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Data: Sex Dez 13, 2019 11:27
Índice do Fórum : História & Monarquia
Batalhas da nossa História
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Beladona
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Mensagem Enviada: Sáb Abr 06, 2019 21:11     Assunto : Batalhas da nossa História Responder com Citação
 
Relembrando neste dia 6 de Abril a Batalha dos Atoleiros

A Batalha dos Atoleiros ocorreu a 6 de Abril de 1384, no actual município de Fronteira, distrito de Portalegre e a cerca de 60 Km da fronteira com Castela, entre as forças portuguesas comandadas por D. Nuno Álvares Pereira, e uma expedição punitiva castelhana, enviada por D. João I de Castela, junto da povoação do mesmo nome no Alentejo.


In diversas fontes da net.


D. Nuno Álvares Pereira, chefe militar português que tinha sob o seu comando uma força de 1.500 homens de pé, dos quais 100 besteiros e 300 lanças (cavalaria ligeira e pesada). As forças castelhanas invasoras contavam com um efectivo com 5.000 homens.


Por esta altura, D. Nuno Álvares Pereira fora nomeado pelo Mestre de Avis como fronteiro do Alentejo, temendo este a entrada em Portugal do exército castelhano por aquela zona. Partindo de Lisboa, D. Nuno Álvares Pereira aumentou o número dos seus homens pelo caminho e aproximou-se do exército inimigo, que intentava cercar Fronteira. Mais numerosos e conscientes que D. Nuno Álvares Pereira os iria interceptar, os castelhanos enviaram um emissário ao chefe do exército português, tentando dissuadi-lo.


Perante a recusa dos portugueses, o exército castelhano foi ao seu encontro. O exército português já os aguardava, formando um quadrado (retângulo, mais precisamente) com a maioria das lanças na vanguarda, nas alas e retaguarda estavam os peões misturados com algumas lanças. Os castelhanos atacaram com a cavalaria, que foi contida pelas lanças e por virotões, o que gerou grande desordem. A batalha durou pouco, tendo sofrido o exército castelhano pesadas baixas.


As tropas castelhanas, que depois de desorganizadas foram tomadas pelo pânico, começaram a fugir em todas as direcções, sendo perseguidas por todo o resto do dia pelas forças de D. Nuno Álvares Pereira, que lhes deu caça até à distância de cerca de sete quilómetros do local da batalha.


A batalha dos Atoleiros constituiu na Península Ibérica a primeira e efectiva utilização das novas técnicas de defesa de forças de infantaria em inferioridade numérica perante uma cavalaria pesada muito superior. A mais conhecida destas será a técnica de «pé terra»» ou «pé em terra», pela primeira vez usada em Portugal: consistia em peões armados com lanças a esperar a carga da cavalaria inimiga, adoptando uma táctica defensiva.


Uma das mais curiosas notas da batalha é que, embora as forças de Castela tenham sofrido perdas muito elevadas, principalmente com muitos mortos entre a cavalaria pesada (que era a força castelhana mais importante), do lado português não ocorreu uma única morte, julgam alguns nem se registaram feridos - algo pouco provável, pois o ataque castelhano consistiu primeiro em atacar a cavalo e, como tal não surtiu efeito, nova investida foi feita a pé havendo então combate corpo a corpo.


Este facto só por si foi importante pois, para a realidade da Idade Média, um ambiente extremamente condicionado pela religião, a inexistência de mortos ou feridos foi vista como uma prova de que o lado português tinha o apoio de Deus.


 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Qua Ago 14, 2019 20:46     Assunto : Responder com Citação
 
A Batalha de Aljubarrota decorreu no final da tarde de 14 de Agosto de 1385 entre tropas portuguesas com aliados ingleses, comandadas por D. João I de Portugal e o seu condestável D. Nuno Álvares Pereira, e o exército castelhano e seus aliados liderados por D. João I de Castela. A batalha deu-se no campo de São Jorge, pertencente à freguesia de Calvaria de Cima, concelho de Porto de Mós, nas imediações da vila de Aljubarrota, entre o referido concelho e Alcobaça.

In diversas fontes da net.

O resultado foi uma derrota definitiva dos castelhanos, o fim da crise de 1383-1385 e a consolidação de D. João I, Mestre de Avis, como rei de Portugal, o primeiro da Dinastia de Avis. A aliança Luso-Britânica saiu reforçada desta batalha e seria selada um ano depois com a assinatura do Tratado de Windsor e o casamento do rei D. João I com D. Filipa de Lencastre. Como agradecimento pela vitória na Batalha de Aljubarrota, D. João I mandou edificar o Mosteiro da Batalha. A paz com Castela só viria a estabelecer-se em 1411 com o Tratado de Ayllón, ratificado em 1423.

A Batalha de Aljubarrota foi uma das raras grandes batalhas campais da Idade Média entre dois exércitos régios e um dos acontecimentos mais decisivos da história de Portugal. Inovou a tática militar, permitindo que homens de armas apeados fossem capazes de vencer uma poderosa cavalaria. No campo diplomático, permitiu a aliança entre Portugal e a Inglaterra, que perdura até hoje. No aspecto político, resolveu a disputa que dividia o Reino de Portugal do Reino de Castela e Leão, permitindo a afirmação de Portugal como Reino Independente, abrindo caminho sob a Dinastia de Avis para uma das épocas mais marcantes da história de Portugal, a era dos Descobrimentos.

Directamente associada à vitória dos portugueses nesta batalha, celebrizou-se a figura lendária da heroína Brites de Almeida, mais conhecida como "a Padeira de Aljubarrota", que com a sua pá terá morto sete castelhanos que encontrara escondidos no seu forno.

No fim do século XIV, a Europa encontrava-se a braços com uma época de crise e revolução. A Guerra dos Cem Anos devastava a França, epidemias de peste negra levavam vidas em todo o continente, a instabilidade política dominava e Portugal não era excepção.

Em 1383, El-rei D. Fernando morreu sem um filho varão que herdasse a coroa. A sua única filha legítima era a infanta D. Beatriz, casada com o rei D. João I de Castela. A burguesia mostrava-se insatisfeita com a regência da Rainha D. Leonor Teles e do seu favorito o conde Andeiro e com a ordem da sucessão, uma vez que isso significaria anexação de Portugal por Castela. As pessoas alvoroçaram-se em Lisboa, o conde Andeiro foi morto e o povo pediu ao mestre de Avis, D. João, filho natural de D. Pedro I de Portugal, que ficasse por regedor e defensor do Reino.

