aos seus fidalgos e aos seus filhos a traição da rainha, pedindo-lhes ajuda para dar a melhor justiça, a tão vil acto de sua mulher. Todos ouviram com muita tristeza a tamanha maldade daquela mulher. O Infante D. Ordonho com as lágrimas nos olhos, disse para seu pai.

- Senhor, a mim não cabe falar, porque é minha mãe! Não digo senão que olheis pela vossa honra! Mais ninguém ousou dizer alguma coisa ao Rei. Como era noite, foram todos descansar, deixando a rainha presa junto com as mulheres que estavam com ela. No dia seguinte foram dizer ao Rei que a Rainha estava a chorar. Logo o Rei disse:

- Vamos vê-la!

Foram todos os seus conselheiros com ele. Quando chegaram junto dela, perguntou-lhe o rei:

- Porque é que chorais?

- Porque mataste Alboazar, que era muito melhor do que tu!

Todos ficaram horrorizados com semelhante afronta! O Infante, não querendo acreditar no que ouvira só teve tempo para dizer:

- Isto é obra do diabo! Meu pai, o que fareis com ela? Ela ainda vai fugir novamente!

Então o Rei amarrou a esposa traidora a uma âncora e lançou-a ao mar!

Orgulhoso, não a deixou nas mãos do inimigo mas, ofendido na sua honra, também a não quis para si.

Abandonando D. Urraca no fundo do mar presa à âncora, regressou D. Ramiro ao seu castelo.
A partir daquele dia, o rio onde tal sucedeu passou-se a chamar Âncora!


 
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Utilizadores Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail

Beladona
Regente
Regente


Offline
Mensagens: 2728
Local: Algarve
Mensagem Enviada: Sex Nov 16, 2018 23:06     Assunto : Responder com Citação
 
A Lenda da Casa Assombrada de Penafiel

In diversas fontes da net.

Há muito, muito tempo atrás, numa aldeia do Norte, havia uma velha que vivia num casarão que ficava um pouco retirado do povoado. Essa velha vivia sozinha e era rejeitada por todos pelo simples facto de andar sempre vestida de preto, com o rosto escondido e de ter como companhia muitos gatos pretos.

Um dia a velha morreu e a casa ficou ao cuidado do filho. Este, porque vivia longe, deixou a casa ao abandono durante anos e anos. Até que um dia, cheio de dívidas, decidiu vendê-la. Um casal ainda jovem comprou-a e tentou reconstruí-la, visto que ela se encontrava bastante degradada.

Mas a reconstrução era complicada, porque sempre que se erguiam novas paredes, algo de estranho acontecia na casa. Tudo caía como que se alguém não quisesse que a casa fosse alterada. Isto foi acontecendo sucessivamente sem que ninguém conseguisse explicar o que acontecia. As pessoas diziam que era a alma da velha que se encontrava na casa e que tudo o que se passava demonstrava o descontentamento pelo desleixo do filho e pela rejeição das pessoas que a rodeavam.

O casal desistiu de reconstruir a casa e, como eram ricos e não precisavam dela para viver, deixaram-na assim e até aos dias de hoje ela continua abandonada e ninguém se atreve a lá entrar, porque lhe chamam a casa assombrada.


 
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Utilizadores Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail

Beladona
Regente
Regente


Offline
Mensagens: 2728
Local: Algarve
Mensagem Enviada: Sáb Nov 17, 2018 21:22     Assunto : Responder com Citação
 
Uma das Lendas de Vilar de Figos

In diversas fontes da net.

Dizem que esta freguesia tomou o nome de Principais de Vilar de Figos, porque os seus habitantes se imortalizaram tomando o castelo da Franqueira aos mouros, castelo que estava muito próximo, a 1 quilómetro de distância para N.E. no monte da Franqueira, mas já no termo da freguesia de Vilases ou Vilares junto do sítio onde hoje se vê aErmida de Nossa Senhora da Franqueira que tem festa e romagem no 3.º domingo de Agosto e pertence à freguesia de Pereira, por estar no termo dela, como provam os marcos que se vêem no dito monte e que dividem os terrenos daquelas duas freguesias.

