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Índice do Fórum : História & Monarquia
Batalhas da nossa História
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Beladona
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Mensagem Enviada: Seg Out 07, 2019 22:54     Assunto : Responder com Citação
 
A Batalha de Cananor:

A Batalha de Cananor deu-se em 1506 ao largo do porto de Cananor na Índia, entre a frota indiana do Samorin e uma frota portuguesa liderada por D. Lourenço de Almeida, filho do vice-rei D. Francisco de Almeida.


In diversas fontes da net.

A frota indiana composta por cerca de 200 navios equipados com canhões fabricados com a ajuda de dois italianos de Milão, com uma tripulação formada por hindus, árabes e turcos - soldados do Império Otomano também participaram pelo lado indiano.

Cerco de Cananor:

O cerco de Cananor (1507) durou quatro meses, entre Abril e Agosto de 1507, quando as tropas locais (o Kōlattiri, Raja de Cananor), ajudado pelo Samorim de Calcutá e Árabes, sitiaram a guarnição portuguesa no Forte de Santo Ângelo de Cananor, no actual Estado indiano de Querala. Seguiu-se a Batalha de Cananor (1506), quando o Samorim foi derrotado pelos portugueses.

No início de 1501, após abertas as hostilidades entre o enviado português Pedro Alvares Cabral e o Samorim de Calcutá, o Kōlattiri Raja de Cananor convidou os portugueses para comercializar no mercado de especiarias de Cananor. Tratados foram assinados, uma pequena feitoria foi instalada em 1502, defendida por uma pequena paliçada. Em 1505, D. Francisco de Almeida, o primeiro vice-rei indicado pelos portugueses para o recém-criado Estado da Índia, assegurando a permissão para construir em pedra o forte de Santo Ângelo em Cananor. A guarnição da fortaleza foi composta por cerca de 150 homens, sob o comando de D. Lourenço de Brito.

O velho Kolathiri Raja que tinha prosseguido energicamente a aliança com os portugueses morreu no ano de 1506. Como a sucessão foi contestada, o Samorim, como suserano formal da costa de Kerala nomeou um árbitro para fazer a escolha dos candidatos. O novo Kolathiri Raja de Cannanore foi como tal escolhido como tendo uma dívida com o Zamorin e menos inclinado para os portugueses.

As hostilidades foram em grande parte devido aos portugueses terem afundado um navio indiano e matado a tripulação prendendo-os às velas dos navios e depois jogando-os ao mar, com o fundamento de que eles não estavam levando cartazes, os portugueses foram obrigados a ir para os próprios navios que estavam na região pois deixaram de ter autorização para permanecerem no território. Essas autorizações tiveram de ser assinadas pelo comandante de Cochin ou Cannanore. A população do estado adjacente de Kōlattunād estava muito irritada pelo acontecido, e pediu ao seu governante o Kōlattiri, para atacar os portugueses.

O cerco começou a 27 de Abril de 1507, e durou quatro meses.

O Kōlattiri tinha 40.000 Nayars para o ataque à posição portuguesa. O Zamorin forneceu o governante de Cannanore com 21 peças de artilharia e 20.000 auxiliares.

O poder de fogo da guarnição portuguesa sob o comando de D. Lourenço de Brito conseguiu repelir os ataques em massa envolvendo milhares de homens. O cerco logo entrou num impasse, com as trincheiras Malabares sendo protegidas do fogo de canhão português por paredes de fardos de algodão, e com o tempo e lentamente a fome foi derrubando as forças indianas. De Castañeda no seu relatório detalhado do cerco afirma que eles foram surpreendidos - e salvos- por uma onda de lagostas . que levadas para terra a 15 de Agosto deram alento aos homens para o grande ataque antes do festival de Onam que quase superou os portugueses mas que acabou por ser repelido. No entanto, uma grande parte da guarnição portuguesa foi ferida nesta tentativa.

A guarnição portuguesa estava à beira de ser derrotada, quando a 27 de Agosto uma frota de 11 navios de D. Tristão da Cunha , da 8ª Armada, vinda de Socotra , apareceu em apoio. A frota desembarcou 300 soldados portugueses, forçando ao levantamento do cerco e salvando a fortaleza.

A paz foi negociada entre os portugueses e o Kōlattiri Raja, confirmando a continuação da presença portuguesa em Cananor e a pemissão do seu acesso aos mercados de especiarias. Estes eventos acabariam com a derrota dos portuguese na batalha de Chaul em 1508.

Batalha de Chaul:

A Batalha de Chaul também conhecida como o massacre de Chaul foi uma batalha naval travada em Março de1508 no rio Chaul, 60 km a sul de Bombaim, entre uma frota portuguesa comandada por D. Lourenço de Almeida e a armada do sultanato mameluco do Cairo, que viera em apoio do Sultão de Guzerate. A artilharia e a maioria das guarnições eram turcas, uma vez que os Mamelucos não tinham gente habituada a combater no mar.

D. Lourenço de Almeida foi enviado por seu pai D. Francisco de Almeida então vice-rei da Índia, para proteger algumas naus, entre Cochim e Chaul. Levava uma frota de oito navios, da qual eram capitães Pêro Barreto, Lobo Teixeira, Duarte de Melo, Gonçalo Pereira, Francisco de Anaia, Paio de Sousa e Diogo Pires, sob as ordens dele. Pelo caminho, entraram em alguns portos, onde saquearam e incendiaram a maioria das naus dos mouros que neles se encontravam. D. Lourenço foi avisado de que em Diu estava uma armada de rumes (soldados turcos ou egipcios, que o sultão do Egipto enviara à Índia a pedido dos reis de Calcutá e de Cambaia na intenção de expulsar os portugueses).

D. Lourenço preparou-se para ir a Diu, mas os rumes chegaram ao porto de Chaul com toda a sua armada, de que era capitão Mirocem (Amir Husain Al-Kurdi), a armada era composta por uma grande nau e seis galés. Acompanhavam esta armada trinta e quatro fustas (compridas embarcações de fundo chato, movidas a remos ou a vela) enviadas pelo rei de Cambaia (Guzerate) e sob o comando de Meliqueaz, governador de Diu. Todos estes barcos vinham bem equipados e armados com muita artilharia de grande calibre. Ao ver esta armada na barra de Chaul, D. Lourenço, pelo rumo e feitio das naus, pensou que eram os barcos de D. Afonso de Albuquerque por quem esperavam. Assim, de nada desconfiou até que Mirocem entrou pelo rio com as suas naus e galés, arvorando bandeiras vermelhas com luas brancas, e ao passar pelos navios portugueses atacou-os com bombardas, espingardas e flechas, indo lançar ferro junto da cidade. Refeitos da surpresa, os portugueses responderam de igual modo.

Ancorada a frota inimiga, D. Lourenço, apesar de ter muitos feridos em todas as naus, decidiu com a sua e a de Pêro Barreto, abalroar o galeão de Mirocem, e explicou aos restantes capitães como deveriam de abalroar as outras embarcações inimigas.

Mirocem receoso de combater sem o apoio de Meliquiaz, mandou as galés fazerem fogo contra os navios portugueses, e com o primeiro tiro arrombaram a nau de D. Lourenço de Almeida. Passaram toda a noite a trabalhar para abalroar o galeão ao romper da manhã. Mas o vento era escasso pelo que nada conseguiram, no entanto os navios ficaram tão próximos que de um e outro lado os homens se alvejavam com armas de arremesso, o que dava vantagem aos rumes, pois sendo o seu navio mais alto, puderam ferir muitos portugueses, entre os quais o próprio D. Lourenço, atingido por uma seta e logo depois por outra em pleno rosto.

Pêro Barreto pode abalroar uma das naus inimigas, sendo ele o primeiro a saltar para bordo, conquistando-a. Diogo Pires e mais dois capitães portugueses conseguiram abalroar mais três naus. Movido por essa vitória, D. Lourenço apesar de ferido, quis atacar o galeão de Mirocem, mas a conselho dos outros capitães não o fez, por ter ele próprio muita gente ferida e os restantes fracos. No dia seguinte Miliquiaz entrou no rio Chaul, e com a sua chegada os rumes ganharam novo ânimo. Tendo fundeado perto de Mirocem, Miliquiaz mandou avançar três fustas, ao encontro das quais saíram Paio de Sousa e Diogo Pires, com as suas galés, afundando uma das fustas e obrigando as outras duas a vararem em terra.

Ao romper de alvorada, Miliquiaz com as suas frustas, cercou a nau de D. Lourenço, atirando-lhe muitas bombardas, uma das quais lhe acertou de modo que começou a meter água em grande quantidade, indo encalhar numa estacada de pescadores. Quando Miliquiaz viu que a nau não poderia escapar-lhe, ordenou a algumas das suas fustas que abalroassem a galé de Paio de Sousa, mas esta levada pela corrente do rio foi-se afastando. Quando a galé chegou ao ponto onde estavam as de Pêro Barreto, Duarte de Melo e Diogo Pires, ao verem que a nau de D. Lourenço não aparecia lançaram ferro, e o mesmo fizeram Francisco de Anaia e Lobo Teixeira, que já iam fora da barra. D. Lourenço, embora lhe tivessem preparado o escaler da nau, não quis abandonar o seu posto, mesmo depois de um tiro de bombarda lhe ter arrancado uma coxa, até que outra o matou. Nessa altura já a nau estava quase ao rés da água por causa de muitos tiros que lhe acertaram, e os inimigos, que de todos os lados a cercavam, abalroaram-na e invadiram-na por três vezes, sendo três vezes derrotados.

Mas como os portugueses eram poucos e sem ajudas, e eles muitos, os inimigos entraram definitivamente, travando-se uma luta, até que Miliquiaz, pesando-lhe ver morrer homens tão valentes, ainda salvou vinte. Nesta luta morreram oitenta portugueses entre capitães e marinheiros. Ao todo na nau de D. Lourenço e nas outras, morreram cento e quarenta homens e ficaram feridos cento e vinte e quatro.
Leonor Especial


 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Ter Out 08, 2019 20:19     Assunto : Responder com Citação
 
A batalha naval de Diu teve lugar a 3 de Fevereiro de 1509, nas águas próximas a Diu na Índia.


In diversas fontes da net.


Nela se confrontaram as forças navais do Império Português e uma frota conjunta do Sultanato Burji do Egipto (de natureza mameluco), do Império Otomano, do Samorim de Calcutá e do Sultão de Guzerate. A batalha revestiu-se de um caráter de vingança pessoal para D. Francisco de Almeida, que perdera o seu filho D. Lourenço no desastre de Chaul em 1508. O efeito psicológico desta batalha foi aniquilador segundo o historiador Oliveira Martins, a vitória nesta batalha era muito importante, pois mostrava aos indianos que a marinha portuguesa não era só invencível para eles indianos, mas também para os muçulmanos e venezianos.


Esta batalha assinalou o início do domínio europeu no oceano Índico, de maneira semelhante às batalha de Lepanto (1571), do Nilo (1798), de Trafalgar (1805) e de Tsushima (1905) em termos de impacto. Como consequência, o poder dos Turcos Otomanos na Índia foi seriamente abalado, permitindo que as forças Portuguesas, após esta batalha conquistassem rapidamente os portos e localidades costeiras nas margens do Índico, como por exemplo Mombaça, Mascate, Ormuz, Goa, Colombo e Malaca.


O monopólio português no Índico duraria até à chegada dos Ingleses (Companhia Britânica das Índias Orientais) afirmada na batalha de Swally perto de Surate em 1612.


Ao aproximar-se do inevitável confronto, D. Francisco de Almeida enviou uma carta a Meliqueaz, que dizia:


"Eu o visorei digo a ti honrado Meliqueaz, capitão de Diu, e te faço saber que vou com meus cavaleiros a essa tua cidade, lançar a gente que se aí acolheram, depois que em Chaul pelejaram com minha gente, e mataram um homem que se chamava meu filho; e venho com esperança em Deus do Céu tomar deles vingança e de quem os ajudar; e se a eles não achar não me fugirá essa tua cidade, que me tudo pagará, e tu, pela boa ajuda que foste fazer a Chaul; o que tudo te faço saber porque estejas bem apercebido para quando eu chegar, que vou de caminho, e fico nesta ilha de Bombaim, como te dirá este que te esta carta leva."


Sabe-se que um dos feridos na batalha foi Fernão de Magalhães.


Dos destroços da batalha constavam três bandeiras reais do Sultão Mameluco do Cairo, que foram transladadas para o Convento de Cristo em Tomar sede espiritual dos Cavaleiros Templários onde se mantém até aos dias de hoje.


