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nau
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Mensagem Enviada: Sáb Fev 06, 2010 10:51     Assunto : O que divide Responder com Citação
 
PARTE - 0

1. Em sete apontamentos expus o que entendo por doutrina monárquica. Outros, melhor do que eu, de modo mais sucinto como Longair alvitrou, darão conta do recado mais airosamente, começando por explicar a razão de ser monárquico - poucos o fazem.
2. Toda a opção política se quer meticulosamente ponderada pois o critério para qualquer decisão, forçosamente, será diferente da mera arregimentação clubista onde impera o acto fortuito e irracional. A arte política mexe com todos e desta estamos condenados a ser aprendizes a vida fora.
3. O criticar parece fácil e, para alguns, é dizer coisas - pecha de não saber estar calado ou resultado de remoedura frustrante - mas toda crítica tem por substracto uma bitola (o critério), logo não é um trabalho de demolição, mas um deliberado esforço de compreender e debater, não sendo este último verbo sinónimo de rebater.
4. Como cooperativista defendo o diálogo e o consenso possível, tendo como bitola o bem-comum, i.e., a Comunidade das comunidades em que nos encontramos inseridos; como democrata (volto a frizar) defendo a Monarquia por esta obviar tutelas de chefes a prazo que, tendenciosamente, viciam o jogo democrático - basta ter presente a experiência das últimas três décadas.
5. O Governo e a Administração ao Povo pertencem; logo, o que almejamos são cidadãos criteriosos e determinados em defender o bem-comum, dispensando os cavaleiros da política que apenas procuram ascender a postos de comando por vaidade, fome do Poder ou apetites nada frugais, como se verifica nos proventos que, pela posição conquistada e, por vezes, sem grande mérito, auferem.
6. Tudo a bem da Comunidade, nada contra esta; a preocupação de todos deverá ser orientada para a gestão das potencialidades individuais e colectivas abdicando dos rodriguinhos políticos com que alguns teimam em se enredarem. É bom ter presente que a agenda política deverá ser por nós estabelecida que não pelos nossos adversários.
7. de memória cito Pessoa: "Triste de quem é feliz - vive porque a vida dura! Nada na alma lhe diz ter por bens de raíz a vida por sepultura". Sejamos exigentes: não queremos ser felizes pelas razões apresentadas pelo poeta; exigimos a Felicidade para todos - conscientes e determinados.

Saudações do cooperativista,

Nau
 
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nau
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Mensagem Enviada: Dom Fev 07, 2010 12:57     Assunto : o que divide Responder com Citação
 
Permitam-me que chame a atenção dos eventuais leitores deste espaço para o notável apontamento de IzNoguud "O Rei É", de 21 do mês findo (Facebook ?), apenas acrescentando que a frase "Le roi n'admnistre pas, ne gouverne pas - il règne" pertence a Louis Adolphe Thiers (1799-1877) que a pronunciou no Parlamento a 4 de Fevereiro de 1830. Favor ler e comentar o referido texto.

Nau
 
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longair
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Local: Odivelas/VFX
Mensagem Enviada: Seg Fev 08, 2010 00:52     Assunto : Responder com Citação
 
Em suma, temos tudo, e no interesse da comunidade Nação onde estamos inceridos, temos as bases e o ideal de servir a nação, o que nos divide é o apoio a quem se deve sentar na cadeira e o processo em como o fazer, processo moroso, de muito interesse e valor para um futuro nacional, e deveria ser da maior transparencia, não a possivel mas total, mas continuando, eu por mim so vejo ser esse o cérne da questão do que nos divide, mas claro posso estar enganado e afinal ser mais o que nos divide, talvez o prurido da casta familiar com ou sem heraldica, mas se também for este o caso, acredito que a Monarquia nunca vingará Mr. Green
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C. Longair
 
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nau
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Mensagem Enviada: Ter Fev 09, 2010 09:56     Assunto : O que divide Responder com Citação
 
1. A importância do apontamento de IzNoguud reside no facto deste, sem preocupações literárias e apenas ouvindo o seu coração, recolocou o problema no reduto dos constitucionalistas monárquicos do século XIX - o monarca reina mas não governa.

2. O princípio avocado tem raízes profundas na Curia Regis dos tempos medievais. Reservado a alguns nobres e membros da Igreja, foi convenientemente alargado através da inclusão de figuras grandes da nobreza e da crescente burguesia, no século XIII.

3. Em 1688, o Parlamento das Ilhas Britânicas ganhou poderes legislativos sobre os impostos, bem como sobre as despesas públicas, tornando-se a fonte inspiradora dos "Encyclopédistes Françaises" (Diderot e d'Alembert) do século XVIII que, na linha da verve latina, descambou nas ruas, para gáudio dos arrivistas.

4. Os possidentes rejubilaram com a oportunidade que lhes é oferecida e, através de delegados da sua confiança, eleitos por sufrágio universal, estabelecem finalmente as regras que lhes são mais caras, legalmente incontestaveis, consagradas na fórmula Estado de Direito.

5. Durante largo tempo os desprovidos sofreram a exploração desenfreada dos possidentes na presunção de que estes eram o motor do progresso que, ao fim e ao cabo, a todos beneficiaria, mas a voracidade dos grandes é pantagruélica,sendo apenas lenitivos os esforços esmoleres da Igreja, bem como os esquemas redistribuitivos dos sociais-democratas.

6. A demagogia excede-se através das élites da direita (fascistas, integralistas, corporativistas, etc.), bem como dos tecnocratas da esquerda (socialistas, socais-facistas, comunistas, etc.) que, espartilhados por programas teóricos de duvidoso efeito, procuram controlar a massa ignara, bem como o respaldo das cadeiras do Poder.

7. O monarca reina e não governa pois, através do associativismo, os membros desprovidos da comunidade ganham maior evidência e responsabilidade na solução dos problemas que a todos diz respeito; o monarca é o garante da democracia e o símbolo desta na versão hodierna da Monarquia Social.

