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Índice do Fórum : Movimentos Políticos
o que divide ...
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nau
Monárquico
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Mensagens: 418

Mensagem Enviada: Dom Fev 21, 2010 13:55     Assunto : O que divide Responder com Citação
 
Caro IzNoguud,

1. Com alguma apreensão, acabei de ler os seus comentários aos meus sete apontamentos em que procurei sintetizar (a extensão dos mesmos é devida aos exemplos apresentados) o meu entendimento acerca da doutrina monárquica.

2. Aliás, tudo o que naqueles apontamentos ficou expresso já tinha sido exposto nas intervenções que fiz neste espaço, há dois anos atrás, numa tentativa frustrada de suscitar, sob a sigla CECIM, o espírito do associativismo entre os monárquicos.

3. A informação coligida é assaz desencorajadora. Alegando alguns a penúria de fundos para avançar com qualquer projecto no âmbito cooperativista, continuam estes a endividar-se a título individual com coisas supérfluas (o automóvel, as férias, o estilo de vida social) à semelhança dos políticos que conduzem, numa gestão vergonhosa e digna de condenação pelos tribunais comuns, à defenestração (para não dizer pilhagem) do erário público, criado no governo do Marquês de Pombal, por carta do rei de 22 de Dezembro de 1761 e sempre cobiçado pelos videirinhos do costume.

4. Procuram outros (segundo o testemunho que foi dado) investir em actividades comerciais, industriais ou de serviços considerados imprudentes na altura (essa foi a razão pela qual os emigrantes não foram motivados a financiar os mesmos) e que, a curto prazo, a economia mundial veio confirmar as reservas então manifestadas.

5. Sob a capa do associativismo, muitos foram lançados para aventuras financiadas pelos papás que temiam a presença dos seus rebentos nas emresas que geriam, apenas para criar emprego a estes e/ou aos amigos, desvirtuando o espírito cooperativista, apercebendo-se dos erros cometidos quando confrontados pelo facto do património da cooperativa não poder ser distribuido pelos seus membros, em caso de dissolução. Lá se foram os automóveis, as secretárias loiras, as almoçaradas, etc..

6. Sejamos realistas na acepção da palavra. A dívida pública está a crescer a um rítmo que nem nos próximos 70 anos, com sacrifícios significativos, se poderá amortizar. Os projectos magalómanos (aeroportos, TVG's, autoestradas, etc.) deverão ser metidos nas gavetas; os impostos aumentados, particularmente para aqueles que auferem ordenados superiores a 5 000 Euros - se os quadros emigrarem, tanto melhor pois a bancarrota que se advinha é o exemplo da qualidade destes irresponsáveis e criminosos cidadãos.

7. Porém, somos todos responsáveis (até os que mourejam fora do país) e a ironia das ironias é serem criadas comissões para a celebração do 1º Centenário da República. Quando as coisas vão de mal a pior, é bom não esquecer, há sempre a possibilidade do ciclo se repetir. Todos os monárquicos deverão cerrar fileiras junto do seu Rei (D.Duarte Pio - DDII) e pugnar pelo que é importante, isto é, a Democracia - Governo e Administração do Povo, de modo responsável.

Nau
 
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Beladona
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Local: Algarve
Mensagem Enviada: Dom Fev 21, 2010 17:19     Assunto : Responder com Citação
 
Caríssimo Nau,

Todos sabemos que a República está a afundar-nos cada vez mais, e por isso a mudança, mais tarde ou mais cedo terá ou poderá ser inevitável...

Como monárquicos, desejamos que o regime monárquico volte...mas não sob quaisquer permissas já pre-definidas por alguns...o regime monárquico, não é Democrático e Livre para a população só por o ser, também não enriqueceremos do dia para a noite...Para ser implantada a Monarquia hoje em dia tem primeiro de passar pelo teste do que poderá oferecer ao país e aos portugueses de diferente, mas sempre para melhor, nunca para pior...para isso, terá prioritariamente de respeitar Todos os portugueses e Todos os que connosco convivem neste belo Portugal.

O Sr. D. Duarte Pio, Duque de Bragança será por ventura um forte pretendente neste momento...mas, nada mais que isso...se me permite, o ditado popular: "não ponhamos a carroça à frente dos bois" é aqui bem colocado.

Nunca, como monárquicos que querem o melhor para Portugal e os portugueses e não só, deveremos desrespeita-los e saltar por cima das posições e interesses destes.

Também, não acho corial, que se partam de pressupostos pessoais para conotar de ridicularias todos os que pensam por si mesmos e têm as suas próprias posições e pareceres...é limitativo das Liberdade e Democracia que tanto apregoamos, mas que eu tenho dificuldade em notar, pelo menos em certos círculos monárquicos, apesar de todos se auto-intitularem de tal...

Talvez devido às inúmeras potencialidades da internet, há muito que não se via tanta movimentação entre monárquicos, tornando-nos muito mais visíveis aos olhos de quem nos queira seguir e entender nos espaços que pululam neste meio, mas, com toda esta visibilidade temos também a responsabilidade de mostrar a nossa melhor "face" ao público na sua enorme generalidade.

Hoje, uma sociedade saudável quer-se Livre, Democrática e na qual, os seus componentes terão de ter forçosamente voz e de ser respeitados...não é isso que neste momento estou a ver nos diversos espaços que frequento ou já frequentei...tenta-se impor a todo o custo uma pretensão, que por muito forte que seja não passa aos olhos da Lei, disso mesmo, de uma mera pretensão, tudo se fazendo para calar e abafar quem tenha a ousadia de ter pensamento próprio como já acima disse, quem exponha as suas dúvidas, quem emita questões inconvenentes, etc., etc.

É muito triste e mesmo de má nota pública, notar que mesmo não tendo poder nenhum, há alguns monárquicos que podem ser tão absolutistas e mesmo extremistas, perseguindo, e tudo fazendo para denegrir e abafar os monárquicos mais moderados e liberais...lol...é desencorajante para alguns monárquicos e muito pouco cativante para a tal sociedade que se habituou depois do 25 de Abril a viver em Liberdade e Democracia...mesmo que mal e passando privações...

Meu caro, Todos os monárquicos deveriam isso sim, cerrar fileiras em prol de uma Verdadeira União entre Todos, trabalhar em prol do ideal monárquico dando o exemplo de Civilidade, Democracia e Liberdade que tanto apregoam...como costumo dizer, Todos, nunca seremos de mais para o concretizar das nossas aspirações, que deveria de ser para já, a implantação do regime monárquico sempre em prol dos interesses de Portugal e dos portugueses.

Revendo o nome que o meu caro amigo deu a este seu tópico: "O que divide..."...o que a todos nos divide é a intolerância e a falta de respeito, por muito absurdas que sejam as posições de alguns, a Todos/as deveria de ser devido um mínimo de tolerância e respeito, só assim se constroiem sociedades minimamente Livres e Democráticas.

Com consideração.

Beladona
 
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longair
Monárquico
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Mensagem Enviada: Seg Fev 22, 2010 00:54     Assunto : Responder com Citação
 
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iznoguud
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Mensagem Enviada: Seg Fev 22, 2010 15:43     Assunto : Responder com Citação
 
PARTE – VII, em suma

Nau escreveu:
4. O Estado de Direito é aquele em que as normas jurídicas se encontram devidamente estabelecidas.


E convém não esquecer que igualmente terão de estar a ser implementadas, senão apenas seremos Estado de Direito no papel.

Nau escreveu:
Após a Revolução Francesa, o Direito ganhou uma importância nunca antes vista, pela crescente complexidade das relações humanas, pessoais e económicas. O Direito, por si só, designa um corpo de regras que tem por objectivo organizar a vida da Comunidade, definindo o estatuto de cada órgão, as relações e hierarquias entre os mesmos. Está previsto igualmente no Direito a prerrogativa de cada cidadão avocar as regras que lhe são mais favoráveis, dado que, na essência, as regras deverão ser neutras (Direito objectivo) embora no fenómeno jurídico não se possa eximir das atrás referidas prerrogativas que determinam a aplicação dos Direitos subjectivos. Sempre existiram regras nas comunidades de todos os tempos, também de natureza geral e neutra: “não invocar o nome de Deus em vão”; “não se fala com a boca cheia”; “não se insultam as mães dos árbitros de futebol”; etc., o que subentende a existência de um critério específico (as regras do Direito); um processo causativo (a criação das regras); uma aplicação das mesmas (os Direitos subjectivos).


Meu caro Nau, pergunto-lhe se "comer de boca cheia" o meu caro incorre em alguma pena por ter violado alguma regra "Cívica"?
Quanto muito, que me diga que se "violou" uma regra comportamental ou simplesmente de etiqueta. Mas estas, em nada interferem com aquelas de que estamos a falar.
Também à não muito tempo os Cavalheiros retiravam os chapéus quando cumprimentavam aqueles que chegavam, pergunto-lhe se nota que esta "regra" seja hoje implementada pela nossa Juventude com os seus "chapéus" (Bonés e similares)?

A Lei, enquanto regra definida (logo objectiva) serve para reger os comportamentos de uma Sociedade, implicando uma aderência a estas ou quanto muito o abandono da vivência sob um Estado de Direito.
Já as regras ditas subjectivas, não passarão de "comportamentos" sociais os quais não obrigam a nada (por acaso, até há casos de terem obrigado... mas estavamos em épocas onde a intolerância grassava e eu espero que esses tempos não regressem a Portugal. Presumo que concordará comigo não?).

Nau escreveu:
As regras do Direito têm sempre uma natureza coerciva embora não implique, necessariamente, uma sanção explícita. Todos conhecem as regras de trânsito rodoviário, mas basta visitar algumas cidades portuguesas para nos apercebermos que raramente se respeitam as velocidades máximas estabelecidas;...


Mas meu caro, igualmente TODOS sabem que se estão a arriscar a pagar pelas consequências dos seus actos!
O que quer simplesmente dizer que, à Regras e estas SÃO para cumprir! No entanto o DIREITO à Liberdade, permite que cada um OPTE por não cumprir com as mesmas regras. MAS ao incumprir nestas, o mesmo SUJEITA-SE a ser penalizado no caso de vir a ser apanhado em incumprimento.

Nau escreveu:
Logo, o Estado de direito (constantemente avocado nas Repúblicas dos nossos dias) só ganhou relevância com o esbatimento da figura de “súbdito de Sua Majestade” – súbdito, aquele que tem o direito (prerrogativa) de pertencer a um determinado país, logo da autoridade desse país; cidadão será aquele que tem o direito legal de pertencer a um determinado país, i.e., colombiano por nascimento (súbdito da autoridade colombiana) tomou a cidadania espanhola. É por isso que, sendo a palavra rei a própria majestade, a instituição monárquica está intrinsecamente súbdita à palavra dada: sem rei não há monarquia, embora esta, tendencialmente, exista na continuada eleição de delegados (res publica) pelo Povo mas sob a designação de República e a tutela partidária de um chefe a prazo. Esta mudança de papéis (words, words, words) não é supinamente importante, como também não é importante a invocação do Estado de Direito associado à Democracia, pois esta é a generatriz das regras que não a súbdita das mesmas, pois o fervilhar de vida mutável é característica da Comunidade.


Discordo.

Foi, assim (relativamente à monarquia) de facto por muito tempo. Mas, igualmente, já há muito que tal não correspondia à verdade, por mais que se tivesse mantido a "tradição" desta invocação.

Por isso, aquando da instauração da Monarquia Belga, que estes recusaram que o seu Rei se apelidasse enquanto Rei da Bélgica e optaram antes pela terminologia de Rei dos Belgas (o que é substancialmente diferente).
A Bélgica deixa de ser assim, "feudo pessoal" de um Rei para passar a ser de TODOS os Belgas e o Rei assume, somente, o papel de Primus inter Pares. Um Belga que a TODOS representa.

Em Portugal, devido ao simples facto da Nacionalidade ter "nascido" noutra época. Na qual a Nação era, de facto, "feudo pessoal" do Rei (com tudo o que isso implica a nível legal). Esta terminologia manteve-se até ao final da Monarquia.
No entanto, há já algum tempo que a mesma não tinha qualquer sentido, uma vez que com o passar dos tempos. O sistema Governativo alterou-se por forma a dar ao Povo o seu direito de escolha.
Caímos assim na versão final da Monarquia em Portugal, onde o Rei de Portugal mais correctamente teria sido um Rei dos Portugueses e no fundo apenas um Primus inter Pares, por mais capacidade interventiva que este tivesse tido ou outra coisa qualquer.

Assim, creio que advogar por uma Monarquia Social e esperar que Portugal regresse a uma situação de "feudo pessoal", onde cada Português antes de dever lealdade à sua Nação deva ter lealdade ao seu Rei, corresponderá a correr o mesmo risco que correram os Alemães quando Hitler obrigou as Forças Armadas da mesma Nação a prestarem um Juramento de Lealdade (no fundo vassalagem) à SUA pessoa (com os conhecidos factos decorrentes desta situação)!
Não podemos esquecer que SE, em tempos, a Monarquia correspondia ao Rei e este automaticamente à Pátria a todos os níveis. Os modelos modernos de Monarquia advogam antes que uma Monarquia corresponda a um Rei e que este, apenas, represente o seu Povo e Nação (para além de agir enquanto "Juiz" perante a actuação do Governo, mas tal SEMPRE sob a premissa do "compromisso" assumido pelo Governo perante o Povo aquando da sua eleição).
Há, assim, diferenças marcantes entre ambas as situações e creio que é, em boa parte, relativamente à indefinição destas que existe ainda tanta divisão entre os Monárquicos Portugueses.


Meu caro Nau, eu SOU Monárquico. Mas ANTES do Rei está a minha Pátria e o meu Povo, porque por mais leal que eu seja a este o mesmo NUNCA passará de um Homem e como tal, poderá errar.
Daí a importância deste (o Rei) se manter, o mais o possível, aparte das lutas politicas (conforme a visão actual de uma Monarquia Moderna), mas ao mesmo tempo BEM aconselhado quando for forçado a agir (e agir sem medo ou receios de consequências como é notório nas actuações dos Presidentes da República).

O que no fundo se traduz, não por uma lealdade, a UMA pessoa mutável (e por conseguinte, substituível) mas antes à Pátria, ao Povo e somente a seguir à Dinastia.
O que, como é óbvio, vai contra tudo aquilo que alguns (bastantes) monárquicos defendem ou acreditam. Pois para estes a "palavra" do Rei, ou a figura que mais se assemelhe, corresponde a Lei (mesmo que esta possa até invocar na violação das "Regras" definidas pela Sociedade).

PARTE – VII, em suma

Nau escreveu:
5. o Povo é “a cor local” das novas democracias. Nos tempos idos, tudo se fazia em nome do Rei, não por este ser o dono da “quinta”, mas a referência da Comunidade.


Acredito que sim, mas igualmente acredito que "aquilo" que se fazia em nome do Rei, passou a ser feito em nome da Pátria e do Povo desta... o que não implica que tenhamos deixado de ser uma Monarquia por isso (ou que o voltássemos a ser, no caso de a esta regressarmos).

Nau escreveu:
Hoje, quando os símbolos se multiplicam (...) pouco mais há para dizer por saturação de genéricos, repetindo-se até à exaustão que o Povo é soberano e, às costas deste, se fazem todas as tropelias.


Desculpe, mas ISSO igualmente acontecia "antes" e talvez ainda fosse pior, uma vez que TUDO era tido enquanto culpa do Rei, sem que o pobre do "Homem" tivesse sequer culpa de alguma coisa!

Nau escreveu:
O conjunto de seres humanos que vivem numa comunidade sujeitas às mesmas leis, unidos por identidade de origem e cultura é uma das possíveis definições do nome colectivo Povo ... Com o Povo ignaro poucos se identificam, mas este é, tendencialmente, a maioria na comunidade, ... Porém, a grande burguesia ou os tecnocratas de serviço, ... é com estes que conta para manipular ... o Poder, através do voto.


Ui... "Isto" cheira-me à apologia da "suspensão" de direitos ao Povo, visto que estes são susceptíveis (se bem o entendi) de serem usados em prol de interesses de outrem.
Não estaremos assim perante uma apologia de um regresso ao Absolutismo por parte do meu caro?

Nau escreveu:
Por favor não me venham falar dos ancestrais direitos do Povo português e/ou o Povo tem sempre uma palavra a dizer, pois isso soa a ladainha de “beatas de sacristia” e/ou a tirada política de barbeiro de aldeia.


Pelo que depreendo, o meu caro é apologista da separação de classes!
Uma vez que SE o Povo é incapaz de ter uma palavra a dizer, ou quanto muito, susceptível (de uma forma alargada) de ser corruptível. Então o papel advogado por mim e outros para o Povo, sob uma Monarquia Moderna terá de ser SUBSTITUÍDO por terceiros.
A quem, então, caberia tal Poder de decisão? À Nobreza? Ao Clero? Ao Rei? Ou a alguns "Eleitos"? E sob que moldes?

Nau escreveu:
Sem dúvida que, no centralismo-democrático, a votação piramidal por assembleias múltiplas ascendentes é mais objectiva do que o sufrágio nos regímenes parlamentares padronizados na Europa ocidental, mas não creio que o modelo político Norte-Coreano tenha muitos adeptos em terras lusas … O Povo é soberano e a Democracia é dinâmica e, sobretudo, perfectível através da acção concertada, do diálogo, dos consensos alargados e, por razão de honestidade intelectual, jamais deverá ser invocada para suporte de esquemas políticos de conveniência e/ou agrado particular.


Meu caro, NENHUM Sistema Político é perfeito. Há sempre quem abusa ou quem procura abusar mas tal não é justificativo, per si, da falência de um Sistema.
Em todo o caso, eu prefiro este sistema falível a ter um no qual os direitos da maioria são colocados à margem por conveniência ou se considerar que desta forma é mais fácil prosseguir com um qualquer objectivo para a Pátria (e por conseguinte, o Povo).

PARTE VII – em suma

Nau escreveu:
6. A implantação da Monarquia só é possível através do número de cidadãos criteriosos e estes não são produzidos como se chouriços fossem: ...


Mas, já notou que os "Cidadãos Criteriosos" variam de personalidade para personalidade? Aqueles que serão, para si criteriosos, aparentemente não o serão para mim e vice-versa?

Nau escreveu:
É a formação de homens de corpo inteiro que importa e não legalidades extemporâneas.


Desculpe, mas estamos a falar de "Carneiros" ou de Homens?
As Leis são feitas para regrar a Sociedade, estas deverão (pelo menos é esse o seu intuito) representar a vontade da mesma. Devendo por isso ser avaliadas periodicamente quanto ao seu interesse e validade.
Assim por mais que procuremos "educar" quem quer que seja, nunca nos deveríamos de esquecer que estamos (e continuamos) sujeitos a Regras (ou seja, Leis, por mais "ultrapassadas" que as mesmas pareçam, até quando estas forem revogadas. E se for necessário ESPECIFICAMENTE).

Nau escreveu:
A República nasceu, à semelhança de todas as outras rebeliões que tiveram lugar no decurso do século passado, como uma insurreição contra a ordem estabelecida.


Desculpe... mas pensava que era assim que a maioria das Nações tinha nascido. Afinal de contas, não foi o que se passou com Portugal?

Nau escreveu:
...Com este comentário, não pretendo fazer a apologia da rebelião, mas salientar a importância dos monárquicos se afirmarem como revolucionários, pois o que importa na comunidade portuguesa de hoje é a mudança de atitude em relação ao consumismo descontrolado que, em boa parte, está na origem dos desequilíbrios (privados e públicos);


Finalmente concordo com algo Nau. Já estava a desesperar lol...

Nau escreveu:
...em relação aos costumes desbragados que se abraçam como hedónicos sem o assumir de responsabilidades;


Como por exemplo e porquê, se não se importar?

Nau escreveu:
...em relação ao fraco senso prático para a avaliação das situações e ao diletante espírito criativo para vencer as dificuldades – do presente, bem como as do futuro.


Isso é apenas uma opinião. Aposto que SE formos a avaliar as MESMAS situações, delinearemos avaliações diferentes destas. Onde é que isso nos levará? Eu sei onde é que isso nos deveria levar e também sei onde é que muitos não querem que nos leve. E o meu caro?

Nau escreveu:
A Comunidade portuguesa ... tem meios de sustentabilidade próprios:


Boa... somos auto-suficientes e eu não o sabia... a ver vamos!

Nau escreveu:
...prover do necessário à vida;


E o que é, para o meu caro Nau, necessário para que se "viva" condignamente?

Nau escreveu:
concorrer em forças, méritos, valor com quaisquer outros povos;


Temos dúvidas quanto a isso? No entanto creio que há, sempre, situações e situações... por exemplo, em 1890 estava Portugal preparado para fazer frente à Inglaterra? O que teria feito o Nau SE tivesse estado no papel d'el Rei D. Carlos?

Nau escreveu:
criar, permitir o desenvolvimento de novas tecnologias que permitirão optimizar os recursos naturais (o Sol, o Mar, a terra natal).


E não esquecer que boa parte destas tecnologias foi IMPORTADA de outros Povos e Nações, visto que Portugal não tinha sequer as bases para poder começar a desenvolver o que quer que fosse...

(Não quero desprestigiar a nossa "Classe" Científica, a qual sei que é muito boa, mas não posso deixar de indicar que HOJE, não há grandes desenvolvimentos que não tenham implicado "importações" tecnológicas de algures. E tanto falo cá dentro, como lá fora).

Nau escreveu:
Não se confinando a uma Europa cada vez mais emburguesada, burocrática e egoísta, Portugal tem a alternativa de outras comunidades distintas, mas com uma expressão familiar – a língua portuguesa – bastando despir-se dos preconceitos de inferioridade/superioridade em relação a brasileiros, angolanos, moçambicanos, etc., pois o importante é conviver como bons parceiros na ajuda mútua para a conquista da Felicidade.


Desculpe-me, mas mais burocrática e egoísta que Portugal?! No dia em que a Europa ficar tão burocrática e egoísta como Portugal, então deveríamos estar felizes pois estaremos, finalmente, em casa!

Portugal DEVE associar-se à Europa, enquanto Nação Europeia que é. Mas, o que me confunde, é a insistência em que a prossecução de tal objectivo implica o abandono de toda e qualquer ligação com as Nações Lusófonas do Mundo!
Desculpe, mas isso é ser-se perfeitamente ignorante. Pois pelo simples facto de estarmos associados ou integrados na Europa tem a ver com a prossecução de apostas ou inter-relacionamentos com as Nações Lusófonas?!

Nau escreveu:
A implantação da Monarquia é o tomar consciência da força da razão, lutando pelo essencial, contra caprichos pessoais.


Caprichos pessoais de quem? De um Presidente? Mas estes, já nós sabemos que são falaciosos.
Já quanto a uma Monarquia, os Portugueses não sabem o que esperar de um Rei. Podendo desde já afiançar-lhe que ATÉ esperam mais caprichos pessoais do numa República, apenas pelo facto de considerarem que uma Monarquia HOJE, equivale a um Rei que não passe de um D. Afonso Henriques (falamos assim de uma Monarquia do Século XII, enquanto exemplo daquilo que é depreendido enquanto Monarquia pelos presentes Portugueses do Século XXI).

IzNoGuud
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iznoguud
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Mensagem Enviada: Ter Fev 23, 2010 16:56     Assunto : Responder com Citação
 
PARTE – VII, em suma

Nau escreveu:
7. Indisciplinado por natureza, resta aos membros da Comunidade lusa procurar esquemas que lhes permitam viver dignamente, de acordo com os meios e a sua capacidade de adaptação às mais adversas condições, o que se verifica quando bem enquadrado nos múltiplos cometimentos: de investigação, de fabrico, gestão, criativos, etc. Logo, é na participação activa da feitura dos projectos, na condução dos mesmos e no assumir de decisões e responsabilidades que a gente lusa se poderá exercitar para a construção de um futuro melhor de rosto português, abandonando o individualismo inculcado pelos mestres republicanos e dedicando-se ao estudo e prática do associativismo.


Eu sempre que disse que, não há nada melhor no estrangeiro do que ser Português! Pois SE somos capazes de "arranhar" uma vida em Portugal. Lá por fora a gente domina. Wink

Nau escreveu:
Basta começar por pequenas tertúlias familiares, vicinais, académicas etc., até ganhar consistência em projectos com pernas para andar (unidades de consumo, de produção, de distribuição; editoras livreiras/audiovisuais; postos de radiodifusão; institutos de ensino jovem/sénior; mútuas financeiras, etc.) na linha tradicional do APC (Amizade, Proximidade, Capacidade). O CECIM (Centro de Estudos Cooperativos de Inspiração Monárquica) oportunamente deu as dicas para a fundação de uma cooperativa (trâmites, sugestões).


Porque não, porque não...

PARTE - 0

Nau escreveu:
1. Em sete apontamentos expus o que entendo por doutrina monárquica. Outros, melhor do que eu, de modo mais sucinto como Longair alvitrou, darão conta do recado mais airosamente, começando por explicar a razão de ser monárquico - poucos o fazem.


É uma verdade, existe bastante desinteresse ou até medo entre os monárquicos para que este não sejam capazes de avançar e dizer, sucintamente se possível, o porquê de serem monárquicos.

Será que entre os monárquicos reina o temor de os mesmos serem "rotulados" e como tal "descartados" ante os seus pares?
Ridículo! No entanto o silêncio mantém-se entre os monárquicos que teimam em não expressar os porquês de serem monárquicos.

Nau escreveu:
2. Toda a opção política se quer meticulosamente ponderada pois o critério para qualquer decisão, forçosamente, será diferente da mera arregimentação clubista onde impera o acto fortuito e irracional. A arte política mexe com todos e desta estamos condenados a ser aprendizes a vida fora.


Perfeitamente de acordo.

Nau escreveu:
3. O criticar parece fácil e, para alguns, é dizer coisas ... mas toda crítica tem por substracto uma bitola (o critério), logo não é um trabalho de demolição, mas um deliberado esforço de compreender e debater, não sendo este último verbo sinónimo de rebater.


Novamente completamente de acordo.

Nau escreveu:
4. Como cooperativista defendo o diálogo e o consenso possível, tendo como bitola o bem-comum, i.e., a Comunidade das comunidades em que nos encontramos inseridos;


Concordo. Em Democracia é, virtualmente, impossível conseguir o consenso total estando assim "forçados" a trabalhar com consensos possíveis. No entanto estamos obrigados a manter um diálogo/debate antes da procura de consensos e igualmente a seguir as regras (definidas) existentes, por forma a legitimar dessa maneira todo o processo decorrente.

Nau escreveu:
como democrata (volto a frizar) defendo a Monarquia por esta obviar tutelas de chefes a prazo que, tendenciosamente, viciam o jogo democrático ...


Uma vez mais de acordo.

Nau escreveu:
5. O Governo e a Administração ao Povo pertencem; logo, o que almejamos são cidadãos criteriosos e determinados em defender o bem-comum, dispensando os cavaleiros da política que apenas procuram ascender a postos de comando por vaidade, fome do Poder ou apetites nada frugais, como se verifica nos proventos que, pela posição conquistada e, por vezes, sem grande mérito, auferem.


E uma vez mais de acordo.

Nau escreveu:
6. Tudo a bem da Comunidade, nada contra esta; a preocupação de todos deverá ser orientada para a gestão das potencialidades individuais e colectivas abdicando dos rodriguinhos políticos com que alguns teimam em se enredarem.


Novamente de acordo. Infelizmente o que acontece, entre monárquicos, é que a adesão de alguns ao estricto seguir das "regras" é tido por outros, precisamente, enquanto "joguinhos" políticos. Sendo que o reverso igualmente acontece, pois os primeiros julgam que os segundos apenas procuram "saltar" regras ou seja desvirtuando a, necessária, legitimidade que todo o processo carece.

Nau escreveu:
É bom ter presente que a agenda política deverá ser por nós estabelecida que não pelos nossos adversários.


Concordo. No entanto convém não esquecer que este tipo de atitude corresponde, afinal de contas, a um "joguinho" político.

Nau escreveu:
7. de memória cito Pessoa: "Triste de quem é feliz - vive porque a vida dura! Nada na alma lhe diz ter por bens de raíz a vida por sepultura". Sejamos exigentes: não queremos ser felizes pelas razões apresentadas pelo poeta; exigimos a Felicidade para todos - conscientes e determinados.


Em igualdade ou mantendo as actuais divisões de que padece a presente Sociedade Portuguesa?

Nau escreveu:
Permitam-me que chame a atenção dos eventuais leitores deste espaço para o notável apontamento de IzNoguud "O Rei É", de 21 do mês findo (Facebook ?), apenas acrescentando que a frase "Le roi n'admnistre pas, ne gouverne pas - il règne" pertence a Louis Adolphe Thiers (1799-1877) que a pronunciou no Parlamento a 4 de Fevereiro de 1830...


Apesar de já me ter pronunciado face a este seu apontamento. Não quero deixar de voltar a agradecer pelo seguimento dos meus escrito no Facebook, por parte do meu caro ou dos seus amigos, e para lhe pedir que me indique quem é o meu caro, ou os seus amigos, por forma a que eu possa então facultar o acesso à totalidade dos meus escritos.

Num aparte, reconheço que não tinha percepção que a frase seria da autoria do Sr. Thiers, mas que lhe posso afiançar que ao contrário deste eu, de facto, não sou Republicano.

Nau escreveu:
1. A importância do apontamento de IzNoguud reside no facto deste, sem preocupações literárias e apenas ouvindo o seu coração,...


Smile Acabaram de me chamar de inculto lol...

Nau escreveu:
...recolocou o problema no reduto dos constitucionalistas monárquicos do século XIX - o monarca reina mas não governa.


Precisamente.

Nau escreveu:
2. O princípio avocado tem raízes profundas na Curia Regis dos tempos medievais. Reservado a alguns nobres e membros da Igreja, foi convenientemente alargado através da inclusão de figuras grandes da nobreza e da crescente burguesia, no século XIII.

3. Em 1688, o Parlamento das Ilhas Britânicas ganhou poderes legislativos sobre os impostos, bem como sobre as despesas públicas, tornando-se a fonte inspiradora dos "Encyclopédistes Françaises" (Diderot e d'Alembert) do século XVIII que, na linha da verve latina, descambou nas ruas, para gáudio dos arrivistas.

4. Os possidentes rejubilaram com a oportunidade que lhes é oferecida e, através de delegados da sua confiança, eleitos por sufrágio universal, estabelecem finalmente as regras que lhes são mais caras, legalmente incontestaveis, consagradas na fórmula Estado de Direito.


Como é bonita a "evolução" política Smile

Pelo menos sabemos que para que a Monarquia não vá abaixo, enquanto opção, esta teve de saber incorporar os ensejos crescentes do Povo até que se firmou a "regra" do Monarca reinar mas não governar!

Nau escreveu:
5. Durante largo tempo os desprovidos sofreram a exploração desenfreada dos possidentes na presunção de que estes eram o motor do progresso que, ao fim e ao cabo, a todos beneficiaria, mas a voracidade dos grandes é pantagruélica,sendo apenas lenitivos os esforços esmoleres da Igreja, bem como os esquemas redistribuitivos dos sociais-democratas.

6. A demagogia excede-se através das élites da direita (fascistas, integralistas, corporativistas, etc.), bem como dos tecnocratas da esquerda (socialistas, socais-facistas, comunistas, etc.) que, espartilhados por programas teóricos de duvidoso efeito, procuram controlar a massa ignara, bem como o respaldo das cadeiras do Poder.


Políticos! Sempre a olhar para o seu umbigo e a esquecerem-se que a razão de ser dos mesmos se prende com o Serviço a prestar pelos mesmos à Comunidade.
E isto independentemente de estarmo sob uma Monarquia ou uma República e daí a mui necessária reestruturação de como esta, a política, deverá funcionar sob uma Monarquia Portuguesa do Século XXI.

Nau escreveu:
7. O monarca reina e não governa pois, através do associativismo, os membros desprovidos da comunidade ganham maior evidência e responsabilidade na solução dos problemas que a todos diz respeito; o monarca é o garante da democracia e o símbolo desta na versão hodierna da Monarquia Social.


É uma opção. A minha seria mais virada para o recurso às novas tecnologias e à implementação de formas do Povo poder participar mais activamente em algumas tomadas de decisão (em especial para aquelas nas quais os Governos não estivessem, claramente, mandatados e onde não fosse imperiosa a necessidade de uma tomada de decisão imediata).

Nau escreveu:
1. Louis Philipe Thiers entrou nos anais da história com a máxima política "o monarca reina, não governa" e o epíteto de algoz da Comuna de Paris pela repressão impiedosa que ordenou fazer sobre a população sublevada daquela cidade, enquanto exercia as funções de Presidente da III República Francesa.

2. Suspeito de simpatia pela instituição monárquica, afirmava que esta, dificilmente, tornaria a vigorar em França, devido à constante disputa entre os herdeiros dinásticos da Casa de Bourbon, Casa de Orléans e da Casa Imperial.


Ou seja... o meu caro dá a entender que estaríamos perante um Monárquico, o qual aceitou trabalhar sob a República, com o intuito de procurar melhorar a condição do Povo (Françês).
Pôôô... e eu a ser incorrecto com o Sr. Thiers, o qual apelidei de Republicano. O meu pedido de desculpas à memória do dito Senhor.

Nau escreveu:
O povo a seu tempo escolherá quem mais lhe convém, assumem os nefelibatas e as repúblicas vão se sucedendo, de acordo com as modas e o carisma dos chefes.


A, aparente, incapacidade dos (monárquicos) Franceses serem incapazes de se... decidir, não deve ser olhada enquanto razão para que em Portugal se pretendam "saltar" passos pelos nossos monárquicos.

Nau escreveu:
3. Uma minoria da população francesa trabalha para enriquecer materialmente, enquanto que uma maioria relativa se contenta com um salário que lhe permita o essencial (a casita, a viatura, as feriasitas, etc.) e a pensão paga pelo Estado ao atingir o limite de idade previsto para o afastamento do sector produtivo. A restante população desistiu de fazer qualquer coisa e pretende que seja a Comunidade que, simplesmente, os mantenha vivos.


Estamos, como quase todas as demais Sociedades do dito Mundo Ocidental, em igual circunstância.

Nau escreveu:
4. Na globalização os esquemas pouco variam, acentuando-se a miséria e a fome nas regiões do planeta onde os recursos naturais pouco abundam e as grandes potências não mostram qualquer interesse pela mão de obra barata, ou pela possibilidade de se disfrutar de paisagens idílicas locais; pela existência de climas convidativos ao lazer, etc..


Discordo, não considero que a "culpa" seja da globalização per si mas antes dos Políticos que demonstram ser incapazes de lidar com as imposições que um Mundo mais interligado entre si impõem.
Arrisca-mo-nos a ver ser tornado realidade o futuro de Hollywood onde as Nações eram substituidas pelas Corporações Multi-Nacionais. Bastando olhar para o que acontece no Japão para se ter uma ideia do que se arrisca a ser a norma Global.

Nau escreveu:
5. No seu apontamento, IzNoguud salienta o rei como o símbolo da camunidade numa figura paternal que, não existindo na instituição republicana, esta utiliza o sucedâneo de guardião da Lei, à semelhança do transitório cabo de guerra em relação aos soldados que se encontram sob a sua alçada.

6. O cabo de guerra disfruta da camaradagem dos seus companheiros de armas, tendo o Presidente da República o mesmíssimo sentimento em relação aos sequazes que o apoiam, embora se persista no embuste do chefe de todos os cidadãos e, na falta de uma rainha, na "Primeira Dama" (não sufragada) da República.


Concordo.

Nau escreveu:
7. O convite para se ler e comentar o apontamento de IzNoguud não é um incentivo para se contradizer este ou aquele ponto focado no mesmo, mas o apelo a um pequeno esforço intelectual para, individualmente, todos se aperceberam da importância de congeminarem acerca de verdades, por vezes suportadas por meros preconceitos.


Obrigado.

IzNoGuud
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nau
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Mensagem Enviada: Qua Fev 24, 2010 08:03     Assunto : O que divide Responder com Citação
 
Caríssima Beladona,

1. Do meu apontamento do dia 21 do corrente, originado pelos debates acerca do movimento cooperativista, a situação económica e a conjuntura política portuguesas, a Caríssima Beladona fez apressadas interpretações com as quais não posso estar de acordo.

2. Talvez por vício profissional e fraca disponibilidade de tempo (só durante as minhas deslocações é que vou tendo possibilidade de escrever umas linhasitas) procuro explicar a significação das coisas, segundo o entendimento que tenho das mesmas, sem o recurso às adequadas fontes - bom será ter acerca destas matérias um espírito aberto, nunca em demasia a fim de evitar que o mesmo se evola, se exaura, incapacitando uma visão descomprometida dos assuntos - limitado a um ou outro aspecto dos temas em discussão, sem possibilidade de construir uma resposta cabal às questões por si levantadas.

3. Como, de certo, já reparou, evito sempre os termos de pátria ou de nação nos meus escritos, e porquê? Nação é um conceito muito nebuloso porquanto parece condicionar o indivíduo ao local em que veio ao mundo. Ora vejamos. Alguém que tenha nascido em Moçambique (vamos esquecer o facto deste território ter estado sob a admnistração portuguesa) será moçambicano por nascimento, podendo optar, nos nossos dias, quer pela cidadania local, quer pela cidadania portuguesa, caso os seus progenitores estejam compreendidos nesse conceito.

4 Para mim, o que prevalece é o espírito de comunidade, porquanto é nesta que o indivíduo se realiza. Logo, a Comunidade Portuguesa consiste dos indígenas, dos angolanoss, dos brasileiros, dos cabo-verdianos, dos ucranianos, etc., até porque são estes que estão a remoçar o tecido de uma comunidade tencialmente envelhecida, causando-me sérias apreensões a xenofobia que detecto nos actos e palavras de largo número de pessoas que, aflitas pelas dificuldades económicas do presente, se tornam irracionalmente patriotas.

5. Posto isto, vamos tentar perceber um outro fenómeno dos nossos dias. A República não está doente ou podre como afirmou. A Comunidade Portuguesa (i.e., a res publica) é que se encontra apática, aparentemente sem capacidade de resposta aos desafios que se apresentam; excessivamente preconceituosa, egoísta e desorientada. Logo, é a Comunidade Portuguesa que precisa de tomar consciência dos problemas graves que existem; assumir as responsabilidades solidariamente e intervir de modo judicioso na gestão do Bem-comum. Não há diferenças (éticas, físicas ou mentais) entre Monárquicos e Republicanos. São precisos cidadãos criteriosos porquanto, a partir destes, a Monarquia Social será uma realidade.

6. É bom distinguir o Estado de Direito (cuja definição já fiz em anterior apontamento) do acto político. Sem dúvida que a instituição monárquica que caíu em 4 de Outubro de 1910 correspondia à corrente definição de Estado de Direito e o regimen que o substitui estava dentro do mesmo juizo pois, o que então ocorreu (rebelião contra a ordem estabelecida), foi um facto político.Logo, é bom não confundir uma coisa com a outra. Sem dúvida que EUA é um Estado de Direito de referência, não obstante os Guantanamos que vamos tomando conhecimento.

7. D. Maria II nasceu a 4 de Janeiro de 1819, na capital do então território português. Porém, não consta que tenha optado pela cidadania portuguesa, conforme a lei impunha, após a declaração de independência do Brasil. Por outro lado, D. Pedro que entrou na história de Portugal como o IV do seu nome, cometeu um crime de lesa-pátria ao proclamar a referida independência, tendo abdicado da Coroa Imperial porque, na jovem monarquia, a reunião das duas Coroas não era vista com bons olhos. Ambos os exemplos reflectem actos (factos) políticos.

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Nau
 
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nau
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Mensagem Enviada: Dom Fev 28, 2010 06:42     Assunto : O que divide Responder com Citação
 
1. Nos primeiros dias do corrente mês, foi alertado este espaço para um tema de grande importância. Sob o título "O Rei É", IzNoguud questiona fundamentos que, pelos silêncos do costume, têm passado despercebidos.

2.A razão de ser das coisas pode desgostar os mais timoratos, mas a consideração atenta das opções tomadas por livre escolha e admitidas como axioma é uma prática salutar, aliás, excelente.

3. Não basta ser, dado que a percepção de algo pela inteligência fundamenta atitudes e permite uma clara exposição das ideias, particularmente quando cuidamos esclarecer outrém das posições assumidas.

4. O preconceito tanto existe do lado dos republicanos como dos monárquicos e a única maneira do combater é através da aclaração das ideias, do debate dos problemas, isto é, o pegar o touro pelos cornos.

5. Durante a celebração do centenário da República é natural que o alardear encomiástico dos fundamentos desta se torne mais frequente, pelo que é bom estar preparado com a adequada resposta.

6. O clubismo é uma alternativa ao exercício mental, mas deverá ficar limitado a tudo que se refira ao espectáculo futebolístico - quer na função propriamente dita, quer nos esclarecedores debates que a citada função proporcionam.

7. Quem tem a ousadia de reler "O Re É" e deixar aqui o pertinente comentário?


Nau
 
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nau
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Mensagem Enviada: Ter Mar 02, 2010 09:41     Assunto : O que divide Responder com Citação
 
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1. O apontamento do dia 24 deu escândalo. Então os Monárquicos são iguais aos Republicanos! Os Amigos que muito estimo não me pouparam com dichotes e fizeram questão de sublinhar que a diferença entre uns e outros reside, fundamentalmente, nos Valores (VALORES!) que, por mero acaso, até são comuns. Para evitar dislates desta natureza, foi decidido que, na testa, os Monárquicos exibissem um "M" e os Republicanos um "R". Espero que esta proposta mereça um alargado consenso - entre Monárquicos e Republicanos.

2. Se bem me lembro, no final do último apontamento, andava eu lá pelos Brasis; agora é tempo de regressar à Velha Europa e,
particularmente, ao Conselho de Estado do tempo da Monarquia que era formado pelos Pares do Reino, Conselheiros, dignitários da Igreja, etc.. Este órgão, inicialmente, apoiou o filho primogénito de D. João VI na secreta esperança de voltar a unir as duas Coroas, acto percursor da "Angola é nossa", orquestrada e cantada pelos patriotas do costume. Esvanecida a hipótese da reunificação, o dito Conselho reconheceu D. Miguel como o herdeiro da Coroa Portuguesa, após a chegada deste ao reino, no intervalo do requintado exílio que gozava na Corte de Viena, na Austria

3. Em suma: quer D. Pedro, quer D. Maria foram reis antes da confirmação ter sido efectuada pelas Cortes e depois destas, na versão tradicional (Clero, Nobreza e Povo) ter consagrado D. Miguel como rei de facto. D. Miguel foi um monarca muito popular (a figura gentil deste em "ícones" profusos mantém-se na posse de famílias de origem as mais humildes) embora pouco atento aos assuntos de Estado, estes geridos por um ultramontano (Conde de Basto) que muito contribuiu para a queda do soberano.

4. Sem dúvida que a corrente liberal correspondia aos novos tempos e seria por mim apoiada caso tivesse nascido no início do século XIX. Mas a razão destes apontamentos é sublinhar que o herdeiro da Coroa Portuguesa era confirmado pelo Conselho de Estado (na linha restrita do Concilium Regis) após o herdeiro ter assumido as suas responsabilidades dinásticas e nunca pelo Povo, como os cripto-republicanos agora querem dar a entender.

5. Na falta de um descendente directo do último soberano reinante, e na inexistência de um Conselho de Estado, as organizações monárquicas - compreendendo os antigos Conselheiros da Monarquia, a restante nobreza, dignitários da Igreja e representantes populares - aclamaram D. Duarte Nuno (então um adolescente) Rei de Portugal, sem qualquer oposição e/ou alternativa declarada. As reticências anteriormente levantadas por D. Manuel II (ajuramentado ao liberalismo) eram devidas ao movimento preponderante de então (Integralismo) defender a versão do Estado musculado (o Corporativismo) que, com as corruptelas do costume, foi adoptado pela Salazarquia.

6. Logo, a aclamação de D. Duarte Nuno não se tratou de passar por cima de regras e/ou de leis mas, pelo contrário, o cumprimento dos princípios da doutrina monárquica: "Morreu o Rei. Viva o Rei!"; o assumir das responsabilidades dinásticas pelo presuntivo herdeiro; o asseverar que não há disputas no topo da instituição; o entender que o Governo e a Administração ao Povo pertencem. Os actos políticos deverão ser tidos como tal e o Estado de Direito não precisa de ser evocado apenas para satisfazer agrados que nada têm a ver com a doutrina monárquica, nem tão pouco com os interesses da Comunidade que a dita doutrina, de facto, protege(repito) obviando disputas no topo da instituição, pelo que nada vale contestar por contestar, sem a ponderação adequada.

7. A doutrina monárquica acentua a importância do espirito da Comunidade, este devotado à solução dos problemas que existem no seu meio, deixando que os símbolos de referência (no caso vertente, o soberano) seja determinado segundo os preceitos genealógicos e o assumir das responsabilidades dinásticas como, a seu tempo, pai (D. Duarte Nuno) e filho (D. Duarte Pio) o fizeram. Há um par de anos conheci o herdeiro da Coroa Real da Coreia, do ramo banido pelos japoneses em 1895. Mesmo quando não vigoram as Leis da Monarquia, a sucessão nesta fica, naturalmente, assegurada, tanto pela observação da linhagem, como pela assunção das responsabilidades dinásticas pelo presuntivo herdeiro.

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Nau
 
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iznoguud
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Mensagem Enviada: Ter Mar 02, 2010 18:50     Assunto : Responder com Citação
 
O meu caro Nau é "malvado" Cool

Nem me permite terminar a minha análise dos seus textos ANTES de avançar com um texto "sopimpa" o suficiente para me fazer desejar "saltar" posts Mr. Green

IzNo
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iznoguud
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Mensagem Enviada: Qua Mar 03, 2010 12:31     Assunto : Responder com Citação
 
nau escreveu:
1. O apontamento do dia 24 deu escândalo.


Pergunto-lhe onde é que o seu apontamento de dia 24 deu escândalo, pois sinceramente não notei (no www.monarquicos.com pelo menos) qualquer subida de tom quanto aos comentários.

nau escreveu:
Então os Monárquicos são iguais aos Republicanos! Os Amigos que muito estimo não me pouparam com dichotes e fizeram questão de sublinhar que a diferença entre uns e outros reside, fundamentalmente, nos Valores (VALORES!) que, por mero acaso, até são comuns.


Eu, por acaso até afirmo que muitos dos Valores que afirmamos defender, de facto, são partilhados pelos Republicanos.

Daí, presumo que o meu caro se esteja a referir a mim no seu texto.

Em todo o caso, a minha afirmação apenas procura indicar que a questão dos Valores não se prende, maioritariamente à questão Regimental, mas antes à interpretação que é feita dos mesmos. Residindo aqui, em boa parte, uma grande diferença daquilo que nos distingue dos Republicanos.

nau escreveu:
2. Se bem me lembro, no final do último apontamento, andava eu lá pelos Brasis; agora é tempo de regressar à Velha Europa e, particularmente, ao Conselho de Estado do tempo da Monarquia que era formado pelos Pares do Reino, Conselheiros, dignitários da Igreja, etc.. Este órgão, inicialmente, apoiou o filho primogénito de D. João VI na secreta esperança de voltar a unir as duas Coroas,... Esvanecida a hipótese da reunificação, o dito Conselho reconheceu D. Miguel como o herdeiro da Coroa Portuguesa, após a chegada deste ao reino, no intervalo do requintado exílio que gozava na Corte de Viena, na Austria.


Acho, por demais, curiosa a sua visão de que a Sucessão em Portugal nesta altura se tenha baseado na questão da manutenção, ou não, do Império. Sendo que SE a mesma tivesse ocorrido, então dar-se-ia a entender de que o Sr. D. Pedro (IV) seria aceite com todo o agrado apesar de este ter dado a independência ao Brasil! O que, na sua opinião, não terá acontecido uma vez que se optou por D. Miguel, visto que a manutenção do Império não aconteceu da melhor forma.

Aqui, partimos para conjecturas (pelo menos eu parto) pois se ao estudarmos a situação política à altura notamos que:

D. João VI, aquando do seu falecimento, aparentemente assassinato por arsénico (o que somente vem levantar MAIS questões), tinha deixado perfeitamente claro que a Sucessão Presuntiva se manteria no então Imperador D. Pedro I do Brasil, seu filho primogénito.

Situação a qual levanta uma quantidade enorme de perguntas, visto que como o meu caro Nau muito bem afirma, este era (para todos os efeitos) Imperador do Brasil, logo cidadão de outra Nação que não a Portuguesa, logo que não estaria elegível para suceder a D. João VI (pelas mesmíssimas "Leis" da Sucessão).

Assim é forçosa a pergunta do PORQUÊ de D. João VI manter enquanto seu Herdeiro D. Pedro, quando o mesmo (para todos os efeitos) teria "traído" Portugal e NÃO seria ELEGÍVEL para o Trono Português. Ainda mais quando por menos D. Miguel foi "banido", na realidade exilado, para o estrangeiro (numa versão de... férias forçadas, para ver se o mesmo acalmava as ideias)?

Entramos agora nas conjecturas, mas das duas uma:

OU D. Miguel era uma hipótese TÃO MÁ, que D. João VI opta por dar a Sucessão Presuntiva a D. Pedro o qual tinha "traído" Portugal OU a Independência do Brasil foi CONCERTADA por forma a salvaguardar quer a unidade do Brasil, o que é hoje defendido por inúmeros Historiadores os quais afirmam que SE não fosse D. Pedro I, IV em Portugal, o Brasil ter-se-ia muito provavelmente dividido em 2 ou 3 Repúblicas.

Assumindo que a Independência do Brasil foi, conforme disse, CONCERTADA. Então podemos afirmar que esta acção, ao ser preventiva face a possíveis tentativas de independência do Brasil, conforme acontecia por toda a América Espanhola. Permitiria, no caso de D. João VI sobreviver por mais alguns anos do que aqueles que viveu (daí a opção deste ter sido assassinado ser interessante de se estudar em especial quanto aqueles que teriam beneficiado do mesmo assassinato), a que D. Pedro IV consolidasse o Império Brasileiro ANTES de ser possível a reunificação do Brasil com Portugal numa Coroa Bicéfala como aconteceu com o Império Autro-Húngaro.

Situação pela qual D. Pedro IV, recusa (após consulta ao seu conselho) a Coroa Portuguesa quando esta lhe é oferecida, passando os seus direitos para a Sra. sua Filha a futura D. Maria II, a qual para todos os efeitos teria de ser tomada em conta pelas Cortes.

