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Índice do Fórum : Olivença
TEXTOS DE TODO UM MÊS

Beladona
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Local: Algarve
Mensagem Enviada: Dom Set 20, 2009 17:36     Assunto : TEXTOS DE TODO UM MÊS Responder com Citação
 
De: Dr. Carlos Luna, <carlosluna@iol.pt>
Data: 2009/9/15

TEXTOS DE TODO UM MÊS

REvista "Notícias de Sábado", (supl. grat. Diário de Notíciase Jornal de
Notícias),
12-Setembro de 2009
TGV
(...)No dia 1 de Setembro, numa reunião em Elvas entre autarcas portugueses
(Alandroal,
Arronches, Borba, Campo Maior, Crato, Elvas, Estremoz, Évora, Gavião,
Portel, Redondo,
Reguengos de Monsaraz, Vila Viçosa) e espanhóis
(Cáceres, Mérida, Plasencia, Olivença e Lobón) para apoiar o TGV, Angel
Calle, de Mérida,
em representação dos alcaides espanhóis, afirmou, entre outras coisas, que
«os acordos
internacionais são para cumprir(...)».
Ora, há algo nesta indignação que soa a contradição flagrante. Na verdade,
todos estes
dirigentes políticos parecem esquecer-se de que, para Portugal, há um acordo
internacional não cumprido pela Espanha (1814-1815-1817), segundo o qual
Olivença deveria
ter voltado à posse de Portugal. Razão porque o Estado Português não aceita,
até hoje,
que Olivença seja território juridicamente espanhol. Curiosamente, em
relação à obrigação
da devolução, e talvez como ironia suprema face ao que está a acontecer,
houve até quem
já escrevesse que a Espanha só teria uma obrigação moral,
portanto não claramente vinculativa.
Será que todos estes autarcas e políticos em geral têm consciência de como
soam a
falaciosos, neste contexto, alguns dos seus argumentos?
Conheço alguns deles. Penso serem pessoas de bem, e dirigentes que fazem o
que podem
pelos seus povos, e até que querem mesmo promover a amizade com Portugal.
Não questiono
esse aspecto, nem os inúmeros argumentos económicos a favor do TGV. Talvez
apoie, ou não,
alguns deles.
Mas, por favor, não usem demasiado o argumento do respeito por tratados
internacionais. Não lhes fica bem.
Estremoz, 02 de Setembro de 2009
Carlos Eduardo da Cruz Luna

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LINHAS DE ELVAS, 10 de Setembro de 2009
ENTRE A PONTE DA AJUDA E ESTREMOZ, CAVALGAR, CAVALGAR
(quatro fotografias)
O Regimento de Cavalaria 3 (RC3/Dragões de Olivença) organizou, nos dias 8
e 9 de
Setembro (de 2009), uma marcha a cavalo entre a Ponte da Ajuda e Estremoz. A
iniciativa,
integrada nas comemorações dos 302 do RC3, contou com a participação de 30
conjuntos,
oriundos de diferentes unidades do Exército e da GNR.
Com um percurso de cerca de 80 quilómetros, a marcha foi dividida em
quatro etapas,
realizando-se duas em cada dia. A primeira ligou a Ponte da Ajuda a Vila
Boim, com
passagem pelo Museu Militar de Elvas.
Nas instalações do antigo Regimento de Infantaria N.º 8, os participantes
homenagearam
o patrono da Arma de Cavalaria, Mouzinho de Albuquerque, com a deposição de
flores e o
descerramento de uma lápide alusiva à passagem da marcha.
De realçar a presença do comandante da Instrução e Doutrina do Exército,
tenete-general Maia de Mascarenhas, nesta cerimónia, assim como no início da
marcha, na
Ponte da Ajuda.
Após um breve período de descanso, a comitiva prosseguiu o seu caminho até
Vila Boim,
de onde partiu a segunda etapa rumo à Serra de Aires. A noite foi passada no
campo, e, no
dia seguinte, cavalos e cavaleiros arrancaram em direcção a Borba. A marcha
só terminou
com a chegada a Estremoz.
De acordo com o comandante do RC3, coronel de Cavalaria Pedro Fonseca
Lopes, esta
iniciativa "pretende ser uma evocação histórica da unidade desde a sua
criação em
Olivença até à actualidade em Estremoz" e "é feita sempre que o Regimento
comemora o seu
aniversário". "É uma tradição que já tem sete anos", precisou.
Ainda segundo o mesmo responsável, "normalmente a marcha começa perto de
Olivença (*),
uma vez que o RC3 nasceu "naquela cidade".
As comemorações dos 302 anos do RC3 prosseguem este fim-de-semana com
diversas
actividades no Rossio, entre as quais volteio a cavalo, exposição estática e
tenda de
tiro. O ponto alto do programa de aniversário é a cerimónia militar que
assinala o Dia da
Unidade, a qual terá lugar na próxima Terça-feira, 15 de Setembro, no centro
de Estremoz.
No mesmo dia será inaugurada uma exposição de pintura de artistas militares,
que ficará
patente no Palácio Reynolds até 18 de Outubro.
O passeio de BTT na Serra d'Ossa, agendado para Quarta-feira, dia 16, e o
percurso
urbano de orientação em Estremoz, marcado para 30 de Setembro, ambos abertos
à
participação de civis, são outros dos eventos que fazem parte do programa
comemorativo do
302.º aniversário do RC3
Nuno Barraco
(*)Eis algo um pouco insólito. Será que o RC3 realizou marchas a partir de
território
oliventino? Quem autorizou? Que fins tinha? Que interpretação se poderá dar?

-------------------

Jornal "DESPERTADOR", Elvas, 09-Setembro-2009 (dois textos)
(primeiro)
ESTRANHOS ARGUMENTOS EM TORNO DO TGV
Não é intenção deste artigo de opinião emitir juízos sobre a construção,
ou não, do
TGV (Madrid-Badajoz-Elvas-Lisboa), da sua oportunidade, ou outras
considerações. Para
isso, muito se tem escrito e escreverá, e será óptimo que a opinião pública
esteja o mais
esclarecida possível.
Há, todavia, um aspecto que deixa qualquer conhecedor de um mínimo de
História das
relações luso-espanholas algo perplexo. Na verdade, declarações de
dirigentes espanhóis,
principalmente do Presidente da Extremadura espanhola, não podem deixar, no
mínimo, de
fazer sorrir alguns portugueses.
Assim, Guillermo Fernández Vara (natural de Olivença) diz não acreditar
que Portugal
desista do TGV, «rompendo o acordo entre os dois países», pois trata-se de
um
«compromisso internacional»; acrescenta que «Portugal, à semelhança dos seus
dirigentes
políticos, é um país sério que sabe até onde tem de caminhar para preparar o
futuro(...)».
Comentaristas de jornais espanhóis opinam que Portugal não honrará os seus
compromissos se desistir do TGV, e que mesmo em termos morais tal atitude é
criticável.
No dia 1 de Setembro, numa reunião em Elvas entre autarcas portugueses
(Alandroal,
Arronches, Borba, Campo Maior, Crato, Elvas, Estremoz, Évora, Gavião,
Portel, Redondo,
Reguengos de Monsaraz, Vila Viçosa) e espanhóis
(Cáceres, Mérida, Plasencia, Olivença e Lobón) para apoiar o TGV, Angel
Calle, de Mérida,
em representação dos alcaides espanhóis, afirmou, entre outras coisas, que
«os acordos
internacionais são para cumprir(...)».
Ora, há algo nesta indignação que soa a contradição flagrante. Na verdade,
todos estes
dirigentes políticos parecem esquecer-se de que, para Portugal, há um acordo
internacional não cumprido pela Espanha (1814-1815-1817), segundo o qual
Olivença deveria
ter voltado à posse de Portugal. Razão porque o Estado Português não aceita,
até hoje,
que Olivença seja território juridicamente espanhol. Curiosamente, em
relação à obrigação
da devolução, e talvez como ironia suprema face ao que está a acontecer,
houve até quem
já escrevesse que a Espanha só teria uma obrigação moral,
portanto não claramente vinculativa.
Será que todos estes autarcas e políticos em geral têm consciência de como
soam a
falaciosos, neste contexto, alguns dos seus argumentos?
Conheço alguns deles. Penso serem pessoas de bem, e dirigentes que fazem o
que podem
pelos seus povos, e até que querem mesmo promover a amizade com Portugal.
Não questiono
esse aspecto, nem os inúmeros argumentos económicos a favor do TGV. Talvez
apoie, ou não,
alguns deles.
Mas, por favor, não usem demasiado o argumento do respeito por tratados
internacionais. Não lhes fica bem.
Estremoz, 02 de Setembro de 2009
Carlos Eduardo da Cruz Luna

