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Índice do Fórum : Cooperativismo
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nau
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Mensagem Enviada: Sex Out 05, 2007 20:37     Assunto : CECIM, por que não? Responder com Citação
 
Caríssima Beladona,

Muito e muito obrigado pelo seu valioso contributo. Só a introdução que nos facultou já nos vai permitir uma boa reflexão sobre o tema em debate. Fico na expectativa das próximas revelações.

Por razões particulares, sou forçado a procurar refúgio no meu bunker no Baixo Alentejo onde o acesso regular à Internet é muito complicado, mas em meados da próxima semana já estarei apto a voltar ao assunto. Até lá, os meus respeitosos cumprimentos e

Saudações cooperativistas,

Arnaldo (Nau)
 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Sex Out 05, 2007 22:35     Assunto : Responder com Citação
 
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Cooperativismo: o que há de movimento no seu presente?

Que factos externos e internos sustentam a designação "movimento" cooperativo, que habitualmente se utiliza? Nos dias de hoje, o Cooperativismo reflecte sinais de estagnação ou de mudança?

Ao falar-se em movimento social temos, desde logo, uma dimensão de identidade. O Cooperativismo tem resolvida esta questão? Quem representa e de quem é porta-voz? O cartão de identidade e as imagens de marca do Cooperativismo são visíveis e conhecidas entre os não-cooperativistas?

Há ainda duas outras dimensões num movimento social: os princípios da totalidade e de oposição. À luz destes perguntemos: o Cooperativismo proclama bem alto a sua filosofia, o seu ideário, e todo um conjunto próprio de valores ainda não reconhecidos? o "movimento" responde pronta e concretamente aos que dizem que "deixou de ser apelativo", "perdeu actualidade" e não passa de "colectivismo mitigado" ou "comunismo encapotado", o qual "deveria seguir o mesmo caminho das pedras do Muro"? (Expressões utilizadas por Leite quando equaciona a questão do futuro do movimento cooperativo)

Para além das dimensões referidas, a noção de movimento social implica uma outra base essencial: a acção colectiva de cariz reivindicativo. Indaguemos então: entre nós, o Cooperativismo faz mexer a agenda política? A nacional e a europeia? Está activo na praça pública? No terreno, cresce o número de associados e o de cooperativas, as de pequena dimensão inclusive? Nas cooperativas há renovação dos dirigentes, ou, pelo contrário, nelas petrificam e pontificam velhos patrões, alguns dos quais acumulam posições de liderança em várias organizações, tudo isto ao arrepio do ideário? As cooperativas agrícolas estão ainda numa "fase defensiva" (Cabral 1993), sendo essencialmente "comerciais" e prolongando as explorações? Entre as cooperativas marcha-se no sentido da polivalência, da união ou da fusão de algumas delas? Pratica-se a inter-cooperação ou as cooperativas são vencidas pela rigidez e peso dos localismos e regionalismos? Há casos de revisão dos modos de funcionamento, de financiamento e de dotação de pessoal entre as federações e confederações? Em regra, no seio das cooperativas há inquietude ou acomodação ao status quo vigente?

Em Outubro de 1993, Leite (1993) dirigindo-se aos presentes no Simpósio "Cooperativismo Agrícola na Região Norte" afirmava "Não receiem afirmar-se cooperadores. Não temam abandonar a postura de defesa por uma outra de ataque. Ataque contra uma imagem, arreigada um pouco por todo o lado, de que somos o passado,, de que somos esquerdismo, de que somos a organização ideal para os pobres e enjeitados, de que não podemos ser competitivos, de que somos lentos a decidir, de que só produzimos crise". Meia década depois importa perguntar: esta imagem da identidade cooperativa é partilhada por quem? É ela predominante entre cooperativistas e não-cooperativistas? Ou, pelo contrário, o Cooperativismo move-se e alimenta uma visão portadora de futuro?

