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Beladona
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Local: Algarve
Mensagem Enviada: Dom Mai 17, 2009 23:03     Assunto : Vários números da Revista "Seara Nova" sobre Olivença Responder com Citação
 
De: Dr. Carlos Luna

Revista "Seara Nova", Abril de 1969

(DESCOBERTA POR TEIXEIRA MARQUES)

(A Revista Seara Nova era de oposição ao salazarismo. Vários dos seus
números foram
apreendidos pela polícia política PIDE/DGS. Neste números de Abril de 1969,
há artigos de
Mário Soares (hoje, Partido Socialista), Urbano Tavares Rodrigues (hoje,
Partido
Comunista), e Raul Brandão, por exemplo)
(Há, neste artigo, ALGUMAS INFORMAÇÕES NOVAS, COMO O FACTO DE OS OLIVENTINOS
CIRCULAREM
EM PORTUGAL DURANTE TODO O SÉCULO XIX, DE TER HAVIDO EM LISBOA UM
ADMINISTRADOR DO
CONCELHO DE OLIVENÇA, e outros dados, NOMEADAMENTE SOBRE A ACÇÃO
COLONIZADORA ESPANHOLA))
SEARA NOVA
REVISTA DE DOUTRINA E CRÍTICA
ANO XLVII-n.º 1482
Abril de 1969
Artigo de Pedro da Silveira (Pedro Laureano Mendonça da Siveira; ver
informação sobre o
autor no fim)

A PROPÓSITO DE GIBRALTAR
TAMBÉM HÁ OLIVENÇA

por Pedro da Silveira

(duas gravuras: uma da entrada da Misericórdia de Olivença, com a legenda
«Única
Misericórdia da actual Espanha»; outra geral de Olivença, em que se vê a
Porta do
Calvário, com a legenda «A devolução de Gibraltar a Espanha e a de Olivença
a Portugal
devem marchar a par»)

