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Beladona
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Local: Algarve
Mensagem Enviada: Ter Ago 20, 2019 23:01     Assunto : Álvaro Vaz de Almada Responder com Citação
 
Trago hoje o militar Álvaro Vaz de Almada ou Álvaro Vasques de Almada (1390 - 20 de Maio de 1449), valido do infante D. Pedro.

in diversas fontes da net.

Álvaro Vaz de Almada foi o primeiro conde de Abranches (no original francês Avranches, mas sempre dito Abranches em Portugal, nomeadamente na carta de reconhecimento do título. Ainda assim é possível encontrá-lo em escritos antigos como Davarans ou Abranxes e até no estrangeiro como Branches, sem o A inicial.

Foi dos únicos estrangeiros que não da realeza a ser agraciado cavaleiro da Ordem da Jarreteira, a mais nobre ordem de Inglaterra.

É considerado dos últimos a usar o reduzido título medieval de rico-homem em Portugal e, fazendo parte do Concelho Régio, exerceu o lugar de Capitão-mor do Reino e do Mar, a partir de 23 de Julho de 1423 por D. João I e confirmado pelo filho D. Duarte I a 5 de Julho de 1434. A 5 de Abril de 1440, foi nomeado Alcaide-mor da capital, Lisboa.

Como mote ou divisa o vianense Luís Figueiredo da Guerra, reconhecido arqueólogo e investigador de história local, numa carta de Abril de 1917, existente no cartório da Casa Almada, diz que seria: «L' ARDENT DÉSIR».

Álvaro Vaz de Almada foi filho de João Vaz de Almada e de sua mulher Joana Anes. Os Almadas não eram de sangue nobre, mas descendente de uma família de comerciantes que fez a sua fortuna no comércio exterior. A família residia principalmente em Lisboa e Algés. Álvaro Vaz de Almada tinha um irmão mais novo chamado Pedro Vaz de Almada e dois meio-irmãos, nascidos fora do casamento por uma mãe desconhecida: João Vaz de Almada, 1 º Senhor de Pereira (nascido c.1400) e Brites de Almada.

Numa idade precoce, Álvaro Vaz de Almada acompanhou o seu pai ao Reino de Inglaterra. Ambos disseram ter lutado na Guerra dos Cem Anos e construiu um relacionamento com Henrique V de Inglaterra, antes de regressar a Portugal no início de 1415. Em Janeiro desse ano terá equipado vários homens de armas e comprado cerca de 350 lanças em Londres, para o serviço do Reino de Portugal com a autorização do referido rei inglês.

A 4 de Julho de 1436, o rei D. Duarte tinha enviado uma missiva a ele D. Álvaro capitão-mor e enquanto Couteiro-mor do termo Lisboa, limitando-lhe o número de couteiros de perdizes em Lisboa a seis.

A 23 de Julho de 1437 partiu na desastrosa expedição de Tânger e aí, juntamente com Vasco Coutinho, cobriu depois a retirada que os portugueses se viram forçados, para que todos os que estavam com ele pudessem embarcar salvos. Será depois na qualidade de capitão-mor do mar que assinará com ele, futuro conde de Marialva mais os infantes D. Fernando e Henrique, assim como com o conde de Arraiolos, que assinará as chamadas estipulações de Tânger na sequência do desastre das tropas portuguesas.

Pela mão de Henrique VI de Inglaterra recebeu o título de conde de Avranches (Earl of Avranches), título que lhe foi oferecido por carta de 4 de Agosto de 1445, pelo seu nobre comportamento generalizado e pela sua actuação exemplar na corte do mesmo e na guerra contra França na Guerra dos Cem Anos, que essa dinastia lutava pela posse das terras das quais se achava no direito, nomeadamente da Normandia, das quais Avranches fazia parte. Julga-se que já antes em 1415, tinha participado na batalha de Azincourt desse lado.

Pode-se dizer que ele «encarnou» completamente o espírito de cavalaria medieval, que ainda se vivia na altura no Ocidente e não só, e através da sua vida podemos ver o muito que ela continha. Isso na forma de pensar, pelo que se debateu e como agiu nas várias circunstâncias, e como os outros reagiram.

Segundo o mito, foi um dos Doze de Inglaterra que ganharam em torneio os cavaleiros britânicos que tinham ofendido as respectivas doze damas inglesas que tinham sido ultrajadas pelos segundos. O seu bom relacionamento com esse competitivo ambiente deveria ser grande e encontramo-lo como sendo um dos cavaleiros que foi receber o famoso cavaleiro vascão Jacques de Lalaing, com a insigne Ordem do Tosão de Ouro, ao serviço do Duque da Borgonha a Portugal.

