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Índice do Fórum : O Regicídio
Relato dos Acontecimentos
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JTMB
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Mensagem Enviada: Seg Jan 14, 2008 09:35     Assunto : 10 de Fevereiro Responder com Citação
 
Segunda-feira 10 de Fevereiro de 1908
Lisboa-Junqueira


De manhã fui ao Paço vêr o braço d’El Rei. D’ali vim almoçar a casa.
Das ás 4 consultório.
Jantei em casa e veio jantar o Cid.
Continuo cheio de saudades de tudo. Que tristeza!
De manhã fui ao Sud-express despedir-me do Conde de Turim e do Principe Guilherme d’Hohenzollern que partiram para Paris

Thomaz de Mello Breyner - 4º Conde de Mafra
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JTMB
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Mensagem Enviada: Seg Jan 14, 2008 09:37     Assunto : Responder com Citação
 
Terça-feira, 11 de Fevereiro de 1908
Lisboa – Junqueira



De manhã fui ver o braço d’ El-Rei D. Manoel. Também vi a Rainha D. Amelia.
Que tristeza de Paço!!!
Almocei no Tavares
Das 2 ás 4 consultorio
Jantou comigo o Jorge Cid.
Á noite fui a casa dos Condes de Olivaes vêr o Penha Longa que veio de Paris expressamente para o enterro d’El-Rei e do Principe. O Penha Longa era grande amigo d’El-Rei e El-Rei gostava muito d’elle. Tambem lá estavam os Molinas.
Esteve um dia bonito, mas parece-me que o tempo vai mudar.

Thomaz de Mello Breyner - 4º Conde de Mafra



Palacio Burnay na Junqueira onde vivia o autor deste Diário com sua Mulher, Dª Sofia Burnay, e seus 9 filhos.
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JTMB
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Mensagem Enviada: Seg Jan 14, 2008 09:39     Assunto : 12 de Fevereiro Responder com Citação
 
Quarta-feira 12 de Fevereiro de 1908
Lisboa – Junqueira



De manhã fui ver o braço d’El-Rei. Almocei no Hotel Central. Das 2 ás 3 Companhia dos Tabacos. Levantou-se a sessão em signal de sentimento. Até ás 5 ½ consultorio.
Jantei em casa. Á noite fui a casa do Julio Mardel.
Tempo de chuviscos

Thomaz de Mello Breyner - 4º Conde de Mafra
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JTMB
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Mensagem Enviada: Seg Jan 14, 2008 09:39     Assunto : 14 de Fevereiro Responder com Citação
 
Sexta-feira, 14 de Fevereiro de 1908
Lisboa-Junqueira


De manhã fui ver o braço d’El-Rei e depois ver doentes. Almocei no Rendez-Vous des Gourmets. Das 2 ás 4h consultorio. Jantei com os sogros e á noite fui ver a Didi.
Ainda não estou em mim depois da grande desgraça. Cada vez tenho mais saudades d’El-Rei e do Principe.
Parece que a versão verdadeira sobre a tragédia é a seguinte: o bandido Alfredo Costa assassinou El-Rei com um tiro na nuca e o Principe que ia em frente do Pae tirou um revolver da algibeira e matou immediatamente o regicida. Foi então que o bandido Manoel Buiça com uma carabina prostrou o Principe Real com uma bala na face esquerda que produziu a morte vinte minutos depois já no Arsenal. A morte d’El-Rei foi instantanea.
Morreu hontem o Dr Flávio da Silveira. Conheci-o em Mafra há mais de 20 anos. R.I.P.

Thomaz de Mello Breyner - 4º Conde de Mafra
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iznoguud
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Mensagem Enviada: Seg Jan 14, 2008 12:32     Assunto : Responder com Citação
 
Caro JTMB,

Quero em nome de todos, agradecer-lhe por nos ceder e apresentar, as memórias de sua Excia. o Sr. D. Thomaz de Mello Breyner - 4º Conde de Mafra, as quais são de uma testemunha em primeira mão dos momentos imediatamente posteriores ao assassinato d'El Rei D. Carlos e do Príncipe Herdeiro D. Luís Filipe.