«Gibraltar, cedida por Filipe V à Inglaterra, pelo Tratdo de Utrecht, tão
diferente em
tudo da nossa Olivença, está sendo discutida nas Nações Unidas, como sendo,
diz a
Espanha, a única colónia existente na Europa!
Mas que dizer de Olivença onde, há pouco mais de seis anos, vimos nas suas
igrejas
(Madalena e Misericórdia) bandeiras espanholas, picadas as quinas das casas
armoriadas,
substituídos nas lápides indicativas das ruas, praças e largos, por nomers
espanhóis os
nomes de ilustres portugueses que se nobilitaram pelos seus feitos e tanto
honraram a sua
terra? Onde, logo que se tratava de portugueses, era proibido que se
tirassem fotografias?
Pergunta-se, onde está a colónia?
Como pode cimentar-se, alicerçar-se uma amizade que assenta na injustiça e
na
ingratidão?
(...)
A honra e a dignidade de um indivíduo, como a de uam Nação, prova-se pelo
cumprimento
daquilo a que se obrigou. Nunca, em verdade, se pode ser amigo de alguèm,
quando se
sente, no coração e na alma, a afronta sofrida.»
(palavras do Coronel de Infantaria RODRIGO PEREIRA BOTELHO, proferidas a
18-11-1965,
in "Olivença", órgão oficial do "Grupo dos Amigos de Olivença", números
9-10, Lisboa,
Junho de 1966)
Pouco falada durante muitos anos, se bem que sempre presente no espírito
dos
Espanhóis, não conformes, seja qual for a sua cor política, com vê-la
amputada do corpo
nacional de Espanha, Gibraltar voltou há alguns anos - e continua - a ser
reivindicada
pelo governo de Madrid. A discussão foi até à O.N.U., calorosa, com
argumentos de parte a
parte que não interessa reproduzirem-se. Bastará dizer-se, recordando o
essencial deles,
que a Grã-Bretanha, de princípio recusando discutir a reivindicação e logo a
seguir
iinvocando o tratado de cedência, nos últimos tempos sobretudo insiste em
que os
Gibraltinos não são espanhóis, que só a vontade deles conta quanto ao
estatuto futuro dos
6 Quilómetros quadradoa da «última colónia na Europa». Nesta ordem de
ideias, foi mesmo
ao ponto de adiantar um referendo. Mas a Espanha, como era de esperar,
repeliu semelhante
solução. Gibraltar, disse o governo de Madrid, foi sujeita, durante os dois
séculos e
meio de ocupação britânica, a uma progressiva desispanização, no sentido de
anular ou
minimizar o peso pró-Espanha da opinião dos descendentes dos habitantes de
1704. Num caso
assim, o referendo seria uma farsa. No entanto, o geverno madrileno, uma vez
tornada
Gibraltar à posse de Espanha, não deixará de considerar o caso especial da
sua população
algo artificial e garantirá aos 30 000 habitantes do "peñon", por estatuto,
uma
autonomia, indo da liberdade religiosa total à liberdade política, ao ensino
bilingue,
etc. Pode a linguagem utilizada não ser como a traduzo aqui. O essencial,
porém, é isto.
Mas o que me importa trazer aqui à luz é outro pequeno caso de
colonialismo, também na
Europa, demasiado esquecido, mas nem por isso mais insignificante que o de
Gibraltar: o
de Olivença.
___________
COM UM POUCO DE HISTÓRIA, PARA MAIOR CLAREZA
___________
Olivença foi portuguesa desde 1228, quando os templários portugueses
conquistaram aos
mouros os campos alentejanos circundantes, para logo de imediato ali
levantarem castelo,
com sua igreja, e uma povoação, núcleo matriz da vila. Sessenta e nove anos
passados, sem
que a terra mudasse de mãos(*), o Tratado de Alcañices, celebrado entre D.
Dinis e
Fernando IV de Castela, pelo qual é ratificada e fixada a fronteira dos dois
reinos,
estabelece que certas povoações com seus termos, entre as quais as
alentejanas de Campo
Maior, Juromenha, Monforte, Olivença e Ouguela, fiquem, sem qualquer
reserva, «para
sempre» incorporadas na Coroa portuguesa, enquanto outras, como Aracena e
Aroche, também
para sempre ficariam de Castela. Ao contrário portanto do que escrevem,
desde o século
passado, historiadores espanhóis, Olivença não nos veio em dote de D.
Beatriz ao casar,
em 1309, com o infante português D. Afonso. A data do Tratdo de Alcañices é
de 12 de
Setembro de 1297. E logo a 4 de Janeiro seguinte D. Dinis concedeu a
Olivença o seu
primeiro foral de vila. O novo foral, de D. Manuel I, é de 1510: três anos
antes de
Olivença, entretanto muito engrandecida, se tornar sede do Bispado de Ceuta.
A
Misericórdia, com seu hospital - única Misericórdia existente em toda a
actual Espanha -,
já fora criada, em 1501.
Morto o cardeal-rei, D. Henrique, em 1508, Filipe II de Espanha fez-se
coroar rei de
Portugal, aqui Filipe I, e estabelece em Lisboa uma junta governativa que
superintenda em
todo o reino. Olçivença continua parte de Portugal, sendo sempre
administrada, durante os
sessenta anos que durou a usurpação, por autoridades portuguesas.
No 1.º de Dezembro de 1640, Lisboa revolta-se e aclama rei o Duque de
Bragança.
Olivença secunda Lisboa quatro dias depois. Até 1657 os Espanhóis
arremeteram-na, sempre
em vão; e quando, a 30 de Maio deste ano, o governador da Praça a entregou,
porque era
impossível continuar a resistência, sucedeu isto: os Oliventinos retiraram
em massa da
povoação, que ficou deserta e a saque, e passaram o Guadiana em busca de
terra portuguesa
livre. Durante onze anos de voluntário exílio sofreram o que se calculará,