Navios Portugueses


• Cinco grandes naus: Frol de la mar (Navio do vice-rei), Espírito Santo (capitão Nuno Vaz Pereira), Belém (Jorge de Melo Pereira), Grande Rei (Francisco de Távora), e Grande Taforea (Fernão de Magalhães)
• Quatro naus mais pequenas: Pequena Taforea (Garcia de Sousa), São António (Martim Coelho), Pequeno King (Manuel Teles Barreto) e Andorinho (D. António de Noronha)
• Quatro caravelas redondas: (capitães António do Campo, Pêro Cão, Filipe Rodrigues e Rui Soares)
• Duas caravelas Latinas: (Capitães Alvaro Paçanha e Luís Preto)
• Duas galés: (capitães Paio Rodrigues de Sousa e Diogo Pires de Miranda)
• Uma bergantim: (capitão Simão Martins)


Frota adversária


• Quatro naus;
• Duas caravelas;
• Quatro galeotas;
• Duas galés.
Leonor Especial


 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Qua Out 09, 2019 23:35     Assunto : Responder com Citação
 
A Batalha de Alcácer-Quibir também conhecida como Alcácer-Quivir, al Quasr al-kibr, Alcazarquivir ou Alcassar, significando "grande fortaleza" (em árabe: معركة القصر الكبير), conhecida em Marrocos como Batalha dos Três Reis (em árabe: معركة الملوك الثلاث) ou Batalha de Oued al-Makhazin (em árabe: معركة وادي المخازن).


In diversas fontes da net.


A Batalha foi travada no norte de Marrocos perto da cidade de Alcácer-Quibir, entre Tânger e Fez a 4 de Agosto de 1578. Os portugueses, liderados pelo rei D. Sebastião, aliados ao exército do sultão Mulei Mohammed (Abu Abdallah Mohammed Saadi II, da dinastia Saadiana), combateram um grande exército marroquino liderado pelo sultão Mulei Moluco (Abu Marwan Abd al-Malik I Saadi, tio de Mulei Mohammed) que gozava do apoio otomano.


No seu fervor religioso, o rei D. Sebastião planeara uma cruzada após Mulei Mohammed solicitar a sua ajuda para recuperar o trono que o seu tio Mulei Moluco tinha tomado. A batalha resultou na derrota portuguesa, com o desaparecimento em combate do rei D. Sebastião e o aprisionamento ou morte da nata da nobreza portuguesa. Além do rei português, morreram na batalha os dois sultões rivais, dando origem ao nome "Batalha dos Três Reis", como ficou conhecida entre os marroquinos.


A derrota na batalha de Alcácer-Quibir levou à crise dinástica de 1580 e ao nascimento do mito do Sebastianismo. O reino de Portugal foi severamente empobrecido pelos resgates pagos para reaver os cativos.


A batalha ditou o fim da Dinastia de Avis e do período de expansão iniciado com a vitória na Batalha de Aljubarrota. A crise dinástica resultou na perda da independência de Portugal por 60 anos, com a união ibérica sob a dinastia Filipina.


Antecedentes:


O rei D. Sebastião, cognominado "o desejado", era filho do Infante D. João (filho de D. João III de Portugal) e D. Joana de Áustria, filha do Imperador Carlos V. Seu pai morrera antes que ele tivesse nascido, e D. Sebastião herdou o trono aos três anos, após a morte do seu avô em 1557. Foi educado por jesuítas, pelo seu guardião e tutor D. Aleixo de Meneses e por sua avó D. Catarina de Áustria, esposa de D. João III e irmã de Carlos V. Assumiu o governo em 1568, aos 14 anos.


Certas teorias afirmam que a influência católica combinada ao seu idealismo juvenil culminaram em fanatismo religioso, embora ele nunca tenha aderido à Santa Liga. As Cortes tinham solicitado várias vezes a D. Sebastião para fazer cessar o avanço da presença militar otomana, que seria uma ameaça para a segurança das costas portuguesas e do comércio com a Guiné, Brasil e Ilhas Atlânticas. Mas só quando Mulei Mohammed se deslocou a Portugal pedindo o seu auxílio para recuperar o trono, tomado pelo seu tio em 1576, é que D. Sebastião se decidiu a montar um esforço militar.


D. Sebastião ter-se-á sentido motivado a reviver as glórias do passado intervindo no Norte de África, influenciado por acontecimentos como a defesa do Mazagão durante o cerco mouro em 1562. Assim, em 1568, o reino começou a preparar a intervenção em Marrocos. Esta política foi vista como um imperativo nacional, pois pretendia beneficiar o comércio de ouro, gado, trigo, açúcar o que além de oferecer oportunidades à burguesia mercantil, era também um campo de atividade para a nobreza, sendo apoiada por ambas.


Até então a acção militar portuguesa em África tinha-se limitado a pequenas expedições e invasões; Portugal tinha construído o seu vasto império marítimo do Brasil até às Índias Orientais por uma combinação de comércio, exploração marítima e domínio tecnológico, com conversão cristã das populações sendo um objectivo, mas não o único. D. Sebastião propôs alterar totalmente essa estratégia.


Em 1574 D. Sebastião liderara uma bem sucedida incursão em Tânger, o que incentivou um plano mais vasto. Deu assim o seu apoio a Mulei Mohammed, que estava envolvido numa guerra civil para recuperar o trono de Marrocos ao seu tio, o sultão Abd al-Malik - aliado dos cada vez mais poderosos otomanos. Apesar das admoestações de sua mãe e do seu tio D. Filipe II de Espanha (que se tornara muito cauteloso após a Batalha de Djerba), D. Sebastião estava determinado a travar uma campanha militar. D. Sebastião decidiu apoiar Mulei Mohammed que, como compensação, ofereceu Arzila aos portugueses enquanto procurava apoio de outros reis. D. Filipe II retirou-se da disputa.


Ameaça turca:

O nexo da intervenção em Alcácer-Quibir é claramente explicado em carta do próprio D. Sebastião a D. João de Mendonça em 1576.


Com a reconquista de Tunis em 1574, aos Turcos faltaria apenas Marrocos para dominarem por completo o norte de África, ameaçando depois uma entrada na Península Ibérica.
Não é somente para dar a posse daquele Reino ao tio do Xarife, mas principalmente com o fundamento de o fazerem tributário e vassalo do Turco, e o Turco se fazer Senhor de toda África, e de todos os portos de mar dela, tendo em cada uma delas muitas galés que lhes será fácil de pôr em efeito. Assim, pela natureza da mesma terra, como por seu grande poder, que quando assim acontecesse, o que Deus não permita, visto é quantos males sem remédio poderiam recrescer a toda Espanha, que da Cristandade se pode dizer que é hoje a melhor e maior parte, e com este intento queria que não somente cuidareis nesta matéria e a discorrereis para me nela dardes parecer e conselho no que farei e devo fazer (...)


Referia-se assim à reconquista de Tunis em 1574 pelos Turcos, o que os tornara senhores de todo o norte de África, exceptuando Marrocos, onde o poder se disputaria na Batalha de Alcácer-Quibir, apoiando D. Sebastião o lado do Xarife deposto, contra o seu tio Mulei Moluco, que contava com o apoio turco. Ainda não se passavam 100 anos da expulsão ibérica do reino de Granada, e temia-se a reedição da antiga invasão muçulmana de 711.


Preparativos para a batalha:


D. Sebastião empregara uma parte significativa da riqueza do Império Português para equipar uma grande frota e reunir um grande exército. Este incluía 2000 voluntários de Castela (liderados por Alonso de Aguilar), 3000 mercenários vindos da Alemanha e da Flandres (comandados por Martim da Borgonha) bem como 600 italianos inicialmente recrutados para ajudar uma invasão da Irlanda sob a liderança do Inglês Thomas Stukley, bem como o auxílio em armas e munições.


Fez-se o recrutamento do exército português, mas verificou-se alguma corrupção, o que fez com que o exército expedicionário, de cerca de 15 000 a 23 000 homens, fosse em parte pouco disciplinado, mal preparado, inexperiente e com pouca coesão. A "elite" do exército era composta pelos "aventureiros", nobres portugueses veteranos nas guerras de África e do Oriente, e pelos "mercenários" estrangeiros, veteranos das guerras do norte da Europa. A força expedicionária terá reunido também 500 navios.


D. Sebastião partiu de Lisboa a 25 de Junho de 1578, passou por Tânger, onde estava o Mulei Maamede, seguiu para Arzila e daqui para Larache por terra, havendo quem preferisse que se fosse por mar, para permitir maior descanso às tropas e o necessário reabastecimento em víveres e água. Seguiram depois a caminho de Alcácer Quibir, onde encontraram o exército de Mulei Moluco, muito superior em número.


A batalha:


A 4 de Agosto de 1578, perto de Alcácer-Quibir onde há hoje uma aldeia denominada Suaken, com o exército esgotado pela fome, pelo cansaço e pelo calor, deu-se a batalha.


O exército marroquino avançou em uma ampla frente planejando cercar as fileiras de D. Sebastião. Era composto por 10 000 cavaleiros nos seus flancos tendo no seu centro mouros vindos de Espanha, os quais guardavam especial ressentimento dos cristãos. Apesar da sua doença o Sultão Abd Al-Malik deixou a sua liteira e liderou as suas forças a cavalo.


O exército português nesta batalha tinha uma primeira linha (vanguarda) composta pelos "aventureiros" portugueses, comandados por Cristóvão de Távora, e pelos voluntários e mercenários estrangeiros, por uma ala esquerda de cavalaria pesada comandada pelo rei D. Sebastião e por uma ala direita de cavalaria comandada pelo Duque de Aveiro. A segunda linha de infantaria (batalha) era comandada por Vasco da Silveira e a terceira linha de infantaria (retaguarda) por Francisco de Távora. A artilharia estava posicionada sobretudo na primeira linha.


A batalha começou com ambos os exércitos trocando fogo de mosquetes e artilharia. Thomas Stukley, comandando os voluntários italianos foi morto por uma bala de canhão no começo da batalha. A superior em número, cavalaria moura avançou cercando o exército português, enquanto as forças principais se engajavam completamente em combate corporal. No centro da vanguarda do exército português, os experientes "aventureiros" comandados por Cristóvão de Távora avançaram com grande ímpeto provocando o recuo e a debandada da vanguarda moura. Para deter essa debandada das suas forças, o debilitado Mulei Moluco, monta o seu cavalo pela última vez e morre com o esforço momentos depois. A sua morte é ocultada até ao final da batalha. Próximo do acampamento do líder mouro, o ataque português perde impulso após o comandante se ter apercebido que tinham ficado demasiado afastados do restante exército, assim correndo risco de isolamento, e começa a recuar. Vendo os seus flancos comprometidos pelo ataque da cavalaria moura, ameaçado ele próprio pela mesma, e em retirada, o centro português perdeu as esperanças e foi subjugado lentamente. D. Sebastião, perante a derrota inevitável, recusa os conselhos de outros nobres para que se renda, dizendo-lhes: "Senhores, a liberdade real só se há-de perder com a vida". Os nobres que o acompanhavam a cavalo conformam-se em prosseguir o combate até ao fim, tendo-lhes ainda D. Sebastião dito: "Morrer sim, mas devagar!".


Desenlace:


A batalha terminou após quatro horas de combate intenso com a completa derrota dos exércitos de D.Sebastião e Abu Abdallah Mohammed II Saadi com quase 9000 mortos e 16 000 prisioneiros nos quais se incluem grande parte da nobreza portuguesa. Talvez 100 sobreviventes tenham escapado, com custo, do local da batalha.


Mulei Mohammed, aliado dos portugueses, tentou fugir ao massacre em que a batalha se convertera mas morreu afogado ao atravessar o rio Mekhazen. O Sultão Abd Al-Malik (Mulei Moluco) também morreu durante a batalha, mas de causas naturais, uma vez que o esforço da batalha foi demais para o seu estado, debilitado por um envenenamento que sofrera.


D. Sebastião por sua vez desapareceu liderando uma carga de cavalaria contra o inimigo e seu corpo jamais foi encontrado. Nestas condições, o exército português, pesem alguns actos de grande bravura, foi completamente dizimado. Apesar de na época duvidarem da morte do rei português, é muito provável que ele nesta batalha tenha perecido.


