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Batalhas da nossa História
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Beladona
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Mensagem Enviada: Qui Out 17, 2019 19:53     Assunto : Responder com Citação
 
Batalha de Castelo Rodrigo (Salgadela)


In diversas fontes da net.


Muitos foram os momentos da história portuguesa onde o nome de Castelo Rodrigo foi elevado bem alto pela coragem dos seus habitantes, mas provavelmente o momento mais marcante foi a vitória conseguida a 7 de Julho de 1664 .


No século XVII, na Guerra da Restauração, Castelo Rodrigo escreveu a mais bonita página da sua história. Castelo Rodrigo, mantinha-se como fortificação ativa, pertencendo à comarca judicial de Pinhel e ao bispado de Lamego, integrando o número de vilas com assento nas cortes, onde em 1642 ocupava o 11º banco. Os seus habitantes prezavam a sua situação como centro da região. Além disso, a vila tinha voz ativa quanto à organização dos governos de armas da Beira, coincidindo com Castelo Branco no pedido feito em cortes, em 1646, para que o governo da Beira fosse dividido em dois, para maior eficácia na defesa.


O monarca D. João IV vai então ordenar a divisão da Beira por dois governadores de armas, acreditando que assim ficaria melhor defendida, pois permitia um melhor racionamento das tropas, ao encurtar as zonas de ação numa província tão dilatada.


Assim, o governo das armas das comarcas da Guarda, Pinhel, Lamego e Esgueira é confiado a D. Rodrigo de Castro, então governador da cavalaria do exército do Alentejo, ao passo que Castelo Branco, Viseu e Coimbra ficaram às ordens de D. Sancho Manuel.


O primeiro comando designava-se por Partido de Almeida e o segundo por Partido de Penamacor. Procurando testar o governador do partido de Almeida, os castelhanos tomam-lhe o pulso, atacando a região de Alfaiates. D. Rodrigo responde, e põe debaixo de ataques S. Felices de los Galegos e destruiu a «campanha» em redor de Ciudad Rodrigo.


Os dois chefes portugueses chegam a planear um ataque conjunto a Alcântara. Em 1651, os castelhanos avançam por Castelo Rodrigo e Sabugal, a que D. Rodrigo de Castro responde, atacando a região de Ciudad Rodrigo e de Salamanca.

Para termos uma ideia clara da importância de Castelo Rodrigo, convém avaliar as várias peças de armas dos dois reinos. Tal como se passava no plano de defesa Português, também a coroa espanhola, ponderava as necessidades e prioridade das suas praças de armas, junto à fronteira de Portugal, onde se destacava Ciudad Rodrigo.


A importância desta praça é bem visível no facto de ter justificado a nomeação, para o seu comando do duque de Alba, num primeiro momento, e do duque de Ossuna, num segundo.


Só tendo em conta tais factores, será possível fazer justiça ao significado da Batalha de Castelo Rodrigo (Salgadela), uma entre as cinco grandes batalhas da Restauração, segundo o conde da Ericeira.


No ano de 1664, o Marquês de Marialva organiza as forças do Alentejo, tendo as forças portuguesas atacado Valência de Alcântara, rendendo-se muitos lugares. Na Beira, o duque de Ossuna fortifica-se perto de Aldeia do Bispo, mas na doença temporária do governador de armas do partido de Almeida, Pedro Jacques de Magalhães, forças vindas de Trás-os-Montes impedem qualquer avanço. Por sua vez, em Janeiro, Afonso Furtado de Mendonça passa o rio Tourões com 6000 infantes e 1000 cavalos; não consegue destruir o forte, mas danifica os campos de Ciudad Rodrigo.


Depois de construído o forte de Aldeia do Bispo, Ossuna destruiu a ponte de Riba Côa, que facilitava o provimento de Almeida. A ponte é reparada, tendo o governador de armas colocado no local uma atalaia.


Após a tentativa portuguesa falhada de tomar Sobradilho, já que a artilharia não chegou a tempo por dificuldades de transposição do Águeda, Ossuna responde com 5000 infantes, 70 cavalos, 9 peças de artilharia, munições e carruagens e a 6 de Julho está sobre Castelo Rodrigo, que segundo Ericeira era «praça sem mais defesa que uma muralha antiga, porém, situada em terra defensável», sendo a vila governada pelo mestre-de-campo António Freire Ferreira Ferrão, com uma guarnição de 150 soldados. Foi valorosa a resistência dos defensores, mas necessitavam de socorros. Pediram-nos, tendo estes chegado devido à diligência de Pedro Jacques Magalhães que com 2500 infantes, 500 cavalos e 2 peças de artilharia, avança em socorro da praça sitiada, sem mantimentos, tendo os soldados que partilhar o pão que levavam.


No dizer de D. Luís de Meneses, «… Obedeceram os soldados, alegres e valorosos, em todos os séculos glorioso por esta ação, pois raramente se achará exemplo de igual constância e sofrimento…». Vindo em socorro, na manhã de 7 de Julho, encontravam-se perto das hostes castelhanas, já que aproveitaram o silêncio da noite para avançar sem serem notados. Ossuna atacava a praça, tendo o governador e seus homens resistido. Avança Pedro Jacques, antecipando-se ao reforço que o exército espanhol esperava do Comissário Geral de Cavalaria D. João de Robles, que no dia anterior tinha chegado a Ciudad Rodrigo com 300 cavalos e 1000 infantes.


Pedro Jacques exorta os seus homens a combater, lembrando os ataques constantes de Ossuna à província. Manda tocar as trombetas e caixas, som que identificou ao duque de Ossuna a presença das forças, tomam a artilharia espanhola e desbaratam as suas forças. A batalha estendeu-se depois nos campos entre o Convento de Santa Maria de Aguiar e a Mata de Lobos.


Pedro Jacques de Magalhães, tendo retirado vitorioso para Almeida, enviava à corte o seu filho Henrique, de 14 anos, que não obstante a idade, já exercitara o posto de capitão de infantaria. A corte celebrava a vitória. O jornal Mercúrio Português dedicava ao acontecimento um número especial “… Mercurio Portuguez, com as novas do mez de Julho anno 1664. Com a gloriosa & maravilhosa vietoria, que alcançou Pedro Jacques de Magalhães, Governador das armas do partido de Almeyda, contra o duque de Ossuna em Castello Rodrigo…”.


Do lado espanhol, D. Guilhermo Toribio conta-nos a retirada do Duque de Ossuna “… acosado el duque por todas partes, com el ejército em derrota, emprendió la retirada … perseguido de cerca y hostilizado constantemente…”.


A luta ficava então reduzida a pequenas escaramuças locais até à paz de 13 de Fevereiro de 1668, terminando também o reinado dramático de D. Afonso VI, a quem sucede o regente, infante D. Pedro, ao serviço de quem estará Pedro Jacques de Magalhães, o chefe vitorioso de uma grande batalha da restauração, a única que teve lugar na Beira, numa das praças da fronteira.


No local da Salgadela, ainda hoje existe um Padrão, designado de Padrão de Pedro Jacques de Magalhães, que foi classificado como Monumento Nacional em 1910. João da Fonseca Tavares mandou erguer em 1664 no local da batalha, em lembrança da vitória:


SVB 6º REGE / ALPHONSO / CITIANDO O / EXércitº DE CASTelª / Que GOVERNAVA / O DVQue DE USUNA / A PRAÇA DE CASTelº / Rodrigo FOI SOCURIDA POR / Pedrº JACQUES DE MAG" /G'alhães DESTA PROVINCIA / Que O VENCEU EM / BATALHA NESTE / LUGAR,COM DES/IGUAL PODER A / 7 DE JULHO / DE 1664. E no reverso: E PARA FAZER / IMORTAL E / STA VICT/ORIA JOA/N DA FON/Seca TAVares M/ANDOV A/QVI LEVA/NTAR ES/TE PADRA/M NO SO/BREDITO / ANNO DE / 1664.


A paz entre Portugal e Castela foi finalmente assinada em Madrid a 5 de Janeiro de 1688 e ratificada em Lisboa a 13 de Fevereiro do mesmo ano. Instalava-se durante alguns tempos, nova época de paz, num Concelho que durante 28 anos tinha vivido em constante inquietude, com muitas povoações incendiadas e duas completamente destruídas, arruinando toda a vida económica da região, o que levou ao despovoamento.


Sendo uma região de fronteira, importante do ponto de vista militar, o Concelho de Castelo Rodrigo, viveu sempre em clima de desconfiança face ao exército espanhol, referências a muitas surtidas feitas por ambos os lados. As épocas de Paz nunca eram longas.


O início do governo de D. Pedro II em 1667 e com a assinatura da paz com Espanha em 1668, a vida política interna e externa do país, manteve uma certa estabilidade que só seria destruída aquando das invasões francesas.


Ao nível da política externa, assinalou-se a intervenção de Portugal entre 1703 e 1713 na Guerra da Sucessão de Espanha, ao lado das várias potências europeias, contra a França e a Espanha. Ficou famosa uma incursão do exército português sob a direcção do marquês das Minas que, em 26 de Junho de 1705, conseguiu entrar em Madrid.


Castelo Rodrigo e toda a região estariam de novo envolvidos pelo espectro da guerra. A praça- forte de Castelo Rodrigo, traduzindo um clima geral de preocupação, vê aumentada a guarnição com a chegada de 30 soldados.


Mais tarde, no reinado de D. José, a situação de crispação Internacional voltaria a envolver o país e em particular as regiões fronteiriças sob o espectro da guerra. Defendeu-se a neutralidade portuguesa perante a Guerra dos Sete Anos (1756-1763), o que provocou no ano de 1762 a invasão por tropas espanholas e francesas das regiões fronteiriças, como represália contra a recusa de D. José em integrar Portugal no «Pacto de Família» dos Bourbons. Segundo este acordo, o monarca português deveria combater contra a Inglaterra por ser casado com D. Mariana Vitória, filha de D. Filipe V, rei de Espanha e da família Bourbon de França.


A França declara guerra a Portugal a 20 de Julho de 1762. Um exército composto por forças francesas e espanholas entram por Trás-os-Montes a 23 de Julho, estando sobre o Ribacôa a 11 de Agosto. Uma vez mais, as populações sofrem as pilhagens perpetradas pelas forças invasoras.


Quando em 1789 se dá em França a revolução, assiste-se por parte das monarquias europeias a uma forte reação. A animosidade do governo português ficou patente no envio de soldados para se juntarem a tropas inglesas e espanholas na Campanha do Rossilhão contra a França, que decorreu em 1794.


Sem qualquer vantagem para Portugal, o conflito suscitou mais tarde a reação francesa que, aliando-se à Espanha, declarou guerra a Portugal a 27 de Fevereiro de 1801. Por três vezes é invadido Portugal, sendo que a terceira invasão no ano de 1810, chefiada por Massena, entrou no nosso território pelas terras de Ribacôa.


Milhares de vítimas, culturas e fábricas destruídas, foram os resultados que se fizeram sentir de forma dramática sobre os habitantes deste concelho e de todos os concelhos vizinhos. A violência das tropas francesas deixou profundas marcas nas freguesias do Concelho.


As invasões francesas constituíram a ultima grande penetração violenta de estrangeiros no território nacional, deixando contudo profundas recordações, ainda hoje vivas na memória popular.


Poucos anos depois, Castelo Rodrigo que desde 1209 desempenhou papel fundamental na região do Ribacôa, vai sofrer rude golpe. A rainha D. Maria II atribuiu o título de vila a Figueira a 25 de Junho de 1836. A 31 de Dezembro de 1836, por decreto de Passos Manuel, é extinto o histórico concelho de Castelo Rodrigo, que é substituído pelo de Figueira de Castelo Rodrigo.
Leonor Especial


 
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Mensagem Enviada: Sex Out 18, 2019 19:52     Assunto : Responder com Citação
 
A Batalha de Montes Claros


In diversas fontes da net.


Contexto político anterior á Batalha de Montes Claros:


Nos sessenta anos que decorreram de 1580 a 1640, o governo dos Filipes foi progressivamente sendo considerado como um período de reis estranhos.


Este sentimento acentuou-se a partir de 1621 com o reinado de D. Filipe III, face ao aumento verificado nos impostos e ao recrutamento de militares portugueses para servirem com o exército espanhol, nomeadamente na guerra da Catalunha.


A população portuguesa tinha também, e com fundamento, a percepção de que o referido aumento de impostos não se destinava a melhorar as condições de vida em Portugal, mas sim a financiar projectos espanhóis, nomeadamente as campanhas militares na Europa e a sua expansão ultramarina.


Em face desta situação, o descontentamento em Portugal foi alastrando. Tendo a nobreza mais importante e de maior destaque sido o motor da Restauração. Esta eclodiu a 1 de Dezembro de 1640, tendo de imediato aderido a esta acção outros e variados estratos sociais, do alto clero às gentes mais humildes.


Esta adesão colectiva dos portugueses explica os sacrifícios humanos e materiais demonstrados nos anos seguintes na resistência militar, ao longo das fronteiras e no território ultramarino.

A aclamação de D. João IV verificou-se a 15 de Dezembro, no Terreiro do Paço em Lisboa. Seguidamente o novo monarca convocou as Cortes, que se iniciaram em Lisboa a 28 de Janeiro de 1641, com a participação do clero, da nobreza e do povo. Com estas Cortes permitiu-se o recrutamento de 20,000 infantes e 4,000 cavaleiros.


Os confrontos militares começaram em 1641, com escaramuças no Alto Minho, Beira Alta e sobretudo no sotavento Algarvio e no Alentejo.


Foi contudo a 26 de Maio de 1644 que se verificou a primeira batalha, a Batalha do Montijo. Travada em Espanha, perto da Badajoz, esta Batalha traduziu-se numa retumbante vitória para Portugal.


Neste período de grande incerteza e aflição em relação ao futuro, em face da mais que provável invasão do exército espanhol, D. João IV, numa cerimónia realizada em 1646 na Igreja de Vila Viçosa, consagra o povo português à Imaculada Conceição e proclama Nossa Senhora como rainha e padroeira de Portugal. Não mais os reis de Portugal voltariam a colocar a coroa real na cabeça, pois a partir de então esse direito foi conferido à imagem de Nossa Senhora.


D. João IV morre em Novembro de 1656, tendo confiado em testamento a regência do Reino a D. Luísa de Gusmão. Embora espanhola por nascimento, da região da Andaluzia, D. Luísa desde logo abraçou a causa do seu marido, tendo servido eficazmente a Restauração antes e depois da morte de D. João IV, procurando assegurar a independência de Portugal e a sobrevivência da Dinastia.


A 15 de Novembro de 1656 fez-se o juramento do novo rei D. Afonso VI então com apenas 13 anos.