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(segundo)
ESPANHOL, NÃO! HOLANDÊS OU DINAMARQUÊS, SIM!
Li atentamente o texto de um dos muitos colaboradores da nossa imprensa em
geral sobre
as diferenças entre
Portugal e Espanha, pelo tom quase primitivo utilizado, ao comparar, quase
exaustivamente, preços e ordenados dos dois paises, acusando também as
elites portuguesas
(em que se incluíam toos os funcionários públicos!!) a serem as únicas a
querer manter
Portugal independente para manterem a exploração dos indígenas. Pelo menos,
não se lhe
pode negar sinceridade.
Costumo dizer que, nesta história da atracção de alguns portugueses por
Espanha,
apesar das roupagens "culturais", sempre surge o factor económico mais
comezinho. Por
outras palavras, comparam-se preços e ordenados... e dispõem-se alguns a
abdicar de tudo
(liberdade, cultura, história). Não resisto a citar Einsenhower, presidente
dos Estados
Unidos na década de 1950: «...quando, em nome de privilégios, abdicamos de
princípios,
acabamos por ficar sem os dois».
Muitos parecem esquecer que as economias são conjunturais. Também Portugal
já tem
estado melhor que Espanha, que tem tido as suas crises. Aliás, actualmente,
é isso que se
verifica...com maior profundidade do que em Portugal.
Os que vêm com salários e preços fazem como aqueles espanhóis que dizem
que a língua
portuguesa, por ser menos importante que a espanhola, devia ser substituída
por esta.
Esquecem-se que estão a dar razões para que os portugueses passem a falar
inglês.
Quando se argumenta na lógica económica, esquece-se que há países como a
Holanda, a
Suíça, a Bélgica, os a Dinamarca, duas ou três vezes menores que Portugal,
e, portanto,
dez a doze vezes menores que a Espanha, onde se ganha quase o dobro do que
sucede nesta.
Afinal, que país é a Espanha, tão grande, que deixa que estas pequenas
nações tenham um
nível de vida muito superior ao seu?
Se tiver de decidir o meu futuro a vender-me a outros, prefiro ser holandês
ou
dinamarquês. Espanhol revela ignorância pelos níveis de bem-estar europeus,
e muita falta
de imaginação!!!
Mais uma vez o digo e escrevo: espanta-me que haja quem imagine que em
Espanha não há
corrupção em geral
e política em particular. Isso não sucede em parte nenhuma do Mundo. Os
espanhóis
costumam dizer que, se não fosse pelas roubalheiras dos seus políticos, a
Espanha seria o
país mais desenvolvido do mundo!!!
Poderia acrescentar mais argumentos, como a diferença de mentalidades.
Neste campo,
digo apenas que, neste campo da "lamúria" e da inveja, revelamos que somos
bem
portugueses. Os espanhóis defendem-se, escondendo o que têm de mau perante
terceiros.
E... não se imagine que a imprensa espanhola daria cobertura a tantas cartas
derrotistas
como faz a imprensa espanhola.
Este último argumento é reforçado e demonstrável num local de que
inevitavelmente se
tem de falar: Olivença. Nesta cidade, a destruição da memória continua,
apesar da
Demacracia existir em Espanha desde 1975. Há alguns esforços locais contra
tal, mas a
nível de autoridades a resposta é mínima. Nenhum livro (Oficial) de Estudo
revela, e
muito menos aos oliventinos, não só as discordâncias entre Lisboa e Madrid a
respeito do
território, mas a simples (?) e "corriqueira" História, ao longo dos
séculos, da
localidade, entre 1297 e 1801, quando foi portuguesa sem contestação... e
isto apesar de
todos os seus monumentos evidenciarem a presença lusa!!!
Estremoz, 21 de Agosto de 2009
Carlos Eduardo da Cruz Luna

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REVISTA «FOCUS», 09-Setembro-2009//ESTRANHOS ARGUMENTOS EM TORNO DO TGV
Não é intenção deste artigo de opinião emitir juízos sobre a construção,
ou não, do
TGV (Madrid-Badajoz-Elvas-Lisboa), da sua oportunidade, ou outras
considerações. Para
isso, muito se tem escrito e escreverá, e será óptimo que a opinião pública
esteja o mais
esclarecida possível.
Há, todavia, um aspecto que deixa qualquer conhecedor de um mínimo de
História das
relações luso-espanholas algo perplexo. Na verdade, declarações de
dirigentes espanhóis,
principalmente do Presidente da Extremadura espanhola, não podem deixar, no
mínimo, de
fazer sorrir alguns portugueses.
Assim, Guillermo Fernández Vara (natural de Olivença) diz não acreditar
que Portugal
desista do TGV, «rompendo o acordo entre os dois países», pois trata-se de
um
«compromisso internacional»; acrescenta que «Portugal, à semelhança dos seus
dirigentes
políticos, é um país sério que sabe até onde tem de caminhar para preparar o
futuro(...)».
Comentaristas de jornais espanhóis opinam que Portugal não honrará os seus
compromissos se desistir do TGV, e que mesmo em termos morais tal atitude é
criticável.
No dia 1 de Setembro, numa reunião em Elvas entre autarcas portugueses
(Alandroal,
Arronches, Borba, Campo Maior, Crato, Elvas, Estremoz, Évora, Gavião,
Portel, Redondo,
Reguengos de Monsaraz, Vila Viçosa) e espanhóis
(Cáceres, Mérida, Plasencia, Olivença e Lobón) para apoiar o TGV, Angel
Calle, de Mérida,
em representação dos alcaides espanhóis, afirmou, entre outras coisas, que
«os acordos
internacionais são para cumprir(...)».
Ora, há algo nesta indignação que soa a contradição flagrante. Na verdade,
todos estes
dirigentes políticos parecem esquecer-se de que, para Portugal, há um acordo
internacional não cumprido pela Espanha (1814-1815-1817), segundo o qual
Olivença deveria
ter voltado à posse de Portugal. Razão porque o Estado Português não aceita,
até hoje,
que Olivença seja território juridicamente espanhol. Curiosamente, em
relação à obrigação
da devolução, e talvez como ironia suprema face ao que está a acontecer,
houve até quem
já escrevesse que a Espanha só teria uma obrigação moral,
portanto não claramente vinculativa.
Será que todos estes autarcas e políticos em geral têm consciência de como
soam a
falaciosos, neste contexto, alguns dos seus argumentos?
Conheço alguns deles. Penso serem pessoas de bem, e dirigentes que fazem o
que podem
pelos seus povos, e até que querem mesmo promover a amizade com Portugal.
Não questiono
esse aspecto, nem os inúmeros argumentos económicos a favor do TGV. Talvez
apoie, ou não,
alguns deles.
Mas, por favor, não usem demasiado o argumento do respeito por tratados
internacionais. Não lhes fica bem.
Estremoz, 02 de Setembro de 2009
Carlos Eduardo da Cruz Luna

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LINHAS DE ELVAS, 27-Agosto-2009
LIVRO APRESENTA "OLIVENÇA OCULTA"
O livro "Olivenza Oculta", de José António González Carrillo (nascido na
cidade em
1975), convida a "observar a localidade com outros olhos, com o olhar de
aprendizagem,
redescobrindo pormenores e perspectivas inéditas". Formado em publicidade e
marketing, o
autor é também co-fundador da associação Além Guadiana para a defesa da
cultura
portuguesa em Olivença e autor de livros com "Oliventinos" (2005) ou
"Saudade"(2006)