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Beladona
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Mensagem Enviada: Sex Out 05, 2007 23:21     Assunto : Responder com Citação
 
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O presente e o futuro estão já marcados pela mercadorização da vida

Atentemos agora nas tendências fortes do presente e do futuro imediato, a que, naturalmente, não escapam cooperativistas e cooperativas. Embora a globalização dos mercados seja inegavelmente crescente, achamos hoje sobretudo a mercadorização do globo e da vida. Se é verdade que, actualmente, o capitalismo já quase cobriu todo o espaço geográfico, não menos certo é dizer que ele se mostra capaz de ampliar a sua margem de manobra nos espaços sociais. Estende-se sem contenção a novos bens e serviços, a novas categorias sociais, e a novas relações sociais. Como B. de Sousa Santos (1994) faz notar "a mercadorização e a mercantilização de bens e serviços até agora livres começa hoje a envolver, com a biogenética, o próprio corpo humano".

Notemos que o termo globalização é jovem e está ligado ao galope veloz do capitalismo. E serve para designar um mercantilismo internacional pragmático, que vende, o mais possível, o mesmo por todo o lado e dum mesmo modo. O mundo todo foi e é antevisto como um mercado só, o global marketplace. E indicador inequívoco dessa percepção é o peso pesado das acções de marketing e publicidade. estas e outras coisas, como a TV, elevam sem medida nem freio as aspirações, o consumismo e a homogeneização dos estilos de vida. A revolução tecnológica constante e acelerada causa desde logo a globalização do mercado financeiro, que passa a ser cada vez mais "livre", volátil, instável, e especulativo. As telecomunicações de baixo custo e as tecnologias informáticas provocam ainda a alteração das noções de tempo e espaço, a circulação da informação e das imagens, a elevação da produtividade do trabalho, que ocorre a par do desemprego estrutural. As firmas transnacionais, com um extraordinário poder mimético e de fuga, tornam-se fortes. Os Estados, por sua vez, tornam-se fracos.

Muitos sinais nos dizem que amiúde os governos estão agora de mãos e pés atados. Como faz notar T. Clarke (1996), onde quer que essas empresas operem, elas podem usar as suas subsidiárias, "joint-ventures", acordos de licenciamento e alianças estratégicas para assumirem identidades estrangeiras sempre que disso beneficiem. Isto é, "sempre que necessário, embrulham-se na bandeira nacional que escolhem, para obter apoios (...) Por este processo, empresas sem estado estão efectivamente a transformar nações-estados de forma a servirem os seus interesses".

As empresas deslocam-se hoje a alta velocidade dum local para outro, mas a desterritorialização dá-se, antes de mais, em termos do capital. Segundo T. Clarke (1996), por meados dos anos 90, os sistemas de transmissão electrónica fariam mais de 150 mil transacções internacionais por dia e a sua velocidade e frequência tornam a rota do dinheiro difícil de detectar quanto mais de regulamentar. Há, sem dúvida, novos poderes de novo cariz.

Naturalmente, as cooperativas e os cooperativistas apostados em abrir caminhos no novo milénio têm de se interrogar acerca destas tendências pesadas do viver colectivo actual. E buscar as respostas adequadas ao momento e lugar.

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Beladona
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Mensagem Enviada: Sáb Out 06, 2007 00:25     Assunto : Responder com Citação
 
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Quatro caminhos para o Cooperativismo no Novo Milénio

Tendo presente o seu passado e o seu presente, bem como as tendências maiores da vida contemporânea, que caminhos pode reabrir o Cooperativismo? Mais haverá, mas aponto aqui quatro roteiros possíveis.