A praça de Elvas foi cercada a partir de 22 de Outubro de 1658. A 14 de Janeiro de 1659 o cerco espanhol a Elvas foi contudo quebrado por um exército de socorro português, que obteve uma vitória significativa no que ficou conhecida como a Batalha das Linhas de Elvas.


A regência de D. Luísa de Gusmão manteve-se até 23 de Junho de 1662, data em que D. Afonso VI então com 19 anos assume o poder em Portugal.


Em Maio de 1663, um novo exército espanhol de 26,500 homens invade Portugal, a partir de Badajoz. Depois de ter chegado a Alcácer do Sal, é contudo obrigado a recuar para Espanha. Dá-se então a Batalha do Ameixial a 8 de Junho de 1663, a 5 Km de Estremoz. A vitória portuguesa foi esmagadora, tendo os espanhóis sido completamente desbaratados.


D. Filipe IV de Espanha não se conformava contudo com a revolta empreendida por Portugal, e vivia determinado a recuperar a Coroa Portuguesa. Tinha agora terminado a guerra que os espanhóis mantinham com os franceses em diversas frentes. Podiam assim concentrar-se em Portugal, reunir forças e material para uma ofensiva de grande envergadura, que de vez decidisse a guerra a seu favor.


O desenrolar da Batalha:


Para comandar o exército invasor, D. Filipe IV mandou vir da Flandres o experiente e afamado Marquês de Caracena.


Devido à disponibilidade de meios espanhóis nas diversas áreas anteriormente referidas, foram reunidas tropas que a Espanha mantinha na Europa continental, e que eram experimentadas nos vários cenários de guerra, como era o caso da Flandres, dos Estados Italianos, da Alemanha, da Suíça, e de tropas que tinham combatido as forças franceses.


Era a elite e a fina-flor dos experientes e afamados tércios espanhóis. No total o exército espanhol atingia cerca de 22,000 homens, dos quais 15,000 infantes e 7,000 cavaleiros, a grande maioria dos quais com grande experiência de combate. Este exército dispunha ainda de catorze peças de artilharia.


A 1 de Junho de 1665, o Marquês de Caracena à frente de um poderoso exército, partiu de Badajoz, passando o Caia no dia 7. No dia 9 de Junho, Borba caía em seu poder. Investiu de seguida sobre Vila Viçosa, que cercou e tentou sem sucesso, tomar de assalto.


O exército português reunido em Estremoz, com 20,500 soldados de infantaria e de cavalaria, pôs-se em marcha no dia 17 de Junho. Tinha como objectivo socorrer a heróica guarnição da praça sitiada, antes que esta soçobrasse ao peso dos números do inimigo, mas também de provocar uma batalha contra o exército espanhol.


No dia 17 de Junho, os espanhóis ao saberem da aproximação do exército português deixaram uma pequena força a cercar Vila Viçosa, e partiram ao encontro dos portugueses. Os dois exércitos encontraram-se então na planície situada entre as serras da Vigária e da Ossa a partir das nove horas da manhã.


Caracena pretendeu atacar o exército português ainda em marcha, com o objectivo de criar uma confusão. O Marquês de Marialva percebeu este intento, e ordenou que o seu exército parasse em Montes Claros e dispondo-o em ordem de batalha. Schomberg executou esta missão com rapidez e com a sua hábil ciência militar.


O exército do Marquês de Caracena iniciou a marcha em massa contra as forças portuguesas, através de dois corpos, um de cavalaria e outro de infantaria, tendo-se os primeiros combates verificado junto ao Convento de Nossa Senhora da Luz.


Caracena, que colocou o seu posto de comando na Serra da Vigária, pretendia surpreender a cavalaria portuguesa que estava dividida em duas alas, carregando a cavalaria espanhola sobre o centro e a ala direita portuguesa, procurando isolá-las da ala esquerda.


O Conde de Schomberg prevendo essa intenção espanhola, fez deslocar a cavalaria portuguesa do flanco esquerdo (vinhas) para o flanco direito (contrafortes da Serra de Ossa), o que se revelou uma medida extremamente acertada.


Iniciado o ataque da cavalaria espanhola no flanco direito português, os terços e a cavalaria portuguesa da primeira linha sofreram uma forte pressão, salvando-se apenas dessa situação crítica pelo referido reforço da cavalaria portuguesa e pela intervenção decidida da artilharia chefiada por D. Luís de Meneses, que abriu fogo à queima-roupa contra as linhas inimigas.


Ao mesmo tempo a infantaria espanhola avançou, apesar das dificuldades do terreno composto por vinhas, sobre a infantaria portuguesa situada na ala esquerda.


Perante esse avanço espanhol, um regimento inglês efectuou uma retirada precipitada, dois regimentos franceses foram rechaçados e um terço de auxiliares de Évora que ia em seu auxílio sofreu um revés.


O Conde de Schomberg que com grande diligência acudia aos mais difíceis confrontos, chamou três terços portugueses e introduziu-os nesse local a combater. Esta iniciativa obrigou os castelhanos a perder o terreno que haviam ganho.


Mais tarde e depois de recomposta, a cavalaria espanhola procurou romper a segunda linha da ala direita portuguesa. Perante a situação crítica que se criou, destacou-se o Marquês de Marialva ao organizar uma forte resistência com piques e artilharia, bem como o Conde da Ericeira, D. Luís de Meneses que comandava a artilharia portuguesa, conseguindo-se dessa forma evitar o recuo do exército português.


Deram-se em seguida choques muito duros e violentíssimos entre os esquadrões dos dois exércitos, com avanços e recuos entre as duas cavalarias. Nesse momento o Marquês de Marialva temendo que a infantaria espanhola acabasse por romper o flanco esquerdo português, situado como se referiu num terreno com vinhas, o que comprometeria a defesa brilhante que a segunda linha portuguesa do centro e da direita estava a efectuar, desguarneceu a ala direita portuguesa, e deslocou alguns terços para a ala esquerda. Este movimento, efectuado com rapidez, permitiu restabelecer o equilíbrio do combate a favor das forças portuguesas, evitando-se assim o rompimento das linhas portuguesas.


A Batalha foi de uma dureza extrema, estando durante muito tempo indecisa, ou parecendo mesmo pender para o lado espanhol. Ás três da tarde, depois de sete horas de duros combates, foi possível suster a agressividade dos ataques do exército espanhol, em face da tenaz e bem organizada resistência portuguesa.


As forças portuguesas, depois de recompostas das primeiras brechas e sob a protecção da sua artilharia que colocada nos contrafortes da Serra d´Ossa sempre se revelou extremamente eficaz, conseguiram fazer recuar o inimigo.


Verificando não conseguir romper as forças portuguesas, a cavalaria castelhana parou as suas cargas e a artilharia suspendeu os disparos.


O exército espanhol pretendeu então retirar disfarçadamente, tendo D. Diniz de Melo, general de cavalaria, sido avisado dessa intenção, decidindo então carregar decididamente sobre os castelhanos. A investida foi tão enérgica que transformou a retirada em debandada desordenada.


O Marquês de Marialva ao ver a cavalaria espanhola em fuga em direcção a Borba, tirou o máximo partido da situação cortando-lhe a retirada.


Este facto agravou ainda mais a desordem da retirada, deixando então o exército espanhol na posse dos portugueses milhares de prisioneiros. Escaparam apenas quatro terços que se tinham concentrado na Serra da Vigária, junto ao Marquês de Caracena.


Nesse momento, a guarnição de Vila Viçosa ao verificar a evolução da batalha, investiu corajosamente, rompendo o cerco que 1,800 espanhóis lhe faziam. Foi apresada a artilharia espanhola que se encontrava em volta de Vila Viçosa, sendo também feitos muitos prisioneiros. Os restantes sitiantes espanhóis debandaram.


A Batalha de Montes Claros terminou assim com uma pesada derrota espanhola, depois de nove horas de combates.


O exército português sofreu cerca de 700 mortos. O exército espanhol sofreu contudo 4,000 mortos e 6,000 prisioneiros, tendo ainda perdido 3,500 cavalos, que foram posteriormente distribuídos pelas várias companhias do Reino. Foram também capturadas ao exército castelhano 14 peças de artilharia, inúmeras balas, todo o tipo de armas de infantaria, oitenta bandeiras de infantaria e dezoito de cavalaria.


Mais um grande general espanhol era imolado na fogueira da guerra da restauração. Mais um perigoso plano de invasão fora batido e a independência do reino consolidada.


Consequências da Batalha de Montes Claros:


A Batalha dos Montes Claros foi fundamental para que Portugal tivesse assegurado a sua integridade territorial e conseguido chegar ao séc. XXI como País livre e independente. Com efeito, e após uma série de vitórias militares, a Batalha de Montes Claros veio confirmar um processo irreversível, tendo constituído a batalha decisiva que pôs termo à guerra.


No plano internacional, a vitória portuguesa em Montes Claros acentuou o propósito da França e da Inglaterra em promoverem o estabelecimento de um tratado de paz entre Portugal e Espanha.


Para a França, a independência de Portugal relativamente a Espanha, contribuiria para assegurar a hegemonia europeia que a Guerra dos Trinta Anos lhe concedera. Desta forma, a França chegou mesmo a assinar com Portugal a 31 de Março de 1667, uma aliança ofensiva e defensiva por 10 anos contra D. Carlos II de Espanha.


Para a Inglaterra, a divisão entre Portugal e Espanha, favoreceria o aumento do seu poderio naval e facilitaria a sua expansão ultramarina. Por isso o embaixador inglês em Madrid trabalhou em 1666 e 1667 num tratado anglo-espanhol em que se previa uma trégua de 45 anos com Portugal.


Este quadro político levou assim à assinatura do Tratado de Paz em Madrid a 5 de Janeiro de 1668, e ratificado em Lisboa a 13 de Fevereiro. Este tratado previa uma paz perpétua entre os dois Países.
Leonor Especial

 
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Mensagem Enviada: Seg Nov 25, 2019 18:23     Assunto : Responder com Citação
 
A Batalha de Almansa, travada a 25 de Abril de 1707 na qual participaram portugueses, foi um dos combates mais decisivos da Guerra da Sucessão Espanhola. Em Almansa, o exército franco-espanhol, sob o comando do duque de Berwick derrotou as forças aliadas de Portugal, Grã-Bretanha e das Províncias Unidas liderada por Henri de Massue, I Conde de Galway, recuperando a maior parte do leste da Espanha para os Bourbons.

In diversas fontes da net.

O conflito é descrito como "provavelmente a única batalha na história em que as forças britânicas foram comandadas por um francês, e as forças francesas por um britânico."

A batalha começou às 15 horas do dia 25 de Abril. Os aliados, partidários do arquiduque Carlos, alinharam 42 batalhões de infantaria, cada um composto de 400 homens e 60 esquadrões de cavalaria de 100 cavaleiros cada, enquanto os borbónicos dispunham de 50 batalhões de infantaria e 81 esquadrões de cavalaria, formando dois exércitos com duas linhas de profundidade. O exército Bourbon de cerca de 25.000 homens era composto por tropas espanholas e francesas em igual proporção, bem como um regimento irlandês.

A batalha começou com fogo de artilharia. Quando Galway enviou as suas reservas para um ataque ao centro de Bourbon, Berwick desencadeou uma grande força de cavalaria franco-espanhola contra as enfraquecidas linhas anglo-portuguesas, varrendo a cavalaria portuguesa. Quando o pânico geral se instalou, só as forcas portuguesas lutavam, sendo cercadas em três lados, acabaram de se render ao anoitecer. Galway perdeu 5.000 homens e 12.000 foram feitos prisioneiros; do seu exército de 22.000, apenas 5.000 escaparam paraTortosa.

Consequências:

A Batalha de Almansa não foi decisiva para a guerra, mas abriu o caminho para a ocupação do reino de Valência, apesar de não significar a rendição dos austracistas do reino. A vitória foi um passo importante na consolidação de Espanha sob os Bourbons. Com o principal aliado do exército destruído, o pretendente D. Filipe V tomou a iniciativa e conquistou Valência.

A cidade de Xàtiva foi queimada e teve o seu nome mudado para San Felipe, como forma de punição. Em memória desses factos, ainda hoje o retrato do monarca D. Felipe V, de cabeça para baixo, está em exposição no museu local de L'Almodí.

Pouco tempo depois, os únicos aliados restantes do pretendente de Habsburgo, arquiduque Carlos, foram os seus apoiantes na Catalunha e Baleares.

Há um dito popular na actual Comunidade Valenciana que relembra a derrota, Quan el mal ve d'Almansa, a tots alcança ("Quando o mal vem de Almansa, a todos alcança").
Leonor Especial


 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Ter Nov 26, 2019 21:24     Assunto : Responder com Citação
 
A Batalha ou Combate de Évora como é conhecido, foi travado a 29 de Julho de 1808, no início da Guerra Peninsular durante a Primeira Invasão Francesa (1807 – 1808).

In diversas fontes da net.

A revolta contra as forças ocupantes eclodiu no norte do país em Junho de 1808, e espalhou-se rapidamente a todo o território. Os numerosos casos de revolta que então se verificaram suscitaram acções de repressão, normalmente de carácter muito violento. Évora foi, na segunda quinzena de Julho de 1808, um desses casos de insurreição e repressão que ilustra bem o que se passava um pouco por todo o país.

A insurreição espanhola contra os franceses, que tinha começado em Madrid a 2 de Maio de 1808, rapidamente se espalhou por toda a Espanha e atravessou as fronteiras com Portugal. Primeiro, fazendo chegar às forças espanholas que colaboravam na ocupação de Portugal ordens para regressarem a Espanha. Depois, em movimentos de insurreição popular que começaram no norte do país em Junho, e rapidamente se declararam em todo o território onde as forças francesas não eram em número suficiente para dissuadir os portugueses a tomarem essa iniciativa. Lisboa e arredores, com uma forte guarnição francesa não teve oportunidade de proceder da mesma forma.

Loison, que se encontrava em Almeida, recebeu ordem para submeter o Porto mas foi obrigado a recuar antes de atingir aquela cidade. Em Coimbra organizaram-se forças que tomaram o Forte de Santa Catarina na Figueira da Foz. No Algarve a insurreição iniciou-se em Olhão e as guarnições francesas que se encontravam em vária praças foram aprisionados. No Alentejo, onde os franceses tinham os maiores destacamentos, também se deram revoltas que começaram em Vila Viçosa. Neste movimento insurrecional no Alentejo tiveram influência forças espanholas que atravessaram a fronteira e prestaram apoio aos portugueses.

