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Data: Sex Dez 13, 2019 16:05
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Lendas de Portugal
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Beladona
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Mensagem Enviada: Sex Nov 23, 2018 20:17     Assunto : Responder com Citação
 
A Lenda da Estátua Equestre da Ilha do Marco ou do Corvo

In diversas fontes da net.

Já passava de meados do século quinze, quando os marinheiros portugueses que iam rumo a ocidente à procura de mais terras, depararam por fim com um pequeno ilhéu negro no meio do mar. Era a mais pequena ilha dos Açores que encontravam e, aproximando-se pelo lado do noroeste, viram inesperadamente no cume de um penhasco que parecia servir de marco aos navegantes, o vulto de um homem grande de pedra, montado num cavalo sem sela.

Era uma estátua profética, construída não se sabe por quem e representava um homem, coberto com uma espécie de manto, com a cabeça descoberta. As faces do rosto e outras partes estavam sumidas, cavadas e quase gastas do muito tempo que ali tinha estado. Sobre as crinas do cavalo que tinha uma perna dobrada a outra levantada, estava colocada a mão esquerda do homem, enquanto que o braço direito estava estendido e com os dedos da mão encolhidos. Só o indicador continuava aberto e apontava para o poente ou noroeste, para as regiões onde o sol se oculta, a grande terra dos bacalhaus, as Índias de Castela ou o Brasil, terras que ainda não tinham sido descobertas.

A estátua assentava sobre uma laje também de pedra, na qual estavam escritas algumas palavras que, embora muito gastas da antiguidade e do rocio do mar, ainda deixavam ler: “Jesus, avante!”. Era uma incitação aos descobridores portugueses para que avançassem e expandissem a fé cristã para o ocidente. Os nossos marinheiros seguiram o conselho, viajaram para ocidente e descobriram muitas terras onde semearam a fé em Jesus.

Hoje a estátua já não se encontra lá porque no tempo de D. Manuel, veio do reino um homem mandado pelo rei, para a apear e levar. Descuidando-se, a estátua quebrou-se em pedaços, dos quais alguns foram levados ao rei. Mas ainda na parte noroeste da ilha, encontramos o promontório onde se levantou a estátua equestre e, mais abaixo, o marco que deu o primeiro nome à ilha…”Ilha do Marco”.

A esta estátua se devem as descobertas para o ocidente, porque, com aquele dedo apontado, anunciou a existência de outros mundos e bastou que os navegadores compreendessem e interpretassem essa escultura em pedra para avançarem em direcção às Américas.


 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Sáb Nov 24, 2018 22:18     Assunto : Responder com Citação
 
A Lenda do Sinal do Céu

In diversas fontes da net.

Como se estivesse pairando entre o céu e a terra, no silêncio da cela semiobscurecida, D. Gualdim orava, profundamente entregue às suas devoções. O corpo lasso — cansado das lutas a que se havia exposto durante a famosa e difícil conquista de Lisboa — sentia um prazer físico e espiritual nessa semiobscuridade, nessa semi-inacção, nesse quase absoluto silêncio. De joelhos em terra, o rosto escondido nas mãos, o corpo inclinado para a frente, dir-se-ia a verdadeira estátua da oração. Mas porque a sua sensibilidade era profundamente apurada, o seu espírito começou subitamente a turbar-se em ondas de alerta, como se movimenta a água parada de um lago ao ser-lhe lançada uma pequenina pedra.

D. Gualdim estremeceu. Teve a sensação de que não estava só. E, retirando do rosto as mãos, ergueu o busto e voltou-se num vagar mal contido. Os seus olhos habituados à meia-luz ambiente descortinaram logo a figura magra e alta do superior do convento. E o seu olhar indagou de tão honrosa presença. O superior, numa voz baixa e pausada, que se esforçava por ser humilde elucidou:

— Perdoai irmão. Não desejaria interromper a vossa oração piedosa... mas tenho algo de importante a comunicar-vos.

— Falai sem receio. Estava apenas dando graças a Deus pela dita deste silêncio, depois do tremendo inferno que foi a conquista de Lisboa.

— Bem mereceis este repouso irmão. Por isso mesmo me aflige interromper-vos.

— É esta a nossa missão de cavaleiros e monges.

— Sim, é essa a nossa missão... Já o disse D. Sancho de Castela: «O som da trombeta transforma-nos em leões e o do sino em cordeiros...» Que se cumpra pois em nós, a vontade de Deus!

D. Gualdim sorriu com o respeito devido ao seu superior.

— Mas decerto não viestes aqui para nos enaltecerdes...

Foi a vez do monge sorrir também.

— Oh não! A minha presença nesta cela deve-se a um desejo do nosso rei D. Afonso Henriques.

