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Monumentos Nacionais
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Beladona
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Mensagem Enviada: Dom Jul 28, 2019 23:31     Assunto : Responder com Citação
 
Trago hoje a Igreja da Lapa situada na vila e distrito de Arcos de Valdevez, regi√£o Norte e sub-regi√£o do Minho-Lima.

in diversas fontes da net.

√Č em estilo barroco t√≠pico Rococ√≥.

O projecto da Igreja devotada a Nossa Senhora da Lapa, é atribuído a André Soares e ficou concluído em 1767.

A Igreja apresenta uma planta centralizada, o exterior tem uma forma oval e a torre atr√°s da capela mor. O interior tem uma forma octogonal com uma alta c√ļpula.

Apesar de pouco documentada, o traçado arquitectónico e os elementos decorativos da Igreja da Lapa em Arcos de Valdevez, permitem aproximá-la de outras obras seguramente desenhadas pelo arquitecto bracarense André Soares, a quem este templo tem vindo a ser atribuído pelos diversos investigadores que seguiram a linha de investigação traçada por Roberth Smith (SMITH, 1973).

A crer nesta atribui√ß√£o, a Igreja da Lapa inscreve-se na √ļltima d√©cada da actividade de Andr√© Soares (1760), figura relativamente documentada pelo citado historiador norte americano: Nascido em Braga no ano de 1720, a√≠ viveu at√© √† data da sua morte em 1769 com 49 anos.

√Č poss√≠vel que se deva ao per√≠odo passado no semin√°rio o conhecimento das gravuras de Augsburgo, que o teria posto em contacto com o esp√≠rito rocaille franc√™s (SMITH, 1974, p 501) t√£o marcante na plasticidade das arquitectura e estruturas retabulares por si concebidas. A sua actividade √© principalmente vis√≠vel na cidade que o viu nascer, embora se tenha estendido a outras √°reas da regi√£o como Guimar√£es, Tib√£es, Viana do Castelo ou Arcos de Valdevez.

Não se sabe ao certo, em que data começou a ser edificada a Igreja da Lapa, mas dois elementos permitem estabelecer uma cronologia aproximada para a sua construção ocorrida entre a década de 1750 e a de 1760. Assim, remonta a 1753-54 a estada do padre Angelo Sequeira, responsável pela difusão do culto a Nossa Senhora da Lapa (SMITH, 1973, p. 35; COUTINHO, 1965, pp. 202-203).

Por outro lado, a visita de um representante do arcebispo de Braga em 1767, permite perceber que a Igreja já estava concluída nesse ano (SMITH, 1973, p. 35).

A solu√ß√£o planim√©trica adoptada por Andr√© Soares n√£o deixa de surpreender pelo dinamismo alcan√ßado e pela volumetria exterior, onde se imp√Ķe o amplo corpo oval correspondente √† nave (com c√ļpula), mais elevado que a galil√© de paredes curvas que o precede, ou do que a capela-mor rectangular do lado oposto e a um n√≠vel pr√≥ximo ao da torre sineira. Esta √ļltima situa-se junto √† capela-mor, no que √© considerado uma tradi√ß√£o bracarense (GON√áALVES, 1973, p. 4). Voltamos a encontrar a mesma procura pelas linhas curvas na √ļltima obra conhecida de Soares - a Igreja dos Santos Passos de Guimar√£es.

Mas na fachada da Lapa s√£o m√ļltiplos os contactos com outras arquitecturas projectadas anteriormente. A composi√ß√£o unit√°ria que engloba o portal, o janel√£o superior e o front√£o, recorda a mesma unidade observada na casa da C√Ęmara de Braga, enquanto que outros elementos evocam a Casa do Raio, a igreja de Santa Maria da Falperra, ou o Arco da Porta Nova, em Braga (SMITH, 197, p. 36).

No interior, os al√ßados s√£o dinamizados pelas pilastras que definem os diferentes panos mur√°rios, alterando composi√ß√Ķes formadas por porta, janela de sacada e √≥culo, com os ret√°bulos laterais de talha dourada e pol√≠croma executados em 1771.

Muito embora André Soares tenha também desenvolvido um importante trabalho ao nível da talha dourada, com o desenho de vários retábulos cujo gosto foi prolongado pela actividade do seu discípulo Frei José de Santo António Vilaça, a talha que observamos na Igreja da Lapa tem vindo a ser atribuída exactamente ao beneditino, inscrevendo-se na segunda fase da sua longa carreira.

De facto, entre 1768 e 1770 Frei Ant√≥nio Vila√ßa manteve o dinamismo das suas composi√ß√Ķes, mas procurando uma maior simetria e linearidade num conjunto que tendia a valorizar a policromia, nomeadamente a imita√ß√£o do m√°rmore (PEREIRA, 1995, p. 114). S√£o precisamente estes aspectos que encontramos nos ret√°bulos laterais e no ret√°bulo-mor (1770) da Igreja de Arcos de Valdevez, incluindo-se ainda nesta campanha decorativa as restantes obras de talha (grades da varanda e coro) (SMITH, 1973, p. 36; IDEM, 1963; IDEM, 1972).

 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Ter Jul 30, 2019 00:02     Assunto : Responder com Citação
 
Trago hoje o Castelo medieval de Alter do Ch√£o no Alentejo, localizado na freguesia de Alter do Ch√£o, na vila e concelho do mesmo nome, distrito de Portalegre.

in diversas fontes da net.

No centro histórico da vila, este Castelo é representativo da arquitectura medieval trecentista, quando cooperava com o vizinho Castelo de Alter Pedroso na defesa desta região.

A ocupação humana deste local remonta à época pré-romana.

Aquando da Invas√£o romana da Pen√≠nsula Ib√©rica o povoado desenvolveu-se atravessado por uma das tr√™s estradas que ligavam Olissipo (Lisboa) a Em√©rita Augusta (M√©rida), passando a denominar-se Abelterium ou Eleteri. Posteriormente foi arrasado pelas legi√Ķes do imperador Adriano (117-138), evento que poder√° ter determinado a constru√ß√£o de uma fortifica√ß√£o romana.

Posteriormente conquistada pelos V√Ęndalos que lhe danificaram as defesas, as mesmas foram reconstru√≠das na altura da ocupa√ß√£o Mu√ßulmana, possivelmente sob o governo de Ab-al-Rahman III (912-961) conforme testemunham cinco fiadas de silhares cujo aparelho √© caracter√≠stico do per√≠odo califal.

No contexto da Reconquista cristã da península Ibérica, esta região foi ocupada pelas forças de Portugal desde a segunda década do século século XIII: D. Afonso II (1211-1223) ordena o seu repovoamento em 1216. Sob o reinado de D. Sancho II (1223-1248), o Castelo já é mencionado na Carta de Povoamento dada a Alter do Chão pelo bispo da Guarda, Mestre Vicente Hispano (1232). Ainda visando incrementar o seu povoamento, o Rei D. Afonso III (1248-1279) outorgou foral à povoação (1249) determinando reedificar o seu Castelo.

D. Dinis (1279-1325), visitou esta povoa√ß√£o em diversas ocasi√Ķes, outorgando-lhe novo Foral (26 de Agosto de 1292), reformado no ano seguinte concedendo-lhe entre os privil√©gios em particular, o de que nunca teria outro senhor sen√£o o pr√≥prio soberano. N√£o existe informa√ß√£o entretanto, de que se tenha ocupado da fortifica√ß√£o da vila.

A actual conformação do Castelo remonta ao reinado de D. Pedro I (1357-1367) que determinou a sua reconstrução a 22 de Setembro de 1357, de acordo com a placa epigráfica de mármore sobre o portão principal. O soberano reformou o Foral da vila em 1359.

D. Fernando I (1367-1383) fez doa√ß√£o dos dom√≠nios da vila a D. Nuno √Ālvares Pereira que por sua vez os doou a D. Gon√ßalo Eanes de Abreu.

Sob o reinado de D. Jo√£o I (1385-1433), este monarca confirmou os dom√≠nios da vila e do Castelo ao Condest√°vel D. Nuno √Ālvares Pereira (1428). Este legou-o por morte √† sua filha, que transferiu por casamento ao Duque de Bragan√ßa os dom√≠nios desta Casa.

Neste momento de sucess√£o, registou-se uma campanha de obras no Castelo (1432).

No reinado de D. Jo√£o II (1481-1495), o ent√£o Duque de Bragan√ßa, D. Fernando II, utilizou este Castelo como pris√£o, argumento que viria a ser usado contra si quando das acusa√ß√Ķes por rebeldia e conspira√ß√£o contra o soberano e que o condenaram √† morte (1483).