A tradição local ainda hoje explica a tal façanha do modo seguinte:

Tendo os cristãos sitiado o castelo e defendendo-se ele obstinadamente, os habitantes desta paróquia juntaram certa noite um grande rebanho de cabras, prenderam-lhes nas pontas velas acesas e, tomando o caminho de Barcelos, marcharam com grande alarido sobre o castelo, o que animou os sitiantes e determinou os sitiados a renderem-se, imaginando que de Barcelos tinham chegado ao acampamento dos cristãos grandes reforços.

Aos habitantes desta paróquia, pela sua astúcia, se deveu principalmente a expulsão dos mouros. Foram eles os principais conquistadores do castelo e por isso se denominaram e ainda hoje se denominam Principais de Vilar de Figos.

Esta lenda, sendo mais uma do género, foi contada por um dos habitantes de forma fidedigna, como acima está exposta.


 
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Utilizadores Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail

Beladona
Regente
Regente


Offline
Mensagens: 2728
Local: Algarve
Mensagem Enviada: Seg Nov 19, 2018 00:36     Assunto : Responder com Citação
 
A Lenda do Bom Jardim dos Coelhos

In diversas fontes da net.

Uma aragem fresca veio saudar os cabelos do jovem fidalgo Gonçalo Pires Coelho. Com passo lento, ele afastou-se do grupo formado pelos seus irmãos e primos. Gostava da solidão quando o ruído mundano chamava mais alto que as preocupações do seu espírito. A tragédia que enlutara o solar dos Coelhos, outrora tão vibrante de alegria, pesava ainda no seu coração e no seu cérebro. Os anos não apagaram os grandes feitos, sejam eles bons ou maus. Antes os conservaram como que imunizados da própria corrupção do tempo.

Quando seu pai passeava por ali de mão dada com ele, ainda infante, dizendo-lhe o nome de cada árvore, de cada pequena planta, das borboletas multicores, dos pássaros esquisitos que buscavam o abrigo dos recantos amenos do solar, chamando poeticamente a tudo aquilo o seu “Bom Jardim”, bem longe estava ainda da tragédia que então viria a ocorrer. Porque se importaria seu pai tanto com os negócios do Reino? Porque pusera a independência da nação acima da felicidade dos filhos? Deixasse Inês de Castro viver e vivesse ele também a sua vida!

Gonçalo passou a mão pela testa. Meneou a cabeça como a pôr em fuga os pensamentos que o torturavam. Respirou fundo, enchendo os pulmões desse ar puríssimo das terras de Basto. Mas os pensamentos não se sobressaltaram e continuaram fixos no cérebro do filho primogénito de Pêro Coelho.

Continuou a caminhada. Só e devagar. O dia, embora de Inverno, estava excepcionalmente bonito. Bonito e agradável. Agora o Sol quase no seu declínio, punha manchas de luz aqui e além, coadas pelo intervalo das árvores robustas. Estava a afastar-se de casa e deixara os seus irmãos e primos para trás. Mas eles não tinham as suas preocupações. O único que a ele se assemelhava era seu irmão Egas. Egas era o mais novo da família. Viria a ser um grande homem, tinha a certeza. Porém era ainda tão jovem...

Suspirou de novo. Sentia saudades de seu pai e nesse dia mais que noutro qualquer. Porquê? Seria o reflexo da alegria de seus primos que lhe produzia essa melancólica tristeza, esse desejo de fuga?

A morte de El-Rei D. Afonso IV fora um grito de alarme por todo aquele solar. Eles bem sabiam que D. Pedro não respeitaria a jura que fizera a seu pai de perdoar aos que instaram pela morte de Inês. Eles bem sabiam... A sua fúria não se faria esperar... E a vingança chegou. E que vingança!

De novo o jovem Gonçalo Coelho levou a mão à testa, apertando as fontes. Falou alto embora sozinho:

— Porque me estou hoje a atormentar assim? Porquê?

Estremeceu. Um suspiro fundo fê-lo voltar a cabeça. Parecia ter ouvido soluçar baixinho. Talvez fosse o ruído das árvores, receosas da noite invernal que não tardaria. Andou uns passos mais e entrou na clareira florida que ficava ao cimo da álea dos lilases. E o seu coração quase parou. Uma dama envolta num véu espesso e cinzento parecia chorar, encostada a uma frondosa árvore. Gonçalo aproximou-se mais. Ela parecia não dar pela presença do jovem. Ele falou-lhe num tom de delicada surpresa:

— Senhora! Em que pode servir-vos o meu braço?