Os olhos do cavaleiro-monge brilharam mais intensamente. O seu busto endireitou-se com estranha altivez.

— El-rei vai sair de novo a campo?

Com um sinal de cabeça o monge confirmou:

— Sim... O sangue ferve-lhe nas veias… o seu fervor à causa cristã é indomável!

D. Gualdim já não parecia o mesmo homem humilde e abatido de há pouco.

— Quando precisa el-rei de mim?

— Amanhã ao romper do dia.

— Que Deus seja louvado! Lá estarei com os meus homens.

Sorriu o monge superior do convento.

— El-rei aprecia-vos muito. Contou-me a vossa proeza, quando subistes as escarpas do monte cujo terreno parecia desfazer-se debaixo dos pés... Falou-me dos pedregulhos que iam caindo por todos os lados e só por milagre vos não acertaram... E disse-me como fostes sempre avançando de armas nos dentes, para que as mãos ficassem mais livres e vos ajudassem a subir...

D. Gualdim começou a impacientar-se.

— Por Deus!... Nada fiz que os outros não fizessem também.

— Mas fostes o primeiro a chegar à muralha...

— Foi el-rei que vos contou tudo isso?

— Foi ele em parte, e os outros ajudaram-no.

— Os outros!

Sorriu e suspirou fundo D. Gualdim, depois, como quem falasse consigo próprio, o cavaleiro-monge declarou numa voz serena e firme:

— Com um rei como o nosso, que sempre está onde a luta se trava mais renhida, não podem haver descuidados ou cobardes... Eu fiz apenas o que me cumpria fazer.

— Por isso el-rei vos reclama de novo em campo...

— E lá estarei se Deus quiser, para maior honra e glória de Deus!

— Ámen...

E silenciosamente, como chegara, o superior saiu da cela de D. Gualdim.

Só, este ficou um momento imóvel, olhando um ponto vago no espaço. Depois os seus joelhos voltaram a roçar a terra, o seu busto esguio tornou a encurvar-se e as suas mãos mais uma vez cobriram o seu rosto de olhar brilhante e feições vincadas.

Em volta, o silêncio continuou silêncio e a penumbra, penumbra. Só o seu pensamento, feito senhor absoluto do ambiente, cresceu como único vencedor...

No horizonte, uma nesga de luz impôs a sua presença às trevas da noite. Madrugada fresca de S. João. Em massa ainda indefinida, caminhava o exército lusitano. D. Afonso Henriques mandou fazer alto. Toda aquela enorme multidão estacou. A voz de el-rei D. Afonso Henriques voltou a ouvir-se. Queria falar a um dos seus cavaleiros. Foram buscá-lo sem demora.

Subiu sonora e firme a voz do rei, como sempre que dava uma ordem.

— Aproximai-vos D. Gualdim!

Submisso mas isento de humildade humilhante, o cavaleiro-monge curvou a cabeça.

— Dizei Senhor.

Voltou o rei a falar com altivez:

— Vou deixar aqui o exército sob as ordens de D. Ordonho. Preciso primeiramente, de fazer um reconhecimento.

Admirou-se o cavaleiro.

— Vós? Será perigoso! Ficai, que eu me sentirei honrado com a vossa mercê, se puder fazer esse reconhecimento em vosso lugar!

Franziu o rei as sobrancelhas espessas.

— Disse-vos que desejo fazer um reconhecimento. E não lego em ninguém esse meu desejo!

Arriscou ainda o cavaleiro-monge:

— Mas... ides sair do campo?

— Sim. Sairei disfarçado e acompanhado apenas por vós D. Gualdim…

Curvou o monge a cabeça, para logo olhar de frente o seu rei.

— É grande a honra que me concedeis Senhor! Tão grande como a responsabilidade que me cabe, de vos trazer de novo são e salvo.

Sorriu ligeiramente o rei.

— Nada temais! Quero apenas chegar junto do castelo dos mouros antes que o sol rompa. Preciso descer para Alcácer, e não quero deixar mal defendidas as nossas costas, com focos que poderão perder-nos. Este castelo terá de ser nosso. Mas preciso saber se chegou a hora de o tomar.

— O castelo será vosso, como o têm sido os outros que tendes desejado!

— Sim! — confirmou alegremente o rei. — Depois de Lisboa renderam-se os castelos de Almada, Sintra e Palmela. Este fica perto de Lisboa, e também terá de ser nosso repito!

— E eu repito também se o permitis: sê-lo-á em breve!

A expressão dura de D. Afonso Henriques adoçou-se. Mas a sua voz soou áspera e breve como sempre.

— Aprontai-vos e segui-me... Tenho pressa!

A nesga de luz que impunha a sua presença às trevas da noite alargou-se mais. E o recorte do exército português tornou-se mais nítido na cinza rosada da manhã.