Entre os prisioneiros na batalha de Alcácer-Quibir estava D. António de Portugal, Prior do Crato, que se conta, conseguiu a libertação com recurso à astúcia: quando lhe perguntaram o significado da cruz de S. João que usava, respondeu que era o sinal de uma pequena mercê que tinha obtido do papa e que a perderia se não voltasse até 1 de Janeiro. O seu captor, pensando que se tratava de um homem pobre, permitiu a sua libertação em troca de um pequeno resgate.


Relato da Batalha:


Os relatos da batalha não foram uniformes, especialmente no que diz respeito ao que ocorreu depois de terminada a batalha, em que D. Sebastião se retira e não há vitória declarada de qualquer lado, conforme consta em - Relação da Batalha de Alcácer que mandou um cativo ao Dr. Paulo Afonso, onde se diz o seguinte:


Neste tempo vendo El Rei que estava na vanguarda o seu campo desbaratado, se veio recolhendo pela banda do Duque de Aveiro, e o seguiu alguma gente de cavalo e a pé, cuidando que ia fazendo uma ponta para volver sobre os mouros, viu o campo já tão desbaratado que se retirou. Durou a batalha quatro horas sem se declarar a vitória.


Nada mais se informa sobre o que ocorreu depois de terminarem esses combates. Apresenta-se logo de seguida um esquema da disposição das tropas de D. Sebastião (tendo previamente o cativo descrito detalhadamente a sua composição, e apontando D. Duarte de Menezes como "Mestre de Campo").


Consequências:


As consequências desta batalha foram catastróficas para Portugal. D. Sebastião desaparecera, deixando como sucessor o seu tio-avô, o Cardeal D. Henrique, que veio a falecer sem descendência dois anos depois. Assim se iniciou uma crise dinástica ameaçando a independência de Portugal face a Espanha, pois um dos candidatos à sucessão era o seu tio D. Filipe II de Espanha.


A disputa do trono português teve vários pretendentes: D. Catarina de Médici, rainha de França, que se dizia descendente de D. Afonso III; D. Catarina, duquesa de Bragança e sobrinha do Cardeal D. Henrique; Emanuel Felisberto de Saboia, duque de Savoia e D. António de Portugal, Prior do Crato, ambos sobrinhos do rei; Rainúncio de Parma e D. Filipe II. Efectivamente foi D. Filipe que ascendeu ao trono em 1580.


A maioria da nobreza portuguesa que participara na batalha ou morreu ou foi feita prisioneira e todos os bispos e arcebispos nela presentes tinham sido mortos. Para pagar os elevados resgates exigidos pelos marroquinos, o país ficou enormemente endividado e depauperado nas suas finanças.


Luís de Camões escreveu, numa carta a D. Francisco de Almeida, referindo-se ao desastre de Alcácer-Quibir, à ruína financeira da Coroa portuguesa e à independência nacional ameaçada:


"Enfim acabarei a vida e verão todos que fui tão afeiçoado à minha Pátria que não só me contentei de morrer nela, mas com ela".


Perto de Alcácer-Quibir, numa aldeia denominada Suaken, próxima do local da batalha, encontra-se um obelisco em memória de D. Sebastião e mais dois em memória dos outros dois reis. A batalha ainda hoje é conhecida em Marrocos como a "Batalha dos Três Reis".
Leonor Especial

 
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Mensagem Enviada: Qui Out 10, 2019 19:29     Assunto : Responder com Citação
 
A Batalha de Alcântara


In diversas fontes da net.


Em 1580 o Duque de Alba (Fernando Álvarez de Toledo y Pimentel) atravessa a fronteira no Caia e chega doze dias depois a Setúbal. Decidido a dominar Lisboa, o duque esperou a chegada da armada vinda de Cádis que fundeou em Cascais localidade que se rendeu, seguida das fortalezas de São Julião, de Belém e da Caparica. Apenas lhe fizeram frente as tropas que o Prior de Crato reunira e o esperavam na margem esquerda da ribeira de Alcântara no dia 25 de Agosto de 1580. Enquanto D. António acorria ao combate, a ala esquerda das tropas castelhanas rapidamente desfez as instáveis fortificações portuguesas. Ferido o Prior do Crato, é obrigado a abandonar a luta, a batalha acabou meia-hora depois de ter começado.


Um combatente do lado de D. António faz o seguinte relato:


«Sabendo o Duque de Alba por espias e ruins portugueses, como grande parte da gente da cidade se recolhia a ela a dormir em suas casas, acometeu de súbito o arraial do Senhor D. António trabalhando de entrar pela ponte de Alcântara, assim para lhe inquietar a gente, como ganhar naquela revolta contra os moinhos de vento, um outeiro que ficava sobranceiro ao arraial do inimigo e colocou nele a sua artilharia.


Em amanhecendo, mandou o Duque ao Prior seu filho, que cometesse o arraial pela parte aonde a artilharia estava prantada. O Prior ajudado da sua artilharia cometeu o arraial com a sua gente de cavalo e outra de escopeta; a gente de cavalo portuguesa, que era muita e boa: mas molestados da artilharia e escopetaria do inimigo viraram muitos as costas, sem aproveitar nada o esforço que lhes punha o Senhor D. António. Fugindo os de cavalo, foi parte para que fugisse também a gente de pé.


«O Senhor D. António, vendo inclinar-se a vitória à parte do inimigo, dizem que se meteu com alguns fidalgos principais no mais perigoso da batalha como homem que não queria mais vida e pelejando valorosamente lhe aconselharam os seus, pois que a vitória estava já declarada pela parte contrária se recolhesse à cidade, o que ele fez ferido de duas feridas ruins na cabeça, das quais uma lhe fez um cavaleiro luzido dos contrários, que logo ali foi morto pelos fidalgos que o acompanhavam e a outra lhe fez um fidalgo português dos seus mesmos, que foi de todos bem conhecido. E por aqui se verá com quantas traições se alcançou esta vitória contra o Senhor D. António».
Leonor Especial

 
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Mensagem Enviada: Sex Out 11, 2019 21:13     Assunto : Responder com Citação
 
A Batalha da Salga foi um recontro travado a 25 de Julho de 1581 na baía da Salga, em São Sebastião, na jurisdição do extinto concelho da Vila de São Sebastião, Terceira, Açores, entre uma força de desembarque espanhola e as forças portuguesas que, em nome de D. António I, defendiam a ilha em oposição à união pessoal com Espanha, no contexto da crise de sucessão de 1580.


In diversas fontes da net.


Logo que D. Filipe II de Castela se achou em posse pacífica do Reino de Portugal, desbaratado inteiramente o seu rival D. António, Prior do Crato, de quem se não sabia o paradeiro, por mais instâncias que se fizessem, cuidou primeiro da sua aclamação e do reconhecimento do príncipe D. Diogo, seu filho, como herdeiro legítimo da Coroa Portuguesa.


Concluído este acto com as cerimónias ordinárias do país, abriu a Junta dos Estados a 17 de Abril de 1581, com o objectivo de estabelecer as garantias da Coroa Portuguesa e de publicar a ampla amnistia que tinha prometido aos implicados no apoio ao Prior do Crato.


Publicada a amnistia, viram os portugueses com grande mágoa, que, além de não ser geral, abrangia muitas cláusulas artificiosas. E não obstante o queixarem-se disto, recusou El-Rei abertamente mudá-las, dizendo que nunca perdoaria a D. António e ao conde de Vimioso, ao Bispo da Guarda (filho do conde de Vimioso), e a outros, em número de cinquenta e duas pessoas. A respeito das outras graças requeridas pelos procuradores portugueses, mui poucas concedeu, negando umas abertamente, e respondendo a outras com duvidosas esperanças; do que não tanto a ele como aos seus ministros se imputou a culpa.


Desfeita a Junta dos Estados, partiu El-Rei D. Filipe para Lisboa e, chegando a Almada, soube da má disposição em que estava a ilha Terceira a seu respeito, porquanto a população da ilha tinha recusado aceitar D. Ambrósio de Aguiar Coutinho que lhe fora enviado por governador.


Em consequência destas notícias, ordenou logo a preparação de uma armada suficiente com ordem de se assegurar da ilha de São Miguel, conservar os seus moradores na obediência e escoltar as embarcações das Índias. Preparada a armada, despachou-a para as ilhas sob o comando de D. Pedro de Valdez, sem que o autorizasse a intentar coisa alguma contra a ilha inimiga e as suas anexas até lhe enviar maiores forças, como as circunstâncias o pedissem. Outrossim lhe entregou cartas para o governo de Angra e instruções particulares em favor dos moradores da terra, para que em boa paz se reduzissem à sua obediência.


Com este fim limitado, partiu D. Pedro de Valdez de volta à ilha de Santa Maria, onde esperou a chegada dos navios e procedeu ao seu reagrupamento e reparação daqueles que apresentavam avarias.


Terminadas aquelas operações, já entrada a Primavera, saiu do porto dela com sete naus grandes e mil soldados nelas, afora muita fidalguia que se embarcou e muita mais gente de mar; e chegando à ilha de São Miguel, onde governava D. Ambrósio de Aguiar Coutinho, por sua ordem trouxe consigo um seu primo que ali se encontrava, chamado D. Juan de Valdez, mestre de campo e grande cavaleiro.


Foi com esta armada que partiu sobre a Terceira.


Ao amanhecer do dia 5 de Julho de 1581 apareceu esta armada à vista de Angra, da parte leste, contando-se nela oito galeões, um pataxo e uma caravela alfamista, que vinha por mexeriqueira.


Mui diversos foram os efeitos de temor e alegria, que isto causou aos seguidores dos dois bandos em que se achava dividida a Terceira; porquanto, o partido que seguia a voz de El-Rei D. António esperava que fosse o socorro de França e Inglaterra há muito prometido; e o que seguia a parte de El-Rei D. Filipe, esperava e queria fosse já a esquadra para sujeitar a ilha ao seu domínio. E ainda que os primeiros tivessem razão de presumir que fosse armada inimiga, lhes parecia tão pequena que lhes não dava maior cuidado; além de esperarem o triunfo, confiados na justiça da sua causa.


Em breve houve o desengano destes diversos pareceres. A armada sem lançar ferro, atravessou defronte do porto, e começou a disparar artilharia contra a cidade, e todo aquele dia velejou em frente a ela; e porque não havia ainda a fortaleza de Santo António, saíram os batéis da popa das naus, de noite, com soldados para de madrugada, ao abrigo do Monte Brasil apreenderem algum barco de pesca, que os informasse do estado da ilha: e assim o conseguiram à terceira noite, tomando um e falando com a gente dele a bordo da nau capitânia, de onde D. Juan Valdez mandou dizer ao governador D. Ciprião de Figueiredo e Vasconcelos, e aos mais da governança da terra, que se entregassem à obediência de El-Rei D. Filipe que este estava pronto a perdoar-lhes o crime de rebelião, e que ainda lhes faria outras mercês de grande conveniência para todos eles; e que se o não fizessem assim como deviam, lançaria em terra mil soldados e à força de armas tomaria a ilha, sem dar quartel a ninguém.


Tão reiteradas promessas e ameaças do Castelhano pareciam fraqueza e pusilanimidade e como tais não sortiram outro efeito mais do que o escárnio. Os terceirenses, além de um pequeno número, não queriam género algum de conciliação que expressamente lhes não fosse determinado por El-Rei D. António, a quem mui cordialmente abraçavam e tinham jurado obedecer até por ele derramarem a última gota de sangue.


Com esta heróica resolução conheceu D. Juan Valdez que a ilha se não rendia, tratando por ora somente de participar a El-Rei seu amo estas coisas, e no entretanto pairava sobre a vela nestas águas, esperando disposições ulteriores.


Apenas El-Rei D. Filipe soube o estado da ilha Terceira e suas dependentes, e que, excepto as de São Miguel e Santa Maria, todas as demais constantemente rejeitavam aceitar o governador que lhes mandara, sem perder tempo algum fez preparar e guarnecer algumas embarcações de todo o necessário para conquistar essas ilhas, e incumbiu o comando desta armada no mestre de campo D. Lopo do Figueiroa, a quem imediatamente fez partir para que, incorporando-se com o sobredito D. Pedro Valdez, as batessem e conquistassem.


Porém quando D. Pedro de Valdez soube que D. Lopo andava no mar e que vinha ajuntar-se com ele, e que estava de mais a mais nomeado primeiro comandante, cheio daquele ciúme que parece inato entre os homens desta profissão, persuadindo-o de uma parte o mencionado seu primo D. Juan de Valdez a não perder ocasião de se assinalar com tão provável vitória, e da outra parte aguilhoado pelo estímulo da ambição, que mal sofria partilha da glória que ele estava persuadido poder ganhar desta vez sem favor aliado; por estas razões todas, mudou de intento e resolveu fazer desembarque em um pasto onde algumas vezes, de noite e de dia, saíam a terra os seus soldados e tomavam algumas frutas e falavam com os portugueses, sem que estes os impedissem, nem fizessem caso deles as guardas que ali estavam por instância (como se entendia) dos que seguiam a voz de El-Rei D. Filipe que andavam retirados nas montanhas.


