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Índice do Fórum : Actualidade Monárquica
Monarquias Estrangeiras
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Beladona
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Mensagem Enviada: Qui Jan 24, 2019 22:03     Assunto : Monarquias Estrangeiras Responder com Citação
 
Num sistema de monarquia rotativa constitucional uma real Guerra dos Tronos na Malásia...Uma Coroa para nove Sultões...


Uma coroa para nove sultões. A verdadeira Guerra dos Tronos é na Malásia

24 DE JANEIRO DE 2019

Foto: Bernama
Margarida Serra

Dezoito dias depois de o monarca Muhammad V ter abdicado do trono, uma conferência de governadores, em Kuala Lumpur, vai eleger o novo rei. É a primeira vez que isto acontece nos 60 anos de independência do país.


Várias justificações foram avançadas pela imprensa, mas oficialmente não se conhecem as razões para a decisão. Há quem fale de problemas de saúde, já que o rei esteve de baixa desde Novembro, só regressando ao exercício de funções no primeiro dia de Janeiro. Outros avançam a noticia do casamento secreto de Muhammad V com uma russa de 25 anos, antiga Miss Moscovo. O palácio real recusa-se, no entanto, a fazer qualquer comentário.

Muhammad V foi o mais jovem monarca a assumir funções desde a independência do país. Educado em Inglaterra, sucedeu ao pai como Sultão de Kelantan, quando este sofreu um AVC. O agora ex-monarca gosta de desportos radicais como corridas de resistência e provas de todo o terreno. É conhecido pela cordialidade e também pelo sentido de humor.

Pouco depois de ter abdicado, um politico malaio elogiou-o pelo papel que teve na consolidação da democracia e por ter garantido uma transição pacifica e ordeira quando o partido que governava o país há 30 anos perdeu as eleições.

A Malásia tem um sistema de monarquia constitucional em que o Rei é eleito (neste momento no mundo há apenas mais um caso: o Camboja onde o rei é escolhido entre vários candidatos de sangue real). Os sultões que governam, por linha hereditária, nove Estados são escolhidos para serem o rei dos reis (Agong) pelo período de 5 anos. Os outros quatro Estados estão a cargo de dirigentes que integram a conferência de governadores, mas não podem eleger ou ser eleitos.

A lei estabelece uma rotatividade fixa entre os nove sultões. Desde 1957, a ordem seguida determinou que se começasse primeiro pelo Estado de Negeri, seguido por Selangor, Perlis, Terengganu, Kedah, Kelantan, Pahang, Johor e Perak. A lógica seria a do tempo em funções, mas o sultão Ibrahim de Johor recusou a eleição por causa da idade: tinha 84 anos. Seguia-se Abu Bakar de Pahang, mas a conferência não aceitou elegê-lo. O primeiro rei da Malásia moderna foi então Abdul Rahman, de Negeri, que era sultão desde 1933.

Se a ordem for respeitada, depois de Muhammad V, de Kelantan, será a vez do Estado de Pahang. A Constituição prevê, no entanto, que um Estado seja transferido para o fim da lista quando um novo sultão assume funções. Foi o que aconteceu em Pahang, já que o sultão Abdullah foi proclamado apenas no dia 15 deste mês. A decisão final fica ao critério da conferência de governadores.

Neste momento, o cargo está a ser ocupado pelo vice-rei Nazrin Shah, de Perak (também ele eleito), terceiro na linha de sucessão. Depois da eleição, o novo monarca entra em funções no dia 31 de Janeiro.

As funções do rei são maioritariamente cerimoniais, já que o Parlamento e o primeiro-ministro têm o monopólio do poder legislativo. As competências da monarquia foram reduzidas durante a década de 1990 através de alterações constitucionais. O Agong deixou de poder vetar legislação e a imunidade legal foi reduzida a casos muito específicos. Atualmente, o rei é visto, principalmente como o garante do Islão numa Malásia de maioria muçulmana.


 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Sáb Jan 26, 2019 22:45     Assunto : Responder com Citação
 
Rainha de Inglaterra apela aos políticos para encontrarem "um consenso" sobre o Brexit

SIC Noticias
25.01.2019


A Rainha Isabel II fez hoje uma declaração pedindo aos britânicos que encontrem "um consenso", numa intervenção vista como uma referência ao debate no Parlamento sobre a saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit).

"Na nossa procura por novas respostas nos tempos modernos, eu prefiro os resultados comprovados, gosto de falar com respeito e respeitar os diferentes pontos de vista para se encontrar um consenso e sem nunca esquecer de dar algum espaço", indicou a rainha.

"Para mim, essas perspectivas são intemporais e eu recomendo-as a todos", acrescentou a Rainha Isabel II, dirigindo-se aos membros da Women's Institute (Instituto da Mulher).

As declarações da Rainha Isabel II foram interpretadas no Reino Unido como uma referência às fortes tensões que estão a marcar o debate sobre o Brexit, previsto, se não houver adiamentos para 29 de Março.

"Mesmo que as diferenças mais profundas nos separem, tratar os outros com respeito, como um ser humano, é sempre um bom primeiro passo", frisou em Dezembro.

Em 15 de Janeiro, o parlamento britânico rejeitou o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia negociado pelo Governo de Theresa May com Bruxelas, por 432 votos contra e apenas 202 a favor. Na próxima terça-feira está marcado novo debate e votação.

A pouco mais de dois meses da data prevista para a saída britânica da UE, os deputados da Câmara dos Comuns rejeitaram de forma maciça o acordo de saída, apesar do último apelo feito pela Primeira-Ministra, imediatamente antes da votação, contra "a incerteza" que a rejeição do texto provocaria.

Lusa


 
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Mensagem Enviada: Qua Fev 06, 2019 16:02     Assunto : Responder com Citação
 
A Rainha Mathilde dos Belgas visita Moçambique com o foco na inclusão e fim da violência

in https://news.un.org/pt/story/2019/02/1658361


4 Fevereiro 2019


A rainha Mathilde da Bélgica iniciou esta segunda-feira 4 de Fevereiro de 2019, uma visita de quatro dias a Moçambique na qualidade de defensora e promotora dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs.


 
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Mensagem Enviada: Sáb Mar 16, 2019 17:13     Assunto : Responder com Citação
 
Começa uma nova era no Japão com a abdicação do Imperador Akihito...

Com a abdicação do imperador Akihito, o Japão se prepara para 'nova era'

Em muitos documentos oficiais japoneses, não estamos em 2018, mas no ano 30 da era Heisei, o trigésimo ano do reinado do imperador Akihito. Com sua abdicação no final de abril de 2019, o arquipélago se prepara para uma mudança radical.

in Globo.com, G1
Por RFI

28/08/2018 Atualizado há 6 meses


Em muitos documentos oficiais japoneses, não estamos em 2018, mas no ano 30 da era Heisei, o trigésimo ano do reinado do imperador Akihito. Com sua abdicação no final de Abril de 2019, o arquipélago se prepara para uma mudança radical.

Geralmente, o nome da nova era é anunciado apenas alguns dias após a morte do imperador, um evento em essência imprevisível. Em 7 de Janeiro de 1989, quando Hirohito morreu, o Japão estava no 64º ano da era Showa (1926-1989), que se tornou a noite do ano inaugural da era Heisei, que deu início ao reinado de Akihito.

Desta vez, os fabricantes de calendário estão com sorte. Uma vez que uma lei de excepção autoriza o 125º Imperador do Japão, Akihito, 84, a passar a coroa ainda em vida, tudo tem sido planejado com antecedência e o nome da nova era deve ser anunciado antes de 1º de Maio, quando seu filho mais velho, Naruhito, subirá ao trono do Crisântemo.

Será muito tarde para que o nome da nova era apareça nos calendários de 2019, que deve figurar nas publicações de 2020, segundo espera Kunio Kowaguchi, presidente da empresa Todan, que fabrica a cada ano 10 milhões de calendários no Japão.

Sectores da administração pública, escolas e hospitais que utilizam documentos que mencionam a era, juntamente com o calendário gregoriano, também terão tempo para se organizar.

O Japão e suas 250 eras

A prática da utilização das “eras ("gengo", em japonês) tem suas origens na China antiga, mas continua em vigor no Japão, segundo historiadores. O país conheceu quase 250 eras, muito mais do que o número de imperadores, porque era costume mudar os nomes para marcar um novo começo após desastres naturais ou outros eventos importantes.

A escolha do nome das eras é feita de acordo com um processo rigoroso que não depende da Casa Imperial, mas do governo. O termo seleccionado deve ser novo, reflectindo os ideais da nação. “Heisei” significa, por exemplo, "cumprimento da paz", e obedece a algumas regras: deve ser composto de dois ideogramas, ser fácil de escrever e ler, além de evitar nomes comuns de pessoas, empresas ou lugares.

E, provavelmente, o nome da nova era não começará com as letras M, T, S e H, já que estas já aparecem em muitas eras do Japão moderno (desde 1868), como Meiji, Taisho, Showa e Heisei.

Os japoneses se divertem fazendo previsões numa atmosfera que contrasta com o clima sério dos últimos meses da era Showa, quando o ex-imperador Hirohiro lutou contra a morte, diz Junzo Matoba, um alto funcionário que trabalhou em silêncio durante as pesquisas para a designação da nova era.

Política do “segredo”

"Alguns achavam que era falta de respeito preparar a próxima era enquanto o actual imperador ainda estava vivo”, diz o octogenário Matoba. "Eu tive que trabalhar em segredo", conta. Ele se lembra de consultas delicadas com os especialistas, com o ego às vezes excessivo - eles acreditavam que eram o "Monte Fuji", diverte-se o funcionário.

"Eu me senti preso em uma tarefa tão difícil, com uma espada de Damocles sobre a minha cabeça", disse, numa referência ao antigo mito grego, uma metáfora do perigo que se corre quando se relaciona com o poder.

Essa mudança de era é a primeira a ocorrer com a presença da ciência da computação. Alguns temem um "bug", como o esperado no momento da transição para o ano 2000.

"Mas a diferença com o problema do ano 2000 e a mudança da era anterior é que as tecnologias agora são usadas em toda parte e que a informação circula também via Internet, com equipamentos adaptados ", comenta Kazunori Ishii, porta-voz da Microsoft no Japão.

Recomeçar do zero

Entretanto, mesmo se o sistema de mudanças de eras é complicado, poucos japoneses hoje o questionam. O dono da empresa que fornece os calendários no Japão chega a defender essa prática. "É mais fácil lembrar o passado com eras: por exemplo, lembramos que a bolha estourou no início da era Heisei", diz Kowaguchi, referindo-se ao colapso da economia japonesa nos anos 1990.

Nos últimos meses, jornais e revistas multiplicaram as retrospectivas sobre os 30 anos da era Heisei, que começou com a queda do Muro de Berlim e o lançamento do popular Gameboy Nintendo, mas também palco de dramas, como o terremoto e o tsunami de março de 2011, ou o ataque com gás sarin da seita Aum no metro de Tóquio, em 1995.

Após a execução em Julho dos 13 japoneses condenados à morte pelo ataque de Aum, a imprensa local alegou que as autoridades haviam escolhido acabar com essa história sombria antes do advento de uma nova era. "Os japoneses adoram começar do zero - uma nova era, um novo estado de espírito", diz Matoba.



Editado pela última vez por Beladona em Sáb Abr 27, 2019 19:45, num total de 1 vez

 
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Mensagem Enviada: Qui Abr 04, 2019 22:35     Assunto : Responder com Citação
 
A triste realidade nalgumas monarquias teocráticas...

Sultão do Brunei não recua. Homossexualidade e adultério já podem ser punidos com morte por apedrejamento

03.04.2019 às 12h45
In Expresso, JOÃO PEDRO BARROS

Pressão internacional e de figuras públicas como George Clooney não travou entrada em vigor de nova legislação baseada na Sharia

Esta quarta-feira é o dia em que entra em vigor um novo código penal no Brunei, baseado na Sharia, a lei islâmica. E isto significa que a homossexualidade, o adultério, a sodomia e a violação podem ser punidas com a morte por apedrejamento ou chicotadas, enquanto os ladrões condenados pela primeira vez terão a mão direita amputada e, em caso de reincidência, o pé esquerdo. O Brunei torna-se assim o primeiro país do Sudeste Asiático a adotar a componente criminal da lei a nível nacional.

De nada valeram as pressões internacionais para que o país recuasse no plano que começou a adotar em 2014, em três estágios – o primeiro aplicou penas de prisão para a gravidez fora do casamento ou a falta à reza de sexta-feira. A ONU e os Governos francês, alemão e australiano pediram ao sultão e primeiro-ministro do país, Hassanal Bolkiah – presença frequente nas listas de homens mais ricos do mundo – que recuasse.

O ator americano George Clooney, o cantor britânico Elton John e a apresentadora norte-americana Ellen DeGeneres apelaram também ao boicote aos hotéis de luxo que Hassanal Bolkiah detém pelo mundo. Mas não surgiu qualquer indicação no sentido de um travão na nova legislação.

“Quero ver os ensinamentos islâmicos no nosso país tornarem-se mais fortes. Gostaria de enfatizar que o Brunei é um país que faz o culto de Alá”, explicou o sultão de 72 anos e que lidera os destinos do país desde 1967, num discurso público, esta quarta-feira. “Qualquer pessoa que visite este país vai ter uma experiência agradável e desfrutar de um ambiente seguro e de concórdia”, sublinhou, desvalorizando as alterações jurídicas.

No Brunei – um pequeno Estado do Sudeste Asiático com 416 mil habitantes e pouco mais do dobro da área do distrito de Lisboa –, a homossexualidade era até agora punida com prisão até 10 anos. A venda pública de bebidas alcoólicas também não é permitida. Vários observadores consideram que as novas leis têm como objetivo aumentar o apoio ao sultão entre as camadas mais conservadoras da população, num país cuja economia está dependente do petróleo e que atravessou uma forte recessão entre 2012 e 2016.

Algumas das leis aplicam-se apenas se pelo menos um dos envolvidos for muçulmano, como nos casos de adultério ou de sexo entre duas mulheres. Porém, práticas como o sexo anal são punidas em qualquer caso. A pena de morte por apedrejamento necessita de provas de tal forma irrefutáveis que dificilmente será aplicada, notam alguns analistas, que salientam ainda que não há registo de nenhuma execução no Brunei há décadas.


 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Ter Abr 23, 2019 13:35     Assunto : Responder com Citação
 
Morreu o grão-duque João do Luxemburgo

in Observador
23/4/2019, 9:01

O pai do actual chefe de Estado do Luxemburgo morreu aos 98 anos. João do Luxemburgo governou o país durante 36 anos, de 1964 a 2000. Abdicou a favor do filho.


O grão-duque João do Luxemburgo morreu esta terça-feira dia 23-04-2019, com 98 anos. O seu filho Henrique, actual chefe de Estado do Grão-Ducado do Luxemburgo, anunciou a morte do pai, que governou o país durante 36 anos, através de uma mensagem oficial.

“É com grande tristeza que anuncio a morte do meu amado pai que nos deixou em paz e rodeado da sua família”, disse numa mensagem o Grão-Duque Henrique, de 64 anos. João do Luxemburgo governou de 1964 a 2000, altura em que abdicou a favor do seu filho.


Nascido a 5 de Janeiro de 1921, João do Luxemburgo era filho da grã-duquesa Charlotte do Luxemburgo e do príncipe Felix de Bourbon de Parma. Depois de estudar no Luxemburgo e no Reino Unido, o herdeiro da coroa entrou na Guarda Irlandesa como voluntário em 1942, uma unidade do exército britânico. Durante a Segunda Guerra Mundial, enquanto soldado do exército britânico, participou no desembarque da Normandia.

Em 1953 casou-se com a princesa Josefina da Bélgica, irmã dos antigos reis belgas Balduíno e Alberto II. Josefina morreu em Janeiro de 2005.

A sua última aparição pública ocorreu no final de Março durante um fórum organizado pela sua nora, a grã-duquesa Maria Teresa, sobre o combate à violência sexual nas zonas de guerra.

“O seu desaparecimento é uma grande perda para o Grão-Ducado e para a Europa”, escreveu o presidente da Comissão Europeia, o luxemburguês Jean-Claude Juncker, na rede social Twitter.


Já Stéphane Bern, o apresentador de televisão franco-luxemburguês que o entrevistou pela primeira vez em 1989, lembrou que “ele foi o único chefe de Estado que participou activamente nos desembarques na Normandia”.


 
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antoniomsousa
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Mensagem Enviada: Qua Abr 24, 2019 12:49     Assunto : Responder com Citação
 
Os meus pêsames a familia do grão-duque do luxemburgo.
 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Qua Mai 01, 2019 20:34     Assunto : Responder com Citação
 
Viajado e educado em Oxford, eis Naruhito, o novo imperador do Japão

in Público.pt
João Ruela Ribeiro 30 de Abril de 2019, 17:20

Naruhito é o primeiro imperador nascido depois da II Guerra Mundial. Espera-se que mantenha o estilo próximo do seu pai, e que defenda o pacifismo da Constituição.

Foi com um agradecimento pelo apoio do povo japonês durante as últimas três décadas que o imperador Akihito se despediu das suas funções, num acto histórico e sem precedentes na História recente do país. Com a abdicação, a era Heisei (“paz em todo o lado”) termina e dá lugar a um novo tempo, que se inicia esta quarta-feira, com a subida ao trono de Naruhito.

Segundo o mesmo site, as empresas de fabrico de calendários insistiram com o Governo para que o nome da nova era fosse revelado com um mês de antecedência para iniciarem a produção atempadamente.

Mas, mais significativamente, a mudança de era acontece depois da abdicação histórica de Akihito, consumada esta terça-feira, ao fim de 30 anos de reinado. O último dia da era Heisei no Japão começou com o imperador a participar numa cerimónia religiosa, seguindo os costumes do xintoísmo, à porta fechada, em que comunicou a sua decisão de abdicar aos ancestrais mitológicos da família imperial.

De tarde, num discurso no Palácio Imperial perante 300 pessoas, Akihito dirigiu-se publicamente pela última vez como imperador aos japoneses, a quem desejou “paz e felicidade”. “Estou profundamente agradecido ao povo por me ter aceitado como símbolo e por me ter apoiado”, disse o monarca, ao lado da imperatriz Michiko e do resto da família imperial.

“Desejo com sinceridade, em conjunto com a imperatriz, que a era Reiwa que começa amanhã seja estável e frutífera. Rezo, com todo o meu coração, para que haja paz e felicidade para todo o povo do Japão e em todo o mundo”, declarou Akihito, antes de descer do palanque onde discursou e fazer uma vénia a todos os presentes.

Aos 85 anos, Akihito tornou-se no primeiro imperador a abdicar em mais de dois séculos – o último tinha sido o imperador Kokaku, em 1817. A intenção de que o imperador queria abandonar as funções tornou-se pública no Verão de 2016, quando Akihito fez uma rara declaração televisiva em que manifestou receios de não poder levar a cabo as suas funções em virtude da idade avançada e dos problemas de saúde que vem sofrendo.

A abdicação não é prevista pela lei que rege o Trono do Crisântemo, como é designada a dinastia imperial japonesa, e o Governo teve de apresentar uma lei pensada exclusivamente para a saída de Akihito, que acabou por ser aprovada. Os estudos de opinião mostram que a maioria dos japoneses apoia a abdicação e percebe os motivos de Akihito.

Continuidade com Naruhito

Esta quarta-feira, o Palácio Imperial volta a receber uma cerimónia solene, desta vez para oficializar a subida ao trono de Naruhito, o filho mais velho de Akihito, que irá inaugurar a era Reiwa. A convicção geral é de que o novo imperador adopte uma postura semelhante à do anterior, privilegiando uma maior proximidade com a população e promova o pacifismo vertido na Constituição de 1947.

Numa declaração aos jornalistas em Fevereiro, poucos dias antes do seu aniversário, Naruhito indicou que pretende dar continuidade à linha seguida até agora. “À medida que me vou preparando para esta função, gostaria de manter o trabalho do anterior imperador. Gostaria de pensar no povo e rezar por si”, afirmou.

Mas são esperadas algumas pequenas diferenças na próxima era. Naruhito, de 59 anos, é o primeiro imperador nascido depois da II Guerra Mundial, o conflito que marcou toda a História recente do Japão, e será também o primeiro a ter estudado no estrangeiro – passou dois anos na Universidade de Oxford, onde escreveu uma tese sobre o sistema de transporte de água medieval do rio Tamisa.

Chegou a descrever os tempos passados no Reino Unido, entre 1983 e 1985, como os melhores da sua vida e publicou um livro de memórias sobre essa época. A morte do avô, Hirohito, obrigou-o a desempenhar mais funções junto da família imperial, como príncipe herdeiro, mas continuou os seus estudos académicos e tornou-se um activista do acesso à água e da defesa da sua preservação. Entre 2007 e 2015 foi presidente honorário do grupo de conselheiros do secretário-geral da ONU para a Água e o Saneamento.

Nos últimos anos, Naruhito também viajou frequentemente pela Ásia, exercendo uma espécie de “diplomacia imperial”, na esteira das deslocações do pai pelos países que foram ocupados pelo Japão durante a primeira metade do século XX.

Em 1993, Naruhito casou-se com Masako, uma diplomata de carreira que estudou nas universidades de Oxford e Harvard, com quem tem apenas uma filha, Aiko, de 17 anos. Há alguns anos, Masako deixou de aparecer em público e foi o próprio príncipe que confirmou a doença do foro nervoso da mulher – uma rara admissão pública no que respeita ao estado de saúde de membros da família imperial.

A difícil adaptação às exigências da vida no Palácio Imperial e a grande pressão para que tivesse um filho – apenas os homens podem ascender ao trono – terão estado por trás do esgotamento de Masako.

Alguns analistas antecipam um papel importante para a futura imperatriz, especialmente no contexto de uma dinastia dominada pelos homens. “Masako é muito inteligente, uma mulher bem preparada e, dependendo da sua saúde, será inteiramente possível que venha a fazer coisas extraordinárias”, disse ao Guardian o professor do Instituto de Estudos Avançados Asiáticos da Universidade de Tóquio, Christopher Gerteis.

tp.ocilbup@aleur.oaoj


 
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Mensagem Enviada: Qua Jul 17, 2019 23:23     Assunto : Responder com Citação
 
Completam-se hoje dia 17-07-2019, 101 anos do assassínio do que foi o último Czar de todas as Rússias, Nicolau II e respectiva família...

Nicolau II (em russo: Николáй Алексáндрович Ромáнов; transl.: Nikolái Alieksándrovich Románov), foi o último Imperador da Rússia, Rei da Polónia e Grão-Duque da Finlândia. Nasceu no Palácio de Catarina em Tsarskoye Selo próximo de São Petersburgo, a 18 de Maio (6 de Maio no calendário juliano) de 1868. É também conhecido como São Nicolau o Portador da Paixão pela Igreja Ortodoxa Russa. Oficialmente era chamado Nicolau II, Imperador e Autocrata de Todas as Rússias.


In diversas fontes da net.

Filho de Alexandre III, governou desde a morte do pai a 1 de Novembro de 1894, até à sua abdicação a 15 de Março de 1917 quando renunciou em seu nome e no nome do seu herdeiro, passando o trono para o seu irmão o grão-duque Miguel Alexandrovich.

Durante o seu reinado viu a Rússia decair de uma potência do mundo para um desastre económico e militar. Nicolau foi apelidado pelos críticos de "o Sanguinário" por causa da Tragédia de Khodynka, pelo Domingo Sangrento e pelos fatais programas antissemitas que aconteceram durante o seu reinado. Como Chefe de Estado, aprovou a mobilização de Agosto de 1914 que marcou o primeiro passo fatal em direcção à Primeira Guerra Mundial, a revolução e consequente queda da dinastia Romanov.

O seu reinado terminou com a Revolução Russa de 1917, quando, tentando regressar do quartel-general para a capital a sua carruagem foi detida em Pskov e ele foi obrigado a abdicar. A partir daí, o czar e a sua família foram aprisionados, primeiro no Palácio de Alexandre em Tsarskoye Selo, depois na Casa do Governador em Tobolsk e finalmente na Casa Ipatiev em Ecaterimburgo. Nicolau II, a sua mulher,o seu filho, as suas quatro filhas, o médico da família imperial, um servo pessoal, a camareira da imperatriz e o cozinheiro da família foram executados no porão da casa pelos bolcheviques na madrugada de 16 para 17 de Julho de 1918. É conhecido que esse evento foi ordenado de Moscovo por Lenine e pelo também líder bolchevique Yakov Sverdlov. Mais tarde Nicolau II, sua mulher e seus filhos foram canonizados como neomártires por grupos ligados à Igreja Ortodoxa Russa no exílio.

Nicolau era filho do czar Alexandre III e da imperatriz Maria Feodorovna, nascida "Princesa Dagmar da Dinamarca". Os seus avós paternos eram o imperador Alexandre II e a imperatriz Maria Alexandrovna, nascida princesa Maria de Hesse. Os seus avós maternos eram o rei Cristiano IX da Dinamarca e a princesa Luísa de Hesse-Cassel. Nicolau tinha três irmãos mais novos: Alexandre, Jorge e Miguel e duas irmãs mais novas: Xenia e Olga.

Pelo lado materno, Nicolau era sobrinho de vários monarcas, incluindo Jorge I da Grécia, Frederico VIII da Dinamarca, Alexandra da Dinamarca e Tira da Dinamarca.

Nicolau tornou-se czarevich após o assassinato do seu avô Alexandre II no dia 13 de Março de 1881 e à subsequente ascensão do seu pai, Alexandre III. Por razões de segurança o novo czar e a sua família mudaram-se do Palácio de Inverno em São Petersburgo para a sua residência no Palácio de Gatchina fora da cidade.

Nicolau e os irmãos foram rigidamente educados, dormiam em duras camas de armar e os seus quartos eram pobremente mobilados, excepto por um ícone religioso da Virgem e Filho rodeado por pérolas e outras gemas. A sua avó Maria Alexandrovna introduziu costumes ingleses dentro da família Romanov: papas de cereais no café-da-manhã, banhos frios e abundante ar fresco.

O czarevich foi educado por tutores em línguas (francês, alemão e inglês), geografia, dança e outras matérias. O conselheiro de seu pai e seu antigo tutor Konstantin Pobedonostsev, enfatizava fortemente a absoluta autocracia do czar.

Como muitas pessoas da altura, ele mantinha um detalhado diário, onde tomava notas dos detalhes mais pedantes do seu dia. Estão cheios de pormenores sem importância, sobre joguinhos com os amigos, temperatura, distâncias percorridas e outros. Em Maio de 1890 alguns dias antes do seu 22º aniversário, ele anotou: "Hoje eu terminei definitiva e eternamente a minha educação."

Em Outubro do mesmo ano, acompanhado pelo seu irmão Jorge, viajou para o Egipto, Índia e Japão. Essa viagem foi organizada pelo pai Alexandre III para complementar a educação formal de Nicolau, e dar a ele a oportunidade de experimentar a vida fora de São Petersburgo e do palácio. Durante a estadia no Japão, Nicolau sobreviveu a uma tentativa de assassinato.

Embora Nicolau participasse nos encontros do Conselho Imperial, as suas obrigações eram limitadas até à sua sucessão ao trono, o que não era esperado tão cedo já que o seu pai tinha apenas 49 anos.

Em oposição aos desejos dos pais, Nicolau casou-se com a princesa Alice de Hesse-Darmstadt, a quarta filha de Luís IV, Grão-duque de Hesse e do Reno e da princesa Alice do Reino Unido.
Os seus pais pretendiam um casamento com a princesa Helena de Orléans, filha do conde de Paris, o que estreitaria as relações da Rússia com a França, mas eventualmente desistiram com a insistência do filho.

Desde cedo o czar Nicolau demonstrou temperamento tímido e inclinações que o orientavam mais para a vida doméstica. Tinha as maneiras de um aluno de uma escola inglesa de elite.

Dançava de forma elegante, era um bom atirador, cavalgava e praticava desportos.

Falava francês e alemão e o seu inglês era tão bom, que ele poderia ter enganado um professor da Universidade de Oxford, fazendo-se passar por um inglês. Adorava a história e a pompa do exército e a vida de soldado. O seu pai concedeu-lhe o grau de comandante de um esquadrão de guardas a cavalo e ele foi para Krasnoe Selo, o grande campo militar fora de São Petersburgo usado por regimentos da Guarda Imperial para manobras de verão. Lá, Nicolau participava inteiramente da vida e conversas das salas de jantar, e a sua modéstia fê-lo popular entre os seus oficiais. Nenhum título significava mais para ele do que o de coronel.

Apesar das suas qualidades pessoais, como um autocrata absoluto, Nicolau foi considerado um fracasso. Ele descobriu que era impossível reconciliar as suas estritas visões do que era certo e do que era errado para a Rússia, com a responsabilidade de um monarca moderno de abrir mão das suas concepções para o bem da nação. Nicolau vacilava em decisões importantes. Isso fez com que ele fosse visto pelos ministros como fraco e contraditório. Muitos historiadores avaliam-no como um monarca a quem faltava sentido político. Alan Moorehead, um correspondente de guerra, escreveu: "Os primeiros dez anos do reinado de Nicolau são em grande parte a história de uma tendência à fuga dos trabalhos do cérebro de um homem (…) que era desesperadamente incapacitado para compreender e controlar a Rússia".

Alguns, como o historiador Richard Pipes consideram Nicolau como tendo inteligência limitada e vontade débil, defeitos que tentava compensar com explosões ocasionais de teimosia. Ele não gostava do poder nem das suas regalias. Em confidência a um ministro, certa vez, chegou a dizer que mantinha as rédeas do Estado, não por prazer, mas porque o país precisava disso.

À exceção de sua esposa e filhos, ele só se importava com a Rússia e com o Exército; afora os exercícios que praticava ao ar livre, tudo o mais deixava-o indiferente. Testemunhas concordam que ele jamais pareceu tão feliz como quando depois de ter abdicado do trono. Tal como o seu pai, Nicolau II desejava um modelo autocrático para o governo da Rússia. O seu czar favorito era Alexei I, tendo dado esse nome ao seu filho.

Nicolau ficou noivo de Alice de Hesse e Reno em Abril de 1894. Alice hesitou em aceitar a proposta de casamento devido ao requerimento de que teria que se converter do luteranismo para a ortodoxia russa e renunciar à sua fé inicial. Na cerimónia de conversão, esse aspecto foi eliminado, tornando fácil para ela converter-se com a consciência tranquila. Nicolau e Alice tornaram-se formalmente noivos no dia 8 de Abril de 1894. Alice converteu-se para a ortodoxia em Novembro de 1894 e passou a chamar-se Alexandra Feodorovna.

Esperando viver mais 20 ou 30 anos, Alexandre não se preocupou em dar ao filho educação política e consequentemente Nicolau recebeu pouco treinamento para esse dever imperial.

Contudo, em meados de 1894 a saúde de Alexandre III inesperadamente declinou rapidamente. Alexandre morreu aos 49 anos em 1894 de doença nos rins. Nicolau, sentindo-se despreparado para os deveres da coroa, perguntou em lágrimas, ao seu primo: "O que será de mim e da Rússia? Eu não estou preparado para ser czar e nunca o quis ser. Não percebo nada dos negócios do governo. Não sei nem sequer como hei de falar com os ministros".

O Ministro das Finanças Sergei Witte contudo, reconheceu cedo a necessidade de um treinamento para Nicolau. Witte sugeriu a Alexandre III que Nicolau agisse como Presidente do Comité da Ferrovia Transiberiana. Alexandre argumentou que Nicolau não tinha maturidade suficiente para ter responsabilidades sérias, ao que Witte respondeu que, se Nicolau não fosse introduzido nos assuntos de Estado, nunca estaria preparado para entendê-los. Nicolau também actuou como director do Comité Especial do Socorro à Fome, estabelecido depois das devastadoras crises de fome e secas de 1891-1892. Possivelmente, apesar da sua má preparação e inabilidade, Nicolau não era no geral destreinado para os seus deveres como czar. Por todo o seu reinado, ele decidiu manter a política conservadora do seu pai. Enquanto Alexandre se concentrava em formular a política geral, Nicolau devotou mais atenção em detalhes da administração.

O casamento de Nicolau e Alice, originalmente planeado para a primavera seguinte, foi antecipado devido à insistência de Nicolau. Cambaleante abaixo do peso de seu novo ofício, ele não tinha intenções de permitir que a única pessoa que lhe dava confiança saísse do seu lado. O casamento aconteceu no dia 26 de Novembro de 1894. Alexandra trajava o tradicional vestido das noivas da família Romanov, e Nicolau, um uniforme dos Hussardos. Segurando uma vela, Nicolau e Alexandra olharam os metropolitanos. Alguns minutos antes da uma hora da tarde, eles estavam casados.

Apesar de ter visitado o Reino Unido antes da sua ascensão, onde observou a Câmara dos Comuns do Reino Unido em debate e aparentemente impressionou-se pela máquina da democracia, Nicolau recusou qualquer ideia de dar algum poder para eleger representantes na Rússia. Pouco depois de assumir o trono, uma delegação de camponeses e trabalhadores de várias assembleias de cidades locais (zemstvos) foi ao Palácio de Inverno propor reformas na corte, assim como a adopção de uma monarquia constitucional. Embora os endereços que eles enviaram de antemão fossem redigidos em termos brandos e leais, Nicolau enfureceu-se e ignorou a recomendação do Conselho Imperial da Família, dizendo: "…chegou ao meu conhecimento que durante os últimos meses foram ouvidas em assembleias de zemstvos, vozes daqueles que se satisfazem de um tolo sonho de que os zemstvos seriam convidados para participar no governo do país. Espero que todos saibam que eu devoto todas as minhas forças para manter, pelo bem de toda a nação, o princípio absoluto da autocracia , tão firme e fortemente quanto meu lamentado pai." Estas palavras mostram a intenção de Nicolau de continuar a política do pai que possivelmente contribuíram para o começo da sua impopularidade.

Alexandra deu a Nicolau cinco filhos, Olga em 1895, Tatiana em 1897, Maria em 1899 e Anastásia em 1901, e um filho, Alexei em 1904.

A mais velha, Olga, era muito parecida com Nicolau. Era inteligente e rápida para captar ideias. Conversando com pessoas que conhecia bem, falava rapidamente, com sinceridade e perspicácia. Lia muito e adorava passear e nadar com o pai. Contava-lhe os seus segredos nas suas longas caminhadas.

Tatiana era a mais sociável e aparecia em mais ocasiões públicas do que as outras. Era chamada "a Governanta" pelos irmãos, porque era ela quem intercedia por eles aos pais.

Tatiana era muito próxima da mãe. Era decidida, enérgica e emitia opiniões categóricas.

"Sentia-se que ela era a filha de um imperador", declarou um oficial da Guarda.

A terceira filha, Maria, tinha um grande talento para a pintura e desenho. Era considerada a mais amável e simpática das irmãs, o que lhe rendeu o apelido de "o anjo da família". Maria flertava com jovens soldados e os seus assuntos preferidos eram casamento e filhos. Muitos achavam que ela daria uma esposa excelente para qualquer homem.

Anastásia era a mais travessa e esperta. Fazia imitações maldosas das pessoas que conhecia e brincadeiras, que às vezes iam longe demais. Quando pequena, subia às árvores e apenas Nicolau conseguia fazer com que descesse. Era chamada "shvibzik" (diabinho) e "a criança terrível".

O quinto e último filho, Alexei, foi uma criança muito desejada, já que até ao seu nascimento não havia um herdeiro para o trono. Apesar disso, poucos meses depois, descobriu-se que ele sofria de hemofilia, uma doença hereditária que impede a coagulação normal do sangue.

Nessa altura a doença não tinha tratamento e usualmente levava à morte precoce. Como neta da rainha Vitória, Alexandra carregava o mesmo gene mutante que afligiu muitas casas reais europeias, como a Espanha e a Prússia. Por isso, a hemofilia ficou conhecida como "a doença real". Por causa da fragilidade da autocracia nesse período, Nicolau e Alexandra escolheram não divulgar a condição de Alexei a ninguém de fora do palácio. Quando ele faltava a festividades públicas, era anunciado que tivera um resfriado ou estava com o tornozelo deslocado. Ninguém acreditava nessas explicações, e o garoto foi objecto de rumores inacreditáveis. Diziam que Alexei era mentalmente retardado, epiléptico e fora vítima de bombas anarquistas.

No começo, Alexandra voltou-se para médicos russos para tratar de Alexei; contudo os tratamentos geralmente falhavam e progressivamente, ela voltou-se para místicos e homens santos. Um desses, Grigory Rasputin, parecia ter algum sucesso. A revelação da condição de Alexei iria inevitavelmente colocar novas pressões no czar e na monarquia. Mas o silêncio deixava a família vulnerável a rumores maldosos. Por causa da condição de Alexei nunca ter sido revelada, os russos nunca entenderam o poder que Rasputin mantinha sobre a imperatriz.

A despeito da sua doença, Alexei era um menino barulhento, vivo e travesso como Anastásia.

À medida que foi crescendo, os pais explicaram-lhe a necessidade de evitar quedas e pancadas. No entanto, como era uma criança muito viva, Alexei sentia-se atraído por coisas perigosas. Havia ocasiões em que simplesmente ignorava todas as restrições e fazia o que queria.

A 14 de Maio de 1896 Nicolau foi coroado como czar na Catedral Uspensky, localizada no interior do Kremlin. A 18 de Maio de 1896 após a coroação, aconteceu uma histeria colectiva que ficou conhecida como a Tragédia de Khodynka. Um [banquete] foi preparado para o povo do Campo de Khodynka. Haveria teatros, 150 bufês distribuiriam presentes e 20 pubs foram construídos para a celebração. Na noite de 17 de Maio, algumas pessoas ouviram a notícia dos presentes que seriam distribuídos e começaram a chegar antecipadamente. Repentinamente um rumor propagou-se entre a multidão de que não haveria cerveja e presentes para todos. A força policial falhou em manter a ordem. Estima-se que 1429 pessoas morreram e outras 9000 a 20 000 ficaram feridas .

Nicolau e Alexandra foram informados sobre a tragédia, mas não imediatamente. Um baile festivo aconteceria nessa noite na embaixada francesa. O czar pensou em não comparecer, pois pareceria que não sentia pesar com as perdas dos seus súbditos. Mas acabou seguindo o conselho dos seus tios e compareceu à festa para não ofender Paris.

A administração de Nicolau publicou propaganda antissemita que encorajou tumultos, resultando nos pogroms de 1903 a 1906. Viacheslav Plehve, o Ministro do Interior, pagou ao jornal de Kishinev "Bessarabets" por material Anti-semita e a imprensa, durante a Guerra Russo-Japonesa acusou os judeus de serem uma quinta coluna. Essas acusações encorajaram a erupção de numerosos pogroms, especialmente depois d a Rússia perder a guerra. Eles também resultaram da reação do governo à Revolução de 1905.

Um choque entre a Rússia e o Japão era quase inevitável na virada do século XX. A expansão russa para leste e o crescimento de colónias e ambições territoriais, assim como o desejado caminho para o sul em direcção aos Balcãs foram frustrados, o que abriu caminho para o conflito com as próprias ambições territoriais japonesas no continente asiático. A guerra começou em 1904 com um ataque de surpresa à frota russa em Port Arthur, o que incapacitou a marinha russa no leste. A Frota Báltica Russa tentou cruzar o mundo para contrabalançar o poder no leste, mas depois de vários percalços no caminho, foi aniquilada pelos japoneses na Batalha de Tsushima. Em terra, o exército russo foi prejudicado por uma administração ineficiente e pelo problema de se conduzir uma guerra. Enquanto comandantes e suprimentos chegavam de São Petersburgo, combates tomavam lugar nos postos do leste asiático, somente com a ferrovia Transiberiana para transportar suprimentos a lugares distantes. Os seis mil trilhos entre São Petersburgo e Port Arthur tinham somente um caminho com nenhuma trilha ao redor do lago Baikal,fazendo lentas mobilizações, e transformando a guerra num fiasco logístico. A guerra acabou com as defesas russas com a queda de Port Arthur em 1905, e acertos das desavenças de ambos os países no Tratado de Portsmouth.

A postura de Nicolau na guerra foi algo que frustrou muitos. Nicolau olhou para a guerra com confiança e viu nela uma oportunidade de levantar a moral e o patriotismo russos, prestando pouca atenção às finanças de uma guerra distante. Pouco antes do ataque japonês em Port Arthur, Nicolau agarrava-se na crença de que não haveria guerra. Ele sentia que era o seu poder divino de governar e proteger a Rússia, e que uma guerra contra o Japão poderia simplesmente não acontecer. A despeito dos ataques na guerra e das várias derrotas que a Rússia sofreu, Nicolau ainda acreditava, e esperava uma vitória final. Muitas pessoas tomavam a sua confiança e teimosia como indiferença; acreditando que ele era completamente intransigente. Como a Rússia continuou a ser derrotada pelos japoneses, o pedido de paz surgiu. Apesar dos esforços de paz, Nicolau permaneceu evasivo. Não foi antes de 27-28 de Março e da aniquilação da frota russa pelos japoneses, que Nicolau se decidiu a seguir pela paz.

Com a derrota da Rússia por um poder não-ocidental, o prestígio do governo e autoridade do império autocrata decaiu significativamente. A derrota foi um violento golpe e o governo imperial entrou em colapso, com o rebentar revolucionário de 1905-1906. Muitos manifestantes foram fuzilados em frente do Palácio de Inverno; e o tio do imperador, o grão-duque Sérgio foi morto por uma bomba atirada por um revolucionário quando deixava o Kremlin.

A frota do mar Negro amotinou-se, e uma greve ferroviária desenvolveu-se numa greve geral que paralisou o país. Nicolau, que foi surpreendido por esses eventos, misturou a sua raiva com a perplexidade e escreveu à mãe após meses de desordem:

“ "Deixa-me doente ouvir as notícias! Greves em escolas, polícias, soldados e cossacos assassinados, tumultos, desordens, amotinações. Mas os Ministros, ao invés de tomarem uma decisão rápida, somente se reúnem em conselhos como um bando de galinhas assustadas e cacarejam sobre providenciar uma unida acção ministerial…" ”

No sábado, 21 de Janeiro de 1905 (8 de Janeiro de acordo com o calendário gregoriano), George Gapon, um padre ligado à polícia, informou o governo que uma marcha aconteceria no dia seguinte e pediu para o czar estar presente para receber uma petição. Os ministros rapidamente se encontraram para discutir o problema. Nunca se pensou em pedir ao czar, que estava em Tsarskoye Selo que não foi informado nem da marcha, nem da petição, para receber Gapon. A sugestão de qualquer outro membro da família imperial receber a petição foi rejeitada. Por fim, informado pelo prefeito da polícia de que precisava de homens para arrancar Gapon aos seus partidários e para o prenderem, o recentemente nomeado Ministro do Interior, o príncipe Sviatopolk-Mirsky e os seus colegas não se lembraram de outra coisa senão de trazer tropas adicionais para a cidade e esperar que as coisas não saíssem do seu controle. Nessa noite, Nicolau ficou a saber pela primeira vez, por Mirsky o que poderia acontecer no dia seguinte. Ele escreveu no seu diário: "Vieram tropas de fora da cidade para reforçar a guarnição. Até agora, os operários têm-se mantido calmos. O seu número deve andar à volta de 120.000. Encabeçando-os encontra-se uma espécie de sacerdote socialista chamado Gapon. Mirsky veio aqui esta noite para apresentar o relatório das medidas tomadas."

No domingo, 22 de Janeiro de 1905, Gapon iniciou a sua marcha sob um vento gelado e rajadas de neve. Nos bairros operários formaram-se cortejos que convergiram para o centro da cidade. Deixando as armas fechadas em casa, os manifestantes caminharam pacificamente através das ruas. Alguns transportavam cruzes, ícones e estandartes religiosos, outros bandeiras nacionais e retratos do czar. Enquanto caminhavam cantavam hinos religiosos e o Hino Imperial Deus Salve o Czar. Os diversos cortejos deviam chegar ao Palácio de Inverno às duas da tarde. Não havia qualquer confrontação com as tropas. Através da cidade, nas pontes e avenidas estratégicas, os manifestantes encontraram o caminho bloqueado em linhas de infantaria, reforçada por cossacos e hussardos; e os soldados abriram fogo contra a multidão. O número oficial de vítimas foi 92 mortos e várias centenas de feridos. Gapon desapareceu e outros chefes da marcha foram apanhados. Expulsos da capital, circularam através de todo o império exagerando as baixas para milhares. Esse dia, que ficou conhecido como "Domingo Sangrento", foi um ponto decisivo da história russa. Destruiu a crença antiga e lendária de que o czar e o povo formavam um só corpo. Enquanto as balas despedaçavam os seus ícones, as suas bandeiras e os seus retratos de Nicolau, o povo gritava: "O czar não nos ajuda!".

Fora da Rússia, aquela ação desajeitada pareceu uma crueldade premeditada, e Ramsay MacDonald, futuro primeiro-ministro Trabalhista do Reino Unido, atacou o czar chamando-o de "uma criatura manchada de sangue e um vulgar assassino". Em Tsarskoye Selo, Nicolau ficou espantado quando soube o que tinha acontecido. Ele escreveu no seu diário: "Um dia doloroso. Ocorreram desordens graves em Petersburgo quando os trabalhadores tentaram aproximar-se do Palácio de Inverno. As tropas foram obrigadas a abrir fogo em vários pontos da cidade e houve muitos mortos e feridos. Senhor, como tudo isto é triste e doloroso!". Do seu esconderijo, Gapon escreveu uma carta pública, acusando amargamente "Nicolau Romanov, antigo czar e presentemente assassino das almas do Império Russo: o sangue inocente de operários, das suas mulheres e filhos ficará para sempre entre ti e o povo russo… Que todo o sangue que tenha de ser derramado caia sobre ti, carrasco! Peço a todos os partidos socialistas da Rússia que cheguem a um acordo rápido entre si e iniciem a sublevação armada contra o czarismo." Mas a reputação de Gapon era duvidosa e os chefes do Partido Social-Revolucionário estavam convencidos de que ele ainda estava ligado à polícia.

Condenaram-no à morte e o seu corpo foi encontrado enforcado na Finlândia, numa casa abandonada, em Abril de 1906.

Sob pressão do ensaio da Revolução Russa de 1905, a 5 de Agosto de 1905, o czar Nicolau II emitiu um manifesto sobre a convocação da Duma Estatal, inicialmente planejado para ser um órgão consultivo. O Ministro da Corte, Conde Fredericks comentou: "Os deputados dão-nos a impressão de um bando de criminosos que só estão à espera do sinal para se atirarem aos ministros e cortarem-lhes o pescoço." A imperatriz viúva Maria reparou no "ódio incompreensível" nos rostos dos deputados.

No Manifesto de Outubro, o czar prometeu introduzir liberdades civis básicas, proporcionadas por ampla participação da Duma Estatal, e favorecimento dela com controle e poder legislativo. Contudo, determinado a preservar a "autocracia" mesmo no contexto de reforma, ele restringiu a autoridade da Duma de muitas maneiras. A relação de Nicolau com a Duma não era boa. A Primeira Duma, com a maioria de deputados do Partido Social-democrata, quase imediatamente entrou em conflito com ele. Mal os 524 membros tomaram os seus lugares na sala do Palácio Tauride, formularam logo uma "Alocução ao Trono", onde exigiam sufrágio universal, uma reforma agrária radical, libertação de todos os presos políticos e a substituição dos ministros nomeados por Nicolau por ministros aceites pela Duma. Apesar de Nicolau ter inicialmente um bom relacionamento com o relativamente liberal Primeiro-ministro Sergei Witte, Alexandra desconfiava dele (porque ele instigou uma investigação a Rasputin), e quando a situação política se deteriorou, Nicolau dissolveu a Duma. A Duma estava povoada com radicais, muitos deles queriam impulsionar legislações que aboliam a propriedade privada, entre outras coisas. Witte, inapto para segurar os aparentemente insuperáveis problemas de reforma da Rússia e da monarquia, escreveu a Nicolau a 14 de Abril de 1906 demitindo-se (contudo, outros relatos disseram que Witte foi forçado a demitir-se pelo imperador). Nicolau não foi ingrato a Witte e um decreto imperial foi publicado a 22 de Abril transformando Witte em cavaleiro da Ordem de Santo Alexandre Nevsky.

A Segunda Duma reuniu-se pela primeira vez em Fevereiro de 1907. Os partidos esquerdistas, incluindo o Social-Democrata e os Sociais-Revolucionários que tinham boicotado a Primeira Duma ganharam duzentos lugares na segunda, mais de um terço do total de membros. Novamente, Nicolau esperou impacientemente pela dissolução da Duma. Em duas cartas à mãe, deixou transparecer a sua amargura: "Uma deputação grotesca vem da Inglaterra (para ver os membros liberais da Duma). O tio Bertie informou-nos que lamenta muito, mas que não podia fazer nada para impedir a vinda deles. A famosa "liberdade", está claro. Como eles se enfureceriam se nós enviássemos uma deputação até junto dos irlandeses para desejar-lhes êxito na sua luta contra o governo."

Um pouco mais tarde, escreveu: "Tudo estaria bem se tudo o que se dissesse na Duma ficasse dentro das suas paredes. No entanto, todas as palavras pronunciadas aparecem nos jornais no dia seguinte, que são lidos avidamente por todas as pessoas. Em muitos pontos, a população está de novo desassossegada. Recomeçam a falar das terras e aguardam o que Deus fará a esse respeito. Recebo telegramas de toda a parte, pedindo-me que ordene a dissolução, mas é ainda cedo demais para isso. Temos de os deixar fazer qualquer coisa manifestamente estúpida ou mesquinha, e depois – slap! Acaba-se com eles!"Depois que a Segunda Duma resultou em problemas similares, o novo primeiro-ministro Piotr Stolypin unilateralmente a dissolveu. Stolypin, um habilidoso político, tinha planos ambiciosos de reforma. Eles incluíam fazer empréstimos acessíveis para as classes baixas, capacitando-os para comprar terras, com o objectivo de formar uma classe rural leal à coroa. Contudo, quando a Duma se mostrava hostil, Stolypin não tinha escrúpulos em invocar o artigo 87 das Leis Fundamentais que davam ao czar a faculdade de emitir decretos de emergência "urgentes e extraordinários durante a suspensão da Duma Estatal.". O mais célebre acto legislativo de Stolypin, a transferência da propriedade rural, foi promulgada sob o artigo 87.

A Terceira Duma manteve-se um corpo independente. Desta vez contudo, os membros procediam cautelosamente. Em vez de atacarem o governo, opondo partidos no próprio seio, a Duma trabalhou para o desenvolvimento do seu corpo como conjunto. À maneira clássica do Parlamento do Reino Unido, a Duma impôs-se agarrando os cordões da bolsa nacional. A Duma tinha o direito de interrogar ministros à porta fechada, a respeito das despesas propostas. Estas seções, apoiadas por Stolypin, eram frutíferas para ambos os lados, e com o tempo, o antagonismo inicial foi substituído por respeito mútuo. Mesmo na área sensível das despesas militares, em que o Manifesto de Outubro reservara claramente as decisões para o trono, começou a operar uma comissão da Duma. Composta de patriotas inflamados não menos ansiosos que Nicolau, de restaurar a honra caída das armas russas, a comissão Duma recomendava frequentemente despesas mesmo maiores do que as propostas.

Com o passar do tempo, Nicolau também começou a sentir confiança na Duma. Ele disse a Stolypin em 1909: "Não se pode acusar esta Duma de tentar apoderar-se do poder, e não é necessário discutir com ela." Infelizmente, os planos de Stolypin eram cortados por conservadores da corte. Reaccionários, como o príncipe Vladimir Orlov, não se cansavam de repetir ao czar que a própria existência da Duma era uma mancha na autocracia. Stolypin, segredavam eles, era um traidor e um revolucionário dissimulado que conspirava com a Duma para roubar as prerrogativas concedidas ao czar por Deus. Também Witte se entregava a intrigas constantes com Stolypin. Embora Stolypin não tivesse nada a ver com a queda de Witte, o antigo Primeiro-ministro culpava o seu substituto por isso. Stolypin também irritara a imperatriz. Ele ordenou uma investigação sobre Rasputin e apresentou o seu relatório ao czar.

Nicolau leu-o e não fez nada. Stolypin, então deu ordem a Rasputin para abandonar São Petersburgo. Alexandra protestou veementemente, mas Nicolau recusou anular a ordem do seu primeiro-ministro. Stolypin, entretanto começou a ficar cansado do peso do seu cargo.

Para um homem que preferia a acção clara e decidida, era frustrante trabalhar com um soberano que acreditava em fatalismo e misticismo. Como exemplo, Nicolau devolveu um dia um documento por assinar a Stolypin acompanhado da nota: "Apesar dos argumentos muito convincentes para se adoptar uma decisão positiva neste assunto, uma voz interior insiste cada vez mais comigo para que não assuma responsabilidades a esse respeito. Até aqui a minha consciência não me enganou. Por isso, tenciono seguir as sua directivas neste caso. Eu sei que você também acredita que "o coração de um czar está nas mãos de Deus". Que assim seja. Por todas as leis estabelecidas por mim, respondo perante Deus e estou pronto a responder em qualquer momento por esta decisão!"

Alexandra, acreditando que Stolypin queria tirar os laços dos quais a vida do filho dependia, odiava o primeiro-ministro. Em Março de 1911, Stolypin casualmente afirmou que não tinha mais a confiança imperial e pediu para o aliviar do seu cargo. Dois anos antes, quando ele aludira por acaso à sua demissão, Nicolau escreveu: "Não se trata de uma questão de confiança ou falta dela; é a minha vontade. Lembre-se que vivemos na Rússia e não no estrangeiro… e por isso não levarei em consideração a possibilidade de uma demissão."
Em 1912, foi eleita uma Quarta Duma com quase os mesmos membros da terceira. "A Duma começou cedo demais. Agora vai mais devagar, mas melhor. E é mais duradoura." Explicou Nicolau a Sir Bernard Pares.

A Primeira Guerra Mundial foi um completo desastre para a Rússia. No outono de 1916, o desespero da família Romanov chegou ao ponto do grão-duque Paulo Alexandrovich, irmão mais novo de Alexandre III e único tio vivo do czar ser delegado para pedir a Nicolau para outorgar uma constituição e um governo responsável com a Duma. Nicolau recusou severamente, repreendendo o tio por pedir-lhe para quebrar o seu juramento na coroação, de manter a autocracia intacta para os seus sucessores. Na Duma, a 2 de Dezembro de 1916, Purishkevich, um fervoroso patriota, monárquico e defensor da guerra, denunciou as "forças negras" que cercavam o trono, num discurso ensurdecedor, que durou duas horas e foi tumultuosamente aplaudido. Ele disse: "A revolução e um obscuro camponês governarão a Rússia daqui a pouco tempo."

A seguir ao assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono austro-húngaro por Gavrilo Princip, um membro da associação nacionalista sérvia conhecida como Mão Negra em Sarajevo a 28 de Junho de 1914, Nicolau vacilou no rumo que a Rússia tomaria. O rebentar da guerra não foi inevitável, mas líderes, diplomatas e alianças do século XIX, criaram um clima de um conflito em larga escala. A concepção de pan-eslavismo e etnia aliaram o Império Russo e o Reino da Sérvia num tratado de protecção, e o Império Alemão e o Império Austro-Húngaro foram similarmente aliados. Conflitos territoriais entre a Alemanha e a França e entre a Áustria e a Sérvia, tiveram como consequência alianças feitas por toda a Europa. As alianças da Tríplice Aliança (França, Grã-Bretanha e Rússia) e da Tríplice Aliança (Alemanha, Áustria e, mais tarde, Itália) foram estabelecidas antes da guerra, mas eram somente compreendidas por líderes de governos aliados e foram mantidas secretas do grande público. O assassinato de Francisco Ferdinando levou um país para dentro do conflito com o outro, e cada um independentemente declarou guerra. Nicolau não queria nem abandonar a Sérvia ao ultimato da Áustria-Hungria, nem provocar uma guerra geral. Numa série de cartas trocadas com o kaiser Guilherme II (a chamada correspondência Willy-Nicky), os dois proclamaram o seu desejo pela paz, e cada um tentou fazer com que o outro recuasse. Nicolau tomou medidas externas a esse respeito, exigindo que a mobilização russa fosse somente contra a fronteira austríaca, com a esperança de prevenir uma guerra com o Império Alemão.
Os russos não tinham planos de contingência para uma mobilização parcial, e a 31 Julho de 1914, Nicolau deu o passo fatal de confirmar a ordem para uma mobilização geral. Nicolau foi fortemente aconselhado contra a mobilização das forças Russas, mas escolheu ignorar esse conselho. Ele pôs o exército russo em "alerta" a 25 de Julho. Embora isso não fosse uma mobilização, ameaçou as fronteiras alemãs e austríacas e pareceu uma declaração militar de guerra.

A 28 de Julho, a Áustria formalmente declarou guerra à Sérvia, levando a Rússia e a Alemanha a entrarem na guerra, como protectorados, e a França e a Grã-Bretanha como aliados russos.

O conde Witte contou ao embaixador francês Paléologue, que no seu ponto de vista russo, a guerra era uma loucura, solidariedade eslava era simplesmente uma tolice e que a Rússia não poderia esperar nada da guerra.

A 31 de Julho, a Rússia completou a sua mobilização, mas ainda mantinha que não atacaria, se acordos de paz começassem. A Alemanha replicou, dizendo que a Rússia se deveria desmobilizar nas próximas doze horas.

Em São Petersburgo, às sete horas da noite, com um ultimato que a Rússia expirou, o embaixador alemão na Rússia, encontrou-se com o Ministro do Exterior russo Sérgio Sazonov, e perguntou três vezes se a Rússia não poderia reconsiderar, e então com um aperto de mãos entregou a nota que aceitava a disputa e a declaração de guerra.

O rebentar da guerra a 1 de Agosto de 1914 encontrou a Rússia excessivamente despreparada. A Rússia e os seus aliados colocaram a sua fé no exército, o famoso "pesado cilindro russo". A força antes da guerra era de 1.400.000; mobilizações acrescentaram 3.100.000 reservas e outros milhões estavam preparados atrás deles. Em qualquer outro respeito contudo, a Rússia estava despreparada para a guerra. A Alemanha tinha dez vezes mais ferrovias por milha quadrada, e enquanto os soldados russos viajavam uma média de 800 milhas (1.290 km) para alcançar a frente, os soldados alemães viajavam menos de um quarto dessa distância. As indústrias pesadas russas eram ainda muito pequenas para equipar as massivas armadas que o czar conseguia levantar e as suas reservas de munição eram lastimavelmente pequenas. Com o mar Báltico barrado pelos U-boats alemães e os Dardanellos pelas armas do anterior aliado, o Império Otomano, a Rússia conseguia receber ajuda somente via Archangel, que ficava solidamente congelado no inverno, ou Vladivostock, que estava a mais de 4.000 milhas da linha da frente. Além disso, o alto comando russo estava enfraquecido com o mútuo desdém entre Vladimir Sukhomlinov, o Ministro da Guerra e o formidável soldado gigante grão-duque Nicolau Nikolaevich, que comandava os exércitos no campo de batalha. A despeito de tudo isso, um imediato ataque foi ordenado contra a província alemã no leste prussiano. Os alemães mobilizaram-se com grande eficiência e derrotaram completamente os dois exércitos russos invasores. A Batalha de Tannenberg, onde uma armada russa inteira foi aniquilada lançou uma sombra assustadora sobre o futuro do império - os soldados leais que morreram eram necessários para a protecção da dinastia.

Mais tarde, os exércitos russos tiveram um moderado sucesso contra os exércitos austro-húngaros e contra as forças do Império Otomano. Contudo, isso nunca sucedeu contra as forças do exército alemão.

Gradualmente, uma guerra de desgastes foi estabelecida na vasta frente oriental, onde os russos estavam enfrentando as forças combinadas dos império Alemão e Austro-Húngaro, e sofreram perdas enormes. O general Denikin, regressando da Galícia, escreveu: "A artilharia pesada alemã varreu todas as linhas de trincheira, e os seus defensores. Nós fortemente respondemos. Não havia nada connosco com que pudéssemos ripostar. Os nossos regimentos completamente exaustos, estavam repelindo um ataque atrás do outro com baionetas.... O sangue corria interminantemente, as fileiras ficaram finas e finas e finas. O número de túmulos multiplicou." Nicolau Golovine, um antigo general do exército imperial estimou que 1.300.000 homens foram mortos em acção; 4.200.000 ficaram feridos, destes 350.000 morreram dos ferimentos mais tarde; e 2.400.000 foram feitos prisioneiros. O total é 7.900.000 - mais da metade dos 15.500.000 de homens que foram mobilizados. A 5 de Agosto com o exército em retirada, Varsóvia caiu. Derrotas na frente geraram desordens em casa. Primeiro, os alvos foram alemães e por três dias em Junho, lojas, padarias, fábricas, casas privadas e propriedades rurais pertencentes a pessoas com nomes alemães foram saqueadas e queimadas. Depois, as multidões inflamadas voltaram-se contra o governo, declarando que a imperatriz deveria ser fechada num convento, o czar deposto e Rasputin enforcado. O czar estava sem nenhum recurso surdo a esses descontentes. Uma secção de emergência na Duma foi exigida e um Conselho Especial de Defesa foi estabelecido, os seus membros dentre a Duma e os ministros do czar estavam indecisos.

Em Julho de 1915, o rei Cristiano X da Dinamarca, primo em primeiro grau do czar, enviou Hans Niels Andersen a Tsarskoye Selo com uma oferta de agir como mediador. Ele fez várias viagens entre Londres, Berlim e Petrogrado e em Julho, viu a imperatriz viúva Maria Feodorovna. Andersen disse a ela que eles concluiriam a paz. Nicolau escolheu recusar a oferta de mediação do rei Cristiano.

O vigoroso e eficiente general Alexei Polivanov substituiu Sukhomlinov como Ministro da Guerra. A situação não melhorou e o recuo contudo continuou. Nicolau encorajado por Alexandra e sentindo que era seu dever, e que a sua presença pessoal inspiraria as suas tropas, decidiu liderar o seu exército diretamente, em oposição a conselhos contrários. Ele assumiu o cargo de comandante-chefe após a demissão do seu primo dessa posição, o altamente respeitado e experiente Nicolau Nikolaevich (Setembro de 1915) a seguir à perda do Reino da Polónia. Esse foi um erro fatal, e foi directamente associado ao comandante-chefe, bem como todas as perdas subsequentes. Nicolau estava também longe, no remoto quartel general em Mogilev, distante do governo directo do império, e quando a revolução rebentou em Petrogrado, estava inapto para evitá-la estando tão afastado do governo. Na realidade, o movimento foi em grande parte simbólico, uma vez que todas as decisões militares importantes eram feitas pelo seu Chefe do Estado-Maior o general Mikhail Alekseyev e Nicolau fez pouco mais do que rever tropas, inspeccionar hospitais nos campos de batalha e presidir a almoços militares.

A Duma ainda pedindo por reformas, e as intranquilidades políticas continuaram durante a guerra.

Isolado da opinião pública, Nicolau não conseguia ver que a dinastia estava em declínio. Com Nicolau na frente, as questões domésticas e o controle da capital, ficaram entregues à sua esposa Alexandra, no entanto, o relacionamento dela com Gregório Rasputin e a sua ascendência alemã promoveram o descrédito na autoridade da dinastia.

Alexandra não tinha experiência governativa e contratava ministros incompetentes prestando atenção apenas aos conselhos de Rasputin, o que fez com que o governo nunca fosse estável ou eficiente.

Nicolau foi repetidamente advertido sobre a destrutiva influência de Rasputin, mas falhou em afastá-lo. Nicolau recusou censurar a imprensa, e rumores selvagens e acusações sobre Alexandra e Rasputin apareciam quase diariamente. Alexandra foi até mesmo colocada sob acusações de traição, e de minar o governo devido às suas raízes alemãs.

Foi durante a guerra que São Petersburgo foi simbolicamente renomeada Petrogrado, o equivalente eslavo em resposta à crescente fobia aos alemães durante o tempo de guerra. A irritação com a falta de acção e o extremo dano que a influência de Rasputin estava fazendo aos esforços de guerra na Rússia e à monarquia, levou ao seu (Rasputin) assassinato por um grupo de nobres, liderados pelo príncipe Félix Yussupov e pelo grão-duque Dmitri Pavlovich, um primo do czar, a 16 de Dezembro de 1916.

O cada vez maior aumento da pobreza à medida que o governo fracassava em produzir abastecimentos, criou tumultos e rebeliões. Com Nicolau distante na frente em 1915, a autoridade entrou em colapso (a imperatriz Alexandra administrava o governo de São Petersburgo desde 1915), e São Petersburgo foi deixada nas mãos de grevistas, soldados e recrutas amotinados. Apesar dos esforços do embaixador britânico Sir George Buchanan de avisar o czar de que ele deveria conceder reformas constitucionais para defender-se da Revolução, Nicolau continuou permanecendo distante no quartel general (Stavka) a 400 milhas (600 km) de Mogilev, deixando a sua capital e a corte abertas às intrigas e insurreições.

Na primavera de 1917, a Rússia estava próxima do colapso total. O exército levou 15 milhões de homens das fazendas e os preços dos alimentos elevaram-se. Um ovo custava quatro vezes mais do que em 1914, manteiga cinco vezes mais. O inverno severo dividiu as ferrovias, sobrecarregadas com cargas de emergência de carvão e suprimentos, foi o golpe final.
A Rússia começou a guerra com 20.000 locomotivas; em 1917, 9.000 estavam em serviço, enquanto o número de vagões ferroviários em serviço diminuiu de 500.000 para 170.000. Em Fevereiro de 1917, 1.200 locomotivas arrebentaram a sua caldeira de vapor e aproximadamente 60.000 vagões foram imobilizados. Em Petrogrado, abastecimentos de farinha e combustível desapareceram. Foi decretada por Nicolau, a proibição de álcool durante a guerra em ordem de levantar o patriotismo e produtividade, mas em vez disso, danificou o tesouro e as finanças da guerra.

A 23 de Fevereiro de 1917 em Petrogrado, a combinação do inverno frio e severo aliado à intensa carência de alimentos, provocou que as pessoas quebrassem as janelas das lojas para conseguirem pão e outras necessidades. Nas ruas, bandeiras vermelhas apareceram e as multidões cantavam: "Abaixo a mulher alemã! Abaixo Protopopov! Abaixo a guerra!" . A polícia começou a atirar na população que incitava aos tumultos dos topos dos telhados. As tropas na capital eram pobremente motivadas e os seus oficiais não tinham razão para serem leais ao regime. Eles estavam irritados e cheios de fervor revolucionário e apoiaram a população. O gabinete do czar pediu a Nicolau para regressar à capital e oferecer a renúncia.
A 500 milhas de distância o czar, mal-informado por Protopopov de que a situação estava sob controle, ordenou que medidas firmes fossem tomadas contra os manifestantes. Para essa tarefa, a guarnição de Petrogrado era totalmente inadequada. A nata do antigo exército leal estava enterrada em sepulturas na Polónia e na Galícia.

Em Petrogrado, 170.000 recrutas, rapazes do interior ou homens idosos dos subúrbios das classes trabalhadoras, continuaram a manter controle sob o comando de oficiais feridos e inválidos da frente, e cadetes das academias militares. Muitas unidades, com falta de oficiais e rifles, nunca passaram por treinamento formal. O general Khabalov tentou pôr as instruções do czar em prática na manhã do domingo 11 de Março de 1917. A despeito de enormes cartazes ordenando ao povo para afastar-se das ruas, vastas multidões agruparam-se e foram somente dispersadas após 200 serem fuzilados, apesar de uma companhia do Regimento Volinsky atirar para o alto ao invés de atirar na multidão, e uma companhia dos Guardas de Pavlovsky atirar no oficial que deu o comando de abrir fogo. Nicolau, informado da situação por Rodzianko ordenou reforços para a capital e a suspensão da Duma.

A 12 de Março, o Regimento Volinsky amotinou-se e foi rapidamente sucedido pelo Semonovsky, o Ismailovsky e até mesmo pela lendária Guarda Preobrajensky, o regimento mais antigo e leal fundado por Pedro, o Grande. O arsenal foi pilhado, o Ministério do Interior, o prédio do Governo Militar, o quartel-general da polícia, a Corte Judicial e um grupo de prédios policiais foram queimados. À tarde, a Fortaleza de Pedro e Paulo com a sua pesada artilharia, estava nas mãos dos insurgentes. Ao anoitecer, 60.000 soldados tinham-se juntado à revolução. A ordem quebrou e membros do parlamento (Duma) formaram um Governo Provisório para tentar restaurar a ordem, mas foi impossível alterar o curso da tendência revolucionária. A Duma e o Soviete já tinham formado os núcleos de um Governo Provisório e decidiram que Nicolau deveria abdicar. Encarando essa decisão, que era ecoada pelos seus generais, privado das tropas leais, com a sua família firmemente nas mãos do Governo Provisório e temeroso de expandir uma guerra civil e a abertura do caminho para uma conquista alemã, Nicolau não tinha outra escolha senão a de se submeter. No final da Revolução de Fevereiro de 1917, a 15 de Março (2 de Março de acordo com o calendário gregoriano) de 1917, Nicolau II foi forçado a abdicar. Ele inicialmente abdicou a favor do czarevich Alexei, mas rapidamente mudou de ideia depois do conselho dos médicos de que o herdeiro não viveria muito tempo longe dos pais, que poderiam ser forçados a irem para o exílio. Nicolau redigiu um novo manifesto, nomeando o seu irmão, o grão-duque Miguel, como o próximo Imperador de Todas as Rússias. Ele emitiu o seguinte manifesto (que foi suprimido pelo Governo Provisório):

“ Neste tempo de grande luta contra o inimigo externo que já há quase três anos tenta escravizar a nossa pátria, o Senhor Deus julgou por bem enviar à Rússia nova provação.

Revoltas populares internas ameaçam reflectir calamitosamente na conduta de uma guerra que continua. O destino da Rússia, a honra do Exército heróico, o bem do povo, todo o futuro da nossa querida pátria, exigem que saiamos vitoriosos desta guerra a qualquer custo. Nestes dias decisivos para a vida da Rússia, julgamos uma questão de consciência facilitar para o nosso povo, a união e a formação das fileiras de forças populares ao redor desse objectivo, que é uma rápida vitória, e assim, de acordo com a Duma, reconhecemos a necessidade de abdicarmos do trono do Estado russo e nos desembaraçarmos do poder supremo. Não desejando a separação do nosso amado filho, transferimos o legado para o nosso irmão, grão-duque Miguel Alexandrovich e o abençoamos na sua ascensão ao trono do Estado russo.

Recomendamos ao nosso irmão que governe em união plena e inviolável com os representantes do povo, de acordo com os princípios que serão estabelecidos. Que o Senhor salve a Rússia. “

Tudo indica que Nicolau abdicou por motivos patrióticos, convencido pelos generais de que tal atitude era indispensável para manter a Rússia na guerra e garantir a vitória. Se a sua primeira preocupação tivesse sido a manutenção do poder, ele teria assinado a paz com a Alemanha - como Lenine um ano depois - e lançado as tropas contra os amotinados em Petrogrado e Moscou.

O grão-duque Miguel negou aceitar o trono até que o povo fosse permitido a votar através de uma assembleia constituinte para a continuação da monarquia ou de uma república. A abdicação de Nicolau II e a subsequente revolução bolchevique levou ao fim três séculos do governo da dinastia Romanov. Também abriu caminho para a massiva destruição da cultura da Rússia, com o fechamento e demolição de várias igrejas e mosteiros; roubo de objectos valiosos e bens da antiga aristocracia e classes ricas; e a supressão de formas de arte religiosas e folclóricas.

A queda da autocracia czarista causou alegria aos liberais e socialistas na Grã-Bretanha e em França e tornou possível aos Estados Unidos, o primeiro governo estrangeiro a reconhecer o Governo Provisório, a entrar na guerra em Abril, lutando por uma aliança de democracias contra uma aliança de impérios. Na Rússia, o anúncio da abdicação do czar, foi recebido com muitas emoções, incluindo alegria, alívio, medo, raiva e confusão.

A 3 de Abril de 1917, o novo governador Alexander Kerensky decidiu visitar a família imperial, que estava presa em Tsarskoye Selo. Kerensky admitiu o seu extremo nervosismo:

“ Para ser franco, eu estava tudo menos calmo antes do primeiro encontro com Nicolau II.

Muitas coisas duras e terríveis foram associadas no passado ao seu nome… Em todo o caminho à frente do corredor sem fim, eu estava lutando para controlar as minhas emoções… [entrando no quarto]… os meus sentimentos mudaram como um relâmpago… A família imperial… estava de pé… perto da janela, ao redor de uma pequena mesa, num pequeno grupo amontoado e perplexo. Desse grupo de humanidade amedrontada, saiu um pouco para fora, hesitantemente, um homem de altura mediana num uniforme militar, que andou à frente para me receber com um sorriso leve e peculiar. Era o imperador… Ele parou em confusão. Não sabia o que fazer, não sabia como eu agiria, qual a atitude que eu adoptaria. Deveria andar adiante para me receber como anfitrião, ou esperar para eu falar primeiro? Deveria estender a mão? Num relampejo, soube exactamente a exacta posição: a confusão da família, o seu medo de se encontrarem sozinhos com um revolucionário, cujo propósito desse rápido encontro desconheciam. Respondendo com um sorriso, andei rapidamente em direcção ao imperador, apertei as suas mãos e disse claramente: 'Kerensky'- como eu sempre faço como apresentação… Nicolau II apertou com firmeza minhas mãos, recuperando-se imediatamente da sua confusão, e sorrindo mais uma vez guiou-me até à família. “

À medida que o tempo passava, Kerensky continuou a visitar a família, e o relacionamento entre o ministro socialista e o soberano deposto e sua mulher melhorou nitidamente.

A 25 de Abril, Kerensky confessou, que durante essas semanas, começou a sentir afecto pelas "maneiras modestas e completa ausência de pose [de Nicolau]. Talvez, fosse essa simplicidade sincera e natural que dava ao imperador a fascinação peculiar, o charme que era reforçado ainda mais pelos seus olhos maravilhosos, profundos e tristes. Não pode ser dito que as minhas conversas com o czar se deviam a um desejo especial dele; ele era obrigado a ver-me… ainda assim, o antigo czar nunca perdeu o seu equilíbrio, nunca falhou em agir como um homem cortês." Da sua parte Nicolau declarou: "Ele [Kerensky] é um homem que ama a Rússia, e eu gostaria de tê-lo conhecido mais cedo, porque ele teria sido útil para mim.

Em Agosto de 1917, o governo de Kerensky evacuou os Romanovs para Tobolsk nos montes Urais, alegando que isso os protegeria do crescente fluxo da revolução. Lá eles viveram na antiga Mansão do Governador com um considerável conforto. A 30 de Abril de 1918, eles foram transferidos para o seu destino final: a Casa Ipatiev em Ecaterimburgo.

Depois de os bolcheviques tomarem o poder em Outubro de 1917, as condições do seu aprisionamento tornaram-se estritas e a discussão de pôr Nicolau em julgamento ficou mais frequente. Nicolau seguiu os eventos da Revolução de Outubro com interesse, mas sem alarme. Ele continuou a subestimar a importância de Lenine, mas começou a sentir que a sua abdicação dera à Rússia mais prejuízos do que benefícios. Nesse meio tempo, ele e a família ocupavam-se em serem cordiais. A visão de Nicolau e da sua família começou a mudar as impressões até mesmo dos revolucionários endurecidos. Anatoly Yakimov, um membro dos guardas que foram capturados pelo Exército Branco disse:

“ Eu ainda tenho uma impressão deles que ficará para sempre na minha alma. O czar não era jovem, a sua barba já estava ficando grisalha… [Ele vestia] uma blusa de soldado com um cinto de oficial amarrado por uma fivela em volta da cintura. A fivela era amarela… a blusa era cáqui, a mesma cor das suas calças e das botas gastas. Os seus olhos eram bondosos, e ele tinha no geral, uma expressão benévola. Eu tinha a impressão de que ele era uma pessoa bondosa, simples, franca e tagarela. Às vezes eu sentia que ele falava comigo directamente. Ele olhava-nos como se tivesse gostado de falar connosco. A czarina não era nada como ele. Ela parecia severa e tinha as maneiras e aparência de uma mulher arrogante e zangada. Às vezes, tínhamos o hábito de discutir sobre eles entre nós e decidimos que ela era diferente e parecia exactamente como uma czarina. Ela parecia que era mais velha que o czar. Cabelos grisalhos eram claramente visíveis nas suas têmporas e o seu rosto não era o de uma mulher jovem.

Todos os meus maus pensamentos sobre o czar desapareceram depois de ter permanecido um certo tempo entre os guardas. Depois de vê-los [o czar e a sua família] várias vezes, eu comecei a sentir algo inteiramente diferente em relação a eles; comecei a sentir pena deles. Pena deles como seres humanos. Estou falando com completa sinceridade. Pode acreditar ou não em mim, mas eu dizia a mim mesmo: "Eles que fujam… Alguma coisa deve ser feita para que eles fujam. “

Em Ecaterimburgo, o czar foi proibido de usar as dragonas e as sentinelas rabiscavam desenhos obscenos na parede para ofenderem as suas filhas. A 1 de Março de 1918, a família passou a comer rações dos soldados, o que significou a partida de dez criados devotados. A partir daí, manteiga e café foram considerados luxos. O que fez a família continuar foi a fé de que alguém os ajudaria.

Um anúncio oficial apareceu na imprensa nacional dois dias após a morte do czar e da sua família em Ecaterimburgo. Informava que o monarca tinha sido executado sob a ordem do Presidium do Soviete Regional dos Urais devido à pressão da aproximação da Legião Tcheca.
Embora o Soviete oficial tenha esclarecido que a responsabilidade da decisão era dos superiores locais do Soviete Regional dos Urais, Leon Trotsky no seu diário declarou que a execução aconteceu com a autoridade de Lenine e Sverdlov. A execução realizou-se na noite de 16 para 17 de Julho sob a liderança de Yakov Yurovsky e resultou na morte de Nicolau II, da sua esposa, das suas quatro filhas, do seu filho, do seu médico pessoal Eugene Botkin, da empregada da sua mulher Anna Demidova, do cozinheiro da família Ivan Kharitonov e do criado Alexei Trupp.

Nicolau foi o primeiro a morrer. Foi baleado múltiplas vezes na cabeça e no peito por Yurovsky. As últimas a morrer foram Anastásia, Tatiana, Olga e Maria, que foram golpeadas por baionetas. Elas usavam sob a roupa mais de 1,3 quilos de diamantes, o que lhes proporcionou uma proteção inicial às balas e baionetas.

Em Janeiro de 1998, foram encontrados os restos mortais escavados sob uma estrada de terra perto de Ecaterimburgo, em 1991 foram identificados como sendo de Nicolau II e sua família (excluindo uma das filhas e Alexei). As identificações feitas separadamente por cientistas russos, britânicos e americanos usando análises de DNA, concordaram e revelaram serem conclusivas. Em Abril de 2008, autoridades russas anunciaram que tinham encontrado dois esqueletos perdidos dos Romanovs perto de Ecaterimburgo e foi confirmado por testes de DNA que eles pertenciam a Alexei e a uma das suas irmãs. A 1 de Outubro de 2008, a Suprema Corte Russa determinou que o czar Nicolau II e sua família foram vítimas de repressão política e deveriam ser reabilitados.

Em 1981, a família foi canonizada pela Igreja Ortodoxa Russa no Exterior como Neomártires.
Em 2000, a Igreja Ortodoxa Russa, dentro da Rússia canonizou a família como Portadores da Paixão. De acordo com a declaração do sínodo de Moscovo, eles foram glorificados como santos pelas seguintes razões:

“ No último monarca Ortodoxo e membros da sua família, vemos pessoas que sinceramente aspiraram encarnar nas suas vidas, os comandos do Evangelho. No sofrimento suportado pela Família Real na prisão, com humildade, paciência e submissão, e nas suas mortes martirizadas em Ecaterimburgo na noite de 4/17 de Julho de 1918, foi revelada a luz da fé de Cristo, que vence o mal. “

Mesmo assim, a canonização de Nicolau foi controversa. A Igreja Ortodoxa Russa no Exterior ficou dividida sobre a questão em 1981, e alguns membros sugeriram que ele era um governante fraco que falhou em impedir a ascensão dos bolcheviques. Um padre salientou que o seu martírio na Igreja Ortodoxa Russa não teve nada relacionado com as suas ações pessoais, mas sim pelo motivo que foi morto.

A igreja dentro da Rússia rejeitou a classificação da família como neomártires por não terem morrido por causa da sua fé. Os líderes religiosos nas duas igrejas também tinham objecções quanto à canonização da família do czar pois a sua incompetência levou a uma revolução e ao sofrimento do seu povo, além de ter sido em parte o motivo do seu assassinato e do da sua família e pessoas que os acompanharam. Para os seus oponentes, o facto de que Nicolau era um homem gentil, bom marido ou um líder que mostrava genuína preocupação com o povo não o redimia da forma como governou enquanto esteve à frente da Rússia.

A 30 de Setembro de 2008, a Suprema Corte da Rússia reabilitou a família real russa e o czar Nicolau II, 90 anos após a sua morte. A Suprema Corte russa declarou que a sua execução foi ilegal e que a família real russa foi vítima de um crime.

Encontra-se sepultado na Catedral de Pedro e Paulo em São Petersburgo na Rússia.
Leonor Especial


 
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Beladona
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Local: Algarve
Mensagem Enviada: Qua Jul 24, 2019 20:59     Assunto : Responder com Citação
 
A sua coroação abriu as portas à emancipação das mulheres no Irão. Farah Diba Pahlavi, a última imperatriz do Irão, conta a história tumultuosa da sua vida. Uma história de glamour, tragédia e exílio.

Farah Diba Palhavi, A Última Imperatriz, terça-feira às 23:01 em estreia na RTP2

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