A areia ensaibrada rangeu sob o metal do calçado do rei português. Do alto de todo o seu corpo imponente, D. Afonso Henriques olhava o castelo sobranceiro e sereno. Tudo parecia calmo à volta. A própria pureza do ar, correndo como brisa, parecia um convite para tornar cristão mais aquele bocado de terra. O rei cofiou lentamente as barbas enquanto lentamente, contra o seu costume, dizia ao companheiro:

— Parece até um castelo de mouros encantados! Não se vê ninguém...

— Custa a crer que nem tenham vigias!

— Quem sabe?

— Cuidado Senhor! Descobri além um vulto a mover-se...

O rei de Portugal franziu as sobrancelhas numa concentração, enquanto dizia como se falasse consigo próprio:

— Vim aqui para saber se a hora era propícia à conquista deste castelo. Mandai-me um sinal do Céu, ó Deus Todo-Poderoso! Mandai-me um sinal!

D. Gualdim guardara silêncio. Mas vendo que o vulto corria agora direito a eles preveniu:

— Descobriram-nos! Vão dar o alarme!

O rei semicerrou os olhos, numa tentativa de ver melhor na meia-luz da madrugada nascente.

— Reparai bem D. Gualdim! O vulto que corre para nós... é o de um cão enorme!

O cavaleiro-monge concentrou todos os seus sentidos nesse vulto que corria direito a eles e se distinguia já perfeitamente.

— Assim é meu Senhor! Mas nunca vi um alão tão forte e grande! Teremos de o matar antes que dê o alarme...

Já o cão se dirigia na direcção do rei de Portugal. D. Gualdim gritou quase ao mesmo tempo que puxava da espada:

— Cuidado Senhor!

Mas D. Afonso Henriques suspendeu-lhe o gesto. O alão mal chegara junto do rei conquistador começara a lamber-lhe as mãos, dando saltos de imensa e estranha alegria, D. Afonso Henriques sorriu.

— Reparai D. Gualdim: o alão rende-me vassalagem! Recebe-me como a um libertador, ou como se me conhecesse há muito... Deve ser este o sinal do Céu! O avanço das nossas tropas far-se-á imediatamente e o castelo será nosso. O alão o quer!

Como num eco D. Gualdim repetiu:

— O alão quer!

E desta frase lendária que ficou para todos os tempos, resultou a conquista de mais uma praça e o nome da terra que hoje se chama Alenquer. O sinal do Céu chegara e o rei de Portugal obedecera! E quando o Sol, em toda a sua pujança, longe das lamúrias da noite, dardejava os seus raios quentes sobre a terra morena, já o estandarte do rei de Portugal flutuava no alto do que fora um castelo de mouros!


 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Seg Nov 26, 2018 23:29     Assunto : Responder com Citação
 
A Lenda da Senhora do Mileu

In diversas fontes da net.

Veiros, tem como muitas terras, a sua lenda.

Em Veiros viviam meia centena de homens e a povoação era pequena.

Mafalda, uma rapariga de Veiros que não tinha mãe e vivia com o pai, encontrou num pinhal que existia perto da ermida, a imagem duma senhora a que deram o nome da Senhora do Pinhal e gostava muito de visitar a Senhora na ermida, como todas as mulheres de Veiros.

Mafalda não sabia que os mouros tinham vencido os cristãos perto de Elvas e que vinham a caminho de Veiros, foi o pai quem lho disse.

Ela esperava Lourenço, o fidalgo de quem gostava. Assim que o viu chorou e perguntou-lhe se era verdade o que o pai lhe dissera. Ele disse que sim.

Chegou a hora da batalha, doze cavaleiros cristãos à frente e atrás os guerreiros. Travou-se a batalha. Os gritos das crianças e os soluços das mulheres soaram no campo da luta.

Durante a batalha, apareceu uma mulher que falou suavemente e que se ouviu em toda a planície e que disse:

- Avante cristãos! Para cada mil mouros um de vós.

Lourenço gritou para os companheiros se tinham ouvido as palavras da mãe do Céu e todos responderam que sim… “Para cada mil, um…”

Os mouros iam caindo mortos e outros fugiam.

Já estava visto que o povo de Veiros era senhor da sua terra onde ainda hoje existe a ermida de Nossa Senhora do Mileu que é muito venerada e respeitada pelo povo veirense.


 
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Mensagem Enviada: Seg Nov 26, 2018 23:32     Assunto : Responder com Citação
 
A Lenda da Caveira

In diversas fontes da net.

Contam os mais antigos que, no tempo da Guerra da Patuleia, o concelho de Vila Flor esteve a ferro e fogo. As esperas, os enforcamentos e fuzilamentos eram constantes.