Assim pensou D. Pedro Valdez terminar este importantíssimo negócio: lançar em terra gente que se ajuntasse com eles, e acometer a cidade, tomando-a, e fortificando-se na ilha até que chegasse D. Lopo de Figueiroa, que não podia tardar muito; e neste árduo projecto se empenhou o general D. Pedro Valdez, dando ordens e preparando-se para o dia seguinte.


Em todas as pontas que descobriam ao mar, assim de dia como de noite, nos portos, calhetas, praias ou pedras em que parecia que o inimigo podia desembarcar, tinham-se posto vigias na forma do regimente da milícia, e feito trincheiras, assestando-se em alguns lugares, ainda que poucos, algumas peças de artilharia de ferro.


Assim, no dia 24 de Julho pela manhã, mandou o governador Ciprião do Figueiredo sair da cidade o licenciado Domingos Onsel, dado que o inimigo tinha feito alguns movimentos, pelos quais se entendeu queria lançar gente em terra. Ele partiu de imediato com 20 soldados arcabuzeiros e 10 piqueiros, a fim de que, incorporando-se com a gente da freguesia de Santo António do Porto Judeu, defendessem o porto daquela freguesia e a costa da Casa da Salga, que era o lugar frequentado pelos castelhanos nos dias antecedentes. Com esta força julgava o governador e os seus capitães, bem guarnecido este ponto.


Tal era o desprezo com que os terceirenses esperavam o desembarque do inimigo, que este pequeno destacamento lhes parecia uma força mui superior, capaz da competir com toda a gente daquela armada; mas o tempo mostrou-lhes a inexactidão e imprudência deste seu parecer.


Marchou com efeito o licenciado Onsel da cidade de Angra com a sua gente bem armada e guarnecida das munições e dos víveres necessários; porém, chegando ao Porto Judeu, achou tal disposição no ânimo da gente e natural defesa da costa, que, sem embargo de estar quase toda descoberta, julgou poder, e sem receio, dispensar os dez piqueiros, os quais, sem a menor hesitação, remeteu para a cidade.


Este procedimento foi estranhado pelo governador, que, não querendo confiar negócio de tanta importância neste capitão que ostentava tamanha valentia antes de ver o inimigo em campo, imediatamente lhe mandou um reforço de alguns homens de pé e de cavalo, entre os quais se contaram os nobres D. Martim Simão de Faria, D. António de Ornelas Gusmão, D. Manuel Pires Teixeira, D. Manuel Gonçalves Salvago, ou Salgado, D. Pantaleão Toledo, o licenciado D. Domingos Fernandes, e D. André Fernandes de Seia, os quais todos, em conselho com D. Domingos Onsel, deliberaram que cada um deles iria naquela noite de guarda para o ponto que lhe era assinado, com quatro soldados arcabuzeiros, entrando além destes a gente da freguesia.


Desta forma repartiram-se pelas estâncias, desde o Forte do Porto até à extremidade onde estava o poço, na baía da Salga. Era mui pouca gente na verdade para guarnecer espaço tão grande, que não seria menos de um quarto de légua.


Chegando finalmente a madrugada do dia de Santiago, que segundo o antigo calendário era a 25 de Julho, achando-se o mar pacífico e o vento favorável, mandou o general D. Pedro de Valdez embarcar nas lanchas e no batel do Faial, que tomara com o director desta expedição, a primeira coluna do seu exército, constante de 200 homens bem armados, e com algumas peças de artilharia.


Para o desembarque fê-los conduzir ao lugar já conhecido, chamado Casa da Salga, no Vale, freguesia do Porto Judeu (abaixo da Vila de S. Sebastião) uma milha, distante da cidade de Angra légua e meia, e outro tanto da vila da Praia. Neste lugar existia uma larga e profunda baía, em que podia comodamente fundear a armada, e uma costa fácil para desembarcar a sua gente, e se estender no vasto e plano Vale que lhe está adjacente.


Ainda não era dia claro, quando a vigia que estava na Ponta dos Coelhos, que é a mais amarada, deu sinal do inimigo estar próximo, recebendo de imediato as surriadas de artilharia que ele ousadamente lhe enviou.


Fazendo o sinal acordado, começou o rebate no sino da igreja paroquial de Santo António do Porto Judeu, na qual era vigário Pedro Pereira.


Logo aqueles a quem pertencia o posto da Salga, para onde o inimigo remava, prepararam-se à defesa; porém, vendo aproximar tão grande força, apenas descarregaram as armas, abandonaram tudo e puseram-se em retirada, até encontrarem o capitão Domingos Onsel, que já avançava com a maior rapidez para disputar o passo ao inimigo.


Porém já foi tarde, porque os castelhanos, não achando resistência, tinham desembarcado muito a seu salvo, e entrado por terra dentro, levando à sua frente o bravo mestre-de-campo D. João de Valdez, e os esforçados cabos do guerra D. Juan de Bazan, sobrinho do marquês de Santa Cruz, o sobrinho do conde de Alba, e bem assim outros capitães de grande experiência.


Precisamente tendo tomado as trincheiras, e ganho a artilharia que nelas estava, com a mesma se defendiam e carregavam os nossos. E enquanto a vanguarda dos castelhanos avançava, e se estendia no campo plano, a retaguarda protegia o desembarque da gente que voltava de bordo da armada sem perigo, pela distância em que se achavam os defensores da ilha, entretidos na escaramuça, os quais seriam ao todo 50 homens.


Continuando desta forma a batalha, chegou a gente da vila de São Sebastião, capitaneada por Baltasar Afonso Leonardes: neste tempo vinham os batéis das naus, e as barcas carregadas com outros 200 soldados, armas de fogo e feixes de dardos; de forma que sendo já dia claro podiam estar em terra 400 homens, gente muito ilustre, e soldados velhos, que de certo eram para temer; e sua ordem e esforço era de grandes soldados.


De toda aquela grande planície, que se chama o Vale, estava senhor o partido castelhano, e os defensores ficavam eminentes sobre as colinas que estão da parte de nascente, onde se achava, e ainda existe, a quinta ou casa, de Bartolomeu Lourenço, lavrador abastado, que nela vivia com sua mulher D. Brianda Pereira, moça nobre e assaz formosa, da qual tinha filhos.


Parece que a beleza de Brianda Pereira fora nos dias antecedentes objecto da curiosidade dos castelhanos, porque foi o primeiro despojo que eles quiseram saquear de sua casa. Felizmente pode esta nova Lucrécia escapar-se às mãos dos soberbos Tarquínios que a pretendiam, e já levavam prisioneiro ao marido, a quem tinham ferido gravemente, e a um filho; e achando-se já senhores da casa, e de tudo que nele havia, saqueavam, destruíam e convulsavam à sua vontade todos os móveis, chegando finalmente ao excesso de largarem fogo aos frescais de trigo que estavam na eira.


No interim, os soldados da armada, senhores do mar, com os barcos e batéis, desembarcaram em terra o resto do exército, composto de 1000 soldados de peleja, entrincheirando-se com o mesmo general D. Pedro de Valdez, puseram-se em tal ordem e conceito que pareciam quatro mil homens.


Brianda Pereira, com ânimo verdadeiramente varonil, que muito realçava a sua formosura, persuadia os partidários de D. António para que vigorosamente pelejassem e se defendessem, empregando além disto todos os argumentos que a qualidade de esposa e de mãe lhe subministravam. E assim atraía ao seu partido outras mulheres, que, promiscuamente com os homens, disputavam com mão armada o passo ao inimigo comum, resolutas a venderem bem caras as suas honras e vidas.


Seriam nove horas do dia quando da cidade e da vila da Praia chegaram as companhias de ordenanças, cujos capitães eram em Angra (capitães velhos) Sebastião do Canto, Pedro Cota da Malha, o moço, Bernardo de Távora, Gaspar Cavio de Barroso, Francisco Dias Santiago; na Praia Gaspar Camelo do Rego, e Simão de Andrade Machado; na vila de S. Sebastião eram Baltasar Afonso (com atribuições de capitão-mor nesta jurisdição), e André Gato, o velho, capitão da companhia do Porto Judeu, e com os franceses da nau de António Eschalim, e gente das ilhas de baixo, que já estavam na ilha, seriam ao todo seis mil homens de peleja.


Nesta mesma ocasião chegou o capitão Artur de Azevedo de Andrade com uma peça de artilharia, e marchando ao longo do mar, intentava com ela desbaratar o campo do inimigo; e sem dúvida lhe faria muito dano se os castelhanos, arremetendo contra ele lha não tirassem das mãos, como tiraram, pondo-o em vergonhosa fuga.


Então, arrastando a peça para o seu campo, começaram alegremente a cantar a vitória, com a qual já contavam, não só pela disciplina com que se conservavam e combatiam, senão ainda pela vantajosa posição e melhor fortificação das trincheiras, tendo segura a retaguarda pelo favor das caravelas da armada, que com artilharia grossa, e bordejando na baía de uma e outra parte, varriam as colunas e campos adjacentes.


Era meio-dia, e no campo dos castelhanos não havia passado português algum, como eles esperavam, ou porque estivessem presos os principais cabeças ou retirados nas montanhas, ou porque vissem a perda inevitável de Valdez e a sua temerária ousadia.


Então, vendo ele quão pouco devia esperar do seu partido em terra, o ardor com que os portugueses e toda a gente pelejava, e a mortandade que já havia nos seus, achou acertado retirar-se a bordo da sua nau, como efectivamente fez.


Dizem que chegando ali lhe dissera o piloto Henrique de Amores, natural desta ilha: — Fez vossa mercê bem em se recolher, porque toda a gente que lá está, corre muito risco tornar-se a embarcar. E o general deu-lhe a entender como estava arrependido de ter feito o desembarque, sem a ele ser obrigado; porém era muito tarde para lhe valer o arrependimento.


Continuando a peleja de parte a parte com o maior calor, conta-se por mui rara a animosidade e valentia de Gonçalo Anes Machado, ancião de mais de 60 anos, que vendo lhe matavam um filho, a natureza de pai não lhe dava menos direito do que dera à heroína Brianda Pereira, investiu com uma lança nas mãos por meio de um esquadrão de mais de 50 castelhanos, e nele fez uma carniçaria espantosa até cair de costas; e nesta posição foi visto pelejando por algum tempo que viveu.


Não menos valor e sangue frio mostrou outro velho, de nome António Gonçalves, o qual, depois de empregar muitas balas no inimigo, achando-se entrincheirado, provocava um castelhano com palavras desonestas, dizendo-lhe que naquele dia lhe faria mau uso de sua mulher: cuidou então o bom velho de vingar a afronta ao maior preço, e disse aos que estavam junto dele: — Tende-me tento naquele castelhano. E apenas ele descobriu a cabeça, vindo também ao mesmo tempo com o arcabuz ao rosto para lho disparar, o nosso velho desfechou com ele e lançou-o de costas, dizendo em alta voz: — António Gonçalves depois de velho cavalheiro, e minha mulher velha, me queríeis enxovalhar?! Não cumprireis já o vosso danado intento!


É bem notório quanto naquele tempo se pejavam de semelhantes expressões, chegando a armar-se, e a empreender os duelos mais arriscados, para tomarem vingança daqueles que por tais meios os insultavam; e os castelhanos neste dia não souberam desprezar tão ridícula maneira de atacar os combatentes, dando-lhe que sentir nestas palavras.


Sendo já depois de meio-dia, estavam mortos dezassete portugueses, e sem embargo de que a gente da ilha era muito superior em número aos castelhanos, estes, pela boa ordem e valor com que pelejavam, punham em muita dúvida o resultado da acção.


Neste conflito achava-se Frei Pedro, religioso de Santo Agostinho de Angra (também os frades nesta ilha, como em outras partes, se intrometiam nas coisas da guerra), correndo e batalhando a cavalo com uma espada na mão; este pois vendo o risco em que se achavam os portugueses, aconselhou o governador Ciprião de Figueiredo, que lançasse grande quantidade de gado vaccum, e o espantassem sobre o inimigo com aguilhão e fogo dos arcabuzes, porque facilmente o desordenariam, e serviria de reparo aos portugueses, que atrás deles acabariam o conflito, desbaratando totalmente o exército dos castelhanos.