Nau
 
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nau
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Mensagem Enviada: Qui Fev 11, 2010 07:09     Assunto : O que divide Responder com Citação
 
1. Louis Philipe Thiers entrou nos anais da história com a máxima política "o monarca reina, não governa" e o epíteto de algoz da Comuna de Paris pela repressão impiedosa que ordenou fazer sobre a população sublevada daquela cidade, enquanto exercia as funções de Presidente da III República Francesa.

2. Suspeito de simpatia pela instituição monárquica, afirmava que esta, dificilmente, tornaria a vigorar em França, devido à constante disputa entre os herdeiros dinásticos da Casa de Bourbon, Casa de Orléans e da Casa Imperial. O povo a seu tempo escolherá quem mais lhe convém, assumem os nefelibatas e as repúblicas vão se sucedendo, de acordo com as modas e o carisma dos chefes.

3. Uma minoria da população francesa trabalha para enriquecer materialmente, enquanto que uma maioria relativa se contenta com um salário que lhe permita o essencial (a casita, a viatura, as feriasitas, etc.) e a pensão paga pelo Estado ao atingir o limite de idade previsto para o afastamento do sector produtivo. A restante população desistiu de fazer qualquer coisa e pretende que seja a Comunidade que, simplesmente, os mantenha vivos.

4. Na globalização os esquemas pouco variam, acentuando-se a miséria e a fome nas regiões do planeta onde os recursos naturais pouco abundam e as grandes potências não mostram qualquer interesse pela mão de obra barata, ou pela possibilidade de se disfrutar de paisagens idílicas locais; pela existência de climas convidativos ao lazer, etc..

5. No seu apontamento, IzNoguud salienta o rei como o símbolo da camunidade numa figura paternal que, não existindo na instituição republicana, esta utiliza o sucedâneo de guardião da Lei, à semelhança do transitório cabo de guerra em relação aos soldados que se encontram sob a sua alçada.

6. O cabo de guerra disfruta da camaradagem dos seus companheiros de armas, tendo o Presidente da República o mesmíssimo sentimento em relação aos sequazes que o apoiam, embora se persista no embuste do chefe de todos os cidadãos e, na falta de uma rainha, na "Primeira Dama" (não sufragada) da República.

7. O convite para se ler e comentar o apontamento de IzNoguud não é um incentivo para se contradizer este ou aquele ponto focado no mesmo, mas o apelo a um pequeno esforço intelectual para, individualmente, todos se aperceberam da importância de congeminarem acerca de verdades, por vezes suportadas por meros preconceitos.

Nau
 
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nau
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Mensagem Enviada: Qui Fev 11, 2010 12:41     Assunto : O que divide Responder com Citação
 
No apontamento de Nau do dia 9/2/10, parágrafo 1., onde se lê "sem preocupações literárias", favor corrigir para "sem preocupações doutrinárias".

Com os pedidos de desculpa,

M.A.
 
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iznoguud
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Mensagem Enviada: Qui Fev 11, 2010 21:36     Assunto : Responder com Citação
 
É com agrado que denoto que o nosso caro Nau terminou, penso eu, um fabuloso texto o qual só pela sua dimensão ultrapassa em muito os meus, já de si criticados pelos nossos membros, "testamentos".
Tiro-lhe o chapéu pela coragem na exposição, por demais completa, daquele que será o seu pensamento.

Agradou-me igualmente que o meu caro (ou alguns dos seus amigos) me siga no Facebook. Pedia-lhe que mos indicasse, ou a sua personalidade nesta rede, por forma a que eu os possa acrescentar ao meu role de amigo para que tenham igualmente acesso aos textos de cariz monárquico que lanço apenas no meu perfil privado (e por conseguinte, fechados aos demais que não os meus amigos).

Agora... de volta à análise dos seus textos...

PARTE – III, em suma

Nau escreveu:
P.S. : Por lapso, a “PARTE – VII, em suma, parag. 3” foi apresentada como “PARTE –VIII” que, obviamente, não existe.


Afinal, a Parte III existe ao contrário daquilo que eu tinha indicado inicialmente Wink Não irei, no entanto comentar esta para além do P.S. inserido na mesma.

A Parte VIII, que tem o parag. 1, ao invés de ser apresentada enquanto Parte VII, parag. 3 não será a Parte VII, parag. 1 a qual está em falta?

PARTE – V

Nau escreveu:
...Logo, a minha frequente referência às cabecinhas pensadoras vai no sentido destas serem incoerentes com as posições assumidas – Monarquia é a instituição política que obvia disputas no topo da instituição.


E o que é que uma coisa implica à outra? O questionar-se quanto à sucessão de D. Manuel II em nada atenta ou implica ao facto da monarquia não sucumbir a alternâncias na Chefia de Estado.

Nau escreveu:
...Apelos ao bom senso não são um insulto e a vitimização dos protestantes é o reduto da falta de argumentos.


Apelos ao bom senso não são um insulto, tal como é perfeitamente legítimo aspirar-se a um Estado de, de veras, Direito.
Ou se é um Estado de Direito ou não se é e sob um Estado de Direito não pode haver espaço para "bons sensos" sob a pena de tudo poder ser ocultado sob a capa dos mesmos.

O argumento de que se burocratizará excessivamente o Estado ao se enveredar por este caminho (mais papista que o papa), até que pode ser legítimo. No entanto, enquanto solução, bastará clarificar e simplificar os processos em causa por forma a que estes se desburocratizem.
Já os excessivos "bons sensos", tudo faz para promover a desordem que tanto serve para facilitar quer a promoção do facilitismo e da corrupção o que para além de ser adverso ao Estado de Direito descomplicado ajuda a promover a manutenção da "institucionalização" da burocracia.

Olhe para o Movimento Monárquico à sua volta e diga-me de sua justiça quanto ao que se tem conseguido graças aos "bons sensos" e outros facilitismos que se tem procurado implementar/impor.

Nau escreveu:
3. Não me peçam que seja brando na defesa dos princípios que reputo essenciais para o bem da Comunidade dado que, para qualquer cooperativista, é o amplo consenso e a acção concertada para o bem comum que impera. Enleios intelectuais são o aprazimento dos empatas importunos....