regressando, para reconstruírem a sua vila em ruínas, feita a Paz de 1668. E
desde então,
até Maio de 1801, a vida foi ali como a de qualquer outra terra portuguesa.
Durante a
breve guerra de 1762, portuguesa continuara Olivença.
Como intróito ao que se seguirá, convém referir aqui a Guerra do
Russilhão, de fins de
1793 a 1795, ou seja, o período de participação nela do Exército Auxiliar
Português. Foi
uma campanha desastrosa, no decorrer da qual os Espanhóis, retirando para cá
do Tech e
dos Pirinéus, se rendiam enquanto «os portuguezes, por serem fazenda mais
barata»
(palavras de Gomes Freira de Andrade, coronel dum regimento, num ofício ao
General
Forbes), lhes pretavam cobertura até Gerona.
«Ainda que este socorro [do Exército Auxiliar Português] tivesse sido
concedido a
riquirimento da Hespanha, e em conformidade de um ajuste feito com ella» -
lê-se na
Memória apresentada ao Congresso de Viena de Áustria, em 1815, pelos
plenipotenciários de
Portugal -, «com tudo esta Potencia, forçada pelos acontecimentos da guerra,
a encetar
negociações com a Republica Franceza, concluio pouco depois a Paz de
Basileia, sem
comprehender n`este tratado seu alliado, Portugal, e athé sem lhe dar parte
da
negociação, que o Duque de Alcudia, então Primeiro Ministro, que recebeu
n`esta ocasião o
título de Príncipe da Paz, conduzio athé o fim, debaixo do véo do mais
profundo mysterio.
Foi então, principalmente pelo facto do socorro pretado á Hespanha, que a
França se
considerou em estado de guerra com Portugal. Desde então athé 1801, fez a
corte de
Portugal varias tentativas infructuosas, para concluir paz com a França, e
se o
territorio Portuguez não foi desde aquella epocha atacado pelos exercitos
republicanos,
elle não deve isso senão à sua posição geographica, que não deixava entre os
dous estados
ponto algum de contacto».
Não houve ataque dos «exercitos republicanos», mas pelo menos desde 1796
corsários
franceses infestavam a costa portuguesa e o mar dos Açores, fazendo presas e
ameaçando as
ilhas mais ocidentais, pior defendidas. E a 2 de Março de 1801, agora aliada
da França
contra a Inglaterra, a Espanha manda a Portugal um ultimatum - a paz com a
França ou a
guerra com ela! A 20 de Maio dá-se a invasão do Alentejo, várias praças sao
tomadas,
entre elas, no mesmo dia, a mal reparada Olivença, pelo excército
franco-espanhol. Se bem
que a luta prosseguisse, vitoriosa para os portugueses em Trás-os-Montes e
já na frente
de Portalegre onde Gomes Freire ainda a 14 de Junho avança pela Extremadura
espanhola, a
6 deste mês era assinado o Tratdo de Badajoz, com a cedência de Olivença e
seu território
além-Guadiana: cerca de 600 quilómetros quadrados (**), que além da vila,
praça forte,
incluem as freguesias de Vila Real(***), Ramapalha, S. Bento da Contenda, S.
Domingos, S.
Jorge e Táliga, com mais de cinco mil habitantes (hoje entre 20 e 25 mil).
O tratdo de Badajoz, cujas exigências iniciais ainda eram maiores, tanto
que o
plenipotenciário português se recusou a assinar o primitivo texto, não tem
qualquer
validade. Segundo o seu Artigo IX, devia ser ratificado, no prazo máximo de
25 dias, pelo
Primeiro Cônsul da República Francesa, Napoleão Bonaparte. Mas essa
ratificação não se
efectuou. Depois, no concernente à paz por ele estabelecida, tanto a França
como a
Espanha o violaram, com a invasão de 1807. Por essa mesma razão o repudia o
Príncipe
Regente D. João (VI), no seu Manifesto dirigido do Rio de Janeiro a 1 de
Maio de 1808.
No decorrer da última das três invasões francesas ainda Olivença foi
durante curto
período portuguesa, na Primavera de 1811. Em Janeiro a sua guarnição
espanhola rendera-se
às tropas imperiais (francesas). A 15 de Abril, uma força portuguesa tomou
de assalto a
praça, deixando-a guarnecida por um regimento de infantaria e um
destacamento de
artilharia. Por ordem de Beresford, voltou à posse dos Espanhóis, prometendo
Wellesley
que, feita a paz geral, seria restituída a Portugal.
______________
OUTRO POUCO DE HISTÓRIA IGUALMENTE INSTRUTIVA
______________
Como se viu atrás, o Tratado de Badajoz, não ratificado pelo Primeiro
Cônsul da
República Francesa - Bonaparte, pouco depois Napoleão I -, e depois violado
unilateralmente, mercê da invasão franco-espanhola de 1807, nenhuma validade
jurídica
tem. mas há mais, da parte de Espanha.
Em 1810, o Tratado de Cádiz, assinado entre Portugal e Espanha, estatui
(Artigo IV)
que «a cidade de Olivença, seu território e dependências sejam reunidos de
novo à Coroa
de Portugal». Mas o governo espanhol nunca cumpriu a letra deste artigo do
tratado!
Em 1814, terminada a guerra contra Napoleão e reunidas em Paria as
Potências
europeias, a 30 de Maio resolvem, pelo artigo III adicional ao tratado
assinado por
todas, declarar «nulos todos os tratados, convenções e actos concluídos
anteriormente à
guerra especialmente os tratdos assinados em Badajoz e Madrid em 1801». Mais
uma vez o
governo espanhol faltou ao que aceitara|
No ano seguinte, as Potências tornam a reunir-se, no Congresso de Viena,
estando
representados Portugal e Espanha. O Artigo CV (105) do Acto Final do
Congresso reconhece
os direitos de Portugal sobre Olivença e as nações representadas obrigam-se
a empregar
«os seus esforços mais eficazes, a fim de que se efectue a retrocesão dos
ditos