Como a ilha foi sempre muito abundante de gado desta espécie, em breve tempo trouxeram os portugueses tanto ou mais do que era o número dos inimigos, e chegado que foi, o puseram em ordem, espalhado de forma que tomasse a largura e tamanho do campo dos castelhanos.
Então um dos seus capitães, vendo o estratagema de que se usava contra eles, já descorçoado, disse: — Vien con ganado, gañados somos!.


Eric Lassova de Steblovo, Polaco, que presenciou, nas suas viagens ao serviço da armada do Rei de Espanha e relata-nos a batalha "...en un lugar «Porto Judeos» llamados... pêro este lanzô contra ellos muchos bueyes, rompiôn sus filas, cayo en cima, exterminó a todos, sin perdonar á los que se echaron á la mar, para alcanzar nadando algum navio ó barco; com los muertos mismos em la isla, cometió grandes atrociadades, arrancandoles los corazones y cortandoles las partes nobles para hacer de todo eso una demonstracion pública"


E assim foi, porque os castelhanos se achavam cansados da escaramuça, sem pólvora nem bala, e neste tempo pensaram em embarcar; porém tarde, porque, carregando os portugueses com muito ímpeto atrás do gado, os investiram de tal sorte e com tal fúria, por verem a mortandade e hostilidades que lhe fizeram, talando e queimando os seus campos, que em breve tempo os derrotaram; e quando chegaram os que iam na retaguarda, já não acharam encontro algum, nem a quem matassem, sem que aproveitasse aos castelhanos a retirada para a borda de água, porque ali mesmo desumanamente os matavam; nem ainda aos que se rendiam vivos perdoavam.


Também a D. Juan de Bazán, sobrinho do marquês de Santa Cruz, e a outro sobrinho do duque de Alba, tiraram as vidas a sangue frio, e o mesmo fizeram ao mestre de campo Valdez, e a muita fidalguia de Castela, que ali se achou.


Muitos lançaram-se ao mar, mas como estavam armados com armaduras de ferro, facilmente iam ao fundo; outros, querendo largar as armas, não o podiam fazer tão depressa que os não matassem, sem que os barcos e batéis se pudessem aproximar, pelo muito fogo que de terra se lhes fazia.


No entretanto o general Valdez a bordo da armada, amainando as velas, e pondo as bandeiras e estandartes à colha, manifestava o maior sentimento e tristeza que se podia imaginar; e em tanto desalento o colocara a má fortuna, que, suposto os portugueses andassem ao longo do mar engolfados nos despojos, nem por isso ele se atrevia a disparar contra eles alguma artilharia, como fizera durante o combate, porquanto o vento se lhe fez contrário, e engrossou sobremaneira o mar, servindo de sepultura aos muitos que dele se confiaram.


O que não obstante, mandou o general Ciprião de Figueiredo publicar com pena de morte, que todos se retirassem a cima, e deixassem os despojos inimigos.


Escapariam a nado pouco mais de 50 soldados, e o mar desde a costa até a bordo da armada estava tinto de sangue, oferecendo uma horrorosa perspectiva a toda a gente nobre e de entendimento que se puderam dar vida a todos depois de vencidos o fizeram; mas não podiam com a muita gente do povo.


Morreram de terra somente 17 homens; houve muitos feridos e queimados. Alguns elevam o número dos mortos a pouco menos de 30 (Antonio de Herrera é desta opinião). É suposto Herrera dizer que dos castelhanos morreram 400 somente, este número não é exacto, pelo que temos visto em diferentes relações, que, dando o desembarque de mil homens para cima, dizem que só destes escapariam a nado 50, ou pouco mais.


Por meio desta vitória, não só os portugueses recobraram a artilharia que os castelhanos lhes tinham tomado ao entrar da ilha, mas também a que trouxeram, riquíssimas armas com que vinham, bandeiras e caixas, e em fim tudo o que tinham roubado na terra.


No dia seguinte, 26 de Julho, em que a igreja celebrava a festa da gloriosa Santa Ana, na Vila de São Sebastião do Porto Judeu, houve missa em acção de graças, pela vitória alcançada, com perda de tão pouca gente. E segundo o mesmo António de Herrera, se nesta parte merece crédito, por ser o único onde achámos esta notícia, voltaram ao campo da batalha todos os moradores, homens e mulheres e meninos, e todas as ordens religiosas, excepto os Jesuítas, para verem os mortos, em torno dos quais dançaram ao som de instrumentos, depois de se terem dado aos últimos excessos, que lhes inspirava o contentamento de se verem vitoriosos.


Nesta ocasião diz-se que um Matias Dias, de alcunha o Pilatos, que não devia ter nome em uma obra destinada a honrar os terceirenses, sacara o coração do corpo de um espanhol e o comera às dentadas. Verdade ou mentira, o certo é que El-Rei D. Filipe não esqueceu, o que ao cruel agressor, que disto se gabara, custou depois a própria vida.


Finalmente o governador Ciprião de Figueiredo, depois de sepultados em uma grande vala os corpos, passou à cidade de Angra, onde era esperado com muitas demonstrações de alegria.


Triste experiência foi esta do general D. Pedro de Valdez, que teve a grande mortificação de ver tamanho destroço, e que lhe não escapasse um só homem de mil que desembarcara. Mas não devemos louvar os grandes excessos a que os terceirenses se abandonaram nesta ocasião, e que poriam uma mancha eterna na glória deste dia, se não fossem perpetrados por gentes do comum, e sem o conhecimento, e menos a condescendência, dos chefes, e dos homens honrados que se acharam na acção.


Em resultado desta batalha ficou consolidado o poder de D. António na Terceira e nas restantes ilhas do Grupo Central e Ocidental. Contudo, dada a importância geoestratégica das ilhas, D. Filipe II não poderia desistir, concedendo meramente uma trégua que duraria dois anos, até ao desembarque da Baía das Mós e à conquista da ilha.
Leonor Especial

 
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Mensagem Enviada: Sáb Out 12, 2019 22:17     Assunto : Responder com Citação
 
A Batalha Naval de Vila Franca nos Açores (por vezes conhecida também como Batalha de Ponta Delgada) foi um recontro travado no dia 26 de Julho de 1582, a sul da ilha de São Miguel, Açores, entre uma força luso-francesa, comandada por Filippo Strozzi, e uma armada espanhola (mas que incluía boa parte da armada portuguesa), comandada por D. Álvaro de Bazán, marquês de Santa Cruz, no contexto da guerra civil que se seguiu à aclamação de D. António I e à entrada de D. Filipe II de Espanha e I de Portugal na posse do trono português. As forças luso-francesas foram derrotadas, D. António foi obrigado a refugiar-se na ilha Terceira, seguindo-se um enorme massacre em Vila Franca do Campo, sendo o maior de que há registo nos Açores.

In diversas fontes da net.


Consolidada a sua posição em Portugal e segura a obediência do país, D. Filipe II de Espanha tinha os últimos apoiantes do pretendente ao trono D. António I dispersos pela Inglaterra e França, com o único núcleo coeso encurralado nos Açores. E mesmo nos Açores, as ilhas de Santa Maria e de São Miguel já lhe tinham jurado fidelidade, tendo à frente o bispo e o capitão do donatário em São Miguel.


Desejoso de eliminar aquele foco de resistência, e não podendo prescindir da posição geoestratégica do arquipélago no contexto do seu império ultramarino, já que a volta do largo obrigava a que os navios vindos das Caraíbas, do Atlântico Sul e da Índia demandassem aquelas latitudes, prontificava maiores forças e fazia grandes levas de gente nos seus Estados para se opor às pretensões açorianas de D. António.


Tendo como único território sob o seu domínio sete ilhas nos Açores, com a Terceira à cabeça, e obtido o apoio, embora não oficial, da rainha-mãe D. Catarina de Médicis, que fornece o grosso das tropas e os navios, D. António parte de Belle-Isle na costa bretã, a 26 de Junho de 1582, acompanhado por uma armada de cerca de 50 navios grandes e 20 pequenos, com 6 000 homens de guerra, capitaneada por Filippo Strozzi, ex-marechal de França, tendo por Condestável D. Francisco de Portugal, 3.º conde de Vimioso. Num golpe de duplicidade, que custaria a vida às centenas de súbditos franceses que foram aprisionados e depois executados como corsários, a corte francesa optou por manter a paz com Castela, pelo que todos os franceses que partiram na expedição, incluindo Filippo Strozzi, o fizeram como mercenários. Oficialmente, França e Castela estavam em paz.


Informado da expedição, D. Filipe I de Portugal trata de organizar uma expedição naval aos Açores, pelo que ordena a D. Álvaro de Bazán, marquês de Santa Cruz de Mudela, Capitão General de Galeras e herói indisputado de Lepanto, que parta para Sevilha, com ordem de armar quantas embarcações pudesse. Com as embarcações obtidas em Sevilha, e com outras que mandou vir de Biscaia sob o comando do Capitán General de la Armada de Guipúzcoa, D. Miguel de Oquendo, tomou o marquês o rumo ao cabo de S. Vicente, de onde passou a Lisboa a receber as últimas ordens de el-rei e o resto da frota. A expedição compunha-se de 31 embarcações de alto bordo, incluindo alguns galeões, e 5 patachos, guarnecidas de 6000 homens sob o comando do Mestre de Campo D. Lope de Figueroa, para além de grande número de fidalgos portugueses que voluntariamente se embarcaram.


A armada partiu a 10 de Julho imediato, ficando ainda em organização nos portos da Andaluzia uma força adicional que, sob o comando de D. Juan Martínez de Recalde, se lhe deveria juntar na ilha de São Miguel tão breve quanto possível.


Porém não sabendo D. Filipe I de Portugal qual o ponto a que se dirigiria a armada francesa, se em direcção dos Açores, ou se tentaria desembarcar entre o Douro e o Minho, ordenou extraordinárias levas por toda a Espanha, e mandou-as recolher em Portugal, entregando-as a cargo de D. Fernando de Toledo para que com elas guardasse as costas marítimas.


A 14 e a 15 de Julho do mesmo ano de 1582 chegou à ilha de S. Miguel a frota de D. António, tendo sempre navegado com vento próspero, e ainda ali não aparecia navio algum de D. Filipe I de Portugal e II de Espanha. Nesta armada vinha D. António em pessoa, e em demanda da ilha Terceira que tinha por si, e de caminho intentava reduzir a de São Miguel, onde havia grandes divisões.


Constava da armada de galeões e naus de guerra e soldados, quase todos franceses. Mandou logo embaixada para que os da ilha se rendessem e entregassem em boa paz, mas respondendo eles que se tinham de defender por estarem ao serviço de D. Filipe I, resolveu então que se verificasse o desembarque em hostilidade.


A 15, 16 e 17 do dito mês de Julho, fazendo a armada contínuos acometimentos à ilha, e descarregando-lhe muita artilhara, finalmente lançou em terra perto de três mil homens entre a vila da Lagoa e a ponta de Rosto de Cão e logo mais dentro se formaram em ordem de exército e batalha, sem que nem as vigias com a fumaça os vissem, nem de terra se lhes resistisse, antes fugiram para o interior da ilha com as suas mulheres e filhos, levando além disto tudo o mais que possuíam.


Encontrava-se neste tempo na dita ilha Pedro Peixoto com a sua armada surta no porto; e na fortaleza, ao serviço do governador Ambrósio de Aguiar, estava D. Lourenço de Conuera; aquele muito amado do povo, e este muito afamado pela sua valentia; e sucedendo no governo das armas Martim Afonso de Melo, enteado do falecido Aguiar, suposto que legalmente eleito, não contentes de impedir que ele tomasse posse, tomaram-na eles com o pretexto de defender a ilha. Saiu portanto Conuera ao encontro do inimigo, que logo encontrou e acometeu. Apenas o combate foi tomando calor, ou por medo ou por conluio com os franceses, o bravo capitão encontrou-se desamparado dos portugueses.


Em consequência do que lhe foi necessário retirar-se para o castelo de São Brás, onde foi recebido pelas muitas instâncias do bispo D. Pedro de Castilho, e pouco depois ali morreu das feridas que recebera. Também se retiraram para o mesmo castelo os espanhóis, e mais estrangeiros que o tinham acompanhado naquela infeliz campanha.


