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Beladona
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Mensagem Enviada: Dom Set 08, 2019 20:19     Assunto : Abade Faria Responder com Citação
 
José Custódio Faria mais conhecido por Abade Faria, filho de Caetano Valeriano Faria e Maria de Sousa, nasceu a 30 de Maio de 1756 em Candolim, concelho de Bardez, distrito de Goa antigo Estado da Índia. A família do abade, de portugueses, só possuíam os nomes ocidentalizados – o pai era brâmane saraswati, apesar disso foi sempre considerado um luso-goês. Tinha ainda uma irmã adoptada de nome Catarina. Os pais do abade mais tarde separaram-se, ambos aderindo à vida monástica.

In diversas fontes da net.

Aos 15 anos de idade saiu de Goa acompanhado do seu pai com destino a Lisboa, onde chegou a 23 de Novembro de 1771. Passado pouco tempo seguiu para Roma, a fim de estudar no Colégio da Propaganda. Em 12 de Março de 1780 foi ordenado presbítero; doutorou-se em Filosofia e Teologia pela Universidade de Roma.

As suas capacidades causaram boa impressão ao papa de então (Giovanni Angelo Brachi - Pio VI), que o convidou para que realizasse um sermão na Capela Sistina, sermão que foi escutado por Sua Santidade em pessoa.

Regressou a Portugal, onde pela sua inteligência, saber e compostura moral chegou a conquistar grande fama de pregador.

A rainha D.ª Maria I acabaria por requisitar um sermão do abade. Reza a lenda que o Abade Faria, ao ver uma audiência tão ilustre “travou” a língua, não conseguindo pronunciar palavra alguma. O seu pai ao aperceber-se do que se passava, engatinhou debaixo do púlpito e sussurrou em concanim (a língua local goesa) ao filho: ”São apenas vegetais…corte os vegetais!”. Depois da ajuda paterna, o medo dissipou-se e o sermão seguiu tranquilamente.

Esta experiência curiosa causou impressão fulminante no Abade Faria: Como poderia uma simples frase fazê-lo perder o pânico momentâneo que o tomou?

Daqui terá surgido o seu interesse pelos estudos sobre hipnotismo, que o tornaria num dos grandes pioneiros da técnica.

Em 1787, o Abade Faria é implicado na conhecida “Revolta dos Pintos” também designada por “Conjuração dos Pintos” (o equivalente goês da “Inconfidência Mineira” brasileira), cujo objectivo era terminar com a administração portuguesa, mas que não obteve êxito, pois foi denunciada, e duramente reprimida pelas autoridades portuguesas.

Acabaria por emigrar para Paris em 1788, e fixar residência na Rua de Ponceau. Foi um fervoroso defensor da Revolução Francesa (1789).

Pelo seu carácter irrequieto passa em 1795 a liderar um dos batalhões revolucionários, comandando uma das secções do tristemente célebre “10 do Vendimario”, que atacou a Convenção e em cuja queda tomou parte activa, pelo que conseguiu ter relações com altas personalidades políticas, frequentando com Chateaubriand, os salões de Madame la Marquise de Coustine, amigo do Marquês de Puységur a quem dedicou o seu livro: “De la cause du sommeil lucide ou Étude de la nature de l'homme”.

Em 1797 é preso por razões desconhecidas, passando um bom tempo numa solitária do temido presídio “Chateau d’If”. Lá, passa a maior parte do tempo a praticar as suas teorias de auto-sugestão. Algum tempo depois é libertado.

Em 1811 foi nomeado Professor de Filosofia da Universidade de França e eleito sócio da Societé Medicale de Marseille, ou seja, membro da Academia de Medicina. Facto curioso por nunca ter sido médico.

Em 1813 o Abade Faria, que era discípulo do Marquês de Puységur, tendo sido iniciado pelo marquês, na prática do magnetismo animal, no ano de 1813 abriu em Paris um gabinete de magnetizador. A prática de hipnose por sugestão trouxe-lhe uma enorme clientela e uma pronta reação de descrédito, sendo rotulado de maníaco e bruxo.
soube que a divulgação de sonambulismo tinha aumentado de importância; aproveita a oportunidade e regressa então a Paris, onde prega uma doutrina nova, que contribui para aumentar a sua notoriedade; ganha uma aura auspiciosa, mostrando ser um rival de Mesmer e dá início às suas práticas magnéticas.

Apesar de apodado de charlatão por uns, de possuir poderes divinos por outros, supondo as autoridades religiosas que ele está em pacto com o diabo, chega a revolucionar academias e agitar durante muitos anos outros centros científicos e as doutrinas teológicas.

Com a sua obra “De la cause du sommeil lucide, ou Étude de la nature de l'homme” (Da Causa do Sono Lúcido, ou Estudo da Natureza do Homem), publicada em Paris em 1819, provoca intermináveis polémicas.

Mas o certo é que, rapidamente a fama do criador do hipnotismo vai crescendo, tornando-se na cidade de Paris, o alvo da atenção de todos. Foi ele o primeiro no mundo científico que defendeu a verdadeira doutrina sobre a interpretação dos fenómenos sonâmbulos, chegando a hipnotizar quase cinco mil pessoas. Escritores famosos de França, Bélgica, Portugal e Alemanha reconheceram o Abade Faria como o “Pai da Escola de Nancy”.

Porém, torna-se desgostoso ao ver que visões opostas à sua teoria de hipnose prevalecem. Acusado de charlatanismo, resolve enfim recolher-se a uma ordem monástica obscura.

Pobre e abandonado, quando ainda se encontrava em impressão o primeiro volume da sua célebre obra, faleceu duma apoplexia fulminante em Paris no dia 20 de Setembro de 1819.

O Professor Bernheim, um dos estudiosos consagrados à causa do hipnotismo, referindo-se ao Abade Faria dizia: “A Faria pertence o incontestável mérito de ter estabelecido em primeiro lugar a doutrina e o método do hipnotismo pela sugestão e de tê-lo nitidamente libertado das doutrinas singulares e inúteis que ocultavam a verdade. É na realidade, quem deu, antes de todos a concepção nítida e verdadeira dos fenómenos do hipnotismo”.

O Abade Faria foi também muito popularizado e imortalizado pelo grande escritor francês Alexandre Dumas no seu conhecido romance “O Conde de Monte Cristo, pois quando esteve preso e encarcerado no Castelo de If, Alexandre Dumas (pai) foi buscá-lo para a imortalidade e foi o Abade Faria neste romance, quem indicou a Edmund Dantés o fabuloso tesouro de Monte Cristo.

Existe também um importante estudo sobre a vida do Abade Faria intitulado “Padre Faria na História do Hipnotismo”, 1925 da autoria do eminente Professor Dr. Egas Moniz (prémio Nobel da Medicina juntamente com Walter Hess, em 1949).

Os últimos anos da sua vida passou-os como capelão de um convento.

Como cientista demonstrou o carácter puramente natural da hipnose, tendo sido ele o primeiro a descrever com precisão os seus métodos e efeitos. Soube antever as possibilidades da sugestão hipnótica no tratamento das doenças nervosas.

Tem uma rua com o seu nome no Areeiro, em Lisboa, e outra em Mem Martins, Sintra. Em várias cidades e vilas de Portugal, com maior realce para as cidades de Lisboa e Porto o nome do Abade Faria consta da toponímia.


Na cidade de Pangim, capital de Goa, ao lado do histórico Palácio de Hidalcão e tendo como pano de fundo o encantador rio Mandovi, existe um sugestivo monumento homenageando este grande vulto da nossa história. Também a Câmara Municipal de Salcete (Margão) homenageou-o dando o seu nome a uma das ruas da cidade de Margão.
O governo geral de Goa não ficou indiferente em relação ao Abade Faria e deu o seu nome ao Hospital Psiquiátrico no Altinho (Pangim).
Leonor Especial


 
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