Integralismo Lusitano

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Moderador: Beladona

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Churchill
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Integralismo Lusitano

Mensagem por Churchill »

Ando a ler recentemente o livro editado por Luís Loia chamado "Liberalismo Constitucional 1826-1926". Nele há alguns textos escritos entre as duas facções do pensamento monárquico, a liberal-constitucional e a integralista.



Transcrevo aqui alguns textos assinaláveis e podem interessar a alguns membros deste fórum.



O primeiro deles escrito pela Junta Central do Integralismo Lusitano em de Outubro de 1919 (após a Monarquia do Norte) Neste primeiro comunicado, desvinculam a sua lealdade ao ex-rei D. Manuel II :



«[...] O pensamento e as intenções de governo do Soberano destronado pela revolução de 1910, que não reproduzimos aqui pelo respeito devido à sua pessoa, não poderiam ser jamais por nós seguidos, sem nos impor a violência de atraiçoar o interesse nacional, expresso no enunciado dos nossos princípios. Na amargura desta profunda desilusão que tão mal corresponde às dedicações extremas do nosso esforço, a nossa fé nos destinos da Pátria não esmorece e revigora-se a nossa esperança, ao confiarmos à Juventude de Portugal a guarda e defesa do património eterno da sua melhor tradição de governo e o encargo glorioso de manter sempre erguido o pendão ensanguentado das nossas reivindicações.

Monárquicos por sermos nacionalistas e não por lealdade à pessoa do Rei - segundo os nossos princípios, a tradição histórica e as leis da sucessão , serviremos como Rei de Portugal aquele Príncipe de sangue português que melhor personificar o interesse da Nação e cuja legitimidade venha a ser reconhecida pelas Cortes Gerais, ou seja pela Assembleia Nacional dos representantes dos Municípios, das Províncias e das Corporações.»




Ao reunirem-se com o Partido Legitimista em 1922, a acta foi:



«Os pontos concretos, de realização imediata, [...] são os seguintes:

a) Autonomia dos municípios. Representação directa de cada freguesia na Câmara, por um vereador da sua eleição . Representação das profissões organizadas nos municípios de maior importância.

b) Reconhecimento da Província como unidade geográfica e administrativa, governada por um magistrado de confiança do Rei. Assembleia provincial constituída pelas delegações municipais e profissionais.

c) Constituição de duas câmaras (provisoriamente): uma de eleição de entre os vereadores das Câmaras de cada Província, outra composta por delegados de classes e profissões. Não tem voto político, nem função deliberativa.

d) Governo nomeado pelo Rei, tendo em vista o interesse e as indicações de cada classe. Conselhos técnicos junto de cada ministro, para o estudo dos diversos ramos da administração e paraa elaboração das leis. Os ministros não têm solidariedade política e são responsáveis perante o Rei.

e) Regime concordatário, conforme se convencionar com Roma. Liberdade de congregação e de ensino. (Readmissão das ordens religiosas)

f) Revigoramento da instituição familiar. Revogação da lei do divórcio. Instituição do casal de família. Vinculação da terra.

g) Reorganização económica do país, pela intervenção governativa junto da propriedade particular, no sentido da intensificação das culturas e das transformações dos métodos. Economia colonial: regime de autonomia administrativa para maior valorização económica. Reforma tributária, política e económica; remodelação do crédito; Lei do trabalho obrigatório. Organização do trabalho em regime corporativo.

h) Como consequência das indicações antecedentes, reconhecimento do poder pessoal do Rei e supressão dos partidos políticos, como organizações contrárias à unidade nacional e ao supremo interesse da Pátria.»




As instruções de organização da Junta Central do Integralismo foram escritas em 25 de Dezembro de 1920:



«O integralismo lusitano é o sistema de princípios filosófico-políticos que se destinam a restaurar a Nação Portuguesa pela autoridade do Rei e pela intervenção nos órgãos do estado dos legítimos representantes dos Municípios, das Províncias, e das Corporações, da Inteligência e do Trabalho.

Em nome do interesse nacional, proclama a legitimidade histórica das instituições monárquicas, e Rei legítimo o Príncipe que dignamente as servir; defende, contra as ficções liberalistas, a monarquia orgânica, antiparlamentar e descentralizada, reivindicando assim o carácter histórico e científico da verdadeira Monarquia.

O Integralismo Lusitano como expressão perfeita das aspirações nacionais, é nacionalista por princípio, sindicalista (corporativista) por meio, monárquico por conclusão .

Não é um novo partido que se prepara para assumir o poder, pelo contrário, é uma corrente de opinião que procura libertar a Nação das clientelas partidárias, entregando a defesa dos diversos interesses aos seus órgãos próprios.»




A grande oportunidade dos Integralistas Lusitanos veio com a morte do presidente Óscar Carmona em 1951. Salazar optou por não restaurar a monarquia e os integralistas passaram no decorrer da história à oposição , encabeçada por Henrique Barrilaro Ruas.

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longair
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Mensagem por longair »

Será isto ;) :mrgreen:
C. Longair

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