territórios em favor de Portugal». Dois anos depois, a 7 de Maio de 1817, um
plenipotenciário espanhol assina em Paris, em Paris, em nome do seu rei, o
tratdo de
Viena - «reconhecendo assim a Espanha os direitos de Portugal sobre
Olivença, e
obrigando-se a restituí-la». Mais outra vez, o convencionado não se cumpriu.
Ainda em 1818, depois de disputas várias entre Portugal e a Espanha
derivadas da
intervenção portuguesa contra Artigas, no Uruguai, as Potências da Santa
Aliança redigem
(Agosto) o projecto de um tratado com uma convenção entre as duas nações. O
representante
espanhol declarou então «que a sua Corte estava na determinação de restituir
a Portugal a
vila de Olivença e os seus territórios». Palavras!
Perturbações bem conhecidas da vida dos dois Estados peninsulares não
permitiram,
desde 1826, que a questão de Olivença voltasse à discussão. Mas já em 1835,
com o regime
liberal no poder em Portugal, realizam-se conferências entre os ministros
português duque
de Palmela e espanhol Alvarez y Mendizabal, insistindo o português no
cumprimento do
tratdo de Viena e prometendo o espanhol «promover no seio do gabinete de que
faz parte o
bom resultado da reclamação, por a julgar procedente». Ainda palavras!
É certo que desde aí Portugal não voltou a insitir com a Espanha pelo
cumprimento dos
tratados que a obrigavam. Tanto assim que em 1874 um historiador que de
Olivença não
cuidava, o açoriano Macedo, punha na sua "História das quatro ilhas que
formam o Distrito
da Horta" esta nota, suscitada pela chegada ao Faial em Janeiro de 1801
[deve tratar-se
de 1802] da notícia do Tratado de Badajoz: «Foi este tratado assignado em
Badajoz,
ficando em poder dos espanhoes a praça d`Olivença em refens do cumprimento
da nossa
parte, e que nos devia ser restituída apenas terminada a lucta; mas não o
foi por
incuria» (vol I, pág. 288). Errada na primeira parte, quase se ajusta na
conclusão: à
falta de palavra dos governos de Espanha, deve efectivamente somar-se a
falta de
insistência dos portugueses, mesmo sabido que a data de 1385 [erro evidente:
trata-se de
1835], para a última evidente reclamação, coincide com o início de um
período assaz
perturbado, do Liberalismo luso. Que Olivença, porém, continuava a ser tida
como
portuguesa, tanto por governos como por governados, provam-no, além das
intervenções de
Palmela no Senado em 1840-41, os mapas de Portugal do século XIX (e aindo o
dum atlas
adoptado no ensino depois de 1910): em muitos o termo de Olivença é marcado
como sob
ocupação.
Por outro lado, durante a Monarquia Liberal como na I República os
Oliventinos
circularam em Portugal e o habitaram com direitos de cidadania iguais aos
dos outros
portugueses. Também chegou a haver (até quando?), no Ministério hoje dito do
Interior, um
funcionário com o título simbólico de administrador do Concelho de Olivença.
Em 1911, no Primeiro Senado da República, Ramos da Costa tornou a levantar
a questão
do concelho irredento, com palavras que bem merecem reedição. Mas entretanto
e até agora
lá se vai processando em Olivença o que o Dr. António Bartolomeu Gromicho,
em 1962,
chamou sem rodeios «desaportuguesamento persistente».
______________
EM CONCLUSÃO
______________
A questão de Gibraltar tem sido discutida na O.N.U.. Em Portugal têmo-la
seguido, quer
através do noticiário dos jornais, quer pelas notas que a Embaixada de
Espanha por
diversas vezes também fez aparecer, para nossa melhor elucidação, na
imprensa de Lisboa.
E, salvo decerto certos raros casos de anglofilia fanática, pode dizer-se
que todos os
portugueses, mesmo os não simpatizantes do governo actual de Espanha,
admitem a justeza
da reivindicação. Por outro lado, também sabemos que ela tem história que
remonta a muito
antes de 1939, sustentada que foi tanto pela Monarquia borbónica como pela
República
nascida das eleições de 12 de Abril de 1931, embora sem o aparato de hoje em
dia. Os
tempos não se pretavam...
A questão de Olivença, pelo contrário, nunca modernamente recebeu
oficialização maior
que a decorrente do estabelecido, desde 1952, nas reuniões da Comissão
Internacional de
Limites Luso-Espanhola. Em 1959, ano da terceira reunião, ficaram por
colocar os marcos
delimitadores no trço de raia fronteiro ao concelho irredento, aguardando
Portugal que a
Espanha resolvesse pronunciar-se (****). Até agora, continuámos à espera.
Mas então?
Pelo que anteriormente se viu, o pleito de Gibraltar não se pode desligar
inteiramente
da causa adiada de Olivença. A Grã-Bretanha, com efeito, é ré em ambos os
casos: no
nosso, pela letra do artigo secreto dos preliminares de paz com a França de
1 de Outubro
de 1801, mantida no artigo 7.º do tratado de Amiens, de 1802; e assim sendo
- e com tudo
o mais! -, resta, para concluir, desejar-se que ambas as questões, a da
devolução de
Gibraltar à Espanha e a da de Olivença e seu termo a Portugal, marchem a
par; que não se
resolva aquela, sem que esta também se resolva. Tanto melhor se para isso,
no caso de
Olivença, não haja que levar-se o pleito a assembleias mais internacionais
que a Comissão
Internacional de Limites Luso-Espanhola, antes o resolvendo por acordo de
país com país -
sempre eentendido, aquém e além Guadiana, que não deve ser unilateral a boa
vizinhança
nem o respeito da letra dos tratdos assinados.
P. de S.
Pedro da Siveira