Ninguém pede a ninguém para que deixe de defender a sua visão pessoal. No entanto pede-se que sejam usados argumentos que possam ser analisados e até confrontados para além de um inquantificável "bom senso".
Sendo que SE existem enleios, intelectuais ou não, então pode-se presumir que estes tenham algum ponto por onde se pegar. Senão os mesmos seriam seriam facilmente ultrapassáveis, o que por mais que se possa pensar não acontece, logo implicando algum "valor" a estas questões por menos importantes que as mesmas possam até ser para o nosso principal objectivo (implantar uma Monarquia em Portugal).

Não nos esqueçamos de que a importância assumida por uma situação, apenas assume o seu grau de importância se houver quem lhe dê este (normalmente de forma continuada).

Nau escreveu:
4. “Basta ver hoje variados ‘blogs’ ditos monárquicos que há por essa Internet, com relevo para os casos de canalhice, de analfabetismo político ou de extravio no tempo” (...) “e concluo: essas excrescências vivem sempre movidas por um despeito qualquer; guardam a memória subconsciente de tudo que é velhaco; mas, exactamente como já há muito tempo atrás” (anos de 1950) “não aprenderam nada.


Não estando em desacordo com aquilo que o Sr. Dr. Francisco de Sousa Tavares afirma, no entanto não deixo de indicar que se calhar o Sr. Dr. não consegue compreender, em parte, o propósito associado a alguns espaços (sendo que apenas posso falar pelo www.monarquicos.com).

É um facto que N facções insistem em procurar "desmontar" as suas opositoras mediante, quase que exclusivamente, recorrendo ao insulto, boato e à destabilização.
No entanto os espaços monárquicos estão igualmente obrigados a se regerem, o mais possível, mediante os Valores e Liberdades associados a uma monarquia moderna.
Logo toda e qualquer tentativa de calar ou apagar posições, por mais insustentáveis que estas possam ser/parecer, ataques e insultos podem ser vistos enquanto uma tentativa de censura, situação que já nos deu muitos dissabores no passado (período final da Monarquia).

Resta-nos assim procurar demonstrar que aprendemos com os nossos erros do passado e que aprendemos a conviver e a encaixar com criticas enquanto defendemos, da forma mais correcta o possível, as nossas posições e procuramos implementar um ambiente de correcção e respeito entre todos.

Por mais fácil que possa ser o desejo de querermos regressar (apenas) a uma Monarquia Constitucional igual à de 4 de Outubro de 1910 como é o desejo de muitos monárquicos. À que corrigir os erros desta ANTES de Portugal ser novamente uma Monarquia. À que crescer e amadurecer enquanto movimento (pelo menos intelectualmente) antes de nos lançarmos nestes "vôos".

Nau escreveu:
5. Nas “brincadeiras monárquicas” lá se vai avançando com as críticas do costume: se age é mau; se não age é mau. Só é bom conselheiro quem está de fora. Logo, devemos concluir que é aos monárquicos que cabe agir, defendendo a figura do Rei pois este, como símbolo da Comunidade, jamais deverá ser apodado das frustrações de uns, bem como dos desaires ou falta de bom senso de outros. O sentimento de culpa cristão está arreigado na gente lusa que, com certa leviandade, se apressa a apontar o dedo acusatório ao próximo.


Infelizmente não há Rei para que se possa esconder por trás, tal como se começa a notar os primeiros sinais de mudança dentro do Movimento Monárquico (em especial por não "associados"), os quais intentam em que de "brincadeiras" passemos a "opções" monárquicas concretas e bem definidas.

Nau escreveu:
6. A diatribe de Nuno Cardosos da Silva parte dos seguintes pressupostos:
a) Quebram-se as linhas sucessórias e temos vacatura, palavra já comentada em anterior apontamento. Interregno, para alguns, não tem qualquer significado.
b) “Direitos ancestrais dos portugueses” verificados na aclamação do rei que ora se pretende extensível à escolha do mesmo. Preceito nitidamente republicano.
c) A aclamação efectuadas há 77 anos, sem qualquer oposição e/ou alternativa, nada vale. O preceito “Morreu o Rei. Viva o Rei!” não tem qualquer significado
d) Proclama-se a Monarquia (porquê e por quem? Devem estar a reinar connosco!); depois escolhe-se o rei. Porém Monarquia é o sistema político que obvia disputas no topo da instituição pelo que o consenso de gerações é imperioso, sendo o preceito genealógico e a assumpção do presuntivo herdeiro imprescindíveis. Alternativa, apenas a República.


Desculpe-me, mas entramos novamente no Reino da Fantasia.
Não concordo totalmente com as opiniões do Prof. Cardoso da Silva, mas nestes casos partilho por completo as opiniões do mesmo. Assim vejamos:
a) A questão gramatical já foi levantada e continua sem resposta. Talvez o Nau possa dar uma ajuda.
b) Incompreensão total do conceito por parte de Nau. Visto que a "escolha" resume-se, como sempre foi dito, apenas ao fundador da Dinastia. Situação que sempre ocorreu em Portugal com a excepção de D. Afonso Henriques.
c) Mas nada vale mesmo! O preceito "O Rei morreu, viva o Rei!", infelizmente não tem elo na presente situação.
d) Cortes ou o seu equivalente, como sempre aconteceu em todas as situações englobadas por b).

PARTE – VI

Nau escreveu:
1. A política é como o jogo de xadrez...


Completamente de acordo, a política tem muito a ver com o jogo de xadrez.

Nau escreveu:
2. No dito jogo, também o peão poderá ser promovido a rei...


Ou eu não conheço todas as regras do Xadrez ou o meu caro está errado. Um peão pode ser promovido para qualquer "posto", excepto o de peão ou o de Rei... pelo menos no jogo Wink

Nau escreveu:
3. Como tenho sublinhado em anteriores apontamentos, o êxito de um princípio reside na sua utilidade e no sucesso que este proporciona. Logo, na movimentação das figuras do xadrez o objectivo é o xeque-mate ao rei do adversário, isto é, a vitória sobre as jogadas do parceiro.


