Monarquicos.com Monarquicos.com Fórum Monarquicos.com Vídeos Monarquicos.com Adicionar aos Favoritos
Registar Registe-se neste Fórum (Gratuito)   Entrar Entrar no Fórum
Data: Seg Jun 17, 2019 14:33
Índice do Fórum : História & Monarquia
Feitos dos Portugueses na Índia
Ir à página 1, 2, 3, 4, 5, 6  Próximo

Condestável
Monárquico
Monárquico


Offline
Mensagens: 179
Local: Reino de Portugal, Frontaria do Alentejo, Castelo de Ourém
Mensagem Enviada: Qua Jan 14, 2009 23:26     Assunto : Feitos dos Portugueses na Índia Responder com Citação
 
Inicia-se aqui um espaço de partilha de algumas histórias verídicas sobre as acções heróicas dos Portugueses na Índia. E que melhor maneira de começar com uns dos maiores amantes da História de Portugal, o professor Rainer Daehnhardt, Leiam, dá que pensar...

"É um erro considerarmos a História como um passado que morreu, que já não interessa e que deve ser arquivado. A História é a mais viva das raízes da nossa existência, é a memória colectiva do que os nossos antepassados fizeram para nos oferecer a nossa maneira de ser e estar.

A História escrita por um povo é uma aglomeração de factos consumados, criados por milhões de vontades individuais que, conscientes disso ou não, agiram em conformidade.

Portugal teve um papel de relevo na evolução da humanidade, escrevendo a sua história, não só dentro do seu torrão natal, como também por todo o mundo.

A nossa identidade está ligada às acções dos nossos antepassados como os anéis de crescimento anual dentro do tronco de uma árvore!

Raras vezes damos conta disso, mas tanto as acções positivas como outras criticáveis, tornam-se mais ou menos compreensíveis por derivarem de comportamentos ancestrais. Tantas vezes me lembro disso mesmo quando vejo automobilistas entrarem, sem a mínima precaução, para dentro de um cruzamento, para depois se "desenrascarem" com seja qual for a situação que encontrem! O saltar para o meio da moirama, sem plano, nem grandes probabilidades de sobrevivência, para "dar Santiago neles" até dizer chega e sair gloriosamente, com a cara mais serena do mundo, como se de um simples passeio se tivesse tratado, é uma atitude, no mínimo, insensata, mas é também um desafio ao heroísmo (tangente à loucura), que ainda hoje reconheço na nossa forma de conduzir.

O toureiro dos nossos dias, que esconde a espada por detrás da sua capa, enfrentando um adversário vinte vezes mais pesado, mas não menos ágil, faz-me lembrar o português seiscentista que enrolava a sua capa no braço esquerdo para enfrentar o adversário com capa e espada.

Um outro amigo meu, que foi forcado na sua juventude, disse-me o que sentia quando se colocava à cabeça do seu grupo, incintando o touro, pronto para se lançar sobre a enorme cabeça, evitando os cornos e agarrando-se ao tremendo pescoço do animal, contando que outros o viessem acudir. «Bem, a gente não pisava arena sem se preparar com uma pinga; e, já aí estando, não se podia deixar ficar mal a malta; incitava o animal, fazia o sinal da cruz e será o que Deus quiser». Não me admiro que só em Portugal se enfrenta o touro sem arma de espécie alguma na mão! Não me admiro que muitos dos actuais forcados sejam descendentes dos grandes navegadores e homens de guerra portugueses dos séculos passados!

A dada altura, comandou Afonso de Albuquerque seis naus nossas, com cerca de 400 homens a bordo. Após ter subjugado e, em parte, destruído diversos portos tributários ao Rei de Ormuz, fez o que ninguém julgou possível: entrou na baía de Ormuz, ficando cercado por 250 navios de guerra inimigos e juntando-se, em terra, um exército de 20.000 guerreiros, todos prontos para o aniquilar! Quando o Rei lhe mandou um emissário a bordo para questionar sobre os seus intentos, Afonso de Albuquerque enviou-lhe a seguinte mensagem: «Renda-se!!!»

Não há dúvida de que Albuquerque deve ser um dos antepassados espirituais destes rapazes que, ainda hoje, enfrentam o touro!

Quando, nos anos setenta, vi jovens açorianos desafiarem tudo e todos, deslocarem-se a Lisboa e içarem a bandeira azul e branca com o símbolo do açor protegendo as nove ilhas num mastro do aeroporto da Portela, no Castelo de S.Jorge e no monumento do Marquês de Pombal, vi também mais uns descendentes destes ilimitados portugueses quinhentistas!

Mergulhando um pouco nas histórias do passado, é possível encontrarmos mais compreensão pelo presente e alguma esperança no futuro, porque a única certeza que os inimigos da lusa gente podem ter é a de que o gene luso encontrará forma de vir ao de cima, derrubando seja o que for que contra ele tramarem!"


Rainer Daehnhardt
 
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Utilizadores Enviar Mensagem Particular

Condestável
Monárquico
Monárquico


Offline
Mensagens: 179
Local: Reino de Portugal, Frontaria do Alentejo, Castelo de Ourém
Mensagem Enviada: Qua Jan 14, 2009 23:31     Assunto : Responder com Citação
 
Uma Curiosa Troca de Insultos



Em 1537 alguns marinheiros portugueses praticaram um crime, então classificado como um "grande gaffe diplomática". Em frente de Diu recebeu-se o Sultão Bahadur Xá a bordo de uma nau portuguesa.
As conversações diplomáticas deram para o torto e o Sultão e sua comitiva resolveram retirar-se zangados.
Alguns marinheiros portugueses, indisciplinados, dificultaram-lhes a entrada no batel, chegando ao ponto de dar com um remo, fortemente, na cabeça do Sultão, tendo este morrido afogado. A acção vergonhosa causou um grito de vingança desde os reinos mulçumanos do Golfo de Cambaia até ao Egipto e Constantinopla. A viúva do Sultão ofereceu toda a sua fortuna para financiar uma expedição punitiva contra os portugueses. A fortaleza de Diu estava a ser defendida por 600 portugueses, comandados por António da Silveira. O Sultão de Cambaia e o turco Suleimão Paxá reuniram as suas forças, conseguindo cercar Diu com 70 galés turcas um exército de terra de 23.000 homens. Tendo já feito prisioneiros alguns portugueses, enviou por um deles uma carta a António da Silveira.
Temos de saber que Suleimão Paxá não era tido em boa conta pelos portugueses. Tratava-se de um eunuco que, através de uma revolução palaciana, com o levantamento geral dos eunucos, conseguiu degolar a família real, usurpando o respectivo trono e poder.

Quanto António da Silveira recebeu a carta do turco, virou-se para os seus companheiros dizendo: «Vejamos o que diz o perro do capado!» e leua a carta em público. Suleimão Paxá prometia aos portugueses livre saída de pessoas e bens desde que fossem para a costa de Malabar e entregassem a fortaleza e as armas. Prometia esfolar todos vivos se não o fizessem e glorificava-se de ter reunido o maior exército em Cambaia, tendo muita gente que tomara Belgrado, Hungria e a ilha de Rodes. Perguntava mesmo a António da Silveira como se iria defender num "curral com tão pouco gado"!

António da Silveira mandou vir papel e Tinta e, estando todos presentes, enviou-lhe a seguinte resposta:

«Muito honrado capitão Paxá, bem vi as palavras da tua carta. Se em Rodes tivessem estado os cavaleiros que estão aqui neste curral podes crer que não a terias tomado. Fica a saber que aqui estão portugueses acostumados a matar muitos mouros e têm por capitão António Silveira, que tem um par de tomates mais fortes que as balas dos teus canhões e que todos os portugueses aqui têm tomates e não temem quem os não tenha!»

Não se pode imaginar insulto maior! Narra-no Gaspar Correia que o capado, quando recebeu esta resposta, mandou logo matar alguns portugueses, feridos, que estavam na sua posse e começou um luta de gigantes. Durante mais de um mês António da Silveira fez-lhe frente, ficando os portugueses capazes de lutar reduzidos a menos de quarenta, mas causando tais baixas aos turcos que estes resolveram levantar o cerco a Diu e retirar-se

(Gaspar Correia: Cronica dos Feytos da Índica, vol. IV, p.34-36)
 
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Utilizadores Enviar Mensagem Particular

iznoguud
Regente
Regente


Offline
Mensagens: 2764

Mensagem Enviada: Qua Jan 14, 2009 23:46     Assunto : Responder com Citação
 
Um belo escritor o Sr. Rainer Daehnhardt, do qual tenho o prazer de possuir alguns livros.

IzNoGuud
_________________

 
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Utilizadores Enviar Mensagem Particular

Condestável
Monárquico
Monárquico


Offline
Mensagens: 179
Local: Reino de Portugal, Frontaria do Alentejo, Castelo de Ourém
Mensagem Enviada: Qui Jan 15, 2009 10:44     Assunto : Responder com Citação
 
Os Feitos de Diu
15 portugueses contra 400 mouros



Estavamos no dia 14 de Agosto, véspera de Nossa Senhora. Dia da passada Aljubarrota. Nessa manhã em Diu, saíram da fortaleza portuguesa Lopo de Sousa Coutinho e mais um pequeno grupo de portugueses, encarregados de dar protecção à gente míuda que ia buscar água e lenha à cidade, essa já em poder do inimigo. Restava pois a fortaleza, onde os portugueses se tinham refugiado, prontos a suster qualquer ataque.

É então que se encontram no caminho alguns mouros que deambulavam por ali, longe das suas hostes. A surpresa foi total. Eis então que o grito "Santiago" é ouvido, dando sinal ao ataque dos portugueses que imediatamente investiram contra os mouros. Estes, em estado de choque, fogem, apenas para avisar os seus camaradas que alguns portugueses tinham saído da fortaleza, e pois que com pouco esforço muitos dos seus poderiam apanhar os portugueses.

Assim foi. Quase de imediato, 400 mouros saiem do acampamento aos gritos e percorrem as ruas turtuosas em direcção ao pequeno bando de portugueses. Estes, ainda mal refeitos do choque, apercebem-se da imensa desvantagem numérica que se afigurava perante os seus olhos.

Os Portugueses da Índia eram«um bando de fidalgos aventureiros e degredados», Isto dizia o 1º Vice-Rey, Francisco de Almeida. E o episódio que se segue iria-lhe mais uma vez dar razão.

Estando Lopo de Sousa Coutinho, mais os seus 14 portugueses numa pequena e estreita rua, de onde se tinha dado o encontro inicial, aparece ao fundo desta grande ajuntamento de Mouros. Ultrapassando a tentação inicial de se lançarem como loucos ao inimigo, já uma tradição portuguesa da Índia, Simão Furtado, um grande cavaleiro e homem avisado, sai de fronte dos portugueses, impedindo-lhes a passagem, dizendo:
-" Deixai-os vir, deixai-os vir! Que quanto mais se juntem e apinhem a rua, menos uso farão de suas armas! "
Pois assim foi.

Os portugueses esperaram, ombro a ombro, a chegada do inimigo em fúria. E deu-se o embate. Lanças, espadas, terçados, punhais, todos brilhavam perante a imensidão de homens que ali, naquela pequena rua se empurravam uns aos outros. Os mouros, que da sua primeira fila tinha sido empalada pelas lanças portugueses, subiam uns por cima dos outros, na ânsia de matarem um português. Nesta correria, muitos morriam espezinhados pelos seus compatriotas, outros subiam os telhados para se amandarem por cima dos portugueses, estes que, maravilha de se ver, resistiam a tudo e ainda tinham o valor de desferirem golpes de espada sobre o inimigo, um após o outro.
E se lhes faltava as armas, pois que faziam como Simão Furtado, que com as suas próprias mãos pegava nos mouros, e aos pontapés os enfiava para lá das suas linhas.

Mais uma vez se viu então como os poucos que os nossos eram, bastaram para lhes fazer conhecer como Deus primeiramente, e os lugares muitas vezes, dão a vitória a quem os conhece. Dos mouros, 30 mortos e muitos mais feridos, viram-se perante a impossibilidade de uma vitória, a escolha de uma debandada, voltando as costas aos portugueses. Dos nossos, o próprio Lopo de Sousa Coutinho que ao longo do combate esteve sempre à frente dos seus homens, encontrava-se ferido na perna esquerda, resultado de uma profunda cutilada. Mas a ordem e o desejo foi instantâneo. Pois então que os poucos portugueses puseram-se perseguindo os perros que fugiam, já arrependidos de ter entrado em batalha contra tão valorosos homens. E ainda mais tempo os perseguia, se não fosse chamarem-nos da fortaleza, que entretanto tinha se repleto de portugueses nas muralhas, assistindo com grande emoção à peleja de tão poucos contra tantos.
 
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Utilizadores Enviar Mensagem Particular

papabravo
Utilizador
Utilizador


Offline
Mensagens: 44

Mensagem Enviada: Qui Jan 15, 2009 12:15     Assunto : Responder com Citação
 
iznoguud escreveu:
Um belo escritor o Sr. Rainer Daehnhardt, do qual tenho o prazer de possuir alguns livros.

IzNoGuud



E ao qual eu tenho o prazer de conhecer pessoalmente | Wink
 
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Utilizadores Enviar Mensagem Particular

Condestável
Monárquico
Monárquico


Offline
Mensagens: 179
Local: Reino de Portugal, Frontaria do Alentejo, Castelo de Ourém
Mensagem Enviada: Qui Jan 15, 2009 18:00     Assunto : Responder com Citação
 
Peço a vossa atenção para esta emocionante carta do Governador da Índia, D. João de Castro, em que encarrega o filho de ir ajudar a socorrer a sitiada fortaleza portuguesa de Diu.



Carta de D. João de Castro ao seu filho D. Fernando de Castro

"Eu vos mando filho, com este socorro a Diu, que pelos avisos que tenho, hoje estará cercado de multidão de Turcos. Pelo que toca à vossa pessoa não fico com cuidado, porque por cada pedra daquela fortaleza arriscarei um filho.
Encomendo-vos que tenhais lembrança daqueles de quem vindes, que para a linhagem são vossos avós, e para as obras são vossos exemplos.
Fazei por merecer o apelido que herdaste, acordando-vos que o nascimento em todos é igual; As obras é que fazem os homens diferentes.
E lembro-vos, que o que vier mais honrado, esse será o meu filho. Esta é a benção que nos deixaram nossos maiores, morrer gloriosamente pela Lei, pelo Rei, pela Pátria!
Eu vos ponho no caminho da honra, em vós está agora ganhá-la!"


Foi efectivamente uma carta de despedida, já que o filho de D. João de Castro veio a falecer gloriosamente na missão que o pai lhe encarregou.
 
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Utilizadores Enviar Mensagem Particular

Gonçalo de Albuquerque
Monárquico
Monárquico


Offline
Mensagens: 188
Local: Vale de Milhaços
Mensagem Enviada: Qui Jan 15, 2009 20:39     Assunto : Responder com Citação
 
Caro Sequeira,

Fantástico post. Excelente ideia a publicação e recolha destas histórias 0clap

Permita-me a vontade, de poder publicar os seus posts no meu novo blog.

Fico a aguardar resposta.
Cumprimentos, Smile
 
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Utilizadores Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail Visitar a homepage do Utilizador

Condestável
Monárquico
Monárquico


Offline
Mensagens: 179
Local: Reino de Portugal, Frontaria do Alentejo, Castelo de Ourém
Mensagem Enviada: Qui Jan 15, 2009 20:44     Assunto : Responder com Citação
 
Gonçalo de Albuquerque escreveu:
Caro Sequeira,

Fantástico post. Excelente ideia a publicação e recolha destas histórias 0clap

Permita-me a vontade, de poder publicar os seus posts no meu novo blog.

Fico a aguardar resposta.
Cumprimentos, Smile


Sequeira?
O Sequeira não sei, mas por mim está à vontade. Laughing Razz

Já agora, deixe aqui o endereço, para eu ir lá fazer uma visita. Wink

Brevemente saíram mais "histórias" destes nossos antepassados.
 
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Utilizadores Enviar Mensagem Particular

Gonçalo de Albuquerque
Monárquico
Monárquico


Offline
Mensagens: 188
Local: Vale de Milhaços
Mensagem Enviada: Qui Jan 15, 2009 20:48     Assunto : Responder com Citação
 
Caro Condestável,

Desculpe, mas isto de escrever à presa, faz-nos cair no erro.
Embarassed Wink

Agradeço a permissão 31

O blog é: http://amonarquiaviveemportugal.blogspot.com

Cumprimentos, Smile
 
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Utilizadores Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail Visitar a homepage do Utilizador

sequeira
Monárquico
Monárquico


Offline
Mensagens: 252

Mensagem Enviada: Qui Jan 15, 2009 23:19     Assunto : Responder com Citação
 
Caro Condestável

Relembro com saudade os meus tempos de criança em que textos como os que você publica e outros igualmente patrióticos e heróicos, passavam como romances radiofónicos, na antiga Emissora Nacional. As crianças aprendiam a nossa Gloriosa História e sentiam-se próximos e emulados a esses antigos Portugueses.

Os outros países não se coibem de continuar esse trabalho, agora sob a forma de filmes e séries de televisão. Quantos actos heróicos nós tivemos (você relata alguns) semelhantes ao Master and Commander, à Rainha Elisabeth e tantos outros, franceses, ingleses, espanhóis?

Gastamos tanto dinheiro em porcarias que ninguém vê.

Até o Canal História que nós pagamos é um produto espanhol. Poucos ou nenhuns programas desse canal são sobre a nossa Gesta Gloriosa.

Salva-se apenas o Prof. José Hermano Saraiva. No entanto merecia o 1º Canal, em hora nobre.

Ao fim e ao cabo também somos nós que o pagamos.

sequeira
 
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Utilizadores Enviar Mensagem Particular