É reconhecido nas antigas descrições e pelos historiadores, que terá sido o maior amigo do Infante D. Pedro e que o acompanhou a várias cortes estrangeiras. Assim como, tudo faz indicar que terão lá combatido juntos contra "os turcos", auxiliando o imperador Segismundo da Hungria, na defesa das fronteiras da Europa e contribuindo fortemente para que se fizessem várias alianças com o seu país o reino de Portugal.

Sempre fiel ao infante, já em Portugal e passados vários anos, em 1449, quando este já não pode mais suportar as afrontas que lhe eram dirigidas pela sua regência por parte dos seu rivais sediados na corte em Lisboa que o tinham difamado e posto o rei contra ele, e querendo demonstrar a rectidão do seu procedimento, acompanhou-o quando decidiu sair de Coimbra para os confrontar. Depararam-se no caminho, com as tropas de D. Afonso V, tendo se registado a luta em Alfarrobeira, próximo de Vila Franca de Xira. Vindo ambos a perecer precisamente nessa Batalha da Alfarrobeira.

Segundo conta a crónica de Rui de Pina, morre heroicamente com um brado da sua boca sabendo da sua "sorte" e que não podia fugir a ela para não cair em desonra, por ter feito um pacto de sangue com o seu "príncipe" e maior amigo antes dela começar, que desde então ficou célebre: "Meu corpo sinto que não podes mais, e tu, minh'alma já tarda; é fartar vilanagem".

Já antes igualmente demonstrando honra e carácter cavaleiresco, de acordo como o ideal de cavalaria aristocrático de então, o seu discurso aquando da partida para o encontro fatídico em Alfarrobeira tinha sido:

"Antes morrer grande e honrado, que vyver pequeno e dshonrado, e que pêra ysso vistissem todos, os corpos de suas armas, e os coraçoões armassem pryncipalmente de muyta fortalleza, e que se fossem camynho de Santarém nam como gente sem regra desesperada nem leal, mas como homens d’acordo, e que hiam sob governança e mando, de hum tal pryncepe e tal Capytam, que a ElRey seu Senhor sobre todos era mais leal e servydor mais verdadeiro, e que mandasse a ElRey pedir e requerer, que com justiça o ouvysse com seus ymigos, que lhe tam sem causa tanto mal hordenavam, ou lhe desse com elles campo, em que de suas falsydades e enganos, elle por sua lympeza e lealdade faria que se conhecessem e desdysessem. E que quando ElRey alguma destas cousas nom ouvesse por bem, e todavia quysessem. E que quando ElRey alguma destas cousas nom ouvesse por bem, e todavia quysesse vir sobre elle, que entam defendedosse morressem no campo como bons homens e esforçados cavalleiros."

No pequeno espaço intra-muros de Lisboa, num espaço coutado na freguesia da Sé perto da corte e Paço Real, havia o Bairro do Couto de Abranches que terá nascido na sequência da promoção sócio-económica dos Almadas na cidade, que era propriedade do referido conde.

Outra propriedade hoje na mesma cidade mas em extra-muros, era onde está o Palácio Valada-Azambuja, situado no Largo do Calhariz, na freguesia de São Paulo, existia uma casa e quinta do D. Álvaro Vaz de Almada antes dele morrer na Batalha de Alfarrobeira e transitar para a família dos Távoras em 1449.

A 7 de Janeiro de 1434 o rei D. Duarte confirma-lhe um casal no reguengo de Algés, que já fora do seu pai João Vasques de Almada que o tivera em dote de casamento do seu sogro João Anes.

Casamentos e descendência:

Foi casado em primeiras núpcias com Isabel da Cunha, filha de D. Álvaro da Cunha (senhor de Pombeiro da Beira) e de Beatriz Martins de Mello. Dessa união nasceram:

D. João de Abranches (1420) casado com D. Mécia da Cunha.
D. Isabel da Cunha ou Isabel d`Abranches casada com Álvaro Pessanha, filho bastardo de Carlos Pessanha, 6º almirante de Portugal.
D. Leonor da Cunha.
D. Violante da Cunha (1430) casada com Fernão Martins de Mascarenhas (capitão de ginetes de D. João II), 1º senhor de Lavre e Estepa, comendador de Mértola e Almodovar.
D. Brites da Cunha.

Em segundas núpcias, casou-se com D. Catarina de Castro, filha de D. Isabel de Ataíde e de D. Fernando de Castro, (senhor do Paul de Boquilobo e da quinta da Penha Verde em São Martinho (Sintra), filho de D. Pedro de Castro conde de Arraiolos). Dessa 2.ª união nasceu:

D. Fernando de Almada (1443), 2º e último conde de Abranches, casado com D. Constança de Noronha.
Leonor Especial


 
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