Doutrina Monárquica

Espaço dedicado a uma proposta concreta sobre um Modelo alternativo de Regime para Portugal

Moderador: Beladona

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J. Duarte
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Doutrina Monárquica

Mensagem por J. Duarte »

Doutrina Monárquica
Para se fazer, hoje, a Monarquia, em Portugal, é preciso, primeiro que tudo, definir a doutrina monárquica, e, depois, propagá-la, exaltá-la, impô-la, pela persuasão , ao País, que dela anda bastante esquecido.
O País necessita de ser elucidado sobre o que lhe convém e para onde se deve ir. Há que recordar-lhe os princípios, as vantagens, e a necessidade da Monarquia, para ele assim saber evitar o regresso à engrenagem sediça e desacreditada do sufrágio político, da balbúrdia dos partidos, da Democracia, enfim, ante-câmara do Comunismo.
Tal missão incumbe primordialmente à Causa Monárquica — deve ser esse o seu principal fim —, pois uma Causa sem doutrina não passa dum partido que pretende escalar o poder. Uma Causa — na acepção elevada do termo — é uma doutrina em acção .
Mas um jornal cultural de rapazes universitários monárquicos tem também por primacial dever enunciar os princípios base da Monarquia futura, para depois os estudar, os discutir, os desenvolver, e os relacionar com os problemas sociais da hora presente. Por isso bem avisada andou a Mensagem, formulando as bases aqui publicadas e arvorando-as como sua bandeira, para que sobre elas dissertem os seus colaboradores.
Reconheçamos desde já que tais bases nem são o produto duma construção a priori, formulada por teóricos de gabinete, nem tão pouco o chamariz fácil arquitectado por tribunos da plebe para o engodo dos amadores de novidades. São as características essenciais, permanentes, da nossa Monarquia, vincadas e experimentadas através dos séculos, que deram feição ao Estado português, à própria Nacionalidade, e com ela se confundem. A degenerescência da Monarquia absolutista, e, depois, da pseudo-Monarquia liberal, que conduziram à ruína e à catástrofe, só vem demonstrar a excelência dos princípios que informaram a nossa Monarquia tradicional e que deverão informar a Monarquia do futuro.
Isto quer dizer que a Monarquia de amanhã será um regresso a fórmulas que fizeram o seu tempo há mais de um século, e que seriam extemporâneas na complexa sociedade de nossos dias? De modo nenhum. Quer dizer, apenas que os cinco princípios aqui enunciados — que não são novos mas são sempre actuais — traduzem as verdades perenes sobre as quais tem de assentar a comunidade portuguesa para que se possa considerar integralmente e definitivamente organizada.
Nenhum deles se opõe às exigências do mundo moderno, ou ao progresso (passe o termo) a que é legítimo os povos aspirarem. Pelo contrário, a dura lição da experiência, o desvario dum século de quimeras, e as exigências da vida de hoje conduzem à conclusão de que a Monarquia orgânica, corporativa, anti-parlamentar, a um tempo tradicional e progressiva, antiga e ultra-moderna, liberta dos erros retrógados da mistificação democrática, a cuja falência a nossa pobre geração tem incessantemente assistido, — é a única fórmula perfeita, humanamente perfeita, do governo dos povos, a que lhes assegura maior soma de estabilidade, de justiça e de liberdades, a que lhes dá maior prestígio e prosperidade.
Por isso os regimes não -monárquicos só são aceitáveis e podem realizar coisas grandes quando se aproximam da Monarquia, imitam a Monarquia, caminham para a Monarquia.
Veja-se o exemplo da Espanha.
A função duma Causa de Ordem num país em ordem não é atacar e desprestigiar o Poder para conquistar o Poder, mas — pela doutrinação , pela perseverança, e pela confiança que deverá inspirar — influir no Estado, conformar o Estado, criar ambiente ao Estado para ele poder evoluir, ter de evoluir no sentido da sua estrutura definitiva, integralmente nacional.
Se, portanto, a missão primordial da Causa monárquica em Portugal é esta: — preparar a Nação e informar o Estado para a sua evolução normal, até a cristalização definitiva, — o seu primeiro dever é definir esse corpo de doutrina, are já -lo, dinamizá-lo, impô-lo.
Ouve-se dizer às vezes: «O essencial é vir o Rei; o Rei no trono é já só por si a Monarquia.» Ora, não é assim! Durante 76 anos tivemos Rei no trono e não tivemos Monarquia senão quando o Rei, rompendo as peias constitucionais, se dispunha a governar monarquicamente. Pretendeu o Rei D. Carlos governar monarquicamente, e por isso o mataram. Porque não havia Monarquia. Havia já República, embora mascarada de manto e coroa.
Portugal não quer mais uma República estrangeirada, de manto e coroa. Quer uma Monarquia bem monárquica, bem portuguesa. Uma Monarquia em que a Nação tenha a consciência do que é a Monarquia, e em que o Estado monárquico tenha a noção do seu próprio dever.

O Corvo
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Mensagem por O Corvo »

"Mistificação democrática", imposições e ainti-constitucionalismo?!?! É isto que V. Exa. quer para o nosso país? Se assim o é não vejo outro termo para o classificar senão como fascista.

Julgo estar certo quando digo que toda a gente neste forum considera a Monarquia como a opção mais viável para ressurreição do nosso Portugal, mas nunca à custa da liberdade do seu Povo. Isso, meu caro, a meu ver é inaceitável. Estou inclusivamente surpreendido de ninguém se ter manifestado neste sentido até à data. Espero também, muito sinceramente, que não seja esta a doutrina reiterada pelos demais membros deste forum.