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PÚBLICO, 23-Agosto-2009
Opiniâo
A INÉRCIA
Vasco Pulido Valente(*)
Portugal é o País com as mais velhas fronteiras da Europa (basta dizer
que nesse
capítulo só nos falta OLIVENÇA, que a Espanha cruelmente nos roubou).
Portuga é um país
pobe e pequeno e um país periférico, a quem em 1820 os brasileiros (os
"nativos")
chamavam com desprezo "a tirinha". Portugal nunca teve na prática um
Império: por falta
de gente e por manifesta falta de dinheiro. Do fim do século XIX para cá, o
império não
passou de uma invenção ideológica da pequena burguesia (monárquica e
republicana).
Portugal ficou sempre à parte dos grandes conflitos da Europa (com a
excepção
desnecessária e criminosa da I Guerra Mundial). Desde o século XVI que
deixou
definitivamente de pesar no mundo e o mundo (tirando por um tempo Napoleão)
retribuiu
esse recato ignorando Portugal.
Portugal é um País miraculosamente homogéneo. Verdade que até ao seculo
XVIII
queimou, roubou e perseguiu alguns judeus, já perante o espanto (e a
indignação) da
Inglaterra liberal e da França ilustrada. Mas, fora isso, o anti-semitismo
moderno não
pegou por aqui. A uniformidade étnica abafou as veleidades de um furor
nacionalista
"rácico". Como excluiu à partida qualquer hipóteses de uma autonomia catalã,
basca,
galega ou andaluza. Não existem também diferenças de religião: a Reforma
parou em Espanha
e nem sequer o "jansenismo" chegou cá. De resto, os portugueses falam
português (os
dialectos são uma simples curiosidade linguística) e nenhum cento regional
(ou social)
prejudicou (ou prejudica) alguém. E mesmo geograficamente entre o Minho e o
Algarve não
há um abismo.
Nesta tábua rasa nada nos divide e quase nada nos move. Os conflitos que
de quando em
quando aranjámos por força ou por acaso (as Guerras do Liberalismo, por
exemplo, a I
República ou a Ditadura) só genuinamente separavam os que preferiam o
Portugal do costume
e os que preferiam um Portugal parecido com a França ou, mais genericamente,
com uma
coisa distante e nebulosa que se chamava o "estrangeiro" ou "lá fora". A
mudança, além
disso, acabou invariavelmente por ser escassa. Era bom que, durante a
campnha eleitoral,
os chefes de partido, e em particular o primeiro-ministro, se lembrassem do
bloco de
indiferenç e de inércia que vão de certeza (e com veemênia) prometer
transformar. Por
educação e natureza, o indígena desconfia do que se agita muito.
_______________________________
(*)para quem não sabe: Vasco Pulido Valente, que militou no PSD, é um
excelente escritor
e um bom historiador. É muito lido, e um pouco temido. Corrosivo, é tido
como o homem
mais pessimista de Portugal, como alguém que diz mal de tudo. Diz-se que, se
mordesse a
própria língua, morria envenenado. Em relasção ao Iberismo, já se tem
manifestado
favorável, até em prefácios a livros espanhóis, mas já tem feito críticas
violentas. Quem
o entende?

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Jornal "PÚBLICO", 29-Agosto-2009, IMPORTANTE... POR SE TRATAR DO JONAL QUE
É, COM O SEU
"PESO"
O REI DE ESPANHA, A MADEIRA, E A QUESTÃO E OLIVENÇA
João José Brandão Ferreira
TCor/Pilav (Ref)

Sua Muito Católica Majestade, o Rei D. Juan Carlos visitou o Arquipélago da
Madeira,
lacuna agora colmatada, dos seus tempos de juventude em Portugal e dos seus
posteriores
afazeres de Estado.
Juanito, para os amigos, mostra-se sempre simpático para com Portugal e os
portugueses -
e também não tem razão nenhuma para não o ser - fala português, uma coisa
quase
impensável para um espanhol e sobretudo num castelhano, e pensamos que tem
ganho jus à
consideração geral como homem e como estadista. Excedeu até as expectativas
quando mandou
calar aquele senhor que dá pelo nome de Chávez.
Por isso não há razão nenhuma de ordem pessoal para que o monarca de cerca
de três
quartos da antiga Hispânia não seja bem recebido no antigo reino de Portugal
e dos
Algarves.
Quando, porém, as questões de Estado se intrometem nas visitas oficiais e
nos passeios o
caso muda de figura.
E quando fôr caso disso os nossos representantes têm que pôr a coluna
erecta, levantar o
queixo, olhá-lo nos olhos e dizer-lhe o que for de justiça.
Durante a visita à Madeira decorreu o aniversário da banda de música de
Câmara de Lobos,
onde actuou a banda local e .... a filarmónica de Olivenza (com "z"). Este
evento foi
promovido pela Secretaria de Estado Regional dos Assuntos Culturais.
Ora tal facto, à luz do diferendo que existe desde 1801/7 relativamente à
ocupação ilegal
daquela antiga e portuguesíssima vila - onde os espanhóis de resto, não têm
razão alguma
- só pode ser considerado uma provocação,ou uma distração de mau gosto.
Aliás, de Espanha poderia ter vindo uma banda de 30000 localidades
diferentes, mas
escolheu-se a de Olivença. Não foi certamente por acaso. Moncloa sabe do seu
ofício e é
pena é que do lado português andem todos aparentemente a dormir na forma e
ninguém faça o
trabalho de casa.
Vejamos: a questão de Olivença é sistematicamente ignorada em todas as
cimeiras
luso-espanholas (e não ibéricas, um erro elementar!) que se realizam todos
os seis meses
- a próxima vai ser em Elvas.
Mas curiosamente o primeiro ministro Zapatero escreveu uma carta à direcção
dos Amigos de
Olivença (GAO) - patriótica associação constituída em 1938, e que desde
então luta
denodadamente pelo retorno de Olivença à sua Pátria - exortava o GAO "a
participar
positivamente na resolução do assunto"[1].
Mais tarde constituiu-se em Olivença o fórum "Além Guadiana" de iniciativa
local para
promover actividades de cariz cultural.
Mas como se mostraram, de um modo geral favoráveis a Portugal, tal não terá
agradado às
autoridades espanholas, que logo se moveram contra aquelas "irreverências".
No passado dia 11 de Julho, deram-se até ao desplante de inaugurar um busto
dessa figura
sinistra que foi Manuel Godoy - principal carrasco da Olivença portuguesa -
numa das
salas da Torre de Menagem do Castelo daquela vila, mandado construir por ...
D. Dinis.
Do lado de cá da raia, vários autarcas de municípios vizinhos, continuam a
fazer e a
dizer uma série de disparates, pois não há maneira de entenderem que se têm
que
desenvolver juntando-se à costa portuguesa, e não ao lado de lá da
fronteira. É que no
fim de serem chupados, os caramelos espanhóis, deixam sempre uma grande
amargo de boca...
Ora na Madeira a coisa fia ainda mais fino: os nossos "hermanos" - manda a
boa higiene e
os bons costumes que os irmãos quando crescidos, devem viver em casas
separadas - ainda
alimentam reivindicações espúrias sobre as ilhas Selvagens e não devem
gostar nada de
actos de soberania portuguesa, como foi a recente visita de Jaime Gama,em
Maio deste ano,
enquanto presidente da Assembleia da República, àquele pedaço de território
de grande
importância estratégica .
E em tudo o que os espanhóis façam ou intentem, nós devemos desconfiar e é
lamentável que
os portugueses passassem a esquecer rapidamente os seus "segredos de
família" e a andar
com as "guardas" em baixo.
A banda de Olivença permaneceu quatro dias no Arquipélago e deu dois
concertos,
juntamente com a "Banda Recreio Camponês" de Câmara de Lobos: só fazia
sentido recebê-la
não como espanhola mas como indo de território português... Mas tudo passou
despercebido
entre autoridades, população e meios de comunicação social.
Curiosamente, ou não, lá apareceu mais uma sondagem cretina, feita pela
Universidade de
Salamanca e publicitada pelo "El Pais" (tido como próximo do PSOE), em que
se afirma que
percentagens elevadas de portugueses e espanhóis pretendem a (maldita da)
União Ibérica.
E houve até um conhecido banqueiro português que veio afirmar a necessidade
de
"amalgamar" tudo o mais possível.
Já não chegavam os grotescos Saramago e Mário Lino, se auto proclamarem
traidores - ao
dizerem-se iberistas! O segundo sendo ministro, continuou no governo; ao
primeiro
ofereceu-se-lhe uma fundação, paga com dinheiros públicos e com sede na casa
dos bicos,
moradia do grande Afonso de Albuquerque, que deve andar a ranger os dentes
no túmulo.
Noutro âmbito é ainda de reter que o Arquipélago da Madeira é aquele que
pode,
verdadeiramente, fazer concorrencia em termos de turismo às ilhas Baleares e
sobretudo às
Canárias. E é curioso (e lamentável!) que a única ligação marítima entre o
Continente e o
arquipélago seja feita entre Portimão e o Funchal por um ferry boat ...
espanhol.
Afinal o "manicómio em autogestão"não acabou nos tempos do famigerado
PREC.[2]
João José Brandão Ferreira
TCor/Pilav (Ref)

