Monarquicos.com Monarquicos.com Fórum Monarquicos.com VŪdeos Monarquicos.com Adicionar aos Favoritos
Registar Registe-se neste Fórum (Gratuito)   Entrar Entrar no Fórum

Beladona
Regente
Regente


Offline
Mensagens: 2655
Local: Algarve
Mensagem Enviada: Dom Mai 12, 2019 22:13     Assunto : Dona Carlota Joaquina Responder com Citação
 
Trago hoje a que foi a esposa de D. Jo√£o VI, a Sra. D. Carlota Joaquina Teresa Caetana de Bourbon e Bourbon, em castelhano Carlota Joaquina Teresa Cayetana de Borbon y Borbon que nasceu em Aranjuez a 25 de Abril de 1775 e morreu no Pal√°cio de Queluz a 7 de Janeiro de 1830.

in diversas fontes da net.

D. Carlota Joaquina foi uma Infanta de Espanha por nascimento, e Infanta consorte de Portugal, Princesa-consorte do Brasil, Princesa-regente consorte de Portugal, Rainha consorte do reino unido de Portugal, Brasil e Algarves e Rainha consorte de Portugal pelo seu casamento com o então Infante português D. João Maria de Bragança (futuro Dom João VI), na altura Senhor do Infantado e Duque de Beja. Foi também Imperatriz do Brasil, entre 1825 e 1826. Ficou conhecida como A Megera de Queluz, pela sua personalidade forte e porque foi isolada no Palácio de Queluz nos arredores de Lisboa, por ter conspirado contra o seu marido e ser antiliberal.

Também, pelo tratado do Rio de Janeiro de 1825, foi Imperatriz do Brasil, de jure, por alguns poucos dias.

Carlota Joaquina era a filha primogénita do Rei Dom Carlos IV de Espanha e de sua esposa D. Maria Luísa de Parma, Rainha de Espanha. No dia em que iria a Portugal, D. Carlota Joaquina pediu a sua mãe para que fizessem uma pintura sua com o seu vestido vermelho para colocar na parede, no lugar do quadro da Infanta D. Margarida (à qual D. Carlota dizia superar em beleza).

Teve o seu casamento arranjado a 8 de Maio de 1785 (com apenas dez anos de idade), com o Infante português D. João Maria de Bragança (futuro Dom João VI).

Em 1788, com a morte do herdeiro da Coroa portuguesa, o primogénito D. José, Príncipe da Beira, D. João tornou-se o Príncipe herdeiro. Devido à loucura de sua mãe, este tornou-se regente de Portugal de facto em 1792, e de jure em 1798, e por conseguinte, D. Carlota tornou-se Princesa-regente consorte de Portugal.

Esta virada dos acontecimentos conveio perfeitamente ao car√°ter ambicioso e at√© violento de D. Carlota. Desde cedo procurou intrometer-se nos assuntos de Estado, procurando influenciar as decis√Ķes do marido, muitas das vezes n√£o se lhes submetendo. Come√ßou a desprez√°-lo recorrendo at√© √† chantagem, √† intriga e √† press√£o conjugal sempre que n√£o conseguia os seus intentos. A situa√ß√£o proporcionou √† casa real uma verdadeira situa√ß√£o de anomalia, que eventualmente acabou por chegar aos ouvidos do povo.

Por ser descartada das decis√Ķes muitas das vezes, D. Carlota Joaquina organizou √† sua volta um partido com o objectivo de tirar as r√©deas do poder ao Pr√≠ncipe regente, prendendo-o e declarando-o incapaz de cuidar dos assuntos do Estado tal como sua m√£e.

Contudo, em 1805 esse partido foi descoberto, o Conde de Vila Verde prop√īs a abertura de um inqu√©rito e a pris√£o dos implicados, e a Princesa s√≥ n√£o pagou mais caro porque D. Jo√£o desejando evitar um esc√Ęndalo p√ļblico, op√īs-se √† sua pris√£o, preferindo confinar os movimentos da esposa ao Pal√°cio de Queluz, enquanto ele mesmo ia morar para o Pal√°cio de Mafra separando-se dela. Nessa altura os seus inimigos afirmavam que somente cinco dos seus nove filhos (incluindo D. Miguel I) eram filhos de Dom Jo√£o VI, j√° que D. Carlota Joaquina era uma not√≥ria ninfoman√≠aca.

E deles e dos que estavam contra a pol√≠tica de um monarca forte e com poder de decis√£o depara-se-nos sobre ela as coisas mais incr√≠veis, numa altura em que "as mulheres n√£o tinham voz, a n√£o ser para urdir surdas intrigas", que hoje est√° a ser revista que a revelam afinal "uma mulher de elevada cultura pol√≠tica, com rasgos de extraordin√°ria sagacidade, para al√©m de m√£e atent√≠ssima, sobretudo no que concerne √† sa√ļde dos seus filhos, e ainda de filha dedicada, de esposa muitas vezes terna, contra tudo o que dela se propalou". .

Contra ela e o Reino de Portugal temos nomeadamente a descrição feita pela mulher do general que comandou a primeira invasão francesa a Portugal, Laura Junot, que afirma: "a sua fealdade, os seus cabelos sujos e revoltos, os seus lábios muito finos e arroxeados adornados por um buço espesso, os seus dentes", "desiguais como a flauta de Pã". Chegando ao ponto de escrever que "Não podia convencer-me de que ela era uma mulher e, entretanto, sabia de factos nessa época que provavam fartamente o contrário".

Diz outro historiador que "passava por ser de √Ęnimo perspicaz e de dotes elevados de esp√≠rito, por√©m, as suas qualidades morais n√£o mereceram igual apre√ßo. Ambiciosa, violenta, pretendeu logo dominar a vontade de seu marido, e dirigi-lo nos neg√≥cios internos e nos do Estado. N√£o se submetendo o regente, come√ßou a olh√°-lo com desprezo e desd√©m, convertendo o lar dom√©stico em cont√≠nua luta, cujos menores incidentes eram discutidos e comentados nas pra√ßas p√ļblicas. D. Carlota disp√īs as coisas de forma que criou um partido seu, e em 1805 divulgou-se que o regente descobrira uma conspira√ß√£o tramada contra ele pela esposa. Ela, tendo a seu lado nobres e eclesi√°sticos, projectava tirar o governo ao seu marido, e prend√™-lo, declarando-o incapaz de gerir os neg√≥cios p√ļblicos.

O Conde de Vila Verde dispunha-se a abrir uma devassa e castigar os criminosos, por√©m o regente, para evitar o esc√Ęndalo, n√£o consentiu, limitando-se a separar-se de sua mulher, dando-lhe para resid√™ncia o pal√°cio de Queluz onde antes viviam juntos, passando ele a residir em Mafra, e a exilar fidalgos que mais se manifestavam afectos √† princesa. A desgra√ßada situa√ß√£o a que chegou Portugal, em 1807, fez com que os esposos se reunissem por algum tempo, e a esquadra, que em Novembro conduziu o Pr√≠ncipe regente e D. Maria I ao Brasil, levava tamb√©m a seu bordo a astuciosa Princesa. No Rio continuaram vivendo separados, cada um em seu pal√°cio, reunindo-se apenas quando eram obrigados a comparecer nalguma solenidade p√ļblica". Numa carta, Dom Jo√£o escreve √† irm√£ que sua esposa D. Carlota Joaquina teria raspado os cabelos devido a uma infesta√ß√£o de piolhos.

O pr√≥prio Oct√°vio Tarqu√≠nio de Sousa, em ¬ęHist√≥ria dos Fundadores do Imp√©rio do Brasil¬Ľ, diz que a mulher era quase horrenda, ossuda, com uma esp√°dua acentuadamente mais alta do que a outra, uns olhos mi√ļdos, a pele grossa que as marcas de bexiga ainda faziam mais √°spera, o nariz avermelhado. E pequena quase an√£, claudicante (‚Ķ) uma alma ardente, ambiciosa, inquieta, sulcada de paix√Ķes, sem escr√ļpulos, com os impulsos do sexo alvoro√ßados.

E prossegue adiante: "D. Carlota Joaquina é que se não resignava à inação política a que se via condenada, decidida como estava a dominar como soberana e começando a lavrar no Rio da Prata os primeiros sintomas de emancipação, concebeu o projecto de levantar para si um trono nas províncias espanholas da América ou pelo menos, de governar como regente em nome do seu irmão D. Fernando VII. Auxiliada pelo vice-almirante inglês Sydney Smith, e não encontrando oposição do marido, foram enviados agentes ao Rio da Prata, onde formaram um grande partido. As intrigas principiaram então a desenvolver-se mais cruéis e enredadoras. O ministro inglês Lorde Strangford, insinuou a D. João que o vice-almirante lhe desonrava o tálamo conjugal.

D. Jo√£o pediu a Londres transfer√™ncia do vice-almirante. Satisfeito o pedido, Sydney Smith retirou-se, vindo substitui-lo o almirante de Courcy. No entretanto as diverg√™ncias eram enormes. No pr√≥prio governo havia correntes muito opostas. D. Jo√£o, cada vez mais abatido e com medo da mulher, pedia que n√£o a contrariassem sempre que as suas exig√™ncias n√£o fossem imposs√≠veis de satisfazer. Anulados afinal os planos da Rainha, nem assim ela esmoreceu. Procurou ser agrad√°vel aos castelhanos, e conseguir, na falta do seu pai D. Carlos IV e de seu irm√£o, prisioneiros em Fran√ßa, ser nomeada regente de Espanha, e vir talvez a ser a herdeira de D. Carlos IV abolindo-se a lei s√°lica. Para realizar o projecto, teve de sustentar acesa luta com o embaixador ingl√™s, tendo a ast√ļcia de alcan√ßar que o governo da reg√™ncia lhe permitisse enviar secretamente ao General Elio que estava em Montevideu, v√≠veres e dinheiro, para o que n√£o hesitou em vender as j√≥ias. Afinal, e visto n√£o ser poss√≠vel narrar detidamente as variadas perip√©cias desta luta de orgulhos e de ambi√ß√Ķes, o sonho dissipou-se".

Foi durante a estadia no Rio de Janeiro, entre os anos de 1808 e 1821, que D. Jo√£o VI p√īde realmente governar pessoalmente o Imp√©rio Portugu√™s, que Carlota Joaquina demonstrou muitas das facetas da sua personalidade.

Viveu alguns anos afastada da pol√≠tica, sempre separada do seu marido, que ent√£o j√° tinha sido aclamado Rei, por ter falecido D. Maria I em 1816, at√© que a revolu√ß√£o do Porto em 1820, que trouxe para a Europa a fam√≠lia real, p√īs novamente em evid√™ncia a Rainha, reunindo algum tempo os esposos.

Aliada aos frades, aos nobres, aos que se mostravam pouco simp√°ticos ao novo regime, urdia a conspira√ß√£o chamada da rua Formosa, destinada a obrigar o Rei a abdicar e a destruir a Constitui√ß√£o. Falhando esse plano, as cortes de 15 de Maio de 1822 decidiram deportar a Rainha para o Pal√°cio do Ramalh√£o, por ela se recusar a jurar a Constitui√ß√£o, alvitre que ela aceitou com j√ļbilo, pois permitia-lhe continuar a sua obra perturbadora. Opondo-se abertamente √† Revolu√ß√£o liberal do Porto, de 24 de Agosto de 1820, foi a figura mais not√°vel do Pa√≠s a recusar-se a jurar a Constitui√ß√£o de 1822, juntamente com o Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Carlos da Cunha e Menezes.

Neste retiro do Ramalhão tramou ainda a queda da Constituição, e servindo-se de D. Miguel, que ela educara, e com quem vivia intimamente, conseguiu realizar o movimento conhecido por Vilafrancada a 26 de Maio. Derrubada a Constituição e dissolvidas as cortes, foi levantado o desterro da Rainha, e D. João VI foi-a buscar à quinta do Ramalhão, conduzindo-a ao Paço da Bemposta.

Pouco tempo porém, durou a harmonia entre os esposos, porque a Rainha mudou a sua residência para Queluz, e tornou-se cabeça do partido absolutista que em pouco tempo promoveu a Abrilada em 30 de Abril de 1824. Tendo a Rainha tomado parte manifesta no movimento, quando D. João VI apoiado nos embaixadores francês e inglês se decidiu a mandar sair do reino D. Miguel, ordenou que sua mulher se recolhesse ao Paço de Queluz e nunca mais aparecesse na corte.

Em consequ√™ncia desse acto que a promoveu a figura de proa do partido reacion√°rio, a Rainha foi exilada para Queluz, vivendo uma vez mais separada do Rei (que vivia no Pal√°cio da Bemposta, em Lisboa), onde continuou a exercer intensa actividade pol√≠tica, promovendo v√°rias conspira√ß√Ķes para derrubar D. Jo√£o VI e suspender a constitui√ß√£o.

O seu Palácio ou quinta do Ramalhão tornou-se o principal foco da intriga absolutista, e à Rainha é imputada enorme responsabilidade nos projectos dos principais levantamentos reacionários dos anos 1820 (a Vilafrancada de 1823, e a Abrilada, de 1824), que procuraram abolir o constitucionalismo, afastar D. João VI do governo e colocar no trono o Infante D. Miguel, seu filho dilecto que ela educara.

Ap√≥s a Vilafrancada, o Rei acabou por suspender a constitui√ß√£o, prometendo n√£o obstante para breve a convoca√ß√£o de novas elei√ß√Ķes a fim de se redigir um novo texto constitucional. Foi ent√£o buscar a esposa no retiro e durante alguns meses reinou a harmonia entre os dois.

Pouco tempo depois, esta harmonia desfez-se, após o golpe da Abrilada, em que o Infante D. Miguel tentou apossar-se do trono, com o auxílio da sua mãe, a verdadeira cabeça do partido absolutista em Portugal. Com o apoio dos embaixadores francês e inglês, D. João retirou-se para um vaso de guerra estacionado no Tejo, exonerou D. Miguel do cargo de generalíssimo do exército e ordenou-lhe o exílio; quanto à sua esposa, decretou que fosse desterrada para sempre para Queluz, nunca mais devendo aparecer na corte.

Sentindo a morte pr√≥xima (talvez porque fosse lentamente envenenado), D. Jo√£o VI nomeou um conselho de reg√™ncia para lhe suceder ap√≥s a morte, o qual devia escolher o herdeiro do trono portugu√™s e ao qual presidia a sua filha D. Isabel Maria de Bragan√ßa ‚ÄĒ retirava desta forma √† sua mulher uma prerrogativa que desde sempre na hist√≥ria portuguesa havia cabido √† Rainha-vi√ļva: o exerc√≠cio da reg√™ncia do reino durante a menoridade ou aus√™ncia do herdeiro do pa√≠s. O documento que estabeleceu o conselho regencial tem a sua veracidade hoje contestada, pois o Rei ‚ÄĒ segundo afirmam os m√©dicos e estudiosos actuais que analisaram as suas v√≠sceras, enterradas num jarro de porcelana chinesa sob uma laje na capela dos Meninos de Palhav√£ no Mosteiro de S√£o Vicente de Fora, e a grafologia da sua assinatura ‚ÄĒ j√° se encontrava alegam, morto √† sua data.

A 10 de Março de 1826 faleceu D. João VI, tendo previamente nomeado regência presidida pela sua filha, a Infanta D. Isabel Maria, e composta do Cardeal Patriarca, Duque de Cadaval, Marquês de Valada, Conde dos Arcos e os seus ministros de Estado.

Instituíra uma ordem exclusivamente destinada às senhoras, com a autorização do Príncipe regente, seu marido, por decreto de 4 de Novembro de 1801, com a designação de Ordem das Damas Nobres de Santa Isabel, cujos estatutos foram confirmados pelo alvará de 25 de Abril de 1804.

Durante o governo de D. Miguel, que ascendeu ao trono em 1828, n√£o viria a ter papel relevante na governa√ß√£o daquele que fora para muitos, o seu filho predileto, pois faleceu (ou suicidou-se) em 1830 em Queluz. De resto, o pr√≥prio Pr√≠ncipe n√£o a mandou chamar do desterro assim que subiu ao trono, pelo que faleceu s√≥, esquecida, triste e amargurada. Segundo alguns historiadores, este facto √© um dos v√°rios indicadores de que teria existido um afastamento gradual entre m√£e e filho nos √ļltimos anos de vida daquela.

Jaz no Panteão Real da Dinastia de Bragança, ao lado do seu desavindo marido, no Mosteiro de São Vicente de Fora em Lisboa.

Nasceram-lhe nove filhos, dos quais três homens. Pormenores sobre eles encontrar-se-ão sob o verbete D. João VI. Foram eles:

D. Maria Teresa de Bragan√ßa, Princesa da Beira (1793-1874), casada em primeiras n√ļpcias com o Infante de Espanha D. Pedro Carlos de Bourbon e Bragan√ßa, com descend√™ncia, e pela segunda vez com D. Carlos de Bourbon, Conde de Molina, tamb√©m Infante de Espanha e seu cunhado. Sem descend√™ncia.

D. Francisco António, Príncipe da Beira (1795-1801); sem descendência.

D. Maria Isabel de Bragança (1797-1818), casou-se com D. Fernando VII de Espanha. uma filha natimorta.

D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal, Imperador do Brasil e Rei de Portugal (1798-1834), casado em primeiras n√ļpcias com D. Leopoldina da √Āustria e em segundas com D. Am√©lia de Leuchtenberg, com descend√™ncia.

D. Maria Francisca de Assis de Bragança (1800-1834), casou com D. Carlos de Bourbon, Conde de Molina, com descendência.

D. Isabel Maria de Bragança, regente de Portugal (1801-1876), sem descendência.

D. Miguel I de Portugal (1802-1866), casado com D. Adelaide de Löwenstein-Wertheim-Rosenberg, com descendência.

D. Maria da Assunção de Bragança (1805-1834), sem descendência.

D. Ana de Jesus Maria de Bragan√ßa (1806-1857), casou com D. Nuno Jos√© Severo de Mendon√ßa Rolim de Moura Barreto, 1¬ļ Duque de Loul√©, com descend√™ncia.

 
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Utilizadores Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail