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iznoguud
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Mensagem Enviada: Sex Jan 22, 2010 18:54     Assunto : Uma apologia para uma Confederação Europeia Responder com Citação
 
A Europa, ao contrário dos E.U.A. que são culturalmente um "caldinho" (melting pot), é aquilo que se poderia chamar de uma "manta de retalhos" (patchwork).

O porquê desta diferença prende-se em grande parte à forma como ambos são constituídos.

Assim se temos de um lado do Atlântico uma Nação, nova, que começa do zero em terreno alheio (conquistado aos Nativos Americanos). A qual preenche o mesmo espaço vazio recorrendo a todos aqueles que a procuravam, incorporando assim aspectos culturais dos mesmos.
Já do lado de cá do Atlântico temos uma, velha, Europa a qual se sustenta em Nações e Povos que conseguiram sobreviver ao passar dos tempos, assimilando na maioria dos casos aspectos (se não a totalidade) dos Povos que os precederam (havendo disso os mais variados exemplos).

A Europa dessa forma traduz-se por N pedaços com individualidades específicas, próprias a cada Povo (não sendo raras as vezes em que coexistem mais do que um Povo numa mesma Nação).

Assim, a presente tentativa de procurar transformar a Europa unida sob a égide da União Europeia, numa versão Europeia dos Estados Unidos da Europa é (com toda a certeza) um Projecto votado ao fracasso.
A resposta a tal situação seria a de, ao invés de uma Federação, a Europa Unida convergisse numa Confederação a qual, logo à partida, promove e sustenta a individualidade e especificidade de cada Povo e Nação Europeias!

No entanto e em especial para os mais cépticos. Fazer uma tão simplificada defesa do porquê de uma convergência Europeia (Federal ou Confederal), pouco ou nada esclarece os mesmos.

Assim passo a explicar o porquê da necessidade de um Convergência numa primeira instância, seguida dos Motivos que me levam a defender uma Confederação ante uma Federação Europeia.

Primeiro é necessário fazer um breve resumo histórico da Europa por forma a que compreendamos melhor os motivos desta opção.

A Europa atravessa agora por um verdadeiro renascimento após o verdadeiro suicídio colectivo que foram a 1ª e 2ª Guerras Mundiais (e não contando com as Guerras Napoleónicas).
Este renascimento resulta em boa parte do desaparecimento de um dos vencedores da 2ª Guerra Mundial, a União Soviética, libertando assim que a Europa sob a sua égide se pudesse juntar então à, dita, Europa Ocidental.
Outro dos motivos é o de que as Nações Europeias Ocidentais, ainda que sob a égide Norte Americana (a qual ainda exerce uma forte influência nas tomadas de decisão da Europa, em especial agora nas do antigo Bloco de Leste).
Optaram por criar, inicialmente um bloco apenas económico, mas que rapidamente se expande para um organismo de cariz político o qual lhes permitisse gradualmente desvincular-se da égide Norte Americana e novamente permitir que a Europa se tornasse num membro activo, e cada vez mais prestigiado, das tomadas de decisão do "xadrez" Mundial.

Não será a primeira vez que a Europa procura ter um papel activo nas tomadas de decisão políticas referentes ao Mundo.
Efectivamente depois do fecho em si próprias das Civilizações Asiáticas, estas entram num estado de estagnação permitindo a que fosse a Europa, que então se expandia pelo mundo, assumisse o controlo efectivo do mesmo.

Esta embriagues de poder deu origem a uma mentalidade europeia na qual um sentido de superioridade económica, cultural, religiosa em suma civilizacional.

Apesar dos breves momentos de lucidez demonstrados por alguns estadistas os quais impõem avanços socio-culturais à Europa (o abolimento, muito contestado, da escravatura por exemplo) esta sucumbe a uma Primeira Guerra Mundial a qual abala boa parte da mentalidade Europeia de então.
No entanto não tendo sido suficiente, por mais esgotados que estivessem os Povos da Europa, uns meros 25 anos depois os últimos resquícios de uma mentalidade Europeia ultrapassada são destroçados nas cinzas da Segunda Guerra Mundial.

No rescaldo desta, a Europa vê os seus Impérios desmoronarem-se e reduzirem-se aos seus territórios Europeus (com algumas excepções algo "cómicas" para quem nos apelidava de "colonizadores"), tendo a Europa quase que sucumbido às influências dos Vencedores da 2ª Guerra Mundial, os E.U.A. no Ocidente e a União Soviética no Oriente.

E é agora que no Ocidente da Europa se lançam as sementes daquilo que virá a ser o que é hoje a União Europeia.

Assim a Europa, quase que renascida das cinzas, procura redimir-se do seu passado quer ao nível interno como externo, agindo de forma crescente no "xadrez" Mundial enquanto pólo tolerante relativamente ao crescente extremismo demonstrado pelos E.U.A. (que insistem em impor a sua visão cultural ao resto do mundo) e as novas potências emergentes, as quais procuram usar os seus muito necessários recursos, como moeda de troca de contrapartidas económicas, as quais levam quase que invariavelmente a mudanças socio-culturais.
Mudanças estas que são, ora invariavelmente tidas como atentados às Culturas tradicionais dos mesmos.

No entanto a Europa, somente consegue recuperar a sua voz activa nas tomadas de decisão Mundiais, não enquanto os verdadeiros "Estados-Nação" correspondentes a cada Nação Europeia, mas enquanto um Bloco unido.

Só que, a rápida passagem de um modelo económico para um modelo político, não deu tempo a que os Europeus escolhessem aquele que deverá ser o seu caminho, tendo somente os seus políticos optado por uma opção a qual de forma mais conveniente poderia aproximar a Europa do seu novo papel Mundial.

O caminho do Federalismo, numa versão Europeia dos E.U.A., no qual nenhuma preocupação foi dada pelos políticos Europeus às especificidades dos Povos e Culturas Europeias.

Assim o Confederalismo, permite manter o objectivo Europeu de transformar a Europa no Pólo da Tolerância Mundial (como se tem vindo a provar), ao mesmo tempo que promove e salvaguarda as autonomias Nacionais, enquanto mantém em efeito um Governo Central o qual seria mandatado pelos Estados Membros da U.E. para representar estes em determinadas situações.

IzNoGuud
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