Havia então um morador de nome António, pessoa instruída e bem-falante, que costumava falar às pessoas do cimo de patins e que era contrário aos que mandavam na vila. Por isso, logo foi considerado inimigo perigoso e julgado à revelia num tribunal de pé descalço, dizem que formado atrás duma parede.

O homem, sabendo que o procuravam guerrilheiros armados de arcabuzes, refugiou-se na serra do Facho, alimentando-se do que a Natureza lhe dava. O local é hoje assinalado pelo povo como o “Refúgio do António”, e perto dele situa-se a capelinha de Nossa Senhora da Lapa onde ia rezar todos os dias.

Numa certa noite em que os guerrilheiros com archotes e muitos cães, rebuscavam todos os cantos da serra, o fugitivo escondeu-se no fundo de uma toca onde os animais o foram descobrir. Pôs-se então a matilha a ladrar e os perseguidores a gritar:

— Está ali o folião, suga cão! Está o folião, suga cão!

Conta-se que nesse momento o António evocou Nossa Senhora da Lapa, dizendo:

— Nossa Senhora da Lapa, não deixeis que levem a minha cabeça! Antes vo-la prometo por morte!

Nesse momento, os cães pararam de ladrar e seguiram adiante, farejando outros esconderijos, e os perseguidores foram atrás.

Passados os anos, e quando a paz voltou a estas terras, o António já velhinho, tratou de cumprir a promessa. Em segredo, pediu ao coveiro da vila, o “Crido”, de quem muitos ainda se lembram, que após a sua morte levantasse a ossada do coval e colocasse a caveira no altar da Senhora da Lapa. Foi o que fez, e ela lá está como símbolo de fé e testemunha dos seus milagres.


 
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Mensagem Enviada: Qua Nov 28, 2018 00:03     Assunto : Responder com Citação
 
Uma das Lendas da Porta do Moniz em Lisboa

In diversas fontes da net.

No dia 21 de Outubro (dedicado ás Onze Mil Virgens) do ano de 1147 foi o último ataque e a tomada de Lisboa aos mouros, porque os portugueses e aliados achavam-se exaustos e cansados por cinco meses de cerco e tinham jurado vencer ou morrer.

Combatiam os católicos com fúria desusada para conquistarem a cidade, porém os mouros, com igual ousadia tratavam de vender cara as vidas em defesa das suas famílias, das suas casas e da sua bela cidade de Lisboa.

Não cessavam os instrumentos então em uso, na diligência de baterem e derrubarem as muralhas, e arrombarem as portas.

Numa destas que ficava na muralha norte do castelo, travou-se duríssimo combate, porque abrindo-a os portugueses, acudiram os moiros para a fecharem.

Então o valoroso Martim Moniz (filho de Egas Moniz e progenitor dos actuais marqueses de Castelo Melhor e de todos os Vasconcellos) se deitou no chão, segurando uma das portas com os pés e a outra com os ombros.

Os mouros mataram-no às lançadas, mas o seu cadáver ainda serviu de impedimento a que as portas se fechassem.

Desde então, e ainda hoje se chama Porta do Moniz àquela em que teve lugar este acto de abnegação daquele heróico português.


 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Qua Nov 28, 2018 20:39     Assunto : Responder com Citação
 
A Lenda do Combate da Tomada do Castelo de Loulé

In diversas fontes da net.

Num dia de Primavera do ano de 1249 perceberam os cristãos dos arredores de Loulé grande ruído de armas e vozes na parte interior do castelo. Os vigias corriam pelas ameias, os chefes cabildas empunhavam as suas cimitarras, os atabales e anafis soavam ferozmente por entre a mais estrondosa algazarra. No meio de todos, ogovernador do castelo, com o seu turbante verde, distintivo manifesto de que estava revestido das honras de Xerife inerentes ao mouro que por três vezes visita Meca, dava ordens precisas e corria a todos os lugares onde a sua presença era necessária, com uma prontidão de pasmar.

Era o governador do castelo um mouro valente e arrojado. Nascera em Tanger onde de criança começara a exercitar-se nas armas sem prejuízo dos estudos profundos das ciências do seu tempo. Conhecia os segredos dos combates como os mistérios da magia, era um soldado invencível e um crente convicto. Na manhã deste dia chegara ao castelo das bandas de Faro um adail com más novas: D. Afonso III tomara o castelo de Faro e ordenara a D. Paio Peres Correia a missão de atacar com a maior presteza o castelo de Loulé.

Não fora difícil aos cristãos dos arredores ter conhecimento destas novas que os enchiam de júbilo, pois que os mouros, não obstante o que deles escreveram os nossos escritores dos primeiros séculos da monarquia, eram de extrema benignidade para os cristãos, a ponto de muitas vezes suceder que enquanto o almuadem chamava os moslemes à oração, o sino anunciava aos cristãos a hora das solenidades do seu culto e uns e outros encontravam-se e cruzavam-se nas ruas tortuosas das suas cidades, sem que os cristãos experimentassem qualquer afronta.

