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Lendas de Portugal
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Beladona
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Mensagem Enviada: Qui Dez 06, 2018 18:24     Assunto : Responder com Citação
 
A Lenda do Cruzeiro da Sentinela

In diversas fontes da net.

O Cruzeiro simples, está situado no cruzamento das estradas de Valtorno para Vilarinho da Castanheira, desta para Carrazeda de Ansiães e ainda para o Mourão.

É tradição na Alagoa (freguesia de Valtorno) que o cruzeiro foi feito para comemorar um encontro entre tropas miguelistas e liberais, durante a guerra civil de 1828.

Diz-se a propósito que ali faleceu um capitão de infantaria, natural de Foz Côa e que antes de morrer, olhando para os lados do Douro na direcção da sua terra, se despediu dela com as seguintes palavras:

— Adeus, adeus, Vila Nova de Foz Coa onde vim dar os meus fins! Aqui nos altos da Alagoa!


 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Sáb Dez 08, 2018 00:25     Assunto : Responder com Citação
 
A Pequena Lenda de Nossa Senhora da Tocha

In diversas fontes da net.

Em Lercas, freguesia de Mouriscas, existe uma capelinha dedicada à Nossa Senhora da Tocha.

Diz a lenda que há muitos anos passaram por aqui os franceses durante as invasões francesas. Estes invasores, tinham a má fama de terem espalhado o terror à sua passagem, pois roubavam tudo o que encontravam.

As gentes de Lercas, vendo os soldados franceses aproximarem-se e já temendo os roubos e atrocidades, pediram a Nossa Senhora da Tocha que provocasse um denso nevoeiro sobre a aldeia para que os franceses não se apercebessem da sua existência.

E assim aconteceu. Um manto de nevoeiro caiu sobre a aldeia e os soldados passaram por ali perto, sem se aperceberem da povoação, salvando assim as populações e os bens do local.

Foi então que os moradores, para agradecerem tamanho milagre, construíram a pequena capelinha, homenageando Nossa Senhora da Tocha.


 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Dom Dez 09, 2018 21:41     Assunto : Responder com Citação
 
A Lenda do Palácio de Estoi em Verso

In diversas fontes da net.

As lendas sempre teciam,
Noutros tempos, noutras eras,
Histórias que entonteciam
O sorrir das primaveras.

Romances que as gerações
Doutras gerações traziam,
P’ra falar aos corações
E, assim, os entristeciam.

Eram tão tristes baladas,
Relatos de histórias lindas,
Que se contavam, choradas,
Por dias, noites infindas.

Se muitas a nós vieram,
Falando casos de amor,
Outras muitas se perderam,
Por falta de narrador.

É duma lenda esquecida
Que hoje vos venho falar;
Duma que nenhuma vida
Pôde com ela ficar.

Longo tempo andou perdida
Nas margens do esquecimento,
‘té que uma voz dolorida
Me a contou, por um momento.

* * *

Foi por noite perfumada
Das rosas de algum jardim,
Que ouvi a voz torturada,
E a lenda dizia assim:

— “Em tempos que o tempo trouxe
Das mãos de Deus, poderosas,
Era a vida aqui tão doce
E os jardins eram de rosas.

“Os ribeiros, que os havia
Correndo por todo o lado,
Prestavam à luz do dia
Um encanto desusado.

“E, à noite, brilhavam mais
Que os astros cheios de luz,
Soltando suspiros e ais,
Na raiz de alguma cruz.

“Aqui, viviam as gentes
Tão cristãs e tão de siso,
Tão felizes, tão contentes,
Tal fosse no paraíso.

“E até os astros dos céus,
Vindos de além do infinito,
Deitavam seus lindos véus,
De luzes sobre o granito.

‘Era então a serrania
Sempre de verde florida,
Onde a cor e a luz bebia,
Mesmo a rosa e a margarida.

“Isto foi em hora antiga,
Porque depois... ah!... depois,
Veio uma gente inimiga
Que apagou todos os sóis.

“E de opróbrio revestiu
Os habitantes cristãos,
— Povo ilustre que serviu
Os moiros, por suas mãos —.

“Era a vergonha tamanha
E tão grande o seu sofrer,
Que fugiu, para a montanha,
O povo, p’ra não morrer.

“E os sarracenos, senhores
Da terra que emudeceram,
Pisando vergéis e flores,
De pronto se defenderam.

“Alto castelo se ergueu
Numa elevação propícia,
Mas.., por aviso do céu,
Nunca dele houve notícia...

“Que só a lenda me diz
Que ali, de facto, existiram
Muros que, desde a raiz,
Aos assaltos resistiram.

“Foram, por anos compridos,
Viveres tão amargurados,
Que os pobres cristãos vencidos
Morriam, abandonados.