A dama levantou a cabeça, sem pressas, altivamente. E logo a baixou de novo, num gesto súbito. Gonçalo não pôde ver-lhe a expressão do rosto com nitidez. Mas a sua voz, estranhamente em surdina, chegou aos seus ouvidos:

— Deixai-me só jovem fidalgo! Preciso descansar.

Ele porém insistiu, levado pela surpresa de ver no seu solar uma dama desconhecida:

— Perdoai, mas… gostaria de saber como chegastes até aqui.

— Andando… como vós!

— Sois visita da nossa casa?

— Conheço-vos há muito!

— E poderei saber quem sois?

A dama do véu cinzento silenciou um breve instante, mas respondeu por fim:

— Dir-vos-ei apenas que alguém de vosso sangue muito mal me causou!

Gonçalo Coelho mostrou-se ainda mais surpreendido:

— Alguém do meu sangue? E quem?

A dama não respondeu. Ao longe soou uma gargalhada fresca. Ruído de vozes denunciavam a presença distante de um grupo turbulento.

Como que numa desculpa, o jovem fidalgo olhou o local donde partira a gargalhada e disse apenas:

— Brincam e riem sem preocupações

Voltou a dama a falar sentenciosamente:

— A jovem que ora ri, talvez chore dentro de pouco tempo!

Gonçalo elucidou:

— A jovem a quem vos referis senhora, é minha prima-irmã, Leonor de Alvim.

Houve um ligeiro assentimento de cabeça da parte da dama velada:

— Eu sei. E com ela passar-se-á algo de misterioso… depois de casar...

— Sabeis então que Leonor vai casar com Vasco Gonçalves Barro?

— Sim… mas enviuvará ainda donzela.

A surpresa subiu ao auge na expressão de Gonçalo Coelho.

— Que dizeis? Não pertence ao passado nem ao presente tal acontecimento!

A dama pareceu sorrir.

— Mas pertence a um futuro muito próximo.

— Como o sabeis?

— E fácil para quem vê o mundo como eu o vejo… mesmo através deste meu véu espesso...

Então, Gonçalo num impulso instintivo, avançou até junto da dama desconhecida. Mas não lhe tocou. Pediu apenas:

— Senhora! Dizei-me quem sois e porque estais aqui!

Ela não respondeu. Ergueu o busto e pareceu absorta na contemplação da paisagem. A aragem corria fresca, fazendo bater a ramagem das árvores. Gonçalo tentou quebrar o mutismo em que a sua interlocutora parecia querer refugiar-se.

— Decerto não ignorais que estais no solar da família de Pêro Coelho...

A dama fez com a cabeça um sinal afirmativo e declarou:

— Venho aqui todos os anos neste dia.

Depois houve uma pausa. E logo uma pergunta lenta:

— Sabeis que dia é hoje?

— Se o sei! Sete de Janeiro...

A desconhecida interrompeu com um gesto a palavra de Gonçalo.

— Não vale a pena ficardes preso a dolorosas recordações. Calai então o dia de hoje. Ide folgar com vossos irmãos e primas, senhor fidalgo! Ide, Gonçalo Pires Coelho, e deixai-me só!

Gonçalo inclinou-se com galhardia.

— Senhora! De modo algum devo esquecer que estais no solar dos Coelhos, Melhor direi, como dizia o senhor meu pai, no “Bom Jardim dos Coelhos”...

— Calai-vos, por favor... Hoje é um mau jardim... Será sempre um mau jardim no dia de hoje!

A voz dele revestiu-se de espanto sincero.

— Não vos compreendo senhora! Pretendo apenas receber-vos como mandam as regras da fidalguia.

A misteriosa dama voltou a suspirar. Pareceu de novo interessada pela paisagem. Mas, voltando-se de repente para o jovem Gonçalo, pediu com voz ansiosa:

— Se quereis de facto, fazer-me grande mercê, deixai-me só até ao fim deste dia. Não consenti que mais alguém venha perturbar o meu repouso. Fazei cientes disto a todos desta casa: Uma vez em cada ano, durante as horas do sol-posto virei aqui. E peço-vos por tudo: Que ninguém ouse perturbar esta minha visita. Ninguém... sob pena de grandes desgraças! Sob pena mesmo do vosso solar deixar de ser um Bom Jardim e transformar-se para sempre, num Mau Jardim...