Junot, perante (falsas) notícias de desembarque de forças britânicas, reuniu um conselho de guerra no qual se decidiu concentrar as forças em Lisboa e manter guarnições que garantissem a posse de Peniche, para fazer frente a eventuais desembarques a Norte de Lisboa, e de Almeida e Elvas, para garantir as linhas de comunicação com Espanha. Foi também decidido defender Lisboa até ao máximo das possibilidades e, se a tal fossem obrigados, retirar para Elvas, onde se reorganizariam e passariam a Espanha. A partir de Lisboa foram depois enviados destacamentos com a missão de reprimir as insurreições.

Évora situa-se no centro do Alto Alentejo. Tratava-se da terceira cidade do Reino e a mais importante daquela província pela sua população e riqueza. A partir de Évora era possível cortar a linha de comunicações entre Lisboa e Espanha a Sul do Tejo. Não admira pois, o empenho das juntas espanholas de Sevilha e Badajoz em arrastar Évora à causa da insurreição.
Por isso, Junot empregou efectivos importantes para dominar as praças que se situavam nesta linha. Foi também o caso de Elvas, Estremoz, Montemor-o-Novo e outras.

As forças luso-espanholas eram comandadas pelo tenente-general Francisco de Paula Leite de Sousa. Este oficial general tinha prestado serviço na Real Armada entre 1763 e 1799. Regressou ao Exército como marechal de campo (major-general) e em 1807 foi promovido a tenente-general. Assumiu a direcção do governo militar do Alentejo no dia 17 de Julho de 1808. As forças à disposição do general Paula Leite eram constituídas por :

Forças portuguesas (700)
• Batalhão de voluntários de Estremoz - 380
• Companhia de miqueletes de Vila Viçosa - 100
• Companhia de caçadores de Évora - 100
• Companhia de cavalaria de Évora - 60
• Companhia de cavalaria organizada com éguas – 60

Forças espanholas (1.070)
• Legião de voluntários estrangeiros - 400
• Duas companhias de granadeiros provinciais - 200
• Uma companhia de tropas ligeiras - 100
• Cavalaria (Hussards de Marie-Luise) - 250
• Artilharia a cavalo - 90
• Artilharia de guarnição - 30

Além destas forças existia uma multidão de habitantes de várias povoações que foram colocados sobre a muralha.

As forças francesas eram comandadas pelo general Henri-Louis Loison e tinham um efectivo de aproximadamente 7.000 homens. Esta força tinha a seguinte constituição :

• 3º batalhão do 12º Regimento de Infantaria Ligeira;
• 3º batalhão do 15º Regimento de Infantaria Ligeira;
• Um batalhão do 58º Regimento de Infantaria de Linha;
• Um batalhão e meio do 86º Regimento de Infantaria de Linha;
• Legião Hanovrienne;
• Dois batalhões de granadeiros;
• 4º Regimento Provisório de Dragões;
• 5º Regimento Provisório de Dragões;
• 8 bocas de fogo de artilharia.

Com Loison seguiam os generais Solignac e Margaron.

Quando as revoltas alastraram ao Alentejo, formaram-se várias juntas governativas que acabaram por se submeter – com a excepção de Beja e Campo Maior – às decisões da Junta de Governo do Alentejo que se formou em Estremoz. Sob a sua orientação, reorganizaram-se os Regimentos de Infantaria 13 e 15, formou-se o batalhão de voluntários de Estremoz e organizaram-se algumas forças de cavalaria. Foi solicitada ajuda às juntas espanholas que enviaram espingardas e artilharia e alguns corpos militares.

No dia 17 de Julho, o Tenente-general Francisco de Paula Leite de Sousa aceitou a direcção do governo militar que, a partir do dia 20 de Julho, passou a ter sede em Évora. Dali foram expedidas ordens para a concentração naquela cidade, das forças que já estivessem organizadas em diversas terras do Alentejo e procurou-se dar alguma instrução militar a alguns grupos armados que se tinham formado sem qualquer disciplina. Entretanto chegou a notícia que forças francesas tinham saído de Lisboa e se encontravam já a Sul do Tejo . Tendo verificado que as notícias de desembarque de forças britânicas na costa portuguesa eram falsas, Junot decidiu enviar uma expedição para pôr fim ao movimento insurrecional e garantir a posse da linha de comunicações entre Lisboa e Évora. No dia 25 de Julho uma força francesa sob o comando de Loison atravessou o rio até Cacilhas e dirigiu-se para Évora . No dia 26, os franceses chegaram a Pegões.

Com as notícias da aproximação dos franceses, o general Paula Leite enviou um destacamento para Montemor-o-Novo com um efectivo de 650 homens de infantaria, 50 cavalos e 6 bocas de fogo. Comandava este destacamento o coronel Aniceto Simão Borges. Reconhecendo que estas tropas não eram suficientes para enfrentar as forças francesas que se aproximaram, foi enviado um reforço de 400 homens e 2 bocas de fogo mas este corpo de tropas, quando se dirigia para Montemor-o-Novo, cruzou-se com forças em retirada que anunciaram a derrota do destacamento do coronel Aniceto Borges. Assim, este segundo destacamento retrocedeu rapidamente para Évora, onde entrou na manhã do dia 28 de Julho, criando a maior preocupação naquela cidade.

Entretanto, prosseguiam os trabalhos de organização da defesa da cidade. Na manhã do dia 29 ainda chegaram a Évora reforços de Vila Viçosa e de Jerumenha. Taparam-se todas as portas da muralha excepto as do Rocio e de Machede. Apesar daqueles reforços, era preciso ter em conta que as forças luso-espanholas não chegavam aos 2.000 homens. Além destas forças existia uma multidão quase desarmada e sem qualquer preparação militar. O general Paula Leite decidiu no entanto, enfrentar as forças francesas em campo aberto, no exterior das muralhas da cidade, em vez de aproveitar a protecção que estas podiam oferecer, apesar da sua degradação para oferecer uma resistência mais eficaz.

Ainda no dia 29 de manhã, à aproximação do inimigo, estas forças ocuparam as suas posições de combate em local que dominava a estrada para Montemor-o-Novo. No flanco direito, que se apoiava no moinho de S. Bento, estavam 4 peças de calibre 4, 350 homens de infantaria e uma companhia de 50 cavalos; no centro, na área do Outeiro de S. Caetano, estavam 2 obuses, o Regimento de Infantaria 3 e a Legião de Voluntários Estrangeiros; na ala esquerda, apoiada na Quinta dos Cucos, estava posicionada uma peça de calibre 3, 200 civis armados e a companhia de éguas. Numa posição mais avançada estendiam-se em cortina os miqueletes de Vila Viçosa e os Caçadores de Évora. Formando em terceira linha, e à esquerda do outeiro de S. Caetano, estavam 200 cavalos da cavalaria espanhola e 60 da portuguesa. Era nesta posição que se encontrava o general Paula Leite e o coronel Moretti com os seus ajudantes.

Às 11.00h os franceses avançaram em três colunas e, assim que chegaram ao alcance da artilharia portuguesa e espanhola esta abriu fogo. A coluna da esquerda, sob o comando de Margaron, formou um semicírculo pela parte oriental da cidade. A coluna da direita, sob o comando de Solignac, formou um semicírculo pelo lado ocidental da cidade, por forma a controlar as estradas para Beja e Monsaraz e unir com a coluna de Margaron. A coluna do centro, sob comando do próprio Loison, manteve-se sobre o itinerário em que seguiam.

A cavalaria francesa dirigiu o ataque para o flanco esquerdo das forças luso-espanholas. Estes abriram fogo muito cedo e só a artilharia provocou baixas significativas aos franceses. A cavalaria, que devia enfrentar o ataque da cavalaria francesa, retirou desordenadamente sem combater. A infantaria e a artilharia também acabaram por retirar mas só após algum tempo de combate em que tiveram um comportamento que mereceu referências positivas do próprio Loison e fizeram-no em boa ordem. Uma parte importante destas forças no entanto, já não conseguiu entrar na cidade e dirigiu-se então para Juromenha e outras direcções.

Évora ficou então à mercê dos franceses que, apesar da resistência oferecida pelos defensores, ali entraram pelas 16.00h. O saque da cidade prolongou-se por toda a noite e só no dia seguinte pelas 11.00h, Loison deu ordem para reunir as suas tropas. «Vendo-se os franceses já senhores do campo, não tiveram a lembrança de enterrar os seus mortos, nem mesmo a de perseguirem alguns fugitivos, porque a sede do saque, os fez com a cavallaria cercar a cidade, em quanto a infanteria, com bastante custo, investiu as portas e as muralhas, que por muito arruinadas e mal guarnecidas, lhes deram entrada; e immediatamente aquelles vencedores, tocando à degola, foram matando gente pelas egrejas, pelas ruas e praças.»

O ataque à cidade de Évora tinha provocado nos portugueses e espanhóis, tropas regulares e civis, um número indeterminado de mortos e feridos que, entre os diversos autores oscila entre 2.000 e 8.000. Os franceses sofreram 90 mortos e 200 feridos.

De Évora, Loison seguiu para Elvas e depois para Portalegre onde, no dia 6 de Agosto, recebeu a ordem de Junot para se dirigir para Lisboa seguindo o caminho de Abrantes. Os britânicos tinham começado a desembarcar forças a sul da Figueira da Foz. Durante a marcha, Loison recebeu ordem para se reunir às forças que tinham já marchado naquela direcção. Não chegou a tempo de intervir no Combate da Roliça mas esteve presente com as suas forças na Batalha do Vimeiro.
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Mensagem Enviada: Qua Nov 27, 2019 18:04     Assunto : Responder com Citação
 
A Batalha do Porto foi travada no dia 29 de Março de 1809, durante a Segunda Invasão Francesa no âmbito da Guerra Peninsular.

In diversas fontes da net.

O exército invasor, sob comando do marechal Nicolas Jean de Dieu Soult, entrou na cidade do Porto após ter derrotado com relativa facilidade, as forças portuguesas, que foram obrigadas a fugir para Trás-os-Montes ou para sul do Douro. Cumpria-se assim com considerável atraso, a primeira fase da invasão.

O marechal Nicolas Jean de Dieu Soult, comandante do II CE, tinha invadido Portugal (ver Segunda Invasão Francesa). O seu objectivo era chegar ao Porto e daí partir em direcção a Lisboa. Entrou em Portugal pelo vale do rio Tâmega e, em 12 de Março de 1809, ocupou Chaves. As forças do brigadeiro Silveira (Francisco da Silveira Pinto da Fonseca Teixeira) que se encontravam na cidade, foram obrigadas a retirar para a região de Vila Real. Soult decidiu atravessar a Serra da Cabreira e a partir de Braga, aproveitar as estradas que lhe permitiam um movimento mais fácil e mais rápido até ao Porto.

Soult ocupou Braga no dia 20 de Março, após ter derrotado as forças portuguesas na Batalha do Carvalho d'Este. No dia 25 de Março iniciou o movimento em direcção ao Porto, deixando em Braga a Divisão de Infantaria de Heudelet (Étienne Heudelet de Bierre) com a finalidade de proteger os doentes e feridos que aí ficavam, bem como alguns abastecimentos, e defender a retaguarda de Soult das forças do general José António Botelho de Sousa e Vasconcelos, que operavam na região Norte do Minho.

As forças portuguesas presentes na defesa do Porto seriam perto de 25.000 homens, mas o valor deste efectivo não correspondia de forma alguma a números tão elevados. Destas forças, pouco mais de quatro mil eram forças regulares, entre dois a três mil eram milícias que não dispunham de armas de fogo para todos e entre quinze a dezassete mil eram ordenanças, dos quais só cerca de sete mil tinham armas de fogo de diferentes qualidades e os restantes utilizavam piques ou outros meios idênticos. A tropa de linha tinha pouco treino e os restantes constituíam grupos por vezes muito indisciplinados. Além destas forças estavam presentes muitos habitantes que espontaneamente decidiram juntar-se aos defensores.
As forças regulares que participaram na defesa do Porto foram:

Unidade Comando Efectivos
Regimento de Infantaria 6
(Porto) Estas forças constituíam a reserva nos sectores comandados pelo Brigadeiro Parreiras, Brigadeiro Lima Barreto e General Vitória. A bibliografia consultada não permite tirar conclusões sobre os sectores a que estariam atribuídas cada uma das unidades. 4.366 dos quais uma parte importante com poucas semanas de serviço.
Regimento de Infantaria 18 (Porto)
2 batalhões de infantaria
1 batalhão do Regimento de Infantaria 21 (Valência)
Regimento de Infantaria 9 (Viana) - apenas uma parte.
Os restos do 2º batalhão da Leal Legião Lusitana
Parte do Regimento de Cavalaria 12 (Miranda)

A artilharia dispunha de quase 200 bocas de fogo de vários calibres e estava disposta ao longo de toda a frente.

As forças francesas que ocuparam a cidade do Porto eram as mesmas que invadiram Portugal no início de Março, isto é, o II CE sem a 4ª Divisão (de Heudelet), que tinha ficado em Braga. Ao chegar ao Porto, Soult teria 17.000 homens disponíveis, dos quais 3.500 eram de cavalaria. Em termos de organização militar eram 39 batalhões de infantaria, 24 esquadrões de cavalaria e 25 bocas de fogo de artilharia. Estavam organizados da seguinte forma:

Unidade / Subunidade, Comando, Efectivos
1ª Divisão de Infantaria - 15 batalhões organizados em 3 brigadas General Merle ± 13.500
2ª Divisão de Infantaria - 15 batalhões organizados em 3 brigadas General Mermet
3ª Divisão de Infantaria - 9 batalhões organizados em 2 brigadas General Delaborde
Corpo de Cavalaria – 4 regimentos General Franceschi ± 3.500
3ª Divisão de Cavalaria – da Reserva de Cavalaria General Lahoussaye
Brigada de Cavalaria Da Divisão do general Lorges

Após a ocupação de Chaves (12 de Março) e Braga (20 de Março), Soult marchou em direcção ao Porto com três divisões de infantaria e toda a sua cavalaria. A 4ª Divisão do general Heudelet tinha ficado em Braga. Distribuiu as suas forças por três itinerários que se dirigiam para aquela cidade e, em qualquer um deles, teve de enfrentar as forças portuguesas para atravessar o Rio Ave. Finalmente, avistou as defesas da cidade do Porto a 27 de Março.