“té que um dia a luz mais alta
Do futuro despontou,
No tudo em que havia falta,
Na fé que a todos sobrou.

“Foi o caso que, por vezes,
Apesar de algum rebate,
Os valentes portugueses
Aos mouros davam combate.

“Eram ataques fortuitos,
Feitos repentinamente,
Donde colhiam os fruitos
De ceifar a moira gente.

“Foi a força enfraquecendo
Da moirama, em tempo breve,
De tal modo, que só vendo
As coisas que a pena escreve.

‘Foi, então, depois a vez,
Havido de Deus sinal,
Do forte Rei português
Dar o combate final.

“E os moiros, desbaratados,
Fugiram a bom fugir,
Indo morrer afogados
No mar, ao longe, a luzir.

“A lusa gente, após logo,
— Que mais podia fazê-lo? —
Passaram a ferro e fogo
As pedras desse castelo.

“Ali tudo foi desfeito
E tudo caiu por terra,
De modo que desse feito
Acabou p’ra sempre a guerra”.

Isto foi que disse a lenda
Naquela noite saudosa,
P’ra que mais assim me prenda
À terra de Estoi, famosa.

Mas a voz do entendimento,
Que veio de outros avós,
Mais me contou, num momento,
Que sucedeu logo após:

“Deus Allah que das esferas
Tudo viu e acompanhou,
P’ra todo o sempre das eras,
A lei fatal decretou:

“Hão-de passar muitos anos,
“Os séc’los hão-de correr,
“E nessa vida de enganos
“Muito irá acontecer.

“Mas de tudo o que virá
“De mal, por minha vontade,
“Muita fala se dirá
“Duma coisa, na verdade.

“É esta a minha sentença,
“Será este o meu castigo
“Que, por vós e por ofensa,
“Vai cair, povo inimigo:

“Sobre o castelo arruído,
‘Um majestoso e falado
“Palácio será erguido
“P’ra depois ficar fechado”,

E assim foi... ninguém esquece
De Allah o puro sentido,
Que o Palácio permanece,
Aqui perto, adormecido...

* * *

Foi esta a lenda esquecida
Que as horas vieram contar,
Foi que irá pr’além da vida,
Se ninguém quiser salvar

Esse Palácio de Estoi,
Prodígio de arquitectura,
Que em outro tempo assim foi
Traçado na pedra dura.


 
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Mensagem Enviada: Dom Dez 09, 2018 21:45     Assunto : Responder com Citação
 
A Lenda da Batalha do Aleixo

In diversas fontes da net.

O filho de João Mendes chamado Lopo Caeiro Mendes Sancas, mostrou-se digno descendente de tão bravos progenitores pois na guerra de 1704, a 31 de Maio, viu-se cercado por um grande exército castelhano comandado pelo marquês de Villadarias, não tendo o chefe português às suas ordens mais do que ordenanças (guerrilhas). Mas apesar disso, por muitos dias resistiu desesperadamente ao inimigo, não capitulando senão quando, no fim de muitos dias, faltos de sustento e munições de guerra e sem poderem ser socorridos, lhes era impossível a resistência.

Houve então um feito heroico e digno de ser eternizado.

Um paisano do Aleixo (cujo nome infelizmente se ignora) não se querendo render, fez-se forte numa casa da localidade onde matou e feriu muitos castelhanos, mesmo sendo atacado por portas, janelas e telhados, com balas e granadas de mão. Fugiu para o quintal, de onde e enquanto teve uma gota de sangue nas veias, matou a feriu castelhanos, caindo por fim exausto, já sem forças e agarrando-se às ervas disse:

– Que estas ervas sejam testemunhas em como morro pelo meu rei e pela minha Pátria.


 
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Mensagem Enviada: Seg Dez 10, 2018 20:24     Assunto : Responder com Citação
 
A lenda de Balsamão

In diversas fontes da net.

Quem observar, da margem esquerda do rio Sabor, a cerca de um quilómetro abaixo da ponte de Remondes, a paisagem que se eleva da margem direita até lá acima onde a vista alcança, depara com uma visão apocalíptica de rochedos inacessíveis, onde só as cobras e os lagartos podem ter morada. Lá no cume, avista-se uma capelinha branca dedicada a Jesus Crucificado, por isso chamado Santo Cristo da Fraga, dando-se também ao rochedo o nome de Fragas do Santo Cristo.

Em volta da capela estende-se um planalto, onde restam ainda pedaços de muralhas e pedras com inscrições curiosas. Pois a lenda conta-nos que nesse planalto existiu um castro que deu o nome à povoação que mais tarde se formou um pouco adiante.

Como se sabe pela História, no tempo do famoso rei mouro Tarik, este concedeu licença aos chefes cristãos que não lhe resistissem, para se fixarem em certos lugares e cultivassem as terras.