Gonçalo olhou com assombro a dama velada.

— Que estranhas as vossas palavras, senhora! Poderei ao menos, saber quem sois?

Numa voz repassada de sofrimento, a dama desconhecida declarou:

— Pois já que o desejais saber senhor fidalgo... chamo-me Inês!

Um arrepio forte percorreu o corpo de Gonçalo Pires Coelho. Olhou melhor a singular figura, como a querer descobri-la através dos seus véus espessos, e pareceu-lhe encontrar traços de um rosto que vira em alguns retratos.

Inês! — pensava ele, na turbulenta confusão do seu espírito... Seria possível? Estaria em presença de uma alma penada? Para ele, seu pai nunca fora um assassino e sim um fervoroso adorador da sua pátria, que supusera em perigo. Seu pai era recto e bom para com os outros! Se tinha insistido na morte de Inês de Castro, fora apenas para salvar dos Castelhanos o seu querido Portugal, por quem tantos heróis se tinham batido. Mas Inês decerto, não pensaria assim. E seria mesmo Inês? Apavorado, Gonçalo Coelho fez uma longa vénia e retrocedeu sem mais olhar para trás, deixando a dama sozinha...

Momentos depois, numa das áleas floridas do jardim, avistou sua prima D. Leonor de Alvim, que se dirigia para o local donde o jovem fidalgo fugia agora. Ela foi logo ao seu encontro.

— Primo Gonçalo! Por onde andastes todo este tempo?

E reparando melhor na palidez do primo:

— Que tendes? Estais tão branco como a renda do meu vestido!

Ele tentou disfarçar:

— Na verdade… não me sinto bem! Dei hoje um grande passeio a cavalo...

Ela riu.

— Ora, ora!... Desde quando os passeios a cavalo puseram pálidos e nervosos os nossos jovens cavaleiros?

E maliciosa, insinuou:

— Tiveste alguma zanga com D. Branca?

Ele retorquiu, tentando recompor-se:

— Agradeço-vos o cuidado prima Leonor, mas D. Branca e eu continuamos de boas relações. Aliás isto vai passar à fé de quem sou! Juntemo-nos aos nossos convidados.

D. Leonor pôs-lhe a mão sobre o braço.

— Primo Gonçalo... Fazei-me uma mercê! Estou cansada de tagarelar. Vinde dar uma volta comigo. Iremos até à clareira, pela avenida dos lilases... Talvez seja a última vez que lá vou antes de casar e partir para as terras de Barroso.

Gonçalo sobressaltou-se.
— Por aí não Leonor!

Ela mostrou-se admirada:

—Não… porquê?

Gonçalo empalideceu.

— Não poderei explicar-vos por enquanto... Julgar-me-íeis uma criança!

Ela riu.

— E sois… com esse medo estampado no rosto!

A troça da prima teve o efeito de uma chicotada.

— Falais em medo? Bem sabeis que é coisa que jamais existiu ou existirá na nossa família!

D. Leonor olhou-o de frente conciliadora.

— Não vos enfadeis comigo Gonçalo! Mas sereis decerto o primeiro a compreender e aceitar que eu estranhe a vossa atitude.

E com malícia acrescentou sorrindo:

— Tendes ali alguém que eu não possa ver?

Gonçalo Coelho respondeu com voz firme:

— Está ali, realmente, alguém que não podeis ver prima Leonor!

— Ah! Quebrou-se então o mistério!

Arrastava as palavras num ar brejeiro. E perguntou, baixando a voz, como se receasse ser escutada por ouvidos indiscretos:

— Quem é ela? Guardais segredo para mim?

Gonçalo olhou a prima de frente, como quem toma uma desesperada resolução. E com voz segura declarou:

— Quereis saber quem ela é? Pois é Inês de Castro!

Tal nome, pronunciado assim naquele local e àquela hora, teve o condão de sobressaltar e fazer empalidecer também a resoluta D. Leonor. No auge da surpresa, recuou uns passos, perguntando a medo:

— Enlouquecestes primo Gonçalo?