Na cidade do Porto tinha sido construída uma linha defensiva que ia do Forte de São João Baptista da Foz até à capela do Bonfim. Desde o início da invasão, toda a população trabalhou na obra de fortificação sob a direcção de oficiais de engenharia britânicos e portugueses. A linha de colinas, que a Norte da cidade se situavam a menos de 1Km das habitações limítrofes, foi fortificada com 12 redutos guarnecidos com artilharia de posição. As depressões entre os redutos foram fechadas com paliçadas e abatises. Mais a Oeste, onde a linha de colinas é menos acentuada, a frente foi continuada por um fosso fundo, fortificação de edifícios e quatro redutos. Esta linha terminava nas muralhas do forte de São João da Foz. Este forte ligava-se ainda em direcção a Norte ao Castelo do Queijo. Existiam quase 200 bocas de fogo de vários calibres distribuídas por toda a frente. As principais ruas foram barricadas, para servirem de segunda linha de defesa, e a Sul do Douro, no terreno do Convento da Serra do Pilar, foi colocada uma bateria que dominava a ponte e toda a cidade. A ligação com a margem Sul era feita através da ponte das barcas, que tinha um comprimento de quase 200 m.

O exército disponível para guarnecer esta obra defensiva era numeroso mas de fraca qualidade, pois não tinha experiência e incluía muitas tropas irregulares. Apenas 4.366 eram praças de tropa de linha. A linha defensiva foi dividida em três sectores. O sector central ficou a cargo do Brigadeiro Caetano José Vaz Parreiras, o sector Oeste a cargo do Brigadeiro António José de Lima Barreto e o sector Este a cargo do General António Marcelino da Vitória. As tropas regulares foram divididas pelos três sectores e formaram a reserva de cada um deles. Havendo uma grande falta de pessoal especializado, as bocas de fogo de artilharia foram, em muitos casos, guarnecidas por milícias.

Soult enviou ao Bispo do Porto propostas para a rendição da cidade, que foram rejeitadas. Perante a determinação dos Portugueses em defenderem a cidade, Soult preparou o ataque para o dia seguinte (29 de Março de 1809). Foram efectuados reconhecimentos durante os quais os postos avançados portugueses foram expulsos e dois redutos que se situavam à frente das linhas foram ocupados. As forças francesas foram distribuídas da seguinte forma: o ataque ao centro da posição foi atribuído à Divisão de Infantaria de Mermet apoiada pela Brigada de Dragões da Divisão de Lahoussaye; a Oeste o ataque foi responsabilidade da infantaria de Merle e da outra brigada da Divisão de Lahoussaye; Delaborde e Franceschi tinham a missão de lançar o ataque a Este. Não foi constituída uma reserva mas ficaram na retaguarda os Regimentos de Cavalaria de Lorges com a missão de repelirem qualquer ataque que os corpos de Ordenanças lançassem a partir do exterior.

Soult ordenou às suas divisões dos flancos que atacassem enquanto o centro se mantinha em posição. Esperava que as posições atacadas fossem reforçadas à custa de forças das posições centrais e enfraquecessem assim esse sector. O ataque foi lançado às 07.00h e ambas as forças - a infantaria de Merle a Oeste e a infantaria de Delaborde a Este - progrediram bem e começaram a apoderar-se de posições portuguesas. O comandante do sector central, Brigadeiro Parreiras, decidiu enviar forças para ambos os sectores laterais para tentar evitar a rotura das linhas defensivas e com esta acção, como Soult tinha esperado, enfraqueceu o seu sector. Foi então lançado o ataque francês contra o sector central que, enfraquecido, foi rompido com relativa facilidade permitindo que a Divisão de Mermet entrasse na cidade dirigindo-se rapidamente para o rio.

As forças portuguesas nos flancos, vendo que não havia possibilidade de manterem as posições, começaram a retirar. No sector Oeste, a ordem de retirada custou a vida ao Brigadeiro Lima Barreto, tal como acontecera ao General Bernardim Freire de Andrade, em Braga. Muitos fugiram pelo rio, outros conseguiram seguir para Norte junto ao mar e, no sector Este, o General Vitória retirou ao longo da estrada do Valongo em direcção ao interior, dando ainda combate às forças que o perseguiam. Muitos combatentes e uma parte importante da população que tinha permanecido na cidade dirigiu-se para a ponte das barcas com a finalidade de atravessar para a margem Sul. Foi nesta altura que a ponte cedeu, dando origem ao desastre que vitimou muitas centenas de pessoas. Pela resistência oferecida, a cidade foi posta a saque de forma tão violenta que mereceu críticas de alguns franceses. No fim, os portugueses terão tido entre nove a dez mil baixas, sem contar com as vítimas do desastre da ponte das barcas. Os franceses sofreram, segundo os relatórios de Soult, 12.000 mortos e 20.000 feridos.
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Mensagem Enviada: Qui Nov 28, 2019 18:09     Assunto : Responder com Citação
 
A Batalha ou Combate do Rio Côa (24 de Julho de 1810) ocorreu no início da Terceira Invasão Francesa no âmbito da Guerra Peninsular (1807-1814).

In diversas fontes da net.

Trata-se do primeiro combate travado durante a Terceira Invasão. As forças aliadas comandadas pelo Brigadeiro-General Robert Craufurd foram obrigadas a retirar perante o avanço do 6º Corpo de Exército (VI CE) do Marechal Michel Ney que se deteve na margem Leste do Rio Côa a fim de pôr cerco à Praça-forte de Almeida.

Apesar de Napoleão Bonaparte reinar sobre quase toda a Europa, continuavam a existir dois focos de resistência à expansão francesa: as Ilhas Britânicas e a Península Ibérica, especialmente o Reino de Portugal que tinha já sido objecto de duas tentativas de domínio por parte dos Franceses. A Primeira Invasão Francesa de Portugal teve início em 1807 sob o comando de Junot e a intervenção britânica, após a eclosão das revoltas, primeiro em Espanha, depois em Portugal, determinou a expulsão das tropas francesas no ano seguinte.

Em 1809 deu-se a Segunda Invasão Francesa, sob o comando de Soult, que culminou com a ocupação do Porto. Novamente a intervenção das tropas britânicas, agora mais bem apoiadas pelos regimentos portugueses já reorganizados ou em fase de reorganização sob o comando de William Carr Beresford, obrigaram a uma retirada, dramática, do exército francês.

Napoleão concentrou forças na Península Ibérica, ordenou a organização do chamado "Exército de Portugal" e para o comandar nomeou a 17 de Abril de 1810 o Marechal André Massena, um dos seus generais favoritos. Massena assumiu o comando no dia 28 de Maio, em Salamanca, quando a campanha já tinha começado. A rota a seguir era Ciudad Rodrigo – Almeida – Coimbra – Lisboa e isto significava que só depois de Ciudad Rodrigo ter sido tomada o exército francês podia avançar para Almeida. Ciudad Rodrigo, a cerca de 30 km da fronteira portuguesa, capitulou a 10 de Julho de 1810. Massena devia agora preocupar-se com a praça de Almeida pois só depois de estar na posse desta fortaleza podia avançar com segurança em direcção a Coimbra.

Wellington não queria travar uma batalha decisiva nos terrenos planos do território espanhol em que se movimentavam as tropas de Massena pois não podia arriscar numa batalha perder o exército anglo-luso. Escolheu por isso manter-se nas regiões mais montanhosas, em Portugal, onde lhe era mais fácil retardar e flagelar o inimigo, causando-lhe baixas com a consequente redução dos efectivos disponíveis e afectando-lhe negativamente o moral das tropas, mas também, onde os franceses teriam mais dificuldade em utilizar a sua cavalaria e artilharia, armas em que eram nitidamente mais fortes do que as forças anglo-lusas. Por outro lado, Wellington conservou o seu exército afastado da fronteira com o objectivo de manter flexibilidade para se movimentar em qualquer direcção e não ser surpreendido por um ataque de surpresa das forças francesas. Posicionou as suas forças para Oeste do rio Côa pois as pontes e vaus não eram abundantes e não desejava ver-se encurralado com aquele obstáculo à retaguarda. Assim, destacou a Divisão Ligeira de Craufurd para, junto à fronteira com Espanha, vigiar os movimentos do exército de Massena.

A Divisão Ligeira (Light Division em Inglês) era comandada pelo Brigadeiro-General Robert Craufurd e, com as unidades que lhe foram adicionalmente atribuídas para esta missão, tinha um efectivo de aproximadamente 5.750 homens sendo constituída por:

• 43rd Foot (43º Regimento de Infantaria de Linha) com 973 homens;
• 52nd Foot com 997 homens;
• 95th Rifles com 895 homens;
• Um corpo de cavalaria formado pelo 1st Hussars KGL e os 14º e 16º Regimentos de Dragões Ligeiros, com um total de 1.343 homens;
• Uma bateria de artilharia a cavalo.

As tropas francesas que tiveram intervenção neste combate pertenciam ao VI CE do General Michel Ney e englobavam duas brigadas de cavalaria e a 3ª Divisão de Infantaria que seguia na dianteira do grosso das forças. Ao todo eram cerca de 9.800 homens e estavam organizadas da seguinte forma:

• Brigada de Cavalaria, do General Lamotte, atribuída ao VI CE, com um total de 1.680 homens e constituída pelos 3º Regimento de Hussares e 15º Regimento de Caçadores a cavalo.
• Brigada de Cavalaria, do General Claude Gardenne, da Reserva de Cavalaria de l'Armée du Portugal, com um total de 1.426 homens e constituída pelos 15º e 25º Regimentos de Dragões .
• 3ª Divisão de Infantaria, do General Louis Henri Loison, do VI CE, com um total de 6.826 homens e organizada da seguinte forma:

→ Brigada Simon, constituída pelo 26º Regimento de Infantaria de Linha (3 batalhões – 1.625 homens), Légion du Midi (564 homens) e Légion Hanovrienne (2 batalhões – 1.158);

→ Brigada Ferey, constituída pelo 32º Regimento de Infantaria Ligeira (1 batalhão – 413 homens), pelo 66º Regimento de Infantaria de Linha (3 batalhões – 1.830 homens) e pelo 82º Regimento de Infantaria de Linha (2 batalhões – 1.236 homens).

A Divisão Ligeira de Craufurd tinha-se mantido nas últimas semanas entre a fronteira portuguesa e Ciudad Rodrigo. O seu objectivo era vigiar e flagelar o inimigo sem nunca se empenhar num combate. Ciudad Rodrigo rendeu-se a 9 de Julho de 1810 e os franceses começaram a voltar as suas atenções para a fronteira portuguesa. No dia 21 de Junho Ney fez avançar a 3ª Divisão de Loison e a cavalaria que estava atribuída ao VI CE. Craufurd retirou as suas tropas para a região de Almeida. Wellington tinha-lhe dado ordens para passar para a margem ocidental do Rio Côa se os franceses se aproximassem com uma força tão forte que pudesse pôr em perigo a Divisão Ligeira. Antes de entrar em Portugal, Craufurd fez explodir o forte espanhol de La Concepcion para que os franceses não pudessem utilizá-lo de alguma forma.

Craufurd concentrou a sua infantaria em Junça, uma aldeia a cerca de 6 km das portas de Almeida. A sua cavalaria foi enviada para a frente a fim de efectuar reconhecimentos mais próximos dos franceses. O avanço francês, sempre marcado por escaramuças com a cavalaria britânica, parou em Vale da Mula, 6,5 km a Sudeste de Almeida. A cerca de 5Km para ocidente ficava Junça.

A praça de Almeida está situada a pouco mais de 3 km do Rio Côa. Sobre este existe uma ponte estreita a que se acede a partir de Almeida, por uma estrada que, no terreno mais íngreme perto do rio, tem um traçado com uma curva apertada que pode dificultar a circulação. O rio corre num leito profundo e de acessos muito difíceis. Constitui um obstáculo difícil de transpor. Da praça de Almeida não se consegue avistar, nem se conseguia bater com o fogo de artilharia, a ponte ou o troço da estrada no terreno mais íngreme. Almeida situa-se portanto no extremo de um planalto que se estende para Este até ao Rio Águeda. O terreno na zona de Almeida é muito rochoso e a paisagem estava cortada por numerosos muros de pedra.

Se Craufurd decidisse combater nas posições a Leste do rio teria, desta forma, um importante obstáculo à retaguarda que lhe iria dificultar a retirada quando aparecessem forças superiores contra as quais não se deveria empenhar. A sua acção a Leste do rio Côa, no entanto era inestimável pois permitia ganhar tempo que era importante para a continuação do reabastecimento da praça para a qual se previa um cerco prolongado. O ataque no entanto, foi mais forte do que o esperado. Quando a cavalaria francesa que seguia à frente, no dia 24 de Julho de manhã cedo, pôs em fuga as patrulhas da cavalaria britânica e os postos avançados lançados pelo 95th Rifles e se ouviram os tiros das carabinas e espingardas, os cinco batalhões de infantaria da Divisão Ligeira ocuparam rapidamente as posições de combate. Formaram uma linha que apoiava o seu flanco esquerdo na zona de um moinho existente nos terrenos mais elevados a Sudeste de Almeida, a cerca de 600 metros das muralhas e se estendia para Sul ao longo da estrada para Junça. A artilharia de Almeida proporcionava protecção à ala esquerda do dispositivo anglo-luso.

Cerca de uma hora após terem ocupado as posições de combate, os três batalhões britânicos e dois batalhões de caçadores portugueses foram atacados em força pela Infantaria de Loison, treze batalhões que, apesar da esmagadora superioridade numérica foram detidos no primeiro assalto. Mas de repente, o 3º Regimento de Hussares carregou ao longo do intervalo entre as muralhas de Almeida e o extremo da ala esquerda de Craufurd. Nesta acção, apesar do fogo da artilharia na praça de Almeida, a companhia de O'Hare do 95th Rifles foi praticamente aniquilada pois sofreu 12 mortos ou feridos e 45 prisioneiros, isto num total de 67 homens. Craufurd deu imediatamente ordens para a retirada.

A cavalaria e a artilharia receberam ordens para se dirigirem de imediato para a ponte e passarem para a margem ocidental. Em seguida foi dada a mesma ordem aos dois Batalhões de Caçadores. Os restantes batalhões, britânicos, deviam retardar o avanço inimigo, tanto quanto possível. Esta acção tornava-se tanto mais difícil de executar quanto mais próximo se encontrava o inimigo e quanto mais pressão exercia. As dificuldades em movimentar os carros da artilharia provocaram um congestionamento na ponte e obrigaram os batalhões britânicos a empenharem-se de forma muito intensa para conseguirem passar também a ponte. Foi necessário aliás, lançar um contra-ataque que surpreendeu as forças francesas para socorrer cinco companhias do 52nd Foot que tinham ficado para trás.