D. Manuel I (1495-1521) outorgou o Foral Novo à vila (1 de Junho de 1512), datando deste período a construção da porta adintelada da alcaidaria.

Durante a Guerra da Restaura√ß√£o foi erguida uma barbeta na muralha Nordeste, sobre a qual se reconstru√≠ram as ameias. Neste per√≠odo encontra-se documentada a exist√™ncia de uma muralha urbana. A vila e o Castelo foram conquistados e ocupados por tropas espanholas sob o comando de D. Jo√£o de √Āustria (1662).

O Castelo foi adquirido, em data indeterminada entre 1830 e 1840 por José Barreto Cotta Castelino, que o vendeu em 1892 a D. José Barahona Caldeira de Castel-Branco Cordovil.

No século XX, foi classificado como Monumento Nacional por Decreto publicado em 23 de Junho de 1910.

Durante as comemora√ß√Ķes do III Centen√°rio da Restaura√ß√£o foi objecto de homenagem conforme registado em inscri√ß√£o epigr√°fica (1940).

Pouco depois, mudaria novamente de proprietário, adquirido pela Casa Agrícola de Francisco Manuel Pina & Irmãs (1942) para ser finalmente adquirido pela Fundação da Casa de Bragança, que o conserva até aos nossos dias.

Ap√≥s interven√ß√Ķes de consolida√ß√£o e restauro iniciadas na d√©cada de 1950 a cargo da Direc√ß√£o-Geral dos Edif√≠cios e Monumentos Nacionais (DGEMN) com recursos da Funda√ß√£o Casa de Bragan√ßa, o Castelo encontra-se hoje em bom estado de conserva√ß√£o, emoldurado por uma estreita faixa ajardinada.

Características do Castelo:

O Castelo, erguido na cota dos 270 metros acima do nível do mar, apresenta planta quadrangular em estilo gótico inicial.

Os panos da muralha em aparelho de xisto e granito, são reforçados por seis torres: Duas de planta quadrangular, dois cubelos cilíndricos nos vértices, um torreão de planta quadrangular a meio do pano Nordeste e um de planta quadrada sobre o portão a meio do pano Sudoeste.

O cubelo no vértice Leste é coroado por um coruchéu cónico.

Um adarve percorre o alto das muralhas protegido por ameias apoiando-se no tro√ßo Leste em cachorros. Os merl√Ķes quadrangulares de seteiras alternadas que coroam algumas dessas torres foram refeitos durante as interven√ß√Ķes promovidas na d√©cada de 1940.

O portão do Castelo em arco ogival, é encimado por uma pedra de armas com uma inscrição epigráfica que reza:

ERAMIL√ČSSIMA: CCC E NOVENTA V ANOS XXII DIAS DE SETEMBRO O MUI NOBRE REI DOM PEDRO MANDOU FAZER ESTE SEU CASTELO D'ALTER DO CH√ÉO

O ano na inscrição corresponde a 1357 do Calendário Gregoriano. Por esse portão acede-se à praça de armas na qual se abrem o poço e a cisterna.

Em posição recuada na praça de armas ergue-se a Torre de Menagem, com planta no formato quadrangular, elevando-se a 44 metros de altura, com o parapeito coroado por ameias tronco-piramidais.

Internamente, divide-se em dois pavimentos com tectos em abóbada de berço reforçados por arcos quebrados de cantaria, iluminados por janelas gradeadas. Todas as portas desta torre apresentam vergas em arco quebrado.

Contígua à Torre de Menagem, encontra-se a fachada da antiga alcaidaria e de outras dependências, com os seus muros rasgados por diversas portas, janelas e uma escadaria de acesso, que demonstram ter tido este Castelo a função residencial. Sobre a porta da alcaidaria, com ombreiras de cantaria de granito, encontra-se outra inscrição epigráfica, que reza:

ESTA OBRA MANDOU FAZER FERNÃO RODRIGUES VEEDOR DE DOM FERNANDO NETO DEL REI E CONDE D' ARRAIOLOS ERA DO MUNDO DE MIL jjjjc e X ANOS.

O ano na inscrição corresponde a 1372 do Calendário Gregoriano.

 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Ter Jul 30, 2019 22:12     Assunto : Responder com Citação
 
Trago hoje as muralhas do Porto localizadas na cidade, concelho e distrito do Porto.

in diversas fontes da net.

A primitiva ocupa√ß√£o humana deste local do Porto sobranceiro √† margem direita do rio Douro, remonta ao per√≠odo final da Idade do Bronze, aproximadamente por volta do s√©culo VIII a.C., possivelmente por castros. O povoado proto-hist√≥rico ter√° mantido desde cedo, importantes liga√ß√Ķes comerciais com a bacia do mar Mediterr√Ęneo.

Na altura da Invas√£o romana da Pen√≠nsula Ib√©rica, a povoa√ß√£o ent√£o denominada de "Cale", j√° contava com edifica√ß√Ķes de porte e controlava um importante eixo vi√°rio entre "Olissipo" (actual Lisboa) e "Bracara Augusta" (actual Braga). O mais importante n√ļcleo foi identificado pela pesquisa arqueol√≥gica na d√©cada de 1940 no alto da Pena Ventosa (morro da S√©), quando foram trazidas √† luz uma ara votiva, uma moeda do imperador Constantino e duas colunas de m√°rmore. Datar√° desta √©poca a primitiva cintura de muralhas da povoa√ß√£o.

Com as Invas√Ķes b√°rbaras da Pen√≠nsula Ib√©rica, os Suevos adquiriram o controle sobre todo o Noroeste peninsular.

A povoação, então denominada como "Portucale", neste período foi elevada a sede de bispado, vindo a sofrer expressivo retrocesso após a Invasão muçulmana da Península Ibérica, no século VII.

Na altura da Reconquista crist√£ da pen√≠nsula a regi√£o de "Portucale" foi reconquistada pelas for√ßas de V√≠mara Peres no ano de 868, ficando sujeita √†s oscila√ß√Ķes da linha da fronteira.

Embora n√£o haja informa√ß√Ķes sobre as estruturas defensivas neste per√≠odo, √© certo que no s√©culo X uma muralha j√° existia conforme se infere da leitura da carta do cruzado ingl√™s que descreve a conquista de Lisboa datada de 1147. Tendo a expedi√ß√£o passado pela foz do rio Douro, quando acedeu auxiliar D. Afonso Henriques na conquista daquela cidade, o documento informa que, tendo a cidade do Porto sido assolada por uma incurs√£o de sarracenos, os estragos haviam sido reparados havia uns oitenta anos, isto √©, por volta de 1067.

Com base nessas informa√ß√Ķes, e nesse recorte temporal, os estudiosos admitem que a incurs√£o sarracena tenha ocorrido no contexto da ofensiva de Alman√ßor em 997 e que os reparos tenham tido lugar em fins do reinado de D. Fernando Magno de Le√£o-Castela.

A Condessa D. Teresa mãe de D. Afonso Henriques, fez a doação do couto do Porto ao Bispo D. Hugo, o qual em 1123, lhe outorgou a primeira Carta de Foral.

Datará desta época a reconstrução da primitiva cintura de muralhas da povoação, também denominada como muro romano.

Em meados do século XIV, testilhando a Mitra e a Cidade sobre direitos de jurisdição, foi notificado perante os juízes, pelos procuradores do Concelho, que por motivos de defesa, por ocasião dos desentendimentos entre D. Dinis e o infante D. Afonso entre os anos de 1320 a 1321, tinham sido mandadas demolir algumas casas construídas junto ao muro do castelo.

A express√£o "castelo" j√° havia sido empregada anteriormente nas Inquiri√ß√Ķes de D. Afonso IV. Entretanto, uma carta dirigida por D. Sancho I ao bispo do Porto leva a crer chamar-se castelo na altura ao alto do morro da Pena Ventosa, pois nela recomenda o monarca ao prelado que promova a realiza√ß√£o de mercado ante a porta da S√©, "para que o castelo seja melhor povoado".

A constru√ß√£o do edif√≠cio da alf√Ęndega, em 1324, havia representado um duro golpe nos interesses do bispo do Porto.

Posteriormente em 1405, D. Jo√£o I transferiu para a Coroa a jurisdi√ß√£o do burgo numa √©poca de consolida√ß√£o do poder local apoiado pela burguesia mercantil. A abertura da Rua Nova marca uma nova fase no urbanismo da cidade e a sua localiza√ß√£o reflecte a import√Ęncia atingida pela zona baixa da cidade, que funcionou at√© ao s√©culo XX como principal p√≥lo comercial.