Ele não respondeu. Olhava-a quase duramente. A jovem enervou-se mais ainda.

— Voltemos para casa. Vou chamar vosso irmão Egas.

Ele segurou-a por um braço.

— Senhora minha prima! Se tendes por mim algum apreço calai-vos, pois tal como vós irão supor-me louco! E eu juro-vos… juro-vos pela minha espada que vi além uma dama toda coberta de véus, a qual me pediu para não ser incomodada por ninguém, sob pena de graves acontecimentos... Sob pena, segundo me afirmou, de todo este solar se transformar num mau jardim!

D. Leonor insistiu:

— E porque dizeis... que era Inês?

— Foi ela mesma que o disse!

Aterrorizada, D. Leonor levou uma das mãos ao peito como a conter-lhe as palpitações desordenadas. E exclamou:

— Valha-nos Deus! E que disse mais?

— Ao ouvir uma gargalhada vossa, teve um estranho comentário.

— Revelai-mo!

Gonçalo olhou-a um momento e confessou depois, num misto de segredo e de receio:

— Profetizou que ides ficar viúva… e donzela!

Leonor abriu os olhos num espanto.

— Viúva e... donzela? Tendes a certeza que vos foi dito isso?

— Ela assim o afirmou... Juro-vos!

— E que mais lhe ouvistes?

— Mais nada. Pediu-me apenas para a deixar só e não a incomodar nunca mais durante as horas do pôr do sol, todos os anos, neste dia 7 de Janeiro...

Os olhos de Leonor brilharam com fulgor desusado.

— Neste dia? Pois fazei-lhe a vontade primo Gonçalo! Fazei-lhe a vontade! E vamo-nos antes que nos procurem! Continuo a pensar que tivestes uma alucinação... Todavia… se eu enviuvar donzela... acreditarei que Inês virá aqui todos os anos, no dia em que a mataram!

O Sol deixou de pintar manchas de luz no solo, ao passar por entre a ramagem das árvores. E a noite de Inverno começou a descer com a pressa de quem espera há muito para estender o seu manto de negrume e de frio.

Não mais ecoaram no espaço as gargalhadas de D. Leonor e os ditos espirituosos de seu jovem primo Gonçalo Pires Coelho...

E a verdade é que o povo das redondezas, no seu tagarelar infantil, contou durante muito tempo, de geração em geração, que os senhores do solar dos Coelhos deixavam isolado certo recanto do parque no dia 7 de Janeiro de cada ano, para que o solar nunca deixasse de ser o Bom Jardim dos Coelhos!


 
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Utilizadores Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail

Beladona
Regente
Regente


Offline
Mensagens: 2728
Local: Algarve
Mensagem Enviada: Ter Nov 20, 2018 00:03     Assunto : Responder com Citação
 
A Lenda do Tomás das Guingostas

In diversas fontes da net.

Em tempos que já lá vão, no reinado de D. Isabel, viveu no lugar de Sante, um homem chamado Tomás Joaquim Codeço, mais conhecido por Tomás das Guingostas. Este homem tinha uma quadrilha da qual era o líder. O povo dizia que o Tomás das Guingostas com a sua quadrilha, roubava aos senhores e comerciantes ricos para depois distribuir pelos pobres.

Tomás era um homem destemido e forte, que enfrentava qualquer pessoa sem medo. Caso o número dos perseguidores impusesse mais respeito, como acontecia frequentemente com as perseguições da Guarda Real, o Tomás refugiava-se numa mina que tinha no lugar de Sante, que era um verdadeiro labirinto, indo desde este lugar até ao cruzeiro de São Paio.

Como prova da sua valentia, conta-se que um dia, em Casto Laboreiro, enquanto andava nas suas deambulações predatórias, teve uma refrega com os castelhanos, vindo a sua quadrilha a ser desbaratada. Ao ver-se no perigo da derrota, o Tomás só pensou em fugir. Na urgência da fuga, prendeu-se o catão ao rabo do cavalo, afirmando quem o viu que as patas do cavalo deitavam lume enquanto corria para Pomares.

Encorajado pela sorte e pela força, Tomás das Guingostas continuava os seu feitos pelas aldeias da vizinhança, ora porque de dia se refugiava dos soldados da rainha nas minas, ora porque durante a noite estes, temerosos do que lhes poderia suceder, não se aventuravam na perseguição do bandoleiro.