As forças anglo-lusas atravessaram a ponte e perderam 333 homens, sendo 36 mortos, 214 feridos e 83 desaparecidos, provavelmente capturados pelos franceses. Assim que atravessaram a ponte, os Caçadores foram colocados em posição para apoiarem a retirada dos batalhões britânicos e enfrentarem qualquer tentativa por parte dos franceses de tentarem passar igualmente o rio Côa. Na verdade, Ney realizou três tentativas de se apoderar da ponte mas foram infrutíferas e custaram pesadas baixas. É difícil saber exactamente quais as baixas sofridas pelas tropas francesas porque os relatórios nem sempre correspondiam à verdade e procurava-se dar a conhecer números sempre favoráveis. Ney menciona 530 baixas francesas, feridos e mortos. Numa das tentativas que foram feitas para se apoderar da ponte, utilizando uma unidade de elite com pouco mais de 300 homens - os Chasseurs de Siège, formados pelos melhores atiradores de todos os regimentos do VI CE - sofreram 90 mortos e 147 feridos na tentativa de se apoderarem da ponte. Da análise de diversos autores conclui-se que os franceses tiveram 7 oficiais mortos e 17 feridos, 110 praças (soldados ou sargentos) mortos e 397 feridos.

Craufurd conseguiu salvar a sua Divisão Ligeira da situação difícil em que se tinha encontrado. Realizou uma acção retardadora com sucesso que podieria ter tido consequências muito más porque Craufurd demorou muito a dar a ordem de retirada. O planalto onde se encontrava a praça de Almeida estava agora na posse de Massena. Esperava-se que o cerco de Almeida fosse o mais demorado possível para que se criassem maiores dificuldades logísticas aos franceses, com a correspondente desmoralização das tropas, mas também para que se aprontassem o melhor possível as Linhas de Torres Vedras.
Leonor Especial


 
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Mensagem Enviada: Sex Nov 29, 2019 21:07     Assunto : Responder com Citação
 
A Batalha do Sabugal, travada a 3 de Abril de 1811, foi o último confronto importante entre as tropas francesas de Napoleão Bonaparte comandadas por Massena, e as tropas anglo-lusas, sob o comando do Duque de Wellington, durante a Terceira Invasão Francesa. Foi uma importante vitória de Wellington e os franceses foram obrigados a retirar em direcção a Ciudad Rodrigo.

In diversas fontes da net.

Um exército francês, sob o comando do Marechal André Massena, iniciou a invasão de Portugal em Julho de 1810. Após o Combate do Côa (24 de Julho de 1810) e da queda da praça de Almeida (27 de Agosto de 1810) dirigiu-se para Coimbra. Antes de atingir aquela cidade, sofreu o primeiro revés na Batalha do Buçaco (27 de Setembro de 1810). Após esta batalha, o exército de Massena contornou esta forte posição defensiva e chegou a Coimbra a 1 de Outubro tendo ocupado e saqueado a cidade. Dois dias depois reiniciou a marcha em direcção a Lisboa mas a 11 de Outubro atingiu as Linhas de Torres Vedras.

Perante este formidável sistema defensivo, Massena reconheceu que não dispunha de efectivos suficientes para superar um obstáculo tão grande. Assim, não podendo prosseguir na acção ofensiva que visava atingir Lisboa, decidiu preparar as suas tropas para passarem o Inverno frente às Linhas de Torres. Massena não podia continuar o avanço para Lisboa mas Wellington não queria sair das posições defensivas e arriscar uma batalha em campo aberto. Surgia agora o problema de alimentar as tropas. Enquanto o exército anglo-luso podia receber pelo porto de Lisboa os abastecimentos vindos do exterior pois a marinha de guerra britânica dominava completamente os mares, o exército francês tinha de procurar os meios de subsistência no terreno onde se encontrava.

Esta situação criava as maiores dificuldades às tropas francesas porque, por um lado, encontravam-se agora num território de onde tinha sido retirada grande parte da população e quase tudo o que poderia garantir a subsistência do exército. Além destas condições adversas, as milícias sob o comando do Tenente-coronel Nicholas Trant e a Leal Legião Lusitana sob comando do Brigadeiro Robert Thomas Wilson, à retaguarda das forças francesas, eram preocupação constante para quem se aventurava a afastar-se do grosso das tropas para procurar recursos para a alimentação ou para os mensageiros que faziam a ligação com as tropas francesas em Espanha. Massena estava assim isolado e encontrava cada vez maiores dificuldades em garantir a sobrevivência das suas tropas.

Na noite de 13 para 14 de Novembro de 1810, as tropas francesas retiraram das suas posições em diversos pontos perto das Linhas de Torres e foram ocupar posições mais à retaguarda a fim de encontrar meios de subsistência e aguardar pelos reforços pedidos. Estes nunca chegaram e, no dia 3 de Março de 1811, as tropas francesas iniciaram a retirada de Portugal. O objectivo era Ciudad Rodrigo e o percurso foi feito com as tropas anglo-lusas em sua perseguição, dando origem a numerosos confrontos entre a vanguarda aliada e a retaguarda francesa. No início de Abril, o exército de Massena tinha atravessado o rio Côa e encontrava-se acampado, a recuperar forças, na sua margem direita (Leste) com excepção do VIII CE que se encontrava já mais perto da fronteira. O II CE, que foi atacado pelo exército de Wellington, encontrava-se na região imediatamente a Sul da vila do Sabugal.

Wellington dispunha, para esta acção, de cinco divisões de infantaria, das quais apenas a 3ª Divisão e a Divisão Ligeira entraram em combate, especialmente esta última. As outras divisões, a 1ª (Major-general Sir Brent Spencer), a 5ª (Major-general Dunlop) e a 7ª (Major-general Sontag) não chegaram a entrar em contacto com o inimigo. Esteve presente uma pequena força de cavalaria com um efectivo de 170 sabres - 1st KGL Hussars (1 esquadrão) e 16th Light Dragoons (1 pelotão) - e uma bateria de artilharia a cavalo. As unidades de infantaria empenhadas tinham a seguinte constituição:

• 3ª Divisão de Infantaria, sob o comando do Major-general Thomas Picton. Era constituída por 7 batalhões britânicos (2/5th, 1/45th, 5/60th, 2/83rd, 1/88th, 2/88th e 1/94th) e 4 batalhões portugueses (2 do RI 9 e 2 do RI 21) organizados em três brigadas.

• Divisão Ligeira, sob comando do Major-general Sir William Erskin. Era constituída por duas brigadas de infantaria:

1ª Brigada, sob comando do Tenente-coronel Sydney Beckwith. Era constituída por 4 batalhões (1/43rd, 1/95th, 2/95th e Caçadores 3);

2ª Brigada, sob comando do Coronel George Drummond. Era constituída por 4 batalhões (1/52nd, 2/52nd, 1/95th e Caçadores 1)

O II CE, o alvo do ataque das forças anglo-lusas, estava sob o comando do General Ebenezer Reynier e era constituído por:

• 1ª Divisão de Infantaria, sob comando do General de Divisão Merle, constituída por 12 batalhões organizados em 2 brigadas;

• 2ª Divisão de Infantaria, sob o comando do General de Divisão Heudelet, constituída por 15 batalhões organizados em 2 brigadas;

• Brigada de Cavalaria, sob comando do General de Brigada Pierre Soult, constituída apenas por 2 esquadrões;
•
• Artilharia – 2 obuses.

O II CE encontrava-se no planalto a Sul da vila do Sabugal, na margem Leste do rio Côa. Mais a Norte, também ao longo da margem do Côa, estava o VI CE e, na região de Alfaiates, já mais perto da fronteira espanhola, encontrava-se o VIII CE. Na região de Almeida estava o IX CE, recentemente atribuído ao exército de Massena. O objectivo de Wellington era atacar o II CE por forma a derrotá-lo antes que algum dos outros Corpos viesse em seu auxílio. Para isso, planeou contornar a ala esquerda dos franceses (o II CE) com a Divisão Ligeira reforçada com duas brigadas de cavalaria com a finalidade de atingir a retaguarda do II CE e, assim, cortar a sua linha de retirada para Alfaiates.

Entretanto seria lançado o ataque pelo grosso das tropas, ao longo do Côa, a Sul do Sabugal: a 3ª Divisão devia atravessar o rio num vau cerca de 1,5 Km a Sul do Sabugal e, simultaneamente, a 5ª Divisão iria atacar através da ponte daquela vila; as 1ª e 7ª Divisões, seguiriam mais atrás, prontas a apoiar as outras duas divisões (ver Mapa)[7]. A 6ª Divisão foi colocada frente ao VI CE, simulando um ataque em toda a sua frente para, desta forma, impedir aquela unidade de prestar socorro ao II CE. Mais a Norte, um batalhão da 7ª Divisão vigiava a Ponte de Sequeiro para evitar qualquer acção dos franceses na margem ocidental do Côa ameaçando o flanco esquerdo do exército anglo-luso.

Para que tudo corresse conforme este plano, era necessário que a força que fazia o envolvimento - a Divisão Ligeira – fosse a primeira a atravessar o Côa mas tendo o cuidado de não se envolver em combate com as forças do II CE antes de as 3ª e 5ª Divisões entrarem em acção. Aconteceu no entanto, que no dia 3 de Abril de manhã surgiu um nevoeiro cerrado na região. Por um lado, o nevoeiro permitiu ocultar o movimento das forças atacantes mas, por outro, dificultou a orientação das tropas. Por esta razão, os comandantes da 3ª e 5ª Divisões, resolveram não avançar e pediram instruções a Wellington. O comandante da Divisão Ligeira, pelo contrário, entendeu que as suas tropas deviam prosseguir e enviou ordens nesse sentido ao comandante das brigadas de infantaria e de cavalaria. Beckwith atravessou num vau cerca de 1,5 Km antes daquele em que devia fazer a travessia, numa passagem em que a água chegava aos braços dos homens. A brigada de Drummond atravessou no mesmo local, a seguir à de Beckwith. A cavalaria, por seu lado, perdeu muito tempo a encontrar uma passagem e atravessou o rio num ponto diferente do que estava planeado. Quando o conseguiram fazer, já a infantaria estava envolvida em combate com os franceses.

O II CE tinha montado postos de vigilância muito perto do rio e, quando a brigada de Beckwith, que se deslocava em coluna, ainda estava a atravessar o Côa, abriram fogo. Os franceses, por se tratar apenas de postos de vigilância, foram facilmente afastados e a brigada foi disposta em linha de combate. As tropas da Divisão do General Merle no entanto, reagiram prontamente e obrigaram a Brigada de Beckwith a defender-se, agora contra forças que lhe eram numericamente superiores. A Brigada de Drumont, que tinha percorrido uma rota diferente, chegou ao terreno nesse momento o que aliviou um pouco a pressão sobre a Brigada de Beckwith. Finalmente o nevoeiro começou a dissipar-se e foi possível ter uma ideia mais clara do que estava a acontecer. As duas brigadas de infantaria da Divisão Ligeira não se tinham dirigido para a retaguarda do II CE mas tinham avançado directamente ao encontro do seu flanco onde se encontrava a Divisão Merle. A cavalaria, com a qual se encontrava o comandante da Divisão Ligeira, estava afastada do local onde actuava a infantaria .

Quando o nevoeiro começou a levantar, Wellington apercebeu-se da situação em que se encontrava a Divisão Ligeira, empenhada contra um inimigo superior e em risco de ser envolvida pelo seu flanco esquerdo. Por esta razão deu ordem para as 3ª e 5ª Divisões iniciarem o ataque. Reynier, por seu lado, pôde ver aquelas divisões prontas a atravessar o rio. Como tinha retirado desta frente muitos dos seus batalhões para enfrentar a Divisão Ligeira, não tinha agora, perante aquelas divisões, tropas suficientes para as enfrentar. Por esta razão, deu imediatamente ordem de retirada, manobra difícil de executar para as forças empenhadas contra a Divisão Ligeira. A 5ª Divisão atravessou a ponte no Sabugal sem encontrar resistência mas desviou-se demasiado para a esquerda e não pôde ser utilizada na perseguição das forças em retirada. Este encargo caiu sobre a 3ª Divisão até que a chuva torrencial dificultou de tal forma a visibilidade e os movimentos que Wellington ordenou a todo o exército para parar.

Não só o II CE mas todo o exército de Massena reiniciou imediatamente a marcha em direcção a Ciudad Rodrigo. Pela terceira vez, sob o comando de Wellington, uma força invasora francesa era expulsa de Portugal deixando apenas uma guarnição em Almeida e que aí se manteve até ao dia 10 de Maio de 1811. No Combate do Sabugal, os franceses sofreram 72 mortos, 502 feridos e 186 prisioneiros. Perderam uma boca de fogo de artilharia que tinha sido capturada pela Brigada de Drummond.

No exército de Wellington registaram-se 17 mortos, 139 feridos e 6 desaparecidos. Nestas baixas contaram-se, nas forças portuguesas, 1 morto e 9 feridos. Houve também um oficial, o Coronel Waters, que prestava serviço no estado-maior português, que foi aprisionado pelos postos avançados do VI CE que se encontrava mais a norte. Provavelmente ter-se-á perdido durante um reconhecimento, devido ao denso nevoeiro.
Leonor Especial


 
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Mensagem Enviada: Sáb Nov 30, 2019 21:02     Assunto : Responder com Citação
 
A Batalha de Fuentes de Oñoro foi travada entre as forças aliadas (britânicos e portugueses), sob o comando do tenente-general Sir Arthur Wellesley, e as forças francesas, sob o comando do Marechal André Massena, entre os dias 3 e 5 de Maio de 1811, no âmbito da Guerra Peninsular, após a 3ª invasão de Portugal. A tentativa feita por Massena para libertar a praça de Almeida, onde ainda existia uma guarnição francesa, falhou pois a batalha resultou numa vitória das forças anglo-lusas.

In diversas fontes da net.

Fuentes de Oñoro situa-se na encosta oriental de uma linha de alturas que se estende de Norte para Sul, tendo a Leste a ribeira de Dos Casas e, a Oeste, a ribeira de Turones, afluentes do Rio Águeda. No extremo norte dessa linha de alturas situa-se o Real Fuerte de la Concepción. Fuentes de Oñoro sobe da margem do Dos Casas até à linha de alturas; tem muitos muros e ruas estreitas e sinuosas e oferece boas condições defensivas. O Dos Casas, a norte da estrada que atravessa a povoação, corre por uma ravina difícil de transpor. Para sul, as margens tornam-se pantanosas . Para sul de Fuentes de Oñoro ficam os povoados de Poço Velho e Nave de Haver, em terreno de morfologia muito mais suave.

As forças Aliadas ocuparam posições na linha de alturas entre as ribeiras de Dos Casas e Turones. O extremo esquerdo (Norte) da posição está assinalado pelo Fuerte de la Concepcíon, a sudoeste de Aldea del Obispo. O extremo direito (Sul) é assinalado pelo povoado de Nave de Haver. O terreno é bastante íngreme na zona do Fuerte de la Concepcíon e apresenta regiões planas a Sul, entre Nave de Haver e Fuentes de Oñor. As zonas arborizadas intercalavam com as zonas de vegetação rasteira.