------------

JORNAL DE NOTÍCIAS, 24 de Agosto de 2009
ANTES SER DINAMARQUÊS OU HOLANDÊS DO QUE ESPANHOL
Li atentamente a carta de um vosso leitor, Vitorino Salazar, sobre as
diferenças entre
Portugal e Espanha.
Costumo dizer que, nesta história da atracção de alguns portugueses por
Espanha,
apesar das roupagens "culturais", sempre surge o factor económico mais
comezinho. Por
outras palavras, comparam-se preços e ordenados... e dispõem-se alguns a
abdicar de tudo
(liberdade, cultura, história). Não resisto a citar Einsenhower, presidente
dos Estados
Unidos na década de 1950: «...quando, em nome de privilégios, abdicamos de
princípios,
acabamos por ficar sem os dois».
Muitos parecem esquecer que as economias são conjunturais. Também Portugal
já tem
estado melhor que Espanha, que tem tido as suas crises. Aliás, actualmente,
é isso que se
verifica...com maior profundidade do que em Portugal.
Os que vêm com salários e preços fazem como aqueles espanhóis que dizem
que a língua
portuguesa, por ser menos importante que a espanhola, devia ser substituída
por esta.
Esquecem-se que estão a dar razões para que os portugueses passem a falar
inglês.
Quando se argumenta na lógica económica, esquece-se que há países como a
Holanda, a
Suíça, a Bélgica, os a Dinamarca, duas ou três vezes menores que Portugal,
e, portanto,
dez a doze vezes menores que a Espanha, onde se ganha quase o dobro do que
sucede nesta.
Afinal, que país é a Espanha, tão grande, que deixa que estas pequenas
nações tenham um
nível de vida muito superior ao seu?
Se tiver de decidir o meu futuro a vender-me a outros, prefiro ser holandês
ou
dinamarquês. Espanhol revela ignorância pelos níveis de bem-estar europeus,
e muita falta
de imaginação!!!
A finalizar: espanta-me que haja quem imagine que em Espanha não há
corrupção em geral
e política em particular. Isso não sucede em parte nenhuma do Mundo(...).
Carlos Luna
_____________________________
ESTA PEQUENA "PARTE FINAL" FOI CORTADA:
Os espanhóis
costumam dizer que, se não fosse pelas roubalheiras dos seus políticos, a
Espanha seria o
país mais desenvolvido do mundo!!!(...)
Poderia acrescentar mais argumentos, como a diferença de mentalidades.
Neste campo,
digo apenas que, neste campo da "lamúria" e da inveja, revelamos que somos
bem
portugueses. Os espanhóis defendem-se, escondendo o que têm de mau perante
terceiros.
E... não se imagine que a imprensa espanhola daria cobertura a tantas cartas
derrotistas
como faz a imprensa espanhola.
Estremoz, 21 de Agosto de 2009
Carlos Eduardo da Cruz Luna

---------------

JORNAL DE NOTÍCIAS, 24 de Agosto de 2009 (outro texto...)
LÁ TEMOS DE ATURAR IBERISTAS...
Mais uma vez, lá temos de aturar as diatribes tolas e ignorantes de certos
"iberistas.
Claro qe para defender o meu País iria com Sócrates, com Jerónimo, com Porta
ou até com a
D. Manuela, apesar de gostar pouco de alguns deles...
Quem não se sente cá bem que faç as malas e passe a raia. Hoje em dia está
aberta, não
é como no tempo do senhor das botas de elástico. Sou um desses portugueses
que têm de,
frequentemente, atravessar a fronteira para ganhar a vida na Europa,
precisamente porque
ainda temos muitas influências do sistema inventado por um tal Salazar, mas
continuo a
ter boas razões para mesentir honrado por ter a nacionalidade que tenho.
Portugal tem mais três séculos do que a Espanha como nação, o que parece
desconhecerem
esses iberistas da treta. Como tal, lá continuará o seu cminho, e no momento
devido
cuidará dos seus trastes...
António Pena
antoniopena2008@gmail.com

REVISTA "NOTÍCIAS SÁBADO", Supl. Grat. de Sábado dos jornais Diário de
Notícias e Jornal
de Notícias, 22-Agosto-2009
IBERISMO
(...)Não me repugna discutir um projecto de uma Federação Ibérica, apesar
de não gostar
da ideia, oriundo de cidadãos que acreditam sinceramente em tal como uma
evolução
cultural possível, a terminar numa união política. Mas, sinceramente, penso
que a imensa
maioria dos portugueses que defendem tal ideia querem simplesmente que a
Espanha resolva
num ápice, e sem trabalho seu, os problemas da sociedade portuguesa, e
principalmente os
que dizem respeito a rendimentos.(...) Mais uma vez, os portugueses,
preguiçosamente
olham para fora para resolver insuficiências que só eles mesmos podem
superar.
A União Ibérica, por outro lado, não é uma evolução. Assenta em
projectos
derrotistas e pessimistas do século XIX (para já não falar em 1580), de
intelectuais,
alguns de grande valor, que acreditavam que Portugal tinha "morrido",
principalmente
depois de perder o Brasil e de não parecer acompanhar a evolução técnica da
Europa. Era a
posição de alguns "vencidos da vida", incapazes de aceitar que o seu
projecto de
sociedade não era viável, de que Saramago parece ser um remoto herdeiro.
Um
projecto iberista de visão imperialista foi delineado em finais do Século
XIX e
princípios do XX por Alfinso XIII de Espanha, conforme tornado público em
livros
espanhóis recentes. Passava por unificar os transportes,
interligar a economia, satisfazer a vaidade da intelectualidade portuguesa,
e outras
medidas que não nos são estranhas nos dias que correm, e que só surpreendem
hoje em dia
quem não se debruçou minimamente sobre a História.(...)
Carlos Eduardo Luna, ESTREMOZ