Mantendo-nos apenas no aspecto político a opinião vinculada, apesar de ser um espelho da realidade apenas demonstra o quanto errado está o presente estado político Nacional.
Porque ao invés dos políticos estarem preocupados em melhorar as condições da Nação e dos Portugueses, servindo estes aquilo que o meu caro aqui expôs é a prossecução da imagem de que aqueles que seguem a política APENAS se interessam pela sua manutenção no poder, indiferentes às questões e necessidades quer dos Portugueses como da Nação.
Ou seja, que estes TUDO farão apenas para se manterem dentro da Classe Política.

Pergunto ao Nau se é "isto" em que o meu caro acredita ou deseja para Portugal? E já agora... até que ponto é que eu poderei acreditar na sua resposta (no caso do meu caro apenas ser ou querer ser mais um político)?

Nau escreveu:
4. Sem dúvida que, em qualquer jogada política, umas figuras são mais dispensáveis do que outras, mas todas essenciais de acordo com as regras estabelecidas, devendo o rei ser preservado de ataques coarctantes. Os republicanos mataram o Rei para impor a instituição política da sua preferência; os cripto-republicanos atacam o Rei para inviabilizar qualquer hipótese de restauração monárquica.


O Rei deve ser defendido, mas tal implica numa primeira instância que exista um Rei. O que não acontece. E numa segunda instância que aquele, ou aqueles, que se apresenta(m) enquanto pretendente(s) deve(m) estar disposto(s) a que os processos definidos para a escolha (Cortes) de um Rei aconteçam por forma a que este possa, por fim, ser aclamado conforme é expresso nas "Leis" da Sucessão Portuguesas.

Nau escreveu:
5. As regras vigentes são republicanas. Logo, a invocação do Estado de Direito para as jogadas políticas é absurda, porquanto este (o Estado de Direito) consiste num complexo de leis por natureza circunstanciais, mormente concertadas de acordo com a utilidade e o sucesso que as mesmas proporcionam à Comunidade.


Essa é uma visão, a qual não reconhece o papel desempenhado pela República (concordemos ou não com esta) enquanto Regime representante dos Portugueses nos últimos 100 anos (em 5 de Outubro de 2010).
Por mais que a República tenha sido imposta esta representa quase 100 anos de Portugal e como tal, visto que os monárquicos não conseguiram repor a Monarquia, temos de aceitar o papel desta no caso de ser o nosso desejo o de efectuarmos uma transição Democrática da República para a Monarquia. A alternativa será a de um Golpe de Estado, qual Revolução do 5 de Outubro.

Basta recordar que é graças à intervenção da República que as Leis da Proscrição (Republicana) e do Banimento (Monárquica) são revogadas, em especial esta última de uma forma clara e inequívoca com TUDO o que isso implica em prol do Movimento Monárquico.

Igualmente é, ou deveria de ser, interessante recordar que as Leis não deveriam de ser Regimentais, pelo menos na minha opinião, ao contrário do Estado o qual é Regimental. Assim ao falarmos de um Estado de Direito, eu não consigo compreender que se possa estar a pensar em Estados de Direito Republicanos ou Monárquicos, o Estado de Direito deve ser um dos nossos objectivos enquanto Nação, indiferentemente do Regime da mesma.
A grande vantagem da Monarquia sobre a República baseia-se no facto de a Chefia do Estado ser mais isenta, o que permite que ao nível político o Governo tenha de estar mais atento ao que faz, uma vez que terá sobre o seu ombro um "elemento" com a função específica de supervisionar as acções dos mesmos, o qual pela sua especificidade própria não se encontra sujeito a pressões políticas, o que hoje corresponde ao "pão nosso de cada dia" como se pode observar pelas actuações dos últimos Presidentes da República (para não indicar todos).

Quanto à composição das Leis que se integram no Estado de Direito, estas de facto são por natureza circunstanciais. Mas é precisamente por isso que o Estado de Direito consegue, quando são feitas "actualizações", ou reavaliações, regulares das mesmas Leis, acompanhar os ensejos de toda uma Sociedade a qual deverá regrar.
Nas mesmas conseguimos encontrar Leis as quais procuram apontar um caminho para a Sociedade, no seu Geral. Estas Leis serão, ou poderão ser, apelidadas de "Políticas" na sua formulação. No entanto, as mesmas deverão sempre estar sujeitas a uma correcção (face ao modelo anterior) da aplicação de um qualquer Valor o qual esteja prescrito no Regime ou até na Constituição.
Estas, tal como todas as demais quando a Sociedade considera que estas perderam a sua razão de ser, podem ser contestadas. Numa plena demonstração da aplicabilidade do conceito de Democracia, valor inerente e inegável a todas as Sociedades Europeias, e em especial às Monarquias, Modernas.

Nau escreveu:
6. O jogo de xadrez é ganho não pelo conhecimento profundo das imutáveis regras estabelecidas, mas pela experiência daquele que preserva o seu rei e dá xeque-mate ao adversário superando, na política, as figuras perniciosas dos hesitantes por natureza, os frustrados do costume, os ronhentos com proveitos inconfessáveis e os intelecualmente preguiçosos que, com certa relutância, se dão ao trabalho de aprofundar casos e coisas.


Meu caro Nau, atente bem ao que o meu caro aqui indica SE o mesmo princípio for aplicado ao Regime ao invés de APENAS ser aplicado às "Polítiquisses" inerentes à nossa Classe Política.
A dualidade do seu texto É perigosa uma vez que esta, conforme já indiquei, SE for aplicada à Monarquia reduz a mesma na sua totalidade (ou seja com a Chefia do Estado incluída) a uma luta política entre facções ou correntes ideológicas.
Tal, como o meu caro muito gosta de indicar, corresponde a uma posição exclusivamente Republicana (meu caro Nau, não me diga que é Pseudo-Republicano Wink ).