Iremos, com a sua autorização, usar os mesmos no Documento que temos estado a preparar, conforme é do seu conhecimento.

Uma vez mais, um imenso obrigado pela sua inestimável ajuda e apoio.

Paulo Especial.
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Administrador
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Mensagem Enviada: Seg Jan 14, 2008 15:05     Assunto : Responder com Citação
 
Caro JTMB,

Respeitosa e profundamente grato pelo testemunho de imenso valor que nos concede a honra de consultar, do seu ilustre bisavô D. Thomaz de Mello Breyner IVº Conde de Mafra.

Constitui tal depoimento parte inegável do tesouro e história nacionais. E deveria, como muito bem almeja, encontrar-se disponível em formato de livro para que tais memórias, para além de não se perderem, se transmitam!
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JTMB
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Mensagem Enviada: Seg Jan 14, 2008 16:10     Assunto : Responder com Citação
 
Administrador escreveu:
E deveria, como muito bem almeja, encontrar-se disponível em formato de livro para que tais memórias, para além de não se perderem, se transmitam!


Caro Administrador

Conforme disse no inicio deste post :

Citação:
Há uns anos um tio meu, Gustavo de Mello Breyner Andressen publicou alguns desses diários tendo-lhe chamado Diário de um Monárquico.


Foram assim publicados com o acordo de todos os descendentes os seguintes volumes :


http://www.guardamor.com.pt/livro.php?id=306


http://www.guardamor.com.pt/livro.php?id=243


http://www.guardamor.com.pt/livro.php?id=305

Sei que o volume com os anos 1908 a 1910 está já esgotado.

Meu Bisavô publicou ainda em vida dele 2 volumes de Memórias (embora o 2º volume tenha já sido publicado após a Morte) e esses estão completamente esgotados e atingem valores altissimos quando aparecem em Leilão. São esses volumes que tenciono este ano reeditar. Eis aqui a foto do 1º volume :




Um abraço

Zé Tomaz
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iznoguud
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Mensagem Enviada: Seg Jan 14, 2008 16:48     Assunto : Responder com Citação
 
Quero desde já felicitar o nosso JTMB pela sua iniciativa e desculpar-me pelo lapso que cometi.

Esperaremos que a reedição, das memórias, para além de continuar a ter um enorme sucesso, ajude a trazer à baila o tema da Monarquia e do que esta representa.

Um abraço,

IzNoGuud
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Beladona
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Mensagem Enviada: Ter Jan 15, 2008 00:25     Assunto : Responder com Citação
 
Caro JTMB

Muito obrigada pelos documentos que teve a amabilidade de nos facultar. Documentos esses de um grande valor histórico e de uma grande raridade visto serem o testemunho de Alguém com uma posição privilegiadíssima neste fatídico momento da nossa história.

É uma honra o facto que o caro JTMB nos dá, evidenciando a sua sempre disponibilidade de partilha, bondade e apoio para com todos nós, e para com a Monarquia.

Com toda a minha gratidão

Beladona
 
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D V - Membro Banido
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Mensagem Enviada: Qua Fev 27, 2008 19:30     Assunto : Responder com Citação
 
A decadência nacional e o que nos trouxe o regicídio, por Alberto João Jardim
19/02/2008 (32 leituras)

As «lutas
liberais» foram momentos de extremismo, onde mais uma vez a cegueira conservadora não quis compreender a evolução da Filosofia Política e do mundo, onde mais uma vez o Povo português se deixou manipular, e onde mais uma vez os interesses financeiros — tal como hoje — se sobrepuseram às Ideias e ao Civismo democrático, congelando a necessária evolução económica do País, apesar da Monarquia Constitucional.


