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Beladona
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Local: Algarve
Mensagem Enviada: Qua Ago 28, 2019 20:09     Assunto : O explorador Gonçalo Coelho Responder com Citação
 
Trago hoje o explorador Gonçalo Coelho que nasceu em 1451 ou 1454 e morreu em 1512.

in diversas fontes da net.

Gonçalo Coelho foi um navegador português, que comandou as duas primeiras expedições exploratórias das terras descobertas por Pedro Álvares Cabral em 1501-02 e 1503-04, as duas acompanhado por Américo Vespúcio.

Estudou em Pisa.

Primeira Viagem:

Provavelmente a contratação de Américo Vespúcio por D. Manuel foi influenciada pela carência de navegadores experientes disponíveis no começo de 1501. Pedro Álvares Cabral ainda não tinha regressado da Índia; João da Nova acabara de zarpar a 10 de Março; Gaspar Corte Real estava programado para ir novamente à América do Norte e partiu a 20 de Maio; Vasco da Gama preparava-se para regressar à Índia na Esquadra da Vingança, partindo a 15 de Fevereiro de 1501; e, embora o Rei ainda não o soubesse, Bartolomeu Dias já estava morto, naufragado no Oceano Índico.

Aparentemente uma cópia de uma importante carta de Américo Vespúcio ao seu patrão Lorenzo de Médici chegou ao conhecimento de D. Manuel. A carta, datada de 18 de Julho de 1500, narra minuciosamente a viagem feita sob o comando de Alonso de Ojeda em 1499, mas omite o seu nome, e nela Américo Vespúcio se auto-intitula capitão. Em Janeiro de 1501, D. Manuel envia o florentino Giuliano del Giocondo, funcionário graduado de Bartolomeu Marchionni contratar Américo Vespúcio.

Assim, no dia 10 de Maio de 1501 a frota de três caravelas zarpou de Lisboa em direcção às Canárias, seguindo depois para a baía de Bezeguiche (hoje Dakar).

Lá, a frota deparou-se com o navio de Diogo Dias, irmão de Bartolomeu Dias, que um ano antes, se desgarrara da armada de Pedro Álvares Cabral, fora parar à Etiópia e agora estava regressando a Portugal com apenas seis homens a bordo. No dia seguinte, por uma extraordinária coincidência, também chegavam àquele mesmo porto africano vindos de Calcutá, dois navios da esquadra de Pedro Álvares Cabral. Durante 13 dias, as tripulações desses navios portugueses permaneceram em Bezeguiche no Senegal. Os homens de Pedro Álvares Cabral e Diogo Dias descansavam das fadigas do mar enquanto os de Gonçalo Coelho abasteciam os navios de água e lenha para a viagem ao Brasil. Ao longo de duas semanas os capitães puderam trocar muita informação.

Foi o historiador Capistrano de Abreu (1853-1927) o primeiro a perceber as extraordinárias repercussões do encontro entre Américo Vespúcio e a frota de Pedro Álvares Cabral em Bezeguiche. Em 1900, no seu admirável livro O Descobrimento do Brasil pelos Portugueses, Capistrano dedicou um capítulo inteiro a esse encontro e às suas consequências. De acordo com o historiador cearense, foi graças às informações obtidas em Bezeguiche que Américo Vespúcio pode concluir que as novas terras descobertas por Cristóvão Colombo não eram a Ásia, mas sim parte de um continente. Foi por isso que, ao regressar à Europa, Américo Vespúcio lançara a tese de que estivera num "novo mundo".

A viagem foi difícil, com muitas tempestades em alto-mar, e a frota avistou terra depois de 67 dias no mar, quando os mantimentos já começavam a escassear. Américo Vespúcio afirma ter ancorado a 5 graus de latitude Sul, local da foz do rio Mossoró, actual divisão entre o Rio Grande do Norte e o Ceará. No entanto, Max Justo Guedes defende a tese de que Américo Vespúcio teria ancorado na praia das Areias Alvas, 150 km ao sul. "Os argumentos de Justo Guedes navegador experiente, são sólidos e respeitáveis. Vários outros historiadores no entanto, acham que o desembarque de Américo Vespúcio se deu mesmo na praia dos Marcos. O principal defensor dessa tese é Moacir Soares Pereira, autor de A Navegação de 1501 ao Brasil e Américo Vespúcio.

Ao desembarcar nessa praia de ondas fortes e areia fofa, os portugueses não viram ninguém. Mas na manhã seguinte, enquanto os marinheiros enchiam os tonéis de água fresca, colhiam palmitos e cortavam lenha, um grupo de indígenas surgiu no alto de um pequeno morro próximo à praia. Embora os marujos lhes oferecessem guizos e espelhos, os nativos recusaram-se a fazer qualquer contacto - exactamente como tinham feito os Potiguar encontrados por Pinzón. No dia 19 de Agosto, dois marinheiros obtiveram a permissão para descer a terra, penetrar na mata e negociar com os nativos. Gonçalo Coelho comprometeu-se a aguardá-los por cinco dias. Seis dias se passaram e nenhum dos homens voltou aos navios. Então, na manhã de 24 de Agosto - quando a frota já se encontrava ancorada há uma semana - a praia encheu-se de mulheres. Gonçalo Coelho enviou a terra dois batéis com alguns homens a bordo. Um grumete desembarcou e logo foi cercado pelas nativas, que "o apalpavam e o examinavam com grande curiosidade". Quando ele estava no meio delas, uma mulher desceu do monte com um tacape nas mãos, aproximou-se do jovem marinheiro e, pelas costas, desferiu-lhe um golpe na nuca. "Então", diz Américo Vespúcio, "as outras mulheres imediatamente o arrastaram pelos pés para o monte, ao mesmo tempo que os homens, que estavam escondidos, se precipitavam para a praia armados de arcos, crivando-nos de setas, pondo em tal confusão a nossa gente, que estava com os batéis encalhados na areia, que ninguém conseguia lançar mão das armas, devido às flechas que choviam sobre os barcos. Disparamos quatro tiros de bombarda, que não acertaram, mas cujo estrondo os fez fugir para o monte, onde já estavam as mulheres despedaçando o cristão e, enquanto o assavam numa grande fogueira, mostravam-nos os seus membros decepados, devorando-os, enquanto os homens faziam sinais, dando a entender que tinham morto e devorado os outros dois cristãos"

Gonçalo Coelho proibiu que se voltasse aos ataques e zarpou em direcção ao sul, avistando o cabo de Santo Agostinho a 28 de Agosto, e chegando a 4 de Outubro à foz de um grande rio, que baptizou rio São Francisco. Depois recolheu os dois degrados deixados por Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro, juntamente com toros de pau-brasil. Já em Janeiro de 1502, julgando estar na foz de um rio, baptizou a baía da Guanabara de Rio de Janeiro.

Seguiram para o sul até Cananéia, onde abandonaram o enigmático Bacharel de Cananéia. Percebendo que a costa se inclinava para sudoeste e talvez temendo estarem já em possessões espanholas de acordo com o Tratado de Tordesilhas, afastaram-se dela, seguindo a partir daí uma rota desconhecida até chegarem à Serra Leoa. Aportaram em Lisboa a 22 de Julho de 1502 depois de 14 meses, e sem notícias de ouro ou especiarias nem nada de aproveitável, a não ser o pau-brasil.

Segunda Viagem:

Em 1503, ao serviço da Coroa portuguesa, que firmou contrato com um grupo de comerciantes um ano antes, realizou a expedição ao litoral brasileiro. Pouco se sabia em Portugal da cartografia da costa norte brasileira e surgira assim a necessidade de ser despachada para a nova terra uma expedição exploradora que reconhecesse principalmente a parte situada aquém da linha divisória de Tordesilhas, por isso pertencente à coroa portuguesa. As melhores fontes atribuem o comando dessa expedição a Gonçalo Coelho, nauta experiente que trouxe, embarcado, o florentino Américo Vespúcio, já conhecedor de terras americanas pois navegara com Alonso de Ojeda em viagem castelhana em 1499.

Os comerciantes que financiaram a expedição, dentre eles Fernão de Noronha, conseguiram arrendar as terras brasileiras por um período de três anos para exploração do pau-brasil. Em troca, os arrendatários se comprometiam a construir feitorias e pagar, à Coroa, parte do lucro obtido. O arrendamento foi renovado mais duas vezes, em 1505 e em 1513.

Como consequência do contrato e da expedição de Gonçalo Coelho, o rei D. Manuel I doou em 1504, a Fernão de Noronha, a primeira capitania hereditária no litoral brasileiro: a ilha de São João da Quaresma, actual Fernando de Noronha, uma capitania do mar. Uma revisão histórica anunciada pelo almirante Max Justo Guedes na "Conferência dos 500 anos" de Angra dos Reis promovida pela prefeitura em 2002, trouxe à luz a oficialidade sobre o nome do verdadeiro descobridor da Ilha Grande: o navegador Gonçalo Coelho. Antes deste tratado o navegador André Gonçalves foi por muitos anos considerado o descobridor da Ilha Grande. Esta revisão foi feita com base na fonte: "Tratado Descritivo do Brasil", de Gabriel Soares de Souza.
Leonor Especial


 
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