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Beladona
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Mensagem Enviada: Seg Set 09, 2019 22:53     Assunto : Hip√°tia de Alexandria Responder com Citação
 
Hoje trago Hipátia ou Hypatia de Alexandria, que nasceu por volta de 351/370 em Alexandria, e foi morta a 8 de Março de 415. Foi uma filósofa neoplatónica grega do Egipto Romano. Foi também a primeira mulher documentada como tendo sido matemática. Como chefe da escola platónica em Alexandria, também leccionou filosofia e astronomia.

In diversas fontes da net.

Como neoplatonista, pertencia à tradição matemática da Academia de Atenas, representada por Eudoxo de Cnido e era da escola intelectual do pensador Plotino, que a incentivou a estudar Lógica e Matemática, no lugar de se dedicar à investigação empírica, e a estudar Direito, em vez de ciências da natureza.

De acordo com a √ļnica fonte contempor√Ęnea, Hip√°tia foi assassinada por uma multid√£o de crist√£os depois de ser acusada de exacerbar um conflito entre duas figuras proeminentes em Alexandria: O governador Orestes e o Bispo de Alexandria, Cirilo de Alexandria.

Alguns estudiosos da vida desta intelectual, entre eles Kathleen Wider prop√Ķe que o assassinato de Hip√°tia marcou o fim da Antiguidade Cl√°ssica, e Stephen Greenblatt observa que o assassinato "efectivamente marcou a queda da vida intelectual em Alexandria" Por outro lado, Maria Dzielska e Christian Wildberg notam que a filosofia helen√≠stica continuou a florescer nos s√©culos V e VI e talvez, at√© √† era de Justiniano.

Hipátia era filha de Téon de Alexandria, um renomado filósofo, astrónomo, matemático, autor de diversas obras e professor em Alexandria. Criada num ambiente de ideias e filosofia, tinha uma forte ligação com o pai, que lhe transmitiu, além de conhecimentos, a forte paixão pela busca de respostas para o desconhecido. Diz-se que ela, sob tutela e orientação paternas, se submetia a uma rigorosa disciplina física, para atingir o ideal helénico de ter a mente sã num corpo são.

Hipátia estudou na Academia de Alexandria, onde devorava conhecimento: Matemática, astronomia, filosofia, religião, poesia e artes. A oratória e a retórica também não foram descuidadas.

Alguns autores pensam que, quando adolescente, viajou para Atenas, para completar a educação na Academia Neoplatónica, onde não demorou a destacar-se pelos esforços para unificar a matemática de Diofanto com o neoplatonismo de Amónio Sacas e Plotino, isto é, aplicando o raciocínio matemático ao conceito neoplatónico do Uno (mónada das mónadas). Ao regressar, já tinha um emprego esperando por ela em Alexandria: Seria professora na Academia onde fizera a maior parte dos estudos, ocupando a cadeira que fora de Plotino. Aos 30 anos já era diretora da Academia, sendo muitas as obras que escreveu nesse período.

Um dos seus alunos foi o notável filósofo e Bispo Sinésio de Cirene (370 - 413), que lhe escrevia frequentemente, pedindo-lhe conselhos. Através destas cartas, sabemos que Hipátia desenvolveu alguns instrumentos usados na Física e na Astronomia, entre os quais o hidrómetro.

Sabemos tamb√©m que desenvolveu estudos sobre a √Ālgebra de Diofanto ("Sobre o C√Ęnone Astron√≥mico de Diofanto"), tendo escrito um tratado sobre o assunto, al√©m de coment√°rios sobre os matem√°ticos cl√°ssicos, incluindo Ptolomeu. Em parceria com o pai, escreveu um tratado sobre Euclides.

Ficou famosa por ser uma grande solucionadora de problemas. Matemáticos, confusos com algum problema em especial, escreviam-lhe pedindo uma solução. E ela raramente os desapontava. Obcecada pelo processo de demonstração lógica, quando lhe perguntavam por que jamais se casara, respondia que já era casada com a verdade.

O seu fim trágico desenhou-se a partir de 412, quando Cirilo foi nomeado Patriarca de Alexandria, título de dignidade eclesiástica usado em Constantinopla, Jerusalém e Alexandria. Ele era um cristão fervoroso, que lutou toda a vida defendendo a ortodoxia da Igreja e combatendo as heresias, sobretudo o Nestorianismo, que negava a divindade de Jesus Cristo e a maternidade divina de Maria.

Mudança do paradigma pagão para o cristão:

O reinado de Teod√≥sio I (r. 379‚Äď395) marca o auge de um processo de transforma√ß√£o do Cristianismo, que efectivamente se torna a religi√£o oficial do Estado. Em 391, atendendo ao pedido do ent√£o Patriarca de Alexandria, Te√≥filo, ele autorizou a destrui√ß√£o do Templo de Ser√°pis (que n√£o deve ser confundido com o Museu e a Biblioteca existentes em Alexandria, que n√£o tinham nenhuma rela√ß√£o f√≠sica com este templo), um vasto santu√°rio pag√£o onde eram oferecidos sacrif√≠cios de sangue, segundo os relatos dos historiadores contempor√Ęneos Sozomeno e Tir√Ęnio Rufino.