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Jornal de Notícias, 21 de Agosto de 2009/ Carta pessimista...
particularmente "básica" e
agressiva!
DIFERENÇAS ENTRE PORTUGAL E ESPANHA
O único contra de sermos governados por espanhóis tem a ver com dados
históricos dos
portugueses que morreram para a independência de Portugal e de figuras como
D. Afonso
Henriques ou a padeira de Aljubarrota. Alguém lutaria ao lado de José
Sócrates contra os
espanhóis? Claro que não! Muitos se juntariam contra ele...
Alguém duvida que estávamos melhores em sermos governados por Espanha?
Talvez para a
função pública ( a que mais ganha e menos trabalha na UE), para políticos e
patrões era
pior, porque a roubalheira acabava. Uma empresa com sede em Portugal e
Espanha paga em
Portugal 450 EUR e em Espanha 1000EUR. Algo vai mal em Portugal...
Quem não gostaria de pagar gasolina ao preço da Espanha? Quem não gostaria
de comprar
um carro novo e um seminovo (Audi A3 e Fiat Grand Punto) em ESpanha? E em
Portugal só
compra um novo (Audi A3)? Quem não gostaria de ir às compras e gastar menos
40 euros?
Quem não gostaria de receber 1000EUR em vez de 450EUR? Por isso, os que criticam
os
portugueses que pensam como eu só podem estar a beneficiar das condições que
eu refiro
anteriormente. O povo votou, a crise está nos partidos. Por isso, houve
aquela taxa de
abstenção nas europeias. Os portugueses trabalhadores que não estão na
condição que eu
falei anteriormente acreditam nestes governantes e vêem a vizinha Espanha
desenvolver-se
rapidamente a todos os níveis...
Vitorino Salazar
SALAZAR.VITORINO@GMAIL.COM

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PÚBLICO, 21-Agosto-2009

(nota prévia: este texto tem alguns aspectos de análise que justificam asua
leitura.
Carlos Luna)

PÚBLICO, 21-Agosto-2009
PORTUGAL ATLÂNTICO
«Os Portugueses têm mentalidade de povo insular. Portugal é como se tivesse
sido uma
ilha»//«Portugal, sendo uma ilha em espírito, é uma reincarnação da
Atlântida, se esta
tivesse existido»
Luís Campos e Cunha (Professor Universitário; ainda foi ministro das
Finanças de José
Sócrates em 2005)
O que é Portugal? Agora que vivemos na União Europeia, sem barreiras ao
comércio e
movimentos de capital e pessoas, muitos se interrogam o que significa ser
português. Do
ponto de vista económico deixámos, há muito, de ser um paaís para sermos uma
região no
contexto da União Europeia. Mas continuamos a ser uma nação e um povo.
Antes de mais, sempre fomos um povo europeu, ou seja, comungamos valores
que são
comuns às outras nações europeias, em cada momento da sua história. Gostamos
da
tolerância, vivemos e gozamos a liberdade, somos contra a discriminação com
base na cor
da pele, religião ou sexo. Melhor, somos contra toda a discriminação, mesmo
a baseada no
mérito, o que também é muito europeu. Somos orgulhosos de sermos os
primeiros na luta
contra a pena de morte e a prisão perpétua. Temos valores que se fundaram no
direito
romano ou, se preferirem, nos valores do cristianismo.
Tivemos, como todas as nações europeias, os nossos momentos de glória ( e
outras
situações que nos embaraçaram ). Hoje, como os outros europeus, vivemos das
recordações.
Mas também temos elementos distintivos das outras nações europeias que nos
tornam
únicos e singulares. O primeiro elemento é a língua, mas não só. Desde logo,
estamos
virados para o Atlântico e não para pequenos lagos marítimos como o
Mediterrâneo. Somos,
neste aspecto mais parecidos com os britânicos, do que com os franceses ou
os italianos.
Tal como elers, estamos mais habituados a conviver com o outro, porque no
passado o0s
dominámos e, do mesmo modo, também fomos dominados. Nós pelos ingleses, eles
pelos
americanos.
Historicamente, os nossos quinze minutos de glória foram, no entanto, mais
curtos que
os dos franceses, espanhóis ou ingleses.
Como notava Pessoa, temos igualmente o nosso lado alemão. Somos mais
cumpridores da
lei do que gostamos de reconhecer. Basta ver as consequências das leis
antitabaco em
Portugal ou em Espanha. Resmungamos mas cumprimos.
Somos também diferentes porque não temos também o amor-próprio dos outros
povos
europeus. O que faz de nós um povo menos confiante em si, mas também mais
aberto.
Criticamo-nos facilmente, mas não admitimos tal a um estrangeiro. Porque um
visitante
estrangeiro é alguém a quem queremos agradar e, acima de tudo, desejamos que
goste de
nós. Mais ainda, não suportamos a crítica vinda de fora porque "precisamos"
quee os
estranhos gostem de nós. Tal necessidade não se encontra em mais nenhum povo
europeu, a
começar pelos espanhóis.
Os portugueses, por último, têm mentalidade de povo insular. Portugal é
como se
tivesse sido uma ilha. Para a minha geração, ou seja quem tiver mais de 50
anos, Espanha
não existia. Espanha era a barreira que tínhamos de atravessar para chegar à
Europa. E,
parece-me, que mais ou menos sempre foi assim. Ninguém, há 500 anos, ia
esdtudar para
Castela; ia para Bolonha, Bruges ou Amsterdão. Raramente, para Salamanca.
Mais tarde, ia
para Paris ou Oxford e, hoje, vai para Nova Iorque ou Boston, naturalmente.
Os espanhóis nunca foram vistos como inimigos, salvaguardados,
eventualmente, alguns
curtos períodos da nossa história, mas com o respeito e o receio que o ilhéu
tem do mar.
Século sim, século não, havia um tsunami, uma invasão e uma guerra. Mas isso
não leva o
ilhéu a ver o mar como inimigo mas com respeito; algo que existe e que é
para ultrapassar
para chegar ao continente: ér o elo de ligação mas que é para passar e onde
não se
permanece. No nosso caso, íamos à Europa e à civilização. Este complexo de
ilhéu ainda
perdura em muitos de nós e faz parte da nossa maneira de ser. Faz-nos sentir
sozinhos no
mundo e pensar que mais isolados do que na realidade vivemos. Não tenho a
certeza que tal
sentimento ainda perdure nas gerações mais novas mas desconfio que sim, pela
educação que
lhes demos.
Portugal, sendo uma ilha em espírito, é uma reincarnação da Atlântida, se
esta tivesse
existido. Foi gloriosa e importante mas, um dia, um cataclismo abateu-se
sobre ela e
desapareceu. Castigo dos deuses pela dissolução dos costumes daquela
putativa
civilização. Nós ainda não desaparecemos e, desconfio, que não acontecerá
nos próximos
séculos. Mas o cataclismo metamórfico aconteceu: foi a abertura da Espanha à
Europa. E
esse facto foi mais importante para nós do que a nossa, dita, entrada na
CEE. Deixámos de
ser uma ilha, lentamente deixaremos também de ser atlânticos. FIM