Não perderam contudo isto o ânimo o dito bispo e o capitão D. João de Castilho, que sucedera a D. Lourenço de Conuera, porque resolveram defender-se. Mas Peixoto, perdendo as esperanças de ser bem sucedido, desapareceu da ilha alta noite e dirigiu-se a Lisboa numa caravela. Ali, apesar de tudo, foi bem recebido por mostrar que dera à costa com a sua nau capitânia, para que D. António a não tomasse para si, como tomou as outras quatro ancoradas no porto.


Desembarcou mais no mesmo porto D. António com dois mil soldados da sua guarda e muita fidalguia. Nessa altura os franceses entraram pela ilha dentro, saqueando os lugares e vilas que lhes faziam resistência, e matando 200 portugueses que se lhe opuseram e que lhe desbarataram e feriram também muita gente, com o direito natural de justa defesa.


Na manhã do dia 17 de Julho de 1582 uma companhia de franceses e portugueses, que depois do saque da vila da Lagoa procedia ao reconhecimento do norte da ilha, encontrou-se no lugar do Pico do Cascalho, no actual lugar de Aflitos, Fenais da Luz, com um destacamento de tropas da parte castelhana, constituído por portugueses, biscaínhos e castelhanos, que de Ponta Delgada lhe tinha partido ao encalço, travando-se violenta peleja.


De acordo com a descrição dos acontecimentos feita por Gaspar Frutuoso nas suas Saudades da Terra, na refrega morreram 25 soldados espanhóis e 50 franceses. No combate o capitão das forças pró-castelhanas D. Lourenço Cenoguera feriu mortalmente o capitão francês Roque Morea, sendo de imediato acometido por outro militar francês, de nome monsieur Ferreira, que o feriu gravemente, vindo também a falecer no dia imediato.


Na descrição do combate, Frutuoso diz: “E se não mandara Deus a este tempo uma borriscada de chuva e vento, que encobriu uns e outros, nenhum espanhol escaparia com vida, porque já os franceses entendiam não haver mais gente que a que aparecia ao redor daquele pico do Cascalho e eles eram muitos.” Desbaratada a força pró D. Filipe I de Portugal, as tropas afectas ao Prior do Crato saquearam os Fenais da Luz e as quintas, vinhas e pomares da Fajã de Cima até aos arrabaldes de Ponta Delgada. A violência foi tal que D. António impôs a pena de morte a qualquer soldado do seu exército “que tocasse em alguma coisa dos vizinhos de toda a ilha”.


O local da refrega é hoje assinalado por um azulejo onde se pode ler: “Neste lugar, chamado Batalha, se travou em 17 de Julho de 1582 um combate entre as tropas de D. António Prior do Crato e de D. Filipe II de Espanha e I de Portugal, morrendo setenta e cinco soldados e um oficial”. Nas imediações ergue-se o lugar da Batalha, conhecido pelo seu campo de golfe.


Desembarcadas as forças de D. António e submetida a maior parte da ilha, só Vila Franca do Campo ficou livre do saque, por ter dantes visitado, assim no mar como na terra, ao novo rei D. António. Contudo, as tropas pró-Castela entrincheiraram-se no castelo de São Brás e recusaram a rendição. Contudo, no dia 21 de Julho, dispondo-se já a render por assalto a fortaleza de São Brás, último reduto da resistência do partido castelhano, D. António soube ter chegado à vista da ilha a poderosa armada de el-rei de Castela, comandada pelo marquês de Santa Cruz, D. Álvaro de Bazán, e pelo mestre de campo D. Lope de Figueroa. Tal fez cessar as hostilidades em terra, tendo sido ordenada a retirada das forças para bordo da armada.


A batalha de Vila Franca foi o maior recontro de toda a campanha de D. Filipe I de Portugal contra os insurgentes portugueses, causando ao conjunto das partes mais de 2500 mortos. Foi a primeira batalha naval onde intervieram os grandes galeões, servindo de ensaio a novas tácticas e manobras. A vitória castelhana abriu caminho para o reforço naval de Castela, que levaria à Invencível Armada e premiou a experiência táctica do marques de Santa Cruz de Mudela, um veterano de Lepanto. O desfecho sangrento que culminou com as execuções de Vila Franca teve um importante reflexo em França, que a partir deste incidente mudou a sua postura política face a Castela.


Com esta notícia resolveu D. António embarcar-se logo para oferecer a batalha à armada castelhana, antes que chegassem as naus da Andaluzia a unir-se com as forças que já se encontravam ao largo da ilha. Com este objectivo recolheu-se à sua armada na noite de 21 para 22 de Julho, com os franceses que estavam na ilha, depois de conferir sobre este particular com o conde de Vimioso, Filippo Strozzi, o senhor de Brissac e outros capitães franceses. E porque entre eles resolveu-se não ser conveniente que ele assistisse à batalha, aconselharam-no a retirar-se para a ilha Terceira, para a qual imediatamente partiu.


D. António desembarcou no Porto Novo, vila de São Sebastião, na manhã de 26 de Julho, na mesma ocasião em que a sul de São Miguel se desenrolava a batalha.


Então logo saiu a esquadra francesa a demandar a espanhola, na qual tinha o marquês de Santa Cruz de Mudela convocado o conselho de guerra, composto por D. Pedro de Toledo, mestre de campo general, do marquês de Távora, de D. Pedro Tassis, comissário geral, D. Francisco de Bobadilla, e outros oficiais, sendo todos de parecer que se combatesse, suposto não serem ainda chegadas as naus da Andaluzia.


Em consequência desta deliberação deu o marquês ordem do que se iria recurdar da batalha, pela maneira seguinte: “À mão direita do seu galeão São Martinho pôs o galeão São Mateus, onde ia D. Lopo de Figueiroa, e à esquerda uma urca, na qual ia D. Francisco de Bobadilla, com outras quatro naus de socorro, e os demais repartiu em seus postos, ficando-lhe atrás somente D. Cristóbal de Eraso, por se ter quebrado o mastro da nau grande em que vinha; de maneira que todas as forças do marquês consistiam em 27 naus.


Porém, não obstante o determinar-se em todos os navios mui boa ordem, não se fez coisa alguma por ora, em razão de não avançarem estas duas armadas mais de duas léguas, por ser o vento escasso e interpor-se a noite”.


Assim, enquanto o marquês bordejava pelo leste da ilha de São Miguel, aproximava-se à cidade de Ponta Delgada a esquadra francesa, sem que o marquês soubesse o que se passava em terra; nem teria notícia alguma disso se D. João de Castilho, que tinha sucedido no cargo a Lourenço de Conuera, e se encontrava senhor do Castelo de São Brás, não o avisasse de noite, oferecendo-lhe socorro se necessário fosse, e dando-lhe parte das forças inimigas, que dizia constavam de 6 mil soldados em 58 pequenas embarcações e 28 navios de alto bordo. A isto respondeu o marquês, exortando a que os da terra estivessem firmes e resolutos a defender-se, porque ele com a sua armada pretendia desbaratar os franceses totalmente.


Todavia no dia seguinte 23 de Julho, apresentaram-se na batalha as duas armadas com igual valor, e espantoso terror de quem as via, e três dias se andaram acometendo com surriadas de tiros, sem que o tempo lhes permitisse decidirem a batalha, até que, sendo a 26 de Julho do dito ano de 1582, dia de Santa Ana, avistaram-se as duas armadas em distância de légua uma da outra e 5 léguas da ilha de S. Miguel.


Estava então o mar em grande calmaria, mas pela volta do meio dia levantou-se uma aragem mui favorável, e desta se aproveitaram as armadas para se demandarem. Ia na frente da armada francesa a nau capitânia com o general Filippo Strozzi e o conde de Vimioso, e a almirante levava o conde de Brissac, e junto desta iam três galeões ingleses, seguindo-se as demais embarcações dispostas em muitas linhas.


Na vanguarda da armada espanhola ia a urca S. Pedro, comandada por Bobadilla; seguia-se depois desta a nau do marquês, que levava rebocada a nau de D. Cristóvão de Eraso, capitão velho, mui esforçado no mar, o qual junto de si levava a sua esquadra dos galeões da carreira das Índias. Seguia-se o galeão S. Mateus, em que ia o mestre de campo general Lopo de Figueiroa. Por ficar mais atrás das outras, foi esta a primeira acometida da capitania, a do almirante francês e dos três galeões ingleses.


Então começou uma terrível batalha com a artilharia e arcabuzaria, da forma que se abalroaram os galeões, capitânias e almirantes, e aferrados batalharam por mais de cinco horas contínuas, até ficarem prisioneiros e mortalmente feridos os comandantes da armada francesa, o general Strozzi e o conde de Vimioso, bem como muitos outros esforçados cabos de guerra. Entre a soldadesca as baixas excederam os 1200 homens.


Filippo Strozzi, depois de ter feito acções memoráveis, foi ferido por um tiro de mosquetaria por baixo de um joelho, pelo que oprimido da fadiga e vendo a sua embarcação a ponto de ir a pique, meteu-se num batel no intento de ganhar a terra, mas sendo preso e levado à presença do marquês de Santa Cruz, este mandou-o recolher ao castelo de popa da capitania, onde consentiu que um soldado o ferisse com a espada; e depois, olhando para ele com insensibilidade e desprezo, mandou que o lançassem ao mar, não obstante o respirar ainda.


Também foi preso e ferido o conde de Vimioso, por um soldado da companhia do dito Gamboa, que ia no galeão S. Martinho. Vimioso não sobreviveu mais de dois dias aos ferimentos e à prisão.


Prenderam-se mais 80 cavaleiros e entre eles 30 senhores de vassalos, e com os outros chegaram a mais de 300 homens.


Alguns navios franceses foram afundados, muitos destroçados, e outros se foram retirando sem que já os castelhanos os pudessem seguir, por ficar a sua armada muito derrotada e com muita gente morta.


Em substância, diz a crónica coeva do historiador Antonio de Herrera y Tordesillas que “perdieron los franceses ocho naves, las mejores, murieron 3300 hombres. De los Españoles 200, y heridos 500”. E diz mais que o marquês não seguiu os fugitivos por se não querer decidir, por serem os navios pesados e se interpor a noite.


Porém, na verdade achamos muito pequeno o número dos mortos e feridos num combate como este que durou tanto tempo; o que nos persuade haver aqui algum exagero, assim como a ouve no louvor dado aos seus capitães, cujos nomes não esqueceram, sem que se lembrasse de nenhum dos inimigos.

Marinheiro experiente de muitas batalhas, entre as quais a de Lepanto, o marquês de Santa Cruz soube guardar a sua pessoa na praça de artilharia, governando-a debaixo da coberta, e levando as forças comandadas por Strozzi, com muito menos experiência na guerra naval, a um total desbarato.


Este combate, em que pereceram aqueles grandes cabos de guerra e outros guerreiros de grande experiência, ficou também marcado pela traição de muitos navios franceses, que não quiseram pelejar e fugiram logo que viram preso Filippo Strozzi.


Este o fim que teve a batalha naval travada a sul da ilha de S. Miguel, de certo a maior que ocorreu nos mares dos Açores e a primeira em que se enfrentaram em pleno oceano grandes galeões de alto bordo.


Confirmada a vitória pela retirada dos navios franceses, deu o marquês à vela para a ilha de S. Miguel, a mandar tratar dos feridos e fazer aguada; porém sobrevindo-lhe o vento contrário, não fundeou nela senão depois de quatro dias.


Primeiro que tudo dirigiu-se a Vila Franca, enchendo de terror toda aquela costa, cujos habitantes mandaram logo assegurar-lhe a sua obediência.


No dia 1 de Agosto desembarcou em terra o mestre de campo D. Francisco de Bobadilla com quatro companhias de soldados, levando no meio todos os prisioneiros franceses, aos quais em alta voz e em público cadafalso leu-se-lhes uma sentença que os condenava à morte, como perturbadores da paz entre França e Castela. A sentença, assinada por D. Álvaro de Bazán, mandava degolar os nobres e enforcar os outros, excepto os que não chegavam à idade de 18 anos.


E sem embargo de que esta sentença parecesse a todos muito cruel, e os mesmos soldados espanhóis assim o vozeassem com a maior liberdade, dando ocasião a que alguns principais capitães fossem pedir a derrogação dela ao marquês, nada se efectuou: “porque ele dizia que só executava os mandatos de el-rei de França, que estando em paz com Castela não permitiria que súbditos seus agissem como corsários atacando a armada castelhana”.


E assim se cumpriu a sentença, decapitando-se 28 cavalheiros franceses, e 50 de menor condição, enforcados além destes muitos centos de soldados e marinheiros. Estas execuções foram feitas com grande lentidão e crueza, prolongando-se por todo o dia, sendo os corpos decapitados amontoados sobre o adro da matriz de Vila Franca. Parte dos marinheiros foram enforcados no ilhéu de Vila Franca, ficando os corpos a apodrecer nas forcas como aviso aos restantes franceses que ainda andavam embarcados nas ilhas.