Embora a legisla√ß√£o em 393 procurasse coibir dist√ļrbios, surtos de viol√™ncia popular entre crist√£os e pag√£os tornaram-se cada vez mais frequentes em Alexandria, principalmente ap√≥s a ascens√£o de Cirilo ao Patriarcado.

Morte de Hip√°tia:

De acordo com o relato de Sócrates Escolástico, numa tarde de Março de 415, quando regressava do Museu, Hipátia foi atacada em plena rua por uma turba de cristãos enfurecidos. Ela foi arrastada pelas ruas da cidade até uma igreja, onde foi cruelmente torturada até à morte. Depois de morta, o corpo foi lançado a uma fogueira.

Segundo o mesmo historiador, tudo isto aconteceu pouco tempo depois de Orestes, prefeito da cidade, ter ordenado a execução de um monge cristão chamado Amónio, acto que enfureceu o bispo Cirilo e seus correligionários. Devido à influência política que Hipátia exercia sobre o prefeito, é bastante provável que os fiéis de Cirilo a tivessem escolhido como uma espécie de alvo de retaliação para vingar a morte do monge. Neste período em que a população de Alexandria era conhecida pelo seu carácter extremamente violento, Jorge de Laodiceia (m. 361) e Protério (m. 457), dois bispos cristãos, sofreram uma morte muito similar à de Hipátia: O primeiro foi atado a um camelo, esquartejado e os seus restos queimados; o segundo arrastado pelas ruas e atirado ao fogo.

Dito isto, a eventual rela√ß√£o de Cirilo com o ocorrido continua a ser motivo de alguma controv√©rsia entre os historiadores. Embora S√≥crates e Edward Gibbon afirmem que o epis√≥dio trouxe opr√≥brio para a Igreja de Alexandria, n√£o mencionam qualquer envolvimento directo do patriarca. O fil√≥sofo pag√£o Dam√°scio, por sua vez, atribui explicitamente o assassinato ao patriarca, que invejaria Hip√°tia. Contudo, a Enciclop√©dia Cat√≥lica lembra que Dam√°scio escreveu cerca de um s√©culo depois dos factos que os seus escritos manifestam um certo pendor anticrist√£o. As √ļltimas pesquisas cr√™em que o homic√≠dio de Hip√°tia resultou do conflito de duas fac√ß√Ķes crist√£s: Uma mais moderada ao lado de Orestes, e outra mais r√≠gida, seguidora de Cirilo, respons√°vel pelo ataque.

Presença de outras mulheres na filosofia:

Tamb√©m na Escola Pitag√≥rica ‚Äúora integrada na sua vida particular (de Pit√°goras), como esposa, ora simplesmente na vida da Escola, a presen√ßa marcante de uma mulher, Teano, que ocupou certamente um lugar de destaque nos prim√≥rdios do pitagorismo. √Č tamb√©m interessante destacar que J√Ęmblico, no seu cat√°logo de pitag√≥ricos ilustres, elenca n√£o uma, mas dezassete mulheres, e isso dentre as mais c√©lebres que aderiram √† sua doutrina‚ÄĚ.

Igualmente na escola cínica houve a figura de Hiparquia, esposa de Crates, citada por Diógenes Laércio na sua Vida dos Filósofos Ilustres.

Obras:

Nenhum trabalho escrito, amplamente reconhecido pelos estudiosos como da própria Hipátia, sobreviveu até ao presente momento. Muitas das obras comumente atribuídas a ela acredita-se terem sido obra de colaboração com o seu pai, Téon de Alexandria. Esse tipo de incerteza autoral é típico dos filósofos do sexo feminino na Antiguidade.

Uma lista parcial das obras de Hip√°tia, como mencionado por outros autores antigos e medievais ou como postulado por autores modernos:

Um coment√°rio sobre o volume 13 Arithmetica de Diofanto.
Um comentário sobre Cónicos de Apolónio de Pérgamo.
Editou a vers√£o existente da obra Almagesto de Ptolomeu.
Editou o coment√°rio de seu pai sobre a obra Os Elementos de Euclides
Escreveu um texto "O C√Ęnone Astron√≥mico".
As suas contribui√ß√Ķes para a ci√™ncia incluem o mapeamento dos corpos celestes, j√° antes realizado pelos mesopot√Ęmios e tamb√©m no Egipto sob Ptolomeu, al√©m da suposta inven√ß√£o do hidr√≥metro, utilizado para determinar a densidade relativa (ou massa espec√≠fica) de l√≠quidos (no entanto, o hidr√≥metro foi inventado antes de Hip√°tia e j√° era conhecido em seu tempo).

O seu aluno Sinésio, Bispo de Cirene, escreveu-lhe uma carta descrevendo a construção de um astrolábio. A existência do astrolábio antecede Sinésio em pelo menos um século,e o pai de Hipátia ganhou fama pelo seu tratado sobre o assunto. No entanto, Sinésio afirmou que se tratava de um modelo melhorado.

Representa√ß√Ķes na Arte:

O filme √Āgora de 2009, relatando a sua vida, embora sem muita precis√£o hist√≥rica, como por exemplo ao hipotetizar que o Templo de Ser√°pis tenha sido destru√≠do juntamente com a Biblioteca e o Museu de Alexandria.
Leonor Especial

 
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