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REVISTA SEMANAL "FOCUS", 19-Agosto-2009
A IBÉRIA, UMA EVOLUÇÃO CULTURAL?
Tenho continuado a ler os comentários de pessoas defensores de uma União
Ibérica, e
meditado sobre os seus argumentos.
Discordo deles fundamentalmente em dois ou três pontos, que passo a
explicar.
Não me repugna discutir um projecto de uma Federação Ibérica, apesar de
não gostar
da ideia, oriundo de cidadãos que acreditam sinceramente em tal como uma
evolução
cultural possível, a terminar numa união política. Mas, sinceramente, penso
que a imensa
maioria dos portugueses que defendem tal ideia querem simplesmente que a
Espanha resolva
num ápice, e sem trabalho seu, os problemas da sociedade portuguesa, e
principalmente os
que dizem respeito a rendimentos. É triste, mas é assim. E, aqui, porque sei
que tal é
uma utopia perigosa, porque a Espanha nunca o poderá fazer, e muito menos de
modo a
satisfazer a ganância imediatista dessas pessoas, o que provocaria um novo
clima de
descontentamento, estamos perante um erro. Mais uma vez, os portugueses,
preguiçosamente
olham para fora para resolver insuficiências que só eles mesmos podem
superar.
A União Ibérica, por outro lado, não é uma evolução. Assenta em
projectos
derrotistas e pessimistas do século XIX (para já não falar em 1580), de
intelectuais,
alguns de grande valor, que acreditavam que Portugal tinha "morrido",
principalmente
depois de perder o Brasil e de não parecer acompanhar a evolução técnica da
Europa. Era a
posição de alguns "vencidos da vida", incapazes de aceitar que o seu
projecto de
sociedade não era viável, de que Saramago parece ser um remoto herdeiro.
Um
projecto iberista de visão imperialista foi delineado em finais do Século
XIX e
princípios do XX por Alfinso XIII de Espanha, conforme tornado público em
livros
espanhóis recentes. Passava por unificar os transportes,
interligar a economia, satisfazer a vaidade da intelectualidade portuguesa,
e outras
medidas que não nos são estranhas nos dias que correm, e que só surpreendem
hoje em dia
quem não se debruçou minimamente sobre a História.
Por outro lado, a Espanha, ela sim, tem muito de artificial. É histórico
que Madrid,
representando quase sempre o hegemonismo castelhano, mesmo
inconscientemente, não tem
sido capaz de lidar com as aspirações de liberdade de catalães, bascos, e
galegos, As
razões mais profundas de alguns sangrentos conflitos espanhóis residem aí.
Juntar a tal
"caldeirada" uma região com 900 anos de tradição de independência parece-me
um disparate.
O que seria Portugal, se não uma região que em breve entraria em choque com
o poder
central na Península?
O respeito espanhol pelas susceptilidades locais não é famoso, como se
viu em Julho
de 2009, quando se inaugurou em Olivença uma estátua ao seu conquistador
espanhol, Manuel
Godoy, colocada na portuguesíssima Torre de Menagem do século XV. E, claro,
já nem falo
na ausência total da História de Olivença nas escolas desta localidade...
Finalmente, a tendência evolutiva moderna parece-me ir no sentido da
independência
dos povos, como se viu na antiga Jugoslávia e na extinta União Soviética. Os
novos
países, depois de independentes, têm querido aderir a uma nova grande união:
a União
Europeia. Nunca querem antes voltar a integrar os países de onde saíram para
aumentar "o
seu peso"... como defendem alguns iberistas, esquecendo-se que a Península
passaria a ser
representada por um só governo soberano... em vez de dois.
Em resumo, o iberismo, para mim, não é evolução cultural. É um retrocesso
ao século
XIX, ou, pior, ao século XVI (1580).
Uma última nota: 876 inquiridos correspondia a portugueses e espanhóis.
Eram só
trezentos e tal portugueses. As minhas desculpas pelo meu erro.
Estremoz, 16-Agosto-2009
Carlos Eduardo da Cruz Luna

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PUBLICO (ESPANHOL), 19-Agosto-2009 (MANTÉM-SE A ESTUPIDEZ E A MÁ-FÉ)
Data: Wed, 19 Aug 2009 12:57:41 +0100 [19-08-2009 12:57:41 WEST]
De: carlosluna@iol.pt
Para: olivenca@yahoogrupos.com.br

El municipio de Badajoz al que la CIA vigila

A pesar de la tranquilidad que se respira, hace seis años que este pueblo
extremeño está
en la lista de zonas territoriales conflictivas
A pesar del interés gringo, todo es calma en Olivenza. - a.r.a.
POR ANA REQUENA AGUILAR - 19/08/2009 08:00

Para entrar a Olivenza no hace falta pasar ningún control militar. No hay
soldados con
fusiles que te pidan la documentación ni perros que olisqueen tu equipaje.
Tampoco hay
muros divisorios ni tensión en la cara de la gente. No se escuchan disparos
a lo lejos.
Más bien todo lo contrario: todo es calma y tranquilidad. Y sin embargo,
hace seis años
nada más y nada menos que la CIA incluyó a este pueblo extremeño limítrofe
con Portugal
en la lista de zonas territoriales conflictivas, al nivel de Cachemira y la
Franja de
Gaza.

Así que llego a Olivenza con los ojos muy abiertos, esperando ver grupos de
portugueses
enfervorizados reclamando el territorio de Olivenza, toque de queda a las
nueve de la
noche o enfrentamientos en la frontera, por decir algo. Pero cuando llego
todo está
tranquilo. No hay gente en la calle, pero no parece que haya miedo a nada
salvo a la
solana terrible que cae. En el hotel me dan un mapita y me mandan a que de
una vuelta.
¿Puedo andar sola por la calle cuando se haga de noche?, pregunto, y la tía
de recepción
me mira con cara rara.

Los servicios secretos incluyeron este pueblo extremeño en la lista de zonas
conflictivas
junto a Cachemira o Gaza

Olivenza es pequeña y blanca. Está a 24 kilómentros de Badajoz y Portugal
queda a otros
tantos. Montse recuerda que cuando era pequeña llegaban al pueblo autobuses
llenos de
portugueses que venían a comprar. "Eso ya no pasa", dice. Los centros
comerciales y los
grandes supermercados han hecho que ahora los portugueses vayan directamente
a las
ciudades, sobre todo a Badajoz.

Tampoco es ya igual el tráfico de personas desde Olivenza a Portugal. María
regenta una
mercería desde hace tiempo y recuerda que durante muchos años hubo una
auténtica fiebre
por ir a los pueblos portugueses cercanos a comprar toallas. "Ahora como ya
hay de todo
en todas partes...", cuenta. Aún así, los lazos entre Olivenza y Portugal
son estrechos,
por algo el pueblo estuvo bajo su soberanía durante mucho tiempo. "Siguen
viniendo muchos
portugueses, sobre todo de turismo, y nosotros también vamos allí, a pasar
el día o a
comer los fines de semana a Elvas", explica María. Elvas es el pueblo
portugués más
cercano, con el que Olivenza está hermanada y al que dedica una de sus
avenidas.

Gran parte de las personas más mayores hablan entre sí en portugués y casi
todo el mundo
en el pueblo puede hablarlo, al menos para entenderse. Sin embargo, hasta
hace poco ese
conocimiento no era reglado. Desde hace unos años, los colegios de Olivenza
ya imparten
el portugués al alumnado como optativa. Forma parte de un movimiento que
pretende
recuperar y cuidar la tradición portuguesa de la que proceden y que tanto ha
enriquecido
al pueblo. Me cuentan que hubo en tiempo en que más que respetar esa
tradición, se
ignoraba o incluso se despreciaba.

Pero que nadie se equivoque: "Los oliventinos nos sentimos españoles por los
cuatro
costados", afirma Montse y piensan la mayoría de oliventinos. Por otra
parte, las
reivindicaciones para que Olivenza vuelva a formar parte de Portugal son
prácticamente
inexistentes, aunque algunos portugueses se resisten a considerarla parte de
España.
"Algunos vienen y te dicen que este sitio es suyo o nos preguntan de dónde
nos sentimos
nosotros", afirma María. Todo se queda en pequeñas conversaciones.

Al final del día descubro el gran secreto de Olivenza, la técula mécula. Me
lo enseñan en
Casa Fuentes, la pastelería más típica del pueblo. La técula mécula es una
torta gruesa y
esponjosa a base de yema de huevo y almendra. Mmmmm, y azúcar, mucho azúcar.
Esto de ser
periodista tiene sus ventajas, como hincharte a técula mécula así por las
buenas. La
mujer que me atiende (de la que no recuerdo el nombre, lo siento) es ya la
tercera
generación que regenta esta pastelería, que tiene patentada la receta del
dulce. "Lo
demás son imitaciones", dice. Sus abuelos rescataron la receta del olvido y
la hicieron
popular. Ahora se la piden de todos sitios. Todo un símbolo de Olivenza.
Mucho mejor que
un muro.

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EL DIARI TRIANGLE (CATALUNHA), 18-Agosto-2009
Catalunya i Portugal
Jaume Reixach
Segons una enquesta realitzada pel Centre d'Anàlisis Socials de la
Universitat de
Salamanca, un 39'9% dels portuguesos són partidaris d'una confederació del
seu país amb
l'Estat espanyol. Per part espanyola, els qui veuen amb bons ulls aquesta
Unió Ibèrica
són el 30'3% dels enquestats.

