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Data: Sáb Dez 07, 2019 11:52
Índice do Fórum : História & Monarquia
Batalhas da nossa História
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Beladona
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Mensagem Enviada: Qua Set 25, 2019 23:04     Assunto : Responder com Citação
 
A Batalha de Alvalade esteve prestes a travar-se entre as tropas de D. Dinis e as de D. Afonso IV em 1323, mas a luta entre pai e filho foi impedida pela intervenção da Rainha Santa Isabel.

In diversas fontes da net.


O rei contava mais de sessenta anos e os cuidados do governo, a par dos desgostos causados pelo seu herdeiro, tinham-lhe abalado profundamente a saúde. Muito doente em Leiria, D. Dinis recebeu aí a visita de dois dos seus filhos, o príncipe herdeiro D. Afonso e D. Afonso Sanches, o único bastardo (legitimado) do rei que até então fizera causa comum com D. Afonso.


Pouco tempo depois dessa visita, sentindo-se pior, D. Dinis regressou a Lisboa, recolhendo-se ao leito. O seu estado aparentava tal gravidade que a rainha, companheira de todos os instantes da sua doença receou o pior. O próprio doente julgou chegados ao termo os seus trabalhos, pelo que em Junho de 1322 quis fazer novo testamento, instituindo como principais testamenteiros em primeiro lugar, a rainha D. Isabel e em segundo lugar, o bastardo D. Afonso Sanches; mas a morte ainda dessa vez o poupou.


Nos princípios de 1323 as melhoras do seu estado acentuaram-se, o que lhe permitiu providenciar para que fossem presos e submetidos a julgamento todos os autores de roubos, crimes de estupro e assassínios praticados durante as guerras civis. Era a ralé indigna que D. Afonso trouxera ao seu serviço e que a justiça real varria definitivamente do reino.


Nesse mesmo ano chegou de Castela um pedido de auxílio a favor de D. Afonso XI de Castela, neto da hábil regente D. Maria de Molina, viúva de D. Sancho IV de Castela, morta em Junho de 1322. D. Filipe, filho da mesma rainha, recorrera às armas ameaçando Badajoz.


D. Dinis deu satisfação ao pedido, entregando o comando da expedição ao príncipe herdeiro e enviando-lhe de Lisboa importantes forças. D. Afonso, que se encontrava em Viseu, reforçou a hoste real com todos os combatentes que pôde recrutar nos seus domínios e mandou convite a D. Filipe para que levantasse o cerco de Badajoz, ao que o infante castelhano não acedeu. Então sem mais perdas de tempo, o orgulhoso e impetuoso D. Afonso marchou para a fronteira, e D. Filipe a fim de evitar o combate, abandonou Badajoz e retirou-se para Sevilha.


O temor demonstrado por D. Filipe em confrontar as hostes de D. Afonso reacendeu no príncipe português as ambições mal extintas. E como os seus partidários, sedentos de guerra e de rapinas, não deixavam de o excitar, pôs-se a caminho de Santarém onde então se encontrava D. Dinis, disposto a exigir novos benefícios. El-rei não concordou com os desejos do filho, e este furioso ao encontrar junto de seu pai o odiado bastardo D. Afonso Sanches, reclamou a convocação de Cortes, a que assistiria e com as quais contava para lhe aumentarem a dotação.


D. Dinis aceitou o recurso proposto pelo seu filho e deu ordens para que os três estados - Clero, Nobreza e Povo - se reunissem em Lisboa no mês de Outubro desse ano de 1323. No entanto, essa convocação das Cortes de Lisboa que deveria pronunciar-se sobre as exigências do príncipe herdeiro, teria como objecto assuntos de justiça, bem mais importantes para o monarca, o que decerto havia contribuído para a sua pronta aquiescência.


Só depois vieram à discussão os interesses pessoais do príncipe D. Afonso. Tal era o conhecimento das razões alegadas, que o filho de D. Dinis não teve coragem para ir defendê-las. Expostas pelo rei as circunstâncias em que eram formuladas as exigências do príncipe, as cortes recusaram deferi-las, e os representantes nacionais, num gesto de patriotismo, puseram à disposição de el-rei tudo quanto fosse necessário, incluindo vidas e haveres, para castigo dos que ousassem perturbar a ordem geral. Logo que soube do que se passava, D. Afonso partiu de Lisboa para Santarém, onde convocou todos os elementos que lhe eram afectos para marchar sobre a capital e assenhorear-se do trono.


Depois de numa última tentativa ter enviado emissários ao filho, a fim de impedir uma renovação de hostilidades, o monarca viu-se forçado a recorrer às armas. Auxiliado pelos filhos bastardos D. Afonso Sanches e D. João Afonso, reuniu as suas hostes e foi tomar posições no campo de Alvalade hoje um bairro de Lisboa.


D. Afonso alojou-se no Paço do Lumiar. El-rei quis ainda apelar para uma conciliação, mas o seu emissário, D. Álvaro de Azevedo, foi mal recebido pelo príncipe. Perante a atitude corajosa do fidalgo, avançou sobre ele de espada em punho. No entanto, graças à intervenção de outros fidalgos a cena não teve consequências.


Sem mais demoras as hostes do príncipe puseram-se a caminho e, ao aproximarem-se das tropas reais, logo se travou luta por uma troca de setas e dardos.


As lanças da cavalaria e os montantes rijamente empunhados, esperavam apenas o sinal para entrarem em acção.


Uma interpretação romanceada do evento relata que de súbito, como que movidos por uma força invencível, lanças, montantes e pendões abateram-se, de um e de outro lado, e toda a peonagem ajoelhou no terreno. Acontecera que, montada na sua pequena mula, surgira entre as duas facções prestes a digladiarem-se a figura veneranda e majestosa da rainha D. Isabel. Ninguém se atreveu a avançar, ninguém pensou sequer em embargar o passo da rainha. Todos se sentiam profundamente emocionados, e de muitos olhos corriam lágrimas.


Mãe dolorosa, esposa desolada, ídolo de plebeus e de nobres, a sua passagem erguia uma barreira luminosa entre as duas hostes. A Rainha Santa Isabel, tão querida de todos, acudira a tempo ao esposo amargurado e ao filho ambicioso, levando consigo a sua dor e a sua bondade e a batalha não chegou a acontecer.
Leonor Especial

 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Qui Set 26, 2019 19:31     Assunto : Responder com Citação
 
A Batalha do Salado foi travada a 30 de Outubro de 1340 entre Cristãos e Mouros, junto da ribeira do Salado, na província de Cádis (sul de Espanha).

In diversas fontes da net.


Abul-Hassan, rei de Fez e de Marrocos, aliado com o emir de Granada, decidira reapossar-se a todo o custo dos domínios cristãos, e as forças muçulmanas já tinham entrado em acção contra Castela. A frota do prior de S. João do Hospital, almirante castelhano que tentara opor-se ao desembarque dos mouros, foi completamente destroçada por uma tempestade, e esse desastre obrigou D. Afonso XI de Castela a humilhar-se, mandando pedir à esposa - a quem tanto desrespeitara com os seus escandalosos casos amorosos com D. Leonor de Gusmão - que interviesse junto de seu pai, o rei português D. Afonso IV de Portugal, para que este enviasse uma esquadra de socorro.


Estava D. Maria recolhida num convento em Sevilha e, apesar dos agravos que sofrera, acedeu ao pedido. Todavia D. Afonso IV, no intuito de humilhar ainda mais o genro, respondeu ao apelo dizendo verbalmente ao enviado da filha, que se o rei de Castela precisava de socorro o pedisse directamente. Vergando o seu orgulho ao peso das circunstâncias D. Afonso XI de Castela repetiu pessoalmente - por carta - o pedido feito, e o soberano português enviou-lhe imediatamente uma frota comandada pelo almirante genovês Manuel Pessanha (ou Pezagno) e por seu filho Carlos. Mas era cada vez mais desesperada a situação de D. Afonso XI, a quem o papa censurava asperamente.


Além da frota portuguesa, Castela recebeu um reforço de doze galés cedidas pelo rei de Aragão, mas tudo isto nada era em comparação com o número incontável dos contingentes mouros. O rei de Granada, Yusef-Abul-Hagiag, tomou em Setembro de 1340 o comando das tropas, às quais pouco depois se juntou em Algeciras, um formidável exército sob as ordens de Abul-Hassan. A ameaça muçulmana era apavorante. Os mouros, embora repelidos nas primeiras tentativas de ataque a Tarifa, não deixavam prever a possibilidade de vantagens futuras para as hostes cristãs.


Reconhecendo quanto lhe seria útil a ajuda efectiva do rei de Portugal, D. Afonso XI de novo rogou a intervenção de D. Maria. Esta acedeu uma vez mais e foi-se encontrar com D. Afonso IV em Évora. O soberano português atendeu as súplicas da filha, e logo esta foi dar a boa notícia a seu marido que ansioso a fora esperar a Juromenha.


D. Afonso IV reuniu então em Elvas com D. Martim Peres de Soveral, o maior número possível de cavaleiros e peões, e à frente do exército, que ia aumentando durante o caminho com os contingentes formados em vários pontos dirigiu-se a Castela, onde por ordens do genro foi recebido com todas as honras. Em Sevilha, o próprio D. Afonso XI acolheu festivamente o rei de Portugal e sua filha, a rainha D. Maria. Ali se desfizeram pelo menos temporariamente, os ressentimentos de passadas discórdias.


Assente entre os dois monarcas o plano estratégico, não se demoraram em sair de Sevilha a caminho de Tarifa tendo chegado oito dias depois a Pena del Ciervo onde se avistava o extensíssimo arraial muçulmano. A 29 de Outubro, reunido o conselho de guerra foi decidido que D. Afonso XI de Castela combateria o rei de Marrocos, e D. Afonso IV de Portugal enfrentaria o de Granada. D. Afonso XI designou D. João Manuel para a vanguarda das hostes castelhanas onde iam também D. João Nunes de Lara e o novo mestre de Sant'Iago, irmão de D. Leonor de Gusmão. Com D. Afonso IV viam-se o arcebispo de Braga Gonçalo Pereira, o prior do Crato, o mestre da Ordem de Avis e muitos denotados cavaleiros.


No campo dos cristãos e dos muçulmanos tudo se dispunha para a batalha, que devia travar-se ao amanhecer do dia seguinte. A cavalaria castelhana, atravessando o Salado, iniciou a peleja. Logo saiu, a fazer-lhe frente o escol da cavalaria muçulmana, não conseguindo deter o ataque. Quase em seguida avançou D. Afonso XI com o grosso das suas tropas, defrontando então as inumeráveis forças dos mouros. Estava travada, naquele sector, a ferocíssima luta. O rei de Castela, cuja bravura não comportava hesitações, acudia aos pontos onde o perigo era maior, carregando furiosamente sobre os bandos árabes até os pôr em debandada.


Nessa altura a guarnição da praça de Tarifa, numa surtida inesperada para os mouros, caía sobre a retaguarda destes, assaltando o arraial de Abul-Hassan e espalhando a confusão entre os invasores. No sector onde combatiam as forças portuguesas, as dificuldades eram ainda maiores, pois os mouros de Granada mais disciplinados, combatiam pela sua cidade, sob o comando de Yusef-Abul-Hagiag, que via em risco o seu reino. Mas D. Afonso IV, à frente dos seus intrépidos cavaleiros, conseguiu romper a formidável barreira inimiga e espalhar a desordem, precursora do pânico e da derrota entre os mouros granadinos. E não tardou muito que, numa fuga desordenada, africanos e granadinos abandonassem a batalha, largando tudo para salvar a vida. O campo estava juncado de corpos de mouros vítimas da espantosa mortandade.


O arraial enorme dos reis de Fez e de Granada, com todos os seus despojos valiosíssimos em armas e bagagens, caiu finalmente em poder dos cristãos que ali encontraram ouro e prata em abundância, constituindo tesouros de valor incalculável. Ao fazer-se a partilha destes despojos, assim como dos prisioneiros, quis D. Afonso XI agradecer ao sogro, pedindo-lhe que escolhesse quanto lhe agradasse, tanto em quantidade como em qualidade.


D. Afonso IV porém num dos raros gestos de desinteresse que praticou em toda a sua vida, só depois de muito instado pelo genro escolheu como recordação, uma cimitarra cravejada de pedras preciosas e, entre os prisioneiros, um sobrinho do rei Abul-Hassan. A 1 de Novembro ao princípio da tarde, os exércitos vencedores abandonaram finalmente o campo de batalha, dirigindo-se para Sevilha onde o rei de Portugal pouco tempo se demorou, regressando logo ao seu país.


Pode imaginar-se sem custo a impressão desmoralizadora que a vitória dos cristãos na Batalha do Salado causou em todo o mundo muçulmano, e o entusiasmo que se espalhou entre o cristianismo europeu. Era ao cabo de seis séculos, uma renovação da vitória de Carlos Martel em Poitiers.


D. Afonso XI para exteriorizar o seu regozijo, apressou-se a enviar ao Papa Bento XII uma pomposa embaixada portadora de valiosíssimos presentes, constituídos por uma parte das riquezas tomadas aos mouros, vinte e quatro prisioneiros portadores de bandeiras que tinham caído em poder dos vencedores, muitos cavalos árabes ricamente ajaezados e com magníficas espadas e adagas pendentes dos arções, e ainda o soberbo corcel em que o rei castelhano pelejara.


Quanto ao auxílio prestado por Portugal, que sem dúvida fora bastante importante para decidir a vitória dos exércitos cristãos, deixou-o o Papa Bento XII excluído dos louvores que em resposta, endereçou a D. Afonso XI em consequência da opulenta «lembrança» enviada pelo rei de Castela. D. Afonso IV, que durante o seu reinado praticou as maiores crueldades, ficaria na História com o cognome de «o Bravo», em consequência da sua acção na Batalha do Salado.
Leonor Especial


 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Sex Set 27, 2019 20:30     Assunto : Responder com Citação
 
A Batalha dos Atoleiros

In diversas fontes da net.

A Batalha dos Atoleiros ocorreu a 6 de Abril de 1384, no actual município de Fronteira, distrito de Portalegre e a cerca de 60 Km da fronteira com Castela, entre as forças portuguesas comandadas por D. Nuno Álvares Pereira, e uma expedição punitiva castelhana, enviada por D. João I de Castela, junto da povoação do mesmo nome no Alentejo.


D. Nuno Álvares Pereira, chefe militar português que tinha sob o seu comando uma força de 1.500 homens de pé, dos quais 100 besteiros e 300 lanças (cavalaria ligeira e pesada). As forças castelhanas invasoras contavam com um efectivo com 5.000 homens.


Por esta altura, D. Nuno Álvares Pereira fora nomeado pelo Mestre de Avis como fronteiro do Alentejo, temendo este a entrada em Portugal do exército castelhano por aquela zona. Partindo de Lisboa, D. Nuno Álvares Pereira aumentou o número dos seus homens pelo caminho e aproximou-se do exército inimigo, que intentava cercar Fronteira. Mais numerosos e conscientes que D. Nuno Álvares Pereira os iria interceptar, os castelhanos enviaram um emissário ao chefe do exército português, tentando dissuadi-lo.


Perante a recusa dos portugueses, o exército castelhano foi ao seu encontro. O exército português já os aguardava, formando um quadrado (retângulo, mais precisamente) com a maioria das lanças na vanguarda, nas alas e retaguarda estavam os peões misturados com algumas lanças. Os castelhanos atacaram com a cavalaria, que foi contida pelas lanças e por virotões, o que gerou grande desordem. A batalha durou pouco, tendo sofrido o exército castelhano pesadas baixas.


As tropas castelhanas, que depois de desorganizadas foram tomadas pelo pânico, começaram a fugir em todas as direcções, sendo perseguidas por todo o resto do dia pelas forças de D. Nuno Álvares Pereira, que lhes deu caça até à distância de cerca de sete quilómetros do local da batalha.


A batalha dos Atoleiros constituiu na Península Ibérica a primeira e efectiva utilização das novas técnicas de defesa de forças de infantaria em inferioridade numérica perante uma cavalaria pesada muito superior. A mais conhecida destas será a técnica de «pé terra»» ou «pé em terra», pela primeira vez usada em Portugal: consistia em peões armados com lanças a esperar a carga da cavalaria inimiga, adoptando uma táctica defensiva.


Uma das mais curiosas notas da batalha é que, embora as forças de Castela tenham sofrido perdas muito elevadas, principalmente com muitos mortos entre a cavalaria pesada (que era a força castelhana mais importante), do lado português não ocorreu uma única morte, julgam alguns nem se registaram feridos - algo pouco provável, pois o ataque castelhano consistiu primeiro em atacar a cavalo e, como tal não surtiu efeito, nova investida foi feita a pé havendo então combate corpo a corpo.


Este facto só por si foi importante pois, para a realidade da Idade Média, um ambiente extremamente condicionado pela religião, a inexistência de mortos ou feridos foi vista como uma prova de que o lado português tinha o apoio de Deus.
Leonor Especial


 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Sáb Set 28, 2019 21:57     Assunto : Responder com Citação
 
A Batalha de Trancoso ocorreu provavelmente no dia 29 de Maio de 1385, entre as forças portuguesas e castelhanas.

In diversas fontes da net.


No contexto da crise de 1383-1385 no final da Primavera de 1385, ao mesmo tempo em que D. João I de Castela invadia o país pelo Sul, pela fronteira de Elvas, forças castelhanas invadiam a Beira por Almeida, passavam por Trancoso, cujos arrabaldes saquearam até atingir Viseu, cidade aberta, também na ocasião saqueada e incendiada.


Ao regressarem da incursão com o esbulho, saiu-lhes ao encontro o Alcaide do Castelo de Trancoso, D. Gonçalo Vasques Coutinho, com as forças do Alcaide do Castelo de Linhares D. Martim Vasques da Cunha e as do Alcaide do Castelo de Celorico D. João Fernandes Pacheco. Estando os dois primeiros fidalgos desavindos na altura, o terceiro promoveu a reconciliação de ambos e assim concertados, com os respectivos homens de armas e as forças que conseguiram arregimentar, fizeram os arranjos para o combate.


De acordo com estudos que levaram a fixar o feriado municipal a 29 de Maio, ocorreu o encontro entre as forças de Castela e as de Portugal no alto da Capela de São Marcos em Trancoso. A sorte das armas sorriu para os nacionais, que desse modo recuperaram as posses alcançando a liberdade dos cativos.


No mês seguinte, uma nova invasão de tropas castelhanas, sob o comando de D. João I de Castela em pessoa, voltou a cruzar a fronteira por Almeida e, de passagem pelo alto de São Marcos, incendiaram-lhe a Capela em represália. Passando por Celorico, a caminho de Lisboa, essas tropas foram derrotadas na batalha de Aljubarrota.


Reza a lenda local, registada pela historiografia seiscentista, que o próprio São Marcos apareceu por milagre como um cavaleiro na batalha, incitando os combatentes portugueses. Como testemunho do feito, teria ficado gravada na rocha, uma das ferraduras de sua montaria.
Leonor Especial


 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Dom Set 29, 2019 19:56     Assunto : Responder com Citação
 
A Batalha de Aljubarrota decorreu no final da tarde de 14 de Agosto de 1385 entre tropas portuguesas com aliados ingleses, comandadas por D. João I de Portugal e o seu condestável D. Nuno Álvares Pereira, e o exército castelhano e seus aliados liderados por D. João I de Castela. A batalha deu-se no campo de São Jorge, pertencente à freguesia de Calvaria de Cima, concelho de Porto de Mós, nas imediações da vila de Aljubarrota, entre o referido concelho e Alcobaça.


In diversas fontes da net.


O resultado foi uma derrota definitiva dos castelhanos, o fim da crise de 1383-1385 e a consolidação de D. João I, Mestre de Avis, como rei de Portugal, o primeiro da Dinastia de Avis. A aliança Luso-Britânica saiu reforçada desta batalha e seria selada um ano depois com a assinatura do Tratado de Windsor e o casamento do rei D. João I com D. Filipa de Lencastre. Como agradecimento pela vitória na Batalha de Aljubarrota, D. João I mandou edificar o Mosteiro da Batalha. A paz com Castela só viria a estabelecer-se em 1411 com o Tratado de Ayllón, ratificado em 1423.


A Batalha de Aljubarrota foi uma das raras grandes batalhas campais da Idade Média entre dois exércitos régios e um dos acontecimentos mais decisivos da história de Portugal. Inovou a tática militar, permitindo que homens de armas apeados fossem capazes de vencer uma poderosa cavalaria. No campo diplomático, permitiu a aliança entre Portugal e a Inglaterra, que perdura até hoje. No aspecto político, resolveu a disputa que dividia o Reino de Portugal do Reino de Castela e Leão, permitindo a afirmação de Portugal como Reino Independente, abrindo caminho sob a Dinastia de Avis para uma das épocas mais marcantes da história de Portugal, a era dos Descobrimentos.


Directamente associada à vitória dos portugueses nesta batalha, celebrizou-se a figura lendária da heroína Brites de Almeida, mais conhecida como "a Padeira de Aljubarrota", que com a sua pá terá morto sete castelhanos que encontrara escondidos no seu forno.


No fim do século XIV, a Europa encontrava-se a braços com uma época de crise e revolução. A Guerra dos Cem Anos devastava a França, epidemias de peste negra levavam vidas em todo o continente, a instabilidade política dominava e Portugal não era excepção.


Em 1383, El-rei D. Fernando morreu sem um filho varão que herdasse a coroa. A sua única filha legítima era a infanta D. Beatriz, casada com o rei D. João I de Castela. A burguesia mostrava-se insatisfeita com a regência da Rainha D. Leonor Teles e do seu favorito o conde Andeiro e com a ordem da sucessão, uma vez que isso significaria anexação de Portugal por Castela. As pessoas alvoroçaram-se em Lisboa, o conde Andeiro foi morto e o povo pediu ao mestre de Avis, D. João, filho natural de D. Pedro I de Portugal, que ficasse por regedor e defensor do Reino.


O período de interregno que se seguiu ficou conhecido como crise de 1383-1385. Finalmente a 6 de Abril de 1385, D. João, mestre da Ordem de Avis, é aclamado rei pelas cortes reunidas em Coimbra, mas o rei de Castela não desistiu do direito à coroa de Portugal, que entendia advir-lhe do casamento.


Perante a revolta da população portuguesa em vários pontos e cidades do Reino de Portugal, o Rei de Castela, decide em 1384 entrar em Portugal. Entre Fevereiro e Outubro desse ano monta um cerco a Lisboa, por terra e por mar.


Uma frota portuguesa vinda do Porto enfrenta a 18 de Julho de 1384 à entrada de Lisboa, a frota castelhana, na batalha do Tejo. Os portugueses perdem três naus e sofrem vários prisioneiros e mortos; no entanto, a frota portuguesa consegue romper a frota castelhana, que era muito superior, e descarregar no porto de Lisboa os alimentos que trazia. Esta ajuda alimentar veio-se a revelar muito importante para a população que defendia Lisboa.


O cerco de Lisboa pelas tropas castelhanas acaba por não resultar, devido à determinação das forças portuguesas em resistir ao cerco, ao facto de Lisboa estar bem murada e defendida, à ajuda dos alimentos trazidos do Porto e devido à epidemia de peste negra que assolou as forças castelhanas acampadas no exterior das muralhas.


Em Junho de 1385, D. João I de Castela decide invadir novamente Portugal, desta vez à frente da totalidade do seu exército e auxiliado por um forte contingente de cavalaria francesa.


Quando as notícias da invasão chegaram, é reunido o conselho militar em Abrantes para decidir o que fazer. O rei decide invadir Castela pela zona de Sevilha para atrair o exército invasor. O condestável opõe-se e defende dar batalha para travar o passo ao inimigo; não se entendem e D. Nuno parte com a sua hoste para Tomar. O rei pensando melhor manda informar D. Nuno que estava de acordo com ele e encontram-se os dois em Tomar. Com os aliados ingleses, o exército português interceptou os invasores perto de Leiria. Dada a lentidão com que os castelhanos avançavam, D. Nuno Álvares Pereira teve tempo para escolher o terreno favorável para a batalha. A opção recaiu sobre uma pequena colina de topo plano rodeada por ribeiros, perto de Aljubarrota. Contudo o exército Português não se apresentou ao Castelhano nesse sítio, inicialmente formou as suas linhas noutra vertente da colina, tendo depois, já em presença das hostes castelhanas mudado para o sítio predefinido, isto provocou bastante confusão nas tropas de Castela.


Assim pelas dez horas da manhã do dia 14 de Agosto, o exército tomou a sua posição na vertente norte desta colina, de frente para a estrada por onde os castelhanos eram esperados. A disposição portuguesa era a seguinte: infantaria no centro da linha, uma vanguarda de besteiros com os 200 archeiros ingleses, 2 alas nos flancos, com mais besteiros, cavalaria e infantaria. Na retaguarda, aguardavam os reforços e a cavalaria comandados por D. João I de Portugal em pessoa. Desta posição altamente defensiva, os portugueses observaram a chegada do exército castelhano protegidos pela vertente da colina.


A vanguarda do exército de Castela chegou ao teatro da batalha pela hora do almoço, sob o sol escaldante de Agosto. Ao ver a posição defensiva ocupada por aquilo que considerava os rebeldes, o rei de Castela tomou a esperada decisão de evitar o combate nestes termos. Lentamente, devido aos 30 000 soldados que constituíam o seu efetivo, o exército castelhano começou a contornar a colina pela estrada a nascente. A vertente sul da colina tinha um desnível mais suave e era por aí que, como D. Nuno Álvares Pereira previra, pretendiam atacar.


O exército português inverteu então a sua disposição e dirigiu-se à vertente sul da colina, onde o terreno tinha sido preparado previamente. Uma vez que era muito menos numeroso e tinha um percurso mais pequeno pela frente, o contingente português atingiu a sua posição final muito antes do exército castelhano se ter posicionado. D. Nuno Álvares Pereira tinha ordenado a construção de um conjunto de paliçadas e outras defesas em frente à linha de infantaria, protegendo esta e os arqueiros. Este tipo de tática defensiva, muito típica das legiões romanas, ressurgia na Europa nessa altura.


Pelas seis da tarde, os castelhanos ainda não completamente instalados decidem, precipitadamente, ou temendo ter de combater de noite, começar o ataque.


É discutível se de facto houve a tão famosa tática do "quadrado" ou se simplesmente esta é uma visão imaginativa de Fernão Lopes de umas alas reforçadas. No entanto tradicionalmente foi assim que a Batalha acabou por seguir para a história.


O ataque começou com uma carga da cavalaria francesa: a toda a brida e em força, de forma a romper a linha de infantaria adversária. Contudo as linhas defensivas portuguesas repeliram o ataque. A pequena largura do campo de batalha, que dificultava a manobra da cavalaria, as paliçadas (feitas com troncos erguidos na vertical separados entre si apenas pela distância necessária à passagem de um homem, o que não permitia a passagem de cavalos) e a chuva de virotes lançada pelos besteiros (auxiliados por 2 centenas de arqueiros ingleses comandados por Sir Leon Baade) fizeram com que, muito antes de entrar em contacto com a infantaria portuguesa, já a cavalaria se encontrava desorganizada e confusa. As baixas da cavalaria foram pesadas e o efeito do ataque nulo.


Ainda não perfilada no terreno, a retaguarda castelhana demorou a prestar auxílio e, em consequência, os cavaleiros que não morreram foram feitos prisioneiros pelos portugueses.


Depois deste revés, a restante e mais substancial parte do exército castelhano atacou. A sua linha era bastante extensa pelo elevado número de soldados. Ao avançar em direção aos portugueses, os castelhanos foram forçados a apertar-se (o que desorganizou as suas fileiras) de modo a caber no espaço situado entre os ribeiros. Enquanto os castelhanos se desorganizavam, os portugueses redispuseram as suas forças, dividindo a vanguarda de D. Nuno Álvares em dois setores, de modo a enfrentar a nova ameaça. Vendo que o pior ainda estava para chegar, D. João I de Portugal ordenou a retirada dos besteiros e archeiros ingleses e o avanço da retaguarda através do espaço aberto na linha da frente.


Desorganizados, sem espaço de manobra e finalmente esmagados entre os flancos portugueses e a retaguarda avançada, os castelhanos pouco puderam fazer senão morrer. Ao pôr-do-sol a batalha estava já perdida para Castela. Precipitadamente, D. João de Castela ordenou a retirada geral sem organizar a cobertura. Os castelhanos debandaram então desordenadamente do campo de batalha. A cavalaria Portuguesa lançou-se em perseguição dos fugitivos, dizimando-os sem piedade.


Alguns fugitivos procuraram esconder-se nas redondezas, apenas para acabarem mortos às mãos do povo.


Surge aqui uma tradição portuguesa em torno da batalha: uma mulher, de seu nome Brites de Almeida, recordada como a Padeira de Aljubarrota, iludiu, emboscou e matou pelas próprias mãos alguns castelhanos em fuga. A história é por certo uma lenda da altura. De qualquer forma, pouco depois D. Nuno Álvares Pereira ordenou a suspensão da perseguição e deu trégua às tropas fugitivas.


Na manhã de 15 de Agosto, a catástrofe sofrida pelos castelhanos ficou bem à vista: os cadáveres eram tantos que chegaram para barrar o curso dos ribeiros que flanqueavam a colina. Para além de soldados de infantaria, morreram também muitos nobres fidalgos castelhanos, o que causou luto em Castela até 1387.


A cavalaria francesa sofreu em Aljubarrota outra pesada derrota contra as táticas de infantaria, depois de Crécy e Poitiers. A batalha de Azincourt, já no século XV, mostra que Aljubarrota não foi a última vez em que isso aconteceu.


Com esta vitória, D. João I tornou-se no rei incontestado de Portugal, o primeiro da Dinastia de Avis.


Para celebrar a vitória e agradecer o auxílio divino que acreditava ter recebido, D. João I mandou construir o Mosteiro de Santa Maria da Vitória e fundar a vila da Batalha. Assim como, passados sete anos da batalha, o nosso condestável D. Nuno Álvares Pereira mandou construir a Ermida de São Jorge em Calvaria de Cima, onde precisamente está o campo militar de São Jorge onde ele tinha depositado o seu estandarte nesse dia. Hoje nesse mesmo último local, há também um moderno centro de interpretação que explica o desenrolar dos acontecimentos, os seus antecedentes e as suas consequências.
Leonor Especial


 
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Mensagem Enviada: Seg Set 30, 2019 20:33     Assunto : Responder com Citação
 
A Batalha de Valverde...

Pouco tempo depois da vitória portuguesa de Aljubarrota, Nuno Álvares Pereira entrou, por Badajoz, no território castelhano. De Estremoz passara a Vila Viçosa e daqui a Olivença. Depois seguira em direcção a Mérida, para poder enfrentar as forças adversárias. Estas vieram pôr-lhe cerco em Valverde de Mérida, junto ao rio Guadiana.


in diversas fontes da net.


A iniciativa de entrar em território castelhano partiu do condestável, sem conhecimento do rei. Havia conhecimento de que um exército inimigo estava junto da fronteiro e D. Nuno decidiu ir ao encontro dele.


Estava-se em 14 de Outubro de 1385. Atravessado o Guadiana, as tropas portuguesas viram-se atacadas. O Condestável — segundo a crónica de Fernão Lopes — ajoelhou-se a orar durante a batalha, quando as suas tropas estavam sofrendo pesadas baixas. A ardente fé de Nuno Álvares Pereira contagiava os seus homens de armas. E a vitória surgiu.


Do lado português, a vanguarda era comandada pelo Condestável, a retaguarda estava sob o comando de Álvaro Gonçalves Camelo, as alas estavam sob a chefia de Martim Afonso de Melo e de Gonçalo Anes de Castelo de Vide. Do lado castelhano, estavam os Mestres de Santiago e de Calatrava e o conde de Niebla. Um português, Martim Anes de Barbuda, estava do lado dos castelhanos e era o Mestre de Alcântara.


Durante a batalha o condestável retira-se para orar. O seu escudeiro vai ao encontro dele, chamando-o para a batalha. Depois de terminar a oração D. Nuno, percebendo que os castelhanos tinham usado todos os projécteis, decide atacar o Mestre de Santiago que acaba por morrer e o seu estandarte derrubado. Com isto os castelhanos põem-se em fuga.


A estratégia militar do Condestável, a sua fé e ânimo que soube incutir à sua hoste, permitiram-lhe alcançar esta vitória que, ainda segundo o cronista Fernão Lopes, foi conseguida sobre um exército mais numeroso do que aquele que fora derrotado em Aljubarrota.


Na mesnada portuguesa também se salientou o português Gil Fernandes de Elvas.
Leonor Especial

 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Ter Out 01, 2019 20:08     Assunto : Responder com Citação
 
A Conquista de Ceuta, cidade islâmica no Norte de África, por tropas portuguesas sob o comando de João I de Portugal, deu-se a 21 de Agosto de 1415.

in diversas fontes da net.


As causas e origens da conquista de Ceuta não são hoje suficientemente claras: uma das razões, a Causa Bélica, teria sido a oportunidade dos infantes (D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique) serem armados cavaleiros por um feito de guerra. Outra, a Causa Religiosa, defendida por historiadores como Joaquim Bensaúde (1859-1951), viram na figura do infante D. Henrique um símbolo do espírito de cruzada, defendendo ter havido na génese da expansão um zelo religioso; Outra A Conquista de Ceuta, cidade islâmica no Norte de África, por tropas portuguesas sob o comando de João I de Portugal, deu-se a 21 de Agosto de 1415.


, a Causa Política, talvez a ameaça castelhana constante sobre a cidade, defendida por historiadores como Jaime Cortesão (1884-1960), que realçava o desejo da antecipação a Castela na expansão para o norte de África. Estes motivos não são incompatíveis com a Causa Económica, defendida por António Sérgio (1883-1969) e, mais recentemente, Vitorino Magalhães Godinho (1918-2011): Ceuta era uma cidade rica e teriam sido levados pela burguesia comercial, que queria canalizar para Lisboa o tráfego do Mediterrâneo ocidental feito por aquela cidade. Para se informar de todos os pormenores da cidade, D. João I enviou à Sicília dois embaixadores com o pretexto de pedirem a mão da rainha para o infante D. Pedro; estes na passagem colheram todas as informações sobre Ceuta.


Estas são consideradas as principais razões da conquista de Ceuta:


Geoeconómicas: a posição geográfica de Ceuta permitiria controlar a entrada e saída dos navios vindos do Atlântico para o Mediterrâneo e vice-versa através do estreito de Gibraltar, de modo que a costa do Algarve parasse de ser atacada por piratas oriundos ou baseados na cidade muçulmana.


Religiosas: havia um desejo de expansão da fé cristã através do incremento de territórios onde o cristianismo poderia ser implantado.


Sociais: as classes mais abastadas tinham vários interesses nesta conquista. A nobreza buscava novas terras, honras e rendas; o clero desejava expandir a fé cristã; e a burguesia estava à procura de novos produtos e mercados.


Económicas: Portugal sofria com a falta de diversos produtos como trigo, ouro, prata, e especiarias. A conquista de Ceuta significaria para o reino lusitano o controle sobre uma cidade em que afluiam os produtos orientais vindos da Índia pelas rotas caravaneiras que traziam ouro, especiarias, etc. Ressalte-se ainda que a cidade era uma zona fértil, apropriada para a produção de cereais.


Políticas: o reino português procurava aumentar sua importância no quadro das monarquias ibéricas através do estabelecimento de Ceuta como o ponto mais oriental da reconquista cristã a ser feita por Portugal no norte da África.


Um exército de cerca de 19 000 a 20 000 cavaleiros e soldados portugueses, ingleses, galegos e biscainhos havia largado de Lisboa a 25 de Julho de 1415, embarcado em 212 navios de transporte e vasos de guerra (59 galés, 33 naus e 120 embarcações pequenas. Na expedição seguia a fina flor da aristocracia portuguesa do século XV, incluindo os príncipes Duarte (o herdeiro), Pedro, Duque de Coimbra e Henrique, Duque de Viseu, além do condestável Nuno Álvares Pereira.


Após uma escala em Lagos, fundearam diante de Ceuta a 21 de Agosto, tendo efectuado o desembarque sem encontrar resistência por parte dos Mouros.


A guarnição da cidade de Ceuta correu a fechar as portas da cidade, mas as tropas portuguesas foram rápidas a impedir o estabelecimento de defesas adequadas.


Na manhã de 22 de Agosto, Ceuta estava em mãos portuguesas. Segundo Azurara, nessa altura, foi pedido a D. João Vasques de Almada que hasteasse a bandeira de Ceuta, que é idêntica à bandeira de Lisboa mas na qual foi acrescentado o brasão de armas do Reino de Portugal ao centro, símbolo que perdura até hoje.


Depois a mesquita foi consagrada e, na primeira missa lá realizada, os três príncipes da Ínclita geração presentes foram feitos cavaleiros pelo seu pai.


Ceuta seria a primeira possessão portuguesa em África, estratégica para a exploração Atlântica que começava a ser efectuada.


A conquista foi recordada como:


"(...) Já passavam de sete horas e meia depois do meio dia, quando a cidade foi de todo livre dos mouros. (...) As outras Companhias [de soldados portugueses], não tinham maior cuidado doutra coisa que de apanharem o esbulho. (...) Muitos que se acercaram primeiramente naquelas lojas dos mercadores que estavam na rua direita, assim como entraram pelas portas sem nenhuma temperança nem resguardo, davam com suas facas nos sacos das especiarias, e esfarrapavam-nos todos, de forma que tudo lançavam pelo chão. E bem era para haver dor do estrago, que ali foi feito naquele dia. Que as especiarias eram muitas de grosso valor. E as ruas não menos jaziam cheias delas (...) as quais depois que foram calcadas pelos pés da multidão das gentes que por cima delas passavam, e de si com o fervor do sol que era grande, davam depois de si muy grande odor. (...)" (Crónica da Tomada de Ceuta, Gomes Eanes de Zurara, 1450.)


Deixando ficar o conde de Viana, D. Pedro de Meneses, o rei, os infantes e o resto da frota regressaram a Lisboa em Setembro, tendo permanecido durante treze dias em Ceuta.


Os marroquinos não se conformaram e atacaram a cidade duas vezes, em 1418 e em 1419, sem sucesso.


Manter a cidade constituía-se em um problema logístico: era necessário enviar suprimentos, armas e munições; a maior parte dos soldados era recrutada à força, recorrendo-se a condenados e criminosos a quem o rei comutava a pena desde que fossem para Ceuta e ainda recompensar generosamente os nobres que ocupavam postos de chefia. Julgaram consegui-lo, quando do desastre português de Tânger, pedindo como resgate do infante de D. Fernando a cidade de Ceuta. Mas D. Fernando faleceu no cativeiro e a cidade continuou portuguesa (1443).


Ceuta teve que se aguentar sozinha, durante 43 anos, até que a posição da cidade ser consolidada com a tomada de Alcácer Seguer (1458), Arzila e Tânger (1471).


A cidade foi reconhecida como possessão portuguesa pelo Tratado de Alcáçovas (1479) e pelo Tratado de Tordesilhas (1494).


Quando da Dinastia Filipina, Ceuta manteve a administração portuguesa do Reino de Portugal, assim como Tânger e Mazagão. Todavia, quando da Restauração Portuguesa, não aclamou o Duque de Bragança, como rei de Portugal, mantendo-se espanhola. A situação foi oficializada em 1668 com a assinatura do Tratado de Lisboa entre os dois países, e que pôs fim à guerra da Restauração.


As expectativas relacionadas aos benefícios da conquista de Ceuta não se confirmaram a longo prazo. Sob a óptica económica, pode-se afirmar que o domínio português sobre a cidade se revelou um completo fracasso. As rotas comerciais que chegavam ou passavam por Ceuta foram desviadas para outras localidades. Além disso, o permanente estado de guerra comprometia o cultivo dos campos e a produção de cereais. Os muçulmanos chegaram a sequestrar o Infante Dom Fernando (considerado santo a partir deste episódio) e outras pessoas, para exigir Ceuta de volta, mas Portugal não cedeu e os prisioneiros acabaram por ser torturados e morrer. A situação agravou-se em função das elevadas despesas militares necessárias à manutenção da praça africana. Os membros da corte chegaram a cogitar o abandono da cidade. O Infante D. Pedro, em carta ao seu irmão, afirmava mais tarde:


“Ceuta é um grande sorvedouro de gente de nossa terra, de armas e de dinheiro.”
Leonor Especial


 
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Mensagem Enviada: Qua Out 02, 2019 21:39     Assunto : Responder com Citação
 
A Batalha de Alfarrobeira foi o recontro travado entre o jovem rei D. Afonso V e o Infante D. Pedro seu tio em 20 de Maio de 1449, junto da ribeira do lugar de Alfarrobeira, perto de Alverca..

In diversas fontes da net.

No princípio do ano de 1448, aconselhado por seu tio bastardo D. Afonso, Duque de Bragança, pelo Conde de Ourém e pelo arcebispo de Lisboa, decidiu D. Afonso V afastar do governo do reino seu tio, que abandonou a corte a pretexto da administração das suas terras e se instalou na casa ducal de Coimbra.

A intriga surtiu efeito no espírito do monarca que não atendeu às tentativas de conciliação quer do próprio D. Pedro, que lhe escreveu renovando a sua obediência e defendendo-se das calúnias, quer do Infante D. Henrique e do conde de Avranches, que pretenderam evitar o drama.

O rei escreve no final deste ano ao duque de Bragança requisitando-o à corte mas acompanhado de escolta uma vez que teria de atravessar terras de Coimbra. D. Pedro, sabedor da vinda do seu inimigo, proíbe-lhe a passagem pelas suas terras e é considerado súbdito desleal ao rei. Logo se publicam éditos contra o Infante e os seus aliados e o rei investe, com as suas tropas na tentativa de submetê-los, instalando-se em Santarém; por sua vez D. Pedro desce de Coimbra em direcção a Lisboa e encontra as tropas reais no lugar de Alfarrobeira, arredores de Vila Franca de Xira.

Travada a batalha, as tropas do monarca saem vitoriosas e o Infante morre no combate e com ele vários fidalgos que o acompanhavam, nomeadamente o seu "braço direito", D. Álvaro Vaz de Almada, sob o grito "Meu corpo sinto que não podes mais, e tu, minh'alma já tarda; é fartar vilanagem".

Foi geral a reprovação europeia, perante a conduta de D. Afonso V, e D. Isabel de Portugal, Duquesa da Borgonha, recolhe na corte da Borgonha os sobrinhos órfãos D. Jaime, mais tarde arcebispo de Lisboa e cardeal, D. João, futuro príncipe de Antioquia e D. Beatriz, futura esposa de Adolfo de Clèves senhor de Ravenstein.

Em resumo, Alfarrobeira representa o triunfo da corrente senhorial sobre os princípios de centralização régia que já anunciam a Idade Moderna. Contudo, convém lembrar que este embate, em parte, foi um conflito entre as duas grandes casas senhoriais da altura, Coimbra e Bragança, numa querela originada nos inícios da Regência, logo após a morte do Rei D. Duarte.
Leonor Especial


 
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Mensagem Enviada: Qui Out 03, 2019 20:10     Assunto : Responder com Citação
 
A batalha de Toro deu-se a 1 de Março de 1476 durante a Guerra de Sucessão de Castela, entre tropas portuguesas e castelhanas joanistas de D. Afonso V, e castelhanas isabelinas de D. Fernando II, rei de Aragão, Leão e Castela.


In diversas fontes da net


O soberano português fora a campo defender os direitos de sua sobrinha, D. Joana, a Beltraneja, rainha consorte de Portugal. Na batalha distinguiram-se o príncipe D. João, que viria a reinar como D. João II de Portugal, D. Gonçalo Pires e D. Duarte de Almeida o alferes-mor do rei, a quem estava confiada a bandeira portuguesa.


A luta feriu-se entre as tropas isabelinas de Leão e Castela, reforçadas por quatro grandes divisões, e as tropas portuguesas, reforçadas pelas do conde de Monsanto, do duque de Guimarães, do conde de Vila Real e pelas tropas castelhanas joanistas do arcebispo de Toledo.


As tropas isabelinas estavam em desvantagem numérica, mas as tropas portuguesas mergulharam em desordem, abandonando o pavilhão real. Na luta que se seguiu pela sua posse, D. Duarte de Almeida num esforço denodado e cercado pelo inimigo, ergueu uma vez mais o pavilhão, defendendo-o com heroica bravura. Uma cutilada cortou-lhe a mão direita; indiferente à dor, o alferes-mor empunhou com a esquerda o estandarte; decepam-lhe essa mão também; desesperado, toma o estandarte nos dentes, e resiste até cair moribundo. Os isabelinos apoderaram-se então da bandeira, mas D. Gonçalo Pires, conseguiu recuperá-la. Este acto de heroicidade foi admirado até pelos próprios inimigos.


A última fase da batalha registou-se quando as forças de D. João se reorganizaram e voltaram a investir sobre as forças de D. Fernando de Aragão. O contra-ataque joanista desbaratou as forças isabelinas, assenhoreando-se do campo de batalha. Enquanto isso, os isabelinos recuaram para a protecção das muralhas de Zamora. Conforme era normal pelas regras da guerra da altura, permaneceu no campo de batalha desde o dia 2 até ao dia 5 de Março, como sinal inequívoco da vitória.


Na realidade, o resultado da batalha foi inconclusivo. Do ponto de vista estratégico, a batalha de Toro marcou o momento em que se tornou claro que Portugal não tinha forças e nem apoios suficientes para garantir os direitos da princesa D. Joana à coroa de Castela, assegurando a união das duas coroas sob a égide de um monarca português.


Digno de nota foi de facto a valentia e bravura demonstrada por D. Duarte de Almeida, acima descrita e digna de um herói, e que lhe custou ficar inutilizado de ambas as mãos para toda a vida, passando a ser conhecido por O Decepado.
Leonor Especial

 
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Mensagem Enviada: Dom Out 06, 2019 19:56     Assunto : Responder com Citação
 
A batalha naval da Guiné foi o choque naval entre a frota portuguesa e a frota castelhana no contexto da Guerra da Sucessão de Castela que teve lugar em 1478 perto de São Jorge da Mina (na costa atlântica da Guiné).

In diversas fontes da net

Os reis castelhanos tinham preparado duas frotas: uma para o comércio na costa guineense e uma outra que visava a conquista da Grande Canária. As duas frotas partiram juntas de Sanlúcar de Barrameda até às ilhas Afortunadas onde se separaram. A chegada de uma esquadra naval de Portugal provocou a fuga do contingente castelhano para as Canárias, que por isso não conseguiu estabelecer-se efectivamente na ilha. Os portugueses entretanto, não foram capazes de desembarcar na Gran Canaria pelo que decidiram voltar para Portugal. Durante o percurso conseguiram capturar vários navios carregados com provisões castelhanas, pelo que decidiram mudar o rumo em direcção à Guiné, onde era possível um desembarque castelhano.

A frota castelhana e outros navios mercantes chegaram a São Jorge da Mina sem qualquer problema ou resistência por parte dos portugueses, arrecadando grandes quantidades de ouro e objectos diversos. No entanto, a ganância excessiva do representante comercial da coroa espanhola fez ficar lá por vários meses a frota castelhana o que a levou ao encontro da frota portuguesa. Os espanhóis, enfraquecidos por doenças tropicais, foram atacados de surpresa, sendo derrotados e feitos prisioneiros em Lisboa.

Graças ao ouro conseguido com esta vitória, foi possível ao rei D. Afonso V relançar a guerra por terra contra Castela. Após o acordo de paz no ano seguinte, o resultado da batalha naval da Guiné foi provavelmente, decisivo para Portugal por ganhar uma favorável divisão do Atlântico e a hegemonia do mesmo.

No começo de 1478, os reis Católicos começaram a preparar no porto de Sanlúcar duas frotas: uma para comercializar e expulsar os portugueses de São Jorge da Mina e outra que visava a conquista da ilha da Grande Canária.

De acordo com o cronista castelhano Alfonso de Palencia a frota que tinha como alvo o controlo do Golfo da Guiné teria 11 navios e o das ilhas Canárias 25 navios. As duas armadas saíram juntas da Andaluzia para se protegerem mutuamente separando-se apenas quando chegaram às ilhas Afortunadas. Um outro cronista castelhano Fernando del Pulgar, afirmava que a frota com destino a São Jorge da Mina era formada por 35 navios, talvez Fernando del Pulgar tivesse confundido com o número da soma das duas frotas, pois ambas as frotas saíram do porto juntas; seria muito improvável o envio de tantos navios para tomar um alvo tão remoto e com resistência esporádica como as feitorias portuguesas da Guiné uma vez que essa resistência seria apenas de embarcações vindas de Portugal, que seriam enviadas sob a forma de armadas organizadas).

Os comandantes militares responsáveis pela conquista da Grande Canária eram Juan Rejón e Juan Bermúdez. O comandante da frota da frota da Guiné seria Juanoto Boscá (não há certezas quanto ao comandante da frota da Guiné). De modo a garantir os lucros para a coroa castelhana depois do presumível sucesso da frota, Isabel I de Castela decretou que os navios da coroa de Castela teriam prioridade na venda dos produtos vindos da Guiné em relação a outros navios mercantes.

O príncipe D. João (futuro D. João II de Portugal), ciente dos planos castelhanos, preparou e organizou uma frota rapidamente de modo a surpreender os seus inimigos castelhanos nas Canárias. No entanto o envio desta mesma frota para o Golfo da Guiné era impossível devido a falta de provisões. Rui de Pina diplomata português, nomeara Jorge Correa e Mem Palha os comandantes da frota, sendo esta responsabilidade repartida entre os dois.

As duas frotas castelhanas saíram juntas de Sanlúcar de Barrameda, provavelmente em Abril de 1478. Após terem feito uma paragem em Cádis, rumaram até à costa mauritana chegando à mesma a 4 de Maio, e de lá para a Grande Canária, onde atracou num porto seguro. A frota castelhana com destino a São Jorge da Mina continuou a viagem agregada, mas a com destino às Canárias devido a acção da frota portuguesa foi dispersada imediatamente após à chegada. Como uma parte da expedição castelhana às Canárias foi dedicada a captura de escravos eurzela, apenas 300 soldados castelhanos desembarcaram na Grande Canária. A quanto da chegada de uma embarcação enviada por Fernando II de Aragão com o aviso da eminência da chegada portuguesa, o grosso da frota castelhana com os restantes 1000 soldados (cerca) retirou-se para alto mar. Os portugueses aquando da chegada às Canárias com uma frota de 20 navios e 1600 soldados, acabariam por desembarcar em Porto de Sardina, na Grande Canária para em cooperação com a população autóctone, os Guanches, derrotarem os restantes soldados castelhanos que desembarcaram. No entanto, a 27 de Julho, a chegada de uma tempestade acabou por impedir o fácil desembarque dos soldados portugueses, facto que foi aproveitado pelos andaluzes (a maioria da frota castelhana era composta por andaluzes), que iniciaram uma intensa actividade defensiva que acabou por impedir a manobra portuguesa. Depois de cinco dias de tentativas, os portugueses acabaram por cessar as manobras e retiraram-se de novo para o oceano. No entanto, ao passarem pelas ilhas vizinhas a Grande Canária os portugueses acabaram por avistar forças castelhanas que se encontravam a procura de guanches para escravizar. Em pequeno número e bastante dispersos os soldados castelhanos (cerca de 200) acabaram por ser facilmente capturados e levados para Portugal em cinco embarcações. No entanto a captura destes soldados não foi o principal prémio. Com eles foram também capturadas várias embarcações (não é possível precisar o numero de embarcações mas pode supor-se que seriam carracas bem armadas visto terem permitido aos portugueses prosseguir para o golfo da Guiné)(Os dados estão muito mal corroborados) Os restantes soldados castelhanos acabariam por sobreviver na Grande Canária praticamente um ano até a chegada de uma nova frota.
Leonor Especial


 
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