Nau escreveu:
7. O importante é formar cidadãos criteriosos que tenham presente que todos são iguais perante a lei (embora uns sejam mais iguais do que outros, consoante o vil metal que possuem); o importante é agilizar o jogo democrático (deputados mais próximos dos votantes do que do partido); o importante é dialogar, fazer consensos, determinada e concertadamente construir, passo a passo, o futuro...


Tudo muito correcto e com o qual TODOS nós concordamos.
Mas tal como todos sabemos que há MUITO para se corrigir, igualmente interessa que se procure preparar essas correcções ANTES de conseguirmos implantar uma Monarquia e não depois (com tudo o que tal implicaria numa importante perda de tempo, pois pareceria que nada teríamos feito nos... 100 anos que temos andado por fora destas andanças) e que SE a ideia é a de que todos, mas TODOS mesmo (o que implica igualmente a fígura do Rei) deverão ser tratados da mesma forma pela Lei (com as devidas salvaguardas "habituais" relativas ao Cargo que este ocupa), entre as demais situações referidas. Então creio que, deveríamos de ser os primeiros a DESEJAR que todos se sujeitassem às mesmas regras, o que ainda não acontece ao se "temer" que se coloque a fígura do "rei" em causa.

PARTE VII(I) – em suma

Nau escreveu:
1. Monarquia é o regimen político que, no topo da instituição, tem uma figura hereditária (que se transmite dos pais aos filhos pela via da geração), vitalícia (que mantém tal dignidade por toda a vida) e apartidária (que não pertence a qualquer facção), existindo nas versões de Monarquia absoluta (o soberano tem poderes apenas limitados pelas leis fundamentais); Monarquia constitucional (o poder do soberano é dividido entre o monarca e os representantes eleitos da comunidade); Monarquia electiva (o soberano é eleito por um colégio de notáveis sufragados); Monarquia social (a que voltarei mais adiante). Nos tempos idos, a Monarquia embrionária consolidava-se sempre que um chefe impositivo transmitia ao presuntivo e/ou designado herdeiro o mesmo estatuto na comunidade, dando origem a uma dinastia e obviando disputas após a morte do fundador. As comunidades, amalgamadas do presente por razões geopolíticas e/ou económicas, caminham tendencionalmeente para uma solução monárquica como, por exemplo, os Castros em Cuba, os Assads na Síria e Kim Young Il na Coreia do Norte. Também se verifica tal embrião nas recentes tentativas de Hugo Chavez na Venezuela e Zelaya nas Honduras de prolongarem os seus mandatos presidenciais. É bom salientar que soberano é aquele que ocupa o primeiro lugar na hierarquia política, não estando sujeito a qualquer tipo de sufrágio que, com certa lógica, será o passo seguinte dos atrás referidos demagogos (Chavez/Zelaya), passo esse já dado por kaddafi da Líbia, “eleito” vitaliciamente. A galeria dos salvadores da pátria é enorme, evidenciando-se os nomes de Adolfo Hitler, José Estalin, Benito mussolini, etc., estes com sucessão frustrada. Por outro lado, sempre que um escol possidente de uma comunidade sobreleva, com pertinácia, os seus interesses particulares ao bem comum, a República é o sistema político da sua afeição, pela oportunidade última que esta lhe proporciona de opor o chefe instituido a prazo (Presidente da República) ao desaire que o dito escol teve no sufrágio dos delegados do Povo (maioria apurada no Parlamento não lhe é favorável). Assim, quando o espírito cooperativo for majorado na comunidade, a Monarquia Social será, sem sombra de dúvida, uma relidade neste país, do extremo ocidente da Europa, à beira mar plantado.


Tudo isto para dizer que a Monarquia, tal como os demais Regimes, existe sob uma miríade de formas e conceitos. As quais foram surgindo à medida do decorrer dos tempos e em resposta às alterações Sociais que igualmente decorreram (e ainda decorrem) e que o meu caro reconhece, como qualquer pessoa que se debruçasse seriamente sobre esta questão deveria ser capaz de o fazer (e que tantas vezes NÃO acontece), não podemos voltar atrás no tempo e ambicionar a um modelo de Monarquia o qual por mais que tenha representado Portugal e os Portugueses durante X tempo e que tenha sido deposto ANTES do final do cumprimento daquele que teria sido o seu tempo útil. Hoje, por mais parecido que seja com aquilo que nós (monárquicos) desejamos, já não corresponde na sua plenitude aquilo que Portugal e os Portugueses precisam. Assim o meu caro apresenta a sua visão de uma Monarquia Social Cooperativista, outros (como eu, por exemplo) terão outras visões daquilo a que já apelidámos (tanto o Nau, como eu, como o Prof. Cardoso da Silva) de Monarquia Social.

É preciso mudar, todos terão uma ideia daquilo que será o objectivo desta mudança face ao modelo Monárquico anterior e em especial face ao modelo actual (Republicano). No entanto creio que ainda ninguém sabe, concretamente, aquilo que poderá vir a ser a Monarquia Social de facto.

Quanto aos restantes posts... dêem-me tempo que isto vai lá devagar Wink

IzNoGuud

P.S. - Desde já agradeço as simpáticas palavras do nosso caro Nau relativamente a um texto meu no Facebook, mas posso afiançar que nem eu sabia que estava a usar frases (de marca) de outros. Podendo no entanto afiançar que de Republicano nada tenho Wink
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nau
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Mensagem Enviada: Ter Fev 16, 2010 09:35     Assunto : O que divide Responder com Citação
 
Favor atender às seguintes correcções:

- Apontamento do dia 15/1/10, PARTE - VIII, em suma, parágrafo 1: leia-se : PARTE - VII, em suma, parágrafo 1.

- Apontamento do dia 4/2/10, PARTE - VII, em suma, parágrafo 6, linha 13: onde se lê "dos ataques bocejos dos carbonários portugueses" leia-se "dos ataques bojeços dos carbonários portugueses".

Muito obrigado.

M.A.
 