Aquestes dades del Baròmetre Hispà-Lusità conviden a l'optimisme. En
especial pel cantó
portuguès, que arrossega un mal "feeling" històric amb els veïns de llevant
que, malgrat
tot, s'està esvaïnt amb el pas dels anys i, en especial, des de l'entrada
d'ambdós estats
a la Unió Europea. Pel que fa als espanyols, aquest 30'3% reflecteix no tant
animadversió
envers el projecte ibèric, sinó desinterès.

L'iberisme, n'estic convençut, serà un dels grans temes dels anys a venir i,
ja ho
anticipo, coneixerà un fort impuls en la pròxima presidència semestral
espanyola de la
Unió Europea, amb José Luis Rodríguez Zapatero i José Manuel Durao Barroso.
La profecia
de José Saramago acabarà, tard o d'hora, fent-se realitat. Són faves
comptades:

*La Confederació Ibèrica sumaria 60 milions d'habitants i es convertiria en
una gran
potència demogràfica i econòmica de la Unió Europea, equiparable a Alemanya,
el Regne
Unit i França.

*La vertebració de l'eix Lisboa-Barcelona (o Atlàntic-Mediterrània)
transformaria la
península en una plataforma econòmica de primer ordre mundial, punt de
confluència entre
Amèrica, Àsia i Àfrica.

*La Confederació Ibèrica seria la fórmula directa per solucionar els
problemes
d'arquitectura institucional que encara ens llasten i la via per assolir, de
manera no
traumàtica, l'ideal republicà, en sintonia amb el projecte europeu.

*La Confederació Ibèrica donaria el protagonisme obvi que, per situació
geoestratègica,
tenen les metròpolis de Lisboa i Barcelona, mentre que Madrid esdevindria
l'estació
intermèdia d'aquesta nova realitat territorial atlàntic-mediterrània.

Catalunya i Portugal, com a contrapesos de la inèrcia centrípeta castellana,
tenim molt a
imaginar, a parlar i a fer. El projecte de la Confederació Ibèrica ens
beneficia
directament i és intel·ligent començar a treballar en aquesta direcció.
Gallecs,
lleonesos, extremenys i andalusos també gaudirien, ràpidament, dels
avantatges de la Unió
Ibèrica i són aliats objectius en aquesta estratègia.

Més enllà dels primers comtes francs, a la baixa Edat Mitjana, el projecte
històric de
Catalunya mai no ha estat la independència. La dinastia catalana sempre va
cercar
aliances polítiques i territorials -via matrimonial- amb els veïns d'aquí i
d'allà. A la
mort de Martí I, els delegats de la Corona Catalanoaragonesa van escollir un
nou rei
d'origen castellà (Ferran d'Antequera). El conflicte de 1714 no va ser una
Guerra de
"Secessió", va ser una Guerra de "Successió". La Guerra Civil del 1936-39
mai no va ser
una guerra de Catalunya contra Espanya, va ser una guerra contra el
feixisme. Òbviament,
quan el poder centralista castellà ha trencat unilateralment els pactes amb
Catalunya o
ha adoptat formes dictatorials, la reacció epidèrmica dels catalans per
assolir la
llibertat arrabassada ha estat la via independentista (Pau Claris, Francesc
Macià, Lluís
Companys, Batista i Roca...). Però, insisteixo, des dels seus orígens, el
"catalan dream"
ha estat sempre l'expansió (Balears, País Valencià, Sardenya, Sicília,
Nàpols...), mai la
introversió (independència).

Us recomano, en aquest sentit, una visita a l'exposició "Princeses de terres
llunyanes"
al Museu d'Història de Catalunya (es clausura aquest diumenge vinent!) o una
excursió al
monestir de Poblet, on hi ha el panteó de la reialesa catalana. Per saber
cap a on volem
anar, cal saber d'on venim! El nostre futur no passa per la "petita"
independència: el
nostre futur passar per la "gran" Euroregió Pirineus-Mediterrània i la
"gran"
Confederació Republicana Ibèrica.

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Jornal "Linhas de Elvas", 6-Agosto-2009
UNIÃO IBÉRICA? NÃO, OBRIGADO...
Um inquérito de 27 de Julho de 2009 revela que 39,9% dos
Portugueses é partidário de uma União Ibérica...
Mas que inquérito é esse... num Universo de 876 portugueses?
Será que a opinião pública começa a enlouquecer? Portugal tem quase
900 anos de História. Somos um povo livre. Se usamos mal a nossa
liberdade, fazêmo-lo porque temos LIBERDADE para o fazer. Logo que as
coisas começassem a correr mal em Espanha, haveria quem quisesse sair.
E, aí, teria de contar com uma REPRESSão, possivelmente BRUTAL. Vão a
Olivença ver como se promove o esquecimento cultural, o apagamento da
História, e o embrutecimento das consciências. No fundo, o que muitos
querem com a União Ibérica é simplesmente ganhar mais. Nesse caso,
sejam imaginativos, proponham uniões com a Holanda, a Bélgica, ou a
Dinamarca. Ganha-se MUITO mais do que em Espanha.
E... quem vos disse que os políticos espanhóis são bons e que só os de
Portugal são corruptos? Leiam os jornais espanhóis, que, ainda que
menos livres que os portugueses, estão cheios de escândalos e
roubalheiras dos políticos lá do sítio!
O que muita gente não quer é pensar em resolver os problemas do País.
è mais cómodo chamar gente de fora para o fazer. Mas... os de fora
sempre quererão algo em troca. Isso nunca resulta... principalmente
após alguns anos de domínio estrangeiro, quando se observar que todos
os cargos importantes vão para "os de fora". Por que pensam que 1580
acabou com uma revolta e uma Guerra em 1640?
CARLOS EDUARDO DA CRUZ LUNA

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Revista "FOCUS", 05-Agosto-2009
SARAMAGO E A SUA IBÉRIA
José Saramago, impante de honrarias que Espanha lhe vem prodigalizando e,
justiça lhe
seja feita, poe elas lhe demonstrando público reconhecimento, persiste
resoluto na sua
cruzada antiportuguesa e pró-ibérica. É lá com ele.
Todavia, que não tente - como tentou no seu escrito no DN de 29/07/2009,
sustentando-se num alegado crescimento dos que gostariam de apagar a
identidade e a
independência de Portugal, dissolvendo-as na "Grã-Espanha" - que não tente
afastar de si
e dos que o imitam o labéu da traição.
Tal como o acréscimo dos criminosos não minimiza o desvalor destas nem a
malfeitoria
daqueles, também não é suposto aumento dos que se dispõem a alienar (por que
lentilhas?=
900 anos de liberdade que afasta a traição nem lhe retira gravidade. Trat-se
de traição
quando se trata de renegar a cultura, a identidade e a independência da
Pátria, esteja-se
só, pouco ou muito acompanhado.
E maior é a traição de quem, como Saramago, criador intelectual e de vasta
projecção,
tem sobre si uma especial responsabilidade na defesa dos valores
portugueses.
Infelizmente, quando estes tempos pediriam um Camões, entre as "elites"
despontam
Cristóvãos de Moura.
Todavia, de entre a "arraia-miúda" surgem sempre as Padeiras de
Aljubarrota.
António Marques-Almada