Nesta fase, a Coroa já providenciara no sentido de abrigar a cidade em expansão em novo muralhamento. As obras começaram em 1336 no reinado de D. Afonso IV e só terminaram em 1374 (ou 1376) no tempo de D. Fernando, motivo pelo qual ficaram conhecidas pela denominação de muralha fernandina, muralha gótica ou muro novo.

A nova muralha tinha uma extensão de 3000 passos e 30 pés de altura. Era guarnecida de ameias e reforçada por numerosos cubelos e torres de planta quadrada, que excediam em onze pés a muralha, com excepção das torres que defendiam as Porta do Cimo da Vila e Porta do Olival, que subiam 30 pés acima desse nível.

Um século e meio depois (1529) caíram 360 braças da muralha, entre a Porta do Olival e a Porta dos Carros ou seja, ao longo da antiga Calçada da Natividade hoje Rua dos Clérigos. A reedificação deste troço da muralha foi feita entre 1607 e 1624. Durante esses trabalhos, o mestre carpinteiro Bartolomeu Fernandes morador em Miragaia, tomou de empreitada por 17$000 réis "o conserto das portas da Ribeira e dos Postigos da Lada, das Tábuas e dos Barbeiros".

O traçado da muralha começava no Postigo do Carvalho, que se chamou de Santo António do Penedo, em honra do Santo da Ermida que lhe ficava próximo e mais tarde Postigo do Sol, quando foi reconstruído com maior imponência pelo corregedor João de Almada e Melo em 1774. Seguia pelo local onde se encontra o Governo Civil e o Teatro São João, passando depois à Rua do Cimo da Vila, onde existia a Porta do Cimo da Vila.

Continuava em direc√ß√£o ao Sul pela Cal√ßada de Santa Teresa e Viela da Madeira at√© √† Porta dos Carros junto √† Igreja dos Congregados. Esta Porta veio substituir em 1551, o Postigo a√≠ existente, constru√≠do por Ordem R√©gia de D. Jo√£o I em 1409, a pedido da C√Ęmara para conveni√™ncia do servi√ßo das hortas que ficavam pr√≥ximas e para a entrada dos carros de pedra para reconstru√ß√£o das casas da Rua Ch√£ que tinham ardido. Esta porta demolida em 1827, tinha a lade√°-la duas torres.

A muralha continuava em linha recta ao longo do extinto Convento dos L√≥ios, actual edif√≠cio das Cardosas. Aqui estava a Porta de Santo El√≥i demolida por acordo entre os padres L√≥ios e o Senado da C√Ęmara para alargamento do Largo dos L√≥ios. Seguia pela cal√ßada dos Cl√©rigos e Rua da Assun√ß√£o at√© √† Cordoaria ent√£o um extenso olival, onde existia a Porta do Olival. Descia em direc√ß√£o √† Rua do Calv√°rio.

Nos terrenos onde se encontra actualmente a Igreja de São José das Taipas ficava a Porta das Virtudes. Seguia pelo rio pelo Noroeste da Rua da Cordoaria Velha atravessando a Rua da Esperança onde havia uma porta com o mesmo nome, assim chamada por existir próximo a capela de Nossa Senhora da Esperança. A muralha continuava até ao rio, pelo sítio onde estão as Escadas do Caminho Novo até à Porta Nova na margem do Douro.

Esta porta aberta em 1522 por ordem de D. Manuel I, veio substituir e alargar o Postigo da Praia. Foi demolida em 1872 quando se abriu a Rua Nova da Alf√Ęndega. Era por aqui que se fazia a entrada solene dos Bispos quando vinham ocupar o cargo. Era uma das principais portas da cidade. No Museu Nacional de Soares dos Reis existem, a l√°pide coeva de D. Fernando com o escudo Real, que rematava o primitivo postigo e que se manteve quando da reconstru√ß√£o, e a l√°pide e pedra de armas, colocadas quando da Restaura√ß√£o da Independ√™ncia em 1640.

A muralha continuava paralela ao rio at√© subir para Santa Clara. Da Porta Nobre at√© ao Terreirinho rasgavam-se os postigos dos Banhos e o do Pereira ou Lingueta. No Terreirinho, pr√≥ximo √† antiga Alf√Ęndega, existia o Postigo do mesmo nome, demolido em 1838. Continuava em direc√ß√£o ao Postigo do Carv√£o, o √ļnico que ainda existe e assim chamado por ser por a√≠ que entrava o combust√≠vel que ficava em dep√≥sito na Fonte Taurina.

Mais adiante havia o Postigo do Peixe. A seguir ficava a Porta da Ribeira voltada a Leste, demolida em 1774 por ordem de Jo√£o de Almada e Melo, quando se decidiu construir a Pra√ßa da Ribeira. Esta foi a primeira porta da cidade onde se gravou a inscri√ß√£o alusiva √† consagra√ß√£o de Portugal a Nossa Senhora da Concei√ß√£o decretada por D. Jo√£o IV. Existiam ainda mais quatro postigos, o do Pelourinho, o da Forca, o da Madeira e o da Areia. Depois deste √ļltimo a muralha deixava de acompanhar o rio e subia at√© √† Porta do Sol.

A Dinastia Filipina (1580-1640) correspondeu a um per√≠odo de acentuado desenvolvimento urbano e administrativo. As grandes muta√ß√Ķes art√≠sticas come√ßaram nesta √©poca, para atingir toda a sua magnific√™ncia no s√©culo XVIII, a √©poca √°urea da difus√£o do vinho do Porto.

No s√©culo XVIII a muralha romana ainda estava quase intacta, pois descreveu-a o Pe. Manuel Pereira de Novais na "Anacrisis Historial"; das quatro portas que se abriam nessa vetusta muralha, a √ļltima demolida foi a chamada Porta de Vandoma que perdurou at√© 1855.

No presente, da trecentista constru√ß√£o defensiva perduram v√°rios lan√ßos da muralha e alguns torre√Ķes.

 
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Mensagem Enviada: Qua Jul 31, 2019 22:23     Assunto : Responder com Citação
 
Os Monumentos Megal√≠ticos de Alcalar s√£o um grupo de t√ļmulos que comp√Ķem uma necr√≥pole do per√≠odo Calcol√≠tico, localizado na freguesia da Mexilhoeira Grande, no concelho de Portim√£o e que inclui ainda um forno de cal.

In diversas fontes da net.

Esta necr√≥pole comp√Ķe-se por um conjunto de sepulturas espalhadas por uma √°rea de dez hectares. A mais impressionante dessas sepulturas √© a grande mamoa conhecida como monumento n√ļmero sete, que se situa no centro da actual √°rea museol√≥gica, formada por um tolo central cuja cripta √© acess√≠vel por um estreito corredor voltado para nascente.

Os vestígios arqueológicos de Alcalar dão conta da existência de uma população organizada cujo modo de subsistência básico era a agricultura, com uma apreciável capacidade de exploração dos recursos da terra. Localiza-se numa área de terras aráveis, razoavelmente planas, e onde terminava o troço outrora navegável da Ribeira da Torre.

No museu de Lagos podem ser observados machados de pedra e outros utensílios líticos desta região (não apenas de Alcalar). Ao longo da faixa costeira do Barlavento algarvio têm sido identificados vários vestígios megalíticos, com destaque para os de Vila do Bispo.

O sítio arqueológico de Alcalar está situado perto da vila da Mexilhoeira Grande, no interior do concelho de Portimão, numa zona que vai desde a Serra de Monchique a Norte, até à Baía de Lagos a Sul, e que inclui o sistema lagunar da Ria de Alvor.

O s√≠tio est√° localizado numa colina, com condi√ß√Ķes naturais que permitem a sua defesa. A √°rea √© povoada por uma necr√≥pole de v√°rios t√ļmulos retangulares e tolos (com c√Ęmaras e corredores) (carece de fontes). Alguns incluem falsas c√ļpulas e nichos laterais, com v√°rias t√©cnicas arquitect√≥nicas empregues na sua constru√ß√£o. Ambos t√™m uma forma aproximada de seio, sendo por isso classificados como mamoas. Esta forma, em conjunto com a sua constru√ß√£o num local elevado, poderia servir para serem mais facilmente vistas ao longe, tornando-as como s√≠mbolo de poder por parte da povoa√ß√£o que os construiu, e que ficava situada numa colina pr√≥xima. Devido √† sua constru√ß√£o em grandes blocos de pedra, tanto o s√©timo como o nono t√ļmulos s√£o considerados como monumentos megal√≠ticos.

Os t√ļmulos eram utilizados apenas para os corpos dos indiv√≠duos mais influentes no povoado, sendo a restante popula√ß√£o enterrada noutro local. Isto √© comprovado pelos adornos dos corpos nos interiores dos t√ļmulos, em marfim, √Ęmbar, cobre, ouro, e pedras verdes, materiais que em certos casos tinham de ser importados de longas dist√Ęncias.