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iznoguud
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Mensagem Enviada: Sex Fev 19, 2010 13:52     Assunto : Responder com Citação
 
PARTE – VII

Nau escreveu:
2. Monarquico é, obviamente, o adepto da Monarquia por esta não dar pretextos a lutas sectárias no topo da instituição, permitindo que os debates políticos, normais em qualquer comunidade democrática, se concentrem no que é essencial, ou seja, na gestão do bem comum.


Esta é, no meu entender, apenas uma das razões (principais) que distinguem a Monarquia da República. No entanto indicar que se é monárquico, dando-se a entender que é, "apenas" por esta razão reduz o ser-se monárquico a uma visão de lógica/"oportunismo" político.
Não digo que a mesma ideia esteja errada, apenas indico que estará incompleta. Pois se uma coisa é um cidadão hoje ser monárquico por este Regime suprir melhor as suas necessidades (o que faz face à República sem qualquer margem para dúvidas), este mesmo cidadão não terá qualquer problema em mudar a sua "filiação" para outra forma de Regime se entretanto surgir algo que passe a suprir melhor as suas necessidades. Para mim, "isto" não é ser-se monárquico.
O ser-se monárquico, no meu entender, para além de defender uma maior capacidade de isenção do Chefe de Estado, igualmente tem de comportar em si todo um espectro resultante de todo o passado relativo à Nação e Povo que a Monarquia procura representar. Pode-se assim afirmar que SE a Monarquia representa o Passado, vive o Presente e prepara o Futuro. O monárquico é a peça base, em concertação com o Rei, para o cimentar desta união. Pois um Povo que não respeite o seu Passado é um Povo sem Futuro!

Sim, esta última frase de facto NÃO são da minha autoria. Mas a mesma representa aquilo que é, a meu ver, em parte o ser-se Monárquico.

Nau escreveu:
Sou monárquico por ser democrata e democrata porque, no decurso da minha juventude, a prática cooperativa – acção concertada, diálogo, busca de consensos, responsabilidades assumidas – foi uma experiência de valor inestimável, mesmo para um jovem cidadão como eu, sem qualidades relevantes.


Gostei particularmente desta sua exposição. O meu caro É democrata porque passou por essa vivência na sua Juventude.
É uma afirmação com a qual concordo, uma vez que não há nada como a experiência pura e dura para que um determinado valor ou conceito seja apreendido (quando temos a capacidade para o fazer, o que nem sempre acontece).

Eu sou democrata, felizmente por ter tido Pais que me mostraram (e demonstraram) quais as diferenças entre as diversas formas de "governação", me precaveram para as pequenas "nuances" que podem alterar todo um sentido de um valor sem que nos apercebamos deste (facilmente realizável SE não estivermos atentos) e finalmente por, desde que tive uma certa maturidade intelectual me ter interessado por estas questões ou estado sujeito a lutas, quase que diárias, as quais colocam em causa precisamente estes valores.
O facto de eu ser Monárquico, nada tem a ver com o facto de eu ser democrata para além de a Monarquia que eu ambiciono para Portugal corresponder a uma mais valia para a Democracia. No entanto sei que há Monarquias, tal (especialmente) como Repúblicas, que NÃO são Democracias. Daí o meu diferenciamento face aquilo que o meu caro afirmou.

Nau escreveu:
...Logo, não compete ao Rei governar (manter ou instruir o Governo) pois esta função pertence ao Povo, mas garantir a democracia real, isto é, aquela possível no jogo democrático.


Na Monarquia que a maioria, mas não todos, defendem. De facto não compete ao Rei governar, visto que o Povo à muito que "conquistou" essa prerrogativa.
Assim ao Rei resta a função de "supervisionar", conforme aquilo que o Povo "mandatou" neste (permitam-me a expressão), quer a implementação da Democracia, quer o não desvio (excessivo) do programa eleitoral indicado pelo Governo quando o mesmo se submeteu à vontade popular mediante eleições.

No entanto, por mais que ambicionemos esta visão. Temos de ter em conta uma possível alteração/alternativa da mesma, uma vez que é um dado adquirido ALGO falhou relativamente ao modelo de Monarquia que ambicionamos e que foi substituído (ainda que de forma violenta e imposta) pela República.
Por mais que, presentemente, as demais Monarquias na Europa mantenham uma posição em, quase, tudo igual aquela que existia em Portugal. Estas tiveram tempo para "corrigir" os seus erros ao ver o que aconteceu a boa parte das Monarquias pela Europa fora (das quais e tanto quanto creia, nenhuma Nação desde a implementação da República no Séc. XIX e XX optou por voltar a ser uma Monarquia).
Logo, o que há a corrigir no modelo que ambicionamos por forma a que a Monarquia passe a servir de uma forma mais correcta a Nação e os Portugueses? Alguém tem-se dado ao trabalho de pensar em tal questão? Posso-lhe indicar que aqui, www.monarquicos.com, temos estado a debater tais questões!

Nau escreveu:
...Porém, na Monarquia não é a lei formal que importa sobrelevar, mas o espírito da Comunidade que estabelece e renova as regras que lhe são mais adequadas...


Numa primeira instância, permitam-me indicar que o término desta frase, não apresentado na minha citação, já foi por demais vezes respondido. Logo não me repetirei.

Quanto ao interessante ponto aqui exposto, apenas posso indicar que as Leis (ditas aqui enquanto formais) apenas servem, precisamente, de estabelecimento (e porque não renovação como o caro Nau muito bem o disse) ao "espírito" daquilo a que a Comunidade anseia.
Logo, que se estas existem, as mesmas têm o propósito de servir um qualquer objectivo conforme desejado pela Comunidade.
Interessando apenas ressalvar que as mesmas não ultrapassem o seu tempo de vida, sendo quer revogadas ou simplesmente alteradas.

Assim um Estado de Direito, no fundo como todos nós o desejamos, apenas procura servir a Comunidade ao tentar regrar a mesma mediante os ensejos expressos no "espírito" desta.

Não compreendo assim como é que o meu caro Nau, pode esperar que uma Monarquia não se deva submeter à Lei (Formal) enquanto procura servir a Comunidade que se rege sob esta.