A globalização conhecida atá à data, e que tudo indica se acentuará, suscita, um pouco por todo o lado, as maiores interrogações e inquietações sobre o futuro. A aldeia global de hoje é dominada por forças que se têm vindo a consolidar sem contraponto visível, sem oposição equivalente. Endeusa-se o mercado e faz-se o enaltecimento desmesurado do individualismo, do pragmatismo e da competição dita livre. Isto sem qualquer consideração prévia de valores e princípios e sem apreciação, mesmo a posteriori, das exclusões sociais causadas. Poderes monopolistas, difusos, invisíveis e fugidios promovem a desresponsabilização social e ambiental. Aparentemente, pelo menos, os papéis do Estado, da sociedade e dos cidadãos, colectiva e individualmente diluem-se e passam a coisas de somenos. Ananica-se o que é comum, o que é social, e agiganta-se o que é individual. Fortalece-se o que é privado e enfraquece-se o que é colectivo, público, estatal. quase tudo indica que poucos bens e serviços escaparão à sofreguidão da privatização, e a lógica económica privada, feita dogma, causa irracionalidades e ineficiências públicas e sociais.

Face a estas forças hegemónicas que pode o Cooperativismo fazer? Avivar a própria memória e afirmar e concretizar valores defendidos desde sempre: a igualdade de direitos de cada pessoa, a solidariedade social e a participação democrática. E para avivar a memória parece-me adequado transcrever a abertura duma obra dirigida por António Sérgio ( Trata-se da Introdução-"Quadro Geral do Cooperativismo e do Sector Cooperativo") "O objectivo final dos cooperativistas é o de criarem na Sociedade um Sector Cooperativo tão apertadamente entretecido, de tal maneira completo, que se torne possível a todo indivíduo que o deseje viver em regime socialista (sem exploração do homem pelo homem; sem distinção de classe de base económica; sem lutas nem divergências de interesses materiais; com planejamento da produção segundo as necessidades do consumo), que seja possível, diziamos nós, viver em socialismo um indivíduo que o queira, apesar de não serem socialistas o país e o Estado de que esse indivíduo é cidadão".

Reabrir este bom velho caminho, praticar os valores cooperativos duma forma renovada, mais ampla e intensa, faz falta, fará falta, sempre. Tanto nos casos das lideranças formais, tipo "deixa andar", ou das assumidamente autoritárias, paternalistas inclusive. Tenhamos presente que a proeminência de relações personalizadas nas organizações, sem o contraponto de orgãos colegiais, alimenta o comportamento arbitrário e caprichoso, o clientelismo e a cunha, a dependência e a menoridade de todos. Nutre ainda uma desconfiança profunda e generalizada face a qualquer ideia colectiva nascente. Impede também a existência de representantes devidamente legitimados e capazes de assumirem plenamente o papel de interlocutores face aos de fora, sejam estes quem forem.

O património histórico dos valores cooperativos é tangível e pode ser posto a render, fazendo ressaltar a diferença, no tempo presente e no futuro, entre um desenvolvimento humano e um crescimento económico causador de exclusões (do trabalho, habitação, saúde, etc.) de pobreza e de desigualdade social. Claro que o modo de alcançar tal é difícil, embora a imaginação e a criatividade possam dar uma ajuda. C. Barros pôs a questão em termos muito concretos: "como é que uma adega cooperativa traduz na garrafa de vinho que vende os valores cooperativos?" A proclamação e concretização dos valores da cooperação e solidariedade social são tanto mais necessários quanto as cooperativas se reduziram à sua faceta económica e quanto mais se refundaram e revestiram com as estruturas, técnicas, estratégicas e tácticas próprias das empresas capitalistas. Isto não quer dizer, de modo nenhum, que as funções económicas das cooperativas, em particular a "função testemunho" (Moreira, 1998) são coisas de somenos. Com este autor dizemos que "a manutenção das funções económicas pelas cooperativas é cada vez mais essencial para garantir uma acção de testemunho capaz de trazer mais transparência ao mercado e impor algumas regras e limites às tentações monopolísticas de outros agentes". Em suma, a economia cooperativa é da maior relevância, sobretudo nas áreas e regiões mais negativamente assimétricas, mas ela não pode deixar de ser efectivamente subordinada ao valor da cooperação e da solidariedade.