NOTA (do original)-è muito vasta a bibliografia oportuguesa sobre Olivença,
até 1946
compendiada pelo oliventino Ventura Ledesma Abrantes numa "Cronologia
Histórica e
Bibliográfica da Vila de Olivença", inserta no «Boletim da Sociedade de
Geografia de
Lisboa», 64.ª Série, n.º 5 e 6, de Maio e Junho do mesmo ano. O órgão do
«Grupo dos
Amigos de Olivença», "Olivença", de publicação irregular, também é rico de
ensinamentos.
quanto a livros, sobressaiem: "Olivença", por Gustavo de Matos Sequeira e
Rocha Júnior,
Lisboa, 1924; e "como perdemos Olivença", por Queirós Veloso, com duas ed.,
Lisboa, 1932
e 1939. Em equação com a de Gibraltar, a reivindicação foi já abordada em
1863(1963?) por
Estácio da Veiga, no opúsculo "Gibraltar e Olivença - Apontamentos para a
história da
usurpação destas duas praças".


______________________
(*) informação incorrecta, pois Olivença mudou de mãos, para Castela, pelo
menos a partir
de 1267, se não antes. É mesmo provável que os Templários que chegaram a
Olivença em 1228
viessem de Leão.
(**) na verdade, 454 quilómetros quadrados.
(***) Vila Real pertencia ao então Concelho de Juromenha, e não a Olivença.
(****) várias fontes, nomeadamente manuais escolares de Geografia de 1974 e
1975, afirmam
ter a parte espanhola ter reconhecido as razões de Portugal. Olivença
aparece mesmo
integrada no território deste.

_____________________

INFORMAÇÃO SOBRE O AUTOR
Pedro Laureano Mendonça da Silveira (Fajã Grande, 5 de Setembro de 1922 —
Lisboa, 2003),
mais conhecido por Pedro da Silveira, foi um poeta, crítico literário e
investigador, com
vasta colaboração dispersa em periódicos e revistas. Fez parte do conselho
de redacção da
revista Seara Nova (até 1974) e é autor de várias obras de poesia e de
recensão
literária, estreando-se com o livro A Ilha e o Mundo (1953). É autor de duas
antologias
de poetas açorianos, a primeira das quais com um prefácio em que autonomiza
a literatura
deste arquipélago em relação a todas as outras literaturas de expressão
lusófona.
Integrou a comissão de gestão Biblioteca Nacional de Lisboa, da qual se
aposentou como
director dos Serviços de Investigação e de Actividades Culturais.


__________________________________________________ ______________________________
TEXTO ACTUAIS:

Jornal "I", ionline, www.ionline.pt, 13-Maio-2009 (pelas 17: 00 horas)
Data: Wed, 13 May 2009 17:16:04 +0100 [13-05-2009 17:16:04 WEST]

Visite Portugal ao Sul de Badajoz

Publicado em 13 de Maio de 2009

Tantas vezes se vai a Badajoz. E, no deslumbramento do consumismo e da
pseudo-modernidade, nem se procura mais nada a não ser "calles"
concorridas e grandes centros comerciais...iguais em todo o mundo.