Interessa AQUI reter que a então Regente do Reino, Infanta D. Isabel, a qual (aparentemente) RESPEITA a posição assumida por D. João VI, "oferecendo" a Coroa a um "Soberano Estrangeiro". Creio que podemos presumir que TANTO D. João VI como a Infanta D. Isabel teriam PLENO conhecimento das "Leis" da Sucessão Portuguesa quando optaram por esta alternativa!

nau escreveu:
3. Em suma: quer D. Pedro, quer D. Maria foram reis antes da confirmação ter sido efectuada pelas Cortes e depois destas, na versão tradicional (Clero, Nobreza e Povo) ter consagrado D. Miguel como rei de facto.


Não sei até que ponto as mesmas (Cortes) foram ou não legítimas. Uma vez que não tenho todos os dados de que gostaria ao meu dispor neste momento.

No entanto acho estranho que APÓS um acordo entre D. Pedro e D. Miguel, no qual este agiria enquanto Regente e Príncipe Consorte após o seu casamento com a Sra. D. Maria II. Acordo este o qual foi, para todos os efeitos, aceite pelo mesmo. Este assume a Coroa após aquela que terá sido, conjecturo, mais uma manobra teatral nas "Cortes de 1828" quando, aquele que seria um Príncipe Consorte e sem ter, aparentemente, apresentado qualquer Pretensão ao Trono, sai desta "aclamado" Rei de Portugal mediante uma forma de Governo Absolutista.

nau escreveu:
D. Miguel foi um monarca muito popular...


Como seria de esperar entre aqueles que apoiaram a sua forma de governação, a qual ainda hoje encontra apoiantes entre monárquicos. Da mesma forma como o mesmo foi, de facto, muito impopular entre aqueles que não se reviam nesta forma de governação!

nau escreveu:
...Mas a razão destes apontamentos é sublinhar que o herdeiro da Coroa Portuguesa era confirmado pelo Conselho de Estado (na linha restrita do Concilium Regis) após o herdeiro ter assumido as suas responsabilidades dinásticas e nunca pelo Povo, como os cripto-republicanos agora querem dar a entender.


Desculpe, mas está incorrecto. O Pretendente ou no caso em questão o Herdeiro "Presuntivo", seria de facto confirmado pelo Conselho de Estado. Mas este teria SEMPRE de se submeter a Cortes, ou presentemente ao seu equivalente!

Já outra coisa TOTALMENTE diferente é presumir que à altura as Cortes correspondiam única e exclusivamente à opção do Povo, o que não era verdade à altura mas que HOJE, de facto, aconteceria no equivalente às Cortes.

nau escreveu:
5. Na falta de um descendente directo do último soberano reinante, e na inexistência de um Conselho de Estado, as organizações monárquicas - compreendendo os antigos Conselheiros da Monarquia, a restante nobreza, dignitários da Igreja e representantes populares - aclamaram D. Duarte Nuno (então um adolescente) Rei de Portugal, sem qualquer oposição e/ou alternativa declarada.


Permita-me que seja "grosso", mas do meu ponto de vista digo-lhe desta forma "...azarinho do caraças..." mas tal não é nem suficiente nem motivo para que as "regras" sejam contornadas mediante apenas o "suposto" interesse dos Monárquicos.

O meu caro esquece-se de que a regresso de uma Monarquia a Portugal pode acontecer de duas formas:

1ª Mediante uma Revolução a qual PERMITIRIA, então, aquilo que os meus caros procuram fazer ao "aceitar" a "aclamação" de D. Duarte Nuno (tal como poderia ser até outra pessoa qualquer desde que os monárquicos assim o decidissem).

2º Mediante uma TRANSIÇÃO da República para a Monarquia. O que IMPLICA que se deverão RESPEITAR os trâmites legais existentes. Só que como a República NÃO pode legislar sobre uma temática que a ultrapassa, resta-nos assim apenas CUMPRIR com os requisitos EXISTENTES à altura do dia 4 de Outubro de 1910 e, quanto muito, tomar em consideração a Legislação Republicana que possa (de alguma forma) permitir ou não a consideração de algumas pessoas.

Nota: São, precisamente, estas "considerações" o que permitem que sob a 2ª opção de acima. A Pretensão do Sr. D. Duarte Pio possa, de facto, ser tomada em consideração por mais que a grande maioria dos Monárquicos se reveja na mesma.

nau escreveu:
As reticências anteriormente levantadas por D. Manuel II (ajuramentado ao liberalismo) eram devidas ao movimento preponderante de então (Integralismo) defender a versão do Estado musculado (o Corporativismo) que, com as corruptelas do costume, foi adoptado pela Salazarquia.


As reticências levantadas por D. Manuel II prendem-se ao facto deste estar OBRIGADO a se reger pelas Leis (e Constituição) em vigor até ao dia 4 de Outubro de 1910. Nas quais o Ramo Miguelista estaria, para todos os efeitos, BANIDO da Linha de Sucessão.

nau escreveu:
6. Logo, a aclamação de D. Duarte Nuno não se tratou de passar por cima de regras e/ou de leis mas, pelo contrário, o cumprimento dos princípios da doutrina monárquica: "Morreu o Rei. Viva o Rei!"; o assumir das responsabilidades dinásticas pelo presuntivo herdeiro; o asseverar que não há disputas no topo da instituição; o entender que o Governo e a Administração ao Povo pertencem. Os actos políticos deverão ser tidos como tal e o Estado de Direito não precisa de ser evocado apenas para satisfazer agrados que nada têm a ver com a doutrina monárquica, nem tão pouco com os interesses da Comunidade que a dita doutrina, de facto, protege(repito) obviando disputas no topo da instituição, pelo que nada vale contestar por contestar, sem a ponderação adequada.


Mediante as razões que tenho invocado, ao longo dos tempos assim como agora. Esta "aclamação" APENAS terá algum valor no caso de uma Revolução que implante a Monarquia sob o comando da descendência de D. Duarte Nuno. Todo o mais, é subjacente a tal situação.

nau escreveu:
7. A doutrina monárquica acentua a importância do espirito da Comunidade, este devotado à solução dos problemas que existem no seu meio, deixando que os símbolos de referência (no caso vertente, o soberano) seja determinado segundo os preceitos genealógicos e o assumir das responsabilidades dinásticas como, a seu tempo, pai (D. Duarte Nuno) e filho (D. Duarte Pio) o fizeram.


Infelizmente a QUEBRA na sucessão IMPOSSIBILITOU esta hipótese. Pelo que cabe, de facto, à COMUNIDADE o PAPEL e o DEVER de DECIDIR quanto à instauração de uma NOVA Dinastia por forma a que o processo possa, então, recomeçar.

nau escreveu:
...Há um par de anos conheci o herdeiro da Coroa Real da Coreia, do ramo banido pelos japoneses em 1895. Mesmo quando não vigoram as Leis da Monarquia, a sucessão nesta fica, naturalmente, assegurada, tanto pela observação da linhagem, como pela assunção das responsabilidades dinásticas pelo presuntivo herdeiro.


Aparentemente tal terá sido à alguns anos, uma vez que parece que os mesmos se dividiram (tal como no Brasil durante algum tempo) entre aqueles que seguem o Ramo descendente do Filho (sobrevivente) mais Velho e aqueles que descendem do Filho mais Novo, no qual foi atribuída a Sucessão Presuntiva (por questões internas à especificidade da Monarquia Coreana).

MAS, em todo o caso, creio que tudo estará para ser resolvido em breve mediante uma interessante situação.

E já agora... aparentemente, a maioria da População da Coreia do Sul é a favor da reinstauração da Monarquia.

IzNoGuud

P.S. - Prometo que irei responder, em tempo útil, aos posts em falta (da série 7.x).
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