O governador do castelo, reunindo os seus soldados mais aguerridos, resolvera em conselho, sair ao encontro de D. Paio e dar-lhe combate. Esse o motivo porque no castelo era tão grande o “arruido.”

Pelas dez horas da manhã saíram do castelo os sarracenos e seguiram a estrada de Faro.

Alguns cristãos de longe e ocultos pelas franjas das árvores e pelo mato espesso, seguiram o exército mouro, atravessando campos incultos, saindo fora da estrada e indo ocupar as eminências de um outeiro de onde podiam avistar sem receio, os campos do sítio dos Furadouros. Chegados ali, divisaram lá em baixo os dois exércitos um em frente do outro.

O Sol subia no horizonte e os seus raios reflectiam-se nas armaduras das duas hostes. Soavam de cada lado os sinais indicadores do próximo combate. Segundo o velho costume do campo sarraceno rompia um infernal estrondo, produzido pelos gritos e alaridos dos soldados, acompanhados dos sons agrestes e desafinados das trombetas, atabales e anafis. Envolvidos nos amplos albornozes e montados nos seus ginetes, os soldados sarracenos pareciam de longe fantasmas horríveis.

Do campo cristão as tubas guerreiras animavam os soldados e incutiam-lhes aquele valor e aquela ousadia que os tornavam invencíveis e incomparáveis nas lutas.

D. Paio Peres à frente dos seus cavaleiros vestidos de aço e empunhando as suas espadas em forma de cruzes, avançava a passo firme e seguro contra o inimigo. O governador do castelo, arrojado como o leão e sagaz como o tigre, animava as suas gentes e procurava encontrar no seu olhar de lince, o ponto vulnerável do corpo de aço que o atacava.

Embora nesta época as discórdias entre muçulmanos tivessem tomado proporções extraordinárias e a morte do domínio do islamismo pairasse por sobre as terras de Chencir… embora Cacela e Tavira pudessem ser consideradas duas sentinelas que isolavam do resto da Espanha árabe a nova província do Algarve, sentinelas poderosíssimas e fortemente defendidas pelos freires hospitalários comandados por D. Afonso Peres Farinha e pelos espatários sob o mando de D. Paio Peres Correia, todavia os sarracenos de Loulé, como se estivessem no apogeu das suas glórias de outros tempos e como se uma só ideia os dominasse, pareciam leões resolvidos a morrer, preferindo a morte no campo da honra à vergonha do desastre.

Foi terrível o combate. Os dois exércitos como duas enormes serpentes, acometiam-se com fúria. Por algum tempo esteve indeciso o duelo entre milhares de combatentes, próximo porém do sol-posto, uma dessas serpentes, com as escamas de feto quebradas, começou a fraquejar e a retirar para o seu covil. Os sarracenos não puderam resistir ao embate das forças cristãs e retiravam-se em ordem.

Não fora barata a vitória dos soldados da cruz e, tanto que D. Paio preferiu ficar no campo da peleja a seguir o inimigo que pôde entrar no castelo sem oposição.

Nessa noite o governador mouro, alentando uns com elogios, e animando outros com esperanças, preparou uma dura defesa. Quase à meia-noite desceu aos seus aposentos pela escada interior do castelo e foi abraçar as suas três filhas que o esperavam a Zara, Lídia e Cássima.

— Está ferido meu pai? Perguntou Cássima, a filha mais nova.

— Não minha filha. O profeta não quer ainda o meu sangue.

— São verdadeiras as notícias que nos trouxe o adail?

— Verdadeiras! O rei D. Afonso entrou no castelo de Faro e é o seu senhor. Fez já doaçao a D. Esteves Ares seu chanceler-mor, de todos os herdamentos que Abusala, governador de Faro e sua mulher Zaforena possuíam em todo o Al-Faghar.

As três filhas do governador puseram-se a chorar.

— Não chorem minhas filhas, observou o governador extremamente comovido. O grande profeta nunca se esqueceu dos seus crentes. Se os meus soldados não puderem levar de vencida o aperto cristão e o nosso castelo for tomado à força, nem por isso devem desanimar. Felizmente possuo os segredos da magia, e quando reconheça a impossibilidade da defesa, eu saberei defender a honra das minhas queridas filhas. Vão descansar... é já bastante noite.

As filhas retiraram para o seu quarto, beijando as barbas do seu extremoso pai, onde a furto se achava depositada uma lágrima que dos olhos do velho tinha caído.