Acontece que um dia, 30 de Janeiro de 1839, encontrava-se o nosso herói a cavaquear na tasca do seu vizinho e amigo Policarpo, quando foi cercado por uma escolta militar que ali ia para o prender. À surpresa respondeu com uma rápida fuga pelo alçapão, mas foi frustrado o seu intento quando os militares o agarraram pelas pernas, chegando a cortar-lhe os suspensórios para melhor o resgatarem do buraco da liberdade almejada. Assim o levaram, perante a consternação de todos os presentes.

Ao chegar a escolta à ponte De Alote, o prisioneiro, apontando o outro lado da margem exclamou:

- Foi ali que pratiquei o meu primeiro crime!

A sua fama impeliu os olhares curiosos dos jovens militares para o dito lugar, distraindo-os dos seus propósitos. Logo Tomás das Guingostas se virou para os praças que o prendiam e pisou os calos de um deles com o intuito da fuga, como tantas vezes fizera antes. Foi de tal maneira encarniçada a refrega entre Tomás e os soldados, que da violência dos seus arremessos ficou a marca dos seus dedos numa das pedras da ponte. O comandante, vendo quão manhoso e ardiloso era o ladrão, mandou-o logo ali fuzilar num ignominioso assassínio à queima-roupa. E, depois de o mandar decapitar, enviou a cabeça como troféu à rainha, vindo o seu corpo a ser sepultado nas traseiras da capela de S. Bento de Barata.

Quando a rainha viu o rosto sem vida de Tomás, repreendeu fortemente os guardas. Depois de informada dos feitos de Tomás, lamentou que tal injustiça tenha sido cometida com tão bondoso e corajoso homem.

Ainda hoje o povo recorda Tomás com muito, carinho e respeito.


 
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Utilizadores Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail

Beladona
Regente
Regente


Offline
Mensagens: 2728
Local: Algarve
Mensagem Enviada: Ter Nov 20, 2018 21:45     Assunto : Responder com Citação
 
A Lenda da Senhora da Estrela

In diversas fontes da net.

Conta o povo de Inguias, do concelho de Belmonte que passando Egas Moniz alta madrugada com o seu séquito pelo Vale dos Trigais no limite da referida freguesia foi assaltado por um bando de feras.

Depois de luta renhida, o grande aio de D. Afonso Henriques, vendo a estrela da manhã que começava a romper, exclamou:

— Senhora da Estrela, valei-nos.

As feras fugiram, e Egas Moniz reconhecido, e no cumprimento do voto que então fez, mandou construir no local, uma capela a Nossa Senhora da Estrela, onde ainda hoje, as pessoas dos arredores acorrem em alegre romaria no segundo domingo de Setembro.

As destruições do tempo arruinaram a pequena ermida que o povo construiu não há muitos anos.

É crença entre a boa gente de Inguias, que no sítio existiu no tempo dos Romanos, a cidade de Valongo.

Nas proximidades encontra-se chichorro de ferrarias em grande quantidade, sepulturas cavadas na rocha e assentos de casas que datam de tempos recuados.


 
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Utilizadores Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail

Beladona
Regente
Regente


Offline
Mensagens: 2728
Local: Algarve
Mensagem Enviada: Qua Nov 21, 2018 23:18     Assunto : Responder com Citação
 
A Lenda do Mosteiro de Ermelo

In diversas fontes da net.

Era uma vez um rei chamado Ordonho II que governava as Astúrias e todos os territórios para o Sul conquistados aos guerreiros do Islão.

Neles, figurava o Vale do Vez, com as suas altas montanhas e a beleza do seu rio. Tinha uma filha, D. Urraca, princesa piedosa, protectora de igrejas e conventos, devotamente dedicada à divulgação da fé cristã em que dispendia grande parte das suas riquezas.

Um dia, decidiu fundar um Mosteiro para frades em lugar sossegado e fecundo, rodeado de vegetação e boas águas, onde vicejasse uma horta e frutificasse um pomar, onde houvesse ermos floridos para meditação, vinhedos e trigais que fornecessem o pão e o vinho para o mistério eucarístico e a sobrevivência da comunidade.