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Beladona
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Mensagem Enviada: Sáb Out 06, 2007 01:13     Assunto : Responder com Citação
 
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A globalização é amiúde sinónimo de indiferença face a zonas periféricas ou marginais, onde não há nem consumidores, nem infraestruturas, nem "know-how". É igualmente sinónimo de deslocalização de informação, capitais e empresas, originando desemprego e desvitalização social de sociedades locais e territórios. É sabido que estes problemas não têm nem soluções fáceis nem rápidas, mas o Cooperativismo pode reabrir aqui um segundo caminho. É conhecido que as cooperativas podem ser um instrumento óptimo de uma política de desenvolvimento regional. Como faz notar Leite (1993), a Comunidade Europeia reconheceu isso mesmo nos relatórios Avgerinos (1985) e Bento Gonçalves (1989). Importa ainda que tomemos consciência que, a par da globalização, há sinais de emergência do local e que muito deste fenómeno radica, directa ou indirectamente, no património simbólico e de ideias do Cooperativismo. Assim sendo, as cooperativas podem e devem reivindicar junto do poder político-nacional e comunitário- o papel de instrumentos do desenvolvimento regional. Isto tanto mais quanto mais enraizadas estiverem na sociedade local e quanto mais auxiliarem à dinamização económica, social e cultural de territórios esquecidos.

O movimento do mundo, que se faz muito por via da globalização, suscita dia após dia uma questão incontornável-a do desemprego estrutural. Paradoxalmente, porém, este traço da vida económica contemporânea não parece causar grande perplexidade e inquietação aos governantes. Em regra parecem conformados a aceitar uma ideia politicamente inaceitável: a ideia de que o que existe tem de ser como é. Uma tecnologia omnipresente e dominadora tornaria o desemprego como algo inevitável, irreversível, um resultado normal. Até parece que tudo se pessa como se a estabilidade e a segurança psíquica numa dada ocupação profissional tivessem deixado de ser estimadas pelas pessoas. Estas, agora, só amariam a mudança de lugares e ambientes de trabalho, a inconstância e a flexibilidade ocupacional, numa palavra o trabalho precário. Face a estes novos quadros mentais e de práticas quanto ao trabalho e ao emprego, que respostas pode dar o movimento cooperativo? Deixar-se ir em tal caminho? Defendo que não. O Cooperativismo pode e deve achar na solidariedade social, na intercooperação e em oportunidades ocupacionais alternativas-há necessidades sociais novas por satisfazer-caminhos para a criação de emprego duradouro e gerador de bem-estar. Este é um bom velho itinerário a percorrer, como nos recomenda Henrique de Barros (1977) "Mais também que qualquer outro (sector público e sector privado), é o sector cooperativo capaz de criar novos empregos estáveis, isto é, não estritamente dependentes da conjuntura, exactamente porque nele deve sempre fazer-se sentir esse espírito de solidariedade e entreajuda que induz os homens a manterem-se unidos perante a adversidade".

Atentemos, por fim, num quarto caminho, que é recto e bem largo. Como é sabido, a globalização assenta no desenvolvimento vertiginoso das telecomunicações e da informática. Ora, estas novas tecnologias tornam possível a intensificação dos princípios da educação cooperativa e da intercooperação a escalas radicalmente novas, do local ao global. A comunicação entre cooperativistas e cooperativas e entre estas poderá crescer a olhos vistos. Não é chegada a ocasião favorável para a aplicação intensa e extensa daqueles bons velhos princípios?
 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Sáb Out 06, 2007 16:57     Assunto : Responder com Citação
 
Perdoem-me mais este aparte, mas tomo a liberdade de colocar dois sites brasileiros sobre o cooperativismo:

http://www.unimedjp.com.br/institucional/oqueecoop erativismo.php

http://www.portaldocooperativismo.org.br/sescoop/c ooperativismo/estrutura_coopera...

Tomo também a liberdade de colocar o site da Aliança Cooperativa Internacional, sediada na cidade de Geneva na Suiça

INTERNATIONAL CO-OPERATIVE ALLIANCE

www.ica.coop
 
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nau
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Mensagem Enviada: Sáb Out 06, 2007 19:31     Assunto : Responder com Citação
 
CECIM, por que não?