O governador despiu apenas uma vestimenta de aço, semelhante a uma cota de armas e deitou-se sobre um catre a descansar. E em vez de pegar no sono pôs-se a reflectir!. Em que pensaria o pobre velho?!

Pelas duas horas da noite o ministro dos crentes no alto da torre do Almadena, chamou três vezes os fiéis à oração, dizendo:

— Allahu Akbar! (“Deus é Grande!”).

Passado algum tempo a mesma voz pronunciou três vezes as seguintes palavras:
— la 'iilah 'iilaa allah w mahumit 'iirthah! (“Não há Deus senão Deus e Mahomet o seu legado”).

Então o governador ergueu-se do catre, vestiu novamente a cota de armas, pôs na cabeça o turbante, colocou à cintura o alfange, escondeu no seio um famoso punhal com embutidos de ouro no cabo, e preparou-se para subir ao castelo.

Nesta ocasião, o ministro dos crentes — o Almuadem — repetiu por três vezes em voz alta, as seguintes palavras:

— Hai ala essalab, essalab achiar rnenennaum. (“Vinde para a oração, a oração aproveita mais que o dormir”).

— São horas, disse para consigo o governador.

E subindo ao castelo foi postar-se no ponto mais alto, voltado para nascente. A escuridão era impenetrável.

O governador continuou a passear pelas ameias, parando a cada momento, voltado para nascente. Todo o seu desejo era penetrar a escuridão com os olhos. Passado algum tempo tornou a parar. Momentos depois disse:

— Estão além, bem os distingo.

E não se enganara. Por entre a escuridão, um pouco destruída pela alvorada, o governador enxergara sobre o Cabeço do Mestre, os soldados de D. Paio. De longe e quando o sol ia rompendo, o exército do Mestre parecia o dorso de um crocodilo gigante a espreguiçar-se aos raios do sol.

O governador mouro deu a voz de alarme, todos pegaram em armas e vieram ocupar os seus respectivos lugares. Entretanto o exército cristão descia o outeiro muito vagarosamente e foi colocar-se em frente do castelo. Os mouros, adargados a seu modo, animavam-se mutuamente com as trombetas e os alaridos.

D. Paio Peres Correia fizera-se acompanhar da sua gente mais aguerrida. Neste combate batalharam sob o seu comando D. João Afonso, alferes-mor, seu irmão D. Afonso Teles, seus primos D. Mem, D. Gonçalo, D. João, D. Fernando Garcia, D. Marfim Peres da Vila com os três ilustres irmãos D. Gil Martins, D. Fernando e D. Afonso Lopes.

Do lado dos mouros não faltavam também heróis, só o governador valia um exército. Foi rude e feroz o ataque, heróica e gigantesca a defesa. Descrever aquele e esta não está nas minhas forças. Como bem disse o falecido escritor Pinheiro Chagas, “Numa batalha da idade média, desde o momento em que os combatentes vieram às mãos, cessou o mister do historiador e a não ser que ele vá, como o velho Homem, descrever as pugnas individuais cujo conjunto forma o duelo gigante em que as duas hostes, verdadeiras serpentes de ferro, se estorcem, se revolvem, arquejam... o historiador só tem de se limitar a dizer o resultado final”.

Limitar-me-ei também a descrever o resultado final, sem determinar o tempo que durou o cerco. Os historiadores, como em quase todos os assuntos que se prendem com a conquista do Algarve, não concordam na duração do combate. Se uns dizem que durou semanas, outros afirmam que apenas dias. O cronista, já por mim citado, quase deixa ver, contra a comum opinião e contra todas as tradições, que o combate durou somente horas. Diz ele:

“Depois que El-Rei tomou a vila de Faro, logo dali a poucos dias partiu o Mestre com a sua companha e foi-se lançar sobre Loulé e não esteve o cerco muito sobre ele que logo o não tomassem”.

Ora as palavras muito e logo são susceptíveis de várias interpretações e podem, na verdade significar uma ideia de tempo mais ou menos longo. Por isso interpretá-las-ei aqui por dias, que é a interpretação que encontro autorizada pelas tradições locais.

Num dia de madrugada, depois de alguns de cerco, quando os cristãos se aproximaram do castelo, não viram nas ameias nenhum combatente. Foram imediatamente dar parte ao Mestre, receosos de alguma armadilha. O Mestre deu todas as providências que o caso exigia e mandou proceder ao arrombamento da porta que abria para nascente. Não havia traição, a vila estava deserta. Nem um velho ou uma criança, tudo desamparara a vila quase completamente devastada e arruinada. Esta solidão que amargurou El-Rei e o Mestre foi causa de se criar na imaginação popular a ideia de que na vila tinha ficado gente encantada. Não sabendo explicar a possibilidade de uma fuga tão rápida e de tanta gente, recorreram ao maravilhoso. Foi sempre assim o povo.

