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Beladona
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Mensagem Enviada: Ter Nov 05, 2019 23:40     Assunto : Responder com Citação
 
Um pequeno mas bonito poema de Fernando Pessoa...

Descubra-se todos os dias.
Abasteça seu coração de fé,
não a perca nunca.
Alargue seu coração de esperanças,
mas, não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-as.
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Beladona
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Mensagem Enviada: Ter Nov 05, 2019 23:44     Assunto : Responder com Citação
 
Um belo poema de Cora Coralina...

Eu sou aquela mulher
a quem o tempo muito ensinou.
Ensinou a amar a vida
e não desistir da luta,
recomeçar na derrota,
renunciar a palavras
e pensamentos negativos.
Acreditar nos valores humanos
e ser optimista.
Aprendi que mais vale lutar
do que recolher tudo fácil.
Antes acreditar do que duvidar.
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Beladona
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Mensagem Enviada: Qua Nov 06, 2019 23:02     Assunto : Responder com Citação
 
Um lindo poema de Susana Maurício...

A TI...

A Ti...
Tens olhos... mas na tua indiferença nada vês.
Tens ouvidos... mas não ouves e ages como surdo.
Tens boca... mas não sabes sorrir.
Tens mãos... que não conseguem afagar.
Tens braços... mas não te permites abraçar.
Tens coração... mas sem sentimento para teus irmãos amar.

A Ti...
Peço por toda a Humanidade:
Olha... vê no Mundo tanta indignidade.
Ouve... os gemidos de fome e dor que proliferam como cogumelos.
Fala... grita por todos os oprimidos e em condições sub-humanas.
Afaga... o poder de uma carícia é força curativa.
Abraça... com sentimento e sente o sofrimento.
Ama... e luta pelos teus irmãos quase moribundos.
Sente... nos milhões de crianças toda a injustiça do seu dia-a-dia.

A Ti...
Descentra-te do teu ego.
Sai do teu pequeno mundo.
Lembra-te de SER e não de TER.
Sem nada nasceste... e sem nada partirás.
Liberta-te de tudo o que é mesquinho:
Vaidade, inveja, arrogância, prepotência,
indiferença, dureza, mentira.
Ilumina teu coração!
Deixa os valores básicos entrar,
para em Liberdade os poderes doar.
Sê HUMANO... somente!

A Vós...
Que comigo comungam deste meu sentir,
desculpem este grito que não posso reprimir,
o meu sentir é mais forte... e ele tem de sair.
Inspirando-me na frase do fado, vos digo:
Gritarei e lutarei, até que a voz me doa.
Sem medo... até ao dia em que meu ser partir.

@ Susana Maurício
(por publicar)
(ao abrigo do código do direito de autor)
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Beladona
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Mensagem Enviada: Qui Nov 07, 2019 23:56     Assunto : Responder com Citação
 
Um lindo soneto de David Mourão-Ferreira que muito prezo...

E por vezes…
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos

E por vezes encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos…
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Beladona
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Mensagem Enviada: Sex Nov 08, 2019 23:18     Assunto : Responder com Citação
 
Um poema de Emily Brontë....

Já me reprovaram e volto sempre
Aos primeiros sentimentos que nasceram comigo;
Deixo de correr atrás do ouro e do conhecimento,
Para sonhar apenas com maravilhas impossíveis.

Mas hoje,
Não descerei mais ao império das sombras;
Tenho medo da sua frágil e decepcionante imensidão,
E meu sonho, povoado com legiões inumeráveis,
Torna este mundo sem forma estranhamente próximo.

Caminharei,
E ficarão para trás as antigas veredas do heroísmo,
E os caminhos já exaustos da moralidade,
E o imprevisto aglomerado de faces obscuras,
Ídolos em bruma de um passado já longínquo.

Caminharei,
Onde só agradar à minha alma caminhar,
(Não posso suportar a escolha de outro guia)
Onde os rebanhos se acinzentam no verde das campinas,
Onde o vento alucinado vergasta o flanco das montanhas.

Que pode revelar a montanha solitária?
Nada exprime sua glória e sua dor.
Minha alma dormia, quando a terra despertou,
E o círculo do Céu ao círculo do Inferno

Confundindo-se, à terra deram nascimento.

(tradução de Lúcio Cardoso)
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Mensagem Enviada: Dom Nov 10, 2019 23:31     Assunto : Responder com Citação
 
Um belo poema de Eugénio de Andrade...

Espelho

Que rompam as águas:
é dum corpo que falo.
Nunca tive outra pátria,
nem outro espelho,
nem outra casa.

É dum rio que falo,
desta margem onde soam ainda,
leves,
umas sandálias de oiro e de ternura.

Aqui moram as palavras;
as mais antigas,
as mais recentes:
mãe, árvore,
adro, amigo.

Aqui conheci o desejo
mais sombrio,
mais luminoso,
a boca
onde nasce o sol,
onde nasce a lua.

E sempre um corpo,
sempre um rio;
corpos ou ecos de colunas,
rios ou súbitas janelas
sobre dunas;
corpos:
dóceis, doirados montes de feno;
rios:
frágeis, frias flores de cristal.

E tudo era água,
água,
desejo só
dum pequeno charco de luz.

De luz?
Que sabemos nós
dessas nuvens altas,
dessas agulhas
nuas
onde o silêncio se esconde?
Desses olhos redondos,
agudos de verão,
e tão azuis
como se fossem beijos?

Um corpo amei,
um corpo, um rio,
um pequeno tigre de inocência,
com lágrimas
esquecidas nos ombros,
gritos
adormecidos nas pernas,
com extensas,
arrefecidas
primaveras nas mãos.