O exército aliado presente na batalha de Fuentes de Oñoro, constituído por forças portuguesas, espanholas e britânicas (estas incluíam forças alemãs ao serviço do Reino Unido), com um efectivo total na ordem dos 37.000 combatentes, era comandado pelo tenente-general Sir Arthur Wellesley. A maior parte destas forças eram de infantaria. Este exército estava articulado da seguinte forma:

• 1ª Divisão de Infantaria - tenente-general Sir Brent Spencer - 7.565 homens — constituída por 12 batalhões de infantaria de linha e 5 companhias de infantaria ligeira, estava organizada em 4 brigadas (E. Stopford, M. Nightingall, Howard e von Löwe);

• 3ª Divisão de Infantaria - major-general Thomas Picton - 5.480 homens — constituída por 11 batalhões de infantaria de linha (quatro batalhões eram portugueses — 2 do RI 9, 2 do RI 12), estava organizada em 3 brigadas (Henry Mackinnon, Charles Colville e Manly Power);

• 5ª Divisão de Infantaria - major-general Sir William Erskine - 5.158 homens — constituída por 10 batalhões de infantaria de linha (quatro eram portugueses — 2 do RI 3 e 2 do RI 15) e o Batalhão de Caçadores 8, organizados em três brigadas (Handrew Hay, Dunlop e William Spry);

• 6ª Divisão de Infantaria - major-general Alexander Campbell - 5.250 homens - constituída por 9 batalhões (quatro eram portugueses — 2 do RI 8 e 2 do RI 12) e uma companhia do 5/60th Foot, organizados em três brigadas (Hulse, Burne e Madden);

• 7ª Divisão de Infantaria - major-general William Houston - 4.590 homens — constituída por 8 batalhões de infantaria de linha (quatro eram portugueses — 2 do RI 7 e 2 do RI 19) e o Batalhão de Caçadores 2, organizados em duas brigadas, uma britânica (Sontag) e outra portuguesa (Doyle);

• Divisão Ligeira - brigadeiro-general Robert Craufurd — 3.815 homens - constituída por 3 batalhões britânicos de infantaria ligeira e dois batalhões portugueses de caçadores (Caçadores 1 e 3), organizada em duas brigadas (T. S. Beckwith e G. Drummond):

• Brigada Independente Portuguesa - coronel Charles Ashworth - 2.539 homens - constituída por quatro batalhões de infantaria (dois do RI 6 e dois do RI dezoito) e pelo Batalhão de Caçadores 6.

• Corpo de Cavalaria - tenente-general Sir Stapleton Cotton - com um total de 1.854 homens, estava organizado em duas brigadas britânicas (John Slade e F. von Arentschild) e uma portuguesa (Barbacena);

• A Artilharia era formada por quatro baterias britânicas e quatro baterias portuguesas com um total de 48 bocas de fogo e um efectivo de 987 homens (437 britânicos e 550 portugueses);

• Guerrilheiros espanhóis - Julian Sanchez - cerca de 500 homens.

O exército francês comandado pelo Marechal André Massena, o Exército de Portugal, tinha um efectivo de 48.452. Neste número estavam incluídos 1.738 homens que pertenciam ao Exército do Norte do marechal Bessières. Estava organizado em quatro corpos de exército, um deles reduzido a uma divisão:

• II CE - general Jean-Louis-Ebenézer Reynier - 11.064 homens - era formado por duas divisões de infantaria e uma brigada de cavalaria:

1ª Divisão de Infantaria - general Merle - 4.891 homens - constituída por 9 batalhões de infantaria - 6 constituíam a Brigada Sarrut (3.517 homens) e três, do 4º Regimento de Infantaria Ligeira (1.374 homens), dependiam directamente do comando da divisão.

2ª Divisão de Infantaria - general Heudelet - 5.491 homens - constituída por 12 batalhões de infantaria organizados em duas brigadas (Godard e Arnaud);

Brigada de Cavalaria - 682 homens - 1º Regimento de Hussardos, 22º Regimento de Caçadores e 8º Regimento deDragões.

• VI CE - general Loison - 17.140 homens — era formado por três divisões de infantaria e uma brigada de cavalaria ligeira:

1ª Divisão de Infantaria - general Marchand - 5.872 homens - constituída por doze batalhões organizados em duas brigadas (Maucune e Chemineau);

2ª Divisão de Infantaria - general Mermet - 6.702 homens - constituída por doze batalhões organizados em duas brigadas (Ménard e Taupin);

3ª Divisão de Infantaria - general Ferey - 4.232 homens - constituída por dez batalhões organizados em duas brigadas;

Brigada de Cavalaria Ligeira - general Lamotte - 334 homens - constituída por tropas do 3º Regimento de Hussardos (164 homens) e do 15º Regimento de Caçadores (170 homens);

• VIII CE, - general Junot - 4.714 homens - estava reduzido a uma divisão de infantaria (Solignac) formada por 10 batalhões e organizada em duas brigadas;

• IX CE, general Drouet, com um total de 11.098 homens, era composto por duas divisões de infantaria e uma brigada de cavalaria:

1ª Divisão de Infantaria - general Claparéde - 4.716 homens - constituída por nove batalhões agrupados em três Brigadas;

2ª Divisão de Infantaria - general Conroux - 5.588 homens - constituída por nove batalhões agrupados em três brigadas;

Brigada de Cavalaria - general Fournier - 794 homens - constituída por tropas dos 7º, 13º e 20º Regimentos de Caçadores (282, 270 e 242 homens respectivamente).

• Reserva de Cavalaria - general Montbrun - 1.187 homens - estava organizada em duas brigadas (Cavrois e Ornano).

• A Artilharia transportada até ao campo de batalha era constituída por cinco baterias com um efectivo de 430 homens.

• A Engenharia e os trens contavam com um efectivo de 3.011 homens.

Do Exército do Norte, estavam presentes duas brigadas de cavalaria e uma bateria de artilharia, com um total de 1.738 homens. As brigadas de cavalaria eram as seguintes:

Brigada de Cavalaria da Guarda - general Lepic - 370 lanceiros, 235 caçadores, 79 mamelucos e 197 granadeiros a cavalo;

Brigada de Cavalaria Ligeira - general Wathier - constituída por tropas dos 11º, 12º e 24º Regimentos de Caçadores (231, 181 e 200 homens respectivamente) e do 5º Regimento de Hussardos (172 homens).

A bateria de artilharia tinha um efectivo de 73 homens.

Quando o exército de Massena retirou de Portugal no final da Terceira Invasão, uma guarnição francesa permaneceu na praça de Almeida que foi sitiada pelas tropas de Wellington. Massena organizou então as suas forças para libertar a guarnição de Almeida. Os seus corpos de exército concentraram-se em Ciudad Rodrigo a 29 de Abril e a cavalaria e artilharia do Exército do Norte, do marechal Bessier, chegou a 1 de Maio. No dia seguinte iniciaram o movimento em direcção a Portugal, atravessaram a ponte de Ciudad Rodrigo sobre o rio Águeda e formaram duas colunas: o II CE na estrada de Marialba (na direcção de Almeida); os VIII e IX CE na estrada para Carpio (na direcção de Fuentes de Oñoro); o VI CE formava a reserva e seguiu as forças mais a Sul.

Wellington estava informado destes movimentos pois tinha a Divisão Ligeira e a sua cavalaria perto de Ciudad Rodrigo e contava com o apoio de guerrilheiros espanhóis. Para interceptar o avanço francês sobre Almeida, posicionou as suas forças na região de Fuentes de Oñoro com o seguinte dispositivo:

• A Norte, no flanco esquerdo, junto ao Fuerte de la Concepcíon, posicionou a 5ª Divisão com a cavalaria portuguesa;

• Mais a Sul, sobre a estrada que liga São Pedro (Portugal) a Alameda (Espanha), posicionou a 6ª Divisão;

• Com 28 companhias retiradas da 1ª e 3ª Divisões, ocupou a povoação de Fuentes de Oñoro;

• No terreno elevado sobre Fuentes de Oñoro posicionou duas linhas de forças (ver Mapa 1):

Na primeira linha, a 1ª Divisão a Sul e a 3ª Divisão a Norte;

Na segunda linha, a 7ª Divisão a Sul, a Brigada Portuguesa de Ashworth e a Divisão Ligeira a Norte (após recolher às posições defensivas);

As brigadas de cavalaria britânicas (John Slade e F. von Arentschild) encontravam-se a Sul (no flanco direito) da 7ª Divisão.

• No flanco direito (a Sul) foram posicionados, em Pozo Bello, dois batalhões da 7ª Divisão e, em Nave de Haver, o corpo de guerrilheiros espanhóis.

A batalha foi travada entre 3 e 5 de Maio. No dia 3 os franceses realizaram o primeiro ataque, sem sucesso; o dia 4 foi dedicado a reconhecimentos, registaram-se algumas trocas de tiros e iniciou-se a alteração dos dispositivos; no dia 5 foi realizado novo ataque francês, igualmente sem sucesso.

No dia 3 de Maio, o exército francês atingiu Gallegos, obrigou as forças da Divisão Ligeira e de cavalaria a retirarem e continuou o avanço em três colunas: a Norte, (a direita francesa) o II CE frente às posições da 5ª Divisão; mais para Sul, o VIII CE frente às posições da 6ª Divisão; o VI CE com a cavalaria de Montbrun, frente a Fuentes de Oñoro. O IX CE foi mantido em reserva.
Neste dia à tarde, Massena ordenou o ataque à povoação de Fuentes de Oñoro. Apesar do sucesso inicial, à noite a povoação estava nas mão dos Aliados. A Norte, o II CE e a Divisão de Solignac (a única do VIII CE) realizaram um ataque de diversão com a finalidade de fixar as 5ª e 6ª Divisões (Erskine e Campbell).

O insucesso do dia 3 levou Massena a efectuar um reconhecimento mais cuidadoso do terreno o que foi feito durante o dia 4. Não houve combates nesse dia excepto em Fuentes de Oñoro onde se registou uma troca de tiros de uma margem para a outra do Dos Casas, sem consequências . Após esses reconhecimentos, Massena decidiu tornear a posição dos Aliados e lançar o ataque sobre o seu flanco Sul; quando este ataque estivesse já a decorrer, seria lançado o ataque sobre Fuentes de Oñoro; a Norte a missão mantinha-se inalterada. Desta forma, Massena esperava romper o dispositivo aliado em Fuentes de Oñoro e, com a força de envolvimento, ameaçar as suas linhas de comunicações. Wellington tinha estendido o seu dispositivo: colocou a 7ª Divisão entre Fuentes de Oñoro e Poço Velho e a sua cavalaria entre Poço Velho e Nave de Haver. Pretendia com este dispositivo prevenir alguma tentativa de envolvimento que, esperava, fosse realizada com forças inferiores às que a realizaram.

No dia 5 de Maio, uma força de cavalaria francesa atravessou o rio Dos Casas e expulsou os espanhóis que se encontravam em Nave de Haver. Em seguida, entrou em combate com a cavalaria britânica que foi obrigada a recuar. O ataque a seguir efectuado pela infantaria francesa obrigou os dois batalhões posicionados em Poço Velho a retirar. Juntaram-se às restantes forças da 7ª Divisão que foi, por sua vez, atacada pela infantaria francesa. Perante a superioridade numérica das tropas francesas, Wellington garantiu a retirada daquela divisão com o apoio da Divisão Ligeira e da cavalaria. As forças anglo-lusas recuaram até formarem uma linha, de Fuentes de Oñoro até perto de Freineda, onde se posicionaram (de Leste para Oeste) a 3ªDivisão, a Brigada Portuguesa de Ashworth, a 1ª Divisão e, para Oeste do Turones, até Freneda que foi ocupada pelos guerrilheiros espanhóis, a 7ª Divisão que retirou para aquelas posições.. A Divisão Ligeira foi colocada em reserva.

No flanco Norte do exército de Wellington, a participação na batalha, de acordo com a missão de Reynier, resumiu-se a algumas escaramuças. Em Fuentes de Oñoro, as companhias que tinham sofrido o primeiro ataque no dia 3 foram substituídas por três batalhões (1/71st, 1/79th e 2/24th da 1ª Divisão). O ataque francês, inicialmente coroado de êxito, embora à custa de elevadas baixas, acabou repelido pela intervenção de um reforço da Brigada de Mackinnon (3ª Divisão). Massena tencionava lançar o ataque contra o flanco Sul da posição anglo-lusa depois de controlar a povoação e, a partir daí, ameaçar o flanco da linha aliada voltada a Sul. Ao falhar este objectivo e começando a ficar com poucas munições, decidiu retirar.

As forças anglo-lusas sofreram 1.804 baixas (241 mortos, 1.247 feridos e 316 desaparecidos); quase 40% das baixas pertenceram à 1ª Divisão. Os franceses sofreram 2.844 baixas (343 mortos, 2.287 feridos e 214 desaparecidos), a maior parte nos VI e IX CE. A praça de Almeida continuou em posse dos franceses até à noite de 10 para 11 de Maio, quando a guarnição francesa conseguiu passar através das forças anglo-lusas que cercavam a praça e escapar para Espanha.
Leonor Especial

 
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Mensagem Enviada: Ter Dez 03, 2019 11:43     Assunto : Responder com Citação
 
A Batalha ou Combate da Roliça foi travado no dia 17 de Agosto de 1808, durante a primeira invasão francesa de Portugal, no âmbito da Guerra Peninsular (1807–1814). Neste combate enfrentaram-se as forças anglo-lusas comandadas pelo Tenente-General Sir Arthur Wellesley e as forças francesas comandadas pelo general de Divisão Henri-François Delaborde.

In diversas fontes da net.

Foi o primeiro confronto importante entre a força expedicionária britânica e os Franceses. Estes, embora obrigados a retirar, cumpriram a sua missão de retardar as forças de Wellesley. Neste mesmo dia terminava o Cerco de Saragoça (1808), um fracasso dos Franceses frente à guarnição espanhola e à população da cidade que assumiram uma heróica defesa desde 15 de Junho de 1808.

O Exército de Observação da Gironda, após atravessar Espanha, entrou em Portugal no dia 17 de Novembro de 1807, acompanhado por três divisões espanholas. No dia 30 daquele mês, pelas 09.30h, Junot entrava em Lisboa com cerca de 1.500 homens esgotados da violenta marcha que acabavam de fazer. O grosso do exército chegou nos dias seguintes em condições igualmente deploráveis. Não só não houve resistência à invasão como houve a preocupação das autoridades, seguindo as directivas reais, não hostilizarem o invasor.

As forças invasoras foram distribuídas pelos principais pontos estratégicos do país. Junot ficou em Lisboa e, em breve, a sua acção governativa iria pesar cada vez mais no quotidiano dos Portugueses. Acumulavam-se as dificuldades e acumulavam-se as afrontas cometidas pelo ocupante.

Dia após dia crescia o descontentamento e, quando eclodiu a revolta em Espanha (2 de Maio de 1808), a posição de Junot tornou-se difícil de sustentar porque nas tropas espanholas que o tinham acompanhado surgiam indícios de simpatia pela revolta. As revoltas surgiram em Portugal em Junho e Julho de 1808 e conduziram à decisão de enviar um contingente britânico. Após terem sido coordenados os apoios necessários com a Junta Provisional do Governo Supremo do Reino que se formara no Porto, uma força expedicionária britânica iniciou o seu desembarque em Lavos, imediatamente a Sul da Figueira da Foz no dia 1 de Agosto. O desembarque durou até ao dia 5 desse mês. O comando da força era então, da responsabilidade do Tenente-general Sir Arthur Wellesley.

De Lavos, Wellesley dirigiu-se para Montemor-o-Velho, onde se reuniu com Bernardim Freire de Andrade, que comandava um corpo de forças portuguesas que vinha do Norte em direcção à península de Lisboa a fim de se juntar à força britânica. Foram trocadas informações e os Portugueses receberam armamento dos Britânicos mas os dois oficiais não chegaram a acordo sobre a estratégia a adoptar. Wellesley decidiu marchar para Lisboa por um itinerário perto da costa para conservar o contacto com a esquadra britânica. Bernardim Freire acompanhou-o com as suas forças até Leiria para depois seguir por Santarém. Das forças portuguesas seguiram com os Britânicos 2.592 homens que formaram o Destacamento Português sob o comando do Tenente-Coronel Nicholas Trant.

Informado do desembarque, Junot enviou o General Delaborde no dia 6 de Agosto com uma força relativamente pequena, com a missão de observar e se possível, impedir o avanço inimigo. Deviam juntar-se-lhe as forças do General Louis Henri Loison que se encontravam em Tomar. No dia 13 de Agosto a força anglo-lusa sai de Leiria e no dia seguinte entra em Alcobaça. No dia 15 entrou nas Caldas da Rainha e foi na aldeia de Brilos, nos arredores, que se trocaram os primeiros tiros entre os destacamentos avançados de ambas as forças. No dia 16 o corpo expedicionário de Wellesley continuou o avanço para Sul e, depois de ter passado Óbidos, avistaram forças francesas posicionadas perto da povoação da Roliça.

O campo de batalha da Roliça situa-se na actual Freguesia da Roliça, na parte Norte do Município do Bombarral, entre Torres Vedras e Óbidos. Para Sul desta povoação estende-se uma planície onde, a cerca de 5Km de Óbidos se encontra uma colina e uma ondulação do terreno pouco acentuada, que constituiu a primeira posição dos Franceses. Mais a Sul, esta planície torna-se mais irregular e, a seguir às povoações de Columbeira e Pó, o terreno sobe formando o Planalto das Cesaredas, num declive íngreme e cortado por linhas de água profundas que formam ravinas. Os Franceses ocuparam a linha de alturas sobre a povoação de Columbeira.

Na ravina junto a Columbeira, a de maior dimensão, passa hoje a estrada nacional que dá acesso a Reguengo Grande e Azambujeira dos Carros. Esta ravina foi o terreno onde se travou a luta mais renhida pela conquista dos terrenos mais elevados. Esta planície é orlada a Este pelo terreno mais elevado onde passa hoje a autoestrada do Oeste (A oito).

As forças britânicas e portuguesas, sob comando do Tenente-general Sir Arthur Wellesley, somavam 15.870 homens. A infantaria britânica estava organizada em seis brigadas:

Infantaria Britânica
Unidades Subunidades Comando Efectivos
1ª Brigada 1/5th, 1/9th e 1/38th Foot Major-general Rowland Hill 2.780
2ª Brigada 36th, 1/40th e 1/71 Foot Major-general R. Ferguson 2.420
3ª Brigada 29th e 1/82nd Foot Brigadeiro-general M. Nightingall 1.735
4ª Brigada 1/6th e 1/32nd Foot Brigadeiro-general B. Bowes 1.820
5ª Brigada 1/50th e 91st Foot Brigadeiro-general C. Craufurd 1.865
6ª Brigada 1/45th, 5/60th e 2/95th Foot Brigadeiro-general H. Fane 2.006

A cavalaria britânica formava um corpo sob o comando do Tenente-coronel C. D. Taylor e era formada por forças do 20º Regimento de Dragões Ligeiros (20th Light Dragons) com um efectivo de 180 homens.

A Artilharia britânica (Royal Artellery), sob comando do Tenente-coronel W. Robe, dispunha de 16 bocas de fogo. Destas, foram atribuídas a cada brigada 2 peças de 6 libras e, às 1ª, 2ª e 6ª brigadas, foi atribuído um obus a cada uma. Uma boca de fogo ficou sob controlo do comando das forças. Os efectivos portugueses reforçaram a artilharia britânica.

As forças portuguesas – infantaria e cavalaria – estavam agrupadas num único corpo, o destacamento português, sob comando do Tenente-coronel N. Trant. Estas forças eram constituídas por efectivos das seguintes unidades:

Representação das posições e movimentos das forças no Combate da Roliça.

Forças Portuguesas:
Unidade Efectivos
Regimento de Cavalaria 6 104
Regimento de Cavalaria 11 50
Regimento de Cavalaria 12 104
Cavalaria da Polícia de Lisboa 41
Regimento de Infantaria 12 605
Regimento de Infantaria 21 605
Regimento de Infantaria 24 304
Caçadores do Porto 569

As forças francesas, comandadas pelo General de Divisão Delaborde, tinham a seguinte constituição:

Infantaria: comandada pelo General de Brigada Brenier, tinha um efectivo total de 4.000 homens distribuídos da seguinte forma:

Representação do Combate da Roliça. HEATH, William, 1795-1840. Imagem cedida pela Biblioteca Nacional de Portugal.

Infantaria francesa:
Unidade Efectivos
3/2º Regimento de Infantaria Ligeira 950
3/4º Regimento de Infantaria Ligeira 950
1/70º Regimento de Infantaria de Linha 1.850
2/70º Regimento de Infantaria de Linha
4º Regimento de Infantaria Suissa (2 companhias) 250

Cavalaria: uma força do 26º Regimento de Caçadores a Cavalo (Chasseur à Cheval) com um efectivo de 250 homens;

Artilharia: Uma bateria com cinco bocas de fogo, o que correspondia a um efectivo de 100 homens.

Wellesley dividiu a sua força em três colunas. A coluna da direita era comandada pelo tenente-coronel Trant e era constituída por cerca de 1.200 homens da infantaria portuguesa e 50 cavaleiros; tinha como missão tornear a esquerda do dispositivo francês. A coluna da esquerda, sob comando do tenente-general Roland Ferguson, era constituída pela 4ª Brigada (Bowes) reforçada com três companhias (Rifles) da 6ª brigada e um corpo de cavalaria composto por 20 cavaleiros britânicos e 20 portugueses; tinha a missão de tornear a direita do dispositivo francês e vigiar a aproximação de Loison. A coluna do centro, sob comando directo de Wellesley, era constituída pelas restantes forças, cerca de 9.000 homens de infantaria e 12 bocas de fogo de artilharia.

As tropas de Delaborde posicionaram-se nos terrenos mais elevados da região da Roliça de forma a cobrirem a máxima largura possível pelo que o dispositivo não podia ser muito forte, mas estavam preparadas para retirarem rapidamente, com ordem, quando os flancos começassem a ser envolvidos.

O ataque foi lançado cedo, no dia 17 de Agosto. As forças de Wellesley avançaram com as alas mais adiantadas que a coluna do centro. Delaborde, com poucas forças, manteve o seu dispositivo até os aliados se encontrarem a curta distância e quase conseguirem envolver os Franceses. Vendo que não conseguia manter a posição, mandou retirar as suas tropas para o terreno mais elevado perto do lugar da Columbeira, mais difícil de tornear. A retirada deu-se em boa ordem, registando-se algumas escaramuças quando iniciaram o movimento.

Wellesley manteve o dispositivo inicial – as forças do tenente–coronel Trant à direita, as do tenente-general Ferguson à esquerda e as restantes na coluna central: a 1ª Brigada (Hill) à direita, a 3ª Brigada (Nightingall) ao centro, a 6ª Brigada (Fane) à esquerda e a 5ª Brigada (Craufurd) com os Caçadores do Porto formava a reserva. Atrás seguia a cavalaria - metade portuguesa, metade britânica – e a artilharia.

Quando as forças britânicas começaram a subir em direcção às posições francesas tiveram de o fazer através das ravinas que estavam bem defendidas. Os homens do 29th Foot (3ª Brigada) avançaram e, sem se aperceberem, estavam quase a ultrapassar o 70º Regimento de Linha dos Franceses. Estes atacaram a retaguarda do 29th Foot apanhando-os de surpresa. Entre as baixas que então se verificaram estava o comandante do 29th, tenente-coronel Lake, e houve muitos prisioneiros.

O 1/9th Foot juntou-se às restantes forças do 29th e atacaram obrigando os Franceses a recuarem para logo de seguida lançarem um contra-ataque com quatro batalhões. Os 1/5th e 2/95th vieram em apoio e sustentaram uma luta renhida até as forças de Ferguson finalmente apareceram sobre o flanco direito (Este) dos Franceses. Com a possibilidade de ver as suas forças envolvidas, Delaborde ordena a retirada. O 26º Chasseur à Cheval lançou algumas cargas para neutralizar a perseguição dos Aliados. A cavalaria portuguesa retirou perante uma destas cargas mas a infantaria britânica conseguiu contê-los.

A retirada francesa processou-se inicialmente com calma mas, quando atingiram uma passagem estreita que os obrigou a avançar mais lentamente, houve alguma confusão que fez com que abandonassem três das suas bocas de fogo de artilharia e alguns dos prisioneiros conseguiram escapar. Delaborde só se reuniu às forças de Loison, no dia 19, em Torres Vedras. A sua missão no entanto, foi cumprida pois ganhou um tempo precioso para Junot.

Os Franceses perderam neste encontro cerca de 600 homens. Os aliados tiveram 479 baixas: 70 mortos, 335 feridos e 74 desaparecidos. O 29th Foot foi a unidade que mais sofreu, com 190 baixas incluindo prisioneiros. O corpo de tropas portuguesas não comunicou baixas mas, quatro dias mais tarde, registaram a falta de 7 homens.

Sendo o primeiro combate terrestre entre britânicos e franceses da Guerra Peninsular, este combate foi o primeiro da carreira europeia de Wellesley; o sucesso aqui e no Vimeiro levou-o mais tarde a comandar o exército britânico na Península a partir de 1809, que levou a França em 1814, e depois a liderar a famosa batalha deWaterloo. Wellesley escreveu mais tarde que, no início da batalha, estava receoso do confronto direto com os franceses, sendo a primeira vez que ia enfrentar o temível adversário que ocupava toda a Europa (isto apesar da sua superioridade numérica); e reconheceu a importância deste dia para o futuro da sua carreira.

A Roliça significou, não só para Wellesley mas todos os soldados britânicos, a confirmação de que, apesar da fama de Napoleão, era possível bater os franceses.
Leonor Especial


 
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Beladona
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Mensagem Enviada: Ter Dez 03, 2019 21:32     Assunto : Responder com Citação
 
A Batalha do Vimeiro foi travada no dia 21 de Agosto de 1808, durante a primeira invasão francesa de Portugal, no âmbito da Guerra Peninsular (1807 – 1814). Nesta batalha defrontaram-se as forças anglo-lusas comandadas pelo tenente-general Sir Arthur Wellesley e as forças francesas comandadas pelo general Jean-Andoche Junot. A batalha resultou numa vitória para as forças anglo-lusas e determinou o fim da primeira invasão francesa de Portugal.

In diversas fontes da net.

O Exército de Observação da Gironda atravessou Espanha e entrou em Portugal no dia 17 de Novembro de 1807, acompanhado por três divisões espanholas. No dia 30 daquele mês, pelas 09.30h, Junot entrava em Lisboa com cerca de 1500 homens, esgotados da violenta marcha que acabavam de fazer. O grosso do exército chegou nos dias seguintes em condições igualmente deploráveis. Não só não houve resistência à invasão como também houve a preocupação das autoridades, seguindo as diretivas reais, não hostilizarem o invasor.

Quando eclodiu a revolta em Espanha (2 de Maio de 1808), a posição de Junot tornou-se difícil de sustentar, porque nas tropas espanholas que o tinham acompanhado surgiam indícios de simpatia pela revolta. Em Junho e Julho de 1808, as revoltas surgiram também em Portugal. Elas levaram à decisão de enviar um contingente britânico. Após terem sido coordenados os apoios necessários com a Junta Provisional do Governo Supremo do Reino, que se formara no Porto, uma força expedicionária britânica iniciou o seu desembarque em Lavos, a sul da Figueira da Foz no dia 1 de Agosto. O comando da força era da responsabilidade do tenente-general Sir Arthur Wellesley. Das forças de Bernardim Freire de Andrade, que comandava um corpo de tropas portuguesas vindo do norte em direção à Península de Lisboa, juntaram-se aos britânicos 2592 homens, que formaram o Destacamento Português, sob o comando do tenente-coronel Nicholas Trant.

Informado do desembarque, Junot enviou o general Delaborde, no dia 6 de Agosto, com uma força relativamente pequena, com a missão de observar e, se possível, impedir o avanço inimigo. Em consequência, travou-se o Combate da Roliça, no dia 17 de Agosto, a sul de Óbidos. Os aliados obrigaram os franceses a retirar, mas estes cumpriram a sua missão, pois deram a Junot o tempo necessário para organizar as suas unidades.

Após o Combate da Roliça, Wellesley dirigiu as suas forças para a região do Vimeiro, com a finalidade de proteger o desembarque das brigadas comandadas pelos brigadeiros-generais Anstruther e Acland. No dia 19, ele tinha ocupado as posições à volta daquela povoação. A 7.ª Brigada tinha desembarcado no dia 19, mas a 8.ª Brigada, no dia 21, só tinha desembarcado metade das tropas. Junot tinha as suas forças concentradas em Torres Vedras. No dia 20, ao fim da tarde, ele dirigiu-se ao encontro das forças anglo-lusas. Pela meia noite, já se ouvia o rumor provocado pelos carros e cavalos, no Vimeiro.

A povoação do Vimeiro situa-se na margem direita do Rio Alcabrichel, a 14 km a noroeste de Torres Vedras e 8 km a sul da Lourinhã. No Sudeste da povoação, existe uma colina que foi ocupada pelas brigadas de Anstruther e Fane. Hoje existe nessa colina um monumento comemorativo do centenário da batalha, mandado erguer pelo rei Dom Manuel II.