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PÚBLICO, 04-Agosto-2009
UMA LINHA A MAIS
E VOCÊ? TAMBÉM QUER SER ESPANHOL?
Miguel Gaspar-Jornalista
«O único iberismo possível é tentarmos nós dar um salto idêntico ao que eles
deram e,
olhando-os, tentar compreender onde é que nóa falhámos e eles não.»
Uma sondagem publicada a 29 de Julho no diário espanhol "El País" relançou
o debate
sobre uma eventual federação ibérica. Os resultados do Barómetro de Opinião
Hispano-Luso
do Centro de Análise Social da Universidade de Salamanca contam a história
de uma
inversão em matéria de iberismo. No passado, qualquer cidadão português que
se prezasse
afirmaria que preferia morrer a unir-se ao vizinho. Hoje são quase 39,9 por
cento dos
portugueses a apoiá-la. Do lado de lá, o apoio é mais curto, mas apesar de
tudo
significativo: 30 por cento dos espanhóis achariam bem essa união política.
É a primeira vez que este inquérito se realiza (a base são 876 pessoas
interrogadas
por telefone) e por isso não há um termo de comparação disponível. E as
sondagens são só
sondagens, ponto final. Mas a análise aos conjuntos dos resultados
apresentados pelo
diário espanhol mostra que os portugueses estão muito mais interessados em
aproximar-se
de Espanha do que os espanhóis em aproximar-se de Portugal. Um exemplo:
enquanto 50 por
cento dos portugueses inquiridos defendem o ensino obrigatório do espanhol
nas escolas do
lado de cá da fronteira, 76 por cento dos espanhóis rejeitam o ensino
obrigatório do
português do lado de lá da fronteira.
Esta ideia da fusão ibérica tem apoios de peso. O escritor José Saramago,
por exemplo,
defende-a citando Galileu para dizer que nos falta ainda "a ciência
necessária" para compreender o futuro - os adversários desta ideia,
deduz-se, estariam
como a Igreja do tempo de Galileu, presos a uma ilusdão anacrónica e
incapazes de olhar o
futuro com olhos de ver.
Eu, que gosto de Espanha e estou longe de acusar de traidores à Pàtria os
defensores
da União Ibérica (Saramago queixa-se de ter sido acusado disso), vejo um
problema nesta
apologia da união ibérica: na verdade, ela significa a enésima convocação do
imobilismo
português, sob a capa de uma ideia pretensamante radical. Espreta-se para
espanha do
fundo da depressão geral como o próximo balão de oxigénio, para suceder ao
da União
Europeia (UE).
Ora, toda aquela mania velha de ser antiespanhol esgotou-se precisamente
na UE. O
enorme grau de integração que há hoje entre os dois países começou aí. A
proximidade que
existe hoje é, ao mesmo tempo, ibérica e europeia.
Depois, falta-nos ver a Espanha como ela é: o grande fantasmo do tempo em
que nos
ensinavam a não gostar dos nossos vizinhoa é na verdade um mosaico de
diferentes nações e
autonomias. Integrado em Espanha, Portugal seria apenas mais uma dessas
autonomias. Mas
eventualmente acolhida a contra-gosto pelo todo da Espanha e pelo particular
das
autonomias. E não se sabe como ficaria esse equilíbrio frágil que é a
Espanha integrando
assim de chofre a parcela de Península Ibérica que não tem.
Não é cura andar a pregar um casamento à força - como não é cura andar a
pregar pela
devolução de Olivença (*). Vale a pena é questionar como é que eles
conseguiram evoluir
muito mais do que nós, na cultura, na economia, na sociedade. A nossa
resposta,
tipicamente portuguesa, é a inveja. E acharmos que se não somos capazes de
ser como eles,
então temos de passar a ser parte deles. Primeiro, o pessimismo, depois a
solução mais
cómoda. Uma velçha história. E, do lado de lá, o eco mais plausível a este
namoro é o
desinteresse.
O único iberismo possível é tentarmos nós dar um salto idêntico ao que
eles deram e,
olhando-os, tentar compreender onde é que nóa falhámos e eles não.
________
(*) O artigo é bom. Pena que Miguel Gaspar não entenda que o desinteresse
por Olivença é
um reflexo do mal que ele aponta aos portugueses. Nem entende que a situação
de Olivença
actual é uma mostra do que esperaria Portugal numa União Ibérica. E, ainda,
não entende
que ninguém com juízo defende que reclamar Olivença é a cura de tudo o
eunciado. É apenas
uma pequena parte da cura. (Carlos Luna)

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Jornal "O DIABO", 04-Agosto-2009
PARALELISMOS IBÉRICOS
(com fotografia de Olivença)
Espanha e a maioria dos espanhóis
sentem-se profundamente ofendidos com a presença britânica em
Gibraltar(...).
Consideram ser uma situação colonial anacrónica. (...)
O que espanta qualquer português minimamente informado é o milagre de em
Espanha
poucos se darem conta de que todos e cada um dos argumentos sobre Gibraltar
se poder
aplicar, com maior premência, a Olivença (ocupada em 1801), razão, aliás,
para que o
Estado Português, embora não o divulgue muito, não reconheça a soberania
espanhola sobre
a Região, situação que está até ligada ao aproveitamento das águas do
Alqueva.
Como se podertá fazer entender a Madrid que, ao agir assim, perde toda a
autoridade
moral para protestar? Que não pode aplicar umas regras do Direito
Internacional num
lugar, e contrariá-las noutro? (...)Q
Como se poderá fazer entender ao Estado Português que o seu quase total
silêncio nesta
matéria é muito pouco lógico, e nada dignificante?
Por que razão não há um respeiro mínimo por princípios, e se não entende
que tal não é
contraditório com relações de amizade e boa vizinhança?

Carlos Eduardo da Cruz Luna Estremoz

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Jornal "REGISTO", 03-Agosto-2009 (Alentejo; distribuição gratuita)

'E pur si muove'

por José Saramago

Com os dados da sondagem ainda quentes, o jornal El País já me estava a
pedir um
comentário sobre a eventual união dos povos que compõem a Península Ibérica.
O que vem a
seguir é o que enviei a Madrid acerca deste melindroso asunto. Melindroso,
delicado,
polémico e conflitivo assunto em que não tem sido impossível chegar a acordo
ao menos
para discuti-lo seriamente.

"E no entanto move-se". Estas palavras tê-las-ia dito num sussurro quase
inaudível
Galileu Galilei ao terminar a leitura da abjuração a que havia sido forçado
pelos
inquisidores-gerais da Igreja Católica em 22 de Junho de 1633. Tratou-se,
como se sabe,
de obrigá-lo a desmentir, condenar e repudiar publicamente o que tinha sido
e continuava
a ser sua profunda convicção, isto é, a verdade científica do sistema
coperniciano,
segundo o qual é a Terra que gira à volta do Sol e não o Sol à volta da
Terra. O estudo
do texto da abjuração de Galileu deveria fazer-se com a conveniente atenção
em todos os
estabelecimentos de ensino do planeta, fosse qual fosse a religião
dominante, não tanto
para confirmar o que hoje já é uma evidência para toda gente, que o Sol está
parado e a
Terra se move ao redor dele, mas como maneira de prevenir a formação de
superstições,
lavagens de cérebro, ideias feitas e outros atentados contra a inteligência
e o senso
comum.

Não é, porém, Galileu o objecto primeiro deste texto, mas algo mais próximo
de nós no
tempo e no espaço. Refiro-me à sondagem ao Barómetro Hispano-Luso do Centro
de Análise
Social da Universidade de Salamanca, hoje publicado, sobre as eventuais
possibilidades de
criação de uma união entre os dois países da Ibéria com vista à formação de
uma Federação
hispano-portuguesa. Os leitores que acompanham regularmente estes e outros
comentários
meus estarão lembrados da polémica, adornada com uns quantos insultos
escolhidos e umas
quantas acusações de traição à pátria, que o meu prognóstico de uma união
desse tipo
suscitou há tempos. Ora, de acordo com a sondagem da Universidade de
Salamanca, 39,9% dos
portugueses e 30,3% dos espanhóis apoiariam essa união. As percentagens
mostram um
sensível avanço, quer num país quer no outro, em relação a cálculos feitos
nessa altura.
Os que rejeitam a ideia constituem um pouco mais de 30% das pessoas
consultadas, isto é,
260 dos 876 cidadãos para o efeito entrevistados nos meses de Abril e Maio
deste ano.

Ao contrário do que geralmente se diz, o futuro já está escrito, nós é que
não temos
ainda a ciência necessária para o ler. Os protestos de hoje podem tornar-se
em
concordâncias amanhã, também o contrário poderá suceder, mas uma coisa é
certa e a frase
de Galileu tem aqui perfeito cabimento. Sim, a Ibéria. E pur si muove...
 
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