Caríssima Beladona,

A sua contribuição é rica, extensa e meritória; só receio que o correligionário-alvo esteja mais interessado em discutir genealogias e inéditas teorias monárquicas do que assuntos comezinhos, como o combate contra o Capitalismo Selvagem e/ou o Capitalismo de Estado; como acautelar o futuro dos nossos filhos; como cultivar, em cada um de nós, os princípios básicos da solidariedade social, etc.

Se cada um dos visitantes deste tema se interrrogar acerca de alguns dos aspectos focados na informação por si apresentada, de certo que se sentirá feliz pelas portas que se lhe abrem para o futuro e, talvez, se aventure a levantar questões, a fazer propostas interessantes. Sem trabalho e sem inter-ajuda continuaresmos imóveis no pântano, a afundarmo-nos sim, embora lentamente.

Logo que possível, voltarei a alguns dos problemas suscitados pela sua profusa informação, embora continue, pedetentim, a convidar os meus caros correligionários a participar activamente na organização de unidades cooperativas dado que, na filosofia da entre-ajuda, poderemos construir um futuro próximo e mais nosso.


Saudações cooperativistas,


Arnaldo (Nau)
 
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nau
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Mensagem Enviada: Qua Out 10, 2007 14:12     Assunto : CECIM - IV Responder com Citação
 
CECIM, por que não?


Asst º.: História hodierna

1. Alguns movimentos políticos do pós 25 de Abril caíram na tentação de transformar as corporações do anterior regime em unidades colectivas, passando por um estado intermédio que seria o cooperativo. A confusão era grande e os patrões do antigamente, travestidos em gente progressista, apressaram-se a apanhar a onda, a fim de não perder a crista.
2. Passado o radicalismo inicial, políticos mais moderados viram no cooperativismo um veículo adequado aos seus objectivos e passaram a decretar o que a Constituição já contemplara; a fim de dinamizar o sector, diziam, mas apenas pela pecha de legislar, enquanto o sector cooperativo se debatia em enredos, tão do gosto da gente lusa.
3. Durante o anterior regime, os cooperativistas sentiam-se unidos como gente de esquerda; após o 25 de Abril o sector fragmentou-se, procurou ser mais pragmático e apenas os doutrinadores guardaram alguma postura, enquanto as cooperativas (particularmente as de ensino) se multiplicavam à sombra dos benefícios estatuídos para o sector.
4. Os valores democráticos, pedagógicos, solidários, etc., são, actualmente, ultrapassados pelos instintos “clubísticos” e ao organizar uma cooperativa é frequente o olhar por cima do ombro, numa tentativa de advinhar para que lado sopra o parceiro. Entre os monárquicos isso não será possível, dado que estes já têm suficientes preocupações com genealogias e precedências que não vão perder tempo com tais ninharias.
5. O que é que a cooperativa poderá mudar na nossa vida?


Saudações cooperativistas,

Arnaldo (Nau)
 
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nau
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Mensagem Enviada: Ter Out 16, 2007 09:10     Assunto : CECIM-V Responder com Citação
 
CECIM, por que não?


Asstº.: Acta Preliminar

1. A “acta dos trabalhos” é um instrumento que, embora não fundamental, serve para disciplinar as reuniões dos fundadores registando os avanços e as posições de cada membro, os compromissos assumidos e o plano, tentativamente, assumido.
2. “Aos ... dias do mês ... do ano de ... pelas ... horas, reuniram os fundadores da futura Cooperativa ... , na Rua ... em ..., na presença das pessoas abaixo identificadas:
- Maria Eduarda ... , naturalidade, estado civil, residência, B.I. e número de Contribuinte.
- Carlos Alberto ...., idem, idem
- Alberto João ..., idem, idem
- Bernardo João ..., idem, idem
- Francisco José ... , idem, idem
Foi estabelecido que os trabalhos seriam conduzidos por Carlos Alberto, e Francisco José registaria os mesmos. Foi igualmente decidido que:

Ponto 1. A Cooperativa será designada por ... , vocacionada para a comercialização de livros , bem como a eventual publicação de um boletim, pelo que a mesma , ao abrigo do Decreto-Lei 523/99 de 12/11, será formalizada através de uma escritura pública ou do registo dos Estatutos numa Conservatória.
Ponto 2. Atendendo ao número de elementos necessários para os corpos sociais (Mesa da Assembleia: Presidente e Vice-Presidente; Direcção: Presidente, Tesoureiro e Secretário; Conselho Fiscal: Presidente, além dos respectivos vogais) o número de sócios será, inicialmente, de 20 membros.
Ponto 3. O Capital social mínimo (fixado por Lei) será de 5000 Euros e a renda prevista numas instalações existentes num bairro popular de Lisboa será de 300 Euros mensais.
Ponto 4. Os Estatutos serão redigidos por Eduarda e Alberto; de seguida, com a colaboração de Carlos e Francisco, serão dados os seguintes passos:
- Obtenção do certificado de admissibilidade (designação, sede, objecto social, Capital, Quota de cada cooperador, Órgãos Sociais) e cartão provisório junto do RNPC-Registo Nacional de Pessoa Colectiva, Decreto-Lei 129/98 de 13 de Maio. O pedido do certificado é feito com o impresso modelo11 DGRN/RNPC; o custo dos emolumentos será de 5 Euros e o certificado terá a validade de 180 dias.
- O cartão de identificação provisório poderá ser, simultâneamente, pedido através do impresso Mod 10 DGRN/RNPC mediante o pagamento de 14 Euros. O cartão é válido por 12 meses.
Ponto 5. Carlos promoverá a Reunião de Fundadores e conduzirá o processo de constituição a partir da assembleia geral, da acta da constituição e da aprovação do estatuto; Eduarda será responsável pela organização do Livro de Registo de Presenças, Livro de Registo de Actas, além da preparação da minuta dos estatutos.
3. Aparentemente, as sortes estão lançadas, embora seja bom verificar junto das respectivas Direcções da Administração Pública as últimas modas implantadas pois, em Portugal, o que muda são os papeis e os circuitos, mas a burocracia será sempre a mesma.

Saudações cooperativistas,

Arnaldo (Nau)
 
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nau
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Mensagem Enviada: Qua Out 17, 2007 07:30     Assunto : Responder com Citação
 
CECIM, por que não?


Asstº.: Acta Preliminar


As minhas constantes deslocações nem sempre me permitem ter à mão os livros ou referências que, em determinado momento, pretendo consultar. Por vezes os apontamentos são escritos sobre os joelhos e ditados ou dactilografados em condições instáveis. A pertinente informação é, frequentemente, trazida por pressurosos e inestimáveis amigos que me vão mantendo a par do que se passa ao redor do meu pequeno mundo. A todos vós agradeço a desinteressada colaboração e os múltiplos contactos havidos (por carta, telefone, fax, net, etc.), e até as críticas e os incentívos que demonstram ser imperecível o espírito cooperativo.

Sei que todos vós estais atentos , e os erros por distracção ou omissão serão, oportunamente, rectificados embora ocorram (até agora) sem melindrosa gravidade, consistindo em deselegâncias de estilo, troca de letras ou palavras como se verificou, logo no final do primeiro parágrafo da Acta Preliminar em que o vocábulo “estabelecido” foi, por similitude fonética e proximidade, substituido por “assumido”. No entanto, o fecho da Acta foi por distracção pelo que, embora deslocada, aqui deixo, em letra redonda, na sua forma canónica:

“No final de cerca ... horas de debate, por nada mais haver a tratar, foi encerrada a reunião, procedendo-se à assinatura deste documento por todos os fundadores presentes”.

Cordiais saudações cooperativistas,

Arnaldo (Nau)
 
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