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Beladona
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Local: Algarve
Mensagem Enviada: Sáb Ago 02, 2008 17:20     Assunto : O novo Rei das 170 ilhas de Tonga Responder com Citação
 
in: DN de 02-08-2008


O NOVO REI DAS 170 ILHAS DE TONGA

ABEL COELHO DE MORAIS


Monarquias. Os regimes monárquicos são mais de 30 no mundo, grandes e pequenos reinos. Um dos menos conhecidos e mais distantes, Tonga, viu ontem ser entronizado Tupou V, numa cerimónia com toda a pompa e circunstância

Herdeiro do trono do Japão participou na cerimónia


Uma semana de festejos, paradas militares, mais de mil convidados, um gigantesco churrasco ao ar livre, um torneio de râguebi, música ao vivo, o indispensável baile de coroação e um trono com dois metros de altura, mais de quatro horas de cerimónias tradicionais - nada é demais para sua alteza real George Tupou V, o novo rei de Tonga, ontem entronizado.

A dimensão dos festejos está à altura de Tupou V, o 23º monarca de uma dinastia com raízes no século XVII, cujo reino se estende por mais de 170 ilhas da Polinésia, no Pacífico Sul, e abrange mais de 115 mil súbditos.

Na exuberância das cerimónias não faltou sequer um ritual ancestral, em que Tupou V viu ser-lhe oferecida a tradicional kava, uma bebida feita a partir das raízes da pimenta, e de outras substâncias não reveladas, que origina um suave efeito alucinógeno, como era ontem descrita na imprensa da região.

A reputação deste monarca, de 60 anos, que deve governar "com sabedoria, justiça e verdade" mede-se pelas personalidades estrangeiras presentes, que incluíam o príncipe Naruhito, herdeiro do trono do Japão, e sua mulher e filhos, a princesa Maha Chakri Sirindhorn, da família real tailandesa, representantes da família real britânica e de outras casas reais europeias.

No poder desde 2006 naquele que é o único regime monárquico autóctone do Pacífico, o Rei Tupou V viu a cerimónia de entronização ser adiada por mais de um ano devido a uma campanha de contestação na capital do reino, Nukualofa, que se seguiu à morte de seu pai e anterior Rei, no poder durante quatro décadas. Este prometera iniciar um processo de liberalização e de reformas, que acabou por não ter efeito.

Devido a este impasse, realizaram-se várias manifestações na capital de que resultaram oito mortos e importantes danos materiais, com o assalto e a destruição de edifícios públicos. Consciente da dimensão dos protestos, o novo Rei prometeu ontem prescindir do essencial das suas prerrogativas no capítulo da governação, devolvendo o poder a um Executivo saído de um Parlamento eleito. Mas o calendário para estas mudanças não foi divulgado.

Atendendo ao momento de alguma volatilidade política, a cerimónia contou até com a presença de um feiticeiro-guerreiro, que seguia à frente de Tupou V, para afastar os espíritos malignos do caminho do rei.

Este tem agora pela frente um difícil percurso, em que além de eventuais espíritos malignos, terá de desfazer a sua reputação de personagem algo excêntrico (e de playboy) e gerir um reino em que cerca de um quarto da população vive abaixo do limiar da pobreza.

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O rei que perdeu a coroa

Considerado um deus vivo, o deposto rei Gyanendra, do Nepal, caminhou de revés em revés até à sua derrota final. Chegado ao poder em 2001, devido a circunstâncias trágicas - a morte da quase totalidade da família real num incidentes de contornos nunca devidamente esclarecidos -, Gyanendra torna-se Chefe de Estado de um regime popular e respeitado pelos nepaleses. A sua actuação vai incompatibilizá-lo com a generalidade da população, devolver novo fôlego à guerrilha maoísta e terminar isolado no seu palácio de Catmandu, abdicando em Maio de 2008. Gyanendra vai revelar-se um adepto do poder total, procurando controlar sucessivos primeiros-ministros até assumir poderes executivos em 2005, criticando os partidos políticos e prometendo derrotar os maoístas. A sua estratégia de confronto vai comprometer o prestígio da única monarquia hindu no mundo, no poder desde o século XVIII, e bloquear qualquer possibilidade de acordo com os partidos. Em Junho de 2006, o Parlamento retira-lhe poderes, desencadeando um processo que culmina com o anúncio da abolição da monarquia. A sua residência oficial foi transformada num museu. Gyanendra dedica-se hoje às suas empresas depois de ter liquidado em sete anos uma monarquia de 300 anos.