Se vamos a Badajoz... pelo menos examinemos o mapa. A vinte
quilómetros ao sul está algo de diferente. Também se pode ir de Elvas
a esse "algo", pela Ponte da Ajuda, sem passar pela dita Badajoz.
Mas... fiquemo-nos pela primeira hipótese, e encontraremos uma cidade
de pouco mais de 10 000 habitantes. Chama-se Olivença, portuguesa sem
contestaçãos entre 1297 e 1801. Constitui um pomo de discórdia entre
Lisboa e Madrid, já que Portugal reivindica a Região. Algo pouco
dramático numa Europa comunitária, e que por isso mesmo causa
estranheza ser relativamente pouco falado.
Olivença surpreende. Convém ir de manhã. O acervo monumental é
estonteante. Todo português. Uma catedral manuelina (Santa Maria
Madalena), que poucas vezes é referida.Um palácio dos Duques de
Cadaval, com uma Porta Manuelina, entrada da Câmra Municipal. Uma
Igreja da Misericórdia (só aberta de manhã). Uma Igreja "maneirista"
(Santa Maria do Castelo). Um castelo dionisino, que abriga um
incrivelmente rico museu etnográfico. Uma Torre de Menagem, da época
de D. João II, que já foi a mais alta de Portugal. Um Convento de São
João de Deus. Uma muralha seiscentista/setecentista, com uma Porta em
mármore (Porta do Calvário). A pequena Igreja de N. S. da Conceição. O
Convento de São Francisco. Um Quartel do Século XVIII (Centro de
Saúde). Velhas ruas de traça portuguesa meridional. Um mundo rural
alentejano, onde se fala mais português do que na sede do município.
Uma aldeia, Táliga, que já se separou (1850) da sus sede oliventina.

Pode crer que conhecerá algo diferente. Sem paralelo. Ao contrário dos
hiper-mercados...

__________________________________________________ _______

QUIOSQUE AEIOU (Digital), 14 de Maio de 2009

Olivença...para quando o seu regresso à Patria Mãe?

por Henrique Neto(empresário; durante muito tempo ligado ao Partido
Socialista)

Numa altura em que as fronteiras fisicas deixaram de existir à alguns anos,
Portugal é o
unico País da Europa cujas fronteiras administrativas não estão totalmente
definidas...sendo Olivença o "culpado" por esta situação!

Mas para falar de Olivença temos que ir à origem da fundação de Portugal,
que viu
reconhecida a sua Independência em 1143 com a Assinatura do Tratado de
Zamora. Tendo em
1249 "chegado" às "actuais" fronteiras...com Olivença a ser reclamada por
Portugal e
Espanha.

Mas vamos aos factos: O Tratado de Alcanizes de 1297, estabelecia Olivença
como parte de
Portugal. Em 1801, através do Tratado de Badajoz, que foi denunciado pelo
nosso País, o
território foi anexado a Espanha. No entanto, em 1817 a Espanha reconheceu a
soberania
portuguesa, subscrevendo o Congresso de Viena de 1815, comprometendo-se a
devolver o
território o mais rapidamente possivel. Porém, até aos dias de hoje, tal
ainda não
aconteceu.

Será que essa devolução irá ter lugar algum dia? Com o andar da carruagem,
duvido que
isso aconteça nos séculos mais próximos...

Henrique Neto, Sexta 1, às 20:20
________________________________

Hoy, Badajoz, 12 de Maio de 2009

JOSÉ ANTONIO ROCAMORA | INVESTIGADOR Y PROFESOR DE HISTORIA

«Una alumna portuguesa me dijo que moriría por Olivenza»

A. GILGADO| BADAJOZ

El profesor, durante su conferencia de ayer. / MAVI

AULA HOY

Autor: José Antonio Rocamora. Investigador y profesor de Historia
Contemporánea de la
Universidad de Alicante

Título:
El Iberismo. Un viejo proyecto para unificar la Península
Lugar: Esta tarde a las 20.30 en el Hotel Husa Zurbarán de Badajoz