Com o consentimento real, acompanhada das suas aias e alguns soldados protectores, meteu pés a caminho por montes e vales do seu reino.

Chegada à Serra da Peneda que lhe prometia larga vista sobre uma paisagem pacífica e alegre, o silêncio e a oração, começou a subi-la com entusiasmo, parando ora aqui, ora ali, para ganhar forças e melhor contemplar quanto a rodeava. Uma dessas paragens chama-se ainda Bouça das Donas, lembrando o arvoredo onde D. Urraca e as suas aias repousaram abrigadas do Sol ardente.

Junto à vila do Soajo onde se aconchegavam algumas casas de pedra e colmo, achou lugar apropriado para a construção do Mosteiro e logo contratou pedreiros para lhe abrir os alicerces.

Contente com o lugar que obedecia às condições desejadas, D. Urraca correu à Corte de seu pai a participar a D. Ordonho a feliz decisão. Perguntou-lhe a curiosidade do rei:

- E o que se avista dessas alturas?

Respondeu-lhe a princesa:

- Longes e longes, vêem-se para o Sul, as torres da Sé de Braga e o imenso casario da antiga cidade. Para o Norte, as Catedrais de Tuy e de Ourense junto ao rio Minho. Para o Oeste, praias onde vão quebrar-se as ondas bravias do mar. Para Leste, campos e montes sem conta, onde pastam rebanhos e cavalgam guerreiros dos vossos exércitos.

D. Ordonho manteve-se por uns momentos calado com uma ruga na testa, como quem segue a seriedade de um pensamento. Depois, disse a D. Urraca:

- Minha filha, gostaria bem de satisfazer a tua vontade de servir a Deus com a construção desse Mosteiro. Mas não posso para isso dispender em tal projecto metade do meu reino. É demasiadamente grande esse horizonte. Terás que descobrir outro sítio menos amplo para morada dos teus frades.

Triste com esta decisão real a princesa, todavia não desistiu do seu intento e resolveu então, mandar edificar o seu Mosteiro, não no desafogo dos cimos do monte, mas na profundeza do vale, quase oculto pela densidade das brenhas, sempre coberto de sombras, escutando um rio discreto, mirando a solidão do ermo. E deu-lhe o nome de Mosteiro do Ermelo.


 
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Utilizadores Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail

Beladona
Regente
Regente


Offline
Mensagens: 2728
Local: Algarve
Mensagem Enviada: Qui Nov 22, 2018 20:53     Assunto : Responder com Citação
 
A Lenda de Juromenha

In diversas fontes da net.

Supõe-se que foi D. Diniz que lhe deu o seu brasão de armas, o qual consiste num escudo de prata, com um castelo cercado de água, pendendo de cada lado de suas ameias, dois grilhões (um de cada lado). O castelo e a água são alusões à vila fortificada e ao Guadiana que a banha. Os dois grilhões, segundo uns, significam o privilegio que D. Diniz deu aos seus moradores, de não poderem ser mudados para outra cadeia fora da vila, estando presos sem que os tribunais pronunciassem sentença final.

Segundo outros, os grilhões aludem a que em tempo dos romanos neste castelo prendiam-se e executavam-se os criminosos de delictos graves.

A terceira etimologia de Juromenha, querem muitos que seja pelo facto seguinte:

No tempo dos godos, um rico e nobre senhor, quis espoliar sua irmã Mégnia ou Mênha (não é preciso dizer que, ou Mégnia é latinizando a palavra Mênha, ou esta lusitanizando aquela) das grandes riquezas que herdara de seus pais, (outros dizem que o tal senhor godo pretendeu ter amores incestuosos com a irmã).

Qualquer que fosse o motivo o irmão, vendo que irmã não aceitava as suas ambições, ou ao seu criminoso amor, prendeu-a neste, já então fortíssimo castelo, a ver se ela pelo desejo da liberdade, consentia em satisfazer os desejos do irmão. Porém ela recusou-se heroicamente a isso, dizendo sempre…” Jura Mênha que não…”. Deste “Jura Mênha”, é que possivelmente derivou “ Juromênha” ou posteriormente “Juromenha”.

O que é certíssimo é que uma das torres do castelo se chama torre de Mênha. Diz-se que foi nela que esteve presa a tal donzela.


 
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Utilizadores Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail