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Beladona
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Mensagem Enviada: Qua Ago 07, 2019 19:02     Assunto : Responder com Citação
 
Trago hoje o Castelo de Ferreira de Aves, também conhecido como Torre de Ferreira de Aves, localizado na freguesia do mesmo nome, no concelho de Sátão, distrito de Viseu.

in diversas fontes da net.

A povoação recebeu Foral na década de 1110 outorgado por D. Afonso Henriques (1112-1185).

Foi al√ßada √† condi√ß√£o de marquesado entre o final do s√©culo XV e o in√≠cio do s√©culo XVI, tendo como titular D. Rodrigo de Melo (1488 - √Čvora, 1545).

O Castelo encontra-se classificado como Im√≥vel de Interesse P√ļblico por Decreto publicado a 21 de Dezembro de 1974.

Dotado de abundante riqueza de recursos naturais, o territ√≥rio abrangido na actualidade pelo concelho de S√°t√£o exibe in√ļmeros testemunhos arqueol√≥gicos da passagem e fixa√ß√£o de comunidades humanas ao longo dos tempos.

São disso bons exemplos os monumentos megalíticos, sobretudo funerários, identificados até ao momento no seu termo, bem como estruturas de outras tipologias arqueológicas características de Idades e períodos subsequentes, como nos casos de povoados fortificados da altura das Idades do Bronze e do Ferro e de villas romanas (SOUSA, 1991, p. 21-35).

Vários séculos se passaram, até que os mouros ocuparam aqui, os lugares mais importantes do ponto de vista da estratégia militar, originando a reconquista da Beira, realizada num espaço relativamente curto de tempo em pouco mais de meio ano.

√Č neste contexto que devemos entender a concess√£o, no in√≠cio do s√©culo XII por parte de D. Teresa (1092-1130) e na menoridade de D. Afonso Henriques (1109-1185), do foral a Ferreira de Aves, como forma de povoar a regi√£o, tornando-se primeiro propriet√°rio do seu senhorio D. Paio Fernandes Pires, conquanto em meados da mesma cent√ļria, metade da Vila pertencesse √† Ordem dos Templ√°rios.

Entretanto no início do segundo quartel de trezentos, refere-se a presença de D. Lopo Fernandes Pacheco valido do Reino e uma das personalidades mais destacadas do país no Paço de Ferreira. Os bens foram contudo confiscados em 1385, devido à aliança castelhana de D. João Fernandes Pacheco, tornando-se então senhor de Ferreira o cavaleiro D. Rui Vasques Coutinho, até que em meados de quatrocentos, D. Afonso V (1432-1481) doou o senhorio a D. Martim Afonso de Melo.

Quanto à "Torre de Ferreira de Aves" - ou do Paço de Lamas - trata-se de uma robusta construção granítica desenvolvida em dois pisos, de carácter essencialmente defensivo na sua origem, ou seja entre finais do século XIII inícios do XIV.

De planta quadrada, a torre mede cerca de nove metros de altura, sendo rasgada por esguias frestas g√≥ticas geminadas nas suas quatro fachadas, tendo sido primitivamente coroada com merl√Ķes hoje desaparecidos √† semelhan√ßa do fosso inund√°vel.

Transpondo-se o portal de estilo g√≥tico com arco quebrado formado por seis aduelas assente em impostas lisas com arestas cortadas e enobrecidas com esferas, acede-se a um p√°tio fechado pelas antigas depend√™ncias agr√≠colas, assim como ao interior da torre, com uma √ļnica divis√£o no primeiro registo e duas no segundo, interligadas por escada e cobertas por tecto de madeira.

 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Qui Ago 08, 2019 22:11     Assunto : Responder com Citação
 
Trago hoje o Castelo medieval de Miranda do Douro em Trás-os-Montes, localizado na freguesia, cidade e concelho do mesmo nome, distrito de Bragança.

in diversas fontes da net.

Castelo de fronteira ligado aos vizinhos de Algoso, Penas R√≥ias e Mogadouro, assim como ao mais distante de Bragan√ßa, constitu√≠am no conjunto, o chamado n√ļcleo duro do Nordeste transmontano. Actualmente inscreve-se na √Ārea Tur√≠stico Promocional das Montanhas.

O povoado que originou a actual Miranda do Douro provavelmente já existia quando da Invasão romana da Península Ibérica. Acredita-se que tenha sido ocupado sucessivamente por Suevos, Visigodos até à conquista pelos Muçulmanos já em fins do século VIII ou início do IX.

√Ä altura da Reconquista crist√£ da pen√≠nsula Ib√©rica, as tropas do rei Afonso I das Ast√ļrias alcan√ßaram j√° em 857, o curso do rio Douro e a linha Salamanca-Seg√≥via.

No ano de 1093 os limites orientais da Galiza inclu√≠am o tro√ßo mirandino do rio Douro, o mesmo sucedendo quando dela se desmembrou o condado portucalense, sucessivamente governada pelo conde D. Henrique, por sua vi√ļva a condessa D. Teresa e pelo filho de ambos, D. Afonso Henriques.

Nesse período a povoação já era defendida por um castelo arruinado pelas lutas da Reconquista. Desse modo, foi objecto da atenção do primeiro soberano português quando este, entre as campanhas da Galiza interrompidas em 1135 e recomeçadas em 1137, aproveitou esse breve período de paz para restaurar castelos, mosteiros e igrejas em lugares estratégicos como Miranda do Douro.

Visando incrementar o seu povoamento e defesa, a povoa√ß√£o recebeu aforamento em 1136, vindo a tornar-se num local de couto e hom√≠zio. Desse modo, a povoa√ß√£o foi crescendo em torno do Castelo, vindo a receber muralha ou ainda no final do reinado deste soberano, ou no do seu sucessor D. Sancho I (1185-1211). Nas lutas travadas por D. Sancho I e seu filho e sucessor D. Afonso II (1211-1223), com Afonso IX de Le√£o, aquele no √ļltimo ano do s√©culo XII e este nos fins do primeiro quartel do s√©culo XIII, as terras de Miranda foram assoladas pelos leoneses, que s√≥ devolveram o Castelo em 1213. O foral da vila veio a ser confirmado em Coimbra em 1217.

Sob o reinado de D. Dinis (1279-1325), a povoação teve o seu foral confirmado com o privilégio de nunca sair da Coroa (Santarém, 18 de Dezembro de 1286), sendo as defesas da vila e do seu Castelo reedificadas (1294), período em que este monarca invadiu vitoriosamente Castela Velha por Cidade Rodrigo, avançando até Salamanca e Medina del Campo, obtendo a rectificação da fronteira pelo Tratado de Alcanizes (1297). A partir de então, as defesas de Miranda melhoradas, assumiram o aspecto de grandeza e solidez construtiva que a muralha da cidade com as suas portas torreadas e o Castelo, através das suas ruínas testemunham.

Entre as campanhas de melhoramentos destaca-se a de D. Jo√£o I (1385-1433), que desde a sua aclama√ß√£o como regente teve a seu lado os representantes dos T√°voras, proeminente fam√≠lia em Miranda do Douro e de cujo castelo ele fez alcaide-mor, quando j√° Rei em 1385, a D. Pedro Louren√ßo de T√°vora. Por se alinhar ao partido de D. Jo√£o I e por escassez de moradores, a vila foi ocupada em diversas ocasi√Ķes durante o desenrolar da campanha militar que se seguiu em poder de for√ßas castelhanas. Desse modo, visando incrementar o seu povoamento, a√≠ instituiu o monarca o privil√©gio do couto para sessenta homiziados (1402, concedendo-lhe nos anos subsequentes outros privil√©gios.

Sob o reinado de D. Manuel I (1495-1521), as suas defesas encontram-se figuradas por Duarte de Armas (Livro das Fortalezas, c. 1509), época em que recebeu o Foral Novo passado em Santarém a 1 de Junho de 1510.

A paz com os castelhanos trouxe grande prosperidade à vila, que se tornou um dos mais importantes centros de comércio entre os dois países.

Miranda do Douro tornou-se diocese e foi elevada √† categoria de cidade (Carta R√©gia de 10 de Julho de 1545). Durante este primeiro per√≠odo episcopal de meados do s√©culo XVI a meados do s√©culo XVIII gozou o seu maior esplendor como capital de Tr√°s-os-Montes, √ļnico bispado da prov√≠ncia e importante centro militar. Os acontecimentos militares posteriores vieram a causar a sua decad√™ncia, que se acentuou com a perda definitiva da sua categoria episcopal.

No contexto da Guerra da Restaura√ß√£o da independ√™ncia, v√≠tima dos assaltos espanh√≥is entre 1640 e 1646, a cidade foi bastante prejudicada, vindo a vivenciar a paralisa√ß√£o da agricultura e do com√©rcio, as suas principais fontes de renda. A partir de 1644, o Conselho de Guerra de D. Jo√£o IV (1640-1656) determinou a moderniza√ß√£o e refor√ßo das suas defesas, quando ganhou linhas abaluartadas, adaptadas aos tiros da artilharia da √©poca. Eram alcaides-mores do Castelo na altura, os T√°vora que muito contribu√≠ram para a defesa transmontana, dignidade que mantiveram at√© √†s execu√ß√Ķes de Bel√©m.

Entre os episódios bélicos do período destaca-se o cerco imposto pelas tropas espanholas à cidade em 1646, do qual só seria libertada pela ação do Governador da Província D. Rodrigo de Alarcão.

Mais tarde, no contexto da Guerra da Sucess√£o Espanhola, a cidade foi tomada √† trai√ß√£o e a sua guarni√ß√£o aprisionada (8 de Julho de 1710). O crime foi perpetrado pelo sargento-mor Pimentel que a entregou a Alexandre Ma√ģtre de Bay, marqu√™s de Bay, pela quantia de 600 dobr√Ķes.

O contra-ataque português ocorreu no ano seguinte, quando a cidade foi cercada pelas tropas de D. João Manuel de Noronha conde da Atalaia. Tomando de assalto as obras exteriores, abriram uma brecha nas muralhas, recuperando a cidade e aprisionando a guarnição espanhola (15 de Abril de 1711).

No contexto da Guerra dos Sete Anos na campanha de 1762, a província de Trás-os-Montes foi invadida e saqueada pelas tropas espanholas sob o comando do general Nicolás de Carvajal y Lancaster, marquês de Sarriá. Um novo cerco foi imposto a Miranda do Douro, que mantinha denodada resistência até que a explosão de 1.500 arrobas de pólvora num dos paióis, devastou o seu Castelo, causando extensos danos ao casario e às muralhas, vitimando cerca de 400 pessoas (8 de Maio de 1762).

Em função do sinistro evento a cidade veio a capitular. Embora a apuração do facto jamais tenha apontado um responsável, a opinião popular imputou ao Governador Militar da praça a traição, havendo quem afirmasse ter visto o mesmo bandeando-se para o campo inimigo na ocasião. A cidade veio a ser recuperada pelas tropas portuguesas, sob o comando do conde de Lippe no ano seguinte, vindo a paz a ser assinada a 10 de Novembro de 1763.

Cerca de meio século mais tarde, a cidade entraria em prontidão uma vez mais, desta vez no contexto da Guerra Peninsular, alvo das tropas napoleónicas.

As suas ru√≠nas encontram-se classificadas como Im√≥vel de Interesse P√ļblico por Decreto publicado em 20 de Outubro de 1955.

Características do Castelo:

O Castelo apresentava planta no formato quadrangular, sendo as suas muralhas em granito e xisto, ameadas e refor√ßadas nos tr√™s √Ęngulos externos por cubelos (dois de planta rectangular e um, hexagonal), envolvendo uma consider√°vel pra√ßa de armas actualmente reduzida a um amplo terreiro.

A norte, o conjunto é dominado pela Torre de Menagem na cota de 682 metros acima do nível do mar.

A muralha da vila abarcava um perímetro total de seiscentos passos, rasgada por três portas de arco quebrado:

A Porta da Senhora do Amparo, ao fundo da rua da Costanilha.

A Porta Falsa, junto à zona do Castelo.

O Postigo a leste, sobre a margem do rio Douro.


 
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Mensagem Enviada: Sex Ago 09, 2019 20:24     Assunto : Responder com Citação
 
Trago hoje o Castelo medieval de Braga localizado na freguesia de S√£o Jo√£o do Souto, cidade e concelho de Braga, distrito do mesmo nome.

in diversas fontes da net.

Cidade com mais de dois mil anos de história, importante centro administrativo - civil e religioso -, as suas defesas atravessaram diversas fases construtivas.

O astr√≥nomo e ge√≥grafo grego Claudius Ptolemeu (c. 85 ‚Äď c. 165), em meados do s√©culo II, referiu na sua obra - Geografia (8 v.) -, que a cidade de Bracara Augusta era anterior √† Invas√£o romana da Pen√≠nsula Ib√©rica. A recente pesquisa arqueol√≥gica, conduzida pela Universidade do Minho, identificou uma muralha defensiva com planta poligonal, refor√ßada por torre√Ķes de planta semi-circular, que remonta ao s√©culo III.

Na altura das invas√Ķes b√°rbaras, pela sua import√Ęncia e tradi√ß√£o, a cidade foi escolhida como capital do reino dos Suevos, acreditando-se que tenha diminu√≠do de import√Ęncia quando da sua conquista pelos Visigodos e do seu saque pelos Mu√ßulmanos, e mesmo mais tarde, quando conquistada pelas for√ßas crist√£s do reino de Le√£o.

Embora n√£o existam informa√ß√Ķes seguras sobre a evolu√ß√£o das suas defesas nestes per√≠odos conturbados, sabe-se que a partir do s√©culo XI, uma segunda muralha estava em constru√ß√£o a Sul e a Oeste, completando o tro√ßo Norte da antiga muralha romana. Sabe-se ainda que em 1145, o arcebispo de Braga, Jo√£o Peculiar (1139‚Äď1175), garantiu aos cavaleiros da Ordem dos Templ√°rios uma importante casa na cidade.

A partir do s√©culo XIII, uma nova fase construtiva se inaugurou com o abandono do tro√ßo norte da muralha romana e um crescimento da urbe em torno da S√©-Catedral. Existem poucas informa√ß√Ķes acerca desta fase, t√£o somente as de que, sob o reinado de D. Dinis (1279-1325), iniciou-se uma nova muralha completada por uma torre de menagem.

As obras progrediram com lentidão e no reinado de D. Fernando (1367-1383), a nova muralha mostrou-se ineficaz, permitindo a invasão da cidade por tropas de Castela na década de 1370.

Durante a crise de 1383-1385 Braga, juntamente com outras cidades do norte de Portugal, manteve-se fiel ao partido de Castela. Entretanto, tendo o novo soberano sido aclamado nas Cortes de Coimbra de 1385, a cidade franqueou-lhe as portas. D. João I (1385-1433) também dispensou cuidados a essa defesa, a partir de quando a muralha foi reforçada com novas torres, de planta quadrangular.

A partir do s√©culo XVI entretanto, a perda da sua fun√ß√£o defensiva era comprovada pela quantidade de edifica√ß√Ķes adossadas √† muralha pelo exterior.

Em 1906 o Castelo de Braga foi demolido, restando apenas a sua Torre de Menagem.

Mais tarde, a Torre de Menagem e alguns troços da muralha medieval foram classificados como Monumento Nacional por Decreto publicado a 24 de Junho de 1910.

Características do Castelo:

A partir do século XIII a muralha da cidade passou a apresentar planta aproximadamente circular. A combinação entre a pesquisa arqueológica e a documental permite reconstruir o seu traçado em linhas gerais, embora se desconheça a localização precisa das portas (das quais se tem notícia de ao menos, quatro) e das torres.

A partir da chamada Porta Nova a construção setecentista que substituiu uma das suas primitivas portas, corria a nor-nordeste pelo traçado da Rua dos Biscainhos, balizava pelo norte o então chamado Campo da Vinha, e virando a sueste pelo traçado da Rua dos Capelistas ia entestar com a muralha propriamente do Castelo, após o que, volvendo sucessivamente a sudoeste, ao sul, a nordeste e de novo ao norte, passava pelo Campo e Torre de São Tiago, Largo das Carvalheiras e Largo de São Miguel-o-Anjo, para concluir na Porta Nova.

A leste, a torre de menagem é o principal remanescente do castelo erguido sob o reinado de D. Dinis. De planta quadrada em estilo gótico, ergue-se a aproximadamente trinta metros de altura, dividida internamente em três pavimentos. No alto, uma janela geminada e matacães nos vértices. No topo uma coroa de ameias. Na torre e no alçado oeste, as pedras-de-armas de D. Dinis.


 
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Mensagem Enviada: Sáb Ago 10, 2019 20:30     Assunto : Responder com Citação
 
Trago hoje o Castelo medieval de Arnóia, também conhecido como Castelo dos Mouros ou Castelo de Moreira que se ergue na povoação e freguesia de Arnóia, concelho de Celorico de Basto, distrito de Braga.

in diversas fontes da net.

O Castelo ergue-se sobre um maci√ßo de pedra, em posi√ß√£o dominante sobre a povoa√ß√£o que outrora foi a sede do Concelho com Casa da C√Ęmara, Pelourinho e Cadeia.

Embora alguns autores remontem a primitiva ocupação humana deste local à época da invasão romana da Península Ibérica, esta afirmação não se encontra documentada.

Na altura da constru√ß√£o que dever√° remontar ao final do s√©culo X ou in√≠cio do XI, acredita-se que ligada √† defesa do vizinho Mosteiro de S√£o Bento de Arn√≥ia tamb√©m fundado neste per√≠odo. Contribui para esse racioc√≠nio a data de 1034, assinalada na l√°pide da sepultura do alcaide do Castelo (e prov√°vel fundador do mosteiro, segundo alguns autores), M√ļnio Muniz, no claustro daquele mosteiro.

No s√©culo XIII, as Inquiri√ß√Ķes do reino de 1258 referem alguns casais nas freguesias de Arn√≥ia, Ca√ßarilhe e Carvalho, obrigadas √† alimenta√ß√£o dos c√£es de guarda do Castelo e da prepara√ß√£o da cal necess√°ria para a sua conserva√ß√£o.

Com a morte do rei D. Afonso III (1210-1279), tendo rendido preito de homenagem a D. Beatriz (rainha vi√ļva e testamenteira do falecido), o alcaide deste Castelo, Martim Vasques da Cunha, ap√≥s o afastamento da senhora para o reino de Castela por desentendimentos havidos com D. Dinis I (1279-1325), teve dificuldades com o novo soberano, que se recusou a desobrig√°-lo do seu compromisso de honra. Segundo reza a tradi√ß√£o, tendo consultado diversas cortes europeias sobre como proceder honrosamente nesse impasse, fez sair a guarni√ß√£o e gentes do Castelo trancando-se no seu interior. Tendo lan√ßado fogo a uma das habita√ß√Ķes no seu interior, "salvou-se" descendo-se por um cesto suspenso por uma corda amarrada numa das ameias.

Desse modo, exonerou-se da fun√ß√£o sem ferir o compromisso de honra assumido. Verdadeira a narrativa ou n√£o, √© facto que em 1282, D. Dinis arrendou os dom√≠nios de Celorico de Basto a Martim Joanes pelo montante de 210 morabitinos, com a obriga√ß√£o de que o arrendat√°rio contratasse um cavaleiro para as fun√ß√Ķes de alcaide deste Castelo. Os dom√≠nios e o Castelo foram arrendados pelo mesmo soberano em 1284 aos moradores de Celorico de Basto.

No alvorecer do s√©culo XV, D. Jo√£o I (1385-1433) doou o senhorio de Celorico de Basto e o seu Castelo a Gil Vasques da Cunha (1402), o que denota a import√Ęncia e tradi√ß√£o dessa fam√≠lia na regi√£o.

No século seguinte, D. Manuel I (1495-1521) concedeu foral a Celorico de Basto (29 de Março de 1520), estabelecendo a sede do Concelho em Arnóia no lugar do Castelo.

No contexto da Dinastia Filipina no século XVII, a alcaidaria era exercida pela família dos Castros.

Segundo se afirma, devido ao grande isolamento da vila, o rei D. João V (1706-1750) determinou a mudança da sede do Concelho de Arnóia para o lugar de Freixieiro em Britelo, doravante denominado Vila Nova do Freixieiro, hoje Celorico de Basto (21 de Abril de 1719). A mudança acelerou o processo de decadência de Arnóia.

Em meados do século XX, o Castelo de Arnóia foi classificado como Monumento Nacional por Decreto publicado em 15 de Março de 1946.

Afecto ao Instituto Portugu√™s do Patrim√≥nio Arquitect√≥nico (IPPAR), que lhe concluiu obras de consolida√ß√£o e restauro, o Monumento reabriu ao p√ļblico a partir de Janeiro de 2004.

Em 2015 foi requalificado e inaugurado a 12 de Julho de 2015, depois de um investimento global de cerca de 400 mil euros. As obras trataram as fachadas das muralhas e da torre e melhoraram os acessos ao monumento nacional. O pavimento, a cobertura da torre, as portas e as janelas também foram restaurados. Em matéria de acessibilidade, destaque para uma nova escada de acesso à torre que facilita o acesso ao monumento. Os percursos que conduzem o visitante ao monumento também foram pavimentados. Foram também instaladas rede de abastecimento de água e energia eléctrica para permitirem a limpeza e iluminação do Castelo, o que também contribui para a segurança do monumento e dos seus percursos.

Características do Castelo:

Castelo de reduzidas propor√ß√Ķes, apresenta planta poligonal irregular org√Ęnica (adaptada √† conforma√ß√£o do terreno). Para a sua constru√ß√£o foram efectuados trabalhos de desaterro, visando dificultar-lhe o acesso.

As muralhas em cantaria de granito, s√£o percorridas por um adarve e refor√ßadas a Norte por um s√≥lido cubelo. No sector Sul, rasga-se o port√£o de entrada com portal de verga recta, precedido por uma escadaria de acesso e defendido pela Torre de Menagem de planta quadrangular. A porta desta, voltada para a Pra√ßa de Armas, abre-se a cerca de tr√™s metros do solo. √Č acedida por uma escada externa, constru√≠da na d√©cada de 1970. O interior divide-se em tr√™s pavimentos (o inferior como cave e os dois superiores assoalhados) e o acesso ao telhado de quatro √°guas √© feito por sua vez, atrav√©s de uma escada interna. O topo da torre √© rematado por merl√Ķes.

Ao centro da praça de armas delimitada pelas muralhas, abre-se a cisterna do Castelo. No exterior na encosta a Norte, localiza-se a antiga forca, inscrita num trecho de mata de pinheiros e de carvalhos. Tanto esta, como o Pelourinho, foram restaurados na década de 1960.

 
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Mensagem Enviada: Dom Ago 11, 2019 21:26     Assunto : Responder com Citação
 
Trago hoje o Forte de Nossa Senhora da Assunção, também conhecido como Forte de São João Baptista, localizado na foz do rio Ave, na freguesia e concelho de Vila do Conde, no distrito do Porto.

in diversas fontes da net.

Actualmente em bom estado de conservação, encontra-se aberto ao turismo.

Desde a Idade M√©dia que a protec√ß√£o da foz do rio Ave preocupava os governantes de Vila do Conde. Em meados do s√©culo XIII a povoa√ß√£o detinha alguma import√Ęncia como porto de pesca e estaleiro naval, pelo que a defesa da barra do rio face aos ataques de pirataria era fundamental. Foi ent√£o edificada uma torre junto √† Ermida de Nossa Senhora da Guia, na foz do rio, por ordem do Infante D. Afonso Sanches, filho de D. Dinis.

Embora este fortim se tenha mantido activo at√© ao s√©culo XIX, a sua efic√°cia na defesa do rio foi-se tornando insuficiente, e por este motivo D. Duarte, 5.¬ļ Duque de Guimar√£es e senhor de Vila do Conde, mandou edificar nos finais do s√©culo XVI uma fortaleza no mesmo local, cuja tra√ßa √© atribu√≠da ao engenheiro Filippo Terzi.

A estrutura do Forte insere-se na tipologia utilizada na arquitectura militar da √©poca. De planta poligonal, a fortaleza possui cinco baluartes, para os quais teria sido projectado um igual n√ļmero de guaritas; destas apenas foram edificadas tr√™s. Sobre a porta de armas, com moldura em arco de volta perfeita, foi colocado o escudo de armas de Portugal. No interior da pra√ßa de armas subsistem ainda as casamatas, diferenciando-se as divis√Ķes da casa do governador, a cozinha, o paiol, os restos de uma capela.

As obras de edifica√ß√£o da fortaleza iriam arrastar-se pelo s√©culo XVII. D. Teod√≥sio, 7.¬ļ Duque de Bragan√ßa, retomou a constru√ß√£o do Forte, designando como respons√°vel pela mesma o engenheiro Ant√≥nio de Vila-Lobos. No entanto as obras s√≥ seriam conclu√≠das em 1642, quando D. Jo√£o IV ordenou a conclus√£o da muralha leste e o refor√ßo da guarni√ß√£o, face √†s necessidades de defesa das Guerras da Restaura√ß√£o.

Depois de 1834 o Forte de S√£o Jo√£o Baptista deixou de ter guarni√ß√£o, sendo a partir de ent√£o utilizado para o registo de entrada e sa√≠da de embarca√ß√Ķes da barra do Ave.

Quase votado ao abandono no século XX, foi recuperado na década de 90 através do aproveitamento do espaço para a edificação de uma unidade hoteleira.

 
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Mensagem Enviada: Seg Ago 12, 2019 23:57     Assunto : Responder com Citação
 
Trago aqui hoje a Sé Catedral da cidade do Porto, situada no coração do centro histórico da cidade do Porto, é um dos principais e mais antigos monumentos do país.

in diversas fontes da net.

O in√≠cio da sua constru√ß√£o data da primeira metade do s√©culo XII, e prolongou-se at√© ao princ√≠pio do s√©culo XIII. Esse primeiro edif√≠cio em estilo rom√Ęnico, sofreu muitas altera√ß√Ķes ao longo dos s√©culos. Da √©poca rom√Ęnica datam o car√°cter geral da fachada com as torres e a bela ros√°cea, al√©m do corpo da igreja de tr√™s naves coberto por ab√≥bada de canh√£o. A ab√≥bada da nave central √© sustentada por arcobotantes, sendo a S√© do Porto um dos primeiros edif√≠cios portugueses em que se utilizou esse elemento arquitect√≥nico.

Na √©poca g√≥tica, cerca do ano de 1333, construiu-se a capela funer√°ria de Jo√£o Gordo, cavaleiro da Ordem dos Hospital√°rios e colaborador de D. Dinis, sepultado em um t√ļmulo com jacente. Tamb√©m da √©poca g√≥tica data o claustro (s√©c XIV-XV), constru√≠do no reinado de D. Jo√£o I. Este rei casou-se com D. Filipa de Lencastre na S√© do Porto em 1387.

O exterior da S√© foi muito modificado na √©poca barroca. Cerca de 1736, o arquitecto italiano Nicolau Nasoni adicionou uma bela galil√© barroca √† fachada lateral da S√©. Cerca de 1772 construiu-se um novo portal em substitui√ß√£o ao rom√Ęnico original. As balaustradas e c√ļpulas das torres tamb√©m s√£o barrocas.

À esquerda da capela-mor, encontra-se um magnífico altar de prata, construído na segunda metade do século XVII por vários artistas portugueses. Este foi salvo das tropas francesas em 1809 por meio de uma parede de gesso construída apressadamente.
Ainda nesta área esquerda é especialmente notável a imagem medieval de Nossa Senhora de Vandoma, (padroeira da cidade).

No s√©culo XVII a capela-mor original rom√Ęnica (que era dotada de um deambulat√≥rio) foi substitu√≠da por uma maior em estilo barroco. O altar-mor, constru√≠do entre 1727-1729, √© uma importante obra do barroco joanino, projectado por Santos Pacheco e esculpido por Miguel Francisco da Silva.

As pinturas murais da capela-mor são de Nasoni. O transepto sul dá acesso aos claustros do século XIV e à Capela de São Vicente. Uma graciosa escadaria do século XVIII de Nasoni conduz aos pisos superiores, onde os painéis de azulejos exibem a vida da Virgem e as Metamorfoses de Ovídio.

A Sé integra três belos órgãos. Um deles, no coro-alto, marca em Portugal um período que dá início ao desenvolvimento organístico. Trata-se de um instrumento do construtor Jann, o mesmo do órgão da igreja da Lapa (Porto), ambos promovidos pelo esforço e iniciativa do Cónego Ferreira dos Santos.


 
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Mensagem Enviada: Ter Ago 13, 2019 22:45     Assunto : Responder com Citação
 
Trago hoje a Sé de Silves, uma antiga Catedral situada na cidade e freguesia do mesmo nome (mais precisamente no Largo da Sé), no distrito de Faro no Algarve.

in diversas fontes da net.

Erguida maioritariamente no s√©culo XV, a antiga S√© de Silves apresenta hoje um cunho principalmente g√≥tico, mas tamb√©m elementos de outras √©pocas, visto ter vindo a sofrer altera√ß√Ķes ao longo dos s√©culos. √Č a mais importante constru√ß√£o g√≥tica no Algarve e um dos principais monumentos do sul do pa√≠s.

Os detalhes da fundação e construção da Sé de Silves são pouco claros. Em 1189 durante a Reconquista, Silves foi tomada por D. Sancho I aos mouros, e há notícia de que uma Catedral foi instituída no lugar da mesquita da cidade. Ainda não foi encontrada porém, evidência material que comprove inequivocamente a existência de um templo muçulmano no sítio da Sé.

A construção da Catedral teve impulso a partir de 1268, ano em que o Algarve passa definitivamente à posse do reino português, durante o reinado de D. Afonso III. Da segunda metade do século XIII data a organização geral da cabeceira e demais partes da igreja. As obras porém, foram lentas e no século XIV ainda estavam longe de serem concluídas. Em 1352-53, um grande sismo afectou a Sé em construção.

A partir da década de 1440 o estaleiro da Sé tomou impulso definitivo, com a simplificação do programa construtivo. Devido a isso, como observado por Mário Chicó, a nave tem um carácter mais austero que a cabeceira e o transepto. O portal principal da Catedral inserido num alfiz (elemento rectangular em pedra onde se insere todo o portal), é formado por um arco quebrado composto por arquivoltas dispostas em degraus. Os capitéis são estilisticamente emparentados aos do Mosteiro da Batalha, edifício que muito influenciou a catedral.

Em 1495, D. João II morreu inesperadamente em Alvor, próximo de Silves, e o seu corpo foi provisoriamente sepultado na capela-mor da Sé.

Em 1499 com a presen√ßa de D. Manuel em Silves, os restos de D. Jo√£o II foram exumados e transladados para o Mosteiro da Batalha onde foram sepultados definitivamente. Esse evento √© recordado por uma l√°pide com inscri√ß√Ķes g√≥ticas localizada na capela-mor da S√© e possivelmente pela constru√ß√£o da Cruz de Portugal situada j√° fora do centro da cidade.

Quando ainda no Algarve, D. Manuel I ordenou obras na S√© de Silves. O s√©culo XVI por√©m, viu uma decad√™ncia progressiva de Silves, causada em parte pelo assoreamento do rio Arade e pela import√Ęncia crescente da zona litor√Ęnea algarvia. Assim em 1538, o bispo D. Manuel de Sousa pediu a transfer√™ncia da sede da Diocese do Algarve de Silves para Faro, o que se concretizou apenas em 1577, durante a gest√£o do bispo D. Jer√≥nimo Os√≥rio, um dos grandes humanistas e te√≥logos portugueses.

A antiga Sé foi muito afectada pelo Terramoto de 1755 e passou por várias campanhas de restauro. Essas obras estavam terminadas por volta de 1758, quando foi concluída a parte superior da fachada principal com o seu frontão barroco com volutas, e a fachada sul, com a torre sineira. A partir de 1931, o edifício passou por um extenso programa de restauro patrocinado pelo DGEMN em que foram retirados muitos retábulos, o órgão e outros elementos dos séculos XVII e XVIII.

Características da Sé Catedral:

A Sé de Silves é um templo de planta de cruz latina de três naves e transepto saliente. A cabeceira é tripartida, com uma abside poligonal flanqueada por dois absidiolos de planta rectangular.

No interior as naves escalonadas t√™m cobertura de madeira e est√£o separadas por arcos quebrados com pilares de sec√ß√£o oitavada dotados de capit√©is. As ab√≥badas de pedra do cruzeiro e das capelas da cabeceira s√£o de cruzaria de ogivas. O arco triunfal que separa a capela-mor do transepto tem o intradorso rendilhado. Tanto o transepto como a cabeceira s√£o iluminados por janel√Ķes de fei√ß√£o g√≥tica.

O seu interior alberga no pavimento diversos t√ļmulos de bispos e de fam√≠lias nobres de Silves datados dos s√©culos XV e XVI, que correspondem √† √©poca √°urea da S√© e da cidade. Na capela-mor encontra-se a pedra tumular de D. Jo√£o II, sepultado aqui em 1495 e posteriormente transladado para o Mosteiro da Batalha. A l√°pide em letra g√≥tica diz (em grafia modernizada): "Aqui foi sepultado o corpo do muito alto E muito excelente pr√≠ncipe E muito poderoso El Rei Dom Jo√£o o segundo Rei de Portugal E dos Algarves D'aqu√©m E d'al√©m mar em √Āfrica senhor da Guin√© o qual se finou em alvor aos xxb dias d'Outubro de M iiiic lRb E foram daqui transladados os seus ossos para o mosteiro da batalha no ano de Mil Quatrocentos E Noventa E Nove Anos".

A fachada principal da Sé possui um alfiz com um portal de arco quebrado. Sobre o portal há um pequeno balcão assente em cachorrada historiada com figuras animais e humanas.

O portal g√≥tico √© composto por quatro arquivoltas com capit√©is decorados por motivos vegetalistas e antropom√≥rficos relacionados estilisticamente ao estaleiro batalhino. A arquivolta mais exterior possui um friso decorado com folhagem, bagas e figuras animais e humanas. As caracter√≠sticas do portal e do friso repetem-se no portal principal da Igreja Matriz de Portim√£o, onde provavelmente trabalharam artistas que antes haviam participado na constru√ß√£o da S√© de Silves na √ļltima metade do s√©culo XV.

 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Qua Ago 14, 2019 20:51     Assunto : Responder com Citação
 
Trago hoje a história do que foi o Castelo de Gaia que esteve localizado na cidade e concelho de Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto.

in diversas fontes da net.

O Castelo localizava-se em posição dominante no alto da colina de Gaia.

Acredita-se que a anterior ocupação do local, remonte à Idade do Bronze, a um castro dos Celtas.

Na altura da Invasão romana da península Ibérica, nesse ponto de travessia do rio Douro formou-se uma povoação conhecida como "Cale " ou "Gale" (uma vez que no latim clássico não há distinção clara entre as letras e o som "g" e "c"). Esta toponímia é possivelmente de origem Céltica, um desenvolvimento de "Gall-", modo pelo qual este povo se referia a si próprio (outros exemplos são encontrados nas palavras "Galicia", "Gaul", "Galway"). O nome do próprio rio Douro ("Durus" em latim), também provém do Celta "dwr", com o significado de "água".

No contexto da Romaniza√ß√£o, embora a maioria da popula√ß√£o habitasse a margem sul do rio, existia uma pequena comunidade agrupada em torno do porto de √°guas fundas onde se situa actualmente a zona ribeirinha do Porto. O nome da povoa√ß√£o, posteriormente "Portus Cale", significaria "o porto" (em latim "portus") da cidade de Gaia. Ponto de passagem priveligiado, com o posterior desenvolvimento econ√≥mico-comercial, a margem norte acabou por tamb√©m crescer em import√Ęncia, tendo-se a√≠ estabelecido o n√ļcleo administrativo-religioso, afirmando o comercial. Como em outros pontos-chaves das suas estradas, aqui tamb√©m teria existido uma guarni√ß√£o romana.

Diante da Invas√£o isl√Ęmica da pen√≠nsula Ib√©rica a partir do s√©culo VIII, e posteriormente no contexto da Reconquista crist√£ da pen√≠nsula por volta do ano 1000, a fronteira entre mu√ßulmanos e crist√£os fixou-se no rio Douro. Diante das oscila√ß√Ķes da linha de fronteira, a povoa√ß√£o de Cale (Gaia), perdeu a sua popula√ß√£o crist√£, que se refugiou na margem norte do rio. O primitivo Castelo ter√° sido erguido pelas for√ßas mu√ßulmanas, uma vez que √© referido numa das antigas lendas associadas a Gaia, que se refere ao confronto entre o rei crist√£o D. Ramiro e o rei mouro Alboazer.

Com a conquista definitiva e subsequente pacificação dos territórios a sul do Douro por volta de 1035, registou-se um repovoamento da antiga Gaia, incentivado por foral passado pelos novos senhores das terras conquistadas. A nova povoação denominou-se "Vila Nova de Gaia", florescendo ao abrigo dos muros do antigo Castelo de Gaia.

O nome das duas povoa√ß√Ķes - do Porto e de Gaia - era usualmente referida em documentos coevos como "villa de Portucale", e o condado do Reino de Le√£o no qual se inscreviam, denominado de "Portucalense".

Ap√≥s a funda√ß√£o do reino de Portugal, as duas povoa√ß√Ķes - Gaia e a Vila Nova - mantiveram-se aut√≥nomas. Gaia recebeu carta de foral passada pelo rei D. Afonso III em 1255 seguindo-se Vila Nova, por D. Dinis, em 1288.

O Castelo foi conquistado pelo príncipe D. Afonso, filho de D. Dinis, a 4 de Janeiro de 1322. Poucos anos mais tarde, o príncipe D. Pedro, ao saber que seu pai D. Afonso IV tinha autorizado a morte de D. Inês de Castro, entrou em guerra aberta contra o pai e saqueou a região do Entre-Douro-e-Minho (1355-1357), tendo também se apoderado de Gaia e do seu Castelo. Data deste período o primeiro alcaide conhecido do Castelo, D. Rodrigo Anes de Sá nomeado por D. Pedro já rei, em 29 de Julho de 1357.

Nesse período, o Castelo sofreu obras de reparação ou reforço, uma vez que em 1366, o abade do mosteiro de Pedroso forneceu vinte carros de lenha para o Castelo de Gaia, também tendo sido cedidos pela mesma instituição carros e bois para esses trabalhos.

Ainda nesse s√©culo em 1383, ambas as povoa√ß√Ķes foram integradas no julgado do Porto perdendo a sua autonomia.

Talvez por esse motivo, em 1385 os cidad√£os portuenses, a pretexto de desacordos com o alcaide Aires Gomes de S√°, assaltaram o Castelo e danificaram-no de tal modo que o mesmo deixou de ter alcaide. Essas informa√ß√Ķes s√£o confirmadas pela cr√≥nica de Jo√£o de Barros, que sob o reinado de D. Jo√£o III sobre o Castelo registou:

"Tem a cidade o arrabalde de Vila Nova, cuja par√≥quia √© Santa Marinha e junto dela est√° o Castelo de Gaia num lugar alto e mui apraz√≠vel. Este Castelo √© j√° derribado, que a cidade j√° derribou. √Č t√£o antigo que dizem que o fundou Caio J√ļlio C√©sar. E nele estavam umas pedras com o nome de Caio C√©sar."

Por esta altura, existiam junto ao Castelo, diversos templos: A capela de São Marcos que a tradição considera ter sido a primeira Sé, a capela de Nossa Senhora do Castelo, a capela de Nossa Senhora da Piedade e a capela de São Lourenço mártir.
O Castelo é mencionado ainda no Foral Novo de Vila Nova de Gaia, passado por D. Manuel I, que refere: "Pello caseyro do castelo de Gaya setecentos reaes."

No século XIX, a cidade esteve no centro de batalhas significativas tanto na Guerra Peninsular como na Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), quando uma vez mais o Douro marcou a fronteira entre os beligerantes. Data deste segundo conflito o desaparecimento do que restava do antigo Castelo de Gaia.

Tendo as forças de D. Miguel I se fortificado no local, montando aí uma bateria, dela fizeram fogo sobre o Palácio dos Carrancas onde D. Pedro tinha estabelecido o seu quartel-general. D. Pedro, bombardeado no seu próprio quarto mudou-se para Cedofeita, e no dia seguinte na sua visita de rotina às linhas, dirigiu-se à chamada Bateria das Virtudes (onde hoje se encontra o SAOM) com cujo fogo desfez o reduto do Castelo de Gaia. O que restava do antigo Castelo desapareceu na ocasião (c. 1833), tendo sido o seu terreno vendido pelo Estado.

Um dos seus novos proprietários ali ergueu um grande edifício, que foi legado por um dos seus herdeiros à Santa Casa da Misericórdia do Porto para que nele fosse instalado um asilo de cegos pobres e abandonados: o Asilo dos Cegos, na actual ladeira do Castelo.

A lenda do rei Ramiro:

De acordo com uma antiga lenda que se afirma remontar ao século X, o rei D. Ramiro II de Leão apaixonou-se por uma bela moura, irmã do emir Alboazer Alboçadam, cujos domínios se estendiam de Gaia até Santarém. Apesar de já ser casado, D. Ramiro imaginou que seria fácil obter da Igreja a anulação do seu casamento dado o laço de parentesco que o unia à sua esposa, D. Aldora. Desse modo, sob influência dessa paixão e pretendendo pedir a sua amada em casamento, D. Ramiro decidiu firmar a paz com Alboazer, sendo recebido no Castelo deste em Gaia.

Entretanto, Alboazer recusou o pedido terminantemente: jamais daria a m√£o da irm√£ em casamento a um crist√£o e, de todas as formas, ela j√° havia sido prometida ao rei de Marrocos...
D. Ramiro vexado, aparentou aceitar a recusa e retirou-se.

Entretanto, com o auxílio de um astrólogo mouro, Amã, a quem pediu que estudasse os astros para estabelecer a data propícia, levou a cabo em segredo, o rapto da moura. Alboazer, ao dar por falta da irmã, compreendeu o que acontecera e partiu imediatamente no seu encalço, logrando alcançar os raptores a embarcar no cais de Gaia. No combate que então se feriu, a sorte das armas entretanto, foi favorável aos cristãos, tendo a moura sido levada para o reino de Leão, onde recebeu o baptismo quando recebeu o nome de Artiga, que tanto significava "castigada e ensinada" como "dotada de todos os bens".

Alboazer, para se vingar, raptou por seu turno a esposa legítima do rei D. Ramiro, D. Aldora, juntamente com todo o seu séquito. Quando o rei D. Ramiro soube do rapto ficou louco de raiva e, juntamente com o seu filho D. Ordonho e alguns vassalos, zarpou de barco para Gaia. Aí chegados D. Ramiro disfarçou-se de pedinte e dirigiu-se a uma fonte onde encontrou uma das aias de D. Aldora, e a quem pediu um pouco de água, aproveitando para, dissimuladamente, deitar na bilha da água meio camafeu, do qual a rainha possuía a outra metade. Reconhecendo a jóia, D. Aldora mandou buscar o rei disfarçado de pedinte e, como castigo pela infidelidade dele, entregou-o a Alboazer.

Sentindo-se perdido, o rei D. Ramiro pediu a Alboazer uma execu√ß√£o p√ļblica, esperando com ast√ļcia, ganhar tempo para poder avisar o seu filho atrav√©s do toque do seu corno de ca√ßa. Ao ouvir o sinal combinado, D. Ordonho acorreu com os seus homens ao Castelo e juntos mataram Alboazer e as suas gentes, para al√©m de arrasarem o Castelo. Fazendo levar D. Aldora e as suas aias para o seu barco, o rei D. Ramiro atou uma m√≥ de pedra ao pesco√ßo da rainha e atirou-a ao mar num local que ficou a ser conhecido por Foz da √āncora.

A lenda conclui informando que D. Ramiro voltou para Leão onde finalmente se casou com a moura, de quem teve vasta descendência.


 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Qui Ago 15, 2019 22:58     Assunto : Responder com Citação
 
Hoje trago a Torre medieval de Cambra localizada na povoação de Cambra de Baixo, freguesia de Cambra, concelho de Vouzela, distrito de Viseu.

in diversas fontes da net.

Erguida numa pequena elevação na encosta noroeste da serra do Caramulo vizinha à confluência dos rios Alfusqueiro e Couto, é uma das torres medievais existentes no concelho.

Acredita-se que esta Torre medieval tenha sido erguida no final do século XIII ou no início do século XIV. Terá sido habitada até ao final do século XVI ou início do século XVII.

Na primeira metade do século XVII foi seu senhor D. Diogo Gomes de Lemos, comendador da Ordem de Cristo, falecido em 1651 no Porto.

Em data indeterminada da sua história sofreu um incêndio.

De acordo com as Memórias Paroquiais do século XVIII, não se sabia ao certo quem a mandara edificar, embora se lhe ligasse o nome da família Lemos da Casa da Trofa.

Características da Torre:

Torre senhorial, apresenta planta no formato quadrangular em aparelho de granito.

Internamente era dividida em três pavimentos, sendo acedida pelo piso intermediário através de uma porta em arco ogival. Este acesso era encimado por um balcão com mata-cães com a função de defendê-lo, do qual resta a sua base.

Vizinha à antiga torre medieval, encontra-se a Capela do Divino Espírito Santo.

 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Sex Ago 16, 2019 21:00     Assunto : Responder com Citação
 
Trago hoje a Domus Municipalis de Guimarães situada em freguesias da Sé, Santa Maria e Meixedo em Bragança.

in diversas fontes da net.

Demarcando um dos lados do Largo da Oliveira, espa√ßo onde se localiza a colegiada vimaranense medieval, est√£o os antigos Pa√ßos do Concelho de Guimar√£es, edif√≠cio de arquitectura civil classificado como Monumento Nacional, cuja sua funda√ß√£o remonta aos finais do s√©culo XIV, dentro dos c√Ęnones da arquitectura g√≥tica vigente.

A sua construção prolongou-se durante o século seguinte, de tal modo que D. Afonso V se viu obrigado a lançar um imposto para angariar fundos, com o objectivo de proceder à conclusão das obras.

No século XVII, o arquitecto João Lopes de Amorim dirigiu uma campanha de restauro que modificou substancialmente os paços concelhios góticos vimaranenses, sobretudo ao nível do piso superior.

O edif√≠cio municipal apresenta uma planta retangular, e √© marcado na sua fachada principal e ao n√≠vel do piso t√©rreo, por uma arcaria ogival, assente em s√≥lidos e pequenos pilares de granito, formando um amplo alpendre. No interior deste disp√Ķem-se largos arcos abatidos que suportam o estrado de madeira do piso superior. A fachada √© refor√ßada por contraforte angular ressaltado e rematado por g√°rgula saliente.

No lado oposto, a antiga casa municipal apresenta igual sistema de arcadas do gótico ogival, estabelecendo estas a comunicação com a Praça de Santiago.

O piso superior da fachada nobre √© rasgado por uma s√©rie de portas de sacada com varandins de ferro, encimadas por front√Ķes triangulares interrompidos, obra realizada no s√©culo XVII.

A cimalha √© coroada por um conjunto de merl√Ķes chanfrados e estilizados, o que lhe confere um certo perfil de arquitetura militar medieval. Axialmente, este coroamento √© interrompido por uma est√°tua de granito assente sobre um pedestal e que, de acordo com a tradi√ß√£o local, ser√° uma alus√£o simb√≥lica √† cidade de Guimar√£es.


 
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