Se o sistema governativo deve ser alterado? É discutível. Na minha óptica a questão é social e está ligada directamente à falta de sentido de estado e de comunidade da classe política vigente e à corrupção dominante. Julgo também que a isenção característica de um Monarca é essencial para mudar esta situação , ma NUNCA à custa da Democracia e da Liberdade do cidadão comum. Os cidadãos devem respeitar o seu Rei e não temê-lo. Não estamos na Era Medieval e as coisas mudaram por razões plausíveis e naturais, quer em Repúblicas quer em Monarquias.

Reitero aqui o meu desagrado e desacordo em relação a este comentário e a posturas ou doutrinas que visem castrar as liberdades do mui nobre Povo Português. Podem contar comigo para estar no lado oposto da barricada a qualquer pessoa que queira impor esta realidade a Portugal.
Justiça sem poder é vã,
Poder sem justiça é apenas violência.

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iznoguud
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Mensagem por iznoguud »

O Corvo Escreveu:"Mistificação democrática", imposições e ainti-constitucionalismo?!?! É isto que V. Exa. quer para o nosso país? Se assim o é não vejo outro termo para o classificar senão como fascista.
Situação com a qual, apesar de haver monárquicos que se revejam nesta situação , não é com toda a certeza quer a vontade dos Portugueses como, penso eu, da maioria dos monárquicos para uma Monarquia do Século XXI.

A Democracia e a Liberdade de Expressão são valores, com os Deveres e Obrigações que impõem, essenciais para uma Sociedade Europeia da actualidade. Pode-se indicar que se incorre em "exageros" na aplicação destas, procurando-se assim "limitar" as mesmas... eu recuso tal situação , pois enquanto Sociedade temos de ser capazes de travar os excessos que possam ser cometidos ou até os aproveitamentos de lacunas que possam existir sem que seja necessário "travar-se" o que quer que seja.

A defesa de "Democracias" limitadas, como eu lhes chamo, apenas se traduzem em Sociedades Oligárquicas onde a(s) Classe(s) no poder legislam e definem enquanto "certo" e "errado" tudo aquilo que lhes possa interessar ou não . Caminha-se assim, no fundo, para a Sociedade "Formigueiro" onde a "Rainha" manda e os demais têm toda a liberdade do mundo... para obedecer aos critérios definidos pela mesma.

Recuso pura e simplesmente tal tipo de Sociedade, especialmente se Monárquica, pois tal como estamos presentemente basta um "erro" nesta direcção para que os Portugueses arrumem, de vez, a Monarquia no baú da velharias.
O Corvo Escreveu:Julgo estar certo quando digo que toda a gente neste forum considera a Monarquia como a opção mais viável para ressurreição do nosso Portugal, mas nunca à custa da liberdade do seu Povo. Isso, meu caro, a meu ver é inaceitável. Estou inclusivamente surpreendido de ninguém se ter manifestado neste sentido até à data. Espero também, muito sinceramente, que não seja esta a doutrina reiterada pelos demais membros deste forum.
Não direi de todos, uma vez que também existem aqueles que se apresentam enquanto Republicanos ou até sem Regime definido, mas seremos a maioria sim.

Também a maioria se define, pelo menos que eu note, enquanto defensores de uma Sociedade Democrata e Livre. Apesar de notar que os conceitos de "Liberdade" e de "Democracia" já variam substancialmente de pessoa para pessoa lol.

Este espaço define-se enquanto uma tentativa de emular uma Sociedade Monárquica do Século XXI, promovendo os mesmos valores que já frisámos da forma que consideramos ser mais parecida com o que se pretende.

Quanto à falta de resposta... presumo que tenham ficado no ar as eventuais respostas, até que terão caído no esquecimento as mesmas... ou pura e simplesmente os membros terão optado por não responder ao mesmo texto.
O Corvo Escreveu:Se o sistema governativo deve ser alterado? É discutível. Na minha óptica a questão é social e está ligada directamente à falta de sentido de estado e de comunidade da classe política vigente e à corrupção dominante.
Eu defendo que o mesmo deverá de ser reformado por forma a que se atribuam mais e novas competências ao Povo Português, por forma a que este seja capaz de agir e interagir em paralelo com os seus governantes eleitos, naquilo que se pode apelidar de Democracia Directa ou Semi Directa.

Esta escolha vem na continuação da "evolução " do Estado Absolutista para o Estado a que chamarei de Popular, por ser ao Povo que competirá tomar as decisões respeitantes ao seu futuro e que ultrapassem o âmbito pelo qual os seus governantes foram eleitos.
O Corvo Escreveu:Julgo também que a isenção característica de um Monarca é essencial para mudar esta situação , ma NUNCA à custa da Democracia e da Liberdade do cidadão comum. Os cidadãos devem respeitar o seu Rei e não temê-lo. Não estamos na Era Medieval e as coisas mudaram por razões plausíveis e naturais, quer em Repúblicas quer em Monarquias.
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O Corvo Escreveu:Reitero aqui o meu desagrado e desacordo em relação a este comentário e a posturas ou doutrinas que visem castrar as liberdades do mui nobre Povo Português. Podem contar comigo para estar no lado oposto da barricada a qualquer pessoa que queira impor esta realidade a Portugal.
Encontrar-me-á, com toda a certeza, ao seu lado. No entanto indico que esta "visão " tem crescido em visibilidade nos diversos espaços monárquicos apontando para o, aparente, falhanço do modelo Liberal Constitucional o qual é, caricatamente, apelidado de... absolutista.

IzNoGuud

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