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TONGA: a monarquia esquecida

Tonga é um reino ao estilo feudal de ilhas paradisíacas espalhadas no sudoeste do Oceano Pacífico. Foi descoberto pelos holandeses e tornado colónia esquecida do império inglês no século XVII. Em 1875 George Tupou derrotou os chefes feudais e fundou a mais antiga monarquia na Polinésia. Desde então, a dinastia Tupou governa o país com o apoio da nobreza que tem uma maioria perpétua no parlamento: detém 21 dos 30 lugares. O reino proclamou-se independente em 1970 mas ficou sob protecção inglesa. A população é cristã e muito apegada à tradição. Os habitantes dividem-se por 40 das 170 ilhas do arquipélago do tamanho do Japão. Cerca de 25% vive abaixo do limiar de pobreza.

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Ponto de vista
de: Fernando de Sousa
Europa

A Coroa ao Serviço da Continuidade

Quando o rei Juan Carlos, de Espanha, se opôs a uma tentativa de golpe, em 1981, em Madrid, mencionou a Coroa como um "símbolo de permanência e unidade da pátria". Os conceitos de permanência e unidade não se revelaram apenas simbólicos. Acabaram por ser cruciais para dominar os golpistas. São também uma resposta óbvia - confirmada pelos factos - a quem, por vezes, se interroga sobre a finalidade das monarquias.

Desde há quase 30 anos que vivo em países com monarquias. Primeiro, o Reino Unido. Mais tarde, a Bélgica. Também percorro, frequentemente,outros países com regimes idênticos, como a Holanda, a Suécia ou a Noruega, sem esquecer a família grão-ducal do Luxemburgo, sempre com palavras de simpatia - e de apreço e agradecimento - para a numerosa comunidade portuguesa ali residente.

Não se nota qualquer diferença no quotidiano, entre uma Monarquia ou uma república, sabendo que, no pano de fundo está sempre um sistema democrático. Porém, no caso das Monarquias, é bem patente o respeito e a identificação de grandes parcelas da população para com a sua família real.

O aspecto glamoroso é um atractivo especial. Mas as atenções não se centram unicamente na beleza ou simpatia de Matilde, da Bélgica, ou de Letízia, de Espanha, ou na memória de Diana, de Inglaterra.

Na Bélgica, a família real é um elemento crucial de unidade, a cimentar os laços entre as comunidades francófona e flamenga, cuja tradicional rivalidade chega ao ponto de pôr em causa a estabilidade governativa. sem a família real, é de admitir que a Bélgica, como país, visse a sua continuidade dificultada.

Em Espanha, a Monarquia também gera forças de atracção entre as diferentes comunidades, apesar do clima de rivalidade não parecer tão radical como o da Bélgica. Uma sondagem recente indicou que 69 por cento dos espanhóis inquiridos consideravam a monarquia parlamentar como o sistema político "ideal". No Reino Unido, as autonomias vão-se desenvolvendo gradualmente, com a transferência de certas competências para a Escócia ou o País de Gales. A família real é o elemento de identidade comum, projecta influência e promove a imagem no estrangeiro, frequentemente ligada à abertura de mercados. Esta é, aliás, uma tarefa comum às restantes famílias reais.

Uma das questões que vi colocadas no Reino Unido, prende-se com o custo da família real que, aliás, tem vindo a reduzir despesas. Mas não se pode dizer que o equivalente a cerca de 79 cêntimos de euro anuais, por cidadão, seja um preço elevado para a promoção do sentimento de continuidade e a projecção de prestígio no exterior.
 
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iznoguud
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Mensagem Enviada: Ter Ago 05, 2008 08:50     Assunto : Responder com Citação
 
Mudei o presente tópico para esta secção, por considerar que a mesma melhor se enquadra na mesma.
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