O topónimo do local Alcalar ou Alcalá, é de origem muçulmana, existindo outros nomes semelhantes na região, como Alcantarilha ou Alcaria.

O conjunto dos Monumentos Megal√≠ticos de Alcalar est√° classificado como Monumento Nacional. √Č um dos monumentos mais visitados no Algarve, tanto pela popula√ß√£o local como pelos turistas. Do ponto de vista arqueol√≥gico, √© um dos s√≠tios mais importantes na regi√£o, devido √†s estruturas funer√°rias, e pelo grande n√ļmero e significado dos objectos que foram encontrados.

O antigo complexo de Alcalar inclu√≠a um povoado e uma necr√≥pole, formada por v√°rios t√ļmulos megal√≠ticos, organizados em v√°rios grupos.

A zona populacional de Alcalar estava localizada numa colina perto do local dos t√ļmulos, consistindo num conjunto de estruturas, como edif√≠cios e silos, parcialmente escavados no solo, sendo por isso categorizados como Recinto de fossos.

Perto do centro de interpreta√ß√£o de Alcalar, a ocidente da Estrada Municipal 532, nas proximidades do centro de interpreta√ß√£o de Alcalar, encontra-se um grupo de seis monumentos funer√°rios, conhecido como n√ļcleo central. O primeiro monumento, Alcalar 1, √© uma anta coberta por uma mamoa, e apresenta um estado de degrada√ß√£o muito avan√ßado. O segundo monumento √© um tolo, igualmente coberto por uma mamoa, e tamb√©m est√° em mau estado de conserva√ß√£o. O terceiro t√ļmulo, denominado de Alcalar 3, √© outro tolo dentro de uma mamoa, e ainda se encontra em bom estado. O monumento Alcalar 4, √© igualmente uma mamoa encerrando um tolo, e apresenta um estado de conserva√ß√£o regular, sendo ainda vis√≠veis partes da c√Ęmara funer√°ria, tal como os dois mon√≥litos √† entrada. O quinto e o sexto monumentos, ambos destru√≠dos, eram tolos que partilhavam a mesma mamoa. O monumento Alcalar 10 est√° situado junto aos t√ļmulos 1 a 6, e √© constitu√≠do por um tolo em bom estado de conserva√ß√£o.

Devido ao seu car√°cter monumental, o tolo 7 (que foi constru√≠do no terceiro mil√©nio) constitui um centro hist√≥rico-cultural e cient√≠fico incontest√°vel do s√≠tio arqueol√≥gico, incluindo os v√°rios artefactos descobertos. O t√ļmulo colmeia monte de pedras, √© constru√≠do a partir de um mont√≠culo de pedras em torno de um tolo, com um corredor subjacente e uma c√Ęmara abobadada. A sua base √© composta por xisto e √© duplicada numa parede que rodeia a estructura, formando um caminho. O seu di√Ęmetro √© de 27 m, com uma entrada virada para o leste localizada no meio da estrutura. O acesso √† c√Ęmara principal √© feito atrav√©s de um corredor virado para o leste, coberto de grandes lajes de pedra calc√°ria que se concentram estritamente no acesso √† cripta. Este espa√ßo √© coberto por uma laje de pedra calc√°ria e fica no centro geom√©trico do t√ļmulo.

O monumento 9 foi constru√≠do a cerca de 200 a 300 anos ap√≥s o seu antecessor, j√° nos finais do terceiro mil√©nio ou princ√≠pios do segundo. Esta data√ß√£o foi feita com base nas ossadas de um enterramento secund√°rio, no interior da estructura. Estes vest√≠gios, que estavam em cima de duas ta√ßas de cer√Ęmica, eram compostos por ossos compridos e um cr√Ęnio de um homem robusto de meia idade, que em certa altura sofreu de um traumatismo craniano, do qual sobreviveu, porque o osso foi reconstru√≠do. A idade dos ossos foi identificada pelo Laborat√≥rio de Antropologia da Universidade de Coimbra. No t√ļmulo foram encontrados os vest√≠gios de mais quatro indiv√≠duos, alguns adultos e outros crian√ßas.

Durante as escava√ß√Ķes tamb√©m foi encontrado um osso de falange, que foi inicialmente identificado como sendo de um cavalo e depois como parte de um zebro, um tipo de equ√≠deo j√° extinto, que viveu na regi√£o at√© ao S√©culo XV. Normalmente, as falanges encontradas noutros t√ļmulos estavam decoradas, o que n√£o sucedeu com o osso encontrado no monumento 9. Uma das pe√ßas mais importantes encontrada foi um pequeno cilindro de pedra que tinha sido decorado com figuras de olhos, conhecido como o √≠dolo oculado. A metade decorada do cilindro foi descoberta no local, enquanto que a parte restante foi encontrada entre as terras que tinham sido removidas durante as escava√ß√Ķes do S√©culo XIX, e que foram depois analisadas. A pe√ßa foi alvo de restauro no Museu de Portim√£o, onde foi exposta.

Foi constru√≠do de forma diferente do seu antecessor, em pedra calcada com barro, o que deixou mais resistente, embora tenham permanecido falhas na estructura interna, que o ter√£o feito colapsar ainda durante o seu per√≠odo de utiliza√ß√£o. Era de dimens√Ķes mais reduzidas do que o s√©timo t√ļmulo.

Tal como sucedeu com o s√©timo monumento, o t√ļmulo 9 era composto por uma c√Ęmara interior e um corredor de acesso, que foram ambos instalados com lajes de pedra de grandes dimens√Ķes, em calc√°rio ou gr√©s. Esta c√Ęmara era habitualmente utilizada para colocar os cad√°veres das pessoas mais influentes, que eram acompanhados por v√°rios objectos que simbolizavam o seu poder. O corredor e a c√Ęmara foram depois cobertos por pedras de menores dimens√Ķes, em certos casos ligadas por barro, at√© formar um monte de forma circular. O t√ļmulo era depois coroado por pequenas pedras, principalmente em calc√°rio branco, de forma a ser mais vis√≠vel de longe, e finalmente rematado por lajes. Era rodeado por um muro para conten√ß√£o perif√©rica, que foi constru√≠da em alvenaria de calc√°rio e arenito amarelo. Uma vez que os construtores n√£o sabiam construir uma ab√≥bada, colocaram uma grande laje de pedra no topo do t√ļmulo, para tapar o furo em cima da c√Ęmara interior.

Segundo Elena Mor√°n e Rui Parreira, tamb√©m √© de grande import√Ęncia o espa√ßo aberto em frente do t√ļmulo, cujas dimens√Ķes, quase t√£o grandes quanto a estructura em si, possibilitavam a sua utiliza√ß√£o em rituais. Com efeito, neste espa√ßo foram encontrados vest√≠gios de reuni√Ķes sociais e de partilha comunit√°ria.

Os t√ļmulos 8, 11, 14, 15 e 16 formam o chamado n√ļcleo ocidental do grupo de monumentos de Alcalar. O oitavo e o d√©cimo primeiro eram tolos cobertos por mamoas, tendo o primeiro sido destru√≠do, enquanto que o segundo apresenta um p√©ssimo estado de conserva√ß√£o. O d√©cimo quarto t√ļmulo, em avan√ßado estado de degrada√ß√£o, era tamb√©m um tolo, tal como o d√©cimo quinto, que tinha mamoa. O monumento Alcalar 16 era outro tolo.

Os monumentos 12 e 13 eram ambos tolos que foram destru√≠dos, e formavam o n√ļcleo do Vidigal Velho.

Reconstrução dos métodos utilizados para a deslocação dos blocos de pedra, no Centro de Interpretação de Alcalar.

Durante o terceiro mil√©nio a.C., foi formado um assentamento populacional de grandes dimens√Ķes na zona de Alcalar, com mais de 25 ha, e que consistia numa zona residencial e numa necr√≥pole com v√°rios t√ļmulos. Esta zona estava localizada na extremidade de uma parte naveg√°vel da Ribeira da Torre (carece de fontes). Foi constru√≠do sobre uma colina junto √† faixa costeira de pedra calc√°ria do Algarve, no que ficou conhecido como assentamento de Alcalar, a cerca de 5 km de Mexilhoeira Grande. √Č prov√°vel que o grupo de estructuras megal√≠ticas que tornou esta regi√£o conhecida foi constru√≠do entre 2000 e 1600 a.C., no per√≠odo Calcol√≠tico.

Cerca de 18 diferentes t√ļmulos megal√≠ticos foram constru√≠dos nas colinas circundantes, formando uma necr√≥pole atrav√©s do uso de diferentes t√©cnicas de constru√ß√£o. O monumento 7 foi constru√≠do por volta de meados do terceiro s√©culo antes do Nascimento de Cristo, enquanto que o monumento 9 ter√° sido constru√≠do cerca de 200 a 300 anos depois, na transi√ß√£o do terceiro para o segundo mil√©nio. Na altura da constru√ß√£o do nono t√ļmulo, j√° o s√©timo teria sido selado. O novo t√ļmulo entrou em colapso ainda durante o uso, devido a problemas na estrutura interna, apesar de ser mais robusto no exterior, do que o seu antecessor. A zona de Alcalar ter√° sido ocupada originalmente durante cerca de 1500 anos.

Num local perto dos monumentos de Alcalar, conhecido como Monte Ant√≥nio Jos√© Serrenho, foram encontrados tr√™s silos do per√≠odo romano. Outro vest√≠gio daquele per√≠odo foi uma sepultura j√° destru√≠da, situada perto do t√ļmulo Alcalar 4, onde foram encontrados fragmentos de uma urna de vidro, uma pequena conta azul tamb√©m em vidro, e uma moeda, talvez do per√≠odo do imperador Cl√°udio.

O s√≠tio arqueol√≥gico de Alcalar foi estudado no S√©culo XIX por Est√°cio da Veiga, tendo o esp√≥lio que recolheu sido originalmente preservado no Museu Etnogr√°fico Portugu√™s, em Lisboa. Os resultados das investiga√ß√Ķes foram compiladas nos primeiro e terceiro volumes da sua obra, Antiguidades Monumentaes do Algarve. No entanto, os m√©todos utilizados ainda foram muito primitivos, tendo sido abertas trincheiras at√© ao interior dos monumentos, para tentar encontrar artefactos, levando a danos nas estruturas. Em 1882, o t√ļmulo romano foi alvo de escava√ß√Ķes por Est√°cio da Veiga. Em 1933, a sepultura romana foi novamente investigada, por Jos√© Formosinho.

Em 1975, o Estado portugu√™s adquiriu parcialmente o tolo 7. No ano seguinte, um muro ou veda√ß√£o foi constru√≠da para proteger o local. Em 1980, iniciou-se o Projecto Alcalar, um programa para a investiga√ß√£o do s√≠tio, de forma a obter melhores informa√ß√Ķes sobre o mesmo. Em 1982, o governo adquiriu a casa rural chamada Courela das Minas e completou reparos √† veda√ß√£o em torno do local. Na D√©cada de 1990, foi organizado o programa ¬ęItiner√°rios Arqueol√≥gicos do Alentejo e do Algarve¬Ľ no √Ęmbito de uma parceria entre a Secretaria de Estado do Turismo e o ent√£o Instituto Portugu√™s do Patrim√≥nio Arquitect√≥nico, que promoveu a investiga√ß√£o em Alcalar. Durante os anos 90, foram realizadas escava√ß√Ķes do monumento e calc√°rio do Monte de Canelas, resultando na descoberta do espa√ßo usado como ossu√°rio, onde v√°rios rituais foram conclu√≠dos, principalmente enterrar o falecido em posi√ß√£o fetal. Estas investiga√ß√Ķes culminaram na expedi√ß√£o de 8 de Abril de 1997. A partir desse ano, a interven√ß√£o debru√ßou-se mais sobre o grupo oriental da necr√≥pole, incluindo a instala√ß√£o de um centro para visitantes, a musealiza√ß√£o e o arranjo paisag√≠stico da zona que podia ser visitada, e a investiga√ß√£o e a realiza√ß√£o de obras de conserva√ß√£o no Monumento 7. O prop√≥sito destas obras foi facilitar o acesso e o estudo dos monumentos de Alcalar, devido √† sua import√Ęncia para compreender o ambiente do terceiro mil√©nio a. C., e ao mesmo tempo empreender a valoriza√ß√£o de um recurso cultural, como parte de um esfor√ßo para promover o turismo sustent√°vel. Esta interven√ß√£o fez parte de um conjunto de iniciativas em torno de Alcalar, como forma de transmitir √† sociedade em geral o conhecimento cient√≠fico sobre os monumentos, e que tamb√©m inclu√≠ram a divulga√ß√£o dos resultados obtidos no √Ęmbito do Projecto Alcalar, a realiza√ß√£o de confer√™ncias e de visitas comentadas, a publica√ß√£o de v√°rios textos, como artigos cient√≠ficos e de divulga√ß√£o, roteiros e monografias, e a organiza√ß√£o do evento anual Um Dia na Pr√©-Hist√≥ria. Em 23 de Outubro de 1998, sob os ausp√≠cios do Programa de Salvaguarda e Valoriza√ß√£o do Conjunto Pr√©-hist√≥rico de Alcalar, expedi√ß√£o 18 364/98, (publicado no Di√°rio da Rep√ļblica, S√©rie 2, 245), o Estado passou a expropriar os edif√≠cios rurais no centro da freguesia da Mexilhoeira Grande (nos termos do artigo 160, Sec√ß√£o J). Isto foi seguido em 7 de Maio de 1999, sob o mesmo programa, no √Ęmbito Despacho 9109/99 (publicado no Di√°rio da Rep√ļblica, S√©rie 2, 106), a aquisi√ß√£o da casa rural Courela das Minas, nos termos do artigo 161, se√ß√£o J, para um centro interpretativo, desenhado por Jo√£o Santa-Rita. Em 1998, o Instituto Portugu√™s do Patrim√≥nio Arquitect√≥nico (IPPAR) foi envolvido no trabalho de restaura√ß√£o do t√ļmulo, como o acesso √† galeria de tolo 7, a recomposi√ß√£o dos megalitos, a drenagem dos espa√ßos e protec√ß√£o adequada do local, que envolveu ainda um estudo geotect√≥nico da regi√£o.

Em Outubro de 2000, o Centro de Acolhimento e Interpreta√ß√£o dos Monumentos, constru√≠do pelo IPPAR, foi inaugurada para o p√ļblico. Tamb√©m nesse ano foi aberto ao p√ļblico o Monumento 7, ap√≥s as obras de conserva√ß√£o. Igualmente em 2000, a sepultura e os silos romanos de Alcalar foram alvo de pesquisas arqueol√≥gicas.

Posteriormente, iniciaram-se as pesquisas arqueol√≥gicas no Monumento 9, igualmente no √Ęmbito do Projecto Alcalar, tendo-se desta forma melhorado os conhecimentos sobre ambas as estructuras, especialmente do ponto de vista arquitect√≥nico, n√£o s√≥ no interior mas no espa√ßo em redor, que tinha fun√ß√Ķes cerimoniais.

Em 2008, foram feitas obras de consolida√ß√£o no monumento 9. A 25 de Agosto desse ano, o DRC Algarve, prop√īs a extens√£o da zona de protec√ß√£o dos monumentos. Este foi apoiado em 3 de Mar√ßo de 2009 pelo Conselho Consultivo do IGESPAR para o alargamento da zona de classifica√ß√£o. O Centro Interpretativo foi transferido a 1 de Mar√ßo de 2012, a partir da gest√£o da Dire√ß√£o Regional de Cultura do Algarve (DCR Alg) a uma parceria com o governo municipal de Portim√£o, tornando-se um n√ļcleo do museu local. Na edi√ß√£o de 2015 da recria√ß√£o hist√≥rica em Alcalar, foi apresentada a cerveja Alcalar, um producto baseado nos m√©todos de fabrico durante a pr√©-hist√≥ria, utilizando plantas que existiam naquele per√≠odo. A bebida foi reintroduzida na edi√ß√£o de 2016 com uma nova receita sem utilizar l√ļpulo, ingrediente que n√£o era empregue na fermenta√ß√£o da cerveja. Em Abril de 2017, estava a ser elaborada uma monografia sobre o nono monumento.

Em Fevereiro de 2018, estavam quase conclu√≠das as obras de recupera√ß√£o do Monumento 9, no √Ęmbito de um programa que incluiu a reconstru√ß√£o do edif√≠cio, a execu√ß√£o dos arranjos no exterior, e a publica√ß√£o da monografia sobre o t√ļmulo e os trabalhos em si. O interior do edif√≠cio foi mantido, uma vez que j√° tinha sido anteriormente alvo de obras de consolida√ß√£o, tendo sido apenas enchido com leca, de forma a garantir a estabilidade do monumento, que se encontrava num estado muito debilitado. Tamb√©m foram feitas obras de repara√ß√£o na fachada do t√ļmulo, onde ainda s√£o vis√≠veis as pedras inclinadas devido √† queda da estructura, e foram instalados drenos para impedir a acumula√ß√£o de √°gua naquele local quando chovia. Durante o restauro da fachada, foram apenas reutilizadas pedras da estrutura de condena√ß√£o ou fecho do t√ļmulo, que se iniciava no interior e depois rodeava o exterior do edif√≠cio. Estes trabalhos foram feitas como uma interven√ß√£o revers√≠vel, ou seja, facilitando a realiza√ß√£o de futuras an√°lises ao terreno ou obras de outros tipos. Este m√©todo foi utilizado n√£o s√≥ devido √† import√Ęncia do monumento na regi√£o do Algarve, mas tamb√©m para servir de exemplo para futuras obras. Estas obras foram candidatadas pela Direc√ß√£o Regional de Cultura do Algarve ao Programa Operacional CRESC Algarve 2020, tendo custado cerca de 106 mil euros, suportados em 60% pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional. Nessa altura, previa-se que as obras estariam terminadas em Maio, quando o monumento 9 seria mostrado ao p√ļblico no √Ęmbito das comemora√ß√Ķes do anivers√°rio do Museu de Portim√£o, e do evento anual Um Dia na Pr√©-Hist√≥ria, realizado em Alcalar. Com a conclus√£o das obras no Monumento 9, encerrou-se um ciclo de pesquisa e valoriza√ß√£o do grupo oriental das necr√≥poles de Alcalar, que durou cerca de vinte anos, tendo sofrido v√°rios atrasos devido a problemas de financiamento na √°rea da cultura. Durante este per√≠odo, tamb√©m foi ampliado o conhecimento sobre Alcalar noutras √°reas, como a ocupa√ß√£o humana da zona entre o quinto e segundo mil√©nio a.C., que foi dividida em cinco grandes per√≠odos, e a arquitectura da √°rea residencial. Devido a estas pesquisas, foi poss√≠vel ampliar a zona protegida como Monumento Nacional, de forma a englobar todos os vest√≠gios da antiga povoa√ß√£o de Alcalar.

Em Maio de 2019, a arque√≥loga espanhola Elena Mor√°n apresentou o seu livro El Asentamiento Prehist√≥rico de Alcalar (Portim√£o, Portugal) na Faculdade de Letras de Lisboa, onde descreveu as diversas pesquisas que foram feitas em Alcalar at√© 2014, tanto pelo governo como pela autarquia de Portim√£o. Em conjunto com Rui Parreira, tamb√©m arque√≥logo, passaram v√°rias d√©cadas a estudar os monumentos de Alcalar. Tamb√©m em Maio desse ano, teve lugar o evento Um Dia na Pr√©-Hist√≥ria em Alcalar, que incluiu actividades interactivas sobre v√°rias facetas da vida pr√©-hist√≥rica, incluindo olaria, ca√ßa, gravuras, tecelagem, prepara√ß√£o dos alimentos e produ√ß√£o de cerveja, moagem, fabrico de utens√≠lios e de adornos, e o processo para a movimenta√ß√£o dos monolitos. Este evento √© organizado no √Ęmbito do programa DiVaM - Divulga√ß√£o e Valoriza√ß√£o dos Monumentos, da Direc√ß√£o Regional de Cultura do Algarve, tendo atingido um n√ļmero recorde de espectadores a 4 de Maio de 2019 com 1600 pessoas.

 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Qui Ago 01, 2019 21:57     Assunto : Responder com Citação
 
Trago hoje o Castelo medieval de Messejana no Alentejo, localizado na vila e freguesia do mesmo nome, concelho de Aljustrel, distrito de Beja.

in diversas fontes da net.

O nome Messejana é originário do árabe "masjana", com o significado de prisão ou cárcere, palavra derivada do verbo "sajana" (encarcerar, meter em prisão).

Embora n√£o se disponha de informa√ß√Ķes seguras a respeito da primitiva ocupa√ß√£o humana deste s√≠tio, a povoa√ß√£o e a sua defesa j√° existiam ao tempo da Invas√£o mu√ßulmana da Pen√≠nsula Ib√©rica.

Na altura da Reconquista cristã da península, a povoação foi reconquistada aos mouros, em 1235 pelas forças de D. Sancho II (1223-1248).

Sob o reinado de D. Dinis (1279-1325) foi elevada à categoria de Concelho, tendo este soberano doado a vila e seus domínios aos cavaleiros da Ordem de Santiago, com a determinação de restaurarem o seu Castelo (1288).

A vila recebeu Foral Novo de D. Manuel I (1495-1521) a 1 de Julho de 1512. Aqui pousou D. Jo√£o II (1481-1495), entre 8 e 9 de Outubro de 1495, quando viajava doente para as Caldas de Monchique.

Sob o reinado de D. Jo√£o III (1521-1557), este soberano doou-a a D. Jo√£o da Silva, 6¬ļ Senhor de Vagos, conhecido pelo ep√≠teto de Grande Regedor. Sucedeu-lhe √† frente dos dom√≠nios o seu filho, D. Louren√ßo da Silva, que determinou erguer entre 1566 e 1570 o Convento Franciscano da vila e a Igreja da Miseric√≥rdia.

Este nobre pereceu com mais cinco irm√£os, na desastrosa Batalha de Alc√°cer-Quibir (1578), em que participaram a pedido da m√£e, que recebera D. Sebasti√£o (1568-1578) em Messejana em 1573.

No contexto da Guerra Civil (1828-1834), o Duque da Terceira esteve na vila com a sua força militar, aqui reunindo o seu conselho de brigadeiros no dia 17 de Julho de 1833. Nela decidiu-se a tomada de Lisboa, operação que deu a vitória aos liberais, com a derrota dos miguelistas em 24 de Julho de 1833.

O Concelho veio a ser extinto a 24 de Outubro de 1835 pelo Ministro do Reino, Rodrigo da Fonseca.

Além das igrejas podemos ainda ver em Messejana as ruínas do seu Castelo medieval e a Torre do Relógio.


 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Sex Ago 02, 2019 20:29     Assunto : Responder com Citação
 
Trago hoje o Convento de Nossa Senhora da Orada ou simplesmente Convento da Orada cujos festejos se realizam por sinal hoje.

in diversas fontes da net.

O antigo Convento est√° localizado no concelho de Albufeira, distrito de Faro.

Nele se situa a Capela de Nossa Senhora da Orada, antigamente Ermida e hoje em dia, intitulada pela Diocese do Algarve como reconhecido Santu√°rio mariano.

Este Convento assim como a respectiva capela, foi constru√≠do num vale outrora deserto e foi sempre alvo particular da devo√ß√£o de muitos pescadores locais que ofereciam in√ļmeros ex-votos a Nossa Senhora (os quais podem ser ainda encontrados na capela e testemunham os milagres ocorridos).

No adro da capela do Convento de Nossa Senhora da Orada encontram-se dois t√ļmulos: O de Frei Francisco Ant√≥nio da Silva Cabrita, religioso da Ordem de S√£o Bento de Avis e o de Francisco Correia d'Ata√≠de Cabrita, importante figura da cidade que participou nas lutas constitucionais do s√©culo XIX.

 
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Mensagem Enviada: Sáb Ago 03, 2019 21:48     Assunto : Responder com Citação
 
Trago hoje o Santu√°rio de S√£o Bento da Porta Aberta, localizado na freguesia de Rio Caldo em Terras de Bouro.

in diversas fontes da net.

Teve a sua origem em 1615, com a construção de uma pequena ermida. O actual Santuário é do final do século XIX. Iniciou-se a sua reconstrução em 1880 e concluiu-se em 1895. A designação de São Bento da Porta Aberta deve-se ao facto de a ermida ter sempre as suas portas abertas, servindo de abrigo aos viajantes.

Em 2013 para receber a classificação de Basílica foi realizada a requalificação da capela mor ao nível do ambão, melhoramentos na iluminação e delimitação.

Recebe anualmente 2,5 milh√Ķes de peregrinos.

O Santuário foi elevado a Basílica pelo Papa Francisco a 21 de Março de 2015 em comemoração dos seus 400 anos de existência.

Infra-Estrutura:

Atendendo √°s diminutas dimens√Ķes da igreja existentes, foi decidido no ano de 1994, erigir um novo espa√ßo muito pr√≥ximo do primeiro, tendo sido entregue ao arquitecto Lu√≠s Cunha a prepara√ß√£o do projecto. A constru√ß√£o ficou conclu√≠da, incluindo as zonas envolventes, no ano de 2002. Em todo o edif√≠cio h√° uma liga√ß√£o de simplicidade entre a constru√ß√£o civil e tudo o resto. O projecto contemplou grandes aberturas para o exterior facilitando o arejamento e o contacto com a natureza, de modo especial na zona nascente.

Painéis de Azulejos:

Dignos de uma observação atenta são os painéis de azulejos, pintados por Querubim Lapa, que bem retratam episódios da vida de S. Bento.

No primeiro podemos ver o monge Rom√£o a entregar comida a S. Bento, que durante 3 anos permaneceu isolado numa gruta, no Monte Subiaco, a 60Km. de Roma, em ora√ß√£o e medita√ß√£o. O lado direito deste painel chama a aten√ß√£o para a import√Ęncia da Ordem de Cluny no desenvolvimento da vida monacal.

O segundo painel revela-nos a forma como S. Bento ultrapassa as tenta√ß√Ķes atrav√©s do sacrif√≠cio ("lan√ßou-se n√ļ no meio de um matagal de espinhos") e da ora√ß√£o. Esta faz parte essencial da vida dos monges e da "regra de S. Bento".

O painel seguinte narra o episódio da foice perdida no lago, e que foi recuperada por S. Bento: mergulhou o cabo da foice e esta foi ao seu encontro, podendo assim, o monge continuar a trabalhar. O trabalho é um dos componentes da regra beneditina, a que se alude no lado direito deste painel.

O quarto painel apresenta 2 episódios da vida do Santo. O primeiro, o episódio do pão envenenado e do corvo (Ver "O Santo") e o segundo relacionado com a história da pedra que era impossível remover do local onde se encontrava (os monges atribuiram este facto á presença do demónio). Só com a intervenção de S. Bento, que lançou a sua benção sobre ela foi possível concretizar a sua remoção.

No painel seguinte está representado o encontro entre Tótila e S. Bento. Tótila, Rei dos Ostrogodos, que tomou e saqueou Roma em 547, tentou enganar o Santo, ordenando a um seu oficial que vestisse as suas roupas e se encontrasse com S. Bento, como se fosse o próprio rei. Mas foi imediatamente reconhecido e voltou para contar a Tótila o que tinha sucedido.

O sexto painel lembra o aparecimento sem se saber como, de duzentas medidas de farinha em sacas, √† porta do Convento, quando a regi√£o da Camp√Ęnia sofria uma grande escassez de alimentos e os frades passavam priva√ß√Ķes na sua alimenta√ß√£o. Do lado direito do painel aparece uma refer√™ncia ao c√©lebre Mosteiro de Einsiedeln na Sui√ßa, grande centro cultural e de grande import√Ęncia na expans√£o do esp√≠rito beneditino.

A revela√ß√£o dos planos para a constru√ß√£o do mosteiro de Terracina est√° retratada no painel seguinte. S. Bento envia frades para esta cidade com a finalidade de constru√≠rem um mosteiro e assegura-lhes que ele pr√≥prio lhes dar√° todas as informa√ß√Ķes necess√°rias. De facto, atrav√©s de um sonho s√£o revelados todos os planos de constru√ß√£o. O lado direito apresenta a "Regra", onde se descrevem as ac√ß√Ķes e procedimentos dos monges e cuja divisa √© "Ora et Labora", Reza e Trabalha.

O oitavo painel apresenta o √ļltimo encontro de S. Bento com a sua irm√£ Santa Escol√°stica, durante o qual se verificou o milagre da tempestade. Aos pedidos da irm√£, para que este encontro se prolongasse, S. Bento reagiu negativamente. Sucedeu, por√©m, uma violenta tempestade, que impediu que o Santo regressasse ao Convento e deixasse a irm√£.

O lado direito do painel faz alusão à acção evangelizadora, dos portugueses no Brasil.

O quadro que se apresenta no painel seguinte, reflecte a vis√£o protagonizada por S. Bento quando, √† noite, estando √† sua janela, viu o mundo inteiro como que recolhido num √ļnico raio de luz e a alma do bispo de C√°pua, Germano, ser conduzida por um anjo, em direc√ß√£o ao para√≠so. Refer√™ncia, no lado direito, para Santa Cec√≠lia, padroeira da m√ļsica e da Abadia beneditina de Solesmes, onde se desenvolveu o canto gregoriano e cuja biblioteca possu√≠a extraordin√°rias colec√ß√Ķes de manuscritos musicais.

O √ļltimo painel refere a morte de S. Bento, anunciada antecipadamente pelo pr√≥prio aos seus disc√≠pulos. A morte n√£o √© o fim, mas o inicio da ac√ß√£o evangelizadora. Actualmente, S. Bento √© designado como o patriarca do Ocidente e o "Pai da Europa".

Casa do Apostolado:

√Č assim chamado o aproveitamento de dois edif√≠cios cont√≠guos, outrora destinados ao quartel da GNR e √† resid√™ncia do Capel√£o. Sentindo-se a necessidade de um edif√≠cio para a realiza√ß√£o de actos de √≠ndole pastoral, foi criada esta estrutura.

Fundamentalmente, destina-se este centro pastoral ou casa de apostulado, a prestar ajuda aos movimentos e obras apostólicas dos concelhos de Vieira do Minho e Terras de Bouro.

Casa das Estampas:

Adaptada aos tempos correntes, nela se vendem os bens e recorda√ß√Ķes relativos a S√£o Bento da Porta Aberta e √† sua ac√ß√£o pastoral e taumaturga. √Č tamb√©m, o local para entrega de objectos e esmolas para a celebra√ß√£o das Missas.

Casa dos ex-votos;

Anexa √† Casa das Estampas existe a "Casa dos ex-votos", que alberga todas as recorda√ß√Ķes entregues pelos fi√©is devotos do Santo patriarca. Destacam-se os objectos de ouro e prata, as vestes de casamento e baptizado, as velas, as fotografias, as pr√≥teses, os t√™xteis, entre outros objectos pessoais.

Enfermaria:

Atendendo a que s√£o milhares - sobretudo nos meses de Junho, Julho, Agosto e Setembro - as pessoas que no dia a dia percorrem a p√© os caminhos que levam ao santu√°rio, h√° necessidade de um acolhimento eficaz, numa vertente da sa√ļde.

Para solucionar esta dificuldade, construiu-se uma enfermaria para atendimento de todos os peregrinos. Disp√Ķe de 14 camas, enfermeira permanente. Ao fim de semana e diariamente durante o Ver√£o, os servi√ßos s√£o complementados por uma m√©dica.

Parque de Merendas e Lazer:

Disp√Ķe hoje o Santu√°rio de um parque sobranceiro, para que os peregrinos possam descansar, divertir-se e tomar as suas refei√ß√Ķes. Possui um lago com barcos, v√°rias mesas e bancos para refei√ß√Ķes e descanso. Os novos terrenos destinados ao parque est√£o em estudo como parques tem√°ticos.

O Mosteiro tem como padroeiro S√£o Bento de N√ļrsia.


 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Dom Ago 04, 2019 21:33     Assunto : Responder com Citação
 
Trago hoje o Forte de Ponte do Alvito (vestígios) localizado na freguesia de Montes da Senhora, no concelho de Proença-a-Nova, no distrito de Castelo Branco.

in diversas fontes da net.

Os vestígios do Forte setecentista situavam-se num local arqueológico erguido como parte integrante do sistema defensivo da região em 1762 no contexto da Guerra dos Sete Anos.

Documentos militares mencionam a existência de sete estruturas defensivas na área da Ponte do Alvito e serra das Talhadas na altura.

Esta cadeia montanhosa, que se estende desde Proença a Nisa passando por Vila Velha, era um entrave natural à progressão dos exércitos inimigos. A passagem era possível apenas nas Portas de Ródão, Alvaiade, Foz do Cobrão e Ponte do Alvito-Catraia, locais que como Ponte do Alvito, foram fortificados.

Posteriormente no contexto da Guerra Peninsular, a região foi atravessada pelas tropas de Jean-Andoche Junot. Os fortes e baterias foram reguarnecidos para fazer frente ao inimigo, mas, conforme a determinação do então Príncipe-Regente D. João, não ofereceram resistência.

O local foi pesquisado recentemente pelo arque√≥logo M√°rio Monteiro por iniciativa e com recursos da C√Ęmara Municipal de Proen√ßa-a-Nova, no √Ęmbito do desenvolvimento do projecto do "Centro de Interpreta√ß√£o de Fortes e Baterias Militares de Sobreira Formosa", que vai acolher os objectos encontrados, bem como toda a informa√ß√£o dispon√≠vel sobre a origem, fun√ß√£o e contextualiza√ß√£o desse conjunto de fortes e baterias.

Entre o material encontrado, destacam-se moedas de 1752 (reinado de D. Jos√© I) e de 1797 (reinado de D. Maria I), balas de mosquete em chumbo, fivelas e fragmentos de cer√Ęmica (c√Ęntaros, pratos e tigelas), seixos de xisto (que faziam de tampa dos c√Ęntaros), pregos e cravos diversos, peda√ßos de ferro e outros artefactos, que depois de restaurados ir√£o integrar o Centro.

Em rela√ß√£o ao s√≠tio, terminadas as escava√ß√Ķes e para evitar a eros√£o do tempo e destrui√ß√£o causada pela presen√ßa humana, o local foi coberto com material geotextil e terra.

O Forte apresenta planta no formato quadrangular, cercado por um muro de xisto e rocha quartzítica com 50 centímetros de espessura.

No centro do espa√ßo assim definido, abrem-se dois fossos, um mais profundo que o outro, que se acreditam serviriam possivelmente como locais de armazenagem de v√≠veres e muni√ß√Ķes. Um deles √© acedido por meio de escadas.

Possivelmente artilhado por três peças, os locais de duas encontram-se claramente identificados. O da possível terceira peça a meio, foi atravessado por um caminho florestal, tendo sido descaracterizado pelas máquinas, que também descaracterizaram a entrada a Noroeste e o muro a Este voltado para a Ponte do Alvito, caminho por onde surgiria o inimigo invasor.

Junto ao muro Norte da estrutura, ao abrigo dos ventos daquela direcção, encontram-se três locais, onde se acendiam as fogueiras.

 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Seg Ago 05, 2019 20:54     Assunto : Responder com Citação
 
Hoje trago o Castelo medieval de Ansiães, também conhecido como Castelo de Carrazeda de Ansiães, localizado na freguesia de Selores, concelho de Carrazeda de Ansiães, distrito de Bragança.

in diversas fontes da net.

Em posição dominante sobre um maciço de granito originalmente com função defensiva, afastado da povoação, no vale do rio Douro, integra a Região de Turismo Douro Sul.

A primeira ocupação humana do local remonta ao Calcolítico, por diversos povos sucessivamente passando pelos Romanos até aos Muçulmanos, aos quais se deve o primeiro amuralhamento da povoação, tendo sido totalmente abandonada por volta do século IX.

Em meados do século XI na altura da Reconquista cristã da península Ibérica, a povoação inscrevia-se nos domínios do reino de Leão, quando recebeu em 1055, 1057 ou 1065 a Carta de Foral do Rei D. Fernando Magno visando o seu repovoamento.

Integrante dos domínios de Portugal, esse foral foi confirmado em 1160 pelo Rei D. Afonso Henriques (1112-85) e sucessivamente em 1198 por D. Sancho I (1185-1211), em 1219 por D. Afonso II (1211-23) e, em 1510, por D. Manuel I (1495-1521).

O crescimento da vila e a sua import√Ęncia regional foram reconhecidos pela Carta de Feira recebida em 1277 de D. Afonso III (1248-79). Alguns autores sustentam que poss√≠velmente, parte expressiva da sua muralha teria sido erguida sob o reinado de D. Jo√£o I (1385-1433).

Aqui nasceu o valoroso D. Lopo Vaz de Sampaio, capit√£o de Cochim (1524-1526) e Governador-Geral do Estado portugu√™s na √ćndia (1526-1529).

A certa altura do século XVII ou após, a estrutura recebeu obras de modernização, das quais conhecemos o chamado Fortim do Cubo e o revelim.

Chegaram-nos ainda os nomes da Torre dos Lameiros, da Torre do Sol, da Porta de São Francisco, da Porta de São João e da Porta da Fonte Vedra. A partir de então, a povoação e a sua defesa perderam espaço para outros centros da região, processo que se acentuou nos séculos seguintes culminando com a sua ruína.

No início do século XX, foi classificado como Monumento Nacional por Decreto publicado a 23 de Junho de 1910. Na década de 1960 sofreu intervenção de consolidação e restauro a cargo da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN).

Actualmente o imóvel encontra-se afecto à Direcção Regional do Porto do Instituto Português do Património Arquitectónico (DRP-IPPAR).

Diante do seu estado geral bastante degradado, foram empreendidas novas obras no √Ęmbito de um projecto de recupera√ß√£o do Castelo e da vila, or√ßados em 800 mil Euros (recursos do IPPAR, com uma participa√ß√£o comunit√°ria de 75%), cuja primeira fase dever√° estar conclu√≠da e dispon√≠vel ao p√ļblico at√© ao final de 2006 atrav√©s de visitas guiadas.

Um Centro de Recep√ß√£o de Turismo est√° sendo erguido extra-muros junto √† Igreja de S√£o Jo√£o Baptista e futuramente, o esp√≥lio recolhido pelos trabalhos de prospec√ß√£o arqueol√≥gica ser√° exibido nas instala√ß√Ķes de um Centro Interpretativo, a ser edificado no centro hist√≥rico pela C√Ęmara Municipal.

Características do Castelo:

Este Castelo medieval distribu√≠a-se dentro de uma muralha de planta ovalada refor√ßada por cinco torre√Ķes quadrangulares, duas das quais defendendo o port√£o principal, a chamada Porta de S√£o Salvador.

Além da torre de Menagem dividida internamente em dois pavimentos o superior rasgado por janelas, este perímetro abrigava a cisterna do povoado circundante, podendo ser observados ainda hoje, os alicerces de antigos edifícios, arcos, cunhais e vergas.

A √ļnica edifica√ß√£o preservada √© a pequena Igreja de S√£o Salvador de Ansi√£es em estilo rom√Ęnico.

Fora dos muralhas do Castelo distribuía-se a zona urbana, delimitada por uma segunda muralha exterior com extensão superior a 600 m, reforçada por três torres quadrangulares.

Dessa muralha externa restam apenas alguns troços dos sectores leste e sul.

No total, o conjunto do Castelo ocupa uma √°rea aproximada de 9.594 hectares.

 
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Mensagem Enviada: Ter Ago 06, 2019 20:37     Assunto : Responder com Citação
 
Trago hoje o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios localizado na freguesia da Sé, cidade e concelho de Lamego, distrito de Viseu.

in diversas fontes da net.

No topo do monte de Santo Estêvão, o Santuário é actualmente parte integrante do panorama da cidade à qual está unido por um escadório cenográfico.

Desde 1984, o Santu√°rio de Nossa Senhora dos Rem√©dios incluindo a escadaria e parque, est√° classificado como Im√≥vel de Interesse P√ļblico.

A devoção popular no local remonta a uma capela, sob a invocação de Santo Estêvão, erguida em 1361.

No século XVI ameaçando ruína foi demolida (1568), iniciando-se a construção de um novo templo, por iniciativa do bispo de Lamego. Na nova ermida foi depositada uma imagem da Virgem com o Menino.

Com o passar do tempo, a devoção a Santo Estêvão diminuiu, substituída pela devoção à Virgem. A devoção dos que a ela recorriam em busca de alívio para as doenças deu origem por sua vez, à devoção a Nossa Senhora dos Remédios.

O actual Santuário foi principiado em 1750, e concluído apenas em 1905.

As suas festas tradicionais, decorrem anualmente de seis a oito de Setembro.

Características do Santuário:

O templo apresenta na fachada, traços do estilo barroco e rococó ("rocaille"). A fachada é ladeada por torres sineiras. Na sua construção foi empregue a pedra de granito.

No seu interior, destacam-se o altar-mor com a imagem de Nossa Senhora dos Remédios esculpida em madeira e três vitrais com as imagens de Nossa Senhora da Conceição, do Sagrado Coração de Jesus e da Anunciação.

Os dois altares laterais são dedicados aos pais da virgem (São Joaquim e Santa Ana). Numa das paredes do Santuário encontram-se painéis de azulejos com cenas da vida da Virgem.

No exterior destaca-se o escad√≥rio monumental de acesso ao Santu√°rio com 686 degraus desenvolvendo-se em nove lances, ornamentados com capelas, est√°tuas, fontes e obeliscos. Num desses patamares - o chamado "P√°tio dos Reis" -, destacam-se as imagens de dezoito Reis de Israel, pertencentes √† √°rvore geneal√≥gica da Virgem. Na base do escad√≥rio encontram-se quatro figuras alusivas √†s quatro esta√ß√Ķes do ano.

√Ārvore de Interesse P√ļblico:

Desde 1940, um castanheiro (Castanea sativa Miller) localizado junto ao Santu√°rio est√° classificado como "√Ārvore de Interesse P√ļblico". Segundo o Instituto da Conserva√ß√£o da Natureza e das Florestas, a √°rvore com mais de 700 anos j√° se apresenta seca e foi embelezada por uma hera.


 
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