O período de interregno que se seguiu ficou conhecido como crise de 1383-1385. Finalmente a 6 de Abril de 1385, D. João, mestre da Ordem de Avis, é aclamado rei pelas cortes reunidas em Coimbra, mas o rei de Castela não desistiu do direito à coroa de Portugal, que entendia advir-lhe do casamento.

Perante a revolta da população portuguesa em vários pontos e cidades do Reino de Portugal, o Rei de Castela, decide em 1384 entrar em Portugal. Entre Fevereiro e Outubro desse ano monta um cerco a Lisboa, por terra e por mar.

Uma frota portuguesa vinda do Porto enfrenta a 18 de Julho de 1384 à entrada de Lisboa, a frota castelhana, na batalha do Tejo. Os portugueses perdem três naus e sofrem vários prisioneiros e mortos; no entanto, a frota portuguesa consegue romper a frota castelhana, que era muito superior, e descarregar no porto de Lisboa os alimentos que trazia. Esta ajuda alimentar veio-se a revelar muito importante para a população que defendia Lisboa.

O cerco de Lisboa pelas tropas castelhanas acaba por não resultar, devido à determinação das forças portuguesas em resistir ao cerco, ao facto de Lisboa estar bem murada e defendida, à ajuda dos alimentos trazidos do Porto e devido à epidemia de peste negra que assolou as forças castelhanas acampadas no exterior das muralhas.

Em Junho de 1385, D. João I de Castela decide invadir novamente Portugal, desta vez à frente da totalidade do seu exército e auxiliado por um forte contingente de cavalaria francesa.

Quando as notícias da invasão chegaram, é reunido o conselho militar em Abrantes para decidir o que fazer. O rei decide invadir Castela pela zona de Sevilha para atrair o exército invasor. O condestável opõe-se e defende dar batalha para travar o passo ao inimigo; não se entendem e D. Nuno parte com a sua hoste para Tomar. O rei pensando melhor manda informar D. Nuno que estava de acordo com ele e encontram-se os dois em Tomar. Com os aliados ingleses, o exército português interceptou os invasores perto de Leiria. Dada a lentidão com que os castelhanos avançavam, D. Nuno Álvares Pereira teve tempo para escolher o terreno favorável para a batalha. A opção recaiu sobre uma pequena colina de topo plano rodeada por ribeiros, perto de Aljubarrota. Contudo o exército Português não se apresentou ao Castelhano nesse sítio, inicialmente formou as suas linhas noutra vertente da colina, tendo depois, já em presença das hostes castelhanas mudado para o sítio predefinido, isto provocou bastante confusão nas tropas de Castela.

Assim pelas dez horas da manhã do dia 14 de Agosto, o exército tomou a sua posição na vertente norte desta colina, de frente para a estrada por onde os castelhanos eram esperados. A disposição portuguesa era a seguinte: infantaria no centro da linha, uma vanguarda de besteiros com os 200 archeiros ingleses, 2 alas nos flancos, com mais besteiros, cavalaria e infantaria. Na retaguarda, aguardavam os reforços e a cavalaria comandados por D. João I de Portugal em pessoa. Desta posição altamente defensiva, os portugueses observaram a chegada do exército castelhano protegidos pela vertente da colina.

A vanguarda do exército de Castela chegou ao teatro da batalha pela hora do almoço, sob o sol escaldante de Agosto. Ao ver a posição defensiva ocupada por aquilo que considerava os rebeldes, o rei de Castela tomou a esperada decisão de evitar o combate nestes termos. Lentamente, devido aos 30 000 soldados que constituíam o seu efetivo, o exército castelhano começou a contornar a colina pela estrada a nascente. A vertente sul da colina tinha um desnível mais suave e era por aí que, como D. Nuno Álvares Pereira previra, pretendiam atacar.

O exército português inverteu então a sua disposição e dirigiu-se à vertente sul da colina, onde o terreno tinha sido preparado previamente. Uma vez que era muito menos numeroso e tinha um percurso mais pequeno pela frente, o contingente português atingiu a sua posição final muito antes do exército castelhano se ter posicionado. D. Nuno Álvares Pereira tinha ordenado a construção de um conjunto de paliçadas e outras defesas em frente à linha de infantaria, protegendo esta e os arqueiros. Este tipo de tática defensiva, muito típica das legiões romanas, ressurgia na Europa nessa altura.

Pelas seis da tarde, os castelhanos ainda não completamente instalados decidem, precipitadamente, ou temendo ter de combater de noite, começar o ataque.

É discutível se de facto houve a tão famosa tática do "quadrado" ou se simplesmente esta é uma visão imaginativa de Fernão Lopes de umas alas reforçadas. No entanto tradicionalmente foi assim que a Batalha acabou por seguir para a história.

O ataque começou com uma carga da cavalaria francesa: a toda a brida e em força, de forma a romper a linha de infantaria adversária. Contudo as linhas defensivas portuguesas repeliram o ataque. A pequena largura do campo de batalha, que dificultava a manobra da cavalaria, as paliçadas (feitas com troncos erguidos na vertical separados entre si apenas pela distância necessária à passagem de um homem, o que não permitia a passagem de cavalos) e a chuva de virotes lançada pelos besteiros (auxiliados por 2 centenas de arqueiros ingleses comandados por Sir Leon Baade) fizeram com que, muito antes de entrar em contacto com a infantaria portuguesa, já a cavalaria se encontrava desorganizada e confusa. As baixas da cavalaria foram pesadas e o efeito do ataque nulo.

Ainda não perfilada no terreno, a retaguarda castelhana demorou a prestar auxílio e, em consequência, os cavaleiros que não morreram foram feitos prisioneiros pelos portugueses.

Depois deste revés, a restante e mais substancial parte do exército castelhano atacou. A sua linha era bastante extensa pelo elevado número de soldados. Ao avançar em direção aos portugueses, os castelhanos foram forçados a apertar-se (o que desorganizou as suas fileiras) de modo a caber no espaço situado entre os ribeiros. Enquanto os castelhanos se desorganizavam, os portugueses redispuseram as suas forças, dividindo a vanguarda de D. Nuno Álvares em dois setores, de modo a enfrentar a nova ameaça. Vendo que o pior ainda estava para chegar, D. João I de Portugal ordenou a retirada dos besteiros e archeiros ingleses e o avanço da retaguarda através do espaço aberto na linha da frente.

Desorganizados, sem espaço de manobra e finalmente esmagados entre os flancos portugueses e a retaguarda avançada, os castelhanos pouco puderam fazer senão morrer. Ao pôr-do-sol a batalha estava já perdida para Castela. Precipitadamente, D. João de Castela ordenou a retirada geral sem organizar a cobertura. Os castelhanos debandaram então desordenadamente do campo de batalha. A cavalaria Portuguesa lançou-se em perseguição dos fugitivos, dizimando-os sem piedade.

Alguns fugitivos procuraram esconder-se nas redondezas, apenas para acabarem mortos às mãos do povo.

Surge aqui uma tradição portuguesa em torno da batalha: uma mulher, de seu nome Brites de Almeida, recordada como a Padeira de Aljubarrota, iludiu, emboscou e matou pelas próprias mãos alguns castelhanos em fuga. A história é por certo uma lenda da altura. De qualquer forma, pouco depois D. Nuno Álvares Pereira ordenou a suspensão da perseguição e deu trégua às tropas fugitivas.

Na manhã de 15 de Agosto, a catástrofe sofrida pelos castelhanos ficou bem à vista: os cadáveres eram tantos que chegaram para barrar o curso dos ribeiros que flanqueavam a colina. Para além de soldados de infantaria, morreram também muitos nobres fidalgos castelhanos, o que causou luto em Castela até 1387.

A cavalaria francesa sofreu em Aljubarrota outra pesada derrota contra as táticas de infantaria, depois de Crécy e Poitiers. A batalha de Azincourt, já no século XV, mostra que Aljubarrota não foi a última vez em que isso aconteceu.

Com esta vitória, D. João I tornou-se no rei incontestado de Portugal, o primeiro da Dinastia de Avis.

Para celebrar a vitória e agradecer o auxílio divino que acreditava ter recebido, D. João I mandou construir o Mosteiro de Santa Maria da Vitória e fundar a vila da Batalha. Assim como, passados sete anos da batalha, o nosso condestável D. Nuno Álvares Pereira mandou construir a Ermida de São Jorge em Calvaria de Cima, onde precisamente está o campo militar de São Jorge onde ele tinha depositado o seu estandarte nesse dia. Hoje nesse mesmo último local, há também um moderno centro de interpretação que explica o desenrolar dos acontecimentos, os seus antecedentes e as suas consequências.
Leonor Especial


 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Ter Set 10, 2019 19:50     Assunto : Responder com Citação
 
A mítica batalha de Sacavém terá sido um recontro travado entre o nosso primeiro rei D. Afonso Henriques e os Mouros no início do cerco de Lisboa em Julho de 1147, nas margens do Trancão junto da antiga ponte romana que cruzava o rio.

In diversas fontes da net.


Após a conquista de Santarém, D. Afonso Henriques preparou-se para tomar Lisboa e assim consolidar definitivamente não só a linha do Tejo como a própria independência de Portugal – o domínio do seu fértil vale garantia-lhe a plena autossuficiência e malograva os planos leoneses de reanexar Portugal.


Entretanto, espalhava-se pela Estremadura a notícia de que os cristãos já cercavam Lisboa, tornando-se imperativo ajudar a defender a todo o custo o derradeiro reduto muçulmano a Norte do Tejo.


Assim sendo, ter-se-iam reunido nas proximidades de Sacavém a norte do seu rio, prontos a dar luta e a desbaratar as forças de D. Afonso Henriques, cerca de cinco mil muçulmanos oriundos não só da Estremadura (Alenquer, Lisboa e Sacavém), como até do Oeste (Óbidos e Torres Vedras) e do Ribatejo (Tomar e Torres Novas), sob o comando do wali (alcaide muçulmano) de Sacavém, Bezai Zaide.


D. Afonso Henriques dispunha apenas de uma força de mil e quinhentos guerreiros e foi nessas condições que se iniciou a batalha tendo como palco Sacavém de Baixo na margem do rio de Sacavém, entre os actuais montes de Sintra e do Convento, junto à velha ponte romana fortemente defendida pelos mouros, os quais haviam já iniciado a sua travessia dispostos a desbaratar os portugueses.


Não obstante a significativa diferença numérica entre ambos os contendores, acabaram por vencer os cristãos, muito embora a maior parte destes últimos tenha perecido, conseguiram ainda assim matar três mil muçulmanos a fio de espada, tendo os restantes mouros se afogado no rio ou feitos prisioneiros.


Esta miraculosa vitória foi atribuída à divina intervenção da Virgem Maria, que teria feito aparecer durante o combate «muitos homens estranhos que pelejavam com os cristãos». Como D. Afonso Henriques contou com o apoio de Cruzados para tomar a capital, podemos partir do princípio mais ou menos seguro, de que os homens estranhos (id est, «estrangeiros») a que a fonte se reporta seriam esses cristãos oriundos da Europa do Norte.


Conta-se aliás que Bezai Zaide perante o sucedido, ter-se-ia convertido à fé cristã e sido inclusive o primeiro sacristão da ermida dedicada a Nossa Senhora dos Mártires (assim chamada em honra dos cristãos que caíram na batalha) e que D. Afonso Henriques ali mandou erguer passados poucos dias do recontro.


Ao mesmo tempo, o rei teria também mandado reconstruir a velha Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres (que estaria em ruínas sob a ocupação muçulmana, apesar destes terem aparentemente permitido a manutenção do culto cristão mediante o pagamento de um dado tributo - a jizya - às autoridades islâmicas), tendo feito dela sede paroquial de Sacavém e alterado a sua invocação dedicando-a a Nossa Senhora da Vitória (em homenagem à sua estrondosa vitória sobre os mouros devido à intercessão da Virgem).


O primeiro a aludir a esta tradição foi o monge cisterciense de Alcobaça, Frei António Brandão, afirmando basear-se numa tradição já velha, recolhida entre as gentes de Sacavém. Também Miguel de Moura nas suas inéditas Memórias da Fundação do Mosteiro de Sacavém, alude a essa lenda existente entre os sacavenenses, que mandou averiguar quando desejou erigir o Convento de Nossa Senhora dos Mártires e da Conceição de Sacavém no lugar da antiga ermida da Senhora dos Mártires em 1577.


Contudo, não há quaisquer provas históricas que corroborem a existência de facto deste combate, as fontes coevas da conquista (como a conhecida Carta do cruzado inglês Randulfo ao clérigo Osberto de Baldreseia – a moderna Bawdsey, no Suffolk – a qual relata em pormenor a expugnação da cidade), não fazem qualquer alusão a este embate às margens do rio de Sacavém.


No século XIX, o grande historiador e político Alexandre Herculano foi o primeiro a pôr em causa este facto na sua conhecida História de Portugal.


Hoje em dia, ela é comumente tida como sendo praticamente lendária, pelo menos com os contornos com que foi descrita.
Leonor Especial

 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Qua Set 11, 2019 21:07     Assunto : Responder com Citação
 
O Cerco de Lisboa teve início a 1 de Julho de 1147 e durou até 21 de Outubro, integrou a Reconquista cristã da península Ibérica, culminando na conquista desta cidade aos mouros pelas forças de D. Afonso Henriques (1112 - 1185) com o auxílio dos Cruzados que se dirigiam para o Médio Oriente, mais propriamente para a Terra Santa. Foi o único sucesso da Segunda Cruzada.

In diversas fontes da net.


Após a queda de Edessa em 1144, o Papa Eugénio III convocou uma nova cruzada para 1145 e 1146. O Papa ainda autorizou uma cruzada para a Península Ibérica, embora esta fosse uma guerra desgastante de já vários séculos, desde a derrota dos Mouros em Covadonga, em 718.


Nos primeiros meses da Primeira Cruzada em 1095, já o Papa Urbano II teria pedido aos cruzados ibéricos (futuros portugueses, Castelhanos, Leoneses, Aragoneses, etc.) que permanecessem na sua terra, já que a sua própria guerra era considerada tão valente como a dos Cruzados em direcção a Jerusalém. O Papa Eugénio reiterou a decisão, autorizando Marselha, Pisa, Génova e outras grandes cidades mediterrânicas a participar na guerra da Reconquista.


A 19 de Maio zarparam os primeiros contingentes de Cruzados de Dartmouth, Inglaterra, constituídos por flamengos, normandos, ingleses, escoceses e alguns cruzados germanos. Segundo Odo de Deuil, perfaziam no total 164 navios — valor este provavelmente aumentado progressivamente até à chegada a Portugal.


Durante esta parte da cruzada, não foram comandados por nenhum príncipe ou rei; a Inglaterra estava em pleno período d'A Anarquia. Assim, a frota era dirigida por Arnold III de Aerschot (sobrinho de Godofredo de Louvaina), Christian de Ghistelles, Henry Glanville(condestável de Suffolk), Simon de Dover, Andrew de Londres, e Saher de Archelle.


A armada chegou à cidade do Porto a 16 de Junho, sendo convencidos pelo bispo do Porto, D. Pedro II Pitões, a tomarem parte nessa operação militar. Após a conquista de Santarém (1147), sabendo da disponibilidade dos Cruzados em ajudar, as forças de D. Afonso Henriques prosseguiram para o Sul, sobre Lisboa.


As forças portuguesas avançaram por terra, as dos cruzados por mar, penetrando na foz do rio Tejo. Em Junho desse mesmo ano, ambas as forças estavam reunidas, ferindo-se as primeiras escaramuças nos arrabaldes a Oeste da colina sobre a qual se erguia a cidade de então, hoje a chamada Baixa. Após violentos combates, tanto esse arrabalde, como o que ficava a Leste, foram dominados pelos cristãos, impondo-se dessa forma o cerco à opulenta cidade mercantil.


Bem defendidos, os muros da cidade mostraram-se inexpugnáveis. As semanas passavam-se em surtidas dos sitiados, enquanto as máquinas de guerra dos sitiantes lançavam toda a sorte de projéteis sobre os defensores, o número de mortos e feridos aumentando de parte a parte.


No início de Outubro, os trabalhos de sapa sob o alicerce da muralha tiveram sucesso em fazer cair um troço dela, abrindo uma brecha por onde os sitiantes se lançaram, denodadamente defendida pelos defensores. Por essa altura, uma torre de madeira construída pelos sitiantes foi aproximada da muralha, permitindo o acesso ao adarve. Diante dessa situação, na iminência de um assalto cristão em duas frentes, os muçulmanos, enfraquecidos pelas escaramuças, pela fome e pelas doenças, capitularam a 20 de Outubro.


Entretanto, somente no dia seguinte, o soberano e as suas forças entrariam na cidade, nesse meio tempo violentamente saqueada pelos cruzados.


Decorrente deste cerco surgem os episódios lendários de Martim Moniz, que teria perecido pela vitória dos cristãos, e da ainda mais lendária batalha de Sacavém.


Alguns dos cruzados estabeleceram-se na cidade, de entre os quais se destaca Gilbert de Hastings, eleito bispo de Lisboa.


Após a rendição uma epidemia de peste assolou a região fazendo milhares de vitimas entre a população.


Lisboa tornar-se-ia a capital de Portugal em 1255.


Os cruzados na conquista de Lisboa:


“Ora como tivéssemos chegado ao Porto, o bispo com os seus clérigos veio ao nosso encontro. O rei achava-se então ausente com o seu exército, lutando contra os mouros. Feitas a todos as saudações conforme o costume da sua gente, disse-nos o bispo que já sabia que nós havíamos de chegar, e na véspera recebera do rei uma carta, em que se dizia isto:

«Afonso, rei de Portugal, a Pedro, bispo do Porto, saúde. Se porventura arribarem aí os navios dos Francos, recebei-os diligentemente com toda a benignidade e doçura e, conforme o pacto que com eles fizerdes de ficarem comigo, vós e quantos o quiserem fazer, como garantia da combinação feita, vinde em sua companhia a ter comigo, junto de Lisboa. Adeus!»”
Leonor Especial


 
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Mensagem Enviada: Qui Set 12, 2019 20:15     Assunto : Responder com Citação
 
A Batalha de São Mamede foi uma batalha travada a 24 de Junho de 1128, entre D. Afonso Henriques e as tropas dos barões portucalenses contra as tropas do Conde galego Fernão Peres de Trava, que se tentava apoderar do governo do Condado Portucalense. As duas facções confrontaram-se no campo de São Mamede, perto de Guimarães.

In diversas fontes da net.

Quando o conde D. Henrique morreu, a 24 de Abril de 1112, ficou D. Teresa a governar o condado, pois achava que este lhe pertencia por direito, mais do que a outrem, porque o seu pai lhe teria dado o território na altura do casamento.

Associou ao governo o conde galego Bermudo Peres de Trava e o seu irmão Fernão Peres de Trava. A crescente influência dos condes galegos no governo do condado Portucalense levou à revolta verificada em 1128. Os revoltosos escolheram para seu líder D. Afonso Henriques, filho de D. Henrique e de D. Teresa.

Com a derrota, D. Teresa e Fernão Peres abandonaram o governo condal, que ficou então nas mãos do infante e dos seus partidários, o que desagradou ao Bispo de Santiago de Compostela, D. Diogo Gelmires, que cobiçava o domínio das terras.

D. Teresa desistia assim da ambição de ser senhora de Portugal.

Há rumores não confirmados que ela teria sido aprisionada no Castelo de Lanhoso. Há até quem relate as maldições que D. Teresa rogou ao seu filho D. Afonso Henriques.
Leonor Especial


 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Sex Set 13, 2019 20:39     Assunto : Responder com Citação
 
A Batalha de Ourique desenrolou-se muito provavelmente nos campos de Ourique, no actual Baixo Alentejo em 25 de Julho de 1139 — significativamente, de acordo com a tradição, no dia do provável aniversário de D. Afonso Henriques e de São Tiago, que a lenda popular tinha tornado patrono da luta contra os mouros; um dos nomes populares do santo, era precisamente "Matamouros".

In diversas fontes da net.


Foi travada numa das incursões que os cristãos faziam em terra de mouros para apreenderem gado, escravos e outros despojos. Nela se defrontaram as tropas cristãs, comandadas por D. Afonso Henriques, e as muçulmanas, em número bastante maior.


Inesperadamente, um exército mouro saiu-lhes ao encontro e, apesar da inferioridade numérica os cristãos venceram. A vitória cristã foi tamanha que D. Afonso Henriques resolveu autoproclamar-se Rei de Portugal (ou foi aclamado pelas suas tropas ainda no campo de batalha), tendo a sua chancelaria começado a usar a intitulação Rex Portugallensis (Rei dos Portucalenses ou Rei dos Portugueses) a partir 1140 — tornando-o rei de facto, sendo o título de jure (e a independência de Portugal) reconhecido pelo rei de Leão em 1143 mediante o Tratado de Zamora e posteriormente o reconhecimento formal pela Santa Sé em Maio de 1179, através da bula Manifestis Probatum, do Papa Alexandre III.


A primeira referência conhecida ao milagre ligado a esta batalha é do século XIV, depois da batalha. Ourique serve a partir daí, de argumento político para justificar a independência do Reino de Portugal: a intervenção pessoal de Deus era a prova da existência de um Portugal independente por vontade divina e portanto eterna.


A tradição narra que naquele dia consagrado a Santiago, o soberano português teve uma visão de Jesus Cristo rodeado de anjos na figura do Anjo Custódio de Portugal, garantindo-lhe a vitória em combate. Contudo, esse detalhe da narrativa, é semelhante ao da narrativa da Batalha da Ponte Mílvio, opondo Magêncio a Constantino, segundo a qual Deus teria aparecido a este último dizendo IN HOC SIGNO VINCES (latim, «Com este sinal vencerás!»).


A lenda marcou de tal forma o imaginário português, que a referencia como um milagre se encontra retratado no brasão de armas de Portugal: cinco escudetes (cada qual com cinco besantes), representando as Cinco Chagas de Jesus e o dia do Anjo de Portugal é feriado nacional e os cinco reis mouros vencidos na batalha.


Não há consenso entre os historiadores acerca do local exato onde se travou a batalha de Ourique.


A mais antiga descrição da batalha figura na Crónica dos Godos sob a entrada dos acontecimentos da Era Hispânica de 1177 (1139 da Era Cristã).


Séculos mais tarde, Alexandre Herculano opinou que "A grande religiosidade da Idade Média, foi um dos factores para o desenvolvimento do carácter místico atribuído à batalha de Ourique - na crença que havia na existência de milagres interventivos na vida dos povos e neste caso colocando Portugal como país amparado pela vontade de Deus."


Mais recentemente outros historiadores, entre eles José Hermano Saraiva, voltaram a abordar e a reinterpretar essa questão.

Entre as teorias consideradas, citam-se:

Hipótese de Ourique (Baixo-Alentejo), outrora conhecida como «Campo d'Ourique»: mais ou menos equidistante entre Évora e Silves, é a hipótese tradicionalmente sustentada. Na altura, o poder Almorávida estava em fragmentação na península Ibérica, e o território correspondente ao moderno Portugal, ainda em mãos muçulmanas, encontrava-se repartido em pelo menos quatro taifas, sediadas respectivamente em Santarém, Évora, Silves, e Badajoz.

Neste cenário, uma razia do infante D. Afonso Henriques que incidisse numa zona tão a sul como o Baixo Alentejo, não seria de todo improvável, uma vez que era durante os períodos de maior discórdia entre os muçulmanos que as fronteiras cristãs mais progrediam para o Sul.

Nesse sentido, a razia que o seu filho o infante D. Sancho fez em 1178 em Sevilha, acha-se bem documentada, demonstrando na prática, a possibilidade de se percorrer uma distância tão significativa em território hostil.


Hipótese de Vila Chã de Ourique (c. 2 km do Cartaxo) no Ribatejo; a sua localização era ocidental demais para atrair o interesse e as forças do emir de Badajoz. Contudo é o mais forte dos quatro supramencionados, dado que nesta localidade foram encontradas imensas ossadas no Vale de Ossos.

Hipótese de Campo de Ourique (c. 7 km de Leiria) na Beira Litoral: tal como no caso de Vila Chã, a sua localização era próxima demais ao litoral para atrair da mesma forma o interesse e as forças do emir de Badajoz.

Hipótese de Campo de Ourique (Lisboa): Presente no imaginário popular, sem qualquer fundamentação.


Hipótese de Aurélia (possivelmente a moderna Colmenar de Oreja, próxima a Madrid e Toledo): Há quem defenda uma confusão entre Ourique (Aurik) e Aurélia (Aureja, com o "j" aspirado como em castelhano), aumentando a dúvida sobre a localização da batalha. É possível que tivesse havido um plano acordado entre D. Afonso Henriques e o rei de Leão e Castela, D. Afonso VII; embora inimizados dois anos antes na batalha de Cerneja, a guerra ao inimigo comum (o Islão) constituía uma razão forte o suficiente para suscitar um entendimento entre ambos os soberanos cristãos, no sentido de este último poder atacar a fortaleza de Aurélia.

Para evitar ser cercado pelo inimigo muçulmano, D. Afonso VII teria pedido ao primo D. Afonso Henriques que providenciasse uma manobra de diversão, que passaria por esta incursão portuguesa no Alentejo, e que forçaria os emires das taifas do Gharb al-Andalus a combatê-la em autodefesa. Com isso, D. Afonso VII esperava ter a sua retaguarda livre para atacar Aurélia, confiante numa rendição rápida, dada a impossibilidade de resposta do inimigo, ocupado com a manobra dos portugueses.


De qualquer modo, como consequência, quando o Cardeal Guido de Vico emissário do Papa, reuniu D. Afonso Henriques e D. Afonso VII em Zamora (1143) para tentar convencê-los que a animosidade entre ambos favorecia os infiéis, o soberano português escreveu ao Papa Inocêncio II, reclamando para si e para os seus descendentes, o status de «censual», isto é, dependente apenas de Roma, invocando para esse fim o «milagre de Ourique» o que ocorrerá apenas em 1179. Entretanto naquele encontro, pelo tratado então firmado (Tratado de Zamora), D. Afonso VII considerou D. Afonso Henriques como igual: afirmava-se a independência de Portugal.


Nesta batalha combateu e foi ordenado Cavaleiro o futuro Grão-Mestre da Ordem dos Templários, Dom Gualdim Pais, fundador das cidades de Tomar e Pombal.
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Mensagem Enviada: Sex Set 13, 2019 20:44     Assunto : Responder com Citação
 
A Batalha de Ourique desenrolou-se muito provavelmente nos campos de Ourique, no actual Baixo Alentejo em 25 de Julho de 1139 — significativamente, de acordo com a tradição, no dia do provável aniversário de D. Afonso Henriques e de São Tiago, que a lenda popular tinha tornado patrono da luta contra os mouros; um dos nomes populares do santo, era precisamente "Matamouros".

In diversas fontes da net.


Foi travada numa das incursões que os cristãos faziam em terra de mouros para apreenderem gado, escravos e outros despojos. Nela se defrontaram as tropas cristãs, comandadas por D. Afonso Henriques, e as muçulmanas, em número bastante maior.


Inesperadamente, um exército mouro saiu-lhes ao encontro e, apesar da inferioridade numérica os cristãos venceram. A vitória cristã foi tamanha que D. Afonso Henriques resolveu autoproclamar-se Rei de Portugal (ou foi aclamado pelas suas tropas ainda no campo de batalha), tendo a sua chancelaria começado a usar a intitulação Rex Portugallensis (Rei dos Portucalenses ou Rei dos Portugueses) a partir 1140 — tornando-o rei de facto, sendo o título de jure (e a independência de Portugal) reconhecido pelo rei de Leão em 1143 mediante o Tratado de Zamora e posteriormente o reconhecimento formal pela Santa Sé em Maio de 1179, através da bula Manifestis Probatum, do Papa Alexandre III.


A primeira referência conhecida ao milagre ligado a esta batalha é do século XIV, depois da batalha. Ourique serve a partir daí, de argumento político para justificar a independência do Reino de Portugal: a intervenção pessoal de Deus era a prova da existência de um Portugal independente por vontade divina e portanto eterna.


A tradição narra que naquele dia consagrado a Santiago, o soberano português teve uma visão de Jesus Cristo rodeado de anjos na figura do Anjo Custódio de Portugal, garantindo-lhe a vitória em combate. Contudo, esse detalhe da narrativa, é semelhante ao da narrativa da Batalha da Ponte Mílvio, opondo Magêncio a Constantino, segundo a qual Deus teria aparecido a este último dizendo IN HOC SIGNO VINCES (latim, «Com este sinal vencerás!»).


A lenda marcou de tal forma o imaginário português, que a referencia como um milagre se encontra retratado no brasão de armas de Portugal: cinco escudetes (cada qual com cinco besantes), representando as Cinco Chagas de Jesus e o dia do Anjo de Portugal é feriado nacional e os cinco reis mouros vencidos na batalha.


Não há consenso entre os historiadores acerca do local exato onde se travou a batalha de Ourique.


A mais antiga descrição da batalha figura na Crónica dos Godos sob a entrada dos acontecimentos da Era Hispânica de 1177 (1139 da Era Cristã).


Séculos mais tarde, Alexandre Herculano opinou que "A grande religiosidade da Idade Média, foi um dos factores para o desenvolvimento do carácter místico atribuído à batalha de Ourique - na crença que havia na existência de milagres interventivos na vida dos povos e neste caso colocando Portugal como país amparado pela vontade de Deus."


Mais recentemente outros historiadores, entre eles José Hermano Saraiva, voltaram a abordar e a reinterpretar essa questão.

Entre as teorias consideradas, citam-se:

Hipótese de Ourique (Baixo-Alentejo), outrora conhecida como «Campo d'Ourique»: mais ou menos equidistante entre Évora e Silves, é a hipótese tradicionalmente sustentada. Na altura, o poder Almorávida estava em fragmentação na península Ibérica, e o território correspondente ao moderno Portugal, ainda em mãos muçulmanas, encontrava-se repartido em pelo menos quatro taifas, sediadas respectivamente em Santarém, Évora, Silves, e Badajoz.

Neste cenário, uma razia do infante D. Afonso Henriques que incidisse numa zona tão a sul como o Baixo Alentejo, não seria de todo improvável, uma vez que era durante os períodos de maior discórdia entre os muçulmanos que as fronteiras cristãs mais progrediam para o Sul.

Nesse sentido, a razia que o seu filho o infante D. Sancho fez em 1178 em Sevilha, acha-se bem documentada, demonstrando na prática, a possibilidade de se percorrer uma distância tão significativa em território hostil.


Hipótese de Vila Chã de Ourique (c. 2 km do Cartaxo) no Ribatejo; a sua localização era ocidental demais para atrair o interesse e as forças do emir de Badajoz. Contudo é o mais forte dos quatro supramencionados, dado que nesta localidade foram encontradas imensas ossadas no Vale de Ossos.

Hipótese de Campo de Ourique (c. 7 km de Leiria) na Beira Litoral: tal como no caso de Vila Chã, a sua localização era próxima demais ao litoral para atrair da mesma forma o interesse e as forças do emir de Badajoz.

Hipótese de Campo de Ourique (Lisboa): Presente no imaginário popular, sem qualquer fundamentação.


Hipótese de Aurélia (possivelmente a moderna Colmenar de Oreja, próxima a Madrid e Toledo): Há quem defenda uma confusão entre Ourique (Aurik) e Aurélia (Aureja, com o "j" aspirado como em castelhano), aumentando a dúvida sobre a localização da batalha. É possível que tivesse havido um plano acordado entre D. Afonso Henriques e o rei de Leão e Castela, D. Afonso VII; embora inimizados dois anos antes na batalha de Cerneja, a guerra ao inimigo comum (o Islão) constituía uma razão forte o suficiente para suscitar um entendimento entre ambos os soberanos cristãos, no sentido de este último poder atacar a fortaleza de Aurélia.

Para evitar ser cercado pelo inimigo muçulmano, D. Afonso VII teria pedido ao primo D. Afonso Henriques que providenciasse uma manobra de diversão, que passaria por esta incursão portuguesa no Alentejo, e que forçaria os emires das taifas do Gharb al-Andalus a combatê-la em autodefesa. Com isso, D. Afonso VII esperava ter a sua retaguarda livre para atacar Aurélia, confiante numa rendição rápida, dada a impossibilidade de resposta do inimigo, ocupado com a manobra dos portugueses.


De qualquer modo, como consequência, quando o Cardeal Guido de Vico emissário do Papa, reuniu D. Afonso Henriques e D. Afonso VII em Zamora (1143) para tentar convencê-los que a animosidade entre ambos favorecia os infiéis, o soberano português escreveu ao Papa Inocêncio II, reclamando para si e para os seus descendentes, o status de «censual», isto é, dependente apenas de Roma, invocando para esse fim o «milagre de Ourique» o que ocorrerá apenas em 1179. Entretanto naquele encontro, pelo tratado então firmado (Tratado de Zamora), D. Afonso VII considerou D. Afonso Henriques como igual: afirmava-se a independência de Portugal.


Nesta batalha combateu e foi ordenado Cavaleiro o futuro Grão-Mestre da Ordem dos Templários, Dom Gualdim Pais, fundador das cidades de Tomar e Pombal.
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Mensagem Enviada: Sáb Set 14, 2019 19:58     Assunto : Responder com Citação
 
O Cerco de Badajoz

In diversas fontes da net.

O Cerco de Badajoz ocorreu em Maio de 1169. Tendo o rei D. Afonso Henriques ido socorrer o salteador Geraldo Geraldes «o sem pavor» que cercava Badajoz, Geraldo Geraldes já tinha conseguido ultrapassar a muralha exterior mas os mouros resistiam fechados na alcáçova, no entanto foram os portugueses surpreendidos pela chegada de reforços leoneses, vendo-se obrigados a fugir.


Na fuga porém, D. Afonso Henriques sofreu um acidente: caiu do cavalo e bateu de encontro a uma das portas da muralha, partiu o fémur direito e foi feito prisioneiro pelos cavaleiros leoneses que o levaram à presença do rei D. Fernando II de Leão que o tratou com o respeito que lhe merecia como pessoa e como sogro, pois tinha casado com D.Urraca filha do rei português.


A libertação do rei foi conseguida em troca de um resgate em dinheiro e da entrega das praças de Trujillo, Cáceres e Montánchez.


O rei esteve meses nas termas de São Pedro do Sul mas nunca recuperou.


Este incidente pôs fim à carreira militar do 1º rei de Portugal, visto que naquele tempo era impossível recuperar de uma fractura profunda e nunca mais pode montar a cavalo, passando a deslocar-se numa carreta de madeira.
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Mensagem Enviada: Seg Set 23, 2019 20:31     Assunto : Responder com Citação
 
Batalha do Cabo Espichel

In diversas fontes da net.


Na Primavera de 1180, os muçulmanos lançaram mais um ataque contra a costa portuguesa, com uma esquadra de 10 galés, sob o comando do Almirante Gamim ben Mardanis; traziam como objetivos destruir a esquadra portuguesa e capturar ou matar D. Fuas Roupinho.


A esquadra muçulmana aportou a São Martinho do Porto, onde desembarcaram os seus homens de armas, que avançaram por terra em direção a Porto de Mós residência de D. Fuas, tentando surpreender a guarnição portuguesa. Este, ao ter conhecimento da presença inimiga, reuniu rapidamente os seus homens e avançou. Surpreendidos em pleno trajeto, os muçulmanos foram derrotados sofrendo elevado número de mortos e prisioneiros, estando o almirante Mardanis entre os primeiros.


Depois de ter mandado avisar o Rei, que se encontrava em Coimbra, D. Fuas Roupinho dirige-se a Lisboa a fim de reunir e preparar os navios portugueses para dar caça ao inimigo.


Quando a bordo dos navios muçulmanos tiveram conhecimento pelos sobreviventes, do resultado do combate e da morte do seu almirante, eles largaram para Sul e tentaram abrigar-se em Sesimbra ou na foz do Rio Sado para reabastecer de água.


D. Fuas Roupinho largou de Lisboa com as suas nove galés por volta do dia 15 de Julho de 1180 e encontrou o inimigo ao largo do Cabo Espichel, travando-se aí uma encarniçada batalha.


Os navios muçulmanos, desfalcados dos seus homens de armas perdidos na batalha em Porto de Mós, foram sendo tomados um a um.


A esquadra portuguesa embora com menor número de navios, acabaria por ser a vencedora do confronto.


D. Fuas Roupinho regressou a Lisboa triunfalmente com os navios e guarnições apresadas. Como recompensa e segundo fontes muçulmanas, o monarca terá atribuído a D. Fuas Roupinho o título de Almirante.


Sendo porém entre alguns estudiosos uma figura questionada desde cedo pela historiografia nacional, porquanto surge pela primeira vez referida apenas no século XV, poucos anos após a tomada de Ceuta, D. Fuas Roupinho foi, recentemente, alvo de novo estudo onde se coloca em causa a sua existência e a própria identificação com o “Farroupim”. Ainda que as fontes muçulmanas refiram a ocorrência de ataques navais a Lisboa e as consequentes represálias portuguesas (1179-1180), confirmando-se assim certos passos da Crónica de Portugal de 1419, nada referem quanto à existência de D. Fuas Roupinho.
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Mensagem Enviada: Ter Set 24, 2019 20:51     Assunto : Responder com Citação
 
A Batalha das Navas de Tolosa (em árabe Al - Uqab, معركة العقاب), conhecida simplesmente como "A Batalha" nas crónicas da época, foi travada a 16 de Julho de 1212, perto de Navas de Tolosa, na actual Espanha.

In diversas fontes da net.


O rei D. Afonso VIII de Castela, liderando uma coligação com D. Sancho VII de Navarra, D. Pedro II de Aragão, um exército de D. Afonso II de Portugal, juntamente com cavaleiros do reino de Leão e das ordens militares de Santiago, Calatrava,Templários e Hospitalários, derrota o Califado Almóada.


Eram numerosos os leoneses que, por ordem de D. Afonso IX - e a pedido de D. Teresa - entraram em Portugal pelas fronteiras do Norte, precisamente numa altura em que D. Afonso II enviara para Castela a maior parte das suas tropas a fim de auxiliar D. Afonso VIII na sua luta contra os mouros. D. Afonso II, ocupadíssimo nas suas contendas com as irmãs, conservara apenas consigo as hostes necessárias para essas questões domésticas, e portanto mal podia opor-se aos leoneses que, ainda viam as suas fileiras consideravelmente aumentadas por cavaleiros portugueses partidários das infantas. D. Afonso II tentou ainda enfrentar os adversários, mas a sorte foi-lhe completamente desfavorável num combate em Valdevez.


Valeu a D. Afonso II um acontecimento deveras importante que o salvou de ficar à mercê dos partidários das infantas, e esse conhecimento foi uma derrota esmagadora que os aliados (castelhanos e portugueses) infligiram aos sarracenos em Navas de Tolosa. Tal derrota, é uma das que mais contribuíram para a queda do domínio muçulmano na Península Ibérica.


Esta batalha foi decisiva no episódio da Reconquista. D. Afonso de Castela conseguiu que o Papa a declarasse como sendo uma Cruzada, com isto obteve ajuda das Ordens Militares e impediu, sob pena de excomunhão, que os muçulmanos obtivessem ajuda de cristãos e mais importante, deixava o rei de Leão em situação constrangedora. D. Afonso temia e não sem razão, que o reino de Leão o atacasse pela retaguarda quando o grosso das suas forças estivessem empenhados na batalha contra os árabes. A declaração papal de cruzada protegia-o deste risco.


Nesta batalha, os dois lados empenharam todo o seu poderio militar e o melhor das suas forças. D. Afonso foi o grande articulador da aliança vencedora e teve grande senso de oportunidade para escolher o momento da batalha, que preparou com quase dez anos de antecedência. Sabia que o vencedor desta batalha teria o destino selado.


A batalha foi antecedida por escaramuças e um jogo de estratégias por ambos os lados buscando a melhor posição e o melhor terreno para a luta. No final os árabes ficaram melhor posicionados por sobre uma colina enquanto os cristãos teriam que lutar "morro acima".


No combate, as forças de Castela, que eram o maior contingente, atuaram no centro, apoiadas nos flancos pelos dois outros reis cristãos, o de Navarra (Sancho) e o de Aragão (Pedro). A tática de D. Afonso de Castela de fazer uma simulação de uma força de infantaria central fraca fez com que o adversário fosse levado a uma armadilha no campo de batalha e o seu senso de oportunidade para utilizar a cavalaria pesada no tempo adequado em apoio à infantaria, muito elogiado pelo cronista da altura, foi decisivo para a vitória dos cristãos.


O rei de Leão, que rivalizava com D. Afonso, recusou-se a apoiar os demais reinos cristãos nesta batalha. O resultado desta batalha foi extraordinário para os vencedores. D. Afonso, sabedor por experiência de lutas anteriores que os derrotados se organizariam para novos embates, ordenou um massacre inclemente contra os muçulmanos que bateram em retirada desorganizada. A crónica chega a afirmar que foram mortos na fuga tantos muçulmanos como os que o foram durante a batalha.


Os árabes na Península Ibérica nunca mais se recuperaram desta derrota. Com esta vitória D. Afonso fixou um enclave em território estratégico por sobre os árabes e manteve-os em situação de desvantagem permanente. Esta batalha definiu o início da superioridade militar, económica e política dos reinos cristãos e demarcou definitivamente o início da decadência da civilização árabe na Península Ibérica.


A Batalha de Navas de Tolosa teve além disso como consequência que D. Afonso VIII de Castela e D. Afonso II de Portugal ficaram com gente disponível em quantidade bastante para fazer a vida negra a D. Afonso IX de Leão o qual, se mostrara anteriormente bastante agressivo para ambos, pensou melhor e resolveu voltar para Leão a toda a pressa, abandonando por completo os interesses da sua ex-esposa D. Teresa. Voltou-se então D. Afonso II novamente contra as irmãs, mas estas entretanto tinham-se solidamente fortificado nos seus castelos de Alenquer e Montemor-o-Velho onde desafiavam a ira do rei.


Agora de resto, tinham com elas todos os cavaleiros portugueses seus partidários, que não eram poucos nem de menos valia. D. Afonso II, bem tentou apertar o cerco aos castelos, com as tropas que haviam sobrado de Navas de Tolosa, mas a resistência dos defensores ameaçava eternizar-se. Para complicar mais ainda a vida de D. Afonso II, os prelados partidários das infantas lançaram uma porção de excomunhões contra ele, o que na altura era bastante desagradável. Foi então que o monarca recorreu para Roma confiado no supremo julgamento do pontífice. Era Papa, por essa altura Inocêncio III, que ao que parece tinha uma certa tendência para girar conforme o vento. Começou por enviar a Portugal os abades Spina e Osseira, a fim de exigirem das partes em litígio o juramento de se submeterem à arbitragem além de um imediato «cessar-fogo». Houve uma espécie de processo e uma sentença, mas esta foi favorável às infantas sendo D. Afonso II condenado a pagar-lhes uma indemnização de cento e cinquenta mil morabitinos - o que naqueles tempos era bastante dinheiro.


Não se conformou com isto o monarca português, o qual apelou novamente para o Papa, enquanto os seus juízes lançavam sobre ele uma chuva de excomunhões. Voltou Inocêncio III a ocupar-se do caso, entregando novo julgamento a novos juízes, e anulando a montanha de excomunhões que pesavam sobre os ombros de D. Afonso II. E o assunto ficou mais ou menos arrumado da seguinte maneira: as senhoras infantas continuavam a habitar os castelos, mas estes passavam para a guarda dos Templários. Mais sentenciou Inocêncio III que as terras doadas por D. Sancho I às filhas - as irmãs do rei - pertenciam por direito à Coroa, consistindo as doações apenas nos rendimentos dessas terras.
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