Não sou monárquico. Sou um republicano — sobretudo por razões de vizinhança ibérica — e um político que não teria quaisquer complexos em trabalhar numa Monarquia democrática, regime de alguns dos países mais desenvolvidos da Europa.
Por razões de Cultura e como português, assumo a importância da Monarquia na construção de Portugal durante mais de sete séculos. Nas nossas virtudes e defeitos históricos.
Portanto, estou à vontade para tomar posição quanto ao que vem rodeando a invocação do regicídio de 1908.
Não há dúvida que depois da ocupação filipina durante sessenta anos, e sobretudo depois das invasões francesas, a vida do País marca-se por uma decadência em relação à História nacional até D. Manuel I, os nossos primeiros quatro séculos.
As «lutas liberais» foram momentos de extremismo, onde mais uma vez a cegueira conservadora não quis compreender a evolução da Filosofia Política e do mundo, onde mais uma vez o Povo português se deixou manipular, e onde mais uma vez os interesses financeiros — tal como hoje — se sobrepuseram às Ideias e ao Civismo democrático, congelando a necessária evolução económica do País, apesar da Monarquia Constitucional.
Em consequência, veio a I República jacobina, resultante de uma golpada militar à partida anedótica e em que — mais uma vez — tal só foi possível porque as más consciências «meteram o rabo entre as pernas» e se demitiram covardemente. Uma I República de facto nascida do regicídio, onde os interesses das facções, incluso, muito, das «sociedades secretas», salvo honrosas excepções (poucas) subordinaram o Interesse Nacional ao jogo caricato dos grupelhos políticos. Enquanto vozes roucas pelo bagaço iam berrando «vivas» a semelhante «república», tal como, depois, o mesmo hálito estrondava alguma burguesia instalada no denominado «Estado Novo» e comendo à mesa deste, deixando à formação e actividade dos comunistas a única oposição a sério à ditadura.
Também em consequência, sempre com as massas populares manipuladas, conformadas e anémicas, levámos em cima com uma ditadura de quarenta anos, igualmente incapaz de perceber a evolução do mundo, alérgica igualmente à elaboração contínua do pensamento político, sobretudo o democrático, num falso cristianismo que recusava o primado da Pessoa Humana, os seus Direitos, Liberdades e Garantias individuais.
Que recusou suicidamente uma mudança democrática possível sem «revolução» e que não percebeu a África — como hoje não percebem as Regiões Autónomas — nem mesmo aceitou a colaboração sensata dos Aliados democráticos e também, assim, contribui para o rol de tragédias africanas que se conhece, embora não se lhe possa assacar o exclusivo da responsabilidade por tudo o que tragicamente sucedeu e sucede.
Depois, logicamente, teve de acontecer o «vinte e cinco do quatro», em que mais uma vez a irresponsabilidade, incompetência, covardia e incultura de muitos, aliadas — também mais uma vez — à manipulação auto-consentida, ao analfabetismo político e ao oportunismo das chamadas «massas populares», permitiram a selvajaria — contra-corrente da História, como se viu — do período 74-76.
Finalmente, todos estes séculos de decadência nacional acabaram «nisto», o regime da Constituição de 1976, outra vez com o Povo conformado e sem Valores, procurando apenas a sobrevivência quotidiana. De novo com o jacobinismo e os «interesses ocultos» triunfantes num regime de capitalismo selvagem consensualizado com uns «rebuçados» ao conservadorismo sindical comunista que se voltam contra os Trabalhadores e a Classe Média, e com a cedência ao controlo pelo PCP de algumas fatias do aparelho de Estado. Tudo camuflado por um falso «socialismo», mito inócuo transformado em «religião oficial» do Estado.
Razões porque ainda não percebi o sentido de umas «comemorações» que, em 2010, vêm para aí à custa, mais uma vez também, do bolso dos contribuintes.
E volto ao regicídio.
Para me espantar com os preconceitos, complexos e facciosismo, como os falsos «intelectuais» e um Estado decadente, sem serenidade, Cultura e objectividade histórica tratam este assunto, incluso deturpando e aviltando um Rei com uma verdadeira formação democrática europeia e com uma cultura superior para o seu tempo, a qual nada tinha a ver com a boçalidade, desde há séculos e já então, instalada na «rua».
Hoje, em Portugal e através dos canais todos identificados, trata-se a História ainda conforme a metodologia marxista — mentindo e apagando o que não interessa à respectiva «ideologia» e objectivos. Sinal, também, da incontestável decadência nacional nomeadamente no aspecto cultural.
Tudo isto com a cumplicidade dos sectores jacobinos, também sobejamente identificados.
E tenho de protestar, na sequência do que denuncio, contra a maneira como se pretendeu ilibar os assassinos regicidas, numa clara defesa da violência política, incluso através da televisão paga pelos Portugueses.
Ao que se chegou!…
Mas é o País e o Estado que temos. n