PARTE – VII, em suma

Nau escreveu:
3. O Rei é o soberano por via hereditária de certas comunidades. Soberano porque, na hierarquia da instituição política, ocupa o primeiro lugar e não depende de qualquer sufrágio, bem como está inibido de participar nos mesmos, ao contrário do Povo que, sendo igualmente soberano, deverá votar, selectivamente, em este ou aquele membro da Comunidade para a gestão do bem-comum, excepto no Rei por a figura em questão ser designada pela sua linhagem e existir, pelo consenso de várias gerações, como símbolo dos indivíduos unidos por identidade de origem e cultura, sujeitos a um governo comum, lei e interesses também comuns.


Falamos, claro está, de um modelo de Monarquia. O modelo mais parecido, por hora, com aquele que ambicionamos para Portugal.

Nau escreveu:
“Morreu o Rei. Viva o Rei!” por isso, o presuntivo herdeiro deverá, deliberadamente, assumir as suas obrigações dinásticas...


A título provisório e enquanto o mesmo não é aclamado pelas Cortes, de uma forma definitiva. Conforme estipulado pelas "Leis" da Sucessão Portuguesas.

Nau escreveu:
É frequente nestas coisas de crise sucessória, como aconteceu nas Cortes de Lisboa, em Janeiro de 1580, bem como nas Cortes de Almeirim do mesmo ano, incoerentemente, alguns afirmarem que as Cortes têm o direito de eleger o soberano...; protestando outros (aliás, protelando outros) vão sugerindo que seja acatada a decisão do Cardeal-Rei D. Henrique que, precursor de D. Manuel II, não tomou qualquer iniciativa pública...


Incoerentemente não. Creio que é isso que acontece mesmo.

Nau escreveu:
...embora um cavaleiro da Ordem de Cristo, de nome Febo Moniz, tenha dirigido ao soberano de então a súplica que reza assim: “Pelas lágrimas dos órfãos que vivem de esmolas do reino de seu Rei natural; pelo remédio dos fidalgos que lhes tirais, entregando-os a Rei estranho; pelas necessidades das viúvas que sei acharem amparo; pelas misérias dos pobres que neles acham abrigo, peço-vos, Senhor, que conserveis este reino na liberdade em que os Reis vossos Antepassados, a quem sucedestes, o puseram. Representai ante vossos olhos que todos comigo vos dão vozes – A quem nos deixais, Senhor? Por que razão nos cativais? A quem nos entregais? Aonde nos trazeis?...”.


Desconhecia o caso, mas se aconteceu então estaremos perante um verdadeiro Herói de Portugal, o qual teve a coragem de avançar e de questionar a quem de direito quanto a uma situação que a todos diz respeito. A salvaguarda e manutenção do Reino, do Trono e da Nação.

Nau escreveu:
O testamento do Cardeal-Rei, datado de 29 de Maio de 1579, aberto após a morte deste, exarava o seguinte: “…e portanto mando às pessoas de qualquer qualidade, estado e condição que sejam destes meus reinos, que quando for nomeado o meu sucessor lhe prestem vassalagem”. Não faltava quem tenha preferido negociar com o inimigo, isto é, o soberano de Espanha... Tinha sido aberta uma crise política com a morte de D. Sebastião (adiada com a inefável passagem do Cardeal-Rei D. Henrique) em que interesses particulares se exacerbaram - não era o Povo que decidia; não eram as preocupações de uma boa gestão que estavam em causa; apenas as artimanhas daquele que, lançando uns contra os outros, saiu vitorioso mesmo antes de usar a força das armas.


Acho este período da nossa História, por demais interessante.

Gostei, particularmente, da forma como se usa o sentido das palavras de D. Henrique para que as mesmas passem a indicar o que "pseudo-republicanos" possam, presentemente, defender. Ao invés de as mesmas apenas procurarem expressar aquilo que já há muito é defendido pelos que colocam Portugal enquanto um real Estado de Direito!
E isto por mais que, aparentemente, o Cardeal D. Henrique até estivesse de "mãos dadas" com D. Filipe II de Espanha.

Quer dizer que para o meu caro Nau, o então Rei de Espanha D. Filipe II (futuro D. Filipe I de Portugal) seria o inimigo! Pergunto porquê o era na sua opinião, uma vez que para todos os efeitos este até era o pretendente preferido do, então, Rei?
Eu, sinceramente, pensava que este tinha tanta capacidade de se apresentar enquanto pretendente ao Trono de Portugal como outro qualquer. No entanto creio que caberia era às Cortes o papel destar decidir relativamente às mesmas e então decidir quanto à razão, ou não, destas.

Agora o que se passou foi que houve quem defendesse o Rei de Espanha nas Cortes, apesar das "Leis" da sucessão que indicam que um Rei de Portugal não poderia ser estrangeiro (o que igualmente nos remete para uma questão similar actual).
Igualmente é de notar que aquela que deveria de ser A Pretendente Presuntiva, optou por (após algum tempo e pelo que se diz, um belo suborno) se colocar à margem. Logo, recusou desempenhar o seu papel conforme o meu caro o diz.
A terceira via, Portuguesa, avança e consegue o apoio do Povo (parcial ou total, não sei) e é aclamado, por mais que este apenas tenha pedido a regência, Rei de Portugal.

Só por si. D. António, o Prior do Crato deveria ter correspondido na nossa História a uma nova Dinastia (uma vez que houve um rompimento com a anterior e o mesmo até reinou de Facto).
D. Filipe II, Pretensão apoiada pela Junta Governativa e pelo, então falecido, Rei o Cardeal D. Henrique, ao avançar contra a posição de D. António o Prior do Crato, Pretendente aclamado pelo Povo. Reduz a uma questão política, tal como o foi a crise de 1383-1385, a questão da Sucessão.

Interessa saber que, resolvida a questão política, da sucessão. A Dinastia Filipina, a qual é de facto uma das Dinastias Reinantes Portuguesas (a muito contra gosto de alguns, eu inclusive), deposta por uma Revolução. Logo, alguns "traem" o seu Rei em prol do Reino a que pertencem (creio que podemos olhar para esta questão desta forma).