Na tarde desse dia foram os soldados cristãos informados de que na noite anterior o governador do castelo e a sua gente, abrindo a porta babethacar, sem que fossem pressentidos pelo exército cristão, tinham por ela saído, encaminhando-se todos para Quarteira onde já eram esperados por alguns barcos, que os conduziram a Tânger.

Nesse mesmo dia D. Paio Peres Correia entrou no castelo à frente dos seus freires e tomou posse da vila.

Em nome de quem tomou posse?

É para o historiador um caso de difícil resolução atenta a opinião que afirma ter D. Afonso III assistido a esta posse, e a opinião de alguns historiadores que sustentam ter a posse do referido castelo sido entregue três anos depois pelo rei castelhano a D. Afonso III. Parece que D. Paio nesse tempo fazia as suas conquistas em nome do rei castelhano, o que a maior parte dos nossos historiadores fortemente contesta.

No dia seguinte era já público e sabido que as três filhas do governador do castelo não tinham acompanhado seu pai na fuga. Onde tinham ficado escondidas?

Então apareceram várias versões, sobressaindo a todas a que as davam por encantadas numa fonte próxima da vila, num sítio agradável e ameno…


 
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Mensagem Enviada: Sex Nov 30, 2018 00:34     Assunto : Responder com Citação
 
A Lenda da Rainha Rabuda

In diversas fontes da net.

A Rainha D. Beatriz de Gusmão (filha de D. Afonso X de Castela e segunda mulher do nosso Rei D. Afonso III) aparentava ter um apêndice caudal um pouco volumoso e por isso alguns chamavam-lhe a Rainha Rabuda.

Mas tal ideia ficou desfeita quando Fr. António Fala, testemunha ocular da abertura do respectivo túmulo (que se encontrava na sala dos túmulos do Mosteiro de Alcobaça) no templo de São Sebastião, disse que tal apêndice não foi encontrado no corpo da Rainha.

Portanto o mais certo foi que tal título ou lenda teria tido a sua origem por ter sido a Rainha D. Beatriz quem primeiro introduziu em Portugal a moda do uso das grandes caudas, tão em voga nos vestidos das damas noutros países e por isso o povo, não estando a par dessa moda, lhe deu o nome de Rainha Rabuda, pensando ser por causa de alguma configuração física mais volumosa, mas que de facto era devido ao modelo dos vestidos que a Rainha usava…


 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Seg Dez 03, 2018 20:00     Assunto : Responder com Citação
 
A Lenda de Alenquer

In diversas fontes da net.

Nos fins de Abril de 1148, D. Afonso I cercou Alenquer que os mouros defendiam obstinadamente. Durante o cerco que já durava à dois meses, na manhã de S. João Baptista, o rei português assaltou a vila aproveitando a oportunidade dos árabes estarem entretidos a banharem-se no rio, tomando-a de assalto.

Mas, como naquele tempo tudo eram milagres, a população propagou entre si o seguinte, que ainda existe como tradição, mas com três diferentes versões:

1ª Versão – Quando os mouros saíram a banhar-se, deixaram a vila entregue a um cão pardo. Mas este saiu logo atrás deles e foi direitinho na direcção de D. Afonso I, fazendo-lhe muitas festas, o que o rei tomou por bom agouro e disse: O alão quer! (O histórico canzarrão, que tanto deu que falar, era da raça dos chamados alões) e zás, o rei investe na direcção da praça e toma-a de assalto!

Haverá alguém que acredite em semelhante história? Então os mouros iam todos refrescar-se, tendo a praça cercada pelos cristãos, deixavam-na entregue a um cão e demais a mais com a porta aberta para ele poder sair quando quisesse como efectivamente fez? Mas, se o cão saiu, ficou a praça sem guarnição nenhuma, e D. Afonso I não investiu nem tomou de assalto a praça pois encontrou a porta aberta e entrou muito facilmente com as festas e alegria do cão…

2ª versão – Estando o rei a olhar para as muralhas, o alão chegou ao cimo da porta com a chave dela na boca e deixou-a cair em frente do rei que não fez cerimónia e entrou dizendo:
O alão quer! (Devemos confessar que os árabes de Alenquer sempre arranjaram um alcaide-mor simpático).

3ª versão – O cão saiu da praça com a chave na boca e deu-a ao rei!

Cada vez se entende menos estas três versões da lenda! Se a porta estava fechada, por onde saiu o cão? E se estava aberta, que obséquio fazia o cão em entregar a chave ao rei?

Por tudo isto é estranho os que se fundamentam nas três versões para dizerem que foi por tal que deram o actual nome a esta vila devido às palavras proferidas por D. Afonso Henriques: “Alão quer”.

