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Beladona
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Local: Algarve
Mensagem Enviada: Sáb Jun 29, 2019 18:59     Assunto : Dona Maria Pia de Saboia Responder com Citação
 
Trago hoje a que foi a esposa de D. Luís I, a Sra. D. Maria Pia de Saboia que nasceu em Turim a 16 de Outubro de 1847 e morreu em Stupinigi a 5 de Julho de 1911.

in diversas fontes da net.

D. Maria Pia foi uma Princesa de Itália e Rainha consorte de Portugal, durante o reinado de seu marido D. Luís I.

D. Maria Pia ficou conhecida como O Anjo da Caridade e A M√£e dos Pobres pela sua compaix√£o e interesse pelas causas sociais, devido a tal proferiu uma famosa frase em resposta √† cr√≠tica de um dos seus ministros devido ao pre√ßo das suas extravag√Ęncias: "Quem quer rainhas, paga-as!

D. Maria Pia era a segunda filha do Rei Vítor Emanuel II da Sardenha (em 1861, tornou-se o primeiro Rei de Itália) e da Arquiduquesa austríaca Adelaide de Habsburgo. Os seus pais eram primos-irmãos.

Teve sete irm√£os, entre os quais o Rei Humberto I de It√°lia e Amadeu I de Espanha. A irm√£ mais velha, Maria Clotilde de Saboia, desposou um sobrinho de Napole√£o Bonaparte.

No dia do seu baptismo, o Papa Pio IX, seu padrinho, concedeu-lhe a Rosa de Ouro.

Recebeu uma educa√ß√£o semelhante √† das outras princesas europeias, tendo aprendido gram√°tica, geografia, hist√≥ria, desenho e educa√ß√£o musical. Era uma aluna razo√°vel, mas n√£o se aplicava muito ao estudo; tinha jeito para o desenho e para a m√ļsica, mas tinha dificuldade em aprender l√≠nguas estrangeiras. D. Maria Pia e os seus irm√£os viviam no Pal√°cio de Turim e frequentavam outros pal√°cios, como Moncalieri, Racconigi, Casotto e Stupinigi.

Quando D. Pedro V faleceu sem descendência em 1861, sucedeu-lhe no trono o irmão, o Infante D. Luís.

D. Luís com 23 anos, viu-se obrigado a abandonar a carreira na Marinha, para se dedicar aos assuntos do reino. Não tendo o novo Rei herdeiros, houve alguma urgência no seu casamento com uma princesa europeia, tendo a escolha recaído sobre D. Maria Pia de Saboia.

D. Lu√≠s anunciou publicamente a sua inten√ß√£o de casar a 29 de Abril de 1862, dia do 36.¬ļ anivers√°rio da outorga da Carta Constitucional portuguesa de 1826. O contrato de casamento foi negociado por D. Lu√≠s Ant√≥nio de Abreu e Lima, Conde da Carreira e pela parte italiana, por Jacques Durando, Ministro dos Estrangeiros, e por Jean Nigra, senador. O contrato foi conclu√≠do em Turim, a 9 de Agosto de 1862.

D. Maria Pia casou-se com o Rei D. Lu√≠s I por procura√ß√£o em Turim, a 27 de Setembro de 1862, contando quinze anos incompletos. D. Lu√≠s foi representado pelo Pr√≠ncipe de Carignano, Eug√©nio Manuel de Saboia-Villafranca-Soissons, e a b√™n√ß√£o nupcial foi dada pelo Arcebispo de G√©nova, Andreas Charvaz. Em virtude do falecimento recente da m√£e do Rei D. Fernando, D. Maria Ant√≥nia de Koh√°ry, n√£o se deram em Lisboa algumas das celebra√ß√Ķes que tinham sido planeadas para o dia do casamento por procura√ß√£o, iluminando-se apenas algumas habita√ß√Ķes.

Antes de partir para Portugal, D. Maria Pia entregou ao síndico de Turim 20 mil francos para distribuir pelos pobres, tendo pedido também a Vítor Emanuel II seu pai, para decretar uma amnistia para todos os presos políticos. O pedido de D. Maria Pia foi acedido.

No dia 29, a jovem Rainha de Portugal embarcou a bordo da corveta Bartolomeu Dias partindo para Lisboa, acompanhada pelas corvetas Estef√Ęnia e Sagres, e pelas corvetas italianas Maria Adelaide (que levava a bordo o seu irm√£o, o Princ√≠pe Humberto, que a acompanhava), Duca di Genova, Italia, Garibaldi, e o vapor aviso Anthion. Acompanhavam-nos, ainda um iate franc√™s (onde seguiam a Princesa Maria Clotilde e o Pr√≠ncipe Napole√£o), e duas fragatas russas.

A esquadra chegou à capital portuguesa a 5 de Outubro, onde tinha à sua espera fora da barra os vapores de guerra Lince e Argos, os vapores de comércio D. Antónia, D. Luís, Açoriano e Torre de Belém. A corveta Bartolomeu Dias fundeou em frente a Belém, subindo imediatamente a bordo o Rei D. Luís, o Rei D. Fernando II, o Conselho de Estado e o Ministério.

O desembarque da rainha teve lugar no dia seguinte. Construiu-se um vistoso pavilh√£o na Pra√ßa do Com√©rcio, com um friso com inscri√ß√Ķes da autoria de Ant√≥nio Feliciano de Castilho:

"DA BELLA IT√ĀLIA ESTRELLA SOBERANA / SEJAES BEM VINDA √Ä PRAIA LUSITANA" do lado do norte, e "FILHA DE REIS HEROES, DE REIS HEROES ORIGEM / EM NOVA ITALIA OS CEUS THRONO D'AMOR TE ERIGEM" do lado do sul.

Conclu√≠da a entusi√°stica cerim√≥nia na Pra√ßa do Com√©rcio, o grandioso cortejo dirigiu-se para a Igreja de S√£o Domingos, onde se procedeu √† cerim√≥nia da ratifica√ß√£o do casamento pelo Cardeal Patriarca D. Manuel I. O coro de cento e trinta e um m√ļsicos entoou o Te Deum, expressamente composto e dedicado a Suas Majestades por Manuel Inoc√™ncio Liberato dos Santos.

Em comemora√ß√£o do real cons√≥rcio realizaram-se festas durante tr√™s dias, havendo brilhantes ilumina√ß√Ķes tanto nos edif√≠cios p√ļblicos, como em muitas casas particulares.

Rainha aos quinze anos, D. Maria Pia cumpriu rapidamente o seu principal papel, assegurando a sucessão ao trono com o nascimento do príncipe D. Carlos a 28 de Setembro de 1863, e do Infante D. Afonso Henriques a 31 de Julho de 1865, titulado como Duque do Porto.

Mulher de temperamento meridional, foi m√£e extremosa dos seus filhos e Rainha atenta aos mais necessitados. Durante o rigoroso Inverno de 1876, no qual muitas fam√≠lias ficaram na mis√©ria devido √†s grandes inunda√ß√Ķes que a chuva provocou, a Rainha tomou a iniciativa de organizar uma comiss√£o de angaria√ß√£o de donativos. O sucesso desta comiss√£o fez com que a Rainha formasse um fundo especial, com que se foram socorrendo muitas fam√≠lias v√≠timas da dureza dos Invernos. Tanto a C√Ęmara dos Deputados como a C√Ęmara dos Pares exaltaram a iniciativa e inclusivamente, a sociedade francesa Soci√©t√© d'Encouragement au Bien conferiu-lhe a grande medalha de honra, em 1877. Quando, nesse mesmo ano, a fome afligiu os povos do Cear√° em consequ√™ncia das grandes secas que ali houve, D. Maria Pia prop√īs e foi aprovado, que do cofre dos inundados se retirasse uma avultada quantia destinada a socorrer as vitimas daquela calamidade.

Em Março de 1888, quando circulou em Lisboa a noticia do calamitoso incêndio do Teatro Baquet, no Porto, D. Maria Pia partiu imediatamente de comboio numa noite de temporal, vestida de luto. Destacou-se pela solidariedade para com os parentes das vítimas, correndo pelas vielas mais sórdidas da cidade portuense a distribuir esmolas a todos os afectados.

Benem√©rita incans√°vel, fundou in√ļmeros estabelecimentos de solidariedade social, como s√£o exemplos a Creche Victor Manuel, na Tapada da Ajuda em 1 de Novembro de 1878, mandando construir um edif√≠cio pr√≥prio para esse fim.

Habituada aos luxos da corte de Turim, D. Maria Pia era amante da alta costura e de festas, como bailes de máscaras. Numa noite de Fevereiro de 1865, chegou a usar três trajes diferentes.[carece de fontes]

D. Maria Pia manteve-se, geralmente alheia aos assuntos políticos. Só quando o Marechal Duque de Saldanha cercou o Palácio da Ajuda em 1870, numa revolta que ficou conhecida para a História como a Saldanhada, obrigando o Rei a nomeá-lo presidente do Conselho de Ministros, é que a Rainha demonstrou a sua diligência política. D. Maria Pia terá então exclamado ao marechal: "Se eu fosse o Rei, mandava-o fuzilar!"

Até 19 de Outubro de 1889, D. Maria Pia assistiu de forma excepcional o marido durante a sua terrível agonia na Cidadela de Cascais. Sucedeu ao marido o seu filho mais velho, D. Carlos, tornando-se D. Maria Pia na Rainha-Mãe.

Após a subida ao trono de seu filho o Rei D. Carlos I, D. Maria Pia cedeu o protagonismo à nora, a Princesa D. Amélia de Orleães, continuando a residir oficialmente no Palácio da Ajuda (cuja decoração se deve ao seu gosto), utilizando como residências de recreio o Palácio da vila de Sintra e um chalé que adquiriu no Estoril. Serviu diversas vezes como regente do reino durante as visitas oficiais do filho e da nora ao estrangeiro.

Na sequ√™ncia do Regic√≠dio de 1908, em que o seu filho D. Carlos I, e o seu neto e herdeiro ao trono D. Lu√≠s Filipe, Duque de Bragan√ßa foram assassinados, D. Maria Pia foi abatida pelo desgosto come√ßando a dar sinais de dem√™ncia. Durante o breve reinado do neto mais novo, D. Manuel II, manteve-se praticamente retirada do p√ļblico e quase sempre acompanhada do segundo filho D. Afonso de Bragan√ßa Duque do Porto.

Com a implanta√ß√£o da rep√ļblica a 5 de Outubro de 1910, D. Maria Pia seguiu para o ex√≠lio, mas n√£o junto aos restantes membros da fam√≠lia real. Partiu para o seu Piemonte natal, onde viria a falecer no ano seguinte a 5 de Julho de 1911. Foi acompanhada no ex√≠lio pela Marquesa de Niza e por D. Jo√£o de Benjamim Pinto, Conde de Vialonga.

Foi sepultada no pante√£o real dos Saboias na Bas√≠lica de Superga em Turim. Momentos antes de expirar, pediu que a voltassem no leito na direc√ß√£o de Portugal, pa√≠s onde permanecera durante quarenta e oito anos. Espera ainda hoje que seja cumprido o seu √ļltimo desejo, o regresso a Portugal [carece de fontes], onde possa descansar em paz junto do marido, dos filhos, dos netos e da restante fam√≠lia. √Č o √ļnico membro da fam√≠lia real exilada que n√£o voltou a Portugal.
Leonor Especial

 
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