O Rio Alcabrichel corre de sul para norte; a seguir ao Vimeiro, curva em direção ao mar (oeste). O seu percurso pouco antes de chegar ao Vimeiro, marca um vale com ladeiras íngremes na margem esquerda. Nesta, entre o Vimeiro e o mar, forma-se uma linha de alturas, de onde se pode dominar o vale do Maceira e as praias junto à sua foz.

A norte do Vimeiro, entre ravinas difíceis de transpor, situa-se uma outra linha de alturas, por onde se atinge, em estradas secundárias, Ventosa, Santa Bárbara, Casal Novo, Lourinhã. A primeira daquelas povoações marca a posição norte posteriormente ocupada pelas brigadas de Ferguson, Nightingale e Bowes.

O exército de Wellesley estava organizado em brigadas e apresentava um efetivo de 18 878 homens, dos quais 2100 eram portugueses. A sua estrutura era a seguinte:

Infantaria Britânica
Unidades Subunidades Comando Efectivos
1.ª Brigada 1/5th , 1/9th e 1/38th Foot Major-general Rowland Hill
2658
2.ª Brigada 36th, 1/40th e 1/71 Foot Major-general Ronald Ferguson
2449
3.ª Brigada 29th e 1/82nd Foot Brigadeiro-general Miles Nightingall
1520
4.ª Brigada 1/6th e 1/32nd Foot Brigadeiro-general Barnard Bowes
1813
5.ª Brigada 1/45th e 91st Foot Brigadeiro-general James Catlin Craufurd
1832
6.ª Brigada 1/50th, 5/60th e 2/95th Foot Brigadeiro-general Henry Fane
2005
7.ª Brigada 2/9th, 2/43rd, 2/52nd e 2/97th Brigadeiro-general Robert Anstruther
2703
8.ª Brigada 2nd, 20th (7,5 compas) e 1/95th (2 compas) Brigadeiro-general Wroth Palmer Acland
1332

A cavalaria formava um corpo sob o comando do tenente-coronel C. D. Taylor e era formada por forças do 20.º Regimento de Dragões Ligeiros (20th Light Dragons) com um efectivo de 240 homens e pela cavalaria portuguesa com um efectivo de 258 homens. A artilharia (Royal Artillery), sob comando do tenente-coronel W. Robe, dispunha de três baterias, um total de 18 bocas de fogo e 226 homens. A infantaria portuguesa estava sob comando do tenente-coronel Nicholas Trant. As forças portuguesas, infantaria e cavalaria, eram constituídas por efectivos das unidades seguintes:

Forças Portuguesas
Unidade Efectivos
Regimento de Cavalaria 6 104
Regimento de Cavalaria 11 50
Regimento de Cavalaria 12 104
Cavalaria da Polícia de Lisboa 41
Regimento de Infantaria 12 605
Regimento de Infantaria 21 605
Regimento de Infantaria 24 304
Caçadores do Porto 569

As forças que Junot utilizou na Batalha do Vimeiro tinham um efectivo perto dos 14 000 homens. A sua organização de origem é a que seguir se indica:

Infantaria Francesa
Unidades Subunidades Comando Efectivos
1.ª Divisão General Henri-François Delaborde

Brigada Brennier General Antoine-François, conde Brennier de Montmorand
3445
Brigada Thomières General Jean-Guillaume-Barthélemy, barão de Thomières
1569
2.ª Divisão General Louis-Henri Loison
Brigada Solignac General Jean-Baptiste Solignac
3008
Brigada Carlot General Hugues Charlot
1413
Reserva de Granadeiros General François-Étienne, conde Kellermann

1.º Regimento (2 batalhões) Coronel Maransin 2100
2.º Regimento (2 batalhões) Coronel Saint-Clair

A cavalaria francesa era constituída por uma divisão sob comando do general Pierre Margaron, com as subunidades seguintes:

Cavalaria Francesa - Divisão Margaron
Subunidades Efectivos
1.ª Regimento Provisório de Caçadores 263
3.º Regimento Provisório de Dragões 640
4.º Regimento Provisório de Dragões 589
5.º Regimento Provisório de Dragões 659
Esquadrão de voluntários 100

A artilharia francesa dispunha de 23 bocas de fogo.

Após a Batalha da Roliça (17 de Agosto de 1808), Wellesley dirigiu as suas forças para as posições do Vimeiro, com a finalidade de proteger o desembarque de mais duas brigadas na praia de Porto Novo, na foz do Rio Alcabrichel. A primeira destas brigadas, sob comando do brigadeiro-general Robert Anstruther, desembarcou no dia 19. No dia 20, a segunda brigada, sob comando do brigadeiro-general Wroth Palmer Acland, iniciou o desembarque. Na manhã do dia seguinte, porém, ainda faltava desembarcar um terço das forças. Entretanto, Wellesley posicionou no terreno todas as forças desembarcadas.

A intenção de Wellesley era, após o desembarque, caso não fosse atacado pelos franceses, continuar o seu movimento em direcção a Lisboa, pela estrada de Mafra. No dia 20 de Agosto, Wellesley tomou conhecimento da chegada do tenente-general Sir Harry Burrard, oficial mais antigo que Wellesley. Por isso, aquele deveria assumir o comando. Os dois generais encontraram-se a bordo do navio Brazen, perto da foz do Rio Alcabrichel. Burrard decidiu que não seriam efectuados quaisquer movimentos para sul, até se lhes juntar uma divisão sob comando do tenente-general Sir John Moore, que se encontrava já ao largo da costa portuguesa. Burrard decidiu, contudo, passar mais uma noite a bordo. Dessa forma, o comandante das forças anglo-lusas durante a Batalha do Vimeiro foi Wellesley.

As forças anglo-lusas foram colocadas por forma a enfrentar um ataque francês lançado de sul para norte (ver Mapa da Batalha do Vimeiro). Segundo Wellesley, seria esta a sua acção mais provável. Então foram colocados na linha de alturas a sul do Rio Alcabrichel, viradas para sul, numa primeira linha, de oeste para leste (do mar para o interior), as brigadas de Hill, de Craufurd e de Nightingale; numa segunda linha, a brigada (ainda incompleta) de Acland. Na mesma linha de alturas, mas viradas para sudeste, estavam as brigadas de Bowes e de Ferguson. Na colina do Vimeiro, a sudeste daquela povoação, estava colocada a brigada de Anstruther e, à sua esquerda, a de Fane. As forças portuguesas sob o comando do tenente-coronel Trant estavam posicionadas a norte do Rio Alcabrichel, a leste da povoação com o mesmo nome, prontas a serem utilizadas como reserva de Anstruther e Fane. Um corpo de cavalaria com 500 sabres (240 britânicos e 260 portugueses) estava posicionado nas margens do Rio Alcabrichel, ocultos pela colina do Vimeiro. A artilharia estava distribuída da forma seguinte: oito peças na linha de alturas a sul do Rio Alcabrichel, seis peças com a brigada de Anstruther e quatro em reserva.

No dia 20 ao fim da tarde, Junot tinha as suas forças concentradas em Torres Vedras, de onde saiu ao encontro do exército de Wellesley. À frente, uma guarda avançada de cavalaria, o 3.º Regimento Provisório de Caçadores, seguido das divisões de Delaborde e de Loison, da Reserva de Granadeiros, a artilharia, os trens e a Divisão de Cavalaria de Margaron. Pela meia noite, já se ouvia no Vimeiro o ruído provocado pelos carros e cavalos mas, como Junot deu um período de descanso às sua tropas antes do ataque, só pelas 09.00h do dia 21 as forças francesas se aproximaram das posições inimigas. Quando o movimento dos franceses pôde ser observado, ficou claro que não iam atacar as posições a sul do Rio Alcabrichel, mas continuavam o seu movimento para norte. Só começaram a desenvolver as suas forças num dispositivo de ataque quando se encontravam a leste do Vimeiro e a sua guarda-avançada de cavalaria, seguida de uma coluna de infantaria (a Brigada Brennier), continuou a avançar para norte. Ficava claro para Wellesley que os franceses iriam, por um lado, atacar o centro/esquerda da sua posição e, por outro lado, tornear a sua posição por norte, podendo vir a atacar na direcção definida pela estrada da Lourinhã.

Wellesley reagiu prontamente a esta nova situação e alterou o seu dispositivo. Para a posição da Ventosa seguiram de imediato as brigadas de Fergunson e Nightingale, que estabeleceram aí uma linha defensiva, indo posicionar-se atrás, em reserva, à brigada de Bowes. A brigada de Craufurd e as tropas portuguesas de Trant moveram-se para norte num movimento demorado, através da linha de alturas, mais perto do mar e posicionaram-se na região de Ribamar, a fim de protegerem o flanco esquerdo das forças na Ventosa. A brigada de Acland passou para norte do Maceira e foi posicionada junto à estrada para a Ventosa, em reserva, pronta a acudir as forças de Antruther e Fane ou às forças na região da Ventosa. A brigada de Hill permaneceu na linha de alturas, a sul do Rio Alcabrichel, mas posicionou-se próximo das posições do Vimeiro.

Junot reagiu ao reajustamento do dispositivo de Wellesley e reforçou o corpo de tropas que ia atacar mais a norte com a Brigada Solignhac, da Divisão Loison. Ao tomar esta atitude, ele colocou, no ataque a norte, sete batalhões de 6450 homens, ou seja, cerca de 56% de toda a sua infantaria. A enfrentá-los, os franceses iriam encontrar no mínimo, as brigadas de Ferguson, Nightingale e Bowes, ao todo sete batalhões com um total de 5782 homens, embora com possibilidade de serem reforçados pela brigada de Craufurd (1832 homens - dois batalhões), pelo corpo de tropas portuguesas (2100 homens) e pela brigada de Acland (1332 homens - cerca de dois batalhões).

O ataque principal seria lançado na direcção da colina do Vimeiro, com as brigadas Thomières e Charlot, num total de 5.080 homens organizados em oito batalhões de infantaria mais duas companhias suíças, tendo como reserva o corpo formado pelas companhias de granadeiros, 2.100 homens organizados em quatro batalhões, sob comando de Kellermann. A enfrentá-los encontravam-se, numa primeira linha 4.708 homens organizados em sete batalhões (brigadas de Anstruther e Fane) e numa segunda linha 3.990 homens (brigadas de Hill e Acland).

Os ataques no Vimeiro e na Ventosa não foram lançados simultaneamente. O primeiro ataque foi lançado, às 10.00h, contra a posição do Vimeiro, com as brigadas de Thomières e de Charlot, e foi repelido. Foram empregues das forças de reserva, dois batalhões sob comado do coronel St. Claire, num novo ataque que foi igualmente repelido. Junot decidiu ainda empregar os outros dois batalhões em reserva, sob o comando do coronel Maransin, que, apesar de terem entrado na povoação, acabaram igualmente repelidos. Neste combate, além das forças em primeira linha de Anstruther e Fane, foram empregues forças da Brigada de Acland: duas companhias do 95th Rifles e as duas companhias de infantaria ligeira dos seus dois batalhões de linha. A eficácia da artilharia britânica e o emprego de granadas shrapnell - foi a sua primeira utilização em campanha- ajudou ao sucesso dos defensores. Junot iniciou então a retirada da região do Vimeiro e Wellesley fez avançar o seu corpo de cavalaria, sob comando do coronel Taylor. Este perseguiu os franceses, mas as forças portuguesas retiraram em desordem perante a reacção inimiga. Tendo avançado demasiado, este corpo de cavalaria (os britânicos) acabaram por se envolver com a cavalaria do general Margaron e sofreram pesadas baixas, entre elas o coronel Taylor.

No lado da Ventosa, o ataque foi lançado mais tarde, primeiro pela Brigada Solignac e depois pela Brigada Brennier. Solignac, que pretendeu seguir o percurso mais curto, viu o seu avanço muito dificultado por uma ravina profunda que passa a sul de Toledo. No fim da subida para a Ventosa foi surpreendido por uma força britânica mais forte que o esperado e foi batido com alguma facilidade. Brennier tinha seguido um caminho mais longo, mas praticável, e acudiu a partir da linha de alturas que se estende para além de Pragança. As forças de Ferguson foram surpreendidas pelo ataque da Brigada de Brennier e pela cavalaria - cerca de 640 sabres - que o acompanhava, mas a reação britânica foi eficaz e repeliu o ataque com pesadas baixas para os franceses. Solignac foi ferido no ataque, assim como Brennier que ficou prisioneiro.

Os franceses não tinham mais forças para empenhar e iniciaram a retirada para Torres Vedras. As forças britânicas sofreram 135 mortos, 534 feridos e 51 extraviados. Dos seus batalhões, 7 estavam intactos por não terem chegado a combater (as forças das brigadas de Hill, Bowes, Craufurd e parte da brigada de Acland, assim como o corpo de tropas portuguesas do tenente-coronel Trant). Os franceses sofreram cerca de 1400 mortos e feridos, e 400 prisioneiros. Das 23 peças de artilharia que levavam, 13 caíram em poder dos britânicos.

Não foi lançada a perseguição às forças francesas em retirada. Sir Harry Burrard já tinha desembarcado e, no final da batalha, Wellesley entregou-lhe o comando, mas ele entendeu que devia esperar pelas forças de Sir John Moore. Entretanto, os franceses só conseguiram voltar a reunir as suas unidades em Torres Vedras no dia seguinte.

Sir Harry Burrard, ao assumir o comando das forças, determinou que não haveria perseguição e que esperariam pela divisão de Sir John Moore, que deveria desembarcar em breve. Ainda no dia 21 de manhã, desembarcou na praia de Porto Novo outro oficial, que deveria assumir por sua vez o comando das forças: SirHew Dalrymple. Com pouca experiência de campanha, sem o espírito audacioso de Wellesley, decidiu igualmente por esperar Sir John Moore.

Entretanto, o exército que se encontrava no Vimeiro, marchando ao longo da costa, contornou Torres Vedras e dirigiu-se para Mafra. Moore só iniciou o desembarque no dia 25 e este prolongou-se até ao dia 30.

Em Torres Vedras, Junot e os seu generais reuniram-se para analisarem a situação. Resolveram que o exército não estava em condições de enfrentar nova batalha e que a melhor saída desta situação era tentarem negociar com os britânicos. Os franceses cediam Lisboa com todos os seus armazéns e riquezas intactos em troca da possibilidade de retirarem o exército para França em condições de segurança. Isto significava também que Kellermann foi encarregue destas negociações. O resultado das negociações que se seguiram foi a Convenção de Sintra que tão grande escândalo provocou. Em Setembro, as forças francesas saíam de Portugal.
Leonor Especial


 
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