O que nos vem dizer tudo isto? Que a Monarquia É, de facto, baseada em "Leis". Logo que não as podemos descurar, por mais que seja conveniente a alguns.
Igualmente que TODOS temos bem sabido que a História é escrita por aqueles que ganharem a Guerra. Ou seja, que se "contornarão" algumas "inconveniências" mediante os por demais "subterfúgios" que se têm visto evocados.

O que me leva a pensar que, infelizmente, aqueles que recorrem a tais tácticas na actualidade ou pensam que ainda estão em 1580 ou não pescam "patavina" daquilo que andam a fazer. Uma vez que, por A+B, nos tempos que correm é relativamente fácil fragilizar posições recorrendo apenas aos "desvios" que as mesmas optarem por fazer.
O que deveria de ser, mais que perceptível, que nesse caso NADA custaria a estes optar pela prossecução do pouco que pedem aqueles que reclamam pelo cumprimento das "Leis", uma vez que estas (previsivelmente) até favorecem a posição que mais nos convém que "ganhe".

Pode-se assim dizer que, um Vesgo em terra de Cegos é, de facto, Rei!

Nau escreveu:
Hoje, não é o Rei de Espanha, apenas os cripto-republicanos que usam de artimanhas nas movimentações políticas que lhes são caras, na tentativa de protelarem decisões aos incautos de senso político pouco monárquico. A questão é muito simples: se é ao Povo que cabe tomar decisões quanto à implantação da Monarquia e outros problemas relevantes (e por experiência sabemos que a maioria é incriteriosa, logo vulnerável às sugestões de partes interessadas) porquê acusar o herdeiro da Coroa Portuguesa de incapaz ou usurpador? Se a dinastia nos garante a funcionalidade da Democracia, deveremos questionar, sistematicamente, a sucessão segundo gostos que não se discutem mas se mostram perversos aos interesses da Comunidade? A alternativa é apenas a República. Pela falta de convicção de alguns e a frustração de outros, celebramos, melancolicamente, o 1º centenário…


Curioso. E eu que pensava que os "cripto-republicanos" apenas repetiam o pedido do Febo Moniz enquanto que "outros" procuram repetir os do, então, Rei de Espanha!?

Engraçada esta coisa do, pontos de vista distintos, não?

IzNoGuud
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nau
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Mensagem Enviada: Sex Fev 19, 2010 20:58     Assunto : O que divide Responder com Citação
 
1. O moço enamorado pela nova mestra-escola, apurou-se na redacção de um bilhetinho de apalpação do terreno, como era hábito lá na aldeia, nos seguintes termos: "Menina Joaninha. Eu gosto muito da menina. Penso ca menina também gosta de mim. Enganarei-me?". A resposta foi lacónica, mas proporcionada: "Enganarou-se".

2. De facto, meu Caro IzNoguud, o seu entendimento quanto à Monarquia Social está correcto; mas no que respeita ao adjunto predicativo cooperativista (Monarquia Social Cooperativista)... aí é que a porca torce o rabo. Lamento dizer-lhe: enganarou-se. O cooperativismo não é uma doutrina totalitária, nem sequer socialista! Nem tão pouco liberal!

3 Como cooperativista defendo a entre-ajuda, o diálogo e o consenso; como democrata pugno por uma Monarquia Social por esta obviar, no topo da institução, a promiscuidade entre chefes a prazo e a função democrática. A tónica social prenuncia o fim das élites (quer de Direita, quer de Esquerda) através do aumento em número dos cidadãos criteriosos, estes motivados pelo associativismo.

4. todos os esquemas políticos - burgueses, demagógicos ou tecnocráticos - apenas procuram assegurar a continuidade dos possidentes parasitários, dos oportunistas e/ou de minorias profissionais da política que, não podendo ser erradicados da Comunidade, serão contidos (volto a repetir) pelo aumento em número dos cidadãos criteriosos, i.e., aqueles que sabem o que melhor lhes convém e, nessa conformidade, se organizam para a defesa dos seus interesses.

5. Tenho tido sempre o cuidado de chamar a atenção das pessoas para o facto do colectivismo (meios de produção comuns a todos os membros da Comunidade) nada ter que ver com o cooperativismo (acção concertada entre várias pessoas para determinados fins) pelo que o aspecto jocoso da viatura pessoal ser partilhada por todos (colectivismo) ou apenas por um número restrito de pessoas (cooperativismo) só é possível nos momentos em que o meu Caro IzNoguud se encontra bem humorado e, sobretudo, mal informado. Parafraseando os Antigos, também o grande Homero, por vezes, dormitava.

6. No colectivismo (doutrina totalitária) há sempre uma minoria dirigente (tecnocratas políticos) que estabelece e fiscaliza os programas de produção e distribuição na Comunidade - a propriedade, teoricamente, é de todos. No cooperativismo, os membros associados por determinação própria vão disponibilizando os meios necessários para cada empreendimento que tenham concertado entre si (por isso o capital da cooperativa é variável) tornando a massa associativa solidariamente responsável pelos resultados obtidos - os êxitos serão distribuidos em função e juntamente com os fundos disponibilizados; os desaires serão, obviamente por todos suportados - o que os torna unha com carne.

7. O cooperativismo combate, efectivamente, quer o capitalismo liberal (mercados desregulados), quer o capitalismo de Estado (mercados burocratizados). Segundo parece, o meu Caro IzNoguud defende uma instituição monárquica nos moldes emburguesados europeus, com visões cosmésticas. Sou mais terra-a-terra e defendo a dita instituição política mas pugnando pela reforma das mentalidades, possível através do cooperativismo, pois este motiva os cidadãos criteriosos a discutirem entre si os meios e os esforços adequados para satisfacção das necessidades das pessoas envolvidas, sendo uma alternativa eficaz - quer à tendência burocratizante (socialista, comunista ou social-fascista), quer ao engodo desenvolvimentista pseudo liberal (timocrático, fascista, corporativista ou meramente partidocrático).

Nau
 
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