«Hay que entender el iberismo como una corriente de unión y cooperación»
El investigador repasa en Aula HOY los intentos de unificación entre España
y Portugal
España y Portugal pudieron formar matrimonio. La historia está plagada de
intentos por
casarlas. Pero el Iberismo, movimiento que aboga por la unión de los dos
estados, nunca
cristalizó. José Antonio Rocamora repasa estos episodios en Aula HOY. Hoy en
Badajoz, y
ayer lo hizo en Cáceres.
-¿Cómo se puede entender el nacionalismo entre dos países diferentes?
-Tenemos que entender el sentimiento de unión entre España y Portugal como
una corriente
nacionalista diferente al nacionalismo que vemos en la actualidad. No todos
los
nacionalismos hablan de la diferenciación dentro de un Estado. Como
referencia histórica
nos podríamos situar en los procesos que se llevaron a cabo en Alemania o
Italia.
Pequeños nacionalismos que aspiraron a un estado mayor.
-¿La idea de unificar España y Portugal siempre ha existido?
-Decir que el nacionalismo ha existido siempre es un error. En realidad
estaríamos
hablando de un fenómeno histórico reciente. Sus orígenes estarían en la
Revolución
Francesa. A partir de esta época ya se empieza a hablar de la creación de un
estado
ibérico. Otro momento fluye a partir de las pérdidas de las colonias de
ambos países.
Tanto el imperio español como el portugués entran en recesión y, en ambos
países, surge
una corriente que vuelve a retomar la necesidad de que la unión entre los
dos países les
haría más fuerte en el nuevo contexto internacional. Más tarde, en el siglo
XIX, la
creación de Alemania, Italia, pone de manifiesto que el iberismo puede ser
posible.
-¿Ayudaron otros nacionalismos?
-En realidad, el verdadero impulsor del iberismo en el siglo XX es el
nacionalismo
catalán. Sus principios originarios configuraban la nación a partir de una
lengua. Por
eso dividía la Península Ibérica en tres naciones. Portugal y Galicia, una
gran Castilla
y Cataluña. Desde su punto de vista conceptual es coherente. Otra cosa es
que sus
postulados sean o no compartidos.
-¿La llegada de la democracia afectó al desarrollo del iberismo?
-Antes de eso, en la Guerra Civil, se destierra del todo el iberismo. En la
transición
también se retoma el tibio interés. Ambos países atraviesan por
circunstancias similares:
la Revolución de los Claveles en Portugal, y la pérdida del Sáhara en
España. También es
destacable en esta época un empuje cultural: el libro de Saramago 'La Balsa
de piedra',
es una novela con un contenido iberista. Pero son empujes muy tímidos.
-¿Por qué nunca llegó a cristalizarse?
-La principal causa quizá se explique por lo difícil que resulta la unión de
dos estados
tan distintos, tan asimétricos. Los casos de Alemania e Italia es que
partían de estados
muy pequeños e iguales. Otro elemento a tener en cuenta es la diferente
percepción que se
tenía en ambos países del iberismo. En Portugal se veía algo así como un
grande que
quiere acechar a un pequeño. Existían muchas reticencias a España y se creó
un
sentimiento antiespañolista. Es decir, si España y Portugal hubieran sido
más iguales,
hubiera resultado más fácil. Y, por supuesto, hizo falta políticos
dispuestos a asumir
riesgos. Por ejemplo, el Rey de Saboya, cuando quiso unir Alemania, podía
haberse quedado
sin trono y aún así lo intentó.
-¿Ese sentimiento se da todavía?
-Tengo una alumna en Alicante que dice que estaría dispuesta a morir por
Olivenza. Esto
explica que la escuela ha servido para fomentar este sentimiento
nacionalista contra los
españoles. Pero el iberismo es otra cosa. Se trata de un sentimiento de
unión, de
cooperación y de proyectos en común entre ambos países.
-El tema parece olvidado.
-A día de hoy no hay ninguna fuerza política ni ningún partido que abogue
por esta
creación de estado entre España Portugal. Se trata ya de una idea
desterrada. A pesar de
la tradición cultural que tiene. Figuras tan destacadas como Saramago,
Pessoa o Camoes
guardan un sentimiento iberista. De hecho, cuesta difícil entender a
Saramago como un
autor extranjero.
-La Unión Europea no puede ser un impulso a este viejo proyecto de unir
España y Portugal?
-La Unión Europea ya aboga por esta cooperación ibérica entre ambos países.
Pero es
cierto que en Portugal también existe la idea de que la cooperación con
España acabe
desvaneciendo la personalidad de Portugal en la Unión Europea. Pero también
es cierto que
el intercambio comercial, económico (que se nota mucho en Extremadura) entre
ambos países
contribuye a ahuyentar esos miedos. De cualquier modo, sólo el 30 por ciento
de los
portugueses manifiesta su interés por una creación de un estado ibérico. Es
decir, hay un
70 por ciento que no lo apoya.
-Pero los lazos dentro de la Unión Europea se estrechan. Quizá esto
beneficie en un
futuro.
-No se puede hablar de lo que pasará en el futuro. Podemos entender que esta
unión
política y económica en el marco de la Unión Europea vaya a más y nos
topemos de bruces
con un estado ibérico en la práctica. También puede pasar todo lo contrario.
A lo mejor,
en un futuro, los portugueses temen que se diluya su personalidad dentro de
la Unión
Europea y se alejan de España. El sentimiento nacionalista por tanto se
queda caduco.Y
por último, también puede ocurrir que el sentimiento europeo se convierta en
un
nacionalismo propio. Enterrando así el iberismo como movimiendo
nacionalista.