Quem não amou
assim? Quem não amou?
Quem?
Quem não amou
está morto.

Piedade,
também eu sou mortal.
Piedade
por um lenço de linho
debruado de feroz melancolia,
por uma haste de espinheiro
atirada contra o muro,
por uma voz que tropeça
e não alcança os ramos.

Dum corpo falei:
que rompam as águas.
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Beladona
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Mensagem Enviada: Dom Nov 10, 2019 23:32     Assunto : Responder com Citação
 
Um lindo poema de Rainer Maria Rilke...

O Homem que Contempla

Vejo que as tempestades vêm aí
pelas árvores que, à medida que os dias se tomam mornos,
batem nas minhas janelas assustadas
e ouço as distâncias dizerem coisas
que não sei suportar sem um amigo,
que não posso amar sem uma irmã.
E a tempestade rodopia, e transforma tudo,
atravessa a floresta e o tempo
e tudo parece sem idade:
a paisagem, como um verso do saltério,
é pujança, ardor, eternidade.

Que pequeno é aquilo contra que lutamos,
como é imenso, o que contra nós luta;
se nos deixássemos, como fazem as coisas,
assaltar assim pela grande tempestade, —
chegaríamos longe e seríamos anónimos.

Triunfamos sobre o que é Pequeno
e o próprio êxito torna-nos pequenos.
Nem o Eterno nem o Extraordinário
serão derrotados por nós.
Este é o anjo que aparecia
aos lutadores do Antigo Testamento:
quando os nervos dos seus adversários
na luta ficavam tensos e como metal,
sentia-os ele debaixo dos seus dedos
como cordas tocando profundas melodias.

Aquele que venceu este anjo
que tantas vezes renunciou à luta.
esse caminha erecto, justificado,
e sai grande daquela dura mão
que, como se o esculpisse, se estreitou à sua volta.
Os triunfos já não o tentam.
O seu crescimento é: ser o profundamente vencido
por algo cada vez maior.

in "O Livro das Imagens"
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Beladona
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Mensagem Enviada: Seg Nov 11, 2019 21:35     Assunto : Responder com Citação
 
Um lindo poema de Affonso Romano de Sant'Anna...

Não basta um grande amor
para fazer poemas.
E o amor dos artistas, não se enganem,
não é mais belo
que o amor da gente.
O grande amante é aquele que silente
se aplica a escrever com o corpo
o que o seu corpo deseja e sente.

Uma coisa é a letra,
e outra o acto,

– quem toma uma por outra
confunde e mente.
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Mensagem Enviada: Dom Nov 17, 2019 22:13     Assunto : Responder com Citação
 
Um belo poema de Paulo Abreu de Lima...

Despiu a saudade

Despiu a saudade depois do jantar
Num prato já frio de tanto esperar
Aquele que bebe nos tascos da vida
Rodadas de amantes de tara perdida
E chega tão cheio de nada p'ra dar

Sacudiu o pó desse amor primeiro
Num canto guardado do seu coração
Aquele retrato parado no tempo
Que morde por fora, magoa por dentro
Num corpo vazio de tanta ilusão

Mas de repente como um sol depois da chuva
Surgiu a noite transformada em alvorada
Vai p'ró espelho, faz-se bonita
Lábios vermelhos, corpo de chita
Vestido na pressa de quem sai já atrasada
Brilho nos olhos, ar de menina
Livre e rainha, de tresloucada
Saltou p'rá lua, na minha rua na madrugada

Trago o coração à flor da boca
E a sina escrita na palma da mão
Foram tantos anos sem imaginar
O dia sonhado da noite mais louca
Nas ruas da vida com ela a dançar

Despiu a saudade
Sacudiu o pó
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Beladona
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Mensagem Enviada: Dom Nov 17, 2019 22:17     Assunto : Responder com Citação
 
De facto banaliza-se tudo, muitas vezes em prol do que realmente interessa, só pelo status ... Um lindo e muito real poema de Susana Maurício...

Banalizou-se

Banalizou-se...
A Amizade, aquela que é verdadeira e sincera.
"Amigos" e "Amigas" a todos chamam por igual.
"Amizade" assim "nascida", na maioria efémera,
... fruto de um qualquer interesse final, e banal.

Banalizou-se...
O Amor... puro saído da alma, grito de emoção.
Em qualquer das suas formas, ele é tão maltratado,
e para quem tem valores, e vê todos como irmão,
fere, dói... deixa cicatrizes no coração magoado.

Banalizou-se...
O Ser Humano na essência, e os valores que tem,
o que importa é o "embrulho", que cada um apresente.
Status, interesses, dinheiro... é a moda que se mantém,
falsidade, deslealdade é o que importa realmente.

Banalizou-se...
A Vida... maravilhosa e mágica com todo o seu esplendor.
A maioria se centrou no que lhe dá mais prazer,
comprazer os seus egos, mesmo que provoque dor.
Que se lixe... cada um por si... os outros podem morrer.

Não conseguem que banalize...
O valor da Amizade, com lealdade e muita sinceridade.
O valor do Amor, nas suas formas em mim presente.
A Vida e os Direitos do Homem são minha prioridade.
Não ligo a belos embrulhos, verdade em mim assente.

Amigas e Amigos tenho, com valores e belos ideais,
sonhadores, utópicos... chamem-lhes o que quiser.
Loucos até se quiserem, mas nunca superficiais.
Seres Humanos que lutam, por um Mundo melhor...
... e, fazem-no com amor e garra, prontos para Vencer!

Banalizou-se... tudo!
Mas continuo a acreditar...
... que um dia há-de mudar,
e continuarei por isso...a lutar!

©Susana Maurício
2013
(ao abrigo do código do direito de autor)
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