Provavelmente, a causa de ter sido dada à vila as armas que aparecem no brasão de um cão pardo em campo de prata se referisse às tais versões faladas pelo povo, mas este devia estar solto e com a chave na boca, mas segundo o desenho original das armas que figuravam no brasão da vila, ele estava preso a uma árvore com um grilhão de ouro no pescoço…Dúvidas estas que chegaram até ao presente.


 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Ter Dez 04, 2018 23:53     Assunto : Responder com Citação
 
A Lenda da Senhora do Mileu

In diversas fontes da net.

Veiros, tem como muitas terras, a sua lenda.

Em Veiros viviam meia centena de homens e a povoação era pequena.

Mafalda, uma rapariga de Veiros que não tinha mãe e vivia com o pai, encontrou num pinhal que existia perto da ermida, a imagem duma senhora a que deram o nome da Senhora do Pinhal e gostava muito de visitar a Senhora na ermida, como todas as mulheres de Veiros.

Mafalda não sabia que os mouros tinham vencido os cristãos perto de Elvas e que vinham a caminho de Veiros, foi o pai quem lho disse.

Ela esperava Lourenço, o fidalgo de quem gostava. Assim que o viu chorou e perguntou-lhe se era verdade o que o pai lhe dissera. Ele disse que sim.

Chegou a hora da batalha, doze cavaleiros cristãos à frente e atrás os guerreiros. Travou-se a batalha. Os gritos das crianças e os soluços das mulheres soaram no campo da luta.

Durante a batalha, apareceu uma mulher que falou suavemente e que se ouviu em toda a planície e que disse:

- Avante cristãos! Para cada mil mouros um de vós.

Lourenço gritou para os companheiros se tinham ouvido as palavras da mãe do Céu e todos responderam que sim… “Para cada mil, um…”

Os mouros iam caindo mortos e outros fugiam.

Já estava visto que o povo de Veiros era senhor da sua terra onde ainda hoje existe a ermida de Nossa Senhora do Mileu que é muito venerada e respeitada pelo povo veirense.


 
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Mensagem Enviada: Qua Dez 05, 2018 22:02     Assunto : Responder com Citação
 
A Lenda da Inês Negra

In diferentes fontes da net.

Os Castelhanos tinham-nos tomado a maior parte das povoações fortificadas do Alto Minho, porém, o valor dos Portugueses tinha-os feito capitular a quase todas e só Melgaço estava a favor de Castela. Era seu governador ou alcaide-mor, o castelhano Álvaro Pais Sotto-Maior o qual, tendo de guarnição trezentos infantes e trezentos cavalos, porfiava na resistência.

D. João I pôs cerco a Melgaço e há 10 dias que o assédio durava sem outra consequência mais do que escaramuças que nada decidiam. Então, o rei português mandou construir um castelo de madeira que ficasse junto das muralhas, cuja construção levou 20 dias. Os cercados receando o assalto, deram sinal de armistício e foi à praça João Fernandes Pacheco tentar um acordo com os portugueses porém, Álvaro Pais propunha tais condições que nada conseguiu com os portugueses. O rei mandou activar os preparativos do assalto, jurando que ele próprio o comandaria.

Dentro da praça havia uma mulher muito valente, parcial dos Castelhanos, que renegara sua pátria, pois era mesmo natural do local.

Sabendo ela que no arraial dos portugueses estava uma sua conterrânea, ousada e valorosa como ela, a mandou desafiar para um combate singular.

Inês Negra (a desafiada) aceitou o repto e dirigiu-se logo para o ponto designado que era a meia distância do arraial da vila. Já lá estava a arrenegada, (como então se dizia) e o combate começou encarniçado, terrível e desesperado, como duas viragos, ferindo-se com as mãos, unhas e dentes, depois de partirem as armas de que vieram munidas (ignorando-se que armas fossem). A agressora ficou debaixo e teve de retirar para a vila, corrida, ferida e quase sem cabelo, “levando nos focinhos muitas nódoas das punhados da de fora”, que ficou vitoriosa.

Os portugueses fizeram grande algazarra aos Castelhanos. No dia seguinte era a praça dos portugueses e Inês Negra, cercada de besteiros, estava no alto da plataforma onde o pendão das Quinas ondeava ovante no mastro em que na véspera se ostentava orgulhosa a bandeira dos leões e torres de Castela e dizia no seu transporte de alegria:

— Mas vencemos-te! Tornaste ao nosso poder! És do Rei de Portugal.

Em 1807 repetiram-se as brilhantes acções dos habitantes de Melgaço, e desta vez sem que houvesse mulher ou homem que atraiçoasse a honra pátria.

Desta antiga vila já hoje quase nada resta, porque Melgaço possui muitas edificações modernas, largos, algumas ruas, um magnífico hospital, casa de escola, etc…


 
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