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HOY, BADAJOZ, 13 de Maio de 2009

conocidos por modernizar la música folklórica

Acetre (GRUPO DE OLIVENZA) es elegido el segundo mejor grupo folk español
por la crítica
especializada
Los músicos extremeños comparten clasificación con Kepa Junquera y son
conocidos por
haber modernizado la música folklórica

MERCEDES BARRADO TIMÓN
| BADAJOZ

José Tomás Sousa (de Olivenza,segundo por la izquierda) y el resto de los
músicos del
destacado grupo.

Su versión de 'La alborada del Jarramplás' ha sido alabada
Están en lo más alto del folk nacional. Una encuesta entre especialistas
realizada por la
revista Interfolk sobre los mejores grupos folklóricos de los diez últimos
años en
nuestro país sitúa a Acetre en el segundo puesto del ranking, tan sólo
detrás de Eliseo
Parra y ex aqueo con Kepa Junkera y Mercedes Peón. Detrás de ellos, nombres
tan
importantes como La Musgaña o Berrogüetto.
A esta clasificación, se une que también se ha seleccionado un tema de
Acetre para un CD
conmemorativo editado con motivo del aniversario de la revista. El tema
elegido es 'La
alborada del Jarramplas', en la versión que Acetre realizó para su disco
'Canto de
Gamusinos'.
La decisión de la revista ha sido recibida con sorpresa y con alegría en el
grupo, en el
que José Tomás Sousa hace labores de portavoz para recordar que esa alborada
del
Jarramplás se grabó en 1997.
El origen de la canción es antiquísimo, aunque sin que se pueda precisar el
mismo. Acetre
conservó la melodía pero realizó unos arreglos adecuados a los objetivos
musicales del
grupo. Con el tiempo, su versión ha ido imponiéndose y es, por ejemplo, la
que cantan las
rondas de otro pueblo con larga tradición folklórica: Villanueva de la Vera.
«Nos encanta
ir a Piornal porque nos quieren y nos tienen endiosados; nos invitan y nos
hacen la ola»,
dice José Tomás Sousa. Acetre ha modernizado la tradición folklórica
extremeña sin
limitarse sólo a la Raya, a pesar de ser de Olivenza y haber recogido las
esencias de la
cultura musical hispano-portuguesa. De hecho, han sido considerados ejemplo
del llamado
'Folk bilingüe', pero ellos dicen que actúan más en la provincia cacereña
que en la
pacense.
Sousa explica que Acetre obedece a la costumbre de hacer folklore en grupos
con un buen
número de integrantes, como ocurre con las rondas populares. Acetre ha
incorporado la
sonoridad casera del folklore que habitualmente surgía en las cocinas, en
torno al ruido
de los menajes populares.
De hecho, han llegado a utilizar la percusión de un dedal con el que hacer
vibrar la
parte posterior de una modesta sartén. Y también la flauta extremeña,
definida por García
Matos como 'la flauta de tres agujeros', una denominación que José Tomás
Sousa gusta de
usar.
Modernización
Este fue el sonido de los primeros años de Acetre, que al tiempo comenzó a
introducir en
sus arreglos sones de teclados, de bajos eléctricos, violines o
peculiaridades de las
formaciones jazzísticas. Pero fue a partir de 1997 cuando el grupo decidió
derivar hacia
trabajos más creativos, porque, según Sousa, de otro modo «la música se
queda en el
museo».
José Tomás Sousa cree que los músicos tienen una responsabilidad importante
en la futura
evolución del folklore porque ahora están bien preparados para esta tarea y
tienen acceso
a las músicas que se hacen en todo el mundo.
Acetre, que sigue moviendo por los escenarios su último trabajo,
'Dehesario',del 2007,
actuará en julio próximo en el Womad del Reino Unido y en el Festival de las
Músicas del
Mundo de Sinnes.
 
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