Nem os certificados
de aforro escapam!…

Post-Scriptum 1: Numa política arrogante e autoritária que algumas pessoas pensantes — incluso Militares — temem que culmine num autêntico «levantamento nacional», Sócrates nada poupa.
Foi a falta de palavra no aumento dos impostos; foi o aumento do desemprego: foi o não honrar dos compromissos eleitorais quanto às leis de finanças regionais e autárquicas; foi a machadada nos pensionistas, nomeadamente Terceira Idade; é a destruição da Classe Média; é a destruição das pequenas e médias Empresas; é a alegria do grande Capital; foi o não honrar do compromisso eleitoral de referendar os novos Tratados europeus; é o caos na Saúde; é a mediocratização galopante na Educação; é a redução do poder de compra das Famílias; é a protecção aos «bufos»; e a inflação regulamentária e policiesca do Estado; é o laicismo fundamentalista; são as aberrantes «causas fracturantes» onde até o Direito à Vida está posto em causa, etc.,etc.
Agora, o Estado socialista que ainda gramamos graças ao fatalismo mortificado do Povo em que infelizmente nos tornámos — «nos tornámos», não, eles Rectângulo se tornaram — altera as condições em que tinha colocado os Certificados de Aforro no mercado, com prejuízo dos Portugueses que neles tinham confiado as suas poupanças.
Numa decisão que considero ilegal, é o próprio Estado socialista que «eles» — Rectângulo — consentem, a não merecer confiança no mercado, dado que até ele, Estado, põe em causa a boa-fé das pessoas.
Só em Portugal, com o povo que o Rectângulo tem, é que estes «socialistas» não são postos no olho da rua!…


Falso «jornalismo»
e militância política

Post-Scriptum 2: Numa Democracia, as leis exigem que os meios de comunicação social tornem público o seu Estatuto Editorial, para o público-consumidor saber o que está lendo, vendo ou ouvindo, e porquê. Saiba o que está por detrás…
Numa Democracia, é livre a orientação editorial de cada um, fixada no respectivo Estatuto.
O grave, é quando tal Estatuto Editorial é permanentemente violado, nomeadamente quando se diz «independente», por uma fixação militante e política, a roçar o patológico, usando as mentira e a ignorância, esta incluso da lei, para atacar alvos políticos e pessoais, predeterminados e estabelecidos.
O grave, são as instituições que a lei encarrega de velar pela defesa do consumidor através da observância do Estatuto Editorial, fecharem os olhos, de acordo com uma orientação político-partidária.
O grave, são militantes políticos se disfarçarem com uma carteira profissional de Jornalista, indo ao ponto de nem respeitar os postos de trabalho de quem abraça séria e voluntariamente a profissão.
Será «isto», uma «democracia»?!…
E não há «responsáveis» por tal?!…
Com que intuitos, semelhante irresponsabilidade?…
É tudo.



Artigo de Opinião de : Alberto João Jardim

Fonte:
http://www.jornaldamadeira.pt/not2008_12.php?Secca o=12&id=90004&sdata=2008-02-1


http://www.somosportugueses.com/



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