Fixou-se então no referido castro um chefe cristão com a sua gente. Tinha ele uma formosa filha chamada Teodolinda que foi pedida em casamento por um moço cristão de Alfândega da Fé. Provavelmente nessa época esta localidade teria outro nome.

O principal chefe da mourama que subjugava estas paragens encontrava-se acastelado no monte do Carrascal, hoje Balsamão. Poderoso e prepotente impunha as mais cruéis condições às populações cristãs. Entre essas prepotências impôs o vil tributo das donzelas o qual consistia em que cada uma que casasse em vez de passar a noite no leito nupcial tinha que passá-la com o execrável rei mouro.

Realizou-se o casamento da formosa Teodolinda com o referido moço de Alfândega. Este porém recusou-se a pagar o tributo, não querendo entregar a noiva ao mouro o que irritou muito este e resolveu vir com os seus homens rechaçar os cristãos revoltosos. Estes resolveram enfrentar a mourama e travaram terrível luta no lugar onde hoje é Chacim. Diz-se até que este nome deriva de chacina em virtude da grande mortandade que resultou da contenda.

Conta a lenda que no meio dos guerreiros cristãos apareceu uma linda Senhora com um vaso de bálsamo na mão sarando as feridas dos combatentes cristãos. Estes venceram a peleja e atribuíram a vitoria à linda Senhora que seria a Virgem Maria. Mais tarde construíram uma capela no lugar onde fora a fortaleza do cruel rei mouro, no monte do Carrascal poucos quilómetros a nordeste de Chacim. Dedicaram essa capela a Senhora do bálsamo na mão que mais tarde derivou para Balsamão. Mais tarde foi ali fundado um convento muito conhecido por nele ter vivido o Frei Casimiro que morreu em fama de santidade encontrando-se o processo para a sua canonização em Roma.

Durante alguns anos abandonado esse lugar assim como vários monumentos que nele se encontravam voltou a prosperar por acção dos Padres Marianos uma congregação de origem polaca a quem pertencia o convento.

Este é um lugar paradisíaco avistando-se dali extensos e belos panoramas tem uma casa de repouso e uma estância de aguas medicinais.


 
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Mensagem Enviada: Qua Dez 12, 2018 01:12     Assunto : Responder com Citação
 
A Lenda de Nossa Senhora das Mercês, da Madeira

In diversas fontes da net.

Na ilha da Madeira houve em tempos um convento de capuchinhos, a cuja fundação está ligada uma lenda cheia de milagres e maravilhas.

Havia na ilha uma rica proprietária, D. Isabel de França, casada com Gaspar Barenguer de Andrade que se confessava habitualmente ao padre Ribeiro. Este há muito que tinha na ideia a fundação de uma casa de religiosas em certo local deserto da ilha e pediu à sua confessada que subsidiasse a obra.

D. Isabel porém, alegava que só poderia contribuir com os terrenos, uma vez que tudo o resto era administrado pelo marido, homem avarento e pouco piedoso. Era sincera a senhora e por isso ficou preocupada por não poder satisfazer aquele desejo do religioso.

Uma noite aconteceu-lhe sonhar e ter uma visão de Nossa Senhora das Mercês. Dizia-lhe a Virgem:

— Isabel, quero o meu convento...!

— Ó minha Nossa Senhora, não tenho dinheiro para dar bem o sabeis!

— Faz como quiseres Isabel, dá até a tua camisa se for preciso, mas faz-me esse convento...!

Antes que a senhora pudesse replicar, a Virgem desapareceu do seu sonho.

Impressionadíssima com aquela aparição, D. Isabel decidiu ir contra a vontade do marido e aplicar na obra pedida todos os seus rendimentos pessoais.

O Demo porém, estava apostado em impedir a fundação daquele mosteiro e, por intermédio de D. Gaspar, arranjou modos de mover o governador do bispado a dificultar, senão proibir, aquela obra. Assim, quando foi pedida autorização para iniciar a pia obra, o projecto foi recusado.

A Virgem das Mercês veio então em auxifio de D. Isabel e do padre Ribeiro, indo o bispo de viagem a Porto Santo, fez levantar um tão medonho temporal no mar que a embarcação esteve em vias de se afundar. O clérigo, meio morto de pavor, lembrou-se subitamente da sua recusa em autorizar a fundação do mosteiro e, logo ali prometeu proteger o projecto se o mar amainasse. Nossa Senhora, que estava à espera disto mesmo, imediatamente ordenou ao mar que se acalmasse, e este tornou-se num lago remançoso, espelhado de sol.

O clérigo cumpriu a sua promessa, mas o Demo não desistiu de levar a sua avante. Uma vez aplainadas as dificuldades de carácter religioso, começaram as seculares: O governador da ilha recusou terminantemente a autorização do convento.

Novamente vem a Virgem em auxílio do seu projecto. Este governador da Madeira era considerado herege por alguns senhores da ilha, mas até então, a sua autoridade era indiscutível e ninguém se atrevera a contestá-la. De súbito, os grandes senhores da Madeira puseram-se de acordo quanto aos abusos de autoridade perpetrados pelo governador e tramaram uma conjura para o afastarem do cargo. Mandaram então uma embaixada ao rei em Portugal, e tão bem conduziram o assunto que o governador foi afastado do seu cargo.

Entretanto, a construção do edifício fora iniciada e as obras corriam em bom andamento. O Demo, desesperado, fez a terceira tentativa para frustrar a obra das Mercês: Acabar os recursos materiais de D. Isabel. A senhora deu voltas à cabeça, fez contas e mais contas com os feitores, mas não conseguiu nem mais uma moeda dos seus rendimentos.

Novamente os sonhos provocados pela patrona da obra vieram em auxílio de D. Isabel. Certa noite em que estava nestas aflições, adormeceu de cansaço e sonhou que em determinado local do seu jardim havia ouro enterrado, o suficiente para terminar a obra do mosteiro.

Na manhã seguinte, com o coração em alvoroço, dirigiu-se ao cantinho do sonho e começou a cavar às escondidas de toda a gente. Tão absorvida estava nesse trabalho que nem reparou que D. Gaspar se aproximava pé ante pé para ver o que estava ela fazendo, precisamente na altura em que a enxada batia num objecto bem sólido e sonante. D. Gaspar percebeu rapidamente com aquela intuição própria dos avaros, que o objecto em que tocara a enxada era um cofre, sem dúvida cheio de ouro, e apressou-se a exigi-lo para si. Apanhada de surpresa D. Isabel entregou o cofre ao marido que estupefacto, o encontrou cheio de carvão.

D. Gaspar desiludido com o fraco achado, virou costas e foi à sua vida. Imediatamente o carvão se tornou em ouro e a devota senhora o entregou ao padre Ribeiro para a conclusão da obra.

Assim que tudo ficou pronto, instalaram-se as freiras e convocaram o capítulo para assentarem na regra a seguir. Prestes a optarem por uma ordem rica, nova maravilha veio decidir a sorte do Convento das Mercês: A terra começou a rugir e a tremer, ameaçando destruir a obra que tantos sacrifícios custara. E as freiras, convictas de que era vontade de Deus, optaram então por uma regra de pobreza, ordem esta que durou enquanto o convento se manteve em funcionamento.

Conta-se ainda deste convento que existiu na Madeira, que uma certa personagem de grande virtude vira durante muitas noites, naqueles sítios ermos, uma luz alumiando uma Virgem esplendorosa assaltada por legiões de demónios.


 
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Mensagem Enviada: Qui Dez 13, 2018 00:30     Assunto : Responder com Citação
 
A Lenda da Nossa Senhora da Salvação do Convento de Santa Catarina de Ribamar

In diversas fontes da net.

Prodigiosa era a representação pictórica de Nossa Senhora da Salvação, segundo a tradição atribuída à autoria do evangelista S. Lucas que a rainha-viúva D. Catarina (1507-1578) oferecera, numa demonstração de afecto e devoção, a Frei António das Chagas, virtuoso cenobita do Convento de Santa Catarina de Ribamar, a quem costumava visitar.

Frei António das Chagas devotava particular veneração a esta imagem, a ponto de algumas vezes, os confrades serem surpreendidos com o incontroverso diálogo que no recato da cela se travava. A Nossa Senhora conversava com o seu fiel e devoto servo!

Quando o admirado e estimado frade faleceu com cerca de cem anos, o seu corpo foi exposto na igreja do convento, colocando-se-lhe à cabeceira a pintura da Nossa Senhora da Salvação. Às exéquias acorreram muitos devotos, entre os quais a duquesa de Aveiro que, desde há muito cobiçava a imagem que agora se encontrava tão acessível. Logo, então pensou que a poderia furtar. Aproveitando a perturbação do momento em que o cadáver era conduzido à sepultura, aproximou-se e tomou a pintura que passou a um escudeiro, com a recomendação que a levasse para sua casa. Saiu este, com o precioso furto e montou o cavalo que o esperava, mas por mais que tentasse, o teimoso equídeo não obedecia. Mesmo picado, “levantando-se no ar, resistia a não querer mover.” O escudeiro apeando-se, “entrou pela igreja dentro publicando o milagre”.

Mas a duquesa de Aveiro não desistiu do seu sacrílego intento. Contratou um hábil pintor para que fizesse uma cópia fiel da imagem e convenceu o guardião do convento a permitir a troca à custa de grandes esmolas e presentes. A abusiva permuta fez-se e a verdadeira pintura foi habitar a casa da aristocrata, mas “a Nossa Senhora não se agradou daquela mudança.” Os castigos atingiram então aquela mansão: Adoeceu até à morte, o filho varão e, depois outro e outra filha, após o que o duque também caiu enfermo. A duquesa perante a sucessão de tão inesperados e funestos acontecimentos, veio “a entender que todos estes males eram castigos da sua temeridade” e restituiu a imagem ao convento. De imediato, começaram os doentes a melhorar e “em breves dias ficaram todos sãos”.


 
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Mensagem Enviada: Sex Dez 14, 2018 00:57     Assunto : Responder com Citação
 
A Lenda do Conventinho

In diversas fontes da net.

O Conventinho, assim é conhecida uma parte da Quinta da Roussada pertencente à Senhora Dona Leonor Pereira Gorjão, viúva do Sr. Coronel Francisco de Carvalho Brito Gorjão. A Quinta da Roussada está a poente da Vila Velha de Mafra e a pequena distância das últimas habitações.

No sítio conhecido pelo Conventinho existe uma parede de 5 metros de comprimento por 3 de altura que a voz do povo inculca como começo de construção de um convento para freiras, que D. João V tencionava construir. Ignora-se porém, a razão porque a construção não foi avante. Resta apenas a tradição e os restos da parede sendo provável que o começo da construção tivesse alguma importância visto perpetuar-se até ao ponto de dar nome de Conventinho ao local escolhido para a tal construção.

A feira da Ladra esse antigo manancial de antiguidades mais uma vez veio contribuir com uma dádiva mínima na verdade, mas interessante para vir esclarecer mais uma lenda de Mafra.

Um amigo teve artes de descobrir um pergaminho com uma carta autografada da Rainha D. Maria I determinando a construção de um convento no sítio da Roussada e destinado aos frades menores observantes de Santa Maria da Arrábida…

Qual a razão porque não chegou a concluir-se a construção? A carta tem a data de 2 de Setembro de 1791 e a Rainha adoeceu com um ataque de loucura a 1 de Fevereiro de 1792. Entre a data da carta e o ataque de loucura medeiam cinco meses. Esse pequeno espaço em que a Rainha esteve em tratamento da doença sem cura e que se manifestou bem visivelmente por ocasião do embarque para o Brasil em Novembro de 1807 foi o suficiente para abandonar a ideia da construção do convento.

Tão solícita fora em promover melhoramentos para o seu País, depois do ataque de loucura a sua influência nesse sentido desapareceu…

A obra do Convento na Roussada filia-se talvez nas relações da Rainha com a casa Ponte de Lima na Vila Velha que ela frequentava. Lembranças talvez do Marquês para ter o convento próximo da sua casa.

Os Cónegos Regrantes vieram habitar o Convento justamente quando a Rainha ordenou a construção na Roussada em 1791 e talvez o Marquês não simpatizasse com os cónegos.

Os Conventos tinham também a sua política.


 
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Mensagem Enviada: Sáb Dez 15, 2018 00:44     Assunto : Responder com Citação
 
A Lenda do Sacrário dos “Terceiros”

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Quando a igreja de S. Francisco estava ainda em construção mas quase a concluir-se, apresentou-se um homem miseravelmente vestido pedindo esmola e trabalho.

- O que sabe fazer? - perguntaram-lhe os do convento.

- Pouco ou nada…respondeu. Mas se mo consentirem…

- Que dissesse tudo o que pretendia…tornaram os outros.

- Quero escolher uma pedra à minha vontade e preciso duma cela para realizar um certo trabalho. Só quero que me dêem de comer e que me não espiem no meu trabalho.

- Intriga-nos um tal procedimento. Que pretende fazer? Disseram os das obras do convento.

- Tenho na ideia esculpir o sacrário que ainda falta na obra da igreja, mas só quero que o vejam quando o tiver concluído.

Parece um pedido extraordinário e até mesmo disparatado da parte de um indivíduo que era a imagem acabada da miséria, sem a menor aparência de talento. Como o hábito não faz o monge mesmo na casa dos frades que o vestem e como nada havia a perder, concederam tudo quanto o homem lhes pediu.

Desde o dia em que começou o seu trabalho só aparecia à hora das refeições e nada dizia sobre o andamento da obra, nem lho perguntavam. Para melhor vigiar a sua obra dormia na mesma cela onde trabalhava.

Um dia não apareceu à hora da refeição.

Foram procurá-lo à cela e em lugar do pedinte encontraram um precioso sacrário, verdadeiro trabalho de artista.

Procurou-se por toda a parte o misterioso e sublimado escultor e nunca mais foi visto.

É da tradição que é o sacrário, feito de uma só peça, que está na Capela dos Terceiros.


 
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Mensagem Enviada: Dom Dez 16, 2018 01:38     Assunto : Responder com Citação
 
Uma Outra Versão da Lenda da Bezerra de Monsanto

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Nesses tempos que se perdem na memória das gentes era assim mesmo…o somatório dos anos não cansava os homens que se entregavam abnegadamente à defesa dos seus ideais...
Por isso, Monsanto ali bem perto da Idanha-a-Velha, a famosa Egitânia de então, aguentava estoicamente já há sete anos, um cerco brutal posto pelo cônsul romano Lúcio Emílio Paulo.

Sete anos de tragédia, de luta selvática, de ansiedade e de dúvida. E igualmente, sete anos de fé, de esperança, de fidelidade e de arreigado amor à terra-mater!

Tinham passado tormentos e amarguras. Tinham morrido os entes queridos. Tinham visto destroçadas as suas próprias cabanas. Tinham sofrido misérias, desgraças e dores. Mas não se rendiam!

Diante dos olhos amortecidos que o fitavam, o velho chefe lusitano voltou a falar mais uma vez.

— Custe o que custar temos de resistir ao invasor... Nós não nos renderemos, nem que nos continuem a sitiar por mais outros sete anos! Mesmo que vamos todos um por um morrendo à fome... Enquanto um de nós existir, esta terra será nossa!

E as vozes dos outros repetiram, em tom ainda vibrante e desesperado:

— Esta terra será nossa!

Esse velho chefe, que assumira o comando dos sitiados, já vira morrer sua mulher e os seus três filhos mais velhos. Restava-lhe apenas uma filha, ainda muito jovem, e que era agora a melhor companheira de seu pai.

Assim, ele temia ansiosamente pela sua existência.

— Oh minha filha não te exponhas!... Tenho tanto medo por ti... Acredita, se um dia eles te descobrem, são capazes de matar-te como já mataram os teus irmãos!

Mas a jovem sorria com a valentia irreverente própria da juventude.

— Não pense nisso meu pai, onde estiver, estarei sempre a seu lado. A luta não me amedronta!

E inclinando-se para ele num sussurro de confissão:

— Lembre-se que foi isso que eu jurei quando a mãe foi assassinada por eles!

O pobre velho baixou a cabeça para esconder as lágrimas, para tentar ser mais austero.

— Lembro-me sim minha filha... Mas lembra-te tu também, que és o único bem que me resta na vida e eu preciso de ti!

Fez-se um silêncio entre ambos. Mas não durou muito. O coração do pai falou mais alto que a sua própria vontade.

— Ah, se ao menos eu te pudesse salvar… se conseguisse levar-te para o outro lado do monte minha filha!... Aí serias certamente mais feliz com as tuas ovelhas e as tuas bezerras!

A rapariga ergueu-se e alisou os longos cabelos que lhe caíam até às costas.

— Deixe-se de sonhos meu pai, por favor!... Bem sabe que ficarei aqui enquanto o pai aqui estiver e o rebanho ficará comigo. O pai bem sabe que os homens precisam do rebanho cada vez mais!

O velho chefe fitou a filha com um olhar triste, muito triste, e voltou a baixar a cabeça.

— Tens razão! Os homens precisam do rebanho... e cada vez mais!

Pouco tempo passara sobre este breve diálogo, quando o velho mandou chamar a filha à sua mísera tenda de combate, que mal se conseguia aguentar de pé, depois de ter sofrido tantas intempéries da natureza e dos homens.

— Escuta minha filha... Tens de fugir!

Altivamente, ela encarou-o, frente a frente, olhos com olhos, vontade contra vontade.

— Já disse que não fugiria daqui meu pai!... Fiz um juramento, devo cumpri-lo!

O velho chefe suspirou fundo e agarrou a jovem pelos ombros.

— Mas isto vai de mal a pior!... Todos se têm sacrificado... e para quê minha filha?... Para quê, se nós acabaremos por ser vencidos?

Num gesto brusco, quase de revolta, ela libertou-se das mãos do pai.

— Cale-se por favor!... Que ninguém o oiça!... Pois o pai esquece-se de que é o chefe, que os homens e as mulheres que restam confiam plenamente em si?

Num crescendo de entusiasmo, a rapariga ergueu os braços ao céu.

— Vamos meu pai! Fale aos seus homens e levante-lhes o ânimo!... Eles estão habituados às suas palavras de coragem, de fé, de esperança na vitória final...

E inclinando-se para ele, como que a querer transmitir-lhe o seu próprio entusiasmo:

— Não esqueça... A esperança na vitória final!

Mas desta vez enganava-se. O pai não reagia. Estava visivelmente desmoralizado perante a crescente brutalidade do assédio. E confessou amargamente:

— Oh minha filha, minha única filha, então não compreendes? Não vês a miséria que nos oprime? A fome e a sede que nos atormentam?

— Tentaremos arranjar mais alimentos… mais água...

Num suspiro de dor e de cansaço, o velho chefe abanou a cabeça.

— Impossível minha filha!... Os romanos descobriram as últimas passagens secretas e já as bloquearam por completo... Nada nos resta!

Foi a vez dela se sentir desesperada.

— Mas... então...

E ele confirmou em voz lenta, arrastada, como que pesando todo o peso da sua enorme angústia:

— Eu próprio… já perdi a coragem... a fé... e a esperança... Agora, daqui em diante, acredito que todos os sacrifícios serão absolutamente inúteis... Os romanos não deixarão vivo um único de nós!

E calou-se. Porém, no ar estranho e quente parecia pairar ainda o eco das suas palavras. Até que a rapariga, num rompante de nervos, conseguiu rasgar o véu da impotência que já os envolvia.

— Não! Não pode ser assim, de modo algum!

E erguendo a voz autoritária e solene como nunca o fora, gritou para o seu pai:

— O senhor é o chefe… o nosso chefe! Porte-se portanto, como um verdadeiro chefe!

Tão persuasivo era o tom da sua voz, que o homem se sentiu chicoteado na sua própria consciência.

— Sim, sou o chefe!... Não posso nem devo pensar apenas em nós dois! Tenho de pensar também nos outros que confiam em mim!

— Isso mesmo meu pai! É dessa maneira que eu gosto de o ouvir falar, que todos nós gostamos de o ouvir! E agora diga-me: Que vamos fazer para não morrermos de fome?
O velho chefe, reencontrando a sua perdida e gasta energia, apontou para fora energicamente:

— Vai, minha filha!... Vai e sacrifica o nosso último rebanho. É a última reserva que nos resta. Divide o rebanho pelos homens, pelas mulheres e pelas crianças. Pelo menos poderemos aguentar mais uma semana... Depois, veremos! Será o que Deus quiser!

E a rapariga, persignando-se, repetiu como num eco:

— Será o que Deus quiser!

Mas a semana depressa passou. Noites e dias sumiram-se num verdadeiro crescendo de aflição. E a tragédia começou a rondar cada vez mais perto, cada vez mais perto...

Até os soldados romanos davam mostras de perceber a dramática situação. A fome deve ter também um cheiro que anda nos ares…

O cônsul Lúcio Emílio Paulo resolveu aproveitar o ensejo e gritou para o alto do monte:

— Sois imbecis ou insensatos? Pois não vedes que é só por teimosia de um velho egoísta que prolongais o vosso sofrimento?

E logo lá do alto, começou a voz do velho chefe, das fraquezas fazendo forças:

— Calai-vos Lúcio Emílio Paulo, cônsul sanguinário e indigno!... Sou eu, eu o velho egoísta, que estou a responder-vos. Os meus homens não sofrem nem querem render-se. Ouvistes bem?
Aqui não entrareis lobo romano, enquanto um de nós estiver vivo!

Houve uma breve pausa. Como que a ganhar alento para gritar mais forte. E os berros do cônsul romano subiram ao monte, como ameaça de morte.

— Então sois ainda mais imbecis do que eu pensava!... De que serve a vossa impertinência?... A fome não perdoa! E vós morrereis todos de fome!... De fome!

O velho chefe já não respondeu. Sentia que de facto, tudo chegara ao fim. Ao extremo dos extremos. E limitou-se a dizer aos que o olhavam num apelo e numa ansiedade:

— Nada mais nos resta amigos... Os romanos já sabem que estamos a morrer de fome, que não podemos continuar a resistir… E nós já somos tão poucos!...

Calou-se, numa breve indecisão acerca do que ia dizer mais. Mas as palavras escaldavam-lhe o cérebro e o coração. E não fugiu a dizê-las:

— Penso que o melhor é entregarmos as armas.

Os homens baixaram a cabeça. As mulheres abafaram os soluços. Mas uma voz ergueu-se inesperadamente.

— Nunca, meu pai! Nunca permitirei que se faça uma coisa dessas!

Todos olharam na direcção da rapariga. O velho chefe avançou um passo. Ainda perplexo e duvidoso.

— Pois tu... tu, minha filha... atreves-te a discutir publicamente uma ordem que eu dou?

Foi a vez de ela avançar um passo, com calma, com segurança, com altivez.

— Meu pai, aqui eu sou um soldado como todos os outros. Não falo com o pai... Falo com o chefe. E creio que estou a falar em nome de todos eles... Nós não nos queremos render!

Um clamor de vozes coroou as suas últimas palavras. Os homens e as mulheres passaram imediatamente para seu lado. Concordavam com ela. Estavam com ela.

O velho chefe ainda quis defender o seu ponto de vista, embora sentindo que perdia autoridade.

— Sois nova minha filha, muito nova ainda… Olhai para essas caras... Vede esses olhos sem brilho, esses braços sem forças, esses corações que mal podem bater de tanta fraqueza... Achas que vale a pena continuar?

A resposta veio pronta e franca:

— Acho que sim meu pai! Acho que vale a pena!

Novo clamor de vozes rompeu. O entusiasmo voltava a retomar os homens e as mulheres. Sentiam-se renovar para a luta! E, pedindo a todos que se aproximassem, a rapariga falou então em voz baixa, quase em segredo.

— Eu guardei uma bezerra para este momento! Esta gorda e anafada...

Mais espantado se mostrou o velho chefe. Dolorosamente espantado.

— Uma bezerra?... Estais louca com certeza! Pois para que nos serve uma miserável bezerra para todos nós, se ela é pouca para um só?...

Num meio sorriso, a rapariga explicou:

— Perdão meu pai… A bezerra que eu guardei não é para nenhum de nós!

— Que dizeis?... Que ideias são as vossas?

A rapariga abraçou todos com um olhar.

— Se não se importam, meus amigos eu terei primeiramente de falar com o meu pai... em segredo!

O velho chefe encolheu os ombros, como que resignado.

— Em segredo? Oh, meu Deus!... Minha filha enlouqueceu certamente… Uma bezerra… e um segredo! Enfim meus amigos, voltai aos vossos lugares... Eu irei escutar o que minha pobre filha tem para me dizer!

O que se passou entre pai e filha, ninguém soube… Somente na manhã seguinte, viram que o velho chefe parecendo criar novas forças nas suas pernas já trôpegas, subia ao ponto mais alto do monte, levando a acompanhá-lo a sua jovem filha e uma bezerra bem robusta.

Depois, lá de cima, com a maior energia que lhe era possível, a voz do velho chefe caiu sobre o acampamento inimigo.

— Oh grande Lúcio Emílio Paulo, a quem chamam o Macedónio pelas tuas brilhantes vitórias na Macedónia, escuta o que vou dizer...

Debaixo vieram gargalhadas fortes, antes de soar a voz do próprio cônsul.

— Estou a ouvir-te velho idiota!... Penso que compreenderam finalmente a inutilidade dos vossos esforços. Querem render-se, não é verdade?

E o velho chefe, a plenos pulmões respondeu:

— Não, Lúcio Emílio Paulo, nós não nos queremos render! Nós poderemos resistir até que vós para aí apodreçais de fome, de frio e de aborrecimento!

Novas gargalhadas. E no meio das gargalhadas, uma pergunta irónica:

— E vós… que fazeis?

Seguras e vibrantes, as palavras do velho chefe encheram de pasmo os lutadores de ambos os lados:

— Nós... temos tudo o que desejamos! E como prova do que digo, cônsul Lúcio Emílio Paulo, aqui te oferecemos esta bezerra que sobrou do banquete de ontem à noite!

E no mesmo instante, a um gesto do velho chefe, a rapariga resolutamente lançou para baixo a bezerra gorda e anafada que guardara avaramente para tal efeito.

Por entre o tumulto de vozes provocado pela estranha e inesperada oferta, ainda se ouviram as palavras finais do velho chefe:

— Que vos faça bom proveito essa bezerra, cônsul Lúcio Emílio Paulo!... E se quiserem mais é só dizerem!

Na tarde desse mesmo dia voltou a ouvir-se de repente a voz do cônsul Emílio, vinda lá de baixo, da planície. Mas já sem a arrogância habitual. Como que despeitada e aborrecida.

— Guardai as vossas outras bezerras, que nós um dia as viremos buscar... Agora, chamam-nos de Roma e já perdemos aqui demasiado tempo... Mas nós voltaremos!

Quase correndo, tropeçando aqui e além, louco de alegria, mal podendo acreditar no que os seus ouvidos escutavam, o velho chefe voltou a subir ao mais alto do monte e a gritar, numa renovação das próprias energias:

— Pois voltai, voltai, que nos encontrareis à vossa espera!... E haverá sempre uma bezerra a mais para vos oferecer!

Risadas fortes emolduraram as suas palavras. Porém, desta vez, não eram os soldados que riam: eram os sitiados, que rodeavam a jovem filha do velho chefe, dando largas à sua alegria e aos seus brados de vitória final!...

E assim, enganados pelo estratagema, julgando que os sitiados possuíam bastantes alimentos, os soldados romanos se retiraram...

Ainda hoje se comemora esta tradição em Monsanto…proclamada em 1938 “a aldeia mais portuguesa de Portugal”...

No dia da festa, os monsantinos ao som de adufes e cantares, lançam das muralhas do velho castelo lindos cântaros enfeitados, que simbolizam a bezerra do cerco de Monsanto...


 
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