Quanto aos da terra, só a um fidalgo de Vila Franca, que servia de vereador da Câmara, mandou degolar, e a outras condenou em penas menores.


A 5 de Agosto foi à mesma vila o bispo D. Pedro de Castilho, e passou a bordo da armada a visitar o marquês, que o recebeu com muitas honras militares, como pessoa que tantos serviços prestara a el-rei Católico, sendo parte principal da sua aclamação naquela ilha; e também pela conservação do castelo de São Brás, que ele com D. João de Castilho guardaram, recolhendo dentro dele D. Lourenço de Conuera quando se retirava do combate na ocasião em que os franceses tomaram a ilha. No mesmo dia desembarcou o marquês em terra, onde foi aceite com grande pompa, e embarcando-se para a cidade de Ponta Delgada, nela foi recebido em triunfo.


Concluídas estas visitas, embarcou-se o marquês, e deu à vela no rumo da ilha do Corvo, a fim de escoltar as naus da Índia, levando consigo 16 naus de guerra que a 3 de Agosto tinham chegada à ilha de S. Miguel, vindas de Sevilha em seu socorro. Voltando porém à dita ilha, remeteu-as para Lisboa, com 7 naus em sua defesa, e nelas foi o bispo D. Pedro de Castilho, a quem el-rei recebeu com especial agrado e fez grandes obséquios.


Então o marquês, deixando em S. Miguel quase três mil soldados de guarnição, partiu com ambas as suas armadas, e em três dias estava defronte da ilha Terceira, a qual sem fazer caso das cartas e embaixadas do marquês e do seu poder, respondeu-lhe com tanta e tão forte artilharia, que ele desistiu da empresa e voltou a Lisboa, onde não constava ainda o sucesso desta batalha, sabendo-se apenas que ela tinha começado por ter ido parar a Setúbal uma nau francesa destroçada, em que somente vinham soldados espanhóis mortos, no seio de um dos quais se encontrou um caderno onde tinha escrito os sucessos de cada dia até àquele em que morreu.


O aparecimento desta armada diante da Terceira, foi aparentemente um gesto para aterrar os seus defensores, do qual António de Herrera diz: “Reparada la armada se fue el Marques a la lsla del Cuervo a recebir las naves de la India, y en el passar tuvo miedo don António, y se apercebia de navio ligero para huyr”.


Numa Relação coeva, escrita na ilha Terceira por uma testemunha dos acontecimentos, trata-se de uma grande armada com que defronte da Terceira se apresentou o marquês de Santa Cruz, em número de 70 velas, e que os franceses foram pedir a D. António os deixasse sair a combatê-la com os 50 navios que estavam no porto, o que ele não consentiu por se lembrar da pusilanimidade com que eles acabavam de fugir defronte da ilha de S. Miguel, e com isto conclui o autor que esta armada viera somente mostrar-se à ilha, sem dar notícia de que pretendesse tomá-la, nem lhe mandasse cometer partido algum.
Leonor Especial


 
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O Cerco e Batalha das Linhas de Elvas


In diversas fontes da net.


Cerco de Elvas (1644)


Um exército espanhol, sob o comando do marquês de Torrecusa, atravessou o Guadiana, com 12000 homens de infantaria, 2600 de cavalaria, 20 peças de artilharia e 2 morteiros, marchando no sentido de Campo Maior. Mandou fazer um reconhecimento à praça de Olivença, mas desistiu de a atacar, por considerá-la de pouco interesse. O exército espanhol chegou a Elvas estabelecendo o cerco. O marquês de Alegrete reforça a guarnição e consegue vencer os ataques dos espanhóis que acabaram por retirar oito dias depois.


Batalha das Linhas de Elvas


A Batalha das Linhas de Elvas, foi travada em 14 de Janeiro de 1659 em Elvas entre portugueses e espanhóis.


Em 1658, o exército espanhol, comandado por D. Luís de Haro, acampava na fronteira do Caia, com 14 000 homens de infantaria, 5 000 de cavalaria,19 canhões (na verdade apenas 18 entraram em batalha, pois um perdeu uma roda no meio do caminho) 3 morteiros(155 mm.) de artilharia. Alguns dias decorreram em preparativos quer no lado espanhol para o cerco de Elvas, quer por parte dos portugueses para defenderem a cidade. D. Luís de Haro distribuiu as suas tropas ao longo de entrincheiramentos cercando a praça, dando ordem para que fosse exercida apertada vigilância a fim de impedir que Elvas recebesse mantimentos ou qualquer outra espécie de auxílio vindo do exterior, de tal modo que só a chegada de um verdadeiro exército poderia evitar mais cedo ou mais tarde, a capitulação da praça. A rainha D. Luísa resolveu chamar D. António Luís de Meneses, conde de Cantanhede, para lhe entregar o comando geral das tropas portuguesas no Alentejo, e transferir para o mesmo teatro de operações D. Sancho Manuel, que foi assumir as funções de Mestre-de-campo-general. As tropas espanholas instaladas nas duas colinas mais próximas começaram a bombardear a praça de Elvas, causando pânico e grandes baixas na população. Mas o maior perigo era a peste que causava cerca de 300 mortes por dia.


Mediante tal situação, o conde de Cantanhede, D. António Luís de Meneses reuniu em Estremoz um exército a fim de socorrer aquela praça do cerco espanhol. Apesar de grandes dificuldades, que o obrigaram a organizar recrutamentos em Viseu e na ilha da Madeira, e reunir as guarnições de Borba, Juromenha, Campo Maior, Vila Viçosa, Monforte e Arronches, o conde de Cantanhede conseguiu formar um exército de oito mil infantes, dois mil e novecentos cavaleiros guarnecidos por sete canhões. Tendo ficado acordado, entre o conde de Cantanhede e D. Sancho Manuel, que o ataque às linhas de Elvas se faria pelo sítio conhecido por Murtais, o exército português saiu de Estremoz e marchou sobre a praça cercada.


Os brigantinos ocuparam as colinas da Assomada, de onde se avistava a cidade de Elvas e as linhas inimigas, estas num majestoso arraial. No dia 14 de Janeiro, cerca das oito e quinze da manhã, os portugueses desencadearam o ataque como estava previsto pelo sítio dos Murtais. Manteve-se indecisa a vitória durante algum tempo, pois ao ataque respondiam os espanhóis com vigorosa defesa, mas a certa altura as tropas do conde de Cantanhede conseguiram romper irremediavelmente as linhas de trincheiras dos espanhóis, que começaram por ceder terreno e não tardaram a debandar.


As perdas sofridas pelas tropas filipinas nas linhas de Elvas foram enormes. Dos dezanove mil homens comandados por D. Luís de Haro, apenas cerca de cinco mil infantes e trezentos cavaleiros (sem contar com as mortes por infecção ou doença) conseguiram alcançar Badajoz.


Nesta batalha distinguiu-se o conde de Cantanhede, que recebeu, entre outras mercês, o título de marquês de Marialva, por carta de lei de 11 de Junho de 1661.
Leonor Especial


 
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O Cerco e Batalha das Linhas de Elvas


In diversas fontes da net.


Cerco de Elvas (1644)


Um exército espanhol, sob o comando do marquês de Torrecusa, atravessou o Guadiana, com 12000 homens de infantaria, 2600 de cavalaria, 20 peças de artilharia e 2 morteiros, marchando no sentido de Campo Maior. Mandou fazer um reconhecimento à praça de Olivença, mas desistiu de a atacar, por considerá-la de pouco interesse. O exército espanhol chegou a Elvas estabelecendo o cerco. O marquês de Alegrete reforça a guarnição e consegue vencer os ataques dos espanhóis que acabaram por retirar oito dias depois.


Batalha das Linhas de Elvas


A Batalha das Linhas de Elvas, foi travada em 14 de Janeiro de 1659 em Elvas entre portugueses e espanhóis.


Em 1658, o exército espanhol, comandado por D. Luís de Haro, acampava na fronteira do Caia, com 14 000 homens de infantaria, 5 000 de cavalaria,19 canhões (na verdade apenas 18 entraram em batalha, pois um perdeu uma roda no meio do caminho) 3 morteiros(155 mm.) de artilharia. Alguns dias decorreram em preparativos quer no lado espanhol para o cerco de Elvas, quer por parte dos portugueses para defenderem a cidade. D. Luís de Haro distribuiu as suas tropas ao longo de entrincheiramentos cercando a praça, dando ordem para que fosse exercida apertada vigilância a fim de impedir que Elvas recebesse mantimentos ou qualquer outra espécie de auxílio vindo do exterior, de tal modo que só a chegada de um verdadeiro exército poderia evitar mais cedo ou mais tarde, a capitulação da praça. A rainha D. Luísa resolveu chamar D. António Luís de Meneses, conde de Cantanhede, para lhe entregar o comando geral das tropas portuguesas no Alentejo, e transferir para o mesmo teatro de operações D. Sancho Manuel, que foi assumir as funções de Mestre-de-campo-general. As tropas espanholas instaladas nas duas colinas mais próximas começaram a bombardear a praça de Elvas, causando pânico e grandes baixas na população. Mas o maior perigo era a peste que causava cerca de 300 mortes por dia.


Mediante tal situação, o conde de Cantanhede, D. António Luís de Meneses reuniu em Estremoz um exército a fim de socorrer aquela praça do cerco espanhol. Apesar de grandes dificuldades, que o obrigaram a organizar recrutamentos em Viseu e na ilha da Madeira, e reunir as guarnições de Borba, Juromenha, Campo Maior, Vila Viçosa, Monforte e Arronches, o conde de Cantanhede conseguiu formar um exército de oito mil infantes, dois mil e novecentos cavaleiros guarnecidos por sete canhões. Tendo ficado acordado, entre o conde de Cantanhede e D. Sancho Manuel, que o ataque às linhas de Elvas se faria pelo sítio conhecido por Murtais, o exército português saiu de Estremoz e marchou sobre a praça cercada.


Os brigantinos ocuparam as colinas da Assomada, de onde se avistava a cidade de Elvas e as linhas inimigas, estas num majestoso arraial. No dia 14 de Janeiro, cerca das oito e quinze da manhã, os portugueses desencadearam o ataque como estava previsto pelo sítio dos Murtais. Manteve-se indecisa a vitória durante algum tempo, pois ao ataque respondiam os espanhóis com vigorosa defesa, mas a certa altura as tropas do conde de Cantanhede conseguiram romper irremediavelmente as linhas de trincheiras dos espanhóis, que começaram por ceder terreno e não tardaram a debandar.


As perdas sofridas pelas tropas filipinas nas linhas de Elvas foram enormes. Dos dezanove mil homens comandados por D. Luís de Haro, apenas cerca de cinco mil infantes e trezentos cavaleiros (sem contar com as mortes por infecção ou doença) conseguiram alcançar Badajoz.


Nesta batalha distinguiu-se o conde de Cantanhede, que recebeu, entre outras mercês, o título de marquês de Marialva, por carta de lei de 11 de Junho de 1661.
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Mensagem Enviada: Seg Out 14, 2019 19:23     Assunto : Responder com Citação
 
A Batalha de Montijo foi travada a 26 de Maio de 1644 no Montijo, município da província de Badajoz, Espanha, entre exércitos portugueses e espanhóis.

In diversas fontes da net.


D. Matias de Albuquerque sabia que as tropas filipinas eram comandadas pelo Marquês de Torrecuso, e estava desejoso de afirmar a sua própria presença. Ainda que com grandes dificuldades, juntou seis mil homens de infantaria, mil e cem de cavalaria e sete canhões, a fim de provocar uma batalha «a sério», e atravessando a fronteira, foi atacar Montijo, apoderando-se da praça.


Não tendo encontrado um exército na sua frente, decidiu voltar ao ponto de onde partira, sem no entanto descuidar as precauções necessárias para o caso de, durante a marcha, surgir o inimigo que procurava. Bem avisado andou D. Matias de Albuquerque em se acautelar, pois o Marquês de Torrecuso, informado da incursão portuguesa, destacou um exército composto por seis mil infantes e dois mil e quinhentos cavaleiros, cujo comando confiou ao barão de Mollingen com a missão de dar batalha aos incursores. D. Matias de Albuquerque tinha disposto da melhor maneira possível a sua gente e, ao deparar-se-lhe o inimigo no dia 26 de Maio de 1644 viu finalmente a oportunidade que tanto desejara.


