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Beladona
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Local: Algarve
Mensagem Enviada: Seg Jun 10, 2019 21:08     Assunto : O Anjo Custódio de Portugal Responder com Citação
 
Trago hoje o Anjo de Portugal, o "Santo Anjo da Guarda de Portugal" ou o "Anjo Custódio de Portugal", também conhecido por Anjo da Paz algumas das designações atribuídas a São Miguel Arcanjo que representa "Portugal", ou seja, a essência espiritual na figura de um arcanjo que protege a nação.

In diversas fontes da net.

A tradição do culto ao Anjo Custódio, ou no mínimo o costume de invocar o seu nome, surge em Portugal ainda este não era nação fundada, havendo ecos do mesmo mas sob a expressão de Arcanjo São Miguel “protector dos portucalenses” condava ainda o Conde D. Henrique, pai do nosso primeiro rei, em Santa Maria de Bouro, em Amares no distrito de Braga, no cimo de cujo outeiro o cavaleiro Pelágio Amares, das hostes do conde, fundaria a capela consagrada a São Miguel nos fins do século XI, culto angeológico prosseguido a partir de 1148 no mosteiro próximo, primeiro benditino e depois cisterciense, de Santa Maria e São Miguel de Bouro, ainda que a ocupação local por anteriores eremitas cristãos faça recuar o culto do Arcanjo ao ano 500 d. C., segundo a sua história miraculada nas pessoas dos ermitãos...
Em cerca de 1109 nasceu o infante D.Afonso Henriques, futuro primeiro rei de Portugal, e os seus pais, D. Henrique e Dona Teresa, sobretudo o progenitor talvez adivinhando o futuro auspicioso do filho, fizeram com que fosse consagrado ao Arcanjo “protector dos portucalenses” na hora de receber o sacramento do baptismo pela mão do arcebispo S. Geraldo, na igreja de São Miguel do Castelo de Guimarães, ainda lá estando a pia baptismal como pretende a versão romântica do século XIX.

Portanto, D. Afonso Henriques foi consagrado ao Arcanjo São Miguel parecendo até que os lances principais da sua vida parecem reproduzir na Terra o que aquele será e fará nos Céus.

Mikael ou Miguel é o Príncipe dos Arcanjos e o mais próximo de Deus – Quis ut Deus. É invocado para a coragem, a defesa forte e a protecção divina. Iconograficamente, é representado revestido de couraça e capacete apresentando-se armado de espada flamejante e escudo. É o destruidor da idolatria. Disputou com Satan o corpo de Moisés no Monte Sinai. É o Arcanjo que proclama a Unidade de Deus.

O Arcanjo São Miguel ficou assim, desde o conde D. Henrique mas pela mão do seu filho D. Afonso Henriques, como padroeiro protector do condado depois país, inclusive com Ordem militar mas também religiosa consagrada ao seu culto tutelar, em guisa de cópia terreal da Milícia Celeste, acontecimento primaz no mundo da época, muito mais sob patrocínio régio igualmente mostrando preocupação em expressar ao Rei dos Céus. Desde aí que a devoção e o culto a São Miguel Arcanjo como Custódio de Portugal se propagou para e com a recuperação dos territórios cristãos lusitanos…

São Miguel Arcanjo. Foi sempre conhecido dos Portugueses por Anjo Custódio deste Reino, depois que o invicto Rei D. Afonso Henriques venceu com o seu patrocínio a Albaraque nos campos de Santarém; e por isso lhe ergueu copiosas Capelas, assim na Igreja de Alcáçova da dita Vila, como nos Mosteiros de Santa Cruz de Coimbra e Santa Maria de Alcobaça, onde as suas santas Imagens são veneradas, e milagrosas…
Tão grande devoção a São Miguel Arcanjo Custódio de Portugal teve-a igualmente o rei D. Manuel I, que inclusive encetou conversações junto da Santa Sé para tratar da beatificação do seu antecessor D. Afonso Henriques, as quais resultaram infrutíferas arrastando-se esse processo até hoje.

O culto ao Anjo Custódio de Portugal foi celebrado com toda a pompa e devoção desde muito cedo em todo o país, mormente na região saloia do Termo. Segundo António de Vasconcelos, D. Afonso Henriques na conquista de Santarém, invocou São Miguel Arcanjo tendo aí instituído a Ordem de São Miguel da Ala, cuja insígnia é uma asa vermelha em campo branco, cercado a ouro. A devoção ao Arcanjo cresceu de tal modo que D. Manuel I o invocava como “nosso anjo guardador”, tendo-se antecipado ao movimento do culto em Espanha.

Com efeito, D. Manuel solicitou (6/6/1504) do Papa Leão X a instituição do Anjo Custódio de Portugal a celebrar no 3.º domingo de Julho, dando azo a uma tradição que ainda se mantém. Anteriormente (1480), ao fundir num só vários ofícios litúrgicos, o prior de Odivelas, Fr. António Castanheira, já encontrara o ofício do Anjo Custódio, pelo que o gesto de D. Manuel corresponde a um sancionamento de uma tendência cultual anterior, de raiz judaica (pois que Mikael é o Orago da Sinagoga), depois incorporada nas Ordenações Manuelinas (Liv. I, tit. setenta e oito), onde se determinam os actos da festa: procissão solene, missa e ofício particular em Lisboa e noutras terras.

Sendo São Miguel consignado Anjo Custódio, este último termo Custódio, com o sentido de “Guarda, Guardião, Tutelar, Protector, Paraninfo”, etc., vai bem com a finalidade litúrgica da Custódia ou Ostensório, utilizada para expor o Santíssimo ou levá-lo em procissão, por conter a presença Divina tal e qual São Miguel escuda a Deus como seu prolongamento – Quis ut Deus.

A data da festividade do Anjo Custódio não foi sempre a mesma. Antes da determinação de Pio XII, ela festejava-se ou no terceiro domingo de Junho ou de Julho, ficando aquele mês para a celebração que quase desapareceu no século XIX, com as derrotas napoleónicas e os triunfos liberais e depois republicanos fazendo cair a devota e esplendorosa festa que se equiparou com a importantíssima festa do Corpus Christi desde o reinado de D. João I até que finalmente o supradito Papa restaurou a celebração do Anjo Custódio de Portugal já no século XX ainda que não tenha a pompa e grandeza de outrora.

O facto de a população portuguesa desde muito cedo se ter posto sob a guarda do Arcanjo São Miguel, deve-se ao facto de ele ser o vencedor da morte, como é crença geral, pois que na sua função psicopompa ou de condutor de almas conduz estas do mundo dos vivos pelo oceano dos mortos ao Paraíso celeste. O simples facto de evocar São Miguel era já meia garantia que ele atenderia o rogo do crente na hora final e o conduziria com segurança, evitando o mundo tenebroso das almas danadas, ao Reino dos Céus onde soberanamente o Trono de Deus resplandece, facto reproduzido ao nível imediato, simbolicamente, pelo trono dos reis de Portugal.

Como Anjo da Guarda, São Miguel assiste protector a um e todos os portugueses e a todo Portugal, tal a devoção geral que lhe é consagrada.

Nas suas Memórias, a Irmã Lúcia contou ainda que, entre Abril e Outubro de 1916, nas Aparições de Fátima, teria já aparecido um anjo aos três pastorinhos, por três vezes, duas na Loca do Cabeço e outra junto ao poço do quintal da casa dela em Fátima (Ourém), convidando-os à oração e penitência, e afirmando ser o "Anjo de Portugal.
Este anjo teria ensinado aos pastorinhos duas orações, conhecidas por Orações do Anjo, que entraram na piedade popular e são utilizadas sobretudo na adoração eucarística.
Há várias suas representações, nomeadamente as imagens do mosteiro de Santa Cruz de Coimbra; da charola do convento de Cristo de Tomar; a pintura da Misericórdia de Évora; a iluminura do «Livro de Horas de Dom Manuel» e a que está no Museu Machado de Castro, em Coimbra, atribuída a Diogo Pires, o Moço. Há igualmente quem defenda que é a figura central do Painel do Infante e do Painel do Arcebispo, que fazem parte dos Painéis de São Vicente de Fora que estão no Museu Nacional de Arte Antiga, obra que se julga do pintor português Nuno Gonçalves entre 1470 e 1480.

 
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