O primeiro embate no entanto, foi desastroso para as tropas de D. Matias de Albuquerque, cujo flanco esquerdo era o menos solidamente guarnecido. Foi nesse ponto que a cavalaria filipina atacou, provocando a debandada dos soldados de D. Matias de Albuquerque, entre os quais se encontrava, cerca de cento e cinquenta holandeses sob o comando de Piper.


Conduzida pelo próprio barão de Mollingen, a cavalaria filipina abriu uma brecha no centro do dispositivo brigantino já desorganizado pela fuga dos que debandavam sem ter sequer disparado um tiro. Um valente oficial francês ao serviço de D. João IV, Lamorlé, foi encontrar o fronteiro-mor combatendo a pé junto do seu cavalo abatido, e deu-lhe sem hesitar a sua própria montada. A esse gesto de abnegação deveria D. Matias de Albuquerque a reabilitação do seu exército e o resgate da sua honra de militar. Redobrando ânimo, relançou o olhar pelas hostes inimigas e notou imediatamente a falta de reservas. Então iniciaram-se as hostilidades, mas logo as primeiras tentativas demonstraram ao inimigo que os portugueses não seriam presa fácil.


D. João da Costa colocou em bateria todas as peças de artilharia no ponto mais propício, e metralhou vigorosamente o inimigo impedindo-o de se reunir. O barão de Mollingen, que na verdade nao dispunha de reservas, foi obrigado a procurar a salvação na fuga e só parou na outra margem do rio Guadiana, seguido pelos sobreviventes da inesperada derrota.


Além da derrota infligida às tropas espanholas, o efeito moral consequente da heróica proeza de D. Matias de Albuquerque teve grandes repercussões, causando júbilo em Lisboa e espantando as cortes estrangeiras ante a humilhação sofrida por D. Filipe IV de Espanha.
Leonor Especial


 
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Mensagem Enviada: Qua Out 16, 2019 21:51     Assunto : Responder com Citação
 
A Batalha do Ameixial foi travada, em Santa Vitória do Ameixial, a 8 de Junho de 1663, entre o exército espanhol e o exército português.


In diversas fontes da net.


O exército espanhol, comandado por D. João José de Áustria, invadiu Portugal saindo de Badajoz e pôs cerco a Évora que se rendeu. Era composto por 26,000 homens e pretendia dirigir-se depois a Alcácer do Sal para dividir Portugal em dois e alcançar a sua capital Lisboa.


Ficou livre apenas a estrada de Santiago do Cacém-Melides-Comporta, para comunicação do Baixo Alentejo e Algarve com o resto do país.


No entanto, na retaguarda do exército espanhol mantinha-se o português, sob o comando de D. Sancho Manoel, Conde de Vila Flor, auxiliado pelas preciosas ajudas do Conde de Schomberg e o Conde da Ericeira entre outros oficiais superiores.


Os dois exércitos encontraram-se a 8 de Junho nos campos de Ameixial a 5 km de Estremoz.


Derrotados, os espanhóis retiraram-se para Arronches e depois para Badajoz. Assim, graças à vitória desta batalha, terminou um dos mais perigosos ataques espanhóis da Guerra da Restauração.


O desenrolar da Batalha:


O exército invasor seguiu para Évora que tomou a 22 de Maio. Perante esta situação, o exército português comandado por D. Sancho Manuel dirigiu-se para Évora a fim de provocar o combate.


O exército espanhol não aceitou contudo o desafio, decide evacuar Évora e opta por recuar em direcção à fronteira, para depois atingir Badajoz.


D. João de Áustria percebeu que dificilmente conseguiria deixar de dar batalha. Desta forma, o exército espanhol julgou ver no Ameixial uma posição que lhe seria favorável. Estava a 5 km de Estremoz.


D. João de Áustria toma então a decisão de colocar o seu exército em posição de batalha, colocando nomeadamente parte da sua artilharia em três montes aí existentes (Monte dos Ruivinos, Serra Murada e Serra da Granja).


O exército português, que avançava pela estrada vinda de Estremoz, deparou ao romper do dia com o exército espanhol instalado nestas posições defensivas. A Batalha do Ameixial, iniciou-se assim no início do dia 8 de Junho de 1663, com o ataque português ás posições espanholas.


O Conde de Vila Flor destacou Manuel Freire de Andrade com quinhentos homens de cavalaria e dois regimentos de infantaria, com o objectivo de desalojar os castelhanos do Monte dos Ruivinos, pois esta era das três colinas a primeira que se encontrava na sua frente.


Este ataque foi conduzido com grande valentia, o que obrigou os espanhóis a abandonarem uma posição que consideravam inexpugnável e a retirarem pelo outro lado da encosta, em direcção à Serra da Granja e à Serra Murada (Outeiro dos Ataques).


Nesse momento o exército português ocupava a Serra dos Ruivinos e a Serra da Caldeirinha. O Conde de Schomberg ordenou então que no alto de cada uma dessas duas colinas fossem colocadas cinco peças de artilharia, para protegerem as nossas forças.


O exército espanhol, composto por cerca de quatro mil carros manchegos, cada um com aproximadamente seis metros, puxados por mulas ou por bois, ocupava um gigantesco cortejo.


Este exército avançava a uma velocidade reduzida, pela “estrada estreita e profunda” vinda de Évora em direcção a Arronches, numa coluna de carros que se estendia por mais de 3 Km.


Para proteger esta coluna de carros e carruagens, D. João de Áustria mandou colocar a infantaria nos vértices da Serra da Granja e da Serra Murada, bem como quatro peças de artilharia em cada uma dessas colinas.


O grande objectivo de D. João de Áustria era contudo o de assegurar a retirada do seu exército para Arronches, pois entendia que aí o poderia reforçar significativamente.


Cerca das três da tarde, D. Luís de Meneses, Conde da Ericeira, que estava a dirigir o fogo de artilharia do Monte dos Ruivinos, notou que das oito peças de artilharia castelhana situadas nas Serras da Granja e da Murada, apenas quatro continuavam a disparar. Significava isto que o exército espanhol se ia retirando.


Em face desta situação, o exército português decide atacar a meio da tarde, a Serra Murada (Outeiro dos Ataques), onde se entrincheirara D. João de Áustria, que considerava estar numa posição inexpugnável.


Esta Serra era defendida essencialmente pela infantaria espanhola. No ataque participaram quatro terços de infantaria portuguesa: Tristão da Cunha comandava o terço que atacou a Serra pelo lado direito; pela frente atacaram dois terços, comandados respectivamente por João Furtado e Francisco da Silva; pelo lado esquerdo Tomaz Hut, tenente–coronel inglês comandava outro terço, composto essencialmente por ingleses.


Os soldados portugueses tinham ordens de D. Luís de Meneses para não dispararem enquanto não atingissem o alto da Serra, pois o tiro dos inimigos sendo disparado do alto da Serra, perderia força e seria pouco certeiro.


Os três terços portugueses chegaram ao mesmo tempo ao cimo desta Serra, tendo então todas as suas armas disparado simultaneamente, o que muito surpreendeu e perturbou os castelhanos. Perante isto e apesar da valentia de D. João de Áustria, a infantaria espanhola acabou por abandonar a colina, deixando aí as quatro peças de artilharia.


Estas peças de artilharia foram de imediato utilizadas por D. Luís de Meneses, contra as posições espanholas. A infantaria espanhola em fuga reagrupou-se durante algum tempo na Serra da Espargueira, contiguidade da Serra Murada. Contudo, durou pouco tempo esta resistência, em face do continuado ataque dos terços portugueses vindos da Serra Murada. D. João de Áustria montou então a cavalo e retirou-se para Arronches.


As nossas forças tinham contudo ainda de conquistar as posições castelhanas da Serra da Granja, onde se encontrava infantaria e artilharia inimiga, bem como a coluna de carruagens e de cavalaria espanhola que atravessava o Vale dos Perdigais em direcção a Arronches.


Ocorreu então um choque violentíssimo entre os dois exércitos, com provas de coragem extrema de ambos os lados. Os portugueses desenvolveram em todos os seus ataques uma táctica oportuna e de grande bravura. Tendo durado várias horas, este ataque saldou-se mais uma vez pela retirada das forças castelhanas.


No Vale dos Perdigais a cavalaria e os restos da infantaria espanhola passaram a estar debaixo de um fogo intenso e continuado da artilharia portuguesa, então já posicionada nas encostas da Serra da Espargueira, da Serra Murada, Tejos e Monte Pelado, tornando praticamente impossível o escoamento da coluna de carros e carruagens espanholas para fora do campo de batalha, pela referida “estrada estreita e profunda”, sobretudo no apertado desfiladeiro entre o Montinho e o Monte Pelado, em direcção a Arronches.


Os espanhóis ficaram assim como que “engarrafados” no Vale dos Perdigais, com a agravante de que os 4,000 prisioneiros portugueses que seguiam na vanguarda desta coluna, ao verem esboçar-se a vitória a favor dos seus compatriotas a evolução da batalha, voltaram-se contra os espanhóis, retirando-lhes as armas que puderam e começando a combater contra eles.


A multidão de soldados e acompanhantes que vinham na retaguarda da coluna espanhola, e que pretendiam pôr-se a salvo, esbarravam com os que vinham da vanguarda, atropelando-se mutuamente.


Até descer a escuridão dessa noite, batalhou-se arduamente, tendo-se mais uma vez provado a valentia da infantaria e cavalaria portuguesa.


Com efeito, a cavalaria e a infantaria portuguesas atacaram ao longo dessa área a extensa coluna de carros e carruagens espanholas, que se movimentavam escoltadas por infantaria, mas sobretudo pela cavalaria espanhola.


Apenas com o raiar do sol do dia seguinte, foi possível ver toda a extensão deixada no terreno pela Batalha, tanto nos vales, como nos diferentes montes e colinas.


A vitória portuguesa foi esmagadora, tendo os espanhóis sido completamente desbaratados, deixando no campo 4,000 mortos, 2,500 feridos e 6,000 prisioneiros.


Foram apreendidos ao exército espanhol nomeadamente 18 canhões, 2,811 cavalos, 5,000 carruagens muitas delas com ouro e prata, 6,000 bois, 8,000 mulas, 6,000 granadas, 3,000 balas de artilharia, 2 coches de Príncipe e 25 coches particulares.


O exército português sofreu aproximadamente 1,000 mortos entre os portugueses, trezentos mortos entre os franceses e cinquenta mortos entre os ingleses.



Consequências da Batalha:


A Batalha do Ameixial foi fundamental para que Portugal se mantivesse como Portugal e tivesse chegado ao séc. XXI, como País independente. Com efeito, esta Batalha insere-se numa forte ofensiva espanhola, no sentido de conseguir retomar o País perdido.


O resultado desta Batalha teve importante significado e consequências para os dois lados. Para Portugal, a Batalha do Ameixial foi a mais importante vitória militar da Restauração, pois ela resolveu possivelmente a mais perigosa situação que Portugal enfrentou durante o período de 1640 a 1668.


A Batalha do Ameixial passou à história como uma das mais violentas e esforçadas, mas também das mais gloriosas nas Guerras da Restauração.


Para Espanha, esta Batalha contribuiu para que crescentemente alastrasse a convicção, nomeadamente na Corte e na nobreza espanhola, de que seria praticamente impossível a submissão de Portugal pelas armas, e que portanto seria inútil o prosseguimento da luta.


No plano internacional, a vitória portuguesa no Ameixial convenceu cada vez mais a França e a Inglaterra de que seria desejável o estabelecimento de um tratado de paz entre Portugal e Espanha.


É assim possível afirmar que com a inequívoca vitória portuguesa na Batalha do Ameixial, terminou uma das maiores ameaças à restauração da independência portuguesa e se abriu o caminho à existência de um País livre.


Após a vitória foi erguido na Estrada do Cano um padrão comemorativo, o qual foi transferido para a E. N. 245, entre o final do século XIX e o início do século XX.


Descrição do Padrão:


Padrão em mármore local, composto por soco escalonado de três degraus, onde se assenta a base e a coluna lisa com capitel de ordem dórica rematado por plinto e coroa imperial fechada.


Na base apresenta a seguinte inscrição descritiva:


Este padrão coroado
É o símbolo da glória
E o marco duma vitória
Dum povo humilde e honrado
Que nestes campos no passado
À Pátria mãe tem leal
Aos inimigos Espanhóis
E cobriu com feitos de herói
